O LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO: MUITO ALÉM DE UM MÉTODO
 
O LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO: MUITO ALÉM DE UM MÉTODO
 


INTRODUÇÃO



No Brasil, o termo letramento foi usado pela primeira vez em 1986, por Mary Kato, dois anos depois passou a ser um referencial nos discursos educacionais, tendo em vista novas perspectivas nas práticas sociais da leitura e escrita.

Na busca da melhoria e da qualidade de ensino, torna-se existente diversos pontos de vista de pesquisadores com relação a alfabetização e letramento. Durante décadas houve a procura de um método, que criasse um vínculo entre professor e aluno numa relação de segurança, simplicidade e aprendizagem de forma mais eficiente, prazerosa e duradoura, essa metodologia proposta é fundamentada em uma contribuição para a inserção social das crianças e adolescentes como indivíduos participantes do processo pelo qual se compartilham decisões, que afetam a própria vida e da comunidade que habitam é fato que o nosso país possui números significativos de indivíduos que não adquiriram o saber necessário para atender as exigências e adaptações de uma sociedade letrada onde aprender estratégias e habilidades para resolver problemas em diferentes contextos, utilizando os conhecimentos disponíveis para enfrentar situações novas inesperadas é importante para a construção da aprendizagem dos alunos como o domínio do sistema de escrita alfabética. Sendo assim, é necessário no processo evolutivo da aprendizagem, que as crianças elaborem hipóteses, e encontrem respostas para as perguntas:

. O que a escrita representa?
. Como a escrita cria essas representações?

Sendo o ponto de partida para a democratização o contato com a cultura escrita, é importante quando expomos na sala de aula cartazes, livros e textos elaborados por alunos em diversas situações tornando assim um ambiente alfabetizador a fim de melhorar o desenvolvimento cognitivo do educando através de vários gêneros textuais.

No decorrer de nossa prática observamos que o letramento vai além de vários métodos para se alfabetizar, pois o letramento não se detém em técnicas de alfabetização, ele é o norteador que da significado ao que se ler e escreve. Por isso, em nossa sociedade atual alfabetizar letrando é o mais viável, em âmbito escolar, formando seres letrados em diversos ambientes e etapas da vida. Essas premissas é que nos conduziu pesquisar sobre o tema em estudo.

Pesquisa sobre a produção acadêmica e científica a respeito da alfabetização, nas últimas quatro décadas (Soares, 1989), mostra a predominância, do letramento do século passado sobre qualquer outra faceta do processo de aquisição da língua escrita. Nos anos 50 e 60, o Brasil continuava com o problema de analfabetismo que estava associado a leitura e escrita. Entretanto, há diversas discussões sobre analfabetismo através de políticas públicas em programas desenvolvidos nos últimos anos tendo como alvo apenas decodificação de palavras, sem se preocupar com entendimento da linguagem e seus significados. A partir da problemática apresentada temos quatro questionamentos a saber:
O letramento é apenas um método?
O letramento surgiu para substituir a alfabetização?
Existe um método adequado para alfabetizar letrando?
Qual a relação entre a alfabetização e o letramento?
.
Para entendermos tais situações que englobam letramento, é necessário recorrermos e fundamentarmos nossos estudos, nos apoiando em alguns pressupostos teóricos: Freire (1992), Soares (2003), entre outros. Tais teorias nos ajudaram a compreender a importância do letramento associado a diversas formas de alfabetização, pois não basta ler e escrever mas é preciso que o indivíduo adquira competência e habilidade de interpretar e produzir diferentes gêneros de textos.

Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar as práticas pedagógicas envolvendo o letramento no cotidiano escolar. E como objetivos específicos: Analisar os fatores utilizados pelos professores para alfabetizar; Identificar as dificuldades no trabalho pedagógico em alfabetizar letrando e, Sugerir práticas educativas para desenvolver um letrado.

Dividimos o presente trabalho em quatro capítulos. Inicialmente traçamos um resgate sobre a história da alfabetização e letramento no Brasil. No segundo capítulo abordaremos a alfabetização, pois julgamos que muitos buscam um método eficaz, em sua grande maioria, são aqueles envolvidos na prática escolar da alfabetização, sem lembrar que a criança não precisa apenas de um método de ensino com junções de letras, mas faz-se necessário a leitura de vários tipos de texto pois estão sempre se alfabetizando popularmente e em conhecimentos diversos.

No terceiro capítulo falaremos da contribuição do letramento na construção do conhecimento do ser que está inserido em sociedade,.pois o letramento abre as portas, para o mundo e refaz um conhecimento de tudo que nos cerca. No quarto e último capítulo, finalizaremos o nosso trabalho monográfico, destacando os procedimentos metodológicos, fazendo um relato sobre o campo de pesquisa e os instrumentos utilizados para elaboração de nosso trabalho, onde concluímos que cada indivíduo alfabetizado necessita ser letrado através de uma didática onde o aluno tenha a capacidade de compreensão mais rápida, aprenda a comparar ideias e construa seu próprio conhecimento dando significado ao que ler.


CAPÍTULO 1



1.1 HISTÓRICO DA ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NO BRASIL

Antes de tratarmos especificamente sobre o letramento na educação muito além de um método, faz-se necessário uma viagem no tempo sobre a política educacional no Brasil, partindo do ponto de onde tudo começou. Foram os jesuítas que fundaram a primeira escola em 1542 na Bahia e tinha como objetivo propagar a fé e salvar a alma dos índios.

Quando a missão religiosa foi expulsa em 1749, pelo Marquês de Pombal, foi criado o ensino das primeiras letras: as crianças aprendiam a ler e a escrever e contar um pouco da doutrina cristã. Veio da França a proposta de arquitetura, pois em 1872 o primeiro censo fez aparecer o analfabetismo em números alarmantes e tinha como objetivo abrigar diversas classes, do primário a escola normal, enfim, um grupo escolar.

Os imigrantes europeus ajudaram no desenvolvimento da escola brasileira. Chegaram ao Brasil no século XVIII e pressionaram as autoridades brasileiras a aumentar o número de escolas.

Ao iniciar a República, nas últimas décadas do século XIX, a alfabetização era apresentada como proposta de ensino e esclarecimento do conhecimento que instigava as práticas de leitura e escrita sendo baseada para uma nova política econômica e social. Nesta época buscava-se o melhor método para alfabetizar, buscando novas práticas. Para o desenvolvimento, em sala de aula, o método utilizado fundamentava-se no positivismo criado por João de Deus sendo apresentado em São Paulo por Antônio da Silva Jardim na década de 1880.

Os principais métodos de alfabetização que foram historicamente falados conduziram novos rumos e traçaram metas para o ensino brasileiro. Morais et al (2005 p.17) definem métodos como um caminho que conduz a um fim determinado, no campo científico, ele é entendido como um conjunto de procedimentos sistemáticos que visa o desenvolvimento de uma ciência ou parte dela.

Vejamos então os métodos de alfabetização mais utilizados em alguns momentos históricos no Brasil.

Os métodos de alfabetização dividem-se em três grandes grupos:

OS MÉTODOS SINTÉTICOS: Pressupõem o começo da aprendizagem tendo como padrão as partes fundamentais simples, como: letras, sons ou sílabas por meio contínuo de ligações que levem o aluno a ler palavras, frases e textos. Sendo das unidades menores letras,sílabas, passará analisar unidades maiores, isto é, palavras, frases e textos baseando-se sempre nas partes menores para o todo .

Acredita-se que as coisas mais simples do ponto de vista lógico devem ser simples no psicológico. De acordo com Morais e outros Apud Roazzi et al

Pode-se dizer que estes métodos, sob forma dos métodos a alfabéticos, são os mais antigos, sendo utilizados, sem outros competidores, desde a antiga Grécia e o Império Romano até o início do século XVIII (1996, p.09).
. .

A intenção de habituar ao exercitar esta condição necessária desde o início da aprendizagem da leitura alicerçando-se na prática da soletração onde os alunos proferiam os nomes das letras, unindo em sílabas e depois em palavras.

A crítica a esse modelo de alfabetização fez-se no próprio interior na perspectiva sintética os programas dos métodos fônicos afirmam que o método sintético tinha um procedimento artificial, criando problemas na utilização das palavras nos nomes das letras que não correspondiam aos sons que elas representavam, sendo o processo da aquisição da escrita tendo um caráter significativo na absorção da aprendizagem.

OS MÉTODOS ANALÍTICOS: Sugere um ensino da linguagem tais como: palavras, frases ou textos pequenos, para depois encaminhar à análise das partes compostas da escrita (letras e sons) como enfatiza Morais e outros afirmam.


A análise das unidades mais simples e elementares palavras não é feita fora do significada que estas partes contribuem para formar. Estes métodos se fundamentam em no fato de que os mecanismos formais da leitura não são necessários nas fases iniciais, podendo até tornarem?se um obstáculo(1996, p. 09).

O ensino na transmissão de conhecimento das partes das palavras demonstrada a criança, há uma diversidade de palavras que elas conhecem globalmente, através da mesma realização aos poucos, as crianças aprendem uma quantidade de palavras, que posteriormente aprenderão a afixar um conjunto de palavras de forma estável.

Em 1920 Sampaio Dória transmite a liberdade didática para professores utilizar e definir o melhor método a ser utilizado, que na verdade seria o método misto sintético ? analítico um dos exemplos é a cartilha caminho suave.

Tempos depois preocupando-se com a maturidade das crianças para aprendizagem da leitura e da escrita de um texto do ABC, surgiu uma nova interrogação. O que seria importante não era o método e, sim a maturidade da criança. Em 1970 pesquisadores e educadores compreenderam que analisar onde está o fracasso sobre o método e maturidade, não identificaria o problema do fracasso escolar.

O MÉTODO ANALITICO SINTÉTICO: Parte do processo que começa em um estágio de conhecimento global (palavras, frases, textos). Em seguida, passa-se para o analítico sintético, tendo característica em palavras e letras ou sílabas, com as variações do métodos analítico- sintético, encontramos a palavração. Com ele, os alunos aprendem palavras, e depois separa as sílabas para que com essas formas criem outras palavras. Um exemplo é o " método Paulo Freire" neste método de palavração global as palavras são selecionadas em um universo do indivíduo.

Assim, Paulo Freire surge trabalhando alfabetização de adultos, tendo como fundamento na cidadania linguística, considerando os aspectos sociais da linguagem e a relação língua e condições sociais dos falantes. Nas décadas de 70 e 80 do século passado aconteceu uma disputa entre os dois métodos. Defensores do método misto e o construtivismo marcaram o processo de alfabetização no Brasil.

O construtivismo tinha como proposta valorizar e trabalhar com diversos tipos de textos, sendo diferente das lições que vinham prontas. Das cartilhas não melhorando o fracasso escolar.

Na Segunda metade do ano de 1980, o termo letramento surgiu nos discursos dos especialistas das ciências linguísticas, sobre essa perspectiva, o termo letramento ("literacy") na literatura inglesa, em que se apresenta uma diferenciação entre "escrita", "alfabetização" e "letramento".

O letramento consiste na ação de ensinar a ler e escrever, capacitando o indivíduo para usar as habilidades sociais e contemporâneas para escrever vários tipos de textos e interpretá-los.

Segundo Soares Apud Ribeiro valoriza-se conjunto de práticas sociais explorando a tecnologia instrumental.

Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: O domínio da tecnologia do conjunto de técnicas para exercer arte e ciência da escrita. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina-se letramento que implica-se habilidades várias, tais como: capacidade de ler e escrever para atingir diferentes objetivos (1998, p.91).

O ensino e a aprendizagem tecnológica da escrita focalizam o sistema alfabético da mesma, visando a capacidade de decodificar sinais gráficos. Porém, se professores e alunos tiverem a condição de estabelecer relações entre vários significados construindo novos contextos do ensino ? aprendizado, terão melhores oportunidades de analisar a alfabetização interligada com o letramento.

1.2. DEFINIÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Atribui-se à alfabetização um sentido amplo que está relacionado ao processo de ensino aprendizagem, ou seja, o sistema fonológico para o sistema ortográfico.

A Alfabetização designa um processo que leva o indivíduo ao domínio do sistema da escrita, isto é, produção adequada em situações em que a escrita for melhor alternativa. Com o letramento o termo alfabetização foi ampliado além de grafemas e fonemas utilizados. Ao iniciar a escrita a criança constrói e reconstrói hipóteses em relação a língua falada e escrita, a alfabetização e o letramento é o processo de inserção na cultura escrita, não se trata de escolher entre alfabetizar ou letrar, trata-se de alfabetizar letrando. Não se pode pensar como dois processos consequentes, isto é, vindo depois do outro, como se o letramento fosse outra espécie de preparação para a alfabetização. Assim, entende-se que a ação pedagógica mais adequada e produtiva é aquela que contempla de maneira articulada e simultânea, a alfabetização e o letramento.

Kato (1995, p. 46) assim define o letramento em um poema:

Letramento não é um gancho
em que se pendura cada som enunciado,
não é treinamento repetitivo
de uma habilidade,
nem um martelo
quebrando blocos de gramática.
Letramento é diversão
é leitura à luz de vela
ou lá fora, à luz do sol.
São notícias sobre o presidente
O tempo, os artistas da TV
e mesmo Mônica e Cebolinha
nos jornais de domingo.
É uma receita de biscoito,
uma lista de compras, recados colados na geladeira,
um bilhete de amor,
telegramas de parabéns e cartas
de velhos amigos.
É viajar para países desconhecidos,
sem deixar sua cama,
é rir e chorar
com personagens, heróis e grandes amigos.
É um atlas do mundo,
sinais de trânsito, caças ao tesouro,
manuais, instruções, guias,
e orientações em bulas de remédios,
para que voce não fique perdido.
Letramento é, sobretudo,
um mapa do coração do homem,
um mapa de quem voce é,
e de tudo que voce pode ser.

No poema, verificamos que o letramento é mais que alfabetização. Na verdade, o letramento é o estado ou condição de quem se envolve nas mais variadas práticas sociais de leitura e de escrita. A partir disso, discorreremos sobre a educação no Brasil.




1.3. O SISTEMA DE EDUCAÇÃO ATUAL NO BRASIL

Aos poucos a educação no Brasil vem se aprimorando na tarefa de alfabetizar, tendo como ponto de partida a realidade brasileira, ela resulta de um movimento na renovação pedagógica, pensando a necessidade de alçar o ensino a um patamar democrático, uma vez que o direito a educação não é apenas o acesso à escola. Sem garantir a permanência da apropriação do conhecimento pelo aluno.

Constata-se o aumento de anos no ensino obrigatório. Em 1971 a lei Nº 5692, estendia obrigatoriedade para oito anos. Já em 1996 a LDB sinalizou para o ensino de nove anos, iniciando-se aos seis anos de idade. Este se torna meta de educação nacional pela lei Nº 10172 de 9 de janeiro de 2001, que aprovou o PNE.

Conforme o PNE, a determinação legal (Lei Nº 10172/2001), meta 2 do ensino fundamental de implantar o ensino fundamental de nove anos.

Como ponto de partida para garantir a nomenclatura comum a múltiplas possibilidades organizadas desse nível de ensino, (séries ou ciclos) atualmente a educação está voltada para as perspectivas; o desenvolvimento humano é um processo contínuo, o conhecimento humano deve ser construído e reconstruído processual e continuamente sendo a avaliação e os procedimentos metodológicos diagnósticos para a verificação da aprendizagem inclusiva dentro da escola.

Com fundamentos nos princípios de inclusão e de direito de acesso ao conhecimento, serão inseridos nos primeiros ciclo da educação infantil, como educação não obrigatória. Os alunos de 3 anos e, no segundo ciclo, os alunos de 4 a 5 anos ao primeiro ano do ciclo do ensino fundamental com educação oferecida obrigatoriamente, terão acesso os alunos de 6 anos ou quando completassem no mês de abril do ano corrente a idade adequada para frequentaram a escola.

É necessário que o sistema escolar esteja atento as situações envolvidas no ingresso da criança no ensino fundamental, seja ela oriunda diretamente da família, seja da aprendizagem que lhe darão segurança e confiança. Continuidade e ampliação em vez de ruptura e negação do contexto sócio-afetivo e de aprendizagem, de forma que a criança interaja com outras crianças e com diversos objetivos o aluno vai descobrindo progressivamente, aprendendo a usar as múltiplas linguagens: gestual, corporal, plástica, oral, escrita e musical. Além disso, um trabalho sistemático, centrando nos aspectos funcionais e textuais para a aprendizagem da língua escrita, são fatores necessários para o acompanhamento psicopedagógico da criança.

Com o advento dos PCN?s proporcionou-se uma mudança de perspectiva no ensino da língua materna na medida em que propunha-se anular o ensino formalista que visava apenas conteúdos sem uma preocupação com o que os alunos aprendiam, e adotou-se a funcionalista que está amparada nas bases linguísticas de natureza enunciativa e discursiva, onde as habilidades vivenciadas são discutidas pelo o facilitador e alunos numa ótica de compreensão prática vivenciada em sala de aula.

Segundo ROJO (2000, p.280), se os PCN?s imputam inovação e um grande esforço de reflexão para transposição didática, no que se refere ao tratamento de texto com unidade básica de ensino e, por consequência, ao gênero de texto.

Atualmente o ministério da educação está se empenhando para a melhoria da aprendizagem dos alunos e o desempenho dos sistemas de ensino, medindo o desenvolvimento em referência o índice da educação básica (IDEB). O mesmo é o índice nacional que leva em conta a aprendizagem dos alunos, a taxa de repetência e a evasão escolar.

A prova Brasil ou o Saeb tem como finalidade avaliar o que os alunos sabem e são capazes de fazer em diversos momentos de seu percurso escolar, o Saeb permite a identificação e a análise de aspectos que contextualizam o processo ensino?aprendizagem.

Desde 2005, foi acrescentado ao sistema de avaliação a chamada prova Brasil, cujo nome oficial é avaliação nacional do rendimento escolar( - ANRESC). Assim, o sistema de avaliação básica (SAEB), conforme estabelece a portaria 931, de 21 de março de 2005 passa a ser composta por dois processos: a avaliação nacional da educação básica (Aneb) e ao da avaliação nacional do rendimento escolar.





























CAPÍTULO 2


2.1 A ALFABETIZAÇÃO A PROCURA DE UM MÉTODO


Segundo pesquisas realizadas por Soares (1989, p.86) numa perspectiva histórica, durante décadas, vários estudiosos procuravam um método: silábico? Global? Fônico? Ou quem sabe, o método eclético? Era um problema crucial para a alfabetização. Na prática escolar essa procura estava evidente, pois vários educadores passavam a questionar que método usar para uma aprendizagem significativa, na alfabetização com estratégia num método que pudesse oferecer novas formas de aprendizagens. Sendo a vertente skinneriana uma predominância no ensino brasileiro provocava-se, então, o condicionamento sem interesse pelas estruturas mentais.

Apenas desejava-se explicar o comportamento e a aprendizagem como uma Sequencia lógica dos estímulos ambientais, sua teoria se fundamenta na influência da recompensa ou reforço e a conclusão essencial de que ação que produza satisfação, tenderá a ser repetida e aprendida.

Embora o condicionamento represente uma mudança de paradigmas, vivenciados nos últimos anos essas alterações se refletem com nitidez na questão do método de alfabetização, onde a criança sai de aprendiz dependendo de estímulos externos para produzir respostas reforçadas, conduzindo à aquisição da língua escrita, concepção básica dos métodos tradicionais de alfabetização, onde no ponto de vista externo, a criança sai de aprendiz dependendo do estímulos angariados para produzir respostas imediatas. O individuo passa a construir conhecimento interagindo com o objeto chamado de pré-requisitos para aprendizagem da escrita, que caracteriza estar pronto ou maduro para ser alfabetizado, são negados uma divisão interacionista que rejeita uma ordem de habilidades afirmando que aprendizagem se dar por uma progressiva construção de estruturas cognitivas em relação a criança que está no processo de aquisição da língua escrita.
Observando deficiências, Soares (2003, p.89) na perspectiva dos métodos tradicionais passará a ser visto como erros (construtivos), ressaltando de constates. Reconstruções no processo de construção da língua escrita. Em decorrência dessas mudanças conceituais, a teoria psicogenética observou o desenvolvimento do pensamento sensório-motor que passaria a ser do nascimento aos 2 anos aproximadamente, e do pensamento simbólico uma apresentação pré-conceptual de 1 ano e meio aos 6 anos aproximadamente.

SENSÓRIO ? MOTOR: a partir da capacidade congênita de succionar, agarrar e chorar, a criança em virtude das ações realizadas constrói modelos gradualmente interiorizados com os objetos ou manipular fisicamente o resultado da realização, é o pensamento sensório-motor.

CONHECIMENTO SIMBOLICO: a função simbólica nasce da imitação interiorizada, sendo chamada de produto final do pensamento sensório-motor, a criança aprende a representar o tempo e o espaço desenvolvendo a linguagem.


2.2 - A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA MATERNA NO LETRAMENTO.

A língua materna faz parte do convívio do homem a partir do momento. que ele nasce, assumindo o espaço físico onde as pessoas interagem no primeiro contato. Assim essa linguagem constitui-se primeiramente na família onde cada individuo possui um papel social,são constituídos no próprio processo da humanidade o uso da língua falada.

O real significado é expressar de forma verbal, nos domínios sociais que as regras são determinantes as ações que ali são realizados.

E evidente que no interior da família já existiam diferenças sociolinguísticas, pois as gerações passadas falam totalmente diferente da sociedade atual. Essa mudança de foco é que permite a formação de acordo com Marcuschi:


A língua tem aspectos estáveis e instáveis, ou seja, ela é um sistema variável, indeterminado não fixo. Portanto, a língua apresenta sistematicidade e variação a um só tempo (2000, p.24).


Ainda de acordo com o autor, demonstra-se que a língua pode sofrer alterações de acordo com o tempo e o espaço geográficos em que tenha domínio. Desta forma toda região tem sua peculiaridade e linguagem própria. A fala e o convívio com os demais falantes resultam em diversos fatores linguísticos, representando atributos de um falante: idade, sexo, status socioeconômico e o nível de escolarização desses atributos são estruturas que fazem parte da própria individualidade do falante. Existe outros fatores que não são estruturais, mais sim,funcionais, resultam da dinâmica da interação sociais. A linguagem permanece indispensável, pois são os seres humanos que transformam estas línguas faladas, enfim, os indivíduos que constitui o todo da população segundo Stephen Jay e Gould Bagno.

[...] Ainda carregamos o peso de um legado que vem do tempos de plantão, tem uma tendência a abstrair um ideal isolado ou media a essência de um sistema e da pouco valor ou ignorar a variação entre os indivíduos que constem o todo da população (2001,p.65).


Nos deparamos com a realidade da nossa historia cultural e social visando a prática linguística em que se encontram os seres humanos que falam e escrevem, considerando a língua como uma atividade social. Pois como afirma Soares, a escrita trás consequências sociais e culturais para o individuo que aprenda a usá-la.

O ensino da língua tem como objetivo conduzir o aluno a obter um grau de letramento cada vez maior diante da apropriação da linguagem, desenvolvendo nele um conjunto de escrita que lhe permita fazer uso da capacidade técnicas de ler e escrever.


Deve-se introduzir novos considerações linguísticos usando o letramento para refletir sobre as questões linguísticas decorrentes em diversas ocasiões; na sala de aula, como em qualquer outro domínio social o letramento vem ensinar que a língua materna o prepara para falar em diversos ambientes pois nada adianta instruir alguém a ler e escrever sem mostrar o uso efetivo contextualizando o que aprendeu.

CULTURA DO LETRAMENTO: Estão situadas no ponto da urbanização usada no cotidiano da comunidade para situar falantes de acordo com seus antecedentes e atributos.
CULTURA DA ORALIDADE: dispomos dos eventos de comunicação, conforme sejam esses eventos medidos pela língua escrita sendo chamado de eventos de letramento ou eventos da oralidade que não há influencia direta da língua escrita. Diante disso, as aulas de língua portuguesa não deve ser apenas aulas de gramática, visando o velho habito do decora como essencial nos exercícios mecânicos classificatórios, precisa ser substituído por leituras de matérias variados possibilitando o individuo a refletir sobre o que está lendo.

Escrita constante, varias vezes por dia, todos os dias: narrativa, cartas. Muita leitura e muita escrita porque assim se aprende (Possenti 2001, p.143 e 144).

Não são poucos que defendem que deve ter na escola um espaço ? tempo para reflexão linguística consciente e sistematizada e que classifica o assunto letramento, e fundamenta abordar gênero textuais, sendo o ponto de vista da língua expressa os textos orais e escritos denominando-se gêneros textuais na utilização das situações concretas. A escola recebe alunos que desde cedo convivem com a linguagem escrita em diferentes situações, que são diferentes tipos textuais narrados ou escritos. Os gêneros textuais são formas estabelecidas historicamente e socialmente.

Como afirma Marcuschi Apud Bagno.


Uma forma textual concretamente realizada encontrada como texto empírico, materializado o gênero tem existência concreta expressa em designação diversas, constituindo, em principio, conjuntos aberto. Podem ser exemplificados em designações diversas constituindo, em principio, conjuntos abertos.


Ao longo do tempo os gêneros textuais consegue denominar uma grande diversidade de textos, de certo modo desenvolver competências, linguísticas textuais e comunicativas dos alunos possibilitando-lhes uma convivência mais inclusa no mundo letrado de hoje não no sentido de, simplesmente, aceita-lo, mas principalmente de questiona-lo. Segundo os parâmetros curriculares nacionais.


"O domínio da língua oral e escrita é fundamental para garantir a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso a informações, expresso e defende ponto de vista, partilha e constrói visões de mundo, produz conhecimento. Por isso ao ensiná-lo, a escola tem a responsabilidade de assegurar a todos os seus alunos o acesso a saberes linguísticos, necessários para o exercício da cidadania, direto inalienável de todos" (PCNs, p.15).


A diversidade textual é a principal e mais importante estratégia didática na prática da leitura com esta aplicação da leitura o professor poderão formar leitores competentes os critérios mencionados definem a viabilização ao acesso dos alunos aos vários gêneros textuais que circulam socialmente. Dessa forma o educador estará contribuindo para que o educando adquira competências para atuar em diversas áreas da sociedade opinando, concordando ou discordando tendo sua contribuição para uma nova sociedade.










CAPÍTULO 3



3.1 O LETRAMENTO CONTEXTUALIZANDO A APRENDIZAGEM




De acordo com Nucci (2001, p. 55, Apud. Soares, 1998, p.39), o termo letramento "é o resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita; o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais."

Nesse ínterim, o letramento significa promover atividades contextualizadas de forma que o aluno experimente situações diversificadas. É pertinente salientar que o professor reflexivo, alfabetiza letrando, pois consiste em um processo que ocorre concomitantemente, ou seja, são dois processos diferentes, porém, indissociáveis, um não precede o outro, ambos caminham simultaneamente.

Assim, a proposta de ensino defendida pelo letramento é enfocar atividades sociais de aprendizagem, isto é, as práticas de alfabetização devem iniciar nas experiências sociais da criança para depois formalizar os conceitos. A base teórica do paradigma do letramento é a teoria histórico-cultural, através dos estudos de Vygotsky.

Todavia, várias pesquisas pedagógicas na área da educação vem mostrando que aos poucos os professores estão desenvolvendo uma nova prática. Estes estão se tornando mais críticos e reflexivos frente a sua posição de alfabetizadores, procuram observar a necessidade de alfabetização que seus alunos têm e qual paradigma educacional eles devem atender.

Ora, quando as crianças chegam à escola, elas trazem conhecimentos linguísticos, textuais, pragmáticos e referenciais e já tendo acesso, na produção e na recepção, a diferentes gêneros textuais. O que desconhecem, fundamentalmente, e muitas vezes não completamente, é o código da escrita alfabética. Se tiverem a oportunidade de começar a descobrir esse código por meio de procedimentos que orientem no estabelecimento de relações entre o que já sabem e aquilo que estão aprendendo, então, tudo fica mais fácil, até porque tem-se a oportunidade de qualificar positivamente as ações de linguagem que habitualmente realizam, sua experiência com a linguagem.

Uma saída consistente, proposta por diferentes pesquisadores e incorporada, por documentos de parametrização do ensino, particularmente os PCNs, é a de que se priorizem, no processo de ensino/aprendizagem da escrita, abordagens que se centrem na produção e recepção de gêneros textuais.

A grande vantagem dessa abordagem é a de vincular a materialidade linguística ? o uso da escrita, assim como a estruturação local e global do texto ? às práticas discursivas nas quais o texto circula. Assim, professor e aluno, mais do que centrarem sua atenção na língua escrita como código alfabético, podem relacionar a dimensão propriamente linguística à dimensão textual-pragmática e aos conhecimentos referenciais, seus conhecimentos de mundo.

Adotar essa perspectiva no ensino/aprendizagem implica, naturalmente, a seleção de procedimentos pelos quais os textos ? aqueles lidos pelos alunos ou os que começam a produzir ? sejam considerados como passíveis de receberem múltiplos sentidos, de serem reinterpretados, em função das situações em que vierem a circular.

Um texto produzido, aparentemente, com o propósito de homenagear o dia dos carteiros pode ser útil para entender essa proposta. Trata-se de um texto publicitário, que circulou em grandes jornais e revistas, o qual contém um envelope de carta efetivamente postada e entregue. Tem-se, portanto, um gênero híbrido, nos termos de Marcuschi (2002, p. 52) dentro de uma publicidade, um endereçamento.


A aprendizagem da escrita de um modo restrito não alteraria o estado ou a condição do indivíduo no que diz respeito a aspectos sociais, psíquicos, culturais, políticos, cognitivos, linguísticos e até mesmo econômicos; do mesmo modo, não alteraria determinados grupos sociais, em relação a efeitos de natureza social, cultural, política, econômica e linguística (Soares, 1998, p. 18) que a condição de letrado lhes poderia possibilitar. Dessa forma, torna-se relevante distinguir o acesso ao sistema de escrita e ao seu conhecimento, como tecnologia, do acesso ao mundo da escrita e dos conhecimentos aí implicados, isto é, à escrita como prática social, como um saber, no caso do letramento

A aprendizagem é o produto de um processo complexo, em que vários fatores, de interação, corroboram para sua eficácia e sucesso. Nesse processo, o professor é o mediador das interações, tão fundamentais entre ele e as crianças e entre elas mesmas, nunca desprezando seus conhecimentos prévios e o contexto sociocultural e cognitivo onde estão inseridas.

De acordo com a visão piagetiana, a aprendizagem é provocada por situações externas e o desenvolvimento pode ser chamado de aprendizagem em sentido amplo. Para ele, o desenvolvimento cognitivo ocorre de forma igual para todas as crianças, mas isto não significa que as suas estruturas cognitivas não tenham relação com o meio.

Vygotsky e Wallon destacam o desenvolvimento da criança como um processo pautado por conflitos, sendo vivenciado na totalidade e não isoladamente, no fortalecimento da inteligência. Os dois autores veem esse desenvolvimento dentro de uma dimensão histórica, social e cultural, diferentemente da base racionalista do pensamento piagetiano.

Os educadores precisam levar em conta o pensamento e a linguagem de seus alunos, bem como seus conhecimentos prévios e interesse naquele assunto, organizando situações de aprendizagem, nas quais novas experiências possam ser vivenciadas, acomodadas às já existentes. Essas experiências promoverão o crescimento e a equilibração necessários para que aconteça a aprendizagem. Ele deve proporcionar situações de conflito, que causem desequilíbrio nas estruturas cognitivas dos alunos que precisam buscar sua re-equilibração.

No processo de construção de conhecimentos, as crianças utilizam-se das mais variadas linguagens, a partir de interações que estabelecem com outras pessoas e com o seu meio. Cada faixa etária permite construções diferentes de aprendizagens significativas com conexões relevantes em relação aos conteúdos do cotidiano.

A escola exerce papel de grande responsabilidade ao ensinar a língua materna para as crianças, pois são esses saberes que garantem o exercício da cidadania. Responsabilidade que diz respeito ao grau de letramento dos lugares onde vivem seus alunos e a partir deste, participar da ampliação de seu nível de conhecimento socialmente organizado e historicamente aceito.

Entende-se letramento como o produto da participação em atividades sociais que utilizam a escrita como sistema simbólico. Na escola, a leitura vem sendo objeto de estudo e para que seja significativo para o aluno precisa constituir-se também de objeto de aprendizagem. Para tanto, a escola deve ter práticas de leitura em diversidade textual, com portadores com informações relevantes para cada criança.


Para aprender a ler, portanto, é preciso interagir com a diversidade de textos escritos, testemunhar a utilização que os leitores fazem deles e participar de atos de leitura de fato: é preciso negociar o conhecimento que já se tem e o que é apresentado pelo texto, o que está atrás e diante dos olhos, recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes (PCNs, 1998, vol.2, p.56).


O trabalho interdisciplinar compreende a realidade escolar visando mudanças na concepção dos conceitos de leitura e escrita em vivências concretas. Propõe-se assim, acabar com a fragmentação conceitual que rompeu com a simplicidade e para isso é preciso reaprender a aprender.

A construção da aprendizagem acontece por meio de trocas significativas, linguagens acessíveis e diferenciadas e promoção da identidade da criança. A sociedade contemporânea articula-se em novas demandas, lançando mão de possibilidades múltiplas na relação pedagógica.


3.2 O LETRAMENTO NO SER LETRADO


Difere-se alfabetização do letramento, - este último não designa o processo individual de apropriação da leitura e da escrita, ao contrário, o mesmo enfatiza seus resultados e consequências e não se restringe somente aos indivíduos, mas abrange também grupos e sociedades.

Segundo Szymanski (2007, p. 41) trata-se de uma questão ética construir juntamente com as famílias, práticas educativas que garantam às suas crianças a permanência na escola e o sucesso escolar. Assim, as questões colocadas por este trabalho pautam-se em investigar como as práticas letradas se fazem presentes nos meios escolares e de que forma as relações família e escola são tocadas por tais práticas, uma vez que os indivíduos trazem consigo práticas ou conhecimentos empíricos de seus lares.

A partir disso, a capacidade de lidar com estas práticas significa mais do que ser capaz de resolver problemas específicos; pressupõe a possibilidade de interagir com os estímulos normais do mundo letrado, o que faz com que os indivíduos possam mover-se à vontade no âmbito dos códigos dominantes do meio.

Nessa vertente, Soares (1998, p. 17) apresenta um dos significados de letramento citando o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa: "... remete ainda para o verbo ?letrar? a que como transitivo direto, atribui a acepção de ?investigar, soletrando? e, como pronominal ?letrar-se?, a acepção de ?adquirir letras ou conhecimentos literários?". "O papel do professor é essencial como estimulador do pensamento e das atitudes criativas em seus alunos, e como proporcionador de condições ambientais que tornem a sala de aula um espaço gerador de novas ideias" (Weschler, 2001, p. 166).

Ora, observa-se que o ser letrado já tem desenvolvido algum resquício de compreensão da escrita, a partir do momento em que os educandos trazem em seu bojo, conhecimentos prévios a serem organizados na sua vida. É quando o professor torna-se um facilitador da aprendizagem dos indivíduos.

Neste sentido, a palavra letramento admite várias interpretações, sendo que, a própria oralidade torna-se objeto de análise, já que a amplitude do conceito compreende estratégias orais letradas sem que crianças ou até adultos estejam alfabetizados. A escola não prioriza o letramento enquanto prática social, apenas se preocupa com a aquisição da língua escrita como forma de promover o sucesso escolar.

No emaranhado das condições sociais objetivas e atendendo às necessidades historicamente construídas, o relacionamento do ser letrado com o letramento depende do juízo de valores de quem avalia e do momento em que se está realizando a avaliação. Como se percebe, é preciso conscientizar-se como o iletrismo se constrói e, ao mesmo tempo se revela face o que a sociedade determina. O aprofundamento das investigações sobre o letramento na visão de uma sociedade, abordaremos no sub tópico seguinte.


3.3 O LETRAMENTO NA VISÃO DE UMA SOCIEDADE


No contexto atual, o ensino implica o comportamento das famílias com seus filhos e, posteriormente dos professores com seus alunos. Com o grafo centrismo imperado em nossa sociedade, em que todos estão expostos à língua escrita, os pais e professores postulam várias maneiras de ensinar a seus filhos e/ou alunos, respectivamente, como forma de conduzir a maior participação em eventos e práticas letradas,


[?] Os dados mostram que, de maneira significativa, embora não absoluta, quanto mais longo o processo de escolarização, quanto mais os indivíduos participam de eventos e práticas escolares de letramento, mais bem sucedidos são nos eventos e práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita (Soares, 1998, p. 111).

Ainda de acordo com a autora, as relações entre escolarização e letramento na sociedade, são imprecisas e necessitam de maiores pesquisas para melhor compreensão. Assim, os estudos sobre letramento apontam para a necessidade da construção em relação ao conceito nas sociedades, tendo em vista as possibilidades do conhecimento de forma geral e da própria língua.

Nesse viés, o papel do professor está intimamente ligado à transmissão de certo conteúdo que é predefinido e pede-se ao aluno a repetição automática dos dados ou exploração racional dos mesmos. A aquisição de informações e demonstrações difundidas é a que propicia a formação de reações estereotipadas e de automatismos denominados hábitos isolados dos outros, somente às situações idênticas em que foram adquiridos.

A escola apesar de relativas mudanças ocupa ainda uma posição dogmática. Por exemplo, a escola espera que a criança seja capaz de logo ler materiais como história, ciências e geografia no gênero dissertativo; na aprendizagem da gramática a escola espera do aluno a capacidade de identificação das várias classes de palavras simultaneamente a partir de suas definições.

Com isso espera-se que a criança deva possuir um certo grau de amadurecimento e, o professor tem que respeitar e propor atividades que conduzam seu desenvolvimento e sua maturidade, ao mesmo tempo em que estimula sua capacidade letrada. Essa proposta de ensino é desafiante e moderna, pois torna o conhecimento a ele transmitido de maneira construtivista, isto é, não deve ser pronto e acabado, pois o professor deve instigar, levando a classe na constante procura dos sentidos, na sua investigação; o educador concede aos alunos o suporte, o estímulo e o incentivo e estes, por sua vez, constroem seus conhecimentos apoiados na base fornecida pelo professor.

Por sua vez, o educador irá oferecer aos seus alunos a leitura de mundo que precede a leitura da palavra; a conviver, experimentar e dominar as práticas de leitura e de escrita que circulam em nossa sociedade tão centradas na escrita quanto a linguagem e a realidade se prendem dinamicamente.


O movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo está sempre presente. Movimento em que a palavra dita flui do mundo através da leitura que dela fazemos. Podemos dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura de mundo, mas por uma certa forma de ?escrevê-lo? ou de ?reescrevê-lo?, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente (FREIRE, 1984, p. 18).




Com essa afirmação, Freire enfatiza que através da leitura, novos horizontes de conhecimentos são postos em prática pelos indivíduos, buscando adquirir e dar maior visibilidade as discussões, conquistando os elementos necessários ao desenvolvimento da capacidade humana dentro e fora da sociedade.





CAPÍTULO 4

4.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


Com base nos objetivos estabelecidos, estruturou-se a pesquisa em base qualitativa e em caráter exploratório, tendo como referência a análise teórico-prática. A nossa pesquisa teve como fundamentação metodológica em Severino (2002) sobre metodologia do trabalho científico.

Os dados contidos nesta pesquisa foram coletados em uma escola pública estadual, situada no município do Jaboatão dos Guararapes/PE. Essa observação restringiu-se apenas a sala de aula e questionário elaborado por nós. Foram observados os alunos do 3º. ano do ensino fundamental.


4.2 UNIVERSO DA PESQUISA



A Escola Desembargador José Neves Filho, pertence à Rede Estadual de Ensino e localiza-se na Região Metropolitana de Recife, no Bairro de Cajueiro Seco do Município de Jaboatão dos Guararapes, à Rua 10, S /N , a qual atende às comunidades do próprio bairro e dos adjacências: Muribeca, Rio das Velhas, Barra de Jangada, Candeias, Piedade, Marcos Freire, Sotave, Muribeca rua, Comporta e municípios vizinhos como o Cabo de Santo Agostinho, Olinda e Recife. .

Esta Unidade de Ensino iniciou suas atividades educacionais em 1970 sob a direção de D. Maria das Mercês. Inicialmente funcionando no prédio da instituição Ação Social Desembargador José Neves Filho, a mesma é autorizada oficialmente para funcionar com o Cadastro sob o Nº E. 106.018; sob a Portaria do Ato de Funcionamento 1129 de 10.02.83 D.O na modalidade de: Ensino Infantil e Ensino Fundamental I de 1ª. a 4ª. série.

Com a crescente demanda de alunos, iniciou-se o funcionamento do E.J.A. nos níveis de alfabetização de adultos, Fase I e Fase II (correspondendo de 1ª a 4ª Séries), ampliando a quantidade de vagas ao atender a necessidade da nossa comunidade.

A Escola tem ainda Ensino Fundamental II de 5ª a 8ª Série, Ensino Especial, Educação de Jovens e Adultos e Ensino Médio do EJA; Projeto TRAVESSIA fazem parte das modalidades de ensino oferecidas à comunidade local. .

O estabelecimento é de grande porte, comportando 15 salas de aula permanentes e 02 sala provisórias; totalizando 17 salas de aula. 01 sala de direção, 01 sala de coordenação e professores, 01 sala de secretaria, 01 laboratório de informática em pleno funcionamento com 08 computadores. 01 sala onde funciona a coordenação dos projetos (TRAVESSIA e Escola Aberta). A escola abriga um posto médico mantido pela Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, atendendo diversas áreas médicas(Ginecologia, pediatria, clínica geral); também funcionando como posto de vacinação. .

Consta também de 01 cozinha, 01 dispensa(para guardar a merenda escolar; área de refeitório, 01 sala de auditório com capacidade para 100 pessoas, 06 banheiros destinados aos alunos; 01 para os funcionários em geral; 02 banheiros para os professores e direção;
Pátio externo com estacionamento, 01 quadra poliesportiva 02 portões de entrada; O muro da escola é circundado por lojas e bares que invadiram a calçada e frente do prédio, onde se tem dificuldade de visualização da escola.

O corpo docente compreende 68 professores. Em atividades técnicas, a Escola dispõe de profissionais exercendo as funções de diretor, vice-diretor, coordenador pedagógico e secretário. Há 01 coordenador pedagógico atendendo ao 1º turno e parcialmente o 2º. Os serviços administrativos são realizados por 07 agentes administrativos que lidam com a documentação do corpo discente, 03 merendeiras e 03 agentes de serviços gerais.



4.3 INSTRUMENTOS E MATERIAIS UTILIZADOS


Nesta pesquisa utilizamos o questionário (apêndice1) para obtermos informações precisas do campo de pesquisa com cinco perguntas fechadas. O questionário foi direcionado a uma professora do 3º ano.

Analisando as respostas dada pela docente que nos mostrou diversas faces para a sistematização do ensino a leitura e escrita visando o letramento e interagindo com a alfabetização, facilitando a aquisição do aluno em diversos contextos sociais.

Em relação as questões 1 a professora respondeu que a alfabetização desenvolve códigos, letras e sons para o soerguimento de uma etapa. Ser alfabetizado implica em codificar e decodificar sílabas, palavras e frases sem se importar com o contexto lido.

Na questão 2, ela respondeu sobre o método misto, pois o aluno aprende a palavras com exemplo bem próximo de seu convívio e, em seguida desenvolve a separação das sílabas e observa a sonoridade de cada letra, sendo sempre selecionados os conteúdos ligados ao cotidiano do aluno, usando a interdisciplinaridade.

Na questão 3 discutimos sobre a diferença entre alfabetização e letramento, nesse quesito, a mesma respondeu que a alfabetização é apenas uma mera sistematização, isto é, aprender códigos fundamentados em fonemas e grafemas e, o letramento é a compreensão que se tem das dimensões do aprender, ler e escrever sendo um desafio ensinar as duas funções (ler e escrever).

Na questão 4 ela respondeu sim, pois a alfabetização traz o domínio das habilidades para ler e escrever e o letramento é a compreensão do que se ler.

Após as respostas comprovamos que a professora valoriza o letramento em sua prática pedagógica utilizamos da observação que foi de grande relevância. Podemos ver o trabalho realizado pela professora durante suas aulas com diversos gêneros textuais e o envolvimento dos alunos demonstrando o conhecimento adquirido e, para completar a pesquisa foram necessários estudos bibliográficos para unir a teoria a prática.

Verificamos que o assunto pesquisado nos permitiu saber o quanto é importante o letramento associado a alfabetização em que o indivíduo desenvolve habilidades necessárias para o seu convívio com a língua nas práticas sociais de leitura e escrita.

Tudo quanto observamos referente ao assunto nos conscientizou da contribuição do letramento na vida de um indivíduo e que pode ocorrer uma mudança significativa na busca de conhecimentos em diversos ambientes.





















CONSIDERAÇÕES FINAIS


Sabe-se que a criança nas suas relações cotidianas entra em contato com uma variedade de informações que a permite criar uma leitura de mundo particularizada, e é nesse sentido que a prática pedagógica voltada à educação infantil deve se efetivar, oportunizando o alcance de níveis qualitativos de aprendizagem.

Pode-se supor, então, que os alunos atinjam melhor performance nas questões em que o letramento esteja inserido mais fortemente no ambiente escolar, de acordo com as recomendações dos PCN's.

Nossa compreensão, portanto, é que fazer uso das práticas de leitura e escrita exige mais do que o domínio de um código, exige um necessário reconhecimento mútuo: falar a linguagem da outra pessoa transcende falar numa língua dada, pressupõe certos usos simbólicos da língua que podem favorecer ou dificultar uma linguagem comum.

Com a busca de novos paradigmas educacionais, várias tendências influenciam as práticas pedagógicas dos professores. Dessa forma, o alfabetizador deve ter um bom conhecimento teórico, que norteie a sua condução das práticas de alfabetização em sala de aula. Ferreiro (2003) explica que o conceito de alfabetização muda de acordo com as épocas, as culturas, a chegada das tecnologias e demais inovações, tornando-se por isso, necessário que o professor esteja aberto as mudanças que ocorrem em seu tempo. O acompanhamento das mudanças exige do alfabetizador novas formas de tornar eficaz e prazeroso o processo de alfabetização.

Nesse processo de alfabetização, a linguagem se constitui em meio e objeto da aprendizagem (Nicolau & Mauro, 1986) exigindo que as crianças a utilizem de maneira nova, que pode ser para elas mais ou menos familiar, de acordo com a classe social à qual pertencem.

Além disso, é necessário a escola ao promover a alfabetização, articular o mundo vivido pela criança, constante de jogos e brincadeiras que estimulem o ato de aprender e para isso, há necessidade do professor estar dominando sua prática pedagógica numa dimensão inovadora e possibilitadora da articulação com a realidade da criança.

Assim, as relações que a criança estabelece no cotidiano, manifestar-se-á no processo de aquisição da leitura e escrita, dimensões essas que a escola deve trabalhar, visando oferecer o aprendizado em bases qualitativas e dialógicas, permitindo o alcance do êxito da criança nas séries posteriores, de acordo com o processo de desenvolvimento revelado por ela.































REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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FERREIRO, E. Alfabetização e cultura escrita. Revista do Professor. Nova Escola. São Paulo: maio de 2003

FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 8. ed. São Paulo: Cortez, 1984.

JAY, S.; BAGNO, M. Português ou Brasileiro? (um convite à pesquisa). São Paulo: Parábola Editorial, 2001.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguistica. 5.ed. São Paulo: Ática, 1995.

MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. et al. Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna. 2002.

MORAIS, A.G.; ALBUQUERQUE, E. B. C.; LEAL, T. F.. Alfabetização: Apropriação do Sistema de escrita alfabética. (Orgs.) Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

NICOLAU, M. L. M. & MAURO, M. A. Alfabetizando com sucesso. São Paulo: EPU, 1986.

NUCCI, E. P. di. Alfabetizar letrando: Um desafio para o professor. In: LEITE, S.A.S. Alfabetização e letramento: Contribuições para as Práticas Pedagógicas. São Paulo: Komedi, 2001.

PNE: Plano Nacional de Educação ou Carta de intenção? História da educação no Brasil (1930/1973) (1978). 2002.

RIBEIRO, C. Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. Psicologia: Reflexão e Crítica. V. 16, n. 1, 2003, p. 109-116.

ROAZZI, A., LEAL, T. F., CARVALHO, M.R. A questão do método no ensino da leitura e da escrita. Teresina: APECH, 1996.

ROJO, R.H.R. A prática de linguagem em sala de aula: Praticando os PCN´s, São Paulo. EDUC. Campinas: Mercado das Letras. 2000.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez & Moraes, 2002.

SOARES, M. B. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.

________. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 1998.

SZYMANSKI, H. A relação família escola: desafios e perspectivas. 2ª. ed. Brasília: Líber Livro, 2007.

WECHSLER, S. Temas e textos em metodologia do ensino superior. 1ª. ed. Campinas: Papirus, 2001.






















APÊNDICE














QUESTIONÁRIO


1 ? O que é ser alfabetizado?
2 ? Qual o método que você usa para alfabetizar?
3 ? Qual a diferença entre alfabetização e letramento?
4 ? Você acha que a alfabetização pode se associar ao letramento? Porque?
















 
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Sociólogo, professor de Sociologia e espeem Formação de Educadores pela UFRPE - Universidade Federal Rural de Pernambuco.
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