O LANCHE DA ESCOLA
 
O LANCHE DA ESCOLA
 


Heric Semari Basílio[1]

Nathállya de Oliveira Ferreira[2]

 

É notório que o acesso aos alimentos no ambiente da escola ocorre de diversas maneiras, entre elas por meio da merenda escolar distribuída através de programas governamentais e, ainda, pelas cantinas escolares, tornando-se fundamental entender cantina escolar “[...] como uma dependência dentro do estabelecimento de ensino, destinada a fornecer serviços de alimentação a alunos, professores e demais funcionais mediante pagamento”[3].

De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), no que diz respeito a organização dos canais de foodservice, as cantinas escolares representam um total de 10% de todos os setores que integram o mercado de alimentação fora do lar, corroborando para esse destaque o número maior de estabelecimentos escolares que as padarias e confeitarias, que alcança apenas a cifra de 6% do total[4].

Levando-se em conta o fato do destaque da alimentação escolar no mercado foodservice, deve-se considerar também que esta alimentação no ambiente da escola, pública ou privada, assume um papel irrefutável na formação dos hábitos alimentares, pois acontece cada vez mais cedo o início do processo em que as crianças começam a se alimentar nas instituições de ensino (creches, escolinhas), onde permanecem a maior parte do dia e ficam distantes das refeições de casa e dos hábitos alimentares de seus pais, escapando da influência desses pais e mães em suas escolhas alimentares, mas recebendo outras influências de outros meios e pessoas[5].

Não é novidade o fato de que, atualmente, são poucas as crianças e adolescentes que levam lanche de casa para a escola, prática que era frequente na rotina escolar não faz muito tempo, devendo-se ressaltar que na rede pública de ensino há a oferta da merenda escolar como política pública governamental, e nas escolas particulares os alunos, crianças e adolescentes, compram seus lanches em cantinas escolares[6].

Vale lembrar que no contexto brasileiro a merenda escolar surge como uma iniciativa da comunidade, onde a “sopa escolar” preparava-se nas residências das famílias e era levada até as escolas antes da década de 1930 e, na década de 1940 foi criado o Programa de Merenda Escolar, demonstrando já a preocupação em atender as necessidades nutricionais dos escolares[7].

Tem-se que até a década de 1970 amaioria das crianças da rede privada de ensino era enviada às escolas com mochilas e lancheiras e, na hora do recreio, todos comiam o lanche preparado em casa, geralmente composto por pão e leite achocolatado. Mas, com o passar do tempo e com a incorporação de novas regras e comportamentos, foi-se considerando entre os adolescentes “pagar mico” a questão de levar o lanche de casa e, neste contexto, as cantinas passaram a ter a preferência de crianças e adolescentes no momento da alimentação e, em curto espaço de tempo, já não se vendiam mais lancheiras com tanta frequência e as cantinas passaram a imperar nas escolas particulares[8].

Algo que é também consensual diz respeito à constatação de que o sistema de ensino, não raras vezes falha em vários pontos relacionados com a temática da educação alimentar, ora deixando o assunto de lado, ora por ser conivente com a oferta de guloseimas, frituras, refrigerantes e outros produtos artificiais em suas cantinas, cuja finalidade maior nessa condescendência é permitir o lucro e não a saúde das crianças, cabendo lembrar também que os pais dessas crianças tem sua parcela de culpa, pois “[...] muitas vezes inconscientemente preferem dar dinheiro para a criança comprar o lanche que ela escolher, do que preparar a merenda que a criança vai levar à escola. Isto acontece por vários motivos, como a falta de tempo dos pais, a sua acomodação pela eficiência e praticidade que estes produtos oferecem, um menor custo devido às promoções comerciais dos fast food e produtos industrializados induzindo ao consumismo, além de outros fatores como embalagens e brindes atrativos”[9].

Fica evidenciado dessa forma que no universo escolar, a cantina ocupa um espaço que permite a observação dos hábitos alimentares dos alunos, sendo comum comercializarem-se neste local doces, refrigerantes, balas, salgadinhos tipos chips, sucos artificiais, chocolates, pirulito, biscoito tipo wafer, pipoca doce, entre outros produtos alimentícios que, seguramente, apresentam-se do ponto de vista nutricional com baixa densidade de nutrientes necessários e garantidores do bom crescimento e desenvolvimento das crianças, apresentando-se também com elevada densidade energética e elevados teores de sal, açúcares e gorduras, o que aumenta os riscos relacionados com a nutrição mal conduzida que leva ao desenvolvimento de problemas a obesidade, a hipertensão e os cardiovasculares[10].


[1] Concluinte do Curso de Educação Física do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara, ILES-ULBRA.

[2] Concluinte do Curso de Educação Física do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara, ILES-ULBRA.

[3] GABRIEL, Cristine Garcia et al. Cantinas escolares de Florianópolis: existência e produtos comercializados após a instituição da Lei de Regulamentação. Rev. Nutr. v. 23. n. 2. Campinas-SP, 2010. p. 191-199.

[4] ABIA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO. Mercado Food Service. Disponível no site: . Acesso em nov./2011.

[5] ESTEVES, Keli Cristine Menezes. Alimentação escolar: cardápio aprimorado. Rev. Food Service News. s.d. Disponível no site: . Acesso em set./2011.

[6] NAVROSKI, Alcione. Pedagogia do sabor: lanches e cantinas escolares. UNIrevista. v. 1. n. 2. abr./2006. p. 1-10.

[7] ESTEVES, Keli Cristine Menezes. Alimentação escolar: cardápio aprimorado. Rev. Food Service News. s.d. Disponível no site: . Acesso em set./2011.

[8] ESTEVES, Keli Cristine Menezes. Alimentação escolar: cardápio aprimorado. Rev. Food Service News. s.d. Disponível no site: . Acesso em set./2011.

[9] NAVROSKI, Alcione. Pedagogia do sabor: lanches e cantinas escolares. UNIrevista. v. 1. n. 2. abr./2006. p. 1-10.

[10] SILVA, Cleliani de Cássia da. Cantina escolar. Campinas-SP: Unicamp, 2008. Disponível em: . Acesso em nov./2011.

 
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