O Despertar da Leitura para o Ensino Fundamental I
 
O Despertar da Leitura para o Ensino Fundamental I
 


A leitura possibilita a aquisição da maior parte dos conhecimentos acumulados e nos faz sentir as mais diversas emoções.

"Ler sempre foi sinônimo de prazer" desde as mais antigas civilizações. Entre os gregos, os homens livres que tinham esse privilégio e os que eram responsáveis pelo "saber" da sociedade.

Charmeux (1985) afirma que "antigamente ler era uma espécie de luxo que trazia status e levava a classe social".

Hoje em dia a leitura se tornou ferramenta essencial e indispensável à vida em sociedade e vem sido discutida por vários autores e pesquisadores, levando muitos profissionais da educação, a freqüentarem cursos de capacitação, congressos, palestras e seminários, deixando clara a necessidade de busca pela melhoria e qualidade da formação de leitores.

Apesar da leitura se processar através da língua, também é possível a realização de outras leituras cujos sinais não são lingüísticos.

Quando existe leitura o sujeito coloca sua visão cultural na interpretação da mensagem. Logo ao nascermos já constituímos uma visão interpretativa da linguagem. Exemplo: Quando nossa mãe levanta a blusa já entendemos que vamos mamar e quando o papai nos olha de cara feia já sabemos que ele está zangado.

Como se pode ver a leitura é um processo que ocorre a todo o momento em nossas vidas e por sua vez ela na mais complexa vai além das expressões humanas e necessita de ser sistematizada enquanto a leitura de códigos como sinais de trânsito, libras, braile, expressões matemáticas.

Daí o papel das escolas, estimularem a leitura como meta na educação, e a infância é o melhor momento para o individuo iniciar sua emancipação por meio da função liberatória da palavra.

Bamberger (1987) "se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva à linguagem [...], estaremos promovendo o seu desenvolvimento como o ser humano".

Se a criança for motivada desde pequena de maneira adequada poderá adquirir o gosto pela leitura para toda a vida; desta forma torna-se um leitor adulto crítico.

Para Cleary (apud Bamberger, 1987) "é entre oito e treze anos que as crianças revelam maior interesse pela leitura".

A leitura se faz muito importante e seu incentivo deve ser um compromisso que deve ser assumido por todos. Nessa se dá o empenho de mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. "A professora e autora Maria Helena Martins chama atenção para um contato sensorial com o objeto livro, que, segundo ela, revela um prazer singular na criança."

A feitura material do livro exerce grande influência, sobre a criança.

Livros bonitos com gravuras coloridas, impressos em um bom papel, de formato adequado são sempre recebidos com alegria.

A criança sente prazer em possuí-los, em folheá-los e uma curiosidade vital para saber o que dizem que histórias contêm e é essa curiosidade que faz com que o aluno se aproxime cada vez mais do livro.

Esse jogo com o universo escondido no livro pode estimular no pequeno leitor a descoberta e o aprimoramento da linguagem, desenvolvendo sua capacidade de comunicação com o mundo.

A leitura precisa ser significativa, despertar interesse, ter uma mensagem que prende a atenção do leitor, em qualquer faixa etária, mas principalmente da criança que se pretende despertar o gosto.

A leitura é muito importante para o crescimento da pessoa, é literalmente a liberdade intelectual, pois quem lê solta a imaginação e quem cria a imagem é o próprio leitor, ao contrário da mídia eletrônica que pensa pela pessoa e padronizam as emoções do telespectador, além de promover a preguiça mental.

Nos dias de hoje, parece inegável a importância da leitura e de saber ler, para que os cidadãos se integrem plenamente na vida cotidiana, em termos profissionais e de também de lazer.

Há uma grande preocupação com o desempenho da leitura é com o domínio do código escrito, na moderna sociedade da informação que não é somente no Brasil, mas este presente no mundo inteiro.

Tomando conhecimentos dessas inquietações da sociedade em geral, vamos analisar e refletir sobre o papel desempenhado pela família na inquisição de hábitos de leitura das crianças mais novas.

Segundo Richard Bamberger ,"A prontidão para a leitura é determinada em grande parte, pela atmosfera literária e linguística reinante na casa da criança".

Sim os pais têm um papel importante no hábito de leitura de seus filhos. Quando a leitura é valorizada, incentivada e presenciada em casa, a criança aprende a gostar mais facilmente.

A convivência com os livros e a respectiva formação se inicia antes da alfabetização. Desde pequenas as crianças percebem as reações das pessoas com a escrita, notando a reação dos adultos na leitura das cartas, folhetos e propagandas, jornais, livros e outros escritos.

Se os pais ou pessoas mais próximas lhes oferecem livros ou contarem histórias ajudarão a despertar o seu interesse pelo ato de ler.

As histórias infantis são importantes na vida, à literatura constitui de um momento precioso para seu aluno. E conhecendo a criança e o mistério ingênuo do seu mundo que podemos avaliar todo o valor da literatura em sua família.

Ana Teberosky, em uma entrevista para a revista Nova Escola, sobre alfabetização, diz "para a aquisição das habilidades de leitura e escrita depende muito menos dos métodos utilizados do que da relação que a criança tem desde pequena com a cultura da escrita".

De fato as crianças antes de entrar na escola, ainda não decodificam o código lingüístico, mais se torna uma leitora e apropria-se da leitura através da família.

Os pais ajudam os filhos a aprender a ler todos os dias, quando levam ao supermercado, quando lê placas de propagandas, sinais de transito, etc.

Sabe-se que as crianças com melhor desempenho na escola, são aquelas que tiveram inúmeras experiências com leituras nos seus primeiros anos de vida.

O ato de ler exige a capacidade de concentração necessária para o ato de ler.

Convém ressaltar que:

Nossa formação tem início nas canções de ninar que, bebês ainda nos acalantam no sono. A importância, pois dos primeiros contatos com a palavra é fundamental para a formação da sensibilidade lingüística, isto é a capacidade de prestar nos sons e nos sentidos, no ritmo e na melodia de cada frase que ouvimos ou depois, lemos. (Aguilar, 2004, p.22).

Dessa forma considera-se o valor de família na formação do leitor. Um ambiente que é repleto de materiais escritos, ou que é o costume no momento de contar histórias com certeza conduz a criança a adquirir o gosto e a compreensão da leitura.

César Augusto Dionísio, economista e professor, em uma entrevista para a revista Profissão Mestre, trazem uma reflexão para ser feita sobre a educação, muito se reclama sobre a falta de leitores no Brasil. Muito se reclama sobre a ausência dos pais no trato de questões educacionais envolvendo seus filhos. A leitura, certamente, é uma delas. O que nos esquecemos de observar, muitas vezes, até mesmo como pesquisadores da educação, é o papel decisivo da família na formação de leitores. Leitores não surgem. Leitores são criados.

Ele fala que se o hábito da leitura precisa ser criado, os mais indicados para fazer isso, são os pais.

A leitura em família ajuda a desenvolver na criança o hábito da leitura, além de ser um momento de encontro e de carinho.

É claro que não se pode cobrar dos pais uma leitura com didatismo, de ensinar algo específico, e sim auxiliá-los a fazer uma leitura agradável.

O professor pode e deve ter nos pais aliados para a formação do leitor, para incentivar as crianças a ler e, acima de tudo a gostarem de ler, não é tarefa fácil, sobretudo quando elas não demonstram qualquer interesse pelos livros.

Os pais têm, sem dúvida, um papel fundamental nesta promoção da leitura junto dos seus filhos, são eles os principais responsáveis pelos primeiros contatos da criança com o livro.

Infelizmente muitos se abstêm desta obrigação, mas muitos também não têm essa noção que podem e como podem ajudar.

Somente um ambiente rico não fornece uma boa formação, mais se os pais leem para as crianças ou incentivam já é um bom começo.

Sabe-se que muitos pais não têm hábito de ler e em muitas vezes não sabem.

Quando a leitura é valorizada, incentivada e presenciada em casa, a criança aprende a gostar de ler mais facilmente.

No entanto, essa não é a nossa realidade, por uma série de motivos, mas que não deverão servir de desculpa para a escola não desenvolver um trabalho significativo com a leitura.

Não faltam exemplos de crianças que, apesar de toda a falta de acesso a livros em casa, sentem-se motivadas a ler e demonstram curiosidade e interesse diante de um livro.

Historicamente a leitura tem sido privilégio das classes dominantes.

Magda Soares afirma "a sua apropriação pelas classes populares significa a conquista de instrumento imprescindível não só na elaboração de sua própria cultura, mas também a transformação de suas condições sociais". (Soares, 1995, p.48).

Por tanto um trabalho baseado na leitura que priorize a formação do leitor eficiente deve ser desenvolvido pela escola, pois muitas vezes é nesse local que o aluno terá suas experiências.

Também de acordo com Cattani e Aguiar "cabe a escola a formação do desenvolvimento do hábito de leitura e seu papel é tão amplo quanto mais restrito for o da família condicionando os problemas sócio-econômicos". (1988, p.24).

Não podemos negar o fato de que o acesso a livros e situações de leitura, desde muito cedo tem um grande peso na formação do leitor e no envolvimento que cada um tem com a leitura. Por outro lado não podemos negar a importância da instituição escolar no processo de formação de leitores e na constituição de prática de letramento mais significativa no interior da escola.

Segundo Cagliari "a criança sendo um meio social pobre não lê do mesmo jeito que uma criança de meio social rico".

Ainda que a escola não seja a única instância responsável pela dinamização das relações entre os sujeitos e os objetos culturais, o seu papel na construção dessas relações é primordial, de modo que não podemos pensar na leitura sem considerarmos o papel da escola. Cabe a ela, além de contribuir para o desenvolvimento dos leitores iniciantes que nela estudam também a função de criar condições para que o aluno se torne um leitor autônomo, que queria conviver com os livros, que era cultivar a leitura ao longo de sua vida.

Continua Cagliari (1996 p. 151) "A escola deve respeitar a leitura de cada e ensinar o mesmo a ler no seu próprio dialeto, fundamental para formar leitores".

Para ler corretamente, a criança levará certo tempo, por isso a escola não pode avaliar sua pronúncia, rapidez e decifração para os leitores iniciantes poderão inibi-la, levando acreditar que não será capaz de ler com fluência.

Essas diferenças sociais deságuam na escola, deixando o professor responsável por compensar essas desigualdades, pois sendo a única fonte de leitura que o aluno menos privilegiado possui. De acordo com essas afirmações vai ficando claro a necessidade de se ler, independentemente de classe social, e ou de qualquer outro incentivo que se tenha. Formar um aluno leitor se faz necessário e a escola tem essa missão, a de levar o aluno a um leitor crítico e transformador do mundo em que vive.

A leitura e a escrita estão interligadas e devem ser desenvolvidas mutuamente, porém a leitura se faz mais importante pelo espaço que ocupa em nossa sociedade, sendo necessário a todo instante a leituras de placas, ônibus, documentos, números de telefone, etc.

A escola sente necessidade de controlar tudo, de saber tudo. Cobra mais a escrita para que possa corrigir ortografia e gramática, se esquecendo que a leitura é muito mais importante do que a escrita.

Embora fique clara a devida importância, muitas escolas ainda vêem em seus alunos, vasos que precisam ser cheios e insistem em ver a leitura de forma insignificante em relação à escrita, levando o aluno a decorar, famílias silábicas, ocasionando sérios problemas para a formação do leitor.

Na visão bancária da educação, o "saber é uma doação ao que se julgam sábio aos que não julgam nada sabe". (Freire).

Infelizmente ainda hoje encontramos alguns professores autoritários que resistem à mudança, porém há muitos que permitiram mudar e fazer de seus alunos cidadãos críticos e conscientes, não permitindo a opressão que lhe é imposta.

Isso acontece com a educação libertadora o indivíduo se liberta das amarras que o oprimem.

Com o crescente índice de professores a procura de formação e especialização, a cada dia o professor libertador esta tomando lugar e deixando de ser o único que transmite conhecimento para ser um mediador do conhecimento. Quando a criança chega à escola nas séries iniciais, ela já tem conhecimento de varias leituras.

Cabe ao professor fazer um levantamento de conhecimentos prévio e nunca descartar a bagagem de conhecimentos que esses alunos.

Segundo Freire, "a leitura de mundo precede a leitura da palavra", ao discorrer sobre a importância do ato de ler, conforme explicita muito bem a citação abaixo:

O professor deve levar em conta a bagagem trazida pela criança, pois ela já é letrada, procurando descobrir os interesses e conhecimentos adquiridos e acrescentar coisas novas, diferentes e criativas para despertar o interesse pela leitura, como fantoches diversos, leituras de histórias mostrando as figuras, demonstrando ao ler para seus alunos, gosto e prazer nisso.

Uma criança alfabetizada é uma criança que sabe ler e escrever; uma criança letrada (tomando este adjetivo no campo semântico de letramento e de letrar, e não com o sentido que tem tradicionalmente na língua, este dicionarizado) é uma criança que tem o hábito, as habilidades e até mesmo o prazer de leitura e de escrita de diferentes gêneros de textos, em diferentes suportes ou portadores, em diferentes contextos e circunstâncias. Se a criança não sabe ler, mas pede que leiam histórias para ela, ou finge estar lendo um livro, se não sabe escrever, mas faz rabiscos dizendo que aquilo é uma carta que escreveu para alguém, é letrada, embora analfabeta, porque conhece e tenta exercer, no limite de suas possibilidades, práticas de leitura e de escrita.

Alfabetizar letrando significa orientar a criança para que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e de escrita:

Substituindo as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura que circula na escola e na sociedade, e criando situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos.

É de acordo a prática e a metodologia que o professor utiliza que garante o sucesso do processo de formação do leitor. Essa metodologia que motiva ou desmotiva esse aluno.

Como fala Ângela Kleimam "uma leitura desmotivada não produz a aprendizagem".

Passa fazer uma leitura mecânica sem sentido, apenas por obrigação.

Isso acontece, quando o professor faz atividades de leitura sem objetivos, estratégias necessárias, e adequadas para o ato de ler.

Se há letramento dos alunos através da vida social, é preciso que o professor de seguimento a isso, resgatando o conhecimento adquirido e incentivando para novas práticas de leitura cabe ao professor entender que um aluno...

Faz-se um desafio que é preciso encarar como sendo primordial visto que deve ser motivo de luta, por aqueles que, por razões diversas, não tiveram a oportunidade de vencê-los.

Para que isso se concretize, são necessários estudos, leitura e aprendizado de saberes que se conquista com o tempo. Fazer uma auto avaliação do seu conhecimento pra saber onde e o que ele precisa buscar.

A sociedade vê a escola como um espaço privilegiado para o desenvolvimento da leitura e da escrita, já que é nela que se da o encontro decisivo entre a criança e a leitura/escrita. Ler e escrever, portanto implica redimensionar nossas práticas e nossos espaços, para assim cumprir com a tarefa de formar novos cidadãos para um mundo em permanente mudança na sua escrita e cada vez mais exigente quanto à qualidade da leitura.

O desafio vem de longe há muito tempo existem sérias divergências quanto ao melhor método e material utilizado. Não existe método pronto, é preciso que o professor conheça-os para atender aos objetivos propostos.

Lenner afirma ainda acrescenta "os professores precisam produzir respostas, mas não inventar o que já se sabe".

Na sala de aula, em sua prática muitos educadores enfocam no sistema tradicional de ensino somente como avaliação de leitura do aluno aquele que ele faz em voz alta e o professor pede para responder imediatamente o que o aluno já compreendeu. O que de fato acontece é uma leitura mecânica e o aluno não pode e nem consegue ler, compreender e transmitir a sua compreensão. Esse tipo de leitura não é significativo. O que queremos formar são leitores capazes de se apaixonar e se transformar a cada livro que lê.

Baseado nos cursos de formação entrevista com professores e na observação diária na sala de Ensino Fundamental, está ficando claro que o professor está imbuído no sentido de formar cidadãos leitores que interpretam o que lê e a usa como fonte de informação para transformar o mundo em que vive.

A leitura é um processo pelo qual se compreende a linguagem como interação.

Porém Kleiman aponta duas errôneas que podem conceber a leitura, a primeira caracterizada com a concepção de leitura como decodificação.

Essa prática se faz mecânica, dispensando qualquer tipo de engajamento intelectual, além de ser insignificante na formação do aluno leitor autocrítico se faz descaso com o autor.

Muitos autores vêm acrescentarem em relação à leitura por decodificação.

Para muitos leitores passa a ser um jogo de adivinhações; na sua formação não foi motivado a ler. Sendo assim não consegue interpretar o que lê desta forma, não será capaz de reconhecer, dar sentido na proposta do autor.

A leitura como decodificação é uma simples do código real para o código escrito. Ferreiro e Teberosky (1986 e 1988) "tendem a descrever a alfabetização como um processo de construção de significado que nem passa decodificação".

Após a alfabetização é preciso percorrer um longo caminho até chegar ao nível de proficiência do leitor fluente.

E ainda deixem claro que a capacidade de ler escrever não depende exclusivamente da habilidade que o alfabetizando apresenta, mas de somar pedaços de escrita e sim antes disso, de compreender como funciona a estrutura da língua e a forma como é usada na sociedade.

Esse tipo de leitura é hesitante e caracterizada por diferentes pausas e recomeço e múltiplos erros de pronúncia. Essa leitura causa pouca compreensão por que levam muito tempo para ler.

Esses indivíduos sempre dirão que não lêem por prazer, porque dá muito trabalho até se transformar em prazer uma leitura demorada, sem compreensão e sem nenhuma vontade.

O jovem e a criança precisam ser seduzidos para a leitura, desconsiderando qualquer artifício que possa levar a leitura por obrigação.

A segunda modalidade é caracterizada como concepção de leitura como avaliação.

Kleimam vem afirmando "que a leitura como avaliação é outro tipo de prática que inibe ao invés de promover a formulação de leitores".

O professor ao trabalhar com a leitura em voz alta fica preocupado com o jeito que o aluno está lendo, se ele está usando a pontuação correta e não se ele está compreendendo o que lê.

Nas primeiras séries caracteriza-se essa prática por tal preocupação de aferimento da capacidade de leitura, que a aula se reduz quase que exclusivamente à leitura em voz alta. Para que o aluno possa apropriar-se como fonte da leitura de prazer ele de autoconfiança e a mesma será rebaixada se o professor o interromper para corrigi-lo, levando-o inclusive ao constrangimento e a humilhação.Ainda sobre o mesmo foco podemos afirmar que:

Solé (1998) vem corroborar com Kleimam (1997) quando vêem que:

"Leitura que é cobrada por meios de relatórios, resumos e fichas aferem a uma redução da prática de atividade, causando uma avaliação que é medida por meio de páginas controlada pelo professor, é considerada também uma prática avaliativa que justifica o ato de passaremos olhos somente pelos números de páginas impostos pelo professor, não tendo nenhum objetivo no enfoque cognitivo ou afetivo".

Perde-se ai, todo o objetivo da leitura, visto que o aluno está lendo para cumprir a ordem do professor.

Solé (2008) acrescenta ainda que quando um texto é lido, deve-se ter o emprego de perguntas de pré-leitura como forma de ativar os conhecimentos do leitor sobre o tema discutido no texto.

As atividades de pré-leitura auxiliam na ativação de conhecimentos prévios.

Com esse questionário percebe-se que a leitura deve ser colocada pelos professores como algo prazeroso, não por imposição.

Diante da explanação até o momento é visível o fato de o aluno pensar que a leitura é só para decodificação para cumprir tarefas e tirar boas notas.

Porém, é essencial que o professor reverta essa concepção.

O professor terá que criar momentos, através dos quais os alunos possam ouvir e ler histórias, pelo simples prazer de ler ou ouvir, sem cobranças... Criar momentos de partilhar histórias lidas, de dar vazão aos seus sentimentos para dizer o que gostaram ou do que não gostaram com quais personagens se identificaram mais, o que mudariam que outras lembranças tiveram etc. O importante é que nessa hora não haja pressa, para que a história possa despertar tanto em quem le, quanto em ouve, um envolvimento muito grande.

O livro didático vem despertando a atenção dos mais variados segmentos da pedagogia moderna.

Quando se inicia na alfabetização, depara com o livro didático que de acordo com Regina Zilberman (1998, p.21) exclui a interpretação e com isso exila o leitor.

Que acaba afastando o gosto pela leitura porque as interpretações são óbvias, não instiga o aluno pensar, pelo contrário, desestimula a ler o texto, sendo assim perde o interesse, em virtude dos textos estarem longe do universo da criança.

Conforme Delia Lenner, a maior parte das escolas só trabalha com textos didáticos e literários de forma burocrática, sem sentido para o aluno.

Além de não trabalharem com leituras diversificadas, ainda criam dificuldades, quando cobram das crianças os tais fichamentos, resumos, levando dessa maneira o desinteresse do aluno pela leitura que passa a ser de obrigação e não de prazer.

A escola precisa mudar essa estratégia de leitura, pois; Segundo Marisa Lajolo adverte, muitos alunos têm nos livros escolares sua única razão literária, e o único meio de chegar à conclusão sobre o que são letras e escritores.

Muitas crianças de nossas escolas chegam à primeira série sem ter acesso a nenhum contato com livros, por virem de lares pobres, onde não tem o hábito de ver adultos ler livros.

Ao chegarem à escola tem o livro didático como fonte de conhecimento.

De acordo com Ana Luiza Bustamante Smolka, o livro didático é apresentado para o aluno como uma fonte de conhecimento do mundo.

Se o professor não oferecer leituras variadas, somente os textos do livro didático, vão desencorajá-los para a leitura mais desinteressante e assim não formar um leitor que sinta prazer em um livro.

O professor pode escolher com cautela o livro didático, pois a partir do Programa Nacional do Livro Didático, o PNLD, ele recebe vários livros para a escolha e pode e deve ter muita atenção na escolha dos mesmos.

Como é preconizado nos principais objetivos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) se faz necessária à participação ativa e democrática do professor no processo de seleção dos mesmos.

Essa situação exige do professor possuir determinados saberes, critérios, competências, etc. para poder realizar em conjunto uma escolha com seus colegas de trabalho.

É o professor quem deve ter uma boa preparação para desenvolver essa atividade de vital importância.

Embora o desenvolvimento das novas tecnologias, da mídia, dos textos digitais, como já foi citado, o livro didático é um dos únicos materiais de leitura que alguns alunos têm. Se o professor por comodidade, só usar o livro, é claro que seus alunos, não terão prazer em ler e nem em resolver nada que diz respeito à leitura.

Na escola ocorre outro empecilho quanto ao estímulo à leitura, segundo Richard Bamberger .

A pesquisa comprovou que a oportunidade de ler ou disponibilidade de livros representa o papel decisivo na descoberta do interesse a leitura.

Mas ocorre nas escolas justamente o contrário, os alunos não terem acesso a bons livros, e quando os tem são livros didáticos.

A realidade vem contra a fala do autor, porque os alunos não têm esse estimulo à leitura. É uma incoerência, pois a escola é considerada o lugar ideal para o conhecimento. No entanto não tem uma boa biblioteca funcionando regularmente, com bibliotecário treinado, com acervos interessantes, etc.

Sendo que boas bibliotecas é privilegio de poucas cidades e universidades de ponta. A maioria de nossas crianças, nunca colocara o pé em uma boa biblioteca.

Ai entra mais uma vez o professor que lê muito, que se atualiza, e leva os seus alunos para uma biblioteca municipal, ou até mesmo em outra cidade, para que ele conheça acervos diferentes e ao mesmo tempo possa se interessar em conhecer tudo o que diz respeito a livros e leitura.

De nada adianta ter boas escolas, bibliotecas, se não tiver uma prática de leitura coerente.

Esse é um problema que ocorre com freqüência na docência, pois para ensinar o aluno é necessário que primeiramente o professor goste de ler e seja assíduo, que compreenda o que se lê, sinta prazer em passar suas experiências e emoções aos alunos.

Como pode incentivar seus alunos para a leitura se nem mesmo ele tem o hábito de ler com freqüência?

Antigamente, o professor não tinha outro auxilio além do livro adotado. E fazer decorar a lição era a última palavra da pedagogia, hoje os educadores têm consciência de que variados meios como livros, gravuras, jornais, filmes, discos, gravações, etc. e estratégias para dinamizá-los, aceleram o processo de aquisição do conhecimento, alargando os horizontes.

Daí, a necessidade de repensar o planejamento escolar como um processo contínuo - participativo do professor regente, bibliotecário e equipe técnica pedagógica para reestruturar as funções da biblioteca na escola.

Para isso, a biblioteca escolar deve estar provida de um acervo, o qual tenham sido consideradas as sugestões vindas de toda a comunidade acadêmica e sobre os mais variados assuntos, pois, à medida que o aluno é motivado, curiosidade pela leitura será maior para obter as respostas desejadas.

Dessa forma, o raciocínio lógico começa a se organizar, o espírito crítico explode e se aguça o gosto pela leitura. Portanto, para se formar leitores não é suficiente ensinar a ler, é necessário, também, ensinar a gostar de ler.

E como ter um acervo tão grande?

Pesquisadores defendem parcerias com vendedores de livros e com a comunidade.

As estratégias utilizadas para a realização dessa pesquisa foram diversificadas: leitura de vários livros, diálogos com professores, leitura de revistas da educação, observação em sala de aula e entrevista com o professor da 1ª série do Ensino Fundamental.

As leituras dos diversos portadores textuais auxiliaram a compreender concepções, conhecer metodologias e possibilidades para o ensino da leitura.

Para dar sustentação a teoria realiza-se a observação na 1ª série durante uma semana, a fim de coletar dados sobre a realidade existente dentro da sala de aula, para observar como é desenvolvida a atividade de leitura enfocando a ação do professor, a reação dos alunos e o tipo de atividade e metodologia utilizada para introduzir o ato de ler, finalizando com uma entrevista com a professora da sala observada para dar base e sustentação à análise da teoria e prática.

Acredita-se que por traz de toda prática subjaz uma concepção de ensino; fato que conduz a realização da entrevista.

Com todos os dados em mãos, faz-se a análise da observação e da entrevista explicitando concordâncias e contradições na relação teoria e prática.

Finalizam-se as atividades de pesquisa fazendo a conclusão de todos os dados levantados; momento de grande satisfação pessoal, pois adquirimos grande conhecimento sobre o assunto, e com certeza foi um trabalho elaborado com o intuito de gerar reflexões aos professores das séries iniciais, em específico, aos formadores de leitores.

Realizamos observações em sala de aula numa Escola Municipal de 1ª a 4ª série, durante uma semana na 1ª série do ensino fundamental no período da tarde com 32 alunos de oito anos completos e incompletos.

São 32 alunos que tem suas aulas ministradas por uma professora que atua a doze anos no mesmo nível de ensino, no qual optamos manter em sigilo o nome da professora e da escola a fim de evitar constrangimentos posteriores.

Podemos dizer que foi uma semana de grande vivência. A leitura era uma atividade de rotina, pois todos os dias a professora trazia uma história para ser desenvolvida. Cada dia utilizou uma estratégia. Leitura da história pelo professor em voz alta. Cópia da história que era escrita na lousa e lida pelos alunos e dramatizada. Reprodução e correção coletiva de textos escolhidos pelos alunos, etc. Em todas as atividades a leitura estava presente, e o que mais chamou a nossa atenção foi o grande interesse dos alunos em participar da dramatização (sem ensaios) que eram realizadas por vários e pequenos grupos devido a histórias que eram curtas e com vários personagens.

Observamos ainda, que eram aceitas até mesmo as reproduções expressadas por desenho, pelos alunos que ainda tinham dificuldades para ler.

Portanto, a prática de leitura deve ser diária e a diversidade de gêneros literários e portadores de textos devem estar ao alcance dos alunos.

A leitura para ser uma atividade agradável deve ser vista não somente para compreensão textual ou ensino de gramática, mas como algo agradável, prazeroso. Observamos em sala de aula que a professora planejava as aulas, pois trazia as histórias para ler para os alunos, discutia o enredo da mesma sem embaraço. O diálogo sobre o texto (história) era proveitoso.

Num primeiro momento, estranhei quando o professor passou a história na lousa para os alunos copiarem. Mas após perceber durante a semana atividades de reprodução reconto interpretação, dramatização e correção coletiva, compreendi que a cópia também era necessária.

Segundo Ferreiro (1985) na 1ª série as crianças podem estar no início da transição para a fase alfabética, período em que a criança começa a representar os sons consonamentais, e, portanto, necessitam de contato diário com a leitura e escrita, para descobrir em cada atividade novas correspondências, som-grafia, para que ao dominar os mecanismos de leitura, possam buscar a leitura de novos livros.

Segundo Emilia (1980), a construção do conhecimento da leitura e da escrita tem uma lógica individual, embora aberta à interação social, na escola ou fora dela. No processo, a criança passa por etapas, com avanços e recuos, até se apossar do código lingüístico e dominá-lo. O tempo necessário para o aluno transpor cada uma das etapas é muito variável. Duas das conseqüências mais importantes do construtivismo para a prática de sala de aula são respeitar a evolução de cada criança e compreender que um desempenho mais vagaroso não significa que ela seja menos inteligente ou dedicada do que as demais. Outra noção que se torna importante para o professor é que o aprendizado não é provocado pela escola, mas pela própria mente das crianças e, portanto elas já chegam a seu primeiro dia de aula com uma bagagem de conhecimentos.

O professor, a nosso ver, diversificou as estratégias tomando a leitura da história prazerosa, tendo como objetivo a interpretação e compreensão textual, o ensino ortográfico através do reconto, reprodução e correção coletiva, tornando a atividade de grande interesse para os alunos, pois sabiam que depois de realizada as atividades fariam a dramatização de que tanto gostavam, pois já era um hábito existente desde o início do ano letivo, tanto que as crianças se apresentam frequentemente no pátio da escola para que todos possam assistir, ficamos perplexas em ver o tamanho do interesse de todos os alunos em participar as encenações eram sem ensaios.

Interessante ainda foi à atitude do professor que aceitava todas as reproduções escritas, inclusive das crianças que não escreviam convencionalmente. Fica claro, que o docente compreende o desenho como representação da escrita, pois antes de entrar na fase alfabética as crianças costumam fazer.

É assim que se inicia o processo de construção da escrita. A criança, no início da hipótese silábica não sabe dizer o que escreveu. Aos poucos começam a ser evidenciadas letras que formarão palavras, e assim vai se desenvolvendo. A prática da produção de textos e leitura constante forma escritores competentes, capazes de produzir textos coerentes, coesos e eficazes.

Segundo os PCNs (2001), os alunos precisam de bons modelos de leitores e não é comum o professor realizá-la em voz alta para os seus alunos.

No entanto, a professora M. F.S lê diariamente para seus alunos, garantindo a formação do leitor e escritor competente.

Enfatizamos ainda, ser necessária e fundamental a intervenção pedagógica do professor na constituição da autonomia leitora, escritora e intelectual. Cabe aos professores auxiliarem as crianças a "descobrir nos textos sua face mais pessoal e prazerosa, sua dimensão mais encantadora e envolvente".

Segundo Soligo, TV Escola (1999), em pleno século XXI o Brasil é um país com aproximadamente 45% das crianças da 1ª série que terminam o ano sem saber ler.

Diante da situação, temos percebido entre os professores durante o nosso estágio que há grande preocupação em buscar estratégias diversas para trabalhar com a leitura em sala de aula; haja vista que carregam consigo ranços de uma formação tradicional, em que nada era discutido ou questionado.

Quanto à professora M.F.S. percebo que procura desenvolver atividades significativas e diversificadas; busca o envolvimento de todos, não despreza nenhuma atividade, fazendo com que o aluno acredite na sua capacidade e não tenha receio em fazer o que se pede, errado.

É possível perceber que escolhe textos diversos, compatível ao nível de interesse da sala.

Mediante a entrevista realizada da sala observada (1 ª série) fica claro que a professora concebe a leitura como um meio, uma necessidade pessoal.

Ler é decodificar sinais, mas também é desvendar o sentido do texto; a interlocução existente entre leitor-texto. Compreende qual é o seu compromisso ao ensinar a ler, pois busca atender aos diversos conteúdos de diferentes disciplinas a partir da leitura e de forma significante.

Observe em anexo II às respostas dadas às entrevistas por nós realizada.

Através da observação e entrevista foi possível compreender que realmente há uma concepção teórica por trás de toda prática pedagógica.

Realmente, o caso pesquisado indica que teoria e práticas se completam.

As respostas dadas às questões referentes à leitura. Mostram claramente que não há contradição com o trabalho desenvolvido em sala de aula.

Podemos perceber o ambiente alfabetizador da sala de aula, repletos de portadores de textos e ao alcance dos alunos; porém não foi possível observar atividades com textos de gêneros diferentes devido ao pouco tempo em que estivemos realizando a observação.

O que percebemos através das inúmeras leituras, discussões com colegas e professores é que já não se consegue ensinar a ler e escrever; portanto é preciso que cada formador de leitor tenha o sério compromisso de buscar atender as necessidades reais dos educandos e da realidade do momento.

Sabe-se que essa situação é uma realidade presente. Diante das pesquisas de várias leituras foi comprovada que os alunos terminam os cursos universitários, sabendo ler, mas sem entender e interpretar o que se lê.

Através de estudos ficou claro que o trabalho com a leitura, para se tornar um bom leitor, precisa ser incentivado nas leituras diárias das salas de aulas, e que deve ser motivada mesmo antes de entrar na escola, pela família o contato da criança com a leitura na escola se realiza ao extrair informações da escrita, decodificando letra por letra e palavra por palavra (PCN 53).

Diante desse fato foi proposto realizar a presente monografia: uma entrevista com uma professora de 1° série, desta forma questionar quais as estratégias utilizadas pelo professor identificar-se uma valorização a leitura, elegendo-a com a prática que possibilite formar leitores críticos e competentes. Fazendo dessa leitura um hábito permanente.

Um leitor assíduo adquire experiências e conhecimentos do mundo, tem melhores chances de escrever bem, dispõe de um rico vocabulário, favorecido a compreensão da estrutura gramatical e das normas de Ortografia da Língua Portuguesa.

Apenas o trabalho realizado, fica explícito que está havendo uma preocupação em formar bons leitores, tendo em vista a busca permanente de congressos, seminários e cursos pelos professores com intuito de melhorar sua prática pedagógica em sala de aula.

Também pela entrevista com a professora da 1ª série mostrou-se preocupada com as atividades de leitura, acreditando que escrita e a leitura estão interligadas no processo de alfabetização.

Percebe-se dentro do ambiente escolar uma constante de uma leitura significativa. No entanto, muito ainda pode ser feito, pois todo esse conhecimento se restringe a leitura de vários livros e uma entrevista com o professor da 1° série do Ensino Fundamental. Almejando até a educação básica.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Estudante de pedagogia, desenvolvi uma pesquisa com o despertar da leitura com crianças do ensino fundamental e gostaria de estar publicando meu artigo para compartilhar minhas descobertas com outros profissionais da área e outros também.
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