O Contexto Escolar: O Aluno, O Texto E O Professor
 
O Contexto Escolar: O Aluno, O Texto E O Professor
 


A leitura como prazer, informação e desejo de ler. O professor como mediador desse processo precisa muitas vezes construir e estimular sua própria leitura para poder envolver seus alunos nos diversos tipos de textos.

"O desejo da criança de aprender a ler constitui uma das principais condições do êxito da aprendizagem" (MORAIS, p.75, 1999). O professor se encontra numa tarefa importante, ter que ajudar principalmente os alunos que não apresentam interesse pela leitura a desenvolver as habilidades de base da leitura, de maneira que encontrem satisfação e desejo de ler.

O professor como mediador do processo de leitura, deve aproveitar esse momento de desejo, pelo qual a criança passa, e estimular a leitura contando histórias, lendo e criando personagens que se identifiquem com a fase por que esteja passando.

A função do professor não é apenas motivar a leitura como forma de alfabetizar o mesmo, é envolvê-lo no contexto das práticas sociais da leitura, de modo que o aluno se torne, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado.

A história construída pelo professor, durante sua trajetória escolar, não lhe permite muitas vezes entender o verdadeiro sentido da leitura e como ela deveria ser estimulada. Ler é muito mais que alfabetizar. É interagir com uma diversidade enorme de textos, é letrar-se, um estado ou condição de quem se envolve nas numerosas e variadas práticas de leitura.

A leitura fica sendo, para o professor, momentos apenas de sentar, abrir e fechar o livro sem que a criança conheça e perceba que se envolver em várias formas de leitura é fazer uso delas. Mesmo antes de entrar na escola, a criança, já está envolvida nesse mundo de signos. Utilizando em sua fala e brincadeiras vários materiais de leitura. Viaja e cria história "lendo" os diversos textos que possui.

O professor precisa ter paciência e respeito com o ritmo da criança durante o processo de construção da leitura. Cada criança traz história diferente de relacionamento com a leitura e o professor por respeito ao ritmo da criança, deve estimular de tal modo a leitura que ela encontre aí o prazer nas histórias lidas.

Quando a criança não encontra em casa esse hábito e prazer pela leitura, cabe ao professor mexer mais ainda com o imaginário e encantamento da criança, pois através do prazer e da paixão que o professor tem pela leitura levará a criança a entender que vale a pena se envolver nesse mundo de encanto e magia.

Assim, a leitura é um processo de interação entre leitor e texto, e devido a isso o professor promove na criança essa interação para que ela compreenda que nesse encontro entre leitor e texto a história de ambos se modifica. O leitor se modifica porque revive toda sua experiência de mundo e coloca em confronto com a experiência do autor que ganha outra vida, é um intercâmbio ativo.

Cabe ao professor analisar se o tempo destinado à leitura permitirá encontros de reconstituição de histórias envolvendo autores, leitores e o que pensam sobre o mundo. Tirar a idéia de que na sala de aula deve ser trabalhado apenas com questões localizadoras, que ficam no nível superficial de leitura.

É nos momentos com a leitura em sala de aula que o professor descobre muitas vezes com o aluno o prazer que a leitura proporciona, pois durante a trajetória escolar do professor não lhe foram oferecidas oportunidades de encontros com o livro, trocas com o autor, pois os textos oferecidos eram fragmentos de histórias colocadas em livros didáticos que perdiam todo o sentido que o autor queria transmitir para o leitor.

A criança necessita que o professor lhe dê oportunidade de escolha de livro nos momentos iniciais do aprendizado da leitura, escolher a leitura que deseja fazer, trocar muitas vezes o livro que havia escolhido anteriormente por outro livro. Cada escolha feita criará na criança certa autonomia e fazendo com que no decorrer das leituras, ela não pegue o que deseja ler simplesmente pela capa ou título da história.

A escola, muitas vezes, deixa de contribuir para a formação de leitores, não cumprindo com uma de suas funções primordiais, que é o ensino da leitura e da escrita, pois é por meio da leitura que as pessoas têm acesso ao conhecimento produzido pela humanidade, buscam informações, ampliam sua visão de mundo com a possibilidade de exercer a cidadania de maneira consciente e crítica.

Rosania

 
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