O COMPUTADOR COMO FERRAMENTA NO LETRAMENTO
 
O COMPUTADOR COMO FERRAMENTA NO LETRAMENTO
 


As novas tecnologias se apresentam como um fenômeno social que, sob o prisma de um novo estágio, promove no individuo uma certa necessidade de aprender. Pretende-se, ainda, observar os resultados de um conjunto de ações, no contexto da educação escolar, que se caracterizou pela inserção do computador como ferramenta de aquisição da leitura. De um modo geral, trata-se aqui, de uma contribuição para a elucidação da relação: leitura de um texto impresso versus leitura de um texto eletrônico. A Pesquisa consistiu com a leitura do Livro Chapeuzinho Vermelho digitalizado e lido na tela do computador entre Novembro de 2010 e Janeiro de 2011. Estudo qualitativo cujo método adotado foi o estudo com um grupo de alunos e instrumentos de coleta: questionários, avaliações, diário de campo e entrevista focal. A análise dos resultados revelou que os alunos tinham interesse em dar continuidade a este modelo de leituras. A escola utilizava o livro didático impresso, pouco motivador, concluindo-se que esta inovação na leitura eram pouco conhecida. O Livro Scanneado foi eficaz, pois motivou os alunos a se envolverem e aprenderem exercitando a autonomia, resultando em satisfação e prazer em ler.

INTRODUÇÃO
Ao longo de vinte e cinco anos de magistério na educação básica, pôde se observa por repetidas vezes, que o tratamento conferido às crianças pauta-se por uma dada necessidade de torná-las adultos em miniatura1. Elas conhecem tudo muito cedo, ao passo que perdem o interesse com facilidade. Durante esta trajetória profissional, tenho observado, ainda, que as mudanças entre gerações se verificam de maneira mais contundente no âmbito da vida escolar.
Na escola, vêm se tornando mais evidentes, entre os alunos, uma massificação de problemas de aprendizagem das mais diferentes matizes. Da interpretação de um problema de matemática, passando pela compreensão de um texto de ciências ou mesmo um livro de literatura, até à exigência de expressarem o que pensam e sentem pela escrita, os alunos são submetidos a um nível cada vez mais complexo de exigências no que tangem os aspectos do aprender a aprender.
Em um mundo guiado pela onda do conhecimento, encontrar formas cada vez mais saudáveis e eficazes de apropriação, pelo aluno, das ferramentas fundamentais do letramento põe-se na ordem do dia. Neste sentido, cabe, no campo da pesquisa em educação, propor formas radicalmente novas de aprender que se adequem às necessidades do novo padrão tecnológico de produção.
Diante das realidades que se impõem não parece adequado nenhum clima nostálgico e sim de afirmação, de busca, pesquisa e conhecimento das potencialidades que se abrem para todos com as atuais metamorfoses da cultura, no que diz respeito às novas tecnologias da informação e da comunicação, especialmente o computador, que está reestruturando nossa atual economia de escrita. O próprio status cultural da escrita e também o método de produção de livros foram potencialmente alterados. Quando a automação avança, fica claro que a informação é o bem de consumo mais importante. Segundo Kleiman (1995): "Podemos definir hoje o letramento como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos". A tecnologia eletrônica oferece um novo tipo de livro e novas maneiras de escrever e de ler. O livro parece estar
1 Esta expressão é própria de uma visão românica da Educação, da qual Jean Jacques Ruosseau é o teórico expoente.
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destinado a afastar-se para a margem de nossa cultura letrada. Essa mudança da imprensa para o computador não significa o fim do letramento, mas, precisamente, a alteração na própria configuração do letramento. .
Frade (2005) propõe a definição dos termos letramento, letramento digital, alfabetização e alfabetização áudio-visual, para problematizar a situação de analfabetismo digital, discorrendo sobre algumas capacidades envolvidas na apropriação do sistema que podem combater tal situação. O computador é visto como artefato que possibilita novos espaços de escrita que trazem desdobramentos para a interação leitor e escritor.
O livro e a mídia impressa são e ainda continuarão sendo importantes, mesmo tendo que se renovar e se adaptar para enfrentar os desafios impostos pelas novas tecnologias da informação, na busca de um novo equilíbrio no sistema cultural contemporâneo. Para (VALENTE, 1999), o que contribui para a diferença entre essas duas maneiras de construir o conhecimento é a presença do computador, o fato de o aprendiz estar construindo algo através do computador (computador como ferramenta). O uso do computador requer certas ações que são bastante efetivas no processo de construção do conhecimento. Quando o aprendiz está interagindo com o computador ele está manipulando conceitos e isso contribui para o seu desenvolvimento mental. CHAVES,(1985) diz que quanto mais rico for o meio vivido pela criança (estimulações e recursos), maior será o seu desenvolvimento, cabendo à escola, principalmente das classes populares, fornecer esses recursos, como sendo a única oportunidade de a criança ter contato com essa tecnologia de uma maneira sistemática.
O presente trabalho, a cerca do entendimento do computador como ferramenta auxiliar ao processo de aquisição das competências de leitura e escrita, trata-se de exposição teórica e prática a respeito de uma intervenção pedagógica, no campo da promoção da leitura, em uma sala de aula regular do quarto ano do ensino fundamental de uma escola pública e municipal da periferia de fortaleza.
O objetivo geral da pesquisa é verificar se o espaço de escrita e de leitura na tela traz apenas novas formas de acesso à informação, ou também poderá trazer novos processos cognitivos, novas formas de conhecimento, novas maneiras de ler e de escrever, enfim, um novo letramento, isto é, um novo estado ou condição para aqueles
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que exercem práticas de escrita e de leitura na tela. É deste novo letramento que nos fala Bolter, (1991) um entusiasta das novas tecnologias.
De um modo geral, pretende examinar se a utilização de material impresso articulada às ferramentas da informática favorecem, sobremaneira, a sofisticação do processo de letramento.
De forma específica, esta pesquisa visa:
· Contribuir para o desenvolvimento de novas práticas de ensino-aprendizagem utilizando as Mídias Impressa/informática;
· Identificar, no plano teórico, as novas configurações dos modelos de letramento e alfabetização, seja qual for o processo de composição ? não só tipográfico, mas também por fotocomposição, por editoração eletrônica;
· Verificar em que medida a relação entre mídias - impressa e informatizada ? pode aperfeiçoar, ao fim e ao cabo, a relação/interação professor-aluno, aluno-professor, aluno-aluno.
Nesse sentido , embora reconheçamos aspectos inéditos relativos ao contexto de novas tecnologias, há questões que permanecem e que podem ser pensados no conjunto das produções culturais para ensinar a ler e escrever, sendo que há ainda um longo caminho a se percorrer no que tange à relação entre Educação, Tecnologia , Leitura e Escrita. Não temos dúvidas de que os desafios não são poucos quanto a inserção dessa nova realidade na cultura escolar à produção e desenvolvimento de materiais que atendam às especificidade do ensino e aprendizado das habilidades de leitura e escrita na perspectiva de Letramento.
02. ABORDAGEM TEÓRICA
O foco principal foi em autores que se dispõem a dar importância às mídias relativas ao letramento, a saber: material impresso; computador/informática, observando sua importância para uma aprendizagem significativa por meio da mediação e interação.
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É importante salientar que os resultados da análise dos dados foram bastante próximos ao que dizem os teóricos citados nesse artigo sobre a utilização do computador na valorização da leitura, nessas circunstâncias, percebemos que o livro impresso não vai desaparecer, ele continuará existindo concomitantemente com as tecnologias eletrônicas. A própria internet serve como uma ferramenta para a venda de livros impressos. Com o advento do computador e da internet, a leitura não se restringiu apenas à materialidade do papel, mas também se estendeu para outros suportes digitais. Um novo acesso aos textos e um novo modo de ler se estruturou. O manuseio de cada página do livro impresso se transfigurou em uma relação virtual; tela a tela o leitor se insere em um ciberespaço. Assim, frente às tecnologias eletrônicas uma nova relação entre leitor e texto se configura. O computador é o objeto mediador entre leitor e texto. (LÉVY, 1999, p.161). Um único indivíduo ou mesmo um único grupo não pode mais deter todo o conhecimento existente, nem a formação de um jovem estudante pode ser cerceada pela crença de que o saber necessário a sua formação encontra-se exclusivamente nos livros, mais especificamente nos livros didáticos. Para isso, não é preciso substituir o livro pelo computador, mas trabalhá-los conjuntamente. É preciso ao menos considerar os novos modos de operação, desenvolvidos fora da escola, principalmente pela experiência com meios digitais.
2.1. Mídia na educação
A mudança de paradigma da educação escolar parece caminhar no sentido da criação de novos espaços significativos de aprendizagem, em detrimento de uma modelo exclusivamente de ensino. Na verdade, ao contrário do que se pensa, o computador (ferramenta física); os softwares (ferramentas lógicas), não são oportunistas substitutas da humanidade. Enquanto contribuidores incisivos para o melhoramento da qualidade do processo ensino-aprendizagem, eles oferecem apoio e recursos aos professores, ao mesmo tempo em que se busca fazer a diferença no aprendizado e rendimento do aluno com novos estilos de aprendizagem. O computador é um instrumento com potencial para alterar um dado sistema social ou atividade mental daquele que o utiliza, mas não pode resolver/solucionar os problemas da escola e da Educação. Nas palavras do autor:
Keefe (1989) define estilo de aprendizagem como a maneira pela qual o aprendiz percebe, interage e responde ao ambiente de aprendizagem. Logo, o estilo de aprendizagem seria uma combinação das características cognitivas, afetivas, comportamentais e psicológicas. Estilo cognitivo de aprendizagem também pode ser definido como padrão diferenciado, individual, de reação diante da estimulação recebida, de processamento cognitivo da informação e de enfrentamento cognitivo da realidade (Fierro, 1990)
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Neste contexto, o mundo da informática se impõe como retrato vivo e inconteste do processo de avanço tecnológico logo, é evidente a necessidade de computador como subsídio na área educacional, na busca e ampliação do conhecimento. Assim como as atribuições do livro, do caderno, da caneta e outros foram relevantes e indispensáveis na evolução do processo de educar, o computador enquanto ferramenta tem suas peculiares características que mediam e o fazem de modo individual, uma vez que ele pode solucionar problemas complexos, braçais, elaborar gráficos rapidamente, simular atividades perigosas. Neste caso, ele se diferencia dos outros instrumentos pela sua característica de processamento rápido de dados fornecidos pelos usuários.
Mas, cada mídia tem sua especificidade e pode contribuir para se atingir determinados níveis de aprendizagem com maior ou menor grau de facilidade. Portanto, cada uma tem vantagens e limitações.
Em favor do uso da mídia na formação do cidadão, Mello (1999) diz que "uma notícia de jornal conduz a um filme, um seriado de televisão estimula a leitura de um livro, um programa de rádio incita à audição de um disco, um filme motiva a compra de um fascículo ou uma revista.".
Hoje se faz necessário compreender que ocorreu uma mudança na situação educacional da sociedade com a evolução dos meios de comunicação audiovisuais, que desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante. Diante desse cenário, parece impossível conter os passos da tecnologia ou retroceder aos avanços que já adquirimos. A televisão é sem dúvida um divisor de época e propagador de cultura, como formadora de opinião; os jornais, as revistas e a Internet também têm oferecido oportunidades ímpar de acesso a informações. Não se trata de opor os meios de comunicação às técnicas convencionais de educação, mas de integrá-los, de aproximá-los para que a educação seja um processo completo, rico, estimulante, porque nota-se que a relação com a mídia eletrônica é prazerosa, mas que ela, por si só, não muda o comportamento das pessoas.
Luckesi (1986) considera que a escola pode ter um papel no processo de transformação da sociedade, não propriamente como um mecanismo social ao lado de
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outros, que possibilita o encaminhamento da transformação. Muito embora a escola tenha não conseguido acompanhar a evolução dos tempos e tirar proveito das relações com a mídia, o que deve ser um processo coletivo, no qual o esforço individual conta sobremaneira.
2.1.1. Mídia material impresso/informática
O material impresso e o audiovisual permitem a flexibilidade e autonomia no horário de estudo, respeitam o ritmo de aprendizagem individual, apresentam possibilidade de consulta, estudo e revisão. A cultura nacional de informática na educação teve início nos anos de 1980, a partir dos resultados de dois seminários internacionais (1981 e 1982) sobre o uso do computador como ferramenta auxiliar do processo de ensino-aprendizagem.
Penteado (2004, p. 284) afirma que o movimento, a velocidade, o ritmo acelerado com que a Informática imprime novos arranjos na vida fora da escola caminham para a escola, ajustando e transformando esse cenário e exigindo uma revisão dos sistemas de hierarquias e prioridades tradicionalmente estabelecidos na profissão docente.
Atualmente, ambientes escolares, públicos ou privados, estão muito mais impregnados de tecnologias, quase sempre identificadas como "novas", o que certamente contribui para que, mesmo aqueles que sempre se mostraram reticentes, demonstrem atitudes e expectativas mais favoráveis ao seu uso na educação. A educação que começamos a chamar de "virtual" não poderia sequer ser concebida fora de um contexto onde predominam as Novas Tecnologias de Comunicação e Informação. Mas estamos lidando não apenas com novas tecnologias e sim com novos conceitos, que não se explicitam por si mesmos. Embora calcados em palavras comuns de nosso vocabulário, trazem novas conotações sobre as quais se faz necessário refletir, e mais ainda sobre as diversas implicações que podem ter na educação.
O movimento de informatização na educação se faz aplicável para tornar diferente do que são as salas de aula sem trazer prejuízo para o professor, como muitos acreditam que poderão ficar deslocados, não se trata de dizer que ele, professor será substituído, ou perderá sua autoridade, contudo a evolução fará com que sintam que é
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preciso apropriação deste meio para conduzir com eficácia a construção do conhecimento, por não ser ele o detentor do conhecimento, garantindo a participação ativa do educando.
2.1.2.Computador
Por vivermos na era da informatização, em que quase todas as funções e atividades humanas acabam sendo incorporadas ao computador, não é surpresa que o livro também tenha de se adaptar a esse contexto e, dessa forma, satisfazer suas decorrentes necessidades. A utilização do computador como ferramenta de ensino permite a criação de materiais didáticos que congregam várias mídias e a ampliação de conhecimento de forma interativa. A introdução do computador provoca mudança, medo e ansiedade na dinâmica da aula, mas é necessária essa incomodação para que haja o desenvolvimento tecnológico, exigindo do professor apenas novos conhecimentos e ações. O incerto e o incompleto existem, porque tudo é temporário. Portanto, o computador vem enriquecer o ambiente educacional, não sendo uma ameaça para o professor, e sim uma ferramenta de grande valia na construção do conhecimento. Segundo Moran (2004, p.10),
O educador autêntico é humilde e confiante. Mostra o que sabe e, ao mesmo tempo, está atento ao que não sabe, ao novo. Mostra para o aluno a complexidade do aprender, a sua ignorância, suas dificuldades. Ensina, aprendendo a relativizar, valorizar a diferença, aceitar o provisório. Aprender é passar da incerteza a uma certeza provisória que dá lugar a novas descobertas e as novas sínteses.
O movimento de informatização na educação se faz aplicável para tornar diferente do que são as salas de aula sem trazer prejuízo para o professor, como muitos acreditam que poderão ficar deslocados, não se trata de dizer que ele, professor será substituído, ou perderá sua autoridade, contudo a evolução fará com que sintam que é preciso apropriação deste meio para conduzir com eficácia a construção do conhecimento, por não ser ele o detentor do conhecimento, garantindo a participação ativa do educando.
2.1.3. Letramento
O letramento deve ser compreendido como sentido ampliado da alfabetização, por designar práticas sofisticadas de leitura e escrita. A entrada da pessoa no mundo da escrita se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia envolvida no aprendizado do ato de ler e escrever. Além disso, o aluno precisa saber fazer uso e envolver-se nas atividades de leitura e escrita. Ou seja, para entrar nesse universo do letramento, ele precisa apropriar-se do hábito de buscar um jornal para ler, de frequentar
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revistarias, livrarias, e com esse convívio efetivo com a leitura, apropriar-se do sistema de escrita.
É que, diante dos precários resultados que vêm sendo obtidos, entre nós, na aprendizagem inicial da língua escrita, com sérios reflexos ao longo de todo o ensino fundamental, parece ser necessário rever os quadros referenciais e os processos de ensino que têm predominado em nossas salas de aula.
De acordo com SOARES (1998), o sentido ampliado da alfabetização, o letramento, designa práticas de leitura e escrita. A entrada da pessoa no mundo da escrita se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia envolvida no aprendizado do ato de ler e escrever. Além disso, o aluno precisa saber fazer uso e envolver-se nas atividades de leitura e escrita. Ou seja, para entrar nesse universo do letramento, ele precisa apropriar-se do hábito de buscar um jornal para ler, de freqüentar revistarias, livrarias, e com esse convívio efetivo com a leitura, apropriar-se do sistema de escrita.
Teberosky & Colomer (2003) têm enfatizado que a participação nas práticas junto ao computador cria um novo tipo de leitura e uma nova escrita, que se distanciam em alguns aspectos das mesmas atividades realizadas em suportes de papel. Sendo o computador uma máquina que possibilita escrever, corrigir, consultar várias fontes, editar, imprimir e, também, interagir com ela própria e com outros leitores, obviamente tudo isso afeta a relação entre as atividades de produção e as atividades de compreensão. Em relação às crianças essas autoras têm comprovado que quando os adultos estimulam o uso do computador, as crianças menores aprendem rapidamente. E acreditam mesmo que talvez num futuro não distante muitas crianças pequenas aprendam a ler e escrever diretamente dessa forma, sem a necessidade de passar pelo uso de outros suportes materiais. Lembram que muitas famílias e escolas já possuem essas novas máquinas de leitura e escrita e essa realidade não passa despercebida às crianças. Segundo estudos nossos e de muitos pesquisadores, o computador vem atraindo a criança cada vez mais cedo.
A utilização dos recursos do computador como uma ferramenta que incentiva a leitura de alunos com deficiência de leituras, como forma de desenvolver este processo de maneira motivadora é evidenciada por possibilitar a participação ativa e uma aprendizagem significativa.
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03. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente pesquisa, de caráter investigativo com abordagem qualitativa, pautou-se na interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados como eixo norteador do trabalho. (Minayo, 2009), afirma que este tipo de pesquisa tem por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos no mundo social; trata-se de reduzir a distancia entre o indicador e o indicado, entre a teoria e os dados, entre contexto e ação.
GODOY (1995a, p.62) ressalta a diversidade existente entre os trabalhos qualitativos e enumera um conjunto de características essenciais capazes de identificar uma pesquisa desse tipo, a saber:
(1) O ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental;
(2) caráter descritivo;
(3) significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do investigador.
(4) o enfoque indutivo.
A Unidade Escolar pesquisada pertence à Rede Municipal de Fortaleza, localizada na periferia, dispondo de uma estrutura física de boa qualidade sendo favorecida com um LIE (Laboratório de Informática Educativa) com 20 computadores conectados a Internet, uma Sala de A.E.E (Sala de Atendimento Educacional Especializado) e uma Biblioteca com uma vasto acervo de livros.
A turma escolhida para a pesquisa foi o 4º Ano C. Os critérios adotados foram: primeiro, por ter apresentado menor rendimento escolar no ano Letivo 2008, em Língua Portuguesa. Segundo, por aparecer como uma turma problema relacionada à falta de interesse, não produção textual, seja em ditado ou reconto de histórias lidas em sala de aula; manifestação de violência física e verbal com colegas e professores, inclusive onde já se havia passado quatro professores, e que o último que antecedeu a professora atual, decidiu por desistir do concurso, por ter tido sua primeira experiência com esta turma considerada difícil.
Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram observações (diário de campo) e Entrevistas com os alunos. Foi utilizada como metodologia para o
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desenvolvimento deste trabalho, a aplicação de um questionário online semiestruturado, com perguntas abertas e fechadas. Para Mucchielli (1979), questionários podem ser de dois tipos: (1) questionário de auto-aplicação, onde o sujeito fica só diante do questionário para respondê-lo (este se aproxima do tipo online aqui aplicado); e (2) questionário por pesquisadores, onde o pesquisador faz perguntas e ele mesmo anota respostas.
As intervenções tiveram como eixo norteador a Literatura Universal, a saber, com a utilização do Conto Chapeuzinho Vermelho, com atividades de leitura na tela do computador objetivando a interpretação para que os alunos se posicionassem, analisassem e refletissem, considerando o contexto em que estão inseridos, afim de que pudessem construir seus próprios argumentos.
Foram reservados cinqüenta minutos semanais (uma h/a) no ambiente do LIE à realização de tarefas voltadas para o letramento, a saber: leitura coletiva, rodas de conversas sobre o texto lido, produção de textos, percepção de determinadas construções da língua ? ironia. Tornando-se um bom leitor, o aluno terá mais acesso às informações, podendo exercer de fato sua cidadania. Do exposto é que se justifica a implantação e execução deste projeto. Vale lembrar que, cada professor, deve ter em mente que o foco não é o conteúdo da aula, mas a leitura desse conteúdo, ou seja, facilitar, auxiliar o aluno à leitura desses conteúdos, fazendo inferências, questionamentos, discutindo opiniões. Tudo para fazer o aluno construir o conhecimento a partir do que ler, o tornado mais independente.
Observou-se no decorrer de cada encontro que havia diferença comportamental com o manejo do mouse, e o uso do scanning ou seja, o livro digitalizado para ser usado na leitura, proporcionando ao aluno a não materialização do mesmo, mas uso virtual dele, na busca em apresentar uma diferente maneira de ver o livro. Iniciamos a pesquisa em Novembro de 2010 e se estendeu a Janeiro de 2011, fora o recesso de 22/12/2010 a 03/01/2011, contando, portanto 45h/a de ações planejadas. (ANEXO 01).
A turma explorada, 4º ano C, constava 25 alunos, sendo que apenas 20 compareciam com freqüência normal. Ao ter o primeiro contato da pesquisadora com a turma houve excelente receptividade por parte dos alunos, assim sendo se mostraram atenciosos e prestativos para responderem o questionário diagnóstico (ANEXO 02).
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Não houve, todavia, uma fórmula predefinida de avaliação de aproveitamento do alunado sobre o material de estudo, a fim de obtenção de notas. Nesse caso, primou-se pelo caráter qualitativo, ou seja, participação dos alunos nas atividades e suas interpretações das leituras. Contudo, foi imprescindível para a aferição da aprendizagem, a socialização de trabalhos construídos pelos alunos nas aulas, como por exemplo: cartazes, comentários, construção de conceito, culminando com uma peça teatral.
As ações do projeto ocorreram no período de novembro/2010 a janeiro de 2011, com atividades práticas, tais como:
1) Solicitar aos alunos que, para que possamos realizar a tarefa proposta, recontem oralmente a história de Chapeuzinho Vermelho, da maneira que aprenderam;
2) Exposição de cartazes com comentário sobre as novas versões da História de Chapeuzinho Vermelho;
3) Propor a reescrita digitada da história de Chapeuzinho Vermelho, com base nas novas versões conhecidas
4). Logo em seguida, apresentará uma Peça teatral. O conto apresenta diferentes recursos de expressão. Portanto, a professora deverá explicar o conto, certificando-se de que não há nenhuma dúvida em relação à compreensão do texto;
A professora relatou que o principal problema da sala de aula era a falta de concentração dos alunos, visto que atrapalhava tanto no processo de ensino, quanto na aprendizagem deles, conforme foi observado durante a realização da pesquisa. Tendo em vista amenizar a falta de interesse dos alunos e promover a aprendizagem, a professora trabalhava em sala a interpretação do Conto de Chapeuzinho Vermelho. Ela expõe que no desenvolver das atividades percebe que ocorre a aprendizagem cognitiva, cooperativa, a pesquisa em grupo e que a interação bem sucedida aumenta a aprendizagem no Laboratório de Informática Educativa da escola. Em alguns casos há uma competição excessiva, monopólio de determinados alunos sobre o grupo. Mas, no conjunto, a cooperação prevalece. No decurso ela relata sobre o momento em que fora feito o reconto da história que não houvera dificuldade, mas quando fora pedido uma produção textual, alguns apresentaram erro de regulação grafo fonêmicas, como, por exemplo, escrever a palavra casa com a letra z em vez de s. Elas estão aplicando as regras da escrita intermediadas pelos sons da fala. (ANEXO 03).
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Dando continuidade, foram realizadas atividades de leitura por páginas, e com o uso do mouse os alunos foram clicando, dando seqüência a leitura a cada encontro realizado no Laboratório de Informática Educativa, ambiente onde fora implementado o Projeto de Pesquisa .
Em seguida, foi feito perguntas sobre a caracterização dos personagens da história de Chapeuzinho Vermelho a partir das descrições de ações por eles realizadas ou modo como se expressam. É preciso ressaltar que a realização desse trabalho apresentou-se mais difícil no momento em que havia de fazerem interpretações de parágrafos tornando também mais demorado do que o esperado, mas teve o benefício de gerar o domínio da leitura na tela do computador, fato esse fundamental para o bom desenvolvimento de várias das atividades restantes para a conclusão do projeto. Procedeu-se com a entrevista para verificar a apreciação dos alunos e seus conhecimentos do Clássico de Chapeuzinho Vermelho com as leituras na tela do computador (ANEXO 04).
04. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS
Realizada a coleta dos dados foi possível obter os seguintes resultados: Na aplicação do questionário diagnóstico aos alunos e na aplicação de atividade de sondagem e de verificação da aprendizagem fora percebida e registradas as atitudes, ações e reações mediante a realização dos trabalhos com o uso do computador como um dos principais recursos tecnológicos
A análise do questionário diagnóstico aplicado aos alunos declarou que 11 alunos preferiam trabalhar em grupo por facilitar a maneira como gostavam de trabalhar no LIE e em sala de aula convencional (em equipe e/ou individual); 10 alunos responderam que gostavam de fazer os trabalhos sozinhos, e 05 falaram que preferiam trabalhar em equipe ou em dupla.
Os outros 05 ficaram com dúvida, para eles não fazia diferença, porque tinham pouco compromisso com a leitura quando iam para o LIE (Laboratório de Informática
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Educativa) para fazer uso da mídia computador, mídias impressa e sobre seus hábitos de leitura e escrita.
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Apresentamos alguns relatos de alunos participantes que disseram: "Achei a história interessante e gostaria de ler novamente o livro na tela do computador, porque achei importante a utilização da Mídia Impressa." Aluna K; "achei bom, senti dificuldades porque era ?grande." Aluna Y; "Ler é muito ruim". Aluno W. Entretanto, 10 alunos responderam terem sentido um pouco de dificuldade por não dominar a leitura com proficiência. A aplicação da atividade de sondagem sobre o Conto Chapeuzinho Vermelha aplicada aos alunos teve como objetivo verificar os conhecimentos que eles já tinham sobre o assunto. Ao receberem o questionário foi decisiva suas disposições em respondê-lo. O resultado da atividade demonstrou que os alunos realmente já tinham conhecimentos sobre o Conto. Dos 25 alunos que o responderam, 03 definiram-na, 10 identificaram as características dos personagens e nenhum aluno citou nome dos autores do Conto. Para uma turma de 4º Ano, o Conto lhes era familiar aos alunos. Portanto, foi bastante satisfatórios e eficientes para realização do trabalho.
Nesta perspectiva, trabalhar numa aula informatizada nos leva a refletir e inventar outro educador com procedimentos e atividades que viabilizam os processos de ensino aprendizagem. A professora dos alunos participantes no Projeto de Pesquisa se motivara ao perceber que a dupla de alunos buscara cooperar-se entre si. Já a pesquisadora vira que os computadores estão difundindo uma nova forma de letramento, mas são incapazes de satisfazer todas as necessidades intelectuais que estimulam, o que não pode deixar de ser feito.
05. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os envolvidos na pesquisa perceberam que a regra deverá ser sempre de lembrar que o advento da era eletrônica não irá substituir o material impresso, mas a busca para a facilidade de acesso ao conhecimento, tendo em sua frente, meio impresso e meio digital, reconfigurando novas maneiras de ler, de escrever e de acessar as obras. Pois a grande maioria dos alunos questionados considera o livro fonte de conhecimento, diversão e felicidade.
Para o aprofundamento total do educando é preciso produzir um ar envolvente que provoque o desejo de fazer questionamento abertos, que atice a vontade de experimentar o novo, impulsionando a aprender o desconhecido, tornando possível a
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apreciação e reflexão para que tenha capacidade de pensar como um cidadão consciente e transformador.
Esta idéia de trabalhar a leitura utilizando a mídia Livro impresso tendo o computador como ferramenta para o desenvolvimento da leitura em sua tela, tratou-se de introduzir caminho diferente do que já vem sendo trilhado, para examinar a possibilidade de despertar interesse dos alunos, julgando que necessitam de informações diversificada sendo eles os sujeitos que vão construir seus conhecimentos. E a partir do momento em que foram informados sobre a pesquisa, começaram a se movimentar, interagir com o desconhecido, sentiram que estavam diante de uma nova situação, e foram impelidos a se apropriar das tecnologias e do conhecimento enquanto leitor. A Condição proposta permitiu aos educandos o acesso a essas tecnologias e fez com que os trabalhos, enquanto pesquisadora tivesse bons resultados passando a ser mais prazeroso, cultivando a vontade de estudar, com motivação e comprometimento. A diferença no nível de aprendizado da língua entre os sujeitos afetou a duração da atividade que foi mais demorada com o sujeito menos proficiente.
De fato, há numerosas criações tecnológicas que não tornaram obsoletas as anteriores. Os computadores fomentam a produção de material impresso. O computador cria novas modalidades de produção e difusão de documentos impressos.
É básico ajudar o educando a desenvolver sua(s) inteligência(s), a conhecer melhor o mundo que o rodeia. Por outro lado, fala-se da educação como desenvolvimento de habilidades: "Aprender a aprender", saber comparar, sintetizar, descrever, se expressar. Desenvolver a inteligência, as habilidades e principalmente, as atitudes. É preciso que haja mediação por parte do professor, promovendo a interação dos alunos. É notável que por meio da interação será possível contribuir para que o aluno avance na aquisição da aprendizagem. Ademais, a busca da informação por si só não se traduz em aprendizagem; mas, sobretudo a necessidade de transformar a informação em conhecimento. O computador, neste sentido, concorre para a realização do desenvolvimento individual tornando-se também fonte de informação. Desta forma, percebe-se a necessidade do envolvimento dos professores com trabalhos direcionados à leitura e à escrita dos seus educandos, utilizando novas tecnologias, para que possam despertar sempre o interesse dos mesmos. Diante dos resultados positivos espera-se que a escola não se omita de participar e investir na construção do saber através das tecnologias para inovação da aprendizagem.
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Sobre este autor(a)
Sou professora da Rede Municipal de Fortaleza há 26 anos, Graduada em Linguagens e Códigos pela a Universidade Federal do Ceará- Pós-Graduada em Mídia na Educação- UFC
Membro desde maio de 2011
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