MÉTODOS E TÉCNICAS DE ALFABETIZAÇÃO
 
MÉTODOS E TÉCNICAS DE ALFABETIZAÇÃO
 


MÉTODOS E TÉCNICAS DE ALFABETIZAÇÃO


JUNAINA JÚLIA RODRIGUES PRUDENTE



Resumo

Este trabalho pretende descrever os principais conceitos dos diversos métodos e técnicas empregados no processo de alfabetização, de jovens e adultos, o qual será baseado em leituras através de revisão bibliográfica com o objetivo de apresentar propostas para auxiliar na melhoria da aprendizagem com sugestões de aperfeiçoamento que levem em conta a realidade e a necessidade do jovem e do adulto.


Palavras- chave: Métodos. Técnicas. Alfabetização. Jovens. Adultos



1. Introdução

Toda escola trabalha com um planejamento de suas ações conhecido como projeto político pedagógico. Em linguagem, essa construção pressupõe o ensino da leitura e da escrita. As Diretrizes Curriculares do Ensino Básico exigem que os municípios ofereçam a modalidade de Ensino Fundamental inclusive para jovens e adultos que não tiveram oportunidade de cursar a alfabetização na idade própria.
Os Parâmetros Nacionais Curriculares do Ensino Médio (PCNEM) têm como objetivo fazer a reforma dos conteúdos curriculares e orientar os professores para a busca de novas abordagens metodológicas também para a alfabetização de jovens e adultos.
Para garantir que o ensino fosse democratizado, o governo elaborou algumas propostas como: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), visando incentivá-los a estudar cada vez mias. Desse modo, a educação pública passa ser o principal interesse do governo frente a uma educação de qualidade que repercute na criação de novos projetos de alfabetização.
O estudo do texto tem como objetivo preparar o jovem e o adulto para participar de uma sociedade complexa como a atual que requer aprendizagem autônoma e contínua ao longo da vida, ou seja, relatar ou reportar idéias de outrem, informar, defender opinião ou provocar polêmica. Ainda assim, apresentar algumas propostas para melhorar a aprendizagem dos alfabetizandos através de sugestões para o aperfeiçoamento das aulas de acordo com a necessidade e motivações do jovem e do adulto.

2. CONCEITO DE MÉTODO

Durante muito tempo vêm se estudando qual o melhor método de alfabetização apropriado a um jovem ou um adulto que não tiveram acesso ao ensino na idade própria. E o que faz um método prevalecer ou ser melhor ou o mais adequado do que o outro?
Para LIBANÊO (1994:150) o conceito de método é o caminho para atingir um objetivo. Na vida cotidiana estamos sempre perseguindo objetivos. Mas estes se realizam por si mesmo, sendo necessária a nossa atualização, ou seja, a organização de uma seqüência de ações para atingi ? los. Os métodos são, assim, meios adequados para realizar objetivos.
A ENCICLOPÉDIA BARSA (1987:37) afirma que:
Método é o conjunto de processo graças aos quais é possível conhecer uma determinada realidade, produzir determinado objeto ou desempenhar certo comportamento. Nesse sentido geral, identifica-se com a noção de meio pelo qual se alcança determinado fim. Como tal, acha-se ligado fundamental ao processo de trabalho e todas as atividades humanas dotadas de um propósito transformador da realidade.

De acordo com a NOVA ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA DE CONSULTAS E PESQUISAS (1980:983), método é a ordem que se segue na procura da verdade, no estudo de uma ciência, para alcançar um fim determinado.

2.1. Métodos de alfabetização

Os métodos de alfabetização estão divididos em métodos tradicionais e métodos construtivistas. Entre os métodos tradicionais estão: o método sintético; método global ou analítico; enquanto que entre os métodos construtivistas estão: método de Paulo Freire

2. 2. Método sintético

Segundo o linguista norte americano Bloomfield propositor do método, a aquisição da linguagem é um processo mecânico, ou seja, a criação será sempre estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente. Assim, a linguagem seria a formação do hábito de imitar um modelo sonoro (WIKIPÉDIA, 2008).
É importante ressaltar que para acontecer o desenvolvimento da linguagem é preciso que em primeiro lugar a criança interiorize o som e só então faça a relação símbolo e som, logo depois, a correlação entre som e soletração através de leitura de palavras dais quais chegará as correspondências soletração/som.
Percebe-se então que diante desse pensamento, o significado não entraria na vida da criança antes que ela dominasse a relação entre fonema (som) e grafema (letra). Já que a escrita serviria apenas para representar graficamente a fala.
O método sintético pode ser dividido em:

2.3 Alfabético ou soletração

Esse método parte da letra isolada para depois juntá-la a outras, através das sílabas, é um dos mais antigos métodos de alfabetização, tem como ponto de partida a decoração das letras do alfabeto, depois as famílias das sílabas e por último as palavras. Em seguida a criança passa a ler palavras curtas e com o tempo vai evoluindo até começar ler pequenos textos. Nesse processo a criança soletra as sílabas até decodificar a palavra. Por exemplo, a soletração da palavra mesa que fica assim m, e, me, s, a, sa, mesa. Nesse método é permitido a utilização da cartilha. Apesar de não ser o mais indicado pelos Parâmetros Nacionais Curriculares (PCNs), ainda hoje é bastante utilizado principalmente na região nordeste do país devido sua simplicidade de aplicação por professores na cartilha do ABC e alfabetização doméstica.
Na década de 1970 e início de 1980 a maioria dos brasileiros foram alfabetizados pelo método da soletração ou abelhinha através da cartilha Caminho Suave de Branca Alves de Lima que na tentativa de facilitar para as crianças a memorização das letras criou desenhos que continham as iniciais das palavras como por ex: A de abelha, B de bola, C de casa e assim por diante.
A cartilha tornou-se o principal aliado na alfabetização dos brasileiros até a década de 80 devido a facilidade no aprendizado, quando o construtivismo começou a ganhar espaço no país. Na década de 1995, o Ministério da Educação (MEC) retirou a cartilha de circulação. No entanto, calcula-se que atualmente são vendidas em torno de 11mil cartilhas por ano no Brasil.

2.4 Fônico

Este método surgiu sobre a influência da linguística e tem como unidade central o fonema e passou a ser adotado no lugar do alfabético na intenção de superar a grande dificuldade existente naquele por causa da diferença entre nome, som e letra. Ele consiste na memorização dos sons das letras antes de fazer a associação com os desenhos que as representam, ou seja, a criança só vai ter contato com a grafia após fixar os sons.
Nesse método há uma preocupação com a pronúncia correta das palavras, por isso, deve-se pronunciá-las de acordo como se escreve. Se a palavra for pronunciada errada, a escrita também será errada, já que a criança não saberá distinguir o erro através da pronúncia.
Fernando Capovila afirma que:

O método fônico é baseado no ensino dinâmico do código alfabético, ou seja, das relações entre grafemas e fonemas em meio a atividades lúdicas planejadas para levar as crianças a prender a codificar a fala em escrita e de volta, a decodificar a escrita no fluxo da fala e do pensamento. Ele é tão eficaz em produzir compreensão e produção de textos porque, de modo sistemático e lúdico, fortalece o raciocínio e a inteligência verbal (FOLHAONLINE, 2006).

2.5 Silábico

O método silábico surgiu no século XVIII como proposta de superação da soletração e deu início ao processo de alfabetização a partir da sílaba. Posteriormente propôs que fosse ensinado primeiro as vogais, depois as consoantes simples e em seguida os encontros consonantais, de acordo com estudos esse método é um dos métodos que permanece até os dias atuais.
Este método tem como característica a somatória que inicia pelas vogais e pelos encontros vocálicos, depois, ocorre a apresentação do som e da grafia das consoantes. Em seguida, parte-se da junção das consoantes com as vogais formando-se sílabas simples. E por fim os encontros consonantais e as sílabas complexas são apresentados. Somente após a fixação dessas etapas é que o professor apresenta sentenças e mais adiante o texto.
O método silábico possui um processo lento e longo, pois, a criança deve percorrer várias etapas para só então ser alfabetizada muitas vezes sem sucesso.
Apesar de todo um processo de preparação, a representação das sílabas com suas famílias é uma marca registrada do método silábico. Essas sílabas recebem os mais variados nomes entre os quais: familinhas, pedacinhos mágicos, famílias fantásticas e assim por diante. Essas classificações vão variar de acordo com a criatividade do professor e servem para tornar a aula e o ensino mais prazeroso às crianças.


2.6. Método global ou analítico

FEIL (1984:30) conceitua esse método a partir de ADAM (1787) que afirma:

Quando apresentais a uma criança um objeto, como por exemplo, uma roupa, algum dia vos ocorreu mostrar separadamente os ornamentos, depois as manguás, a seguir a parte da frente, os bolsos, os botões, etc.? É certo que não. Vós a fazeis ver o conjunto e lhe dizeis: isto é uma roupa. É assim que elas aprendem a falar com suas amas: porque não fazer o mesmo para ensiná-las a ler?

O método analítico ao romper com o processo de decifração propõe formas de trabalho que priorizam a análise e compreensão, defendendo a integridade da língua e do processo de percepção infantil.
O método analítico é dividido em:

2.7. Palavração

Neste método primeiro o aluno aprende as palavras só então se faz a separação em sílabas para a formação de novas palavras. Dessa forma é proposto que ela acompanhe pequenos textos. O professor escreve as palavras que pretende trabalhar em fichas, cartazes, no quadro, etc., acompanhadas ou não de figuras. No decorrer da memorização são estudadas as sílabas e as letras que compõem a palavra.
Conforme COSTA & ANTUNES (2008) a partir de RIZZO (1986), o método de palavração foi introduzido por Comênio em meados do século XVII, as palavras são apresentadas de forma agrupada, e geralmente seu ensino parte do pressuposto de que os alunos aprendem a reconhecê-los através da memorização de sua configuração gráfica.
A ordem de apresentação de palavras, quando criteriosamente planejada, auxilia, substancialmente, o estabelecimento de habilidades de leitura inteligente. Ao mesmo tempo a atenção é dirigida aos detalhes da palavra com sílabas, letras e sons. E estes depois reunidos, auxiliam o aluno a enfrentar palavras novas com autonomia de leitura.
2.8. Sentenciação

Neste método o aluno aprende uma sentença, ou seja, uma frase de acordo com o interesse de todos os alunos, que em seguida é dividida em palavras que novamente serão divididas em sílabas que uma vez aprendidas serão usadas na leitura de novas palavras.

2.9. Conto ou texto

Neste método o professor apresenta ao aluno um texto que é lido em voz alta após a leitura é destaca uma frase, uma palavra, até chegar às sílabas ou às letras para formar novas palavras, a idéia fundamental é fazer com que a criança entenda que ler é descobrir o que está escrito.

3. Método de Decroly

Segundo FEIL (1984:32), para elaborar esse método DECROLY (1907) primeiro fez trabalhos de observação com crianças consideradas anormais em especial aquelas que as escolas comuns não tinham condições de educar ou simplesmente recusavam a aceitar, para só então começar seu trabalho com crianças normais.
O método é baseado no respeito à criança, cuja personalidade é sagrada e servirá de centro ao seu programa. Esse método é aplicado de acordo com a necessidade da criança. É o aluno, com sua realidade, interesse e capacidade que definirá o fim da educação ? o esforço para que cada criança alcance seu grau de perfeição de que seja capaz.
Decroly desenvolveu uma metodologia centrada no interesse e na autoavaliação e com fundamentos da Psicologia e da Sociologia. Segundo o autor "A escola há de ser para o menino, e não o menino para a escola". Como se pode observar, a escola era baseada no aluno e não no professor, onde esta instituição deveria preparar a criança para uma vida em sociedade, e não apenas oferecer conhecimentos para uma futura formação profissional.


3.1. Princípios que caracterizam o método
3.1.1. Princípio da liberdade

Este princípio tem a total liberdade da criança na escola como critério para que desenvolva normal e natural sem constrangimentos e obrigações os seus próprios conhecimentos. Nesse princípio as atividades educativas devem ser sugeridas pelas próprias crianças e seguir determinados critérios como: faixa etária, sexo, saúde e principalmente a habilidade do professor.
3.1.2. Individualidade

Toda criança tem a sua individualidade mesmo aquelas criadas em um mesmo ambiente e em condições idênticas. Para que ela possa ter a sua total liberdade é preciso que sua individualidade seja preservada.

3.1.3. Atividade da criança

A criança deve agir espontaneamente e constante. Para a psicologia nessa idade a criança é inquieta, pois, está em constante movimento, o seu interesse está focado para os brinquedos e os jogos. Este último pode ajudar a criança a desenvolver o raciocínio lógico, a reflexão, resolver problema de valores sociais, intelectuais e morais. Sem dúvida o lúdico deve está inserido na programação escolar, já que através deste a criança estará apta para produzir naturalmente.

3.1.4. Intuição

Nesse princípio a palavra como forma de ensinar é substituída, ou seja, o ensino é voltado apenas para o objeto em estudo. Segundo esse princípio a criança só adquire conhecimento quando está em contato com a realidade e não apenas em observar o que o professor fala.
A criança precisa está interagindo com o objeto de estudo, ela pode ver cheirar, tocar e analisar, e para isso pode-se recorrer a própria natureza que é um dos recursos mais atrativos para esse publico infantil. O papel do professor agora é esclarecer dúvidas e conclusões, responder as perguntas e motivá-las a fazer associações.

4. Método Dom Bosco

Esse método tem como objetivo colaborar para que o alfabetizando consiga formar de si mesmo e de sua realidade uma consciência crítica e através disso aprenda a ler , escrever e executar as quatros operações básicas.
Suas principais características são: eficácia e rapidez, já que, a leitura e a escrita são alcançadas em trinta ou quarenta aulas de duas horas cada uma ou até em menor tempo.
O método utiliza palavras-chave escolhidas pelo seu valor fonético. As palavras são apresentadas a partir de seu contexto e depois lida por inteiro. Logo após selecionada só se escreve a primeira sílaba que é a sílaba chave. Geralmente são usadas 27 palavras-chave.
Para DOS SANTOS (2003:37) a escolha das palavras-chave dar-se grande importância ao seu conteúdo ou significado, da mesma forma como ocorre no método Psicossocial e no método do Centro Regional de Educação Funcional da América Latina - Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (CREFAL/UNESCO), por exemplo. As palavras são apresentadas num contexto vivencial. Neste método não se faz o levantamento vocabular de cada localidade ou região. No entanto, cada palavra-chave está associada a uma situação ou necessidade concreta dos alfabetizandos, preferencialmente uma das necessidades básicas do homem, que é universal é, portanto, são do máximo interesse de cada aluno: alimentação, moradia, trabalho, saúde, lazer etc.

5. Método Paulo Freire

Este método foi desenvolvido pelo educador Paulo Freire e nasceu em contradição ao método tradicional, no qual fazia o uso da cartilha como metodologia do ensino tanto da leitura quanto da escrita, haja visto, que as cartilhas ensinavam pela repetição de palavras soltas ou de frases repetitivas como ex: O vovô viu a uva, o bebê baba.
"Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva a e quem lucra com esse trabalho" (FREIRE: 1991).
A proposta de Freire tem o objetivo de alfabetizar todos aqueles que não tiveram oportunidade de estudar e também conscientizar as classes excluídas do sistema educacional, ou seja, sua proposta era baseada em uma educação popular conscientizadora, no qual o princípio básico era: " A leitura do mundo precede a leitura da palavra
O método de Paulo Freire é baseado em cinco fazes:

5.1 Levantamento do universo vocabular

Onde o professor primeiramente se aproximaria dos educandos de maneira informal de modo a despertar sentimentos e emoções para então conhecer o grupo, é importante que o professor adéqüe a sua linguagem a linguagem do grupo estudado a fim de uma aproximação maior e sem constrangimento por parte dos alunos.

5.2 Escolha das palavras selecionadas do universo vocabular pesquisado

Após o levantamento do universo vocabular mais utilizado pelo grupo o professor selecionaria as palavras com mais sentido que deveriam obedecer aos seguintes critérios: a) riqueza fonética; b) dificuldades fonéticas; c) teor pragmático das palavras numa determinada realidade social, cultural e política.

5.3 Criação de situações existências

Nessa fase são lançadas situações desafiadoras carregadas de graus de dificuldades com o objetivo de auto-analise que serão mediadas pelo professor. São situações locais que geram discussões e perspectivas dos problemas que podem der de nível regional ou nacional.


5.4 Elaboração de fichas ? roteiro

A elaboração dessas fichas irão auxiliar os coordenadores de debate no seu trabalho e também poderão servir como apoio, porém não existe uma determinada regra a seguir, pois, esse tipo de ficha pode ser determinada de acordo com a indicação do líder e de acordo com o tema em questão.

4.5 Elaboração de fichas com a decomposição das famílias fonéticas

São as chamadas palavras geradoras que podem ser confeccionadas nos mais diferentes materiais como: em slides, fotograma ou cartazes entre outros.
Essa proposta metodológica de alfabetização de jovens e adultos feita por Freire foi uma inovação de todas as técnicas até então utilizadas que não passavam de adaptações das cartilhas usadas na alfabetização de crianças. O processo de aprendizagem foi libertador e não mais mecânico, já que, agora o educando podia mostrar sua posição frente aos problemas que pudessem surgir.
Dessa forma, o método Paulo Freire busca uma nova identidade para os jovens e adultos que até então não podiam ser considerados com cidadãos capazes de tomar decisões próprias e de refletir sobre o mundo que os rodeia, haja vista, que eram a parte excluída e esquecida da população.

6. CONCEITO DE TÉCNICA

Conforme a WIKIPÉDIA (2008) técnica é o procedimento ou o conjunto de procedimento que têm como objetivo obter um determinado resultado seja no campo da ciência, da tecnologia, das artes ou em outras atividades. Estes procedimentos não excluem a criatividade como a fator importante da técnica como os conhecimentos técnicos e a capacidade de improvisação. A técnica não é privativa do homem, pois também se manifesta na atividade de todo ser vivo e responde a uma necessidade de sobrevivência. No ser humano, a técnica surge de sua relação com o meio e se caracteriza por ser consciente, reflexiva, inventiva e fundamental. O indivíduo a aprende a faz progredir. Só os humanos são capazes de construir com a imaginação, algo que logo pode concretizar na realidade.
As técnicas de alfabetização são procedimentos de trabalho utilizados em sala de aula para facilitar a aprendizagem e devem variar de acordo com a individualidade de cada aluno, cada professor e de cada turma. Essas técnicas podem ser divididas em dois grupos: técnicas de leitura e técnica de escrita.
Na primeira técnica são utilizados cartazes para que os alunos possam fazer a leitura, onde as palavras estão descritas da esquerda para a direita. O professor deve estimular a leitura de texto em conjunto, através de jogos que fazem a associação da palavra com a figura e trabalhos que envolvam a criatividade dos alunos. Vale relembrar que o alfabetizador pode e deve promover atividades que desenvolvam e aperfeiçoe a coordenação motora do alfabetizando.
Na técnica da escrita o professor deve proporcionar um ambiente em que o aluno possa está em contato com os símbolos gráficos através de livros, revistas cartazes e outros tipos de materiais que estimulem a percepção e as formas das letras.
O professor deve estar aberto à criatividade dos alunos e nunca desprezá-las, dessa forma, às crianças além de estarem aprendendo estarão mais motivadas e abertas a novas descobertas. Cabe a ele o processo de buscar novas técnicas, seja através de música, teatro, jogos ou brincadeiras, para empregar na sala de aula o método mais adequado a realidade dos seus alunos, dessa forma, estará incentivando e explorando o potencial de cada educando.
Seja qual for, a técnica empregada pelo professor, esta deve propiciar um processo de ensino e aprendizagem prazerosa, tanto para o professor, quanto para o aluno.
Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (2004), técnica é a parte material ou o conjunto de processos de uma arte; maneira, jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo, é a parte prática.
Técnica é o conjunto de procedimentos e métodos de uma arte, ofício ou atividade industrial; prática, experiência, conhecimento em determinado domínio (LAROUSSE, 2001:952).
De acordo com o Dicionário Barsa de Língua Portuguesa (2005:1010) técnica é o conjunto dos processos de uma arte ou a sua parte material; conhecimento prático.

Considerações Finais

Neste trabalho, constatou-se que no Brasil ocorre uma batalha entre os defensores de determinados métodos de alfabetização entre os quais estão: o método sintético e analítico.
O método sintético é subdividido em: alfabético ou soletração, fônico e silábico. O método alfabético ou soletração é um dos mais antigos métodos de alfabetização e parte da decoração das letras do alfabeto, depois as famílias das sílabas e por último as palavras. Apesar de não ser o mais indicado pelos Parâmetros Nacionais Curriculares (PCNs), ainda hoje é bastante utilizado principalmente na região nordeste do país devido sua simplicidade de aplicação por professores na cartilha do ABC e alfabetização doméstica.
O método fônico tem a influência da lingüística e está baseado no ensino dinâmico do código alfabético, ou seja, das relações entre grafemas e fonemas passou a ser adotado no lugar do alfabético na intenção de superar a grande dificuldade existente naquele por causa da diferença entre nome, som e letra. Ele é tão eficaz em produzir compreensão e produção de textos porque, de modo sistemático e lúdico, fortalece o raciocínio e a inteligência verbal.
O método silábico nasceu em superação ao método da soletração e dá início ao processo de alfabetização a partir da sílaba, ao qual é ensinado primeiro as vogais, depois as consoantes simples e em seguida os encontros consonantais Somente após a fixação dessas etapas é que o professor apresenta sentenças e mais adiante o texto. O método silábico possui um processo lento e longo, pois, a criança deve percorrer várias etapas para só então ser alfabetizada muitas vezes sem sucesso. De acordo com estudos esse método é um dos métodos que permanece até os dias atuais.
O método analítico está subdividido em: palavração, sentenciação e conto ou texto. Na palavração ocorre primeiro a apresentação das palavras para depois fazer a decomposição em sílabas e após, a formação das palavras. O professor pode usar as mais variadas metodologias para a memorização dessas palavras. Depois de memorizadas são estudadas as sílabas e as letras.
Na sentenciação o aluno primeiro aprende um sentença que vai variar de acordo com o interesse de cada turma ou aluno em seguida essa sentença é dividida em palavras que serão novamente divididas em sílabas que serão usada em leituras de novas palavras.
No conto ou texto o professor ler para os alunos um texto no qual é destacado uma frase, uma palavra, sílabas e letras para então formar novamente outras palavras. O mais interessante é que o aluno vai descobrir sozinho novas palavras.
Mesmo tendo como público alvo as crianças, estes métodos podem também ser adaptados para a alfabetização de adultos.
Nesta pesquisa foram apresentados dois métodos direcionados aos adultos, entre eles estão: o método Dom Bosco e o método de Paulo Freire. O primeiro método parte de palavras-chaves retiradas do contexto social com valor significativo como as palavras moradia, saúde, alimentação, entre outras, depois de selecionada só se escreve a primeira sílaba que é a sílaba chave.
Suas principais características são: eficácia e rapidez, já que, a leitura e a escrita são alcançadas em trinta ou quarenta aulas de duas horas cada uma ou até em menor tempo.
No método de Paulo Freire o professor faz o levantamento do universo vocabular do aluno em conversas informais, depois de escolhidas as palavras geradoras que podem ser aquelas com riqueza fonética ou dificuldade fonética cria-se situações problemas cria-se situações problemas com o objetivo de levantar discussões no qual são elaboradas fixas com essas palavras discutidas que serão decompostas de acordo com as famílias fonéticas.
Baseado neste trabalho, constato-se que não existe um método considerado o mais recomendado ou o menos recomendado para a alfabetização de adultos , ou seja, o método escolhido vai depender de quem o escolhe e para quem o escolhe, haja vista que sozinho um método não garante o sucesso.
Logo, o professor deve está ciente que precisará fazer algumas adequações dos métodos de acordo com a necessidade da turma e dos alunos, visto que um único método pode não ser o mais apropriado para todos, uma vez que para muitos pode funcionar e para uma minoria não.

Referências Bibliográficas

BARSA, Enciclopédia Britânica do Brasil. Rio de Janeiro - São Paulo, 1987, p.37.

BARSA, Dicionário de Língua Portuguesa ?São Paulo, 2005, p.1010.

COSTA, Sharlene Marins; ANTUNES, Helenise Sangoi. Um Olhar Reflexivo Sobre o Histórico dos Métodos de Alfabetização. Associação de Leitura do Brasil?ALB, 2008.Disponívelem:www.alb.com.br/arquivomorto/edicoes_anteriores/anais16/.../sm10ss20_07.pdf Acessado em 30 11/2008.


DOS SANTOS, Itamar Diogo. Método Dom Bosco de Educação de Base. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 2003. p. 37.

ENCICLOPÉDIA, Nova Brasileira de Consultas e Pesquisas - Novo Brasil Editora LTDA - 1980 - p. 117, p983

FEIL, Izelda Terezinha Sausen. Alfabetização - um desafio novo para um novo tempo. 5ª ed. Ijui-RS. Editora Vozes 1984. p. 30, p.32

FOLHAONLINE, Folha de São Paulo. Construtivismo x Método Fônico. Entrevista com Telma Weisz e Fernando Capovilla. Disponível em: http://www.1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc603200612.htm. Acessado em 30/11/08.

FREIRE,Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 3ª ed. 1º Impressão da Editora Positivo, 2004.

LAROUSSE, Ática: Dicionário da Língua Portuguesa. Paris: Larousse; São Paulo: Ática, 2001.

LIBANÊO, José. Didática. São Paulo: Cortez/ Coleção Magistério 2° grau. Série formação do professor 1994.

WIKIPÉDIA,a enciclopédia livre. Métodos de Alfabetização. Disponível em: www.pt.wikipedia.org/wiki/Alfabetiza %C3%A7%C3%A3o. Acessado em 30/09/08.

WIKIPÉDIA,aenciclopédialivre.Técnica.Disponívelem:www.pt.wikipedia.org/wiki/T%C3% A9tecnica. Acessado em: 30/09/08.




 
Avalie este artigo:
(2 de 5)
22 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Junaina Júlia Rodrigues Prudente
Talvez você goste destes artigos também
Sobre este autor(a)
Graduada em Licenciatura Plena em Letras Vernáculas pela Faculdade de Itaituba - FAI(2009) e especialista em Docência para o Magistégio Superior na Faculdade de Itaituba - FAI. Profissionalmente atua como professora do Curso de Graduação em Licenciatura Plena em Letras Vernáculas da FAI, Enfermagem ...
Membro desde abril de 2011
Facebook
Informativo Webartigos.com
Receba novidades do webartigos.com em seu
e-mail. Cadastre-se abaixo:
Nome:
E-mail: