Melhor qualidade de vida no trabalho através da ergonomia.
 
Melhor qualidade de vida no trabalho através da ergonomia.
 


MELHOR QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO ATRAVÉS DA ERGONOMIA

 

Anderson Martins (Estácio)

[email protected]

Área: Ergonomia e Segurança do Trabalho

         Subárea: Ergonomia dos Processos de Produção

 

 

 

Para uma empresa manter-se no mercado e tornar-se competitiva, é necessário investimento em equipamentos e, principalmente, em recursos humanos. É fundamental proporcionar boas condições de trabalho, além de capacitar e qualificar seus colaboradores.

Este artigo teve o intuito de demonstrar um pouco da história da ergonomia, sua origem, evolução e seus conceitos. Abordou-se também qual é sua importância e sua contribuição na geração da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), e qual o resultado que traz aos funcionários e conseqüentemente para as organizações.

 

Palavras-chaves: Ergonomia, Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), Segurança e Saúde no Trabalho

 


1 Introdução

Com o mercado competitivo as empresa buscam estratégias para manter-se e conquistar novos clientes. Acreditava-se que grandes investimentos em tecnologia de ponta era a forma de solucionar os problemas do processo produtivo, porém com o passar do tempo perceberam que o verdadeiro capital é o homem, e que a produtividade, e conseqüentemente, a lucratividade está relacionada às melhores condições de trabalho. Para tanto, se faz necessário a criação de ações para trazer bem estar, conforto e segurança ao trabalhador.

Ações essas que podem ser aplicadas através da Ergonomia que tem o intuito de analisar o ambiente de trabalho e os trabalhadores a fim de buscar os melhores ambientes para se trabalhar.

A ergonomia surgiu devido às fábricas estarem aplicando novas tecnologias em ambientes complexos. Os acidentes e as doenças relacionados ao trabalho fazem com que cada vez mais a ergonomia seja solicitada pelas empresas, para analisar os processos e os métodos das atividades, levando em questão os fatores complexos das atividades.

Neste contexto, para se ter o máximo de eficiência e produtividade dos trabalhadores em suas respectivas funções, podem ser utilizados os métodos ergonômicos, onde um deles é através da adaptação da atividade laboral ou pela aplicação de práticas novas atingindo uma qualidade de vida ideal para as organizações e para os trabalhadores.

Um método muito importante, e que está relacionado a este artigo, é o processo participativo que tem o objetivo de envolver os trabalhadores nas análises e concepções dos postos de trabalho para estar solucionando os problemas relacionados à ergonomia, sendo característica comum da abordagem ergonômica contemporânea.

As pessoas permanecem grande parte do seu tempo dentro da empresa, sendo de grande importância na sua vida. Diante deste fato, desenvolver melhores propostas e incentivos é necessário para que se tenha uma Qualidade de Vida no Trabalho.

O objetivo deste artigo é demonstrar, através de conceitos, que a Ergonomia pode, e tem contribuído muito, para a contextualização de trabalho gerando Qualidade de Vida no Trabalho para todas as empresas que adotam esta ferramenta.

2 Origem e evolução da ergonomia

O termo ergonomia ficou conhecido em 1857, através do Polonês Wojciech B. JASTRZEBOWSKI, que publicou um “ensaio de ergonomia ou ciência do trabalho baseado nas leis objetivas da ciência da natureza”.

Durante a II guerra mundial, aproximadamente 100 anos mais tarde, quando da junção de esforços entre a tecnologia e as ciências humanas e biológicas , é que a ergonomia veio a se desenvolver. Profissionais de várias áreas: Fisiólogos, psicólogos, antropólogos, médicos e engenheiros uniram-se para resolver problemas causados pela operação de equipamentos militares complexos. O resultado foi tão positivo que foram utilizados pela indústria no pós-guerra.

A primeira sociedade nacional de ergonomia foi criada em 1949, a Ergonomics Research Society, na universidade de Oxford, por MURREL, um Engenheiro Inglês. A associação internacional de Ergonomia foi organizada em 1959 em Estocolmo, nesta data, a recomendação nº 112 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tinha sua atenção voltada aos serviços de saúde ocupacional, ou seja, serviços médicos no local de trabalho, ou próximos a ele, com a finalidade de:

-     Proteger o trabalhador contra os riscos a saúde decorrentes das condições de trabalho;

-     Promover o ajustamento físico e mental do trabalhador a suas atividades na empresa;

-     Contribuir para o bem-estar físico e mental dos trabalhadores.

Dentro deste conceito, percebemos a presença do conceito de ergonomia, definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1960, como sendo a junção de algumas ciências para promover o ajuste do ser humano ao seu ambiente de trabalho, com segurança e bem-estar.

Hoje vários países da Europa, Escandinavos e USA, desenvolvem estudos e pesquisas nesta área. No Brasil tem se desenvolvido rapidamente no meio acadêmico, em 1983 foi criada a Associação Brasileira de Ergonomia, e em 1989 foi implantada no programa de Pós Graduação de Engenharia de Produção da UFSC, foi quando surgiu o primeiro mestrado na área.

Em 23/11/1990 foi instituída, pelo Ministério do trabalho e Previdência Social, a Portaria de nº.  3.751 - Norma Regulamentadora número 17 (NR17), que estabelece parâmetros para a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de forma segura e confortável. O interesse das empresas brasileiras pela ergonomia foi despertado a partir desta Norma. Já nos Estados Unidos da América, somente em 1970 foi criado um regulamento exigindo um ambiente saudável e seguro para os trabalhadores. Desde então, a ergonomia tem alcançado um quadro de evolução significativo, e seu desenvolvimento atual pode ser caracterizado em quatro níveis de exigência (ANTONIO, 2007):

a)      Tecnológicas: novas técnicas de produção, com novas formas de organizar o trabalho;

b)      Organizações: gestão participativa, trabalho em equipe e produção mais enxuta com profissionais capacitados e polivalentes;

c)      Econômicas: qualidade e custo de produção que exige condições novas às atividades de trabalho, reduzindo a zero o defeito, o desperdício e o estoque, entre outros;

d)     Sociais: refere-se à melhoria das condições de trabalho e do meio ambiente.

2.1 Conceitos de Ergonomia

A ergonomia é o estudo do comportamento do homem nas atividades que ele exerce, e que tem como objetivo adaptar o trabalho às condições do homem. A idéia é oferecer ambiente de trabalho e equipamentos que tragam segurança, conforto e bem-estar ao trabalhador, prevenindo doenças e resultando em melhor desempenho e produtividade. Para que isto aconteça, se faz necessário todo um estudo sobre iluminação, ruídos, temperaturas, equipamentos e mobiliário.  Para se obter postos de trabalhos adequados, podemos contar com a antropométrica, que estuda as medidas físicas do corpo humano, e também com a biomecânica que estuda ângulos, velocidade, aceleração, forças e espaços gerados por movimentos de partes do corpo humano (CARDOSO et all, 2009).

3 Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17)

Esta norma apresenta parâmetros para o posto e organização do trabalho, com o objetivo de adaptar a área de trabalho, de forma a diminuir os esforços e evitar repetições, adequando o formato ao operador, promovendo um ambiente de trabalho seguro e saudável. A obrigação da análise ergonômica do trabalho é de responsabilidade do empregador. Os principais fatores ergonômicos de saúde e segurança estabelecidos na NR-17 são:

-     Levantamento, transporte e descarga individual de materiais;

-     Mobiliário dos postos de trabalho;

-     Equipamentos dos postos de trabalho;

-     Condições ambientais de trabalho;

-     Organização de trabalho.

Fatores como: iluminação, ruídos, umidade, ambiente físico, ergonomia e esforço repetitivo devem ser avaliados para que haja melhorias na empresa e prevenção de doenças ocupacionais, promovendo um ambiente de trabalho saudável e seguro, além do aumento na produção e redução de riscos (ROSA E PILATTI, 2006).

4 Postura de trabalho

Em determinadas atividade é indispensável o uso do corpo, e a postura inadequada pode ocasionar problemas relativos á saúde, bem estar e segurança. A postura desfavorável, durante um determinado tempo de trabalho, pode ser a principal causadora de problemas na coluna, dores no corpo, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), entre outras. Podemos citar como exemplo os profissionais da educação que passa a maior parte do tempo em pé, podendo adquirir doenças que surgem ao longo dos anos de trabalho. Já um estudo realizado com bibliotecários e ordenhadores, que passam a maior parte tempo com as costas inclinadas ou de cócoras, foi detectado que esta posição gera constrangimento e sobre carga na coluna vertebral, resultando em dores nas costas, ombros e pescoço, afetando também quadris e joelhos. Por isso, a postura laboral e a adaptação do local de trabalho às medidas do corpo humano considerando as posturas naturais do corpo, (posições corretas das pernas, braços e tronco) são extremamente importantes, pois além de reduzir os riscos, muitas vezes com danos irreversíveis, traz maior qualidade na produção.

Os princípios mais importantes da biomecânica para a ergonomia são acomodar as estruturas corporais de forma a minimizar as conseqüências que estas sofrem devido à má utilização.  Seguem algumas dicas de como se comportar (ALEXANDRE ET AL, 2009):

-     Manter as articulações em uma posição neutra;

-     Pesos devem ficar próximos ao corpo;

-     Manter uma posição ereta, apoiando-se ao encosto da cadeira;

-     Manter uma postura ereta, evitando inclinar a cabeça, evitar torções de tronco e movimentos bruscos;

-     Alternar posturas e movimentos;

-     Optar por pausas curtas e freqüentes.

5 Ergonomia Participativa

Ergonomia participativa é uma nova tecnologia para a disseminação da informação ergonômica dentro da organização, compartilhando informações, conhecimento e tomadas de decisão. A aplicação desta tecnologia exige o envolvimento e comprometimento dos usuários finais, ou seja, dos beneficiários da ergonomia. Esse envolvimento se faz necessário, devido a três aspectos:

-     Trata-se de uma ciência intuitiva, podendo valorizar as experiências já adquiridas pelos trabalhadores;

-     É muito mais fácil receber e apoiar soluções pelas quais nos sentimos responsáveis;

-     Capacita o trabalhador a modificar e corrigir problemas dentro da sua realidade.

Para que a ergonomia seja efetiva, permanente, e alcance seus objetivos, é necessário promovê-la e integrá-la aos objetivos organizacionais. Os resultados são muito positivos quando há um gerenciamento participativo, onde há transferência de poder, conhecimento e informações, para os níveis mais baixos da organização.

Na ergonomia participativa o usuário final é caracterizado como uma importante fonte de solução de problemas, reconhecendo e valorizando sua competência, e desta forma, aumentando sua auto-estima. Ressalta-se a importância da contribuição do usuário final e se opõe a exclusividade de um profissional de ergonomia, pois é impraticável que um único profissional esteja à frente de todas as situações específicas em uma organização.

Outra proposta desta metodologia é tratar os problemas em escala menor, a solução é reduzir o problema a proporções humanas, mostrando que as pequenas vitórias são relevantes, pois permite visualizar o próximo passo, a próxima melhoria, promovendo todo um envolvimento em direção a mudança organizacional. Uma série de pequenas ações e contribuições resulta em grandes progressos. A participação traz compreensão, desejo de mudança e diversifica o conhecimento das pessoas e traz compreensão quanto ao seu papel na eficácia dos sistemas.

5.1 Ferramentas para a Ergonomia Participativa

Parte-se do princípio de que se as ferramentas são difíceis, mesmo que corretas, não são aplicadas e, portanto, não produzirão benefícios. Nas ferramentas utilizadas na ergonomia Participativa, percebemos a importância dada à simplicidade e ao significado dos métodos. É comum encontrarmos as técnicas de Analise de Pareto, o Diagrama de Causa e Efeito e as ilustrações quantitativas. Em uma das técnicas, denominada de Cinco Pontos de Vista Ergonômico, os trabalhadores analisam seus postos de trabalho de cinco pontos de vista físico: por cima – em pé, na altura dos olhos; sentado – na altura dos olhos; diagonalmente, abaixo da altura dos olhos e ao nível do chão. Esta técnica os capacita a detectar e resolver problemas sob diferentes ângulos. Outras técnicas, também úteis, incluem: check-lists, questionários abertos, modelagem de layout, filmagens, entre outros (FILHO, 1993).

6 Análise Ergonômica do Trabalho

Graças à atuação de diversos pesquisadores, a partir do ano de 1995, a ergonomia centrada na análise da atividade foi sendo desenvolvida ao longo do tempo de forma mais elaborada.

Essa evolução levou a reconhecer dois conjuntos de ergonomia distintos, porém, que se complementam. O primeiro, a ergonomia clássica, é centrado no componente humano dos sistemas homem-máquina, baseado no contexto americano e britânico. O segundo é focado na atividade humana contextualizada, que criou raízes principalmente nos países francófonos.

Estas duas famílias possuem quadros teóricos e métodos diferentes: na ergonomia centrada na atividade, sua principal ação é transformar o trabalho de forma a contribuir para:

-     Situações de trabalho sem risco a saúde dos trabalhadores, onde exerçam suas competências individuais ou coletivas e tenham suas capacidades valorizadas;

-     Alcançar os objetivos econômicos determinados pela empresa.

A origem da análise ergonômica do trabalho vem da busca desses dois objetivos, cujo método procura resolver os problemas de inadequação do trabalho as características humanas, causadas por:

-     Projetos de sistemas de produção elaborados sem atentar para os diferentes biotipos da população de trabalhadores;

-     Situações de adaptação ou transformação de sistemas de produção, onde não se priorizou ou valorizou o lugar do homem no sistema de produção, em função de aspectos financeiros ou organizacionais.

O trabalho é caracterizado como unidade de três realidades: condições de trabalho, resultado do trabalho e atividade de trabalho. Salientamos ainda, o conceito de trabalho prescrito e do trabalho real, com distinção entre tarefa e atividade de trabalho. Nesse processo de contextualização, a atividade de trabalho é o elemento central que organiza e estrutura os componentes da situação de trabalho, denominada função integradora da atividade de trabalho. A interação entre os fatores desse processo gera aumento de conhecimento, assim como, da consciência da atividade, fator imprescindível na prática das ações ergonômicas resultantes do diagnostico realizado e da transformação desejada. É importante lembrar que para que as ações construídas sejam consolidadas, dependerá da forma como os conhecimentos foram produzidos e transferidos entre os atores, assim como, das condições de sua apropriação. Se aplicado procedimentos centrais, essa transferência torna-se segura, e para maior durabilidade é necessário um conjunto de atores-chaves.

A compreensão da analise ergonômica do trabalho nos permite: maior conhecimento e explicação das relações entre as condições de realização da produção e a saúde do trabalhador, propor reflexões para a concepção das situações de trabalho e melhorar a organização dos sistemas sociotécnicos, gestão dos recursos humanos e o desempenho da empresa como um todo (PIZO E MENEGON, 2010).

7 A origem da qualidade de vida no trabalho

Desde o início da existência do homem, a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) tem sido a sua preocupação, intitulado ou contextualizado com outros nomes, mas sempre com o intuito de trazer mais benefícios para o trabalhador na execução da sua atividade.

A origem da Qualidade de Vida no Trabalho se deu em 1950, através do surgimento da abordagem sócio-técnica, porém somente em 1960 que foi introduzido no cenário trabalhista, através da iniciativa de cientistas sociais, líderes dos sindicatos governamentais, buscando melhores condições no trabalho, com o intuito de reduzir os efeitos negativos que o trabalho traz para os trabalhadores. Mas somente em 1970, o tema foi introduzido publicamente através do professor Louis Davis da cidade de UCLA em Los Angeles.

O desenvolvimento da Qualidade de Vida no Trabalho teve uma forte influência da qualidade de vida, onde pelas suas práticas, há uma melhoria constante das condições no trabalho. Em 1990 a qualidade de vida passou a fazer parte dos assuntos acadêmicos, nas organizações através da literatura, no programas de qualidade total, em toda mídia e até nas conversas das pessoas.

Os Programas de Qualidade de Vida no Trabalho vem sendo cada vez mais exigidos com o avanço das tecnologias e das pessoas, se tornando um grande desafio á sua aplicação (PETRY, GOMES E RAUSCH, 2010).

7.1 O conceito de qualidade de vida no trabalho

A Qualidade de Vida no Trabalho tem muitos conceitos, mas todos os autores mostram a finalidade de melhorar e humanizar as situações de trabalho dos interesses dos trabalhadores e das organizações. Para as organizações que buscam competitividade no mercado, é essencial a busca de melhorias em seu ambiente produtivo.

Um ambiente de trabalho agradável e atividades laborais com produtividade e satisfação é a finalidade da Qualidade de Vida no Trabalho, fazendo da empresa, um segundo lar para o trabalhador. As ações da Qualidade de Vida no Trabalho vão desde cuidados médicos que são estabelecidos por lei, até o envolvimento voluntário dos trabalhadores e pessoas envolvidas nas áreas de lazer, motivação entre outras. Segundo Bom Sucesso (1997, p. 29) reforça:

A escolha da profissão, as características da cultura organizacional configurada pelos valores e práticas predominantes na empresa, a infra-estrutura familiar constituem fatores relevantes para a Qualidade de Vida no Trabalho. Além disto, as relações interpessoais, os conflitos e em especial a maneira com que a pessoa se relaciona na equipe afetam a satisfação no trabalho, a auto-estima e a forma como se sente em relação a si mesma. A história de vida e os fatores relativos às variáveis organizacionais resultam em atitudes dificultadoras e facilitadores nas relações de trabalho, intensificando a preocupação e a responsabilidade pela promoção da QVT.

Estes fatores acima podem contribuir mesmo em condições adversas, para que o trabalhador possa expandir o nível de expectativas em relação à empresa e, em geral, na sua qualidade de vida. A Qualidade de Vida no Trabalho origina uma organização mais compassiva.

7.2 Fatores determinantes para a qualidade de vida no trabalho

Foram identificados fatores e dimensões que afetam significativamente o trabalhador na situação de trabalho, e foram criadas, através de questionamentos, diretrizes para a determinação dos critérios para a QVT. Questões essas, que são consideradas centrais para a pesquisa de QVT nas organizações. A seguir, serão apresentadas oito dimensões acompanhadas de critérios, que afetam as pessoas no seu ambiente de trabalho:

-     Compensação Adequada e Justa: trata da adequação da  remuneração ao trabalho realizado – equilíbrio entre as remunerações na empresa e comparação da remuneração com o mercado de trabalho;

-     Condições de Segurança e Saúde no Trabalho: refere-se às condições de trabalho – jornada de trabalho, carga de trabalho, equipamentos e materiais, ambiente saudável e stress;

-     Uso e Desenvolvimento de Capacidades: Possibilitar o trabalhador fazer uso de suas habilidades e conhecimentos tais como: autonomia, significado e identidade da tarefa, variedade da habilidade e retro informação;

-     Oportunidade de Crescimento Contínuo e Segurança: Oportunidade de desenvolvimento e crescimento pessoal do trabalhador e segurança do emprego como: plano de carreira, crescimento pessoal e segurança de emprego;

-     Integração Social na Organização: Busca medir o grau de integração social na instituição como relacionamento interpessoal, senso comunitário e oportunidades iguais;

-     Constitucionalismo: estabelece normas e regras como direitos trabalhistas, rotinas, liberdade para se expressar e privacidade pessoal;

-     Trabalho e Espaço Total de Vida: busca medir o equilíbrio entre vida pessoal e vida no trabalho, exemplo: horário de entrada e saída, papel balanceado no trabalho;

-     Relevância Social da Vida no Trabalho: visa medir a QVT através da visão do empregado em relação à responsabilidade social da instituição, a qualidade do atendimento e serviços prestados aos empregados. Os critérios destacados foram: imagem e responsabilidade social da instituição, responsabilidade social pelos empregados e pelos serviços (PETRY, GOMES E RAUSCH, 2010).

8 Ergonomia, Qualidade e QVT

Para muitos, qualidade é sinônimo de satisfação ao consumidor final, e partindo deste princípio, as empresas, para encantar e conquistar seus clientes, buscam atender as suas necessidades e superar suas expectativas. Porém, qualidade como satisfação não se limita apenas ao consumidor final. A qualidade para o cliente interno, no que se refere ao processo, ambiente, satisfação e segurança interfere na produtividade.

Surge então, a correlação entre a Excelência organizacional e a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), que se entende como um pensamento envolvendo pessoas, trabalho e organização, promovendo bem estar aos trabalhadores que aliado a eficiência organizacional resulta na melhoria do desempenho da empresa.

Desta forma, percebemos que a Ergonomia vem a somar na gestão de recursos humanos e no desenvolvimento de ações de melhorias. A ergonomia passa a ser uma opção para intensificar a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e a qualidade do processo produtivo, tornando o processo mais confiável, aumentando a satisfação e auto-realização dos clientes internos (OLIVEIRA, GOMES E CASTRO, 2003).

9 Saúde, segurança e atividade física no trabalho

Manter um ambiente seguro e saudável é extremamente importante para as empresas que se preocupam com sua imagem e com gastos decorrentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais. A implantação de um programa de qualidade beneficia tanto o empregado quanto o empregador. Investir na saúde dos trabalhadores resulta em maior produtividade, menor índice de ausência, além de evitar despesas médicas e desperdício de tempo com treinamento de substitutos.

A existência de um programa direcionado a melhorar a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) pode levar a diminuição de doenças no ambiente de trabalho. Uma prática muito adotada atualmente pelas empresas é a ginástica laboral, que é um conjunto de exercícios preventivos e terapêuticos, realizados no próprio local de trabalho, que vão compensar as estruturas utilizadas durante a função e minimizar os impactos negativos conseqüentes do sedentarismo na vida e na saúde do trabalhador (PETRY, GOMES E RAUSCH, 2010).

10 Considerações finais

No decorrer dos anos, as empresas se conscientizaram que a produtividade e lucratividade estavam diretamente ligadas aos trabalhadores. Trabalhador com saúde debilitada seja ela física ou psicológica, resulta em baixa produtividade, ausências e despesas decorrentes da substituição do trabalhador.  Surgiu então, uma nova visão onde o foco é o bem estar do trabalhador, que deixou de ser apenas um indivíduo inserido no meio, e passou a ter o seu ambiente de trabalho adaptado as suas necessidades, de forma a promover bem estar, segurança e conforto.

A Ergonomia, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho e ajudar na prevenção de doenças profissionais, surgiu para ajudar e valorizar o trabalho humano. Sua prática tem revelado resultados relevantes no desempenho do trabalhador, e conseqüentemente, no desenvolvimento da organização.

Referências

ALEXANDRE, Adla Alves et al. Análise das posturas de trabalho dos educadores de criança numa perspectiva ergonômica: posturas de trabalho. Revista Pesquisa e Desenvolvimento em Engenharia de Produção. Vol. 7, n. 2, p. 43, 2009. . Acesso em: 05 Jun 2011.

ANTONIO, Remi Lopes. Introdução a ergonomia: origem e evolução da ergonomia. UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina. Joinvile: 2007. Disponível em: . Acesso em: 05 Jun 2011.

BOM SUCESSO, E. P. Trabalho e qualidade de vida. Rio de Janeiro: Dunya, p. 29, 1997.

CARDOSO, Carolina Arsie et al. Análise dos níveis de ruído e das condições ergonômicas dos cobradores de estações tubo na cidade de Curitiba: conceitos de ergonomia. XXIX Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Salvador, p. 2 e 3, 2009. Disponível em: . Acesso em:  01  Jun  2011.

FILHO, Alvaro Divino Taveira. Ergonomia participativa: uma abordagem efetiva em macroergonomia. Produção, São Paulo, v.3, n.2, p. 92-94, 1993. Disponível em: . Acesso em: 05 Jun. 2011.

OLIVEIRA, Renata Melo e Silva de, GOMES, Rodrigo de Aquino & CASTRO, Juliana M. de Figueirêdo. A ergonomia auxiliando a Qualidade de Vida no Trabalho: uma abordagem para clientes internos de uma empresa da construção civil. XXIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Ouro Preto, p. 1 e 2, 2003. Disponível em: . Acesso em: 05 Jun 2011.

PETRY, Josiane Patricia, GOMES, Giancarlo & RAUSCH, Rita Buzzi. Qualidade de Vida no Trabalho: percepção dos servidores técnicos-administrativos da Universidade da região de Joinvile – UNIVILLE. XXX Encontro Nacional de Engenharia de Produção, São Carlos, p. 3-7, 2010. Disponível em: . Acesso em: 05 Jun 2011.

PIZO, Carlos Antonio & MENEGON, Nilton Luiz. Análise ergonômica do trabalho e o reconhecimento científico do conhecimento gerado. Revista Produção. Vol. 20, n.4, p. 657 e 658, 2010. Disponível em: . Acesso em: 05 Jun 2011.

ROSA, Marco Antonio Salles & PILATTI, Luiz Alberto. Qualidade de vida no trabalho e a legislação pertinente: NR 17. Revista Digital, Bueno Aires, Ano 10, n. 93, p. 1, 2006. Disponível em: Acesso em:  01  Jun  2011

 
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