Massacre de Realengo
 
Massacre de Realengo
 



Recentemente o Brasil inteiro ficou chocado com o terrível massacre da Escola do Rio de Janeiro, onde Wellington, atirou em vários estudantes do colégio, matando 13 crianças ? sendo elas, 12 meninas e 1 menino ? e se suicidando logo em seguida. Mas, diante desse acontecimento, a pergunta é: Que razões tinha Wellington para atirar em várias crianças inocentes e em seguida se matar? Seria ele um psicopata? E por que ele preferiu atirar mais nas meninas, do que em meninos?
Para responder à essas perguntas, vamos primeiro à mais simples: Wellington era realmente um psicopata (como várias pessoas pensam)?
Bem, um psicopata é enquadrado na psicologia como uma pessoa que sente frieza com relação aos sentimentos das outras pessoas. Eles geralmente são pessoas quietas, porem, muito sagazes e de uma inteligência altíssima. Quando se relacionam com outras pessoas, não sentem nenhuma empatia por elas, embora eles consigam disfarçar isso muito bem. Por isso, é muito difícil vermos alguém na rua e logo reconhecê-lo como psicopatas; muitas vezes, podemos até mesmo conversar e termos contato com um deles, e não sabermos.
Porém a diferença é que eles não são tidos como portadores de transtornos mentais. Dentro da Psicanálise, eles se enquadram dentro de um tipo de personalidade chamada de Perversa, onde nela, os indivíduos se acham acima dos outros e da própria lei. Na cabeça deles, eles não acham que precisam de se relacionar com os outros, pois todas as outras pessoas são tidas como gente inferior, uma vez que ele se acha acima de todas elas. É sem dúvida um desvio de comportamento e de personalidade, mas não chaga a ser um transtorno mental.
No caso de Wellington, percebe-se claramente que o rapaz sofria de um transtorno mental. A própria carta que ele escreveu, deixando ordens complexas e sem sentido, além do fato de ele se suicidar demonstra isso ( alguém que é realmente um psicopata, jamais se suicidaria).
Por essas razões, não podemos dizer que Wellington é um psicopata, como a maioria das pessoas acharam que ele era (e que inclusive, a mídia reforçou essa idéia).
Mas então qual é o diagnóstico de Wellington e o que se passava em sua cabeça ao cometer esse crime?
Muito bem.
Ao analisar o assassino, percebemos claros indícios de uma personalidade tida como psicótica. Indivíduos desse tipo, não recalcam seus sentimentos, e por isso mesmo, de alguma maneira, sempre são perturbados por eles durante todo o tempo. São indivíduos que tem dificuldades de tolerar frustrações e no caso de alguém o magoar, guardam rancor por essa pessoa pelo resto da vida.
O caso é que sabemos que Wellington, quando criança, foi vitima de Bulling por parte de seus colegas, naquela mesma escola. Isso, como ficou claro para todo mundo, causou uma profunda marca em toda sua vida. Segundo comentários de um rapaz, que na época era colega de classe de Wellington, teve um dia que ele mesmo lhe disse: "Oh Wellington, a gente zoa tanto você, que um dia desses tenho medo que você cometa uma atrocidade nessa escola"
O que poderia ter sido um comentário irônico, e sem sentido , acabou sendo uma profecia do garoto para o que viria acontecer dali a alguns anos. E muito mais do que isso. Podemos afirmar que talvez, tenha sido a partir desse comentário que Wellington tenha tirado a idéia para vir cometer esse massacre na escola.
Ora, estamos falando de alguém que tem dificuldades de recalcar sentimentos, e que, por isso mesmo, sua estrutura mental é completamente diferente da nossa. Como eles guardam rancor de um mesmo fato, por toda sua vida, seria normal que ele pensasse também em se vingar. Os anos se passaram, mas esse rancor que ele tinha por alunos daquela idade continuou. Por isso, quando ele finalmente teve a chance de se vingar, ele assim o fez. Porém não contra as pessoas que lhe fizeram isso, mas sim, contra aquelas, que na sua representação mental lhe lembrava aquelas que lhe assediavam, ou seja, as crianças que tinham mais ou menos a aquela aparência e idade das que deles se escarneceram.
Por isso, como uma forma de vingança, ele voltou à escola e atirou em crianças que lembravam à essas que o assediaram. Por essa razão, ele atirou muito mais nas meninas do que em meninos, visto que, através de relato dos ex-colegas de classe de Wellington, as que mais "zoavam ele" eram exatamente as meninas. No final, ele se matou, como ele mesmo já planejava fazer.
Diante desse acontecimento, podemos dizer que ele nos deixa a seguinte conclusão: Será que é justo considerá-lo como uma espécie de criminoso? Ou não seria Wellington, meramente um produto de acontecimento dos eventos passados de nossa vida, como todos nós somos.
A diferença , é que nós sabemos discernir o que fazemos, e raramente chagaríamos ao ponto de se vingar em pessoas inocentes. O problema é que alguém como Wellington não consegue ter esse discernimento. E por isso, movido pelos seus pensamentos e sentimentos, o fez conforme eles o "mandavam".
Dái, fica o alerta principalmente para as escolas a cerca do fenômeno bulling e perigo das conseqüências que ele pode provocar. Lógico, que o caso de Wellington é um dos mais extremos dos casos. Porém fica claro a gravidade que tem um fenômeno desse tipo e que vários e vários alunos, infelizmente ficam marcado pelo resto de suas vidas. Wellington reagiu assim, pelo fato de não saber conter seus sentimentos e suas mágoas; Porém, imagina como é a vida de uma pessoa que consegue retê-los, mas que, naturalmente, na jamais se esquecem do ocorrido. Imagina as conseqüências, e mesmos os traumas que isso pode causar em toda a sua vida?



.







 
Avalie este artigo:
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Melquisedeque Oliveira De Castro
Talvez você goste destes artigos também
Sobre este autor(a)
Sou estudante de Psicologia da Faculdade Machado Sobrinho, e estou atualmente no 7º período. Fui representante dos estudantes de Psicologia da cidade de Barbacena no VII Congresso Regional de Psicologia.
Membro desde junho de 2011
Facebook
Informativo Webartigos.com
Receba novidades do webartigos.com em seu
e-mail. Cadastre-se abaixo:
Nome:
E-mail: