MAPA DE RISCO: PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS EM SEGURANÇA E SAÚDE NO AMBIENTE DE TRABALHO
 
MAPA DE RISCO: PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS EM SEGURANÇA E SAÚDE NO AMBIENTE DE TRABALHO
 


Gabriela Reis da Silva [1]

Marlene Conceição Monteiro Batista [1]

RESUMO

O mapa de riscos é representado graficamente, através de círculos de cores e tamanhos proporcionalmente diferentes (riscos pequeno médio e grande), sobre o Lay-Out da empresa e deve ficar afixado em local visível a todos os trabalhadores. A análise de risco do ambiente de trabalho se dá através de um conjunto de procedimentos com o intuito de estimar o potencial de danos à saúde ocasionados pela exposição de indivíduos a agentes ambientais. Tais avaliações servem de subsídio para o controle e a prevenção dessa exposição. Partindo desse principio, apresentou-se a proposta da elaboração do mapa de risco no centro de referência em assistência social CRAS Barreiro no município de Belém através da percepção dos profissionais em segurança e saúde no ambiente de trabalho. O estudo buscou trazer para o âmbito da saúde do trabalhador questionamentos relativos aos riscos ambientais a que estão expostos os trabalhadores em questão, assim como, realizar a representação gráfica dos riscos existentes no local analisado. Através dessa pesquisa foi possível investigar de que forma o trabalho em questão produz um processo de adoecimento. Através da avaliação de riscos foi possível realizar um o diagnóstico rápido e participativo, priorizando a identificação dos riscos pelos trabalhadores, que implicou em discussão coletiva sobre as fontes dos riscos, o ambiente de trabalho e as estratégias preventivas para reduzir os riscos identificados. Constituiu-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa, pois, utilizou métodos e técnicas descritivas e investigativas de riscos no ambiente de trabalho para a elaboração de um mapa de risco. Para obter informações sobre os riscos ambientais foram realizadas avaliações in loco no período de setembro a outubro de 2008. Os resultados mostraram a incidência de riscos físicos, biológicos, ergonômicos. Dos 15 dos trabalhadores lotados no centro de Referência Social Cras Barreiro apontaram em maior evidência o risco Físico com alta incidência de temperatura 29% e 42% consideram o Calor uma grande fonte de risco 75% consideram alta a exposição de riscos biológicos e 9% consideram a postura não ergonômica como um dos fatores que mais traz risco a saúde do trabalhador daquela unidade. Através da elaboração do mapa de risco foi permitido aos trabalhadores vislumbrarem a natureza multifatorial do risco, assim como, o estímulo à melhora constante do ambiente de trabalho. PALAVRAS-CHAVE Mapa de risco, saúde do trabalhador, fatores de risco, saúde coletiva, riscos ambientais.

INTRODUÇÃO

O tema saúde do trabalhador tem sido recorrente nos estudos, pesquisas e intervenções em diversas categoriais profissionais com intuito de propor ações integradas e interdisciplinares visando sensibilizar a sociedade paraense sobre a importância das reflexões que envolvem o trabalho enquanto mantenedor da vida e da saúde dos trabalhadores.

A razão da escolha do tema se prende ao fato ser uma inovação no âmbito Nacional e em especial no município de Belém, servindo de modelo para outros Estados que ainda não realizaram nenhuma pesquisa de análise de risco ambiental nos Centros de Referência em Assistência Social, além da experiência vivida cotidianamente no Centro de Referência em Assistência Social onde se vê a necessidade de promover saúde daqueles que cuidam de famílias em situação de vulnerabilidade, risco pessoal e social.

Foi possível trazer para o âmbito da saúde do trabalhador questionamentos relativos aos riscos ambientais a que estão expostos os trabalhadores em questão, assim como, realizar a representação gráfica dos riscos existentes no local analisado, propiciando maior segurança no ambiente de trabalho.

A análise de risco do ambiente de trabalho se deu através de um conjunto de procedimentos com o intuito de estimar o potencial de danos à saúde ocasionados pela exposição de indivíduos a agentes ambientais. Tais avaliações servem de subsídio para o controle e a prevenção dessa exposição. Nos ambientes de trabalho, esses agentes podem estar relacionados aos processos de produção.

Essas abordagens valorizam a adesão a padrões previamente estabelecidos e a modelagem de atitudes e comportamentos dos trabalhadores, tais como: programas de qualidade total, uso de equipamento de proteção individual, adesão a boas práticas e capacitação de recursos humanos e melhoria nos ambientes de trabalho.

Com relação ao Mapa de Risco, seu produto final visual costuma ser uma planta baixa ou esboço (croqui) do local de trabalho, com círculos coloridos que representam os riscos encontrados. Os mapas devem ser fixados em locais visíveis em todas as seções da empresa para que os trabalhadores possam visualizá-los. Porém, mais importante que o resultado gráfico do mapa de riscos é o processo de participação e envolvimento dos trabalhadores em sua construção, podendo contribuir para avanços organizativos e educativos.

Nessa perspectiva, verificou-se como está a saúde dos trabalhadores que atuam no CRAS Barreiro localizado no município de Belém e qual a percepção em segurança e saúde no ambiente de trabalho. Tal interesse justifica-se, pois de posse de tais informações foi possível conhecer o processo de trabalho no local analisado, levando em consideração o número de trabalhadores, formação profissional, sexo, idade, tipos de treinamentos envolvendo segurança e saúde, jornada de trabalho, principais instrumentos e materiais de trabalho, atividades exercidas, tipo de ambiente e clima organizacional.

1. ABORDAGENS EM SAÚDE DO TRABALHOR

Com o advento da política de saúde do trabalhador ocorreram mudanças significativas nos últimos anos que viabilizaram um novo olhar sobre a dimensão do trabalho quanto a cuidados relacionados à prevenção de doenças ocupacionais.

Através dessa pesquisa foi possível investigar de que forma o trabalho produz um processo de adoecimento. O foco do trabalho se deu através da compreensão das diferentes maneiras de resistência e das estratégias de defesa ao nível da estrutura psíquica. O trabalho se constituiu em torno de algumas constatações do entendimento da forma o trabalho é realizado e identificou-se a maneira que trabalhadores pesquisados constroem a sua subjetividade

A pratica laboral pode ser entendida como todo esforço que o homem, no exercício de sua capacidade física e mental, executa para atingir seus objetivos em consonância com os princípios éticos. Qualquer forma de trabalho humano reveste-se de dignidade, porque é um dar de si, da pessoa que o realiza, e seus resultados expressam a nobreza de criar, aperfeiçoar ou cooperar, bem como a coragem de lutar. Todo homem tem direito ao trabalho digno, a fim de realizar-se e garantir sua subsistência, assim como daqueles por quem é responsável. (SOUTO, 2003)

O trabalho também pode ser definido como uma ação humanizada exercida num contexto social, que sofre influências oriundas de distintas fontes (aspecto técnico, fisiológico, moral, social e econômico) o que resulta numa ação recíproca entre o trabalhador e os meios de produção.

Na atualidade, o trabalho tem importância fundamental na constituição subjetiva, no modo de vida, na saúde física e mental dos indivíduos. Se formos buscar a origem da palavra trabalho, verificaremos que está relacionada a castigo, punição, situação penosa e de fadiga. Cientificamente a palavra trabalho pode ser entendida como esforço. Na bíblia, o trabalho era tido como forma do homem expiar seus pecados. Trabalho implica tanto em realização da identidade, como em mercadoria, coisa a ser vendida em troca de acesso à sobrevivência.

A história mostra que o trabalho sempre esteve ligado ao homem desde os mais longínquos tempos. A origem do trabalho deu-se quando os senhores, aqueles que detinham melhores condições socioeconômicas, viram em outros trabalhadores que poderiam atender as suas necessidades básicas. Isso ocorreu ao longo dos séculos, e o tempo ao se cristalizar registrou inimagináveis tipos de trabalho.

No Brasil, o trabalho teve início com os negros que vieram de terras distantes para prestar os mais diversos tipos de serviços aos senhores e, em menor proporção, atender aos seus próprios interesses. O trabalho não exigia comprovação da experiência e era realizado ou em regime de escravidão ou através de negociações de permuta; o trabalho era executado em troca de mercadorias (alimentos, moradia, vestuário etc.).

No cotidiano da vida atual, o trabalho compreende a representação social do indivíduo, onde ele concretiza suas necessidades de sobrevivência e realização pessoal. Nesse contexto, o trabalho assume singular importância na vida dos seres humanos, tanto no âmbito socioeconômico como antropológico e psicológico, pois ao mesmo tempo em que é o elemento central da atividade produtiva como indivíduo e sociedade, figura como fator de realização individual ou social, chegando a dimensionar aspectos emocionais, como, por exemplo, a auto-estima e a autoconfiança.

Contudo, em contrapartida aos efeitos benéficos do trabalho, surgem os efeitos maléficos provocados pelo ambiente de trabalho, pela carga horária, pela segurança e pelas condições em que o trabalho é desenvolvido. Trata-se dos processos de adaptação, que são as soluções que o corpo humano encontra para se manter vivo e funcionando, diante de fatores que o levem a sair seu funcionamento fisiológico normal. Um processo que se agrava quando o homem se dedica excessivamente ao trabalho ao desenvolvimento do trabalho, esquecendo-se dos fatores sociais, do cuidar do próprio corpo e de proporcionar ao mesmo, condições para que este não sofra com cargas de trabalho excessivo e/ou com as condições de trabalho, cargas horárias e agentes nocivos à saúde humana.

Cabe salientar que a partir da industrialização, que propiciou o aperfeiçoamento da mão-de-obra especializada, o trabalho passou a ocupar, maior parte do tempo dos seres humanos, fazendo com que o ambiente de trabalho seja objeto de constante preocupação, a qual deve ser concentrada na saúde e na segurança, que interferem na integridade do cidadão e em sua capacidade para trabalhar.

Partindo-se da premissa de que alguém trabalhe apenas oito horas por dia, o trabalho ocuparia diretamente metade do nosso tempo de vigília, um terço de nossas vidas, servindo de equivalente universal para nos identificarmos uns perante os outros. Mas o trabalho é mais, é força, tempo e habilidade que se vence para obter condições de morar, vestir, comer. Como se isso não bastasse, o trabalho nos situa na hierarquia social de valores, visível no prestígio social de algumas profissões frente a outras (médicos e garis, advogados e borracheiros). Assim o trabalho nos remete para possibilidades diferentes de consumo, felicidade, adoecimento e morte. (SAMPAIO E CODO, 1995).

Segundo Spink (citado por Dejours, 1995), a história da humanidade sempre foi marcada pelo trabalho. E as mudanças do enfoque dado ao trabalho, decorrem das grandes transformações econômicas e sociais. As transformações no mundo do trabalho foram influenciadas, principalmente, por mudanças nas condições de trabalho.

Contudo, apesar do avanço tecnológico e legislativo ocorrido no transcorrer do século XX, visando proporcionar ao trabalhador o amparo legal, que lhe assegure a melhor integridade possível no desenvolvimento de suas atribuições (equipamentos, treinamento, adequação de cargas horárias, prevenção, indenização etc.), a problemática do pagamento do "risco de vida" expõem seus trabalhadores ao desenvolvimento de atividades prejudiciais à saúde, cuja permanência nesse estado pode acarretar invalidez permanente e/ou temporária (CLT/2008).

Nas organizações que ocorrem à exploração do trabalho como força física, mental, punição sistemática e exclusão do trabalho, favorecem ao desenvolvimento ausência no trabalho. A carga psíquica do trabalhador torna-se fruto de medo e insatisfação. Observamos que determinados trabalhadores passam a adoecer, ficando bem evidente o aparecimento de doenças ocupacionais. (DEJOURS, 1994).

Segundo a Teoria da escola Psicossomática de Paris, citada por Dejours (1994), existem vários fatores desencadeadores de doenças somáticas

O trabalhador que é submetido à livre organização do trabalho, onde são respeitadas as suas atitudes individuais, as necessidades da personalidade, onde seus gestos harmonizam-se espontaneamente com as defesas de descanso, respeitando as necessidades da economia psicossomática, poupando o corpo de uma sobrecarga comportamental, são propiciadas a canalização de suas pulsões e sublimações durante a rotina laboral. Já o trabalhador submetido à jornada rígida e imposta, onde não há respeito pela estrutura mental, ou seja, o seu trabalho não é executado de forma livre, pode ocorrer o comprometimento do equilíbrio psicossomático. (DEJOURS, 1994).

Observamos várias explorações do corpo, da mente, onde se percebe a falta de motivação, desanimo que ocorre de acordo com o tipo de personalidade gerando vários distúrbios: "... a organização do trabalho exerce, sobre o homem, uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições, emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de projetos, de esperanças e de desejos, e uma organização do trabalho que ignora. Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no sentido de torná-la mais próximas de suas necessidades fisiológicas e seus desejos psicológicos  isso é, quando a relação homem-trabalho é bloqueada". (DEJOURS, 1994).

Essa realidade alerta para a necessidade de que os profissionais de segurança e saúde no trabalho voltem suas atenções para o reconhecimento e a possibilidade de eliminar todos os riscos existentes nos locais de trabalho. Assim, a ação de profissionais especializados em segurança do trabalho contribui para a elaboração, o desenvolvimento e a prática das estratégias que visam inibir os aspectos geradores de doenças e proporcionar ao ser humano trabalhador o ambiente de trabalho próprio ao desenvolvimento de sua função, visando à segurança e a integridade física, assim como os benefícios que podem trazer a administração da Fundação Papa João XXIII.

2 CONQUISTAS EM SAÚDE DO TRABALHADOR

A política de saúde do trabalhador teve várias fases e conquistas significantes com movimentos sociais ocorridos em vários países, como na itálica, Inglaterra e no Brasil. A seguir, as principais conquistas em saúde do trabalhador, conforme MIRANDA, (1998).

  • 1556 - Georgius Agrícola publica o primeiro livro De Re Metallica, enfocando os acidentes de trabalho nas minas.
  • 1567 - Paracelson publica a primeira monografia a abordar especificamente a relação entre trabalho e doença.
  • 1700 - Bernardino Ramazzini considerado pai da medicina do trabalho publica sua obra De Morbis Artificium Diatriaba, onde descrevia uma série de doenças relacionadas com cerca de cinqüenta profissões diversas e estabelecia definitivamente a relação entre saúde e doença.
  • 1802 - Foi aprovada na Inglaterra, a primeira lei de proteção aos trabalhadores: Lei de saúde moral dos aprendizes, que estabelecia o limite de 12 horas de trabalho por dia, proibido o trabalho noturno e tornava obrigatória a ventilação no ambiente de trabalho e a lavagem das paredes duas vezes por ano nas fábricas.
  • 1890 - A criação do Conselho de Saúde Pública, surge à primeira legislação sobre condições de trabalho industrial que começavam a preocupar as autoridades sanitárias
  • 1833 - O Parlamento Britânico promulga o FACTORY ACT, considerada a primeira norma realmente eficiente no campo da proteção ao trabalho, e fixava em nove anos a idade mínima para o trabalho, proibia o trabalho noturno para menores de 18 anos e exigia exames médicos de todas as crianças trabalhadoras
  • 1904 - A organização sanitária posta em prática no país por Oswaldo Cruz foca sua atenção ao controle e erradicação das doenças transmissíveis, e pouca atenção aos problemas de saúde ocupacional.
  • 1919 - No Brasil surge a Lei de Acidentes do Trabalho, que assinalaria o ponto de partida da intervenção do Estado nas condições de consumo da força de trabalho industrial em nosso país. Foi criada a Organização Internacional do Trabalho, que já reconhecia, em suas primeiras reuniões, a existência de doenças profissionais. Surgiu a organização científica do trabalho, o taylorismo e o fordismo, convertendo o trabalhador de sujeito em objeto. Desenvolviam-se os primeiros conceitos de Higiene Industrial, de Ergonomia e fortalecia-se a Engenharia de Segurança do Trabalho
  • 1920 - Surge o primeiro Médico de Fábrica brasileiro, quando a Fiação Maria Zélia, situada no bairro de Tatuapé, em São Paulo, contrata um médico para dar atenção à saúde dos seus trabalhadores.
  • 1923 - É promulgado o Regulamento Sanitário Federal (Reforma Carlos Chagas), que incluiria a higiene profissional e industrial no âmbito da saúde pública.
  • 1930 - A criação do Ministério do Trabalho, a questão da saúde e segurança dos trabalhadores passa para o âmbito deste Ministério, onde permaneceria até hoje.
  • 1934 - É criada a Inspetoria de Higiene e Segurança no Trabalho, que se transformou, ao longo dos anos, em Serviço, Divisão, Departamento e, posteriormente na atual Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (SSST/MTb)
  • 1950  O comitê OIT/OMS aprovou a resolução considerando que "a medicina do trabalho tem como finalidade promover e manter o mais alto bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as profissões; prevenir os danos causados à saúde destes pelas condições de seu trabalho; protegê-lo no emprego contra os riscos resultantes da existência de agentes nocivos à sua saúde; colocar e manter o trabalhador em um emprego adequado às suas aptidões fisiológicas e psicológicas, em e, em resumo, adaptar o trabalho ao homem e cada homem à sua tarefa".
  • 1970 - Começam a surgir, espontaneamente, os primeiros serviços médicos de empresa, instalados em grandes empresas estatais ou multinacionais.
  • 1972 - O governo edita a Portaria nº 3237 criando o "Programa de Valorização do Trabalhador", obrigou algumas poucas empresas a criar serviços médicos conforme o grau de risco e o número de empregados e, inicia-se um programa de formação de médicos do trabalho através de cursos ministrados pela Fundacentro.
  • 1977 - A Lei nº 6.514 regulamenta o capítulo V (artigos 154 a 201) da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que trata da segurança e da saúde dos trabalhadores.
  • 1978 - O Ministério do Trabalho aprova a Portaria nº 3214 com as 28 Normas Regulamentadoras (NR) relativas à segurança e medicina do trabalho. A NR-4 desta Portaria estabelece a obrigatoriedade dos serviços médicos de empresa (SESMT), segundo o grau de risco e o número de empregados, tendo como paradigma a Recomendação nº 112/59 (OIT).
  • 1986 - Início da consolidação do conceito de Saúde do Trabalhador - Comissões de Saúde do Trabalhador - COMSAT Programas de Saúde do Trabalhador e Centros de Referência CEREST. Com as Conferências Nacionais de Saúde (CNS) iniciou um processo de discussão sistemática de redefinição da questão da saúde dos trabalhadores.
  • 1987 - Seguiu-se a realização da I Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador (CNST), em dezembro (MS/Fiocruz,)
  • 1988 - A Constituição Brasileira no seu art. 200 estabeleceu que "compete ao sistema único de saúde (SUS) além de outras atribuições, executar ações de saúde do trabalhador".
  • 1988 - É aprovada a Portaria nº 3067 com as 5 Normas Regulamentadoras Rurais (NRR). A NRR-2 desta Portaria estabelece a obrigatoriedade de contratação de médico do trabalho em empresas rurais com mais de 300 empregados.
  • 1991 - Através do Decreto nº 127, o Brasil ratificaria a Convenção nº 161/85 (OIT) que trata dos serviços de saúde no trabalho.
  • 1994 - Já adotando como paradigma a Convenção nº 161/85 da OIT, o Ministério do Trabalho aprova as atuais versões das normas NR-7 (PCMSO) e NR-9 (PPRA).
  • 1995 - É aprovada a NR-18 que trata das condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e em 1997 o Ministério do Trabalho aprova a NR-29 que trata da segurança e saúde no trabalho portuário. E, finalmente, em 23.02.99 é aprovada a atual versão da NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA).

3. CONCEITO E ELABORAÇÃO DO MAPA DE RISCOS NO AMBIENTE DE TRABALHO

A detecção precoce dos agravos à saúde constitui-se no objetivo permanente dos profissionais, dos serviços e das instituições responsáveis pela vigilância da saúde dos trabalhadores. Durante muitos anos a preocupação dos profissionais de segurança e saúde do trabalhador esteve voltada para o reconhecimento e a possível eliminação dos riscos existentes nos locais de trabalho (MIRANDA, 1998)

Segundo Porto (2000), a noção de risco tem a ver com a possibilidade de perda ou dano, ou como sinônimo de perigo. Os riscos podem estar presentes na forma de substâncias químicas, agentes físicos e mecânicos, agentes biológicos, inadequação ergonômica dos postos de trabalho ou, ainda, em função das características da organização do trabalho e das práticas de gerenciamento das empresas, como organizações autoritárias que impedem a participação dos trabalhadores, tarefas monótonas e repetitivas, ou ainda a discriminação nos locais de trabalho em função do gênero ou raça.

O mapa de riscos, previsto na NR-9 da portaria nº3. 214/78, tem por objetivo reunir as informações necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação de segurança e saúde no trabalho na empresa e, ao mesmo tempo, possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e divulgação de informação entre os trabalhadores, bem como estipular a sua participação nas atividades de prevenção. (MIRANDA, 1998)

Os profissionais aptos a elaborarem o mapa de risco são: integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), em conjunto com os demais trabalhadores, o serviço Especializado em Engenharia de Segurança em Medicina do Trabalho (SESMT), médico do trabalho e demais profissionais com habilitados na área de saúde do trabalhador.

Para realizar um mapa de risco é necessário conhecer o processo de trabalho local analisando (os trabalhadores, os instrutores e materiais de trabalho, as atividades exercidas, o ambiente); identificar os riscos existentes no local; identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia (medidas de proteção coletiva, de organização do trabalho, de proteção individual, de higiene e conforto); identificar os indicadores de saúde (queixas mais freqüente e comum entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos, acidente de trabalho ocorrido, doenças profissionais diagnosticadas, causa mais freqüentes de ausência ao trabalho); conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local (MIRANDA, 1998).

Depois de elaborado o Mapa de Riscos, com o layout da instituição, deve-se indicar o número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado a especificação do agente; a intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores. O mapa de riscos, completo ou setorial, deverá ser fixado em cada local analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os trabalhadores (MIRANDA, 1998).

Segundo Gonçalves (2000), o empregador pode solicitar a inspeção prévia do ambiente de trabalho mediante requerimento a Delegacia Regional do Trabalho-DRT com fim de avaliar se o ambiente oferece as condições mínimas de segurança e medicina do trabalho para o seu pleno funcionamento, esse procedimento também é indicado quando um estabelecimento já em funcionamento tenha sofrido modificações.

O art. 7º XXII da Constituição Federal (1988), reconhece os direitos dos trabalhadores ressalta dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais a "redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meios de normas de saúde, higiene e segurança".

A portaria n 25 de 29.12.1994 da secretaria de segurança e saúde no trabalho NR-9 estabelece a obrigatoriedade de identificar os riscos à saúde humana no ambiente de trabalho, atribuindo às Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) a responsabilidade pela elaboração de mapas de riscos ambientais (PONZENTTO, 2002).

A norma regulamentadora 17, do ministério do trabalho NR-17 estabelece parâmetros que permite a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiologicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. O posto de trabalho deve ser planejado de acordo com forma de execução do trabalhado, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura. Assim como, devem atender os seguintes requisitos, a seguir: ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade, com distância requerida dos olhos ao campo e com altura do assento, encosto levemente adaptado ao corpo para proteção da região lombar, enfim, todos os equipamentos devem estar adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.(SALIBA & SALIBA ,2003)

A partir da Lei Orgânica da Saúde, Lei 8080 de 19 de setembro de 1990, a área de saúde do trabalhador aproximou-se da vigilância em saúde do trabalhador. Suas atribuições passaram a incluir a intervenção sobre os ambientes de trabalho, com a promoção de mudanças nas condições e nos processos, a fim de melhorar o quadro de saúde da população trabalhadora

Consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos, ergonômicos e biológicos existentes no ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos á saúde do trabalhador.

Os riscos são classificados e identificados como: físico, cor verde; químico, cor vermelha; biológico, cor marrom; ergonômico, amarelo e mecânico cor azul.

A seguir os principais riscos ambientais, agentes causadores de danos e seus efeitos para a saúde do trabalhador classificados por PONZENTTO, (2002):

Consideram-se riscos biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, suor, animais peçonhentos, entre outros.

Os riscos físicos são aqueles gerados por máquinas e condições físicas características do local de trabalho, a exposição se dá através das diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: calor, frio, umidade, ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes e não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Dentre os efeitos negativos para o trabalhador os mais freqüentes são a ocorrência de fadiga, gripes e resfriados, surdez, nervosismo (estresse), problemas de visão, dores de cabeça, risco de acidentes, choques elétricos, inclusive fatais; fontes de incêndios. Afogamentos, distúrbios neurológicos, embolia pulmonar, distúrbios ósteo-musculares, câncer de vários tipos e problemas neurológicos.

Os riscos químicos são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, produtos químicos em geral, substancias químicas, combustível em geral, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele, inalação ou por ingestão. Também incluem os riscos químicos desencadeadores de explosões e incêndios. Os principais efeitos para a saúde do trabalhador de acordo com a exposição são: silicose (quartzo), asbestose (amianto), pneumoconiose dos minerais do carvão, doença pulmonar obstrutiva crônica, irritação, asfixia, alergia, dores de cabeça, náuseas, sonolência, morte, entre outros.

Os riscos mecânicos são máquinas sem proteção, choques elétricos, ferramentas defeituosas, equipamentos de proteção individual inadequados, perigo de incêndio, material fora de especificação, armazenamento inadequado, arranjo físico deficiente, ligações elétricas deficientes e edificações perigosas. Dentre os efeitos para a saúde do trabalhador os principais danos ao trabalhador acidentes com quedas, acidentes com veículos, acidentes com máquinas, doenças profissionais, fadiga, problemas visuais, desgaste físico excessivo, traumatismos diversos até a morte.

Existem também os riscos de acidentes e os riscos ergonômicos eminentes de postura incorreta, trabalho físico pesado. No que se refere aos riscos diretamente relacionados ao ambiente de trabalho estão relacionados a treinamento inadequado, jornada prolongada, trabalho noturno, trabalho repetitivo, precário, conflitos e tensões emocionais, desconforto, monotonia, assédio, responsabilidade excessiva que incluem aspectos relacionados à organização do trabalho, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho desde a fragilidade de vínculo trabalhista. Os danos ocasionados a saúde do trabalhador vão desde lesões por esforços repetitivos, desmotivação, estresse, fadiga física e mental, predisposição a acidentes, doenças em geral, sentimento de insegurança, estresse, dentre outros sintomas

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A metodologia do mapa de risco presta-se à implementação e reforço de medidas de vigilância em saúde do trabalhador, uma vez que cria ou reforça uma consciência do risco antes não identificada pelos trabalhadores, além de propiciar capacidades individuais e, em alguma medida, coletivas de modificar esses riscos.

Os programas de atenção a saúde do trabalhador visam promover a qualidade dos ambientes, o controle dos riscos, e observância a padrões de conformidade na perspectiva de melhoria do desempenho da organização. O trabalhador participa propondo mudanças que contribuem para a garantia da qualidade do serviço e melhoria do desempenho organizacional.

Através da análise de risco foi possível compreender alguns elementos do aspecto concreto do trabalho, tais como: os riscos mais freqüentes capazes de acarretar prejuízos à saúde dos trabalhadores, acidentes e doenças de trabalho. Tais fatores têm origem nos diversos elementos do processo de trabalho, a seguir: materiais, equipamentos, instalações, conforto térmico, suprimentos e espaços de trabalho. No que tange a forma de organização do trabalho foi avaliado o arranjo físico, ritmo, demanda de atendimento, método de trabalho, postura de trabalho, jornada de trabalho, turnos de trabalho, treinamento, ruptura, segurança, higiene ferramenta de trabalho, disciplina, sociabilidade, qualificação, cooperação, localização do espaço, estrutura física, equipamentos e remuneração".

Na experiência apresentada, o mapa de risco permitiu evidenciar fontes de riscos físicos não rotineiramente presentes na preocupação dos trabalhadores e gestores do espaço realizado.

Mostrando-se assim, a construção do mapa de risco possibilitou a reflexão sobre o processo de trabalho dos trabalhadores do centro de referencia em assistência social Cras Barreiro expostos a diferentes graus de estresse, imprecisão das tarefas e necessidade de decisões rápidas para, ao final, possibilitar a proposta coletiva de medidas preventivas e corretivas.

O mapa de risco constituiu-se, portanto, em um referencial por propiciar mudança perceptual sobre os riscos e servir como base para reflexão e construção de novos conhecimentos. De um modo geral, as categorias de risco trabalhadas foram as propostas pela NR-5: biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e de acidentes.

Através da avaliação de riscos foi possível realizar uma análise rápida e participativa, priorizando a identificação dos riscos pelos trabalhadores, que implica a discussão dos trabalhadores sobre as fontes dos riscos, o ambiente de trabalho e as medidas preventivas para reduzir os riscos identificados no ambiente de trabalho.

Mediante a isso, a construção do mapa desencadeou reflexões sobre o papel e a importância dos trabalhadores, o que poderia sustentar a construção coletiva dos objetivos e da missão da instituição. Mas, De nada adianta se conhecer os riscos se não houver mudanças nos locais de trabalho, através de medidas preventivas que eliminem ou controlem tais riscos.

A confecção do mapa também pode, de fato, induzir no trabalhador uma perspectiva mais crítica e vigilante, como propõe a vigilância em saúde do trabalhador, ou aumentar a consciência de risco, melhorando a efetividade das ações de promoção da saúde dos trabalhadores.

É claro que a saúde dos trabalhadores é muito mais abrangente do que os riscos nos locais de trabalho, e têm a ver com as condições mais gerais de trabalho e vida, como salário, moradia, alimentação, lazer, existência de creche no trabalho e a participação nas decisões da sociedade. Também é bom lembrar que o trabalho pode ser uma importante fonte de saúde, se é realizado de forma gratificante e num ambiente saudável.

De qualquer modo, esperamos que a vivência deste trabalho não se resuma à confecção de um instrumento, que enfeita as paredes dos estabelecimentos e aos quais ninguém presta atenção. Em nosso entendimento, o mapa de risco possibilitou o replanejamento do processo de trabalho a partir da experiência cotidiana e coletiva vivenciada no decurso de sua elaboração e permitiu aos trabalhadores proporem soluções criativas para os problemas detectados.

Finalmente, o mais relevante foi a reflexão suscitada nos trabalhadores e a mudança de perspectiva de passivos e reclamantes para atores com capacidade de interferir sobre o ambiente de trabalho. Estas reflexões geraram percepções sobre a natureza do trabalho executado, tensões, insatisfações e angústias que corresponderiam a símbolos sem cor, invisíveis aos olhos na linguagem do mapa, mas reconhecidamente essenciais para todos os envolvidos neste percurso. O desafio será sustentar ao longo do tempo, diante da realidade das relações de trabalho no mundo atual, o aprendizado trazido pelo mapa.

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[1] Especialistas em atenção a saúde do trabalhador pelo Centro Universitário do Pará-Cesupa..

 
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