Lixo Urbano
 
Lixo Urbano
 


Jairo Augusto Nogueira Pinheiro

Meteorologia - UFPa

1. INTRODUÇÃO

Desde o surgimento dos primeiros centros urbanos, a produção de lixo se apresenta como um problema de difícil solução. A partir da Revolução Industrial, com a intensificação da migração dos trabalhadores do campo para a cidade, aumentaram as dificuldades referentes à produção de resíduos sólidos de diferentes naturezas (domésticos, industriais, serviços de saúde, etc), os quais constituem-se atualmente numa das principais fontes de degradação do meio ambiente.

A industrialização crescente enfatizava a maior produção, enquanto que os efeitos ambientais destas atividades eram colocados em segundo plano, principalmente os impactos diretos e indiretos no solo e nas águas subterrâneas. Nos últimos anos, a sociedade começou a deparar-se com as possibilidades de comprometimento da qualidade e escassez dos elementos naturais, sobretudo a água, causados principalmente pela aceleração da

era industrial.

2. PROBLEMÁTICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Um dos problemas mais sérios que qualquer cidade enfrenta, mas que é particularmente grave nas enormes aglomerações urbano-industriais, é o lixo sólido.

Trata-se de um problema inerente à cidade, devido a mesma processar uma incrível quantidade de matéria e energia, além de toneladas e toneladas de dejetos que não são metabolizados por ela. Os excedentes vão se acumulando cada vez em maior escala, colocando a questão do lixo urbano como uma das mais sérias a ser enfrentada atualmente. Com a elevação da população e, principalmente, com o estímulo dado ao consumismo, o problema tende a se agravar.

A partir daí, o destino do lixo passa a ser um dos temas de enorme gravidade. Trata-se de saber como se livrar do que é considerado inservível e de reconhecer que se está diante de um problema ambiental de grandes proporções.

A grande preocupação em torno do destino do lixo se dá principalmente em face da sua característica de inesgotabilidade, comprometimento de grandes áreas e pela sua complexidade estrutural, devido a grande heterogeneidade de materiais, desde substâncias inertes a substâncias altamente tóxicas. A heterogeneidade é uma das características principais dos resíduos sólidos urbanos, que apresentam uma composição qualitativa e quantitativa muito variada. Essas variações ocorrem geralmente em função do nível de vida e educação da população, do clima, dos modos de consumo, das mudanças tecnológicas, etc.

Diariamente, grande quantidade de lixo é produzida no meio urbano, necessitando de um destino final adequado. Segundo Oliveira (1997), a quantidade média de lixo produzida por habitantes nas cidades brasileiras é de 0,5-2,5 kg/hab/dia, o que nos leva a inferir que no Brasil a produção média mínima chega a aproximadamente 180 kg/hab/ano. Para se ter uma idéia da gravidade do problema, se cada pessoa produzir diariamente, um quilo de lixo, significará 6 milhões de toneladas diárias nos próximos dias. Esta média, entretanto, não leva em consideração o lixo industrial, os dejetos da área rural e o material jogado nos campos e rios.

Apesar do nosso grau de desenvolvimento técnico-científico, os problemas sanitários urbanos, mais especificamente o saneamento do lixo, não tem acompanhado esse ritmo, como também foi o que menor progresso obteve (Otero, 1966).

Via de regra, expressivas quantidades de lixo vêm sendo armazenadas em áreas não apropriadas ou simplesmente despejadas em lugares abertos, sem a mínima preocupação com a higiene ambiental. Como conseqüência, tem-se a contaminação dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, do solo, do ar e a degradação da paisagem, além da proliferação e disseminação de agentes patogênicos, de macrovetores (ratos, moscas, baratas, cães, aves, catadores) e de microvetores (bactérias, vermes, fungos e vírus), transformando esses locais numa fonte difusora de doenças.

Considerando alimentos, energia e recursos naturais, o mundo já está consumindo 40% além da capacidade de reposição da biosfera e esse déficit aumenta 2,5% ao ano. No Brasil, são diariamente despejadas na natureza 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e de material potencialmente reciclável (PNUD, 2001).

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE (2000) indicam que 76% do lixo coletado no país – cerca de 20 milhões de toneladas por ano – são jogados a céu aberto. Restos orgânicos, sobretudo de alimentos e papéis sanitários, compõem 60% desses despejos, enquanto que nos países desenvolvidos, os restos orgânicos representam apenas 10%.

3. LIXO URBANO

A palavra lixo, derivada do termo latim lix, significa "cinza". No dicionário, ela é definida como sujeira, imundice, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. Lixo, na linguagem técnica, é sinônimo de resíduos sólidos e é representado por materiais descartados pelas atividades humanas. Desde os tempos mais remotos até meados do século XVIII, quando surgiram as primeiras indústrias na Europa, o lixo era produzido em pequena quantidade e constituído essencialmente de sobras de alimentos.

A partir da Revolução Industrial, as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em larga escala e a introduzir novas embalagens no mercado, aumentando consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados nas áreas urbanas. O homem passou a viver então a era dos descartáveis em que a maior parte dos produtos — desde guardanapos de papel e latas de refrigerante, até computadores — são inutilizados e jogados fora com enorme rapidez. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das metrópoles fez com que as áreas disponíveis para colocar o lixo se tornassem escassas. A sujeira acumulada no ambiente

aumentou a poluição do solo e das águas e piorou as condições de saúde das populações em todo o mundo, especialmente nas regiões menos desenvolvidas. Até hoje, no Brasil, a maior parte dos resíduos recolhidos nos centros urbanos é simplesmente jogada sem qualquer cuidado em depósitos existentes nas periferias das cidades. O lixo urbano é, portanto um dos maiores problemas ambientais da atualidade, pois os moldes de consumo adotados pela maioria das sociedades modernas estão provocando um aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido.

4. COMPOSIÇÃO DO LIXO

O crescimento populacional de hoje não tem precedentes. Segundo cálculos da Organização das Nações Unidas (PNUD, 2001), cerca de 150 pessoas nascem a cada minuto. Teóricos crêem que a Terra está próxima do máximo de habitantes que pode alimentar, mas não há consenso. Na agricultura, o uso da água supera a taxa de reposição. A péssima distribuição de alimentos e de riquezas já vem comprometendo há muito o equilíbrio social e catástrofes em série se anunciam através do esgotamento dos recursos naturais – o alimento entre eles – e o aumento da poluição com o acúmulo de dejetos de toda a espécie.

Além de todos os tipos de lixo normal, que incluem a matéria orgânica do dia-a-dia, restos de alimentos, o material reciclável, entre outros mais comuns, alguns tipos não despertam cuidados e podem causar sérios danos ao ambiente, principalmente por conter elementos químicos na forma iônica que são absorvidos e acumulados pelo organismo.

São elementos presentes em cosméticos e maquiagens, como alumínio, que pode causar a Síndrome de Alzheimer; nas pilhas e baterias, que lança níquel e cádmio no ambiente; nas lâmpadas que possuem mercúrio, um metal pesado e tóxico que pode contaminar solos e a água; nas pastilhas e lonas de freios, que contém amianto e se acumula nos pulmões; nos materiais de eletrônica, que contém chumbo; nos fertilizantes, que são ricos em fósforo, o lixo radiativo, proveniente de usinas, máquinas de radioterapia e raios-X (césio).

Alguns elementos radiativos podem levar milhares de anos para serem absorvidos pela natureza. A radiação destrói as células humanas, matando-as ou causando mutações. Só das usinas nucleares, o plutônio, que é o mais perigoso dos subprodutos radiativos e também o de mais longa vida, mantém sua periculosidade durante, pelo menos, 500 mil anos. Este é, aliás, o período de tempo em que o elemento deve permanecer isolado do meio ambiente. Meio milionésimo de grama deste elemento - uma dose invisível – é cancerígeno. Cerca de 500 gramas, se uniformemente distribuídos, poderiam induzir potencialmente o câncer pulmonar em todas as pessoas do planeta.

O lixo invisível é tão ou mais abundante que o domiciliar e industrial. Diariamente são emitidos milhares de toneladas de gases na atmosfera e aumenta diuturnamente a carga de elementos da chamada poluição invisível (compostos orgânicos voláteis). Há muita coisa para fazer com relação à população, mas o mais difícil de enfrentar é o excesso do consumo, que produz também lixo em excesso e outros elementos de alta periculosidade.

O lixo visível do Brasil chega em média a 125 mil toneladas por dia, quase um milhão por semana. Cerca de 75% dessa produção vai para os grandes lixões. Grande parte do material depositado nos lixões pode levar até 400 anos para se decompor, outra parte é composta por lixo tóxico misturado com restos de alimentos. Menos de 1% do lixo orgânico é destinado para usina de compostagem, apenas 0,1% é incinerado.

5. CLASSIFICAÇÃO DO LIXO

Para determinar a melhor tecnologia para tratamento, aproveitamento ou destinação final do lixo é necessário conhecer a sua classificação, pois o lixo possui uma complexa composição, onde atuam diversos elementos de diferentes fontes. O lixo pode ser classificado de acordo com sua natureza física, composição química, origem, riscos potenciais ao meio ambiente, entre outros fatores. Quanto a sua natureza e estado físico, o mesmo pode ser classificado em sólido, líquido, gasoso e pastoso (Oliveira, 1997).

No que se refere ao critério de origem e produção, classifica-se da seguinte forma:

Lixo urbano: Formado por resíduos sólidos em áreas urbanas, onde se incluem os resíduos domésticos, os efluentes industriais domiciliares (pequenas indústrias de fundo de quintal) e resíduos comerciais;

Lixo domiciliar: Formado pelos resíduos sólidos de atividades residenciais, contém muita quantidade de matéria orgânica, plástico, lata, vidro, papéis, etc;

Lixo comercial: Formado pelos resíduos sólidos das áreas comerciais, compostos por matéria orgânica, papéis e plásticos de vários grupos.

Lixo público: Formado por resíduos provenientes de limpeza pública (areia, papéis, folhagem, poda de árvores);

Lixo especial: Formado por resíduos geralmente industriais, merece tratamento, manipulação e transporte especial, são eles: pilhas, baterias, embalagens de agrotóxicos, embalagens de combustíveis, de remédios ou venenos;

Lixo industrial: Nem todos os resíduos produzidos por indústria, podem ser designados como lixo industrial. Algumas indústrias do meio urbano produzem resíduos semelhantes ao doméstico, exemplo disto são as padarias; os demais poderão ser enquadrados em lixo especial e ter o mesmo destino;

Lixo de serviço de saúde: Os serviços hospitalares, ambulatoriais, farmácias, são geradores dos mais variados tipos de resíduos sépticos, resultados de curativos, aplicação de medicamentos que em contato com o meio ambiente ou misturado ao lixo doméstico poderão ser patógenos ou vetores de doenças. Eles devem ser destinados à incineração;

Lixo atômico: Produto resultante da queima do combustível nuclear, composto de urânio enriquecido com isótopo atômico 235. A elevada radioatividade constitui um grave perigo à saúde da população e por isso deve ser enterrado em local próprio e inacessível;

Lixo espacial: Restos provenientes dos objetos lançados pelo homem no espaço, que circulam ao redor da Terra com a velocidade de cerca de 28 mil quilômetros por hora. São estágios completos de foguetes, satélites desativados, tanques de combustível e fragmentos de aparelhos que explodiram normalmente por acidente ou foram destruídos pela ação das armas anti-satélites;

Lixo radioativo: Resíduo tóxico e venenoso formado por substâncias radioativas resultantes do funcionamento de reatores nucleares. Como não há um lugar seguro para armazenar esse lixo radioativo, a alternativa recomendada pelos cientistas foi colocá-lo em tambores ou recipientes de concreto impermeáveis e à prova de radiação e enterrá-los em terrenos estáveis, no subsolo.

6. POLUIÇÃO PELO LIXO

Dá-se o nome de poluição a qualquer degradação (deterioração, estrago) das condições ambientais do habitat de uma coletividade humana. É uma perda, mesmo que relativa, da qualidade de vida em decorrência de mudanças ambientais.

O problema da poluição, portanto, diz respeito à qualidade de vida das aglomerações humanas. A degradação do meio ambiente do homem provoca uma deterioração dessa qualidade, pois as condições ambientais são imprescindíveis para a vida, tanto no sentido biológico como no social.

O Brasil produz cerca de 240 mil toneladas de lixo por dia - número inferior ao dos EUA (607 mil t/dia), mas bem superior ao de países como a Alemanha (85 mil t/dia) e a Suécia (10,4 mil t/dia). Desse total, a maior parte vai parar nos lixões a céu aberto; apenas uma pequena porcentagem é levada para locais apropriados. Uma cidade como São Paulo, gasta por dia, 1 milhão de reais com a questão do lixo. Para o IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas (1995), são poucas as prefeituras do país que possuem equipes e políticas públicas específicas para o lixo. Quando ele não é tratado, constitui-se num sério problema sanitário, pois expõe as pessoas a várias doenças (diarréia, amebíase, parasitose) e contamina o solo, as águas e os lençóis freáticos.

Nos últimos anos, tem crescido também a preocupação com materiais tóxicos, como pilhas, baterias de telefone celular e pneus. Quando descartados de forma irregular, esses objetos ampliam os problemas sanitários e de contaminação. As pilhas, por exemplo, deixam vazar metais como o zinco e o mercúrio, extremamente prejudiciais à saúde. Os pneus, ao acumular água, transformam-se em focos de doenças, como a dengue e a malária. Desde julho de 1999, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) responsabiliza os fabricantes e comerciantes pelo destino final desse tipo de produto, depois que forem descartados pelos usuários.

Segundo Oliveira (1997), as poluições física, química e biológica são os principais danos provocados pela disposição inadequada do lixo nos cursos d'água, como forma de destino final.

Podem ser classificados como forma de poluição física, o aumento da turbidez da água, a formação de bancos de lodos ou sedimentos inertes, a variação do gradiente de temperatura, etc. Na ocorrência de tais perturbações, as mesmas tendem a interferir na quebra do ciclo vital de espécies do meio aquático, tornando a água biologicamente estéril.

Apresenta-se como forma de poluição química: a mudança de coloração das águas, formação de correntes ácidas, águas duras, águas tóxicas, ocasionando o envenenamento de peixes, aves, animais diversos e o homem.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O hábito de consumo dos moradores das cidades, especialmente daqueles com poder de compra, alcançou padrões insustentáveis, imperando a cultura do "produto descartável", enaltecido pelas propagandas como prático e moderno.

A industrialização acelerada e desordenada pelas metrópoles contemporâneas amplia os desequilíbrios ambientais e faz das mesmas centros nervosos, produtoras de indivíduos estressados.

A base material para produzir tudo o que se consome no planeta é praticamente a mesma desde a antiguidade, o que se altera são os novos impulsos tecnológicos para os demais produtos e a produção de embalagens. Recursos não renováveis no tempo da produção como os derivados de petróleo, minérios e recursos da biodiversidade (especialmente os recursos florestais) ainda são as principais matrizes energéticas e produtivas. O mundo nunca teve tantas pessoas, vivendo tanto tempo e com voracidade tão grande pelos recursos do planeta quanto na atualidade.

Tudo aquilo que já foi utilizado uma vez e que não pode ser aproveitado dentro das possibilidades do homem urbano é considerado lixo. O homem moderno, sem saber o que fazer com a embalagem que utilizou por pouco tempo, acaba por considerar a mesma inútil e a destina para o serviço de coleta pública.

Apesar de o problema ser grave e influenciar diretamente a qualidade de vida das cidades, o sistema utilizado para coletar, tratar e dispor os resíduos sólidos não evoluiu na mesma progressão que o aumento da quantidade de seus moradores e da produção de lixo per capita.

Alternativas para melhorar o sistema de gerenciamento dos resíduos sólidos começam a surgir nas cidades dos país, pressionadas pela gravidade da situação pelas agências estaduais de meio ambiente ou pelo Ministério Público e por alguns gestores municipais mais preocupados coma questão.

Porém, grande parte dos municípios que iniciam esse processo carece de informação sobre o assunto. Restam então apenas e pioneiras experiências que lutam para integrar os conceitos das ciências sociais à lógica do gerenciamento, assim como cresce a postura de que, mais do que coletar tudo e enterrar adequadamente, é preciso minimizar a geração de resíduos sólidos, disseminar o consumo consciente, desenvolver novas tecnologias de tratamento e reaproveitamento ao máximo de cada material e incluir nessas alternativas as pessoas que vivem do lixo.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAHIA, V.E. Estudo hidrogeológico da área localizada entre o depósito de lixo metropolitano de Belém (aurá) e o Lago Água Preta. Belém, Universidade Federal do Pará. Centro de Geociências. 117 p. (Dissertação de Mestrado).

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). 1999. Resolução No 257.Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. Diário Oficial República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 30 jun. 297p.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 2000. Resultados do universo do Censo demográfico. Recenseamento geral do Brasil. Rio de Janeiro. Disponível em: www.ibge.gov.br. Acesso em: 18/08/2002.

IPT. 1995. Lixo municipal, manual de gerenciamento integrado. São Paulo, Instituto de Pesquisas Tecnológicas. 279p.

LOPES, L. Gestão e gerenciamento integrados dos resíduos sólidos urbanos. Dissertação de Mestrado. São Paulo, 2006. Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

OLIVEIRA, A.H. 1997. Metais pesados nos arredores de depósitos de lixo de Belém-PA. Belém. Universidade Federal do Pará. Centro de Geociências. 105p. (Dissertação de Mestrado).

OTERO, C.R. 1966. A problemática do lixo em diferentes aspectos. Fortaleza. Centro de Treinamento em Desenvolvimento Econômico Regional – CETREDE. 66p. (Dissertação de Mestrado).

PNUD. 2001. Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo. Disponível em: www.undp.org. Acesso em: 16/03/2001.

 
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