KARL MARX E AS CLASSES SOCIAIS

 

JOSÉ MARIA MACIEL LIMA[1] 

 

As discussões que permeiam os estudos da sociedade esclarecem que é inegável as contribuições de autores como: Karl Marx, Durkheim e Weber para a ciência que estuda a sociedade - a sociologia. O pensador alemão Karl Marx deixou em seus legados estudos que contribuíram para a discussão da relação entre indivíduo e sociedade. “Segundo ele, o estudo de qualquer sociedade deveria partir justamente das relações sociais que os homens estabelecem entre si, para utilizar os meios de produção [...]” (SCHEEFFER, 2009, p. 42). Diferentemente de Durkheim e Weber, considerava que não se pode pensar a relação indivíduo-sociedade separadamente, das condições materiais em que essas relações se apoiam. Neste sentido, neste texto, pretende-se discutir como Marx concebe as relações dos indivíduos que pertencem a classes sociais distintas. 

Nesta perspectiva, Marx postula que os conflitos que permeiam a sociedade resultam do processo de produção, onde aqueles que detêm os meios de produção se impõem através de ideologias. Neste cenário capitalista, a divisão do trabalho promove no interior da sociedade o seu aspecto heterogêneo, caracterizado pelas relações estabelecidas entre grupos que submetem ou são submetidos em prol do processo de produção, que visa atender à coletividade social. “Marx defendia que se existe desemprego, favelas ou criminalidade é por que a forma pela qual as pessoas trabalham no capitalismo gera inevitavelmente, exploração de uma classe sobre a outra” [...] (SCHEEFFER, 2009, p. 44 e 48).

A este quadro de desigualdade, Marx atribui, totalmente, a culpa ao sistema capitalista que acaba gerando uma luta entre as classes sociais. Estas, surgem a partir da divisão social do trabalho. Em razão delas, a sociedade se divide em possuidores e não detentores dos meios de produção.

 

A história de todas as sociedades existentes até hoje tem sido a história das lutas de classe. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, tem permanecido em constante oposição uns aos outros, envolvidos numa guerra ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária de toda a sociedade, ou pela destruição das duas classes em luta (MARX; ENGELS, 2007 apud SCHEEFFER, 2009 p. 43).

 

Nesta perspectiva, Marx defende que as condições materiais de toda a sociedade condicionam as demais relações sociais. Isso implica dizer que, para viver, os homens têm que, inicialmente, transformar a natureza, ou seja, comer, construir abrigos, utensílios (TOMAZI, 2000). Sem isso, o homem não poderia existir enquanto ser vivo. Por isso, o estudo de qualquer sociedade deveria partir justamente, das relações sociais que os homens estabelecem entre si, para utilizar os meios de produção e transformar a natureza. Essas relações sociais de produção são a base que condiciona todo o resto da sociedade.

 

O foco da teoria de Marx está, assim, nas classes sociais, embora a questão do indivíduo também esteja presente. Isto fica claro quando Marx afirma que os seres humanos constroem sua história, mas não da maneira que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo como ocorre à construção. Para ele, existem condicionantes estruturais que levam o indivíduo, os grupos e as classes para determinados caminhos; mas todos tem capacidade de reagir a estes condicionamentos e até mesmo de transformá-los (TOMAZI, 23 e 24, 2010).

 

Porém, o objetivo maior de Marx, não era elaborar uma teoria geral sobre a sociedade, mas estudar a sociedade de seu tempo, a sociedade capitalista. Segundo Marx, na sociedade capitalista as relações sociais de produção definem dois grandes grupos dentro da sociedade: de um lado os capitalistas que são aquelas pessoas que possuem os meios de produção (máquinas, ferramentas, capital, etc.) necessários pra transformar a natureza e produzir mercadorias; do outro, os trabalhadores, denominados, no seu conjunto, de proletariado, aqueles que nada possuem, a não ser o seu corpo e a sua disposição para trabalhar (SCHEEFFER, 2009).

A produção na sociedade capitalista só se realiza porque capitalistas e trabalhadores entram em relação. Porém, isso acaba gerando os conflitos sociais, pois o sistema capitalista faz com que a sociedade se torne heterogêneo. Sintetizando esse sistema, pode-se dizer que o capitalista paga ao trabalhador um salário para que trabalhe para ele e, no final da produção, fica com o lucro. Esse tipo de relação entre capitalista e trabalhadores leva à exploração do trabalhador pelo capitalista. Por isso, Marx considerava que havia um permanente conflito entre essas duas classes - conflito que não é possível resolver dentro da sociedade capitalista (TOMAZI, 2000).

Neste sentido, o conceito de classe para Marx se define como um grupo de indivíduos que ocupam uma mesma posição nas relações de produção, em determinada sociedade. A classe a que pertencemos é que condiciona, de maneira decisiva, nossa atuação social. Lembremos nosso exemplo de greve: patrão e empregado eram amigos, mas no momento em que ocorre a greve, quando do conflito entre as classes se torna evidente, eles ficam em lados diferentes. Desse modo, é principalmente a situação de classe que condiciona a existência do indivíduo e sua relação com o resto da sociedade. Podemos compartilhar ideias e comportamentos de indivíduos de outras classes, mas nos momentos de conflito, como nas greves, as diferenças irão aparecer de acordo com a classe a que pertencemos.

Concluindo, mas sem antes concluir, pode-se dizer que as relações de produção regulam tanto a distribuição dos meios de produção e dos produtos quanto à apropriação dessa distribuição e do trabalho. Elas expressam as formas sociais de organização voltadas para a produção. Os fatores decorrentes dessas relações resultam em uma divisão no interior das sociedades.

Por ter uma finalidade em si mesmo, o processo produtivo aliena o trabalhador, já que é somente para produzir que ele existe. Em razão da divisão social do trabalho e dos meios, a sociedade se extrema entre possuidores e os não detentores dos meios de produção. Surgem, então, a classe dominante e a classe dominada. O Estado aparece para representar os interesses da classe dominante e cria, para isso, inúmeros aparatos para manter a estrutura da produção. Esses aparatos são nomeados por Marx de infraestrutura e condicionam o desenvolvimento de ideologias e normas reguladoras, sejam elas políticas, religiosas, culturais ou econômicas, para assegurar os interesses dos proprietários dos meios de produção.

Neste ambiente desigual, as contradições são expressas no aumento da massa de despossuídos, que sofrem com os males da humanidade, tais como a pobreza, doenças, fome e desnutrição, e o atraso tecnológico em contraste com o grande acúmulo de bens e riquezas em grandes centros financeiros e industriais. É só por meio de um processo revolucionário que os proletários de todo o mundo, segundo Marx, poderiam eliminar as condições de apropriação e concentração dos meios de produção existentes. Acabando a propriedade desses meios, desapareceria a burguesia e instalar-se-ia, transitoriamente, uma ditadura do proletariado até que se realizem as condições de uma forma de organização social comunista.

Assim, parece inquestionável o papel de Marx para os pensadores de nossos dias. Ainda que a solução encontrada por esse autor tenha ganhado concretude, é importante retomar sua crítica ao sistema visando sanar as contradições que estão evidenciadas em nosso cotidiano.

 

REFERÊNCIAS

FEDOSOEYEV, F. A Teoria Marxista Das Classes e da Luta de Classes. 30 de Julho de 1948. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/21/teoria.htm. Acesso em: 11 de nov. de 2012 às 15: 30.

SCHEEFFER, Fernando. Temas e Teorias da Sociologia. Caderno de Estudos, Programa de Pós-Graduação EAD. Editora Grupo UNIASSELVI, Idaial – Santa Catarina, 2011.

TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

_______, Nelson Dacio et al. Iniciação à Sociologia. 2 ed. Revisada e ampliada, São Paulo: Atual, 2000.

[1] Professor da rede Estadual e Municipal de Ensino, Licenciado Pleno em Letras/Português - UFPA, Letras/Espanhol-UNIUBE, Letras Inglês-UFOPA, Graduado em Filosofia pela FPA, Especialista em metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia-UNIASSELVI e Ensino de Língua Espanhola-UNICAM. E-mail: [email protected].   

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