Introdução aos PCNs
 
Introdução aos PCNs
 


Neste volume, a primeira parte é dedicada à análise de aspectos da conjuntura nacional e mundial e à necessidade de fortalecimento da educação básica. A Segunda parte destina-se a apresentar os Parâmetros Curriculares Nacionais, seus propósitos e sua estrutura. A terceira procura trazer contribuições para o processo de elaboração e de desenvolvimento do projeto educativo da escola. A quarta pretende provocar a necessidade de conhecer melhor os alunos do ensino fundamental. Na quinta e última parte, é feita uma análise sobre o uso das Tecnologias da Comunicação e da Informação, tão importantes no mundo contemporâneo. Esses assuntos, tratados neste documento de introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais, visam apresentar uma concepção geral, que será retomada específica nos documentos de áreas e temas transversais.

Os PCNs são definidos como referenciais comuns para a educação no ensino fundamental em todo o Brasil, pois não se auto-denominam um currículo acabado e obrigatório, mas o seu nível de detalhamento faz um currículo do ensino fundamental que possa orientar as ações educativas no ensino obrigatório e melhorar sua qualidadenas escolas brasileiras. A orientação proposta reconhece a importância da participação construtiva do aluno e a intervenção do professor para a aprendizagem que favoreça o desenvolvimento das capacidades necessárias à formação do indivíduo, pois o processo de ensino e aprendizagens não se desenvolve por etapas, mas que o objeto do conhecimento é complexo e porque o processo cognitivo não acontece por justaposição e sim por reorganização do conhecimento a partir do que já existe como experiência.

Na introdução aos PCNs, as taxas de promoção, repetência e evasão do ensino fundamental são utilizadas como indicadores de melhoria do rendimento escolar e que os projetos de aceleração, de recuperação em períodos estanques tornam a escola socialmente onipotente que fracassa na sua missão educativa devido aos seus problemas internos, mas pensar a escola como onipotente, significa pensá-la como a única instituição responsável pela transformação social que estivesse acima da sociedade e, portanto, não sofresse a ação de causas externas para o fracasso, não levam tais fatores em conta e afirmam que os recursos aplicados em educação em nosso país não são insuficientes, mas apenas mal aplicados.

Para comprovar essa concepção e apresentar os PCNs como solução, as principais tendências pedagógicas na educação brasileira são descritas e responsabilizadas pela ineficiência do ensino brasileiro. Para isso, são citadas a "pedagogia tradicional", a "pedagogia renovada", a "pedagogia libertadora", a "pedagogia crítico-social dos conteúdos" e as influências da "psicologia genética" para a educação. Vale notar que tais expressões não são correntes nas escolas e entre as professoras, mas apenas de domínio acadêmico.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais respeitam as diferenças culturais, regionais, políticas e as necessidades de referenciais nacionais comuns ao processo da educação em todas as regiões do Brasil.

Esses documentos tiveram um processo de construção, de experiências e estudos, os quais contaram com a colaboração de inúmeros educadores brasileiros e são essenciais para o Ensino Fundamental, principalmente nas áreas da estrutura do ensino escolar, por possuírem características de extrema relevância para a escola e a sociedade e por indicarem a necessidade de unir forças entre essas instâncias no apoio à escola, sua importância da intervenção na comunidade, como propor estímulos aos educandos de modo a compreender a responsabilidade e compromisso com a aprendizagem, dando ênfase a apropriação de conhecimentos (conteúdos) socialmente elaborados como base para a construção da cidadania, identidade e clareza quanto ao seu projeto educativo, ampliação da visão de conhecimentos para além dos conceitos e desta forma evidencia-se a importância de tratar dos chamados temas transversais e valorizar o trabalho dos educadores enquanto construtores e planejadores das ações pedagógicas e educativas com o desenvolvimento de trabalhos que envolvam o uso da tecnologia da comunicação e educação.

Muitas abordagens educativas são esclarecidas pelos PCNs, como a importância da autonomia do aluno, interação, cooperação e decisões sobre avaliação e uso de tecnologias de comunicação e expressão, como processo de construção de novos conhecimentos.

O papel da escola hoje é tomar consciência de que as práticas pedagógicas são sociais e políticas e que a relação educacional é uma relação política para a formação da cidadania e orientação para o exercício pleno da participação social

A sociedade brasileira necessita de ações urgentes e eficazes, mas a condição para reconstruir uma sociedade maltratada pela miséria, violência, impunidade e individualismo é ajudar o homem a fazer a experiência da busca de sentido, do reconhecimento das exigências que o constituem e o impelem à ação. Desta forma a possibilidade de múltiplas experiências sociais se faz presente neste documento, pois caracteriza o ser humano como um cidadão e sujeito da sua própria história.

Com o processo de elaboração de Parâmetros Curriculares Nacionais, O MEC teve o objetivo de torná-los a base comum nacional. Os PCNs são apresentados não como um currículo, e sim como subsídio para apoiar o projeto da escola na elaboração do seu programa curricular, nas orientações para o ensino das disciplinas que formam a base nacional, nos cinco temas transversais que permeiam todas as disciplinas, no cumprimento do seu papel constitucional de fortalecimento da cidadania, como um importante material de consulta e de discussão entre professores, pois propõem o desafio e a busca da melhoria do ensino, na reformulação de suas propostas, como apoio didático e pedagógico, para que sua práxis, não se baseie em teorias, nem contextualize esse saber de forma dialética e sim uma ação pedagógica e reflexiva, baseada em um currículo real, aquele que de fato acontece espontaneamente na sala de aula.

Esta proposta parte da percepção de uma situação social que exige uma definição das finalidades da escola e de seus conteúdos, já que trata de um currículo aberto, seja pelos temas que introduz de acordo com o seu conjunto ou pela própria proposta em si, onde a inclusão de novos temas na relação pedagógica e no contexto social traz inovações no aprender a aprender, isto é no desenvolvimento de competências, que se constitui num dos princípios centrais nos PCNs, pois as relações sociais são ressignicadas, assim como a responsabilidade pela desigualdade, pela exclusão e por todas as mazelas sociais continuam sendo dos indivíduos, ou seja, cada sujeito é sujeito de sua história e do desenvolvimento de suas potencialidades.

Os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) têm como objetivo oferecer às escolas, professores e profissionais ligados à educação as diretrizes para a prática pedagógica e para a educação no Brasil. Entretanto, não se sabe qual a percepção dos professores sobre esses documentos ou mesmo se estão sendo lidos e usados como parâmetros para suas práticas, pois cada um tem sua visão como educadores e alguns não conseguem utilizá-los, pois consideram as diretrizes propostas nos documentos distantes de sua realidade e não se identificam com elas.

Olhando diretamente os PCNs, temos a necessidade de que a educação trabalhe a formação integral dos alunos em suas grandes áreas do conhecimento de acordo com a visão correta,e coerente com os objetivos da nova concepção de educação materializada nos mesmos. Entretanto, o nosso olhar busca observar que existe uma crítica, revelando um imaginário da educação, complexa o suficiente para se abrir uma discussão que busque não uma análise da realidade desse universo educativo, mas, que aponte para o que realmente existe como uma crítica válida sobre as conseqüências das lacunas enfocadas no currículo, na cultura escolar e na atual conjuntura. E se há realmente lacunas, se essas conseqüências não são objetivos ocultos no próprio currículo, isto é, não atende a uma concepção de educação, que não tenha êxito no saber que se propõe, o desenvolvimento de competências.

Assim, uma compreensão da Instituição Escola, no modelo tradicional, como produtora e reprodutora do saber sistematizado, portanto, o currículo que forma o trabalhador ou cidadão, que não liberta, e pelo contrário, prende, aliena, que pressupõe uma instituição, que vise desenvolver competência pessoal e consciência, mas que sua prática, não questiona sobre uma possível intencionalidade nas lacunas apontadas não é condizente com o que nos expõem os parâmetros curriculares .

Portanto, no currículo se dá a posição da escola em relação à cultura. Assim sendo, o currículo pode ir além do que foi falado, que seria a própria cultura sistematizada em ensino e poderia ser o espaço privilegiado, não só da discussão social, mas instrumento num modelo de pedagogia que se realiza na prática. E, o contrário, instrumento de alienação, se o professor-educador não ampliar seus conhecimentos ou não se comprometer com essa prática pedagógica que auxilie nas demandas sociais pela humanização e pela democracia.

Com a existência dos PCNs pretende-se orientar as ações educativas no ensino obrigatório e, assim, melhorar a qualidade do ensino nas escolas brasileiras. Contudo, é duvidosa a melhoria da educação brasileira através deles por tratar-se de uma discussão sobre o processo de ensino-aprendizagem, que sem uma devida clareza teórica, e sem o desenvolvimento das competências tratadas, corre-se o risco de não se alcançar os objetivos e as finalidades que, em tese, os PCNs propõem, ou seja, o exercício da cidadania, onde o indivíduo não seja reprimido, nem classificado como subproduto cultural e de mão de obra, mas um sujeito de sua própria história, um grande desafio para os educadores.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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