INTERTEXTUALIDADE, LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL
 
INTERTEXTUALIDADE, LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL
 


RESUMO: É unindo a leitura e a intertextualidade, elementos que se relacionam e estão sempre juntos, que se resulta em uma produção textual, sendo esta fruto da união entre leitura e intertextualidade. Trabalharemos neste artigo a relação existente entre estes três elementos para a formação de um leitor crítico, a intertextualidade, serve para ilustrar a importância do conhecimento de mundo e como esse fator interfere no nível de compreensão do texto e na produção textual. Pois, embora o leitor não identifique o intertexto, vai entendê-lo. Mas ao relacionar um texto com outro, compreenderá o texto lido na sua profundidade e por conseqüência será capaz de refletir sobre o recurso adotado pelo autor para quando for compor textos.

PALAVRAS CHAVES: Intertextualidade; Leitura; Produção Textual.

INTRODUÇÃO:

Os estudos expostos foram realizados, a cerca da relação a ser refletida em análise dicotômica entre a leitura e escrita, de modo que se enfocará de maneira clara e precisa o papel de ambas na construção do conhecimento e aquisição da prática de leitura e escrita e como uma necessita da outra na produção textual, apontando-nos a mais eficiente metodologia de trabalho para o devido incentivo a leitura e criação por parte dos autores, de forma a inferir-se que para que o indivíduo produza uma boa escrita ele deve ler criticamente, ou ainda que um texto advenha de leituras preliminares. Fazendo assim uma ligação entre o texto escrito e o texto base para tal escrita, a isto damos o nome de intertextualidade.
Podemos, pois, definir a intertextualidade como sendo a criação de um texto a partir de um outro texto já existente . Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem muito dos textos/contextos em que ela é inserida. Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao ?conhecimento de mundo?, que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.

¹ Artigo apresentado como requisito parcial para a obtenção da nota da disciplina Linguística Textual, sob orientação da professora Allan Andrade Linhares.
² Acadêmica do bloco VI do curso de Licenciatura Plena em Letras/Português.
A leitura é a determinação histórica dos processos de significação, pois quem lê produz sentidos a partir de determinadas condições histórico-sociais. Por ser o texto produzido a partir da posição histórico-social do autor, é claro que ele imprimirá, consciente ou inconscientemente, em sua obra, marcas de sua ideologia, cultura e reflexões, assim, um dos pontos fundamentais na exploração do texto será levar o leitor a perceber essas marcas deixadas pelo autor. Ao leitor deve ser mostrado que a intencionalidade do autor não aparece apenas na temática abordada, mas também em outros pontos relevantes da sua escrita, como conclusões pessoais, construção sintática, léxico utilizado, entre outros.
A escrita representará o confronto cognitivo e associado à leitura, visto que para que a escrita, processo histórico, seja bem definida e clara, precisa-se formulação e confronto de ideias, estas obtidas nas leituras de mundo, entre outras, adquirindo assim léxico necessário e contundente para a formalização da escrita, esta que passará a ser o material visível e discutido das leituras realizadas. Unindo assim intrinsecamente a leitura e intertextualidade, resultando na produção textual.
O leitor deve ser direcionado, mas jamais induzido no seu processo de dar sentido ao texto, para que não se corra o risco de impedi-lo de uma apropriação particular da significação do texto e escrita solta, dando-lhe moldes e norteando o seu saber.
Diante das premissas expostas no presente artigo, investigaremos a intertextualidade, que se dá por meio da relação entre leitura e interpretação, e será observada a prática de uni-las para uma contextualizada e crítica produção textual, visto que partindo de boas e contundentes leituras o leitor apropriar-se-á da prática relevante de uma produção textual virtuosa cheia de embasamento, em outros autores obviamente, os quais comungam de suas ideias e opiniões. Por tanto trataremos aqui de uma significativa relação entre os elementos da leitura, a intertextualidade e a produção textual, como elementos essenciais e relacionados para a formação de um leitor crítico, o qual apropria-se de uma leitura, nota ai suas variadas intertextualidade e realiza sua própria produção, sendo esta fruto das outras leituras e de seu conhecimento empírico.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para o presente artigo trabalharemos com a pesquisa bibliográfica, caracterizada por Ruiz, teremos a ampliação das generalizações teóricas, bem como estruturaremos pensamentos de sistemas e modelos dos mais variados teóricos, é o primeiro passo a ser dado em toda pesquisa, pois partindo desta se faz um levantamento do que já se disse a cerca do assunto estudado, ou seja, partindo de estudos realizados anteriormente sobre o assunto é que se pode ter uma ampla visão do problema já citado, também se verifica a importância desta para a sociedade em desenvolvimento.
Bem, pensa-se a pesquisa bibliográfica como:


Um estudo exploratório, posto que tem a finalidade de proporcionar a familiaridade do leitor com a área de estudo no qual está interessado, bem como sua delimitação. Essa familiaridade é essencial para que o problema seja formulado de maneira clara e precisa. (GIL, 2002, p. 61)


Onde se apresenta a importância da escolha do tema pesquisado, para apontar e dar sentido aos questionamentos da pesquisa, sendo esta, portanto entendida como processo formal do método cientifico, possibilitando respostas através de métodos pré-estabelecidos cientificamente.
A pesquisa bibliográfica ainda é entendida como um levantamento de teorias e ditos anteriores, que ajudam na formação das ideias contidas na pesquisa, ocasionando um estudo exploratório, proporcionando ao pesquisador certa familiaridade com sua pesquisa e seu objeto de estudo (ANDRADE, 2007).
Para a presente pesquisa utilizou-se de um acervo bibliográfico embasado em livros, teses de mestrado, cujo foco era tratar intertextualidade, leitura e produção textual: A formação de um leitor crítico.

INTERTEXTUALIDADE

Intertextualidade é a relação entre dois textos caracterizada por um citar o outro, ou até mesmo servir de base para que outro seja escrito, lembrado que todo texto é um intertexto, ou seja, todo texto é embasado em outro. O que acarreta ao leitor uma responsabilidade de identificar tais ligações e citações.
A intertextualidade é uma forma de diálogo entre textos, que pode se dar de forma mais implícita ou mais explícita e em diversos gêneros textuais, que devem ser contextualizados de acordo com a realidade vivida. O intertexto serve para ilustrar a importância do conhecimento de mundo e como este interfere no nível de compreensão do texto. Ao relacionar um texto com outro, o leitor entenderá que a intertextualidade é uma das estratégias utilizadas para a construção dos mesmos e que partindo desta se viabiliza uma leitura e desta uma produção, significando que um texto nasce de outro texto por meio da intertextualidade.
Podemos assim caracterizar a intertextualidade como "um fenômeno constitutivo da produção do sentido e pode-se dar entre textos expressos por diferentes linguagens" (Silva, 2002). Deve-se, pois, investir na idéia de que todo texto é o resultado de outros textos. Isso significa dizer que não são puros. Quando se diz algo num texto, é dito em resposta a outro algo que já foi dito em outros textos. Dessa forma, um texto é sempre oriundo de outros textos orais ou escritos.
Para que haja certa coerência e compreensão da leitura é importante para o leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio, para reconhecer e identificar quando há um diálogo entre os textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando as mesmas ideias de um texto ou apenas contestando o que ali se apresenta.
Simplificando tal fenômeno podemos inferir que a intertextualidade é dizer com outras palavras o que já foi dito, ou usar tais palavras para refutar o que foi dito, ou ainda, a intertextualidade é uma espécie de conversa entre textos; esta interação pode aparecer explicitamente diante do leitor ou estar em uma camada subentendida, nas entrelinhas do texto. De forma a contribuir tanto pra a interpretação como base para a produção textual.

LEITURA

A leitura é a base fortificadora do processo de ensino/aprendizagem. Sendo por meio dela que se solidifica saberes e se constroi conhecimentos, devendo ser priorizada e bem trabalhada na escola, enquanto instituição responsável pela educação e desenvolvimento social, cognitivo e afetivo de seus leitores. Não obstante, ela deve ser reconhecida como elemento de fundamental importância, não só no âmbito escolar, mas de forma geral, é indispensável que a realidade vivenciada em diversas instituições deixa muito a desejar quando se trata da competência do corpo docente em atividades que envolvam o ato de ler e produzir textos, estando essas atividades relacionadas, é importante que ambas sejam trabalhadas juntas, pois não há escritores sem auxilio de uma boa leitura.
Cada vez mais professores, pais, empregadores e outros, independentes da área de atuação, atribuem o fracasso do leitor em suas experiências cotidianas ao fato de não saberem ler, ou seja, de não interpretarem o que foi dito, por não obterem determinado conhecimento de mundo. Outro agravante, aliado a essa constatação, verifica-se nas questões referentes à leitura e a produção textual. É unânime a reclamação da falta de domínio das normas gramaticais preconizadas pela língua padrão e de estratégias textuais.
Além, como se sabe, da falta de capacidade argumentativa, do não exercício da formulação de ideias, conceitos e opiniões próprias. Podemos afirmar também que ler significa não ficar apenas no que dizem os textos, mas incorporar o que eles trazem para transformar nosso próprio conhecimento, desenvolvendo-o, de forma que se aprimore além dos conhecimentos, saberes intrínsecos à vida social. Pode-se ler de forma superficial, mas também se pode interrogar o texto, deixar que ele proponha novas dúvidas, questione ideias prévias e induza a pensar de outro modo.
Compagnon defende que a leitura tem a ver com empatia, projeção e identificação, cabendo ao leitor fazer suas escolhas de leituras, quando estas são impostas, acaba por se ter uma falha na interação do texto com o leitor, este, ler e interpreta, apenas e meramente, por obrigação não se dedicando ou abstraindo do texto o que ele tem de informativo.
Verificamos que o papel do leitor, hoje "é livre, maior, independente: seu objetivo é menos compreender o livro do que compreender a si mesmo; aliás ele não pode compreender um livro se não compreende ele próprio graças a seu livro" (COMPAGNON, 2003, p. 144), nisto verificamos a eficácia da leitura na formação da criticidade do leitor, bem como um profundo reconhecimento de si em suas leituras, abstraindo delas o que de essencial possui para sua formação pessoal e sócio-cultural.
Analisando a literatura contemporânea, viabilizamos certa preocupação com o papel do leitor e como este interage com o texto, verificando como crucial a mediação e orientação do professor e suas estratégias para que a leitura realize-se de maneira eficaz. Assim afirma Compagnon "o problema principal está com o leitor, a quem é preciso ensinar a ler mais cuidadosamente, a superar suas limitações individuais e culturais, a respeitar a liberdade e a autonomia da obra" (2003, p. 144).
Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualização.
Enfim, o trabalho da leitura é um processo no qual o leitor realiza sua construção ativa do significado do texto, partindo de seus objetivos, seu conhecimento prévio sobre o autor, sobre determinadas palavras, contexto histórico e cultural, entre demais fatores referente ao texto e suas significações.

PRODUÇÃO TEXTUAL

Para que o leitor encontre e dê significados ao texto, é necessário que ele saiba que o referente pode não estar claramente expresso. Por isso, precisa saber que traz um enorme repertório de textos em sua memória, embora não tenha clareza e consciência desse fato, que o ajudará a montar as espécies desse jogo da leitura. É preciso mostrar-lhe que, nesse momento, entra toda a sua experiência e vivência para a recuperação dos significados do texto que será mais intensa quanto maior for sua capacidade de inserção nesse processo.
A seleção de textos deve considerar tudo o que a literatura acumulou ao longo de sua história que constitui a produção cultural da humanidade. Desde os gêneros mais conhecidos até as manifestações linguísticas mais prosaicas, uma gama variada de textos deve ser oferecida ao leitor, ao longo de sua vida: narrativos, descritivos, dissertativos, poéticos, jornalísticos, publicitários, instrucionais, enciclopédicos e não-verbais, desde modo trabalhar-se-á a produção inspirada e contextualizada em leituras prévias e embasadas em outros pensadores.
A devida apropriação dos vários sentidos dos textos permitirá ao leitor a formação de um significado mais amplo, que passa por um processo de autoconhecimento, ampliando seu quadro de valores até chegar a uma visão mais crítica da sociedade, dando-lhes embasamento de escrever seu texto. Finalmente, a seleção de textos deve considerar todo o contexto histórico-cultural do leitor, para que este se interessando pela prática da leitura, possa dissertar sobre o que leu, ampliando seus conhecimentos linguísticos de leitura e produção textual.
Enfocando o devido papel da produção textual, notabilizamo-la como um sistema, organizado e estruturado com base em determinados princípios, para que se torne a reprodução da fala. Havendo nas sociedades sistemas de escrita que representam os sons da língua, dentro do nosso sistema, o alfabético, a escrita representa sons ou fonemas.
Facilitar a produção de texto do leitor, dando-lhe as condições ideais para tornar-se um escritor competente, um produtor de significados (e não um mero reprodutor de textos) acaba sendo o centro das discussões ora expostas.
Pressupõe-se que o ato de produzir textos seja uma busca, uma investigação do mundo ou de si mesmo. Essa busca deve proporcionar prazer. Portanto, o prazer é o próprio escrever e assim as atividades que executamos desde criança (brincar, jogar, fantasiar) não só podem como devem ser resgatadas no momento da criação de textos.
Entre as variáveis existentes que garantem as condições ideais para a produção textual, está fazer o leitor refletir sobre as inúmeras possibilidades que o código linguístico lhe oferece para expressar o conhecimento de si, de suas emoções, da própria realidade, incluindo a projeção de seu imaginário por meio de uma linguagem expressiva, marcada de intencionalidades, que procurarão tocar positivamente o leitor. Além disso, inclui-se seu posicionamento ideológico, sua visão de mundo.
Inclui-se também o conhecimento das regularidades da língua, o manejo das estruturas subjacentes, enfim, o domínio de uma gramática do texto. E, principalmente, inclui-se a progressão discursiva, garantidora da coesão e da coerência do texto e responsável pela distinção entre um simples amontoado de frases e um conjunto organizado lógica e semanticamente.

LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL

Diante as especulações a cerca da intertextualidade, da leitura e da produção textual, verifica-se que o conceito de leitura está corriqueiramente restrito a decifração de signos linguísticos, ou seja, da escrita, porém esse processo de leitura dá-se em meio a um processo histórico-social que interfere na formação global do individuo, perfazendo-se assim uma ampliação de suas capacidades sociais.
Historicamente, saber ler e produzir um texto, significa possuir bases de uma educação básica para a vida e para sobrevivência adequada a condição humana, viabilizando não somente o desenvolvimento das faculdades intelectuais e espirituais, mas relacionando estas com aptidões físicas, possibilitando a integração efetiva do individuo com a sua sociedade.
Observa-se diante à evolução dos tempos o aprimoramento da leitura e da produção textual, visto que lendo e interpretando de forma contextualizada a produção escrita será realizada de forma consciente e não mecanizada.
O processo de letramento dá-se erroneamente em nossa sociedade, de modo que se resume a tão somente insignificância da decodificação dos signos linguísticos ou ao aprender por aprender, sendo que a maioria dos letrados limitam-se a fins pragmáticos e funcionais para determinados contextos, não se efetivando assim como leitores e produtores textuais críticos e conscientes de suas ações diante a uma realidade multifacetada, com inúmeras visões de mundo. Criando-se assim mitos a cerca da leitura e da produção de textos.
Voltando os olhos da leitura e produção textual, eficientes e criticas, para a educação de leitores e produtores textuais eficazmente envolvidos e responsáveis pela autenticidade desses processos, com ressalta-se em Martins:


A leitura seria a ponte para o processo educacional eficiente, proporcionando a formação integral do individuo. Todavia, os próprios educadores constatam sua impotência diante do que denominam a crise da leitura (p.25).


Vislumbra-se diante a afirmação feita uma relação intima entre o ato de ler e as suas atribuições aos leitores, havendo assim um pleno desenvolvimento das demais áreas do conhecimento.
A ligação entre leitura e produção textual é compreendida como práticas complementares entre si, fortemente relacionadas que são modificadas durante o processo de letramento, de modo que elas se modificam, transformando-se em seu processo de dinamicidade e evolução. O intertexto possui papel ponderante nesta relação, sendo que este só funciona quando o leitor é capaz de perceber a referência do autor a outras obras ou a fragmentos identificáveis de variados textos. Este recurso assume papéis distintos conforme a contextura na qual é inserido. É possível elaborar um texto novo a partir de um texto já existente. É assim que os textos "conversam" entre si. É comum encontrar ecos ou referências de um texto em outro, para isso entenderemos aqui o significa da palavra intertextualidade o sufixo inter, de origem latina, se refere à noção de relação (entre). Logo, intertextualidade é a propriedade de textos se relacionarem.
"toda unidade de produção de linguagem situada, acabada e auto-suficiente do ponto de vista da ação ou da comunicação" (Bronckart, 1999). O texto é o elemento básico com que devemos trabalhar no processo de ensino de qualquer disciplina. É partindo deste usuário da língua desenvolve a sua capacidade de organizar o pensamento/conhecimento e de transmitir ideias, informações, opiniões em situações comunicativas.

A FORMAÇÃO DE LEITORES CRÍTICOS: INTERTEXTUALIDADE, LEITURA E A PRODUÇÃO TEXTUAL

O processo da leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. Portanto, para a realização do ato de ler é necessário interagir com a diversidade de textos escritos, testemunhando exemplos de leitores ativos, negociando o conhecimento e notabilizando a importância do mesmo na interação leitor/autor, gerando assim plena realização de leitura critica.
Levando em consideração o ato de ler e a produção textual, utiliza-se termos que nos fazem recorrer à reflexão crítica acerca desse processo intrínseco ao desenvolvimento humano, significando, pois que os procedimentos desse processo devem orientar as ações leitora na definição e realização da leitura.
Uma pessoa para se envolver em qualquer atividade de leitura, é necessário que se sinta que é capaz de ler, de compreender o texto, tanto de forma autônoma, como apoiada em leitores mais experientes ou mesmo pelo incentivo e orientação, esta especificamente de outro leitor. Enfatiza-se a leitura de verdade, "aquela que realizamos como leitores experientes e que nos motiva, é a leitura que na qual nós mesmos mandamos: relendo, parando para saboreá-la ou para refletir", (SOLÉ, 1998, p.43). Resignando à leitura um papel essencial na vida social dos indivíduos, moldando saberes, aprimorando conhecimento, proporcionando prazer, uma gama de efeitos, que se agregam em um leitor crítico. Tornando claro que enquanto se lê, as previsões feitas pelo leitor devem ser compatíveis com o texto ou substituídas por outras. Quando as previsões são encontradas, a informação do texto integra-se aos conhecimentos do leitor e a compreensão acontece.
E não há limite para as esferas do conhecimento que podem ser acessadas tanto pelo produtor do texto, quanto por seu receptor. Isto significa que o intertexto não está somente ligado a um dado aspecto social, cultural ou educacional, sendo este existente de forma contundente na formação e desenvolvimento da criticidade dos leitores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentro da cultura letrada notifica-se que o uso da leitura e da escrita está ligado diretamente em todas as ações humanas, mesmo intra e extra pessoais, na mais simples e mais complexa relação humana, ele utilizará seus conhecimentos letrados para sua plena comunicação e até própria postura diante ao outro. Sendo que o enfoque do presente projeto é o ponto que liga esses processos: leitura e escrita e onde eles se envolvem. Sabe-se que lemos o que está escrito e escrevemos partindo de leituras anteriores que servem de base para o que está sendo discutido, é pensar e interpretar o que o outro diz a cerca de determinado assunto, assimilá-lo e disso iniciar a construção dos pensamentos e dos textos, que para serem lidos e aceitos precisarão estar correlacionados a outros e mais outros textos.
É salutar ressaltar a interação entre a leitura comprometida por parte dos leitores, enfocando a leitura ora feita e entendida para o surgimento de um outro texto, criando-se assim uma gama de predisposições para esse texto que terá por base um outro texto que fomente a produção textual.
Diante do exposto, vislumbra-se que todo processo de leitura está envolto ao processo de escrita e vice-versa, de forma direta, ambos os processos despertam interesse de aprofundamentos de forma que não se estará letrando e nem sendo inserido. A intertextualidade está arraigada a ambas as ações de leitura e produção, visto que para que seja produzido um texto o autor se utilize de outros para a sua produção e assim se faz uma grande rede intertextual.
























REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ALMEIDA, Fernando Afonso de. Desvios e efeitos na produção de enunciados. In Boletim da ABRALIM. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2001.


BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Brasília. 1999.

CARVALHO, Marlene. Alfabetizar e Letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2005.

COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e o senso comum. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Desvendando os mistérios do texto. São Paulo, Cortez. 6ª ed. 2009.

____________. A interação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

MARCONI, Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientifico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalho científicos. 6 ed. ? São Paulo: Atlas, 2001.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 25. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. Coleção Temas sociais.

SILVA, Ezequiel Theodoro da. O Ato de Ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. São Paulo, Cortez. 1ª ed. 2005.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998.








 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Ana Christina de Sousa Damaseno é pedagoga pela Faculdade Piauiense (Fap) e acadêmica de Letras/Portugues da Universidade Estadual do Piaui (Uespi).
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