INCLUSÃO DO ALUNO SURDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: NO CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO
 
INCLUSÃO DO ALUNO SURDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: NO CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO
 


INCLUSÃO DO ALUNO SURDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: NO CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO


INTRODUÇÃO

O mundo que vivemos é cheio de imagens e sons, as pessoas privadas de uma dessas percepções são expedidas, freqüentemente, a situação de incapacidade ou deficiência. A surdez é um dos temas poucos explorados pelos educadores, nos aspectos psicológicos, sociológicos, culturais e educacionais. A incompreensão sobre as relações das diferenças entre os alunos/estudantes gera grandes desafios ao processo de desenvolvimento de um trabalho educacional na escola e na educação física, sendo a comunicação um dos fatores prioritários para tal contexto educacional, que é tão pouco discutido entre alguns especialistas.
A aquisição de conhecimento prévio sobre os fatores motores cognitivos e emocionais presentes em cada idade e a identificação do histórico de cada aluno, constitui em preciosas informações para a elaboração de um programa de ensino. Com objetivo de analisar como seria uma aula de educação física para a inclusão do aluno surdo na mesma, buscou-se através de revisões bibliográficas compreender, verificar, identificar, observar e analisar alguns dos fatores que rotulam e permeiam este contexto de ensino tão pouco pautado e ou contextualizado.
Nos capítulos será analisada a contextualização da aprendizagem de modo tal, desta forma conceituada a deficiência auditiva em seus aspectos, observará e confrontara as diferenças metodológicas de se trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais (portadores de surdez), compreendendo-se os benefícios fisiológicos (melhora da capacidade cardiorespiratoria, da flexibilidade, menor fadigação) que as atividades físicas proporcionam, assim observam-se os limites dos alunos com surdez e ou dificuldades na audição dentro das aulas de Educação Física.


CAPITULO I

1 CONTEXTUALIZAÇÕES DA APRENDIZAGEM

A aprendizagem, segundo Coelho (1993), "é o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo já maduro que se expressa diante de uma situação problema, sob a forma de mudanças de comportamento em função da experiência." Para Rochemburg (1999) a aprendizagem constitui-se por processos de assimilação e equilíbrio baseados nas experiências vividas pelo indivíduo. O esporte é apontado como sendo um dos fatores que pode contribuir para a formação de crianças e jovens, invocando benefícios físicos, psicológicos e sociais.
No Brasil, é grande a falta de atendimento adequado às necessidades escolares de crianças com dificuldades de aprendizagem, capaz de diminuir o índice de evasão e repetência escolar Mazzotta ( 2003). A evolução das idéias e práticas relativas aos serviços para pessoas com deficiência e, a inserção escolar coloca inúmeras questões aos educadores, especialistas. Em se tratando de Educação Especial, define-se como:


A modalidade de ensino que se caracteriza por um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação formal dos educando que apresentem necessidades educacionais muito diferentes das da maioria das crianças e jovens. Tais educando, também denominados de "excepcionais", são justamente aqueles que hoje têm sido chamados de "alunos com necessidades educacionais especiais". Mazzotta (2003, p. 11)


Em nossa concepção, as escolas especiais têm papel fundamental no desenvolvimento de crianças, jovens e adultos com deficiência, pois, elas oferecem atendimento especializado, diferente de escolas regulares, que, na maioria dos casos, não tem nada a oferecer a essas pessoas "diferentes", que necessitam de estímulos diferentes, de adaptações, de aceitação.
Atualmente as crianças se dirigem para o ambiente escolar mais cedo. Os centros de educação infantil recebem as crianças para uma função de assistência, orientação e estimulação para a vida escolar e vida adulta. Para Gallahue (apud GRECO, 2001, p. 33) na pré-escola a criança passa pelas seguintes etapas: movimentos reflexos, movimentos rudimentares e movimentos fundamentais. O movimento reflexo se caracteriza pela necessidade de que haja um estimulo para que o movimento se realize. No movimento rudimentar ou voluntário que segundo o autor dividem-se em três níveis: equilíbrio, manipulação e locomotor, por volta de dois anos de idade as crianças deslocam-se em seu ambiente e começam a desenvolver outros tipos de movimentos naturais. Os movimentos fundamentais segundo Gallahue (1989, p. 33) podem ser caracterizados em três momentos: inicial, elementar e maduro.
A homologação no Brasil da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) no. 9.394, de 24 de dezembro de 1996, fortemente influenciada pela Declaração Mundial sobre Educação para Todos (1990) e pelas recomendações da Declaração de Salamanca (1994), desencadeou amplo processo de mudanças no sistema educacional, nos diferentes níveis e modalidades de ensino Chicon (2008, p. 06). Uma dessas mudanças foi à implantação da política de inclusão das pessoas com necessidades especiais na rede regular de ensino, modificando a sistemática de atendimento adotada até então, que segregava essas pessoas em instituições especializadas e em classes especiais.
Com a aprovação dessa lei e com o acordo feito em Salamanca, consolidou-se a proposta da educação inclusiva, segundo a qual as pessoas com necessidades especiais devem participar em condições de iguais do processo educativo das escolas regulares, juntamente com as demais pessoas. A escola de qualquer nível ou modalidade passa a ser. Desta forma a deficiência não torna o aluno um estudante com menores possibilidades, ela sim poderá tem possibilidades diferentes. Nesse aspecto, a deficiência auditiva não deve ser arquitetada como uma falta ou fraqueza, haja vista que o indivíduo pode encontrar, a partir das convivências sociais, outras várias formas de desenvolvimento com base em soluções distintas daquelas tipicamente abertas na cultura ali imposta.
Infelizmente, a cultura surda é bastante pobre. Se na escola os professores agissem como eu almejo, tenho certeza de que os alunos surdos cresceriam mais culturalmente. Não estou me colocar num pedestal, mas a minha vida como surda, e com tantos anos de trabalho com surdos, sempre pesquisando, comprando livros e lendo bastante, vi e vejo que essa é uma forma positiva de ampliar o conhecimento dos surdos. Infelizmente, os trabalhos são muito diversificados nas escolas, não há ainda uma forma homogênea de educação para surdo e isso é até normal, pois, enquanto alguns preferem a comunicação total, outros a língua de sinais, outros o português sinalizado, o bilingüismo, ainda outros a língua oral. Assim, percebe-se que nem os surdos conseguem saber qual seria o melhor caminho a ser adotado. Porém, sem dúvida, o caminho mais importante é dar a eles meios de comunicação seguros. Relato escrito de Dalva, professora surda, Santana (2007, p.21).



CAPITULO II

3 CONCEITUAÇÃO E TERMINOLOGIA DA SURDEZ

Assim como as pessoas que enxergam, as pessoas com deficiências querem ser aceitas e respeitadas como indivíduos, sendo o comprometimento visual apenas uma de suas diversas características pessoais, e não o traço que os define. Os professores devem ter em mente essa citação inspirada pelo atleta Willis,( apud WINNICK, 2004, p. 184)
Ser normal ou não antecede a discussão de que o portador da surdez é diferente ou deficiente. Definir o normal do anormal, não diz apenas respeito a questão biológica e também a questão social. Para Canguilhem, (apud SANTANA, 2007, p. 23), o normal não é o ser humano destituído de norma, e sim aquele que possui características diferentes e não faz parte da média considerada normal, que segue as normas estabelecidas socialmente. Características individuais distintas do esperado não são bem-vistas. Esse processo ocorre tanto em contexto social, quanto são discriminados que não conhecem a norma culta da língua falada e escrita, quando clinica, em que de fato é feita uma "cisão", referendada por uma autoridade, que faz o individuo deixe de pertencer ao normal para integrar o patológico.
O termo deficiência tem sido discutido por vários autores, há muito tempo tem sido utilizado para descrever indivíduos com algum tipo de deficiência, tendo significados diferentes. Segundo Cidade e Freitas (2002, p. 41). A declaração dos direitos das pessoas deficientes, aprovada pela assembléia geral da ONU, em 9 de dezembro de 1975, especifica em seu artigo 1° que: o termo "pessoa deficiente" refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar a si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de suas capacidades físicas ou mentais.

[...] pessoas portadoras de deficiência são seres que possuem potencialidades, limitações e diferenças que os constituem como um ser ímpar. Outro termo também utilizado pelo autor é "pessoa portadora de necessidades especiais, que para ele caracteriza alguém que não é necessariamente portadora de deficiência. É um termo abrangente e define a pessoa como a que apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou altas habilidades, necessitando de recursos especializados para minimizar suas dificuldades. Duarte e Warner (apud CIDADE e FREITAS, 2002, p. 8)


O autor ainda define as deficiências como:

? Deficiência Mental; funcionamento intelectual abaixo da média, limitações e capacidade de responder a demandas da sociedade em aspectos, de comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho.
? Deficiência Auditiva; corresponde à perda parcial ou total da audição, a classificação é feita de acordo com a perda sensorial apresentada (medida em decibéis). Deficiência visual; refere-ser a uma limitação sensorial que pode anular ou reduzir a capacidade de ver, abrangendo vários graus de acuidade visual, permitindo suas classificações.
? Deficiência física (motora); toda e qualquer alteração no corpo, resultado de um problema ortopédico, neurológico ou de má formação, levando o individuo a uma limitação ou dificuldade no desenvolvimento de alguma tarefa motora. Duarte e Warner (apud CIDADE e FREITAS, 2002, p. 8)



Necessita-se que se observem os conceitos, alguns autores acreditam que chamar o indivíduo de "portador de deficiência ou portador de necessidades especiais" entre outras designações, agride menos que chamá-lo de inválido, doente etc. Os estigmas e as discriminações são mecanismos utilizados historicamente em cada cultura, esse cuidado no emprego de expressões é uma necessidade para remoção de barreiras e ou preconceitos. Muitos surdos não se consideram deficientes a maiorias não gostam da terminologia para descrevê-los, preferem ser chamados de "surdos" a serem denominados de portadores de surdez.
Observando Winnick (2004, p. 196) define a surdez como uma perda auditiva tão severa que torna o aluno incapaz de processar a linguagem por meio da audição, com ou sem o uso de dispositivo de ampliação. A perda deve ser severa a ponto de prejudicar o desempenho educacional do aluno. A dificuldade de audição é uma perda auditiva q torna difícil, mas não impossível a compreensão da fala. A magnitude da perda auditiva e da audição remanescente é medida em níveis de decibéis (dB). A capacidade de detectar sons na faixa de 0 a 25 db é o que se considera normal em crianças. A conversa normal ocorre na faixa de 40 a 50 db, enquanto os ruídos na faixa de 125-140 db são tão altos que causam dor. A tabela a baixo representa os graus de perda auditiva em Decibéis (db). Ainda Winnick, (2004, p. 196), estabelece uma tabela para limiar auditivo.

Limiar Auditivo Graus de perda auditiva Dificuldade de entender/ níveis de intencidade
27-40 db Ligeira- perda condutiva Fala baixa
41-55 db Leve- uso de aparelho Fala normal
56-70 db Moderado Fala alta
71-90 db Severa-perda sensoneural Fala gritada
Superior a 90 db Profunda- uso de sinais Qualquer fala (ampliada)
Fonte: Educação Física e Esportes Adaptados, Winnick (2004)

No relatório da Reabilitação Internacional ao UNICEF encontra-se as definições de impedimento, deficiência e incapacidade divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, observa-se da seguinte maneira:

IMPEDIMENTO: um dano psicológico, fisiológico ou anatômico, permanente ou transitório, ou uma anormalidade de estrutura ou função.
DEFICIÊNCIA: qualquer restrição ou perda na execução de uma atividade, resultante de um impedimento, na forma ou dentro dos limites considerando como normas para o ser humano.
INCAPACIDADE: uma deficiência que constitui uma desvantagem para uma determinada pessoa, porque limita ou impede o desempenho de uma função que é considerada normal dependendo da idade, sexo, fatores sociais e culturais para aquela pessoa. Cidade e Freitas (2002, p. 16)

Conforme citado acima sobre as deficiências, entende-se que impedimento como o, a deficiência como a restrição e a incapacidade como a desvantagem. Também que o termo pessoa portadora de deficiência é o mais usado na área e foi adotado pela ONU, caracterizando que a deficiência está na pessoa e não é a pessoa.
Hoje vista na perspectiva de inclusão social e escolar dos alunos com deficiência, ainda destaca-se o documento: Política Nacional de Educação Especial Mec (1997). Este documento propunha-se estabelecer objetivos gerais e específicos referentes a interpretação dos interesses, necessidades e aspirações de pessoas com deficiência, condutas típicas e altas habilidades, modificando a terminologia de portador de deficiência para portador de necessidades especiais. Por meio deste documento, o Ministério da Educação estabelece como diretrizes da Educação Especial, apoiar o sistema regular de ensino para a inserção de pessoas com deficiência, e dar prioridade ao financiamento de projetos institucionais que envolvam ações de integração. MEC/SEED (1994).

CAPITULO III

3 O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA ALUNOS SURDOS

A escolha que um professor faz, por um determinado método de ensino na escola é de grande importância para o sucesso do praticante no processo de ensino-aprendizagem. O método escolhido deverá facilitar o ensino-aprendizagem, bem como preparar o iniciante para o processo de aprendizagem, sem torná-lo maçante ou desmotivante. Deve ainda proporcionar situações-problemas ou oferecer tarefas a executar que estejam adequadas à capacidade do aluno, propiciando-lhe, momento de prazer e alegria Greco (apud CIQUELERO (2010, p.02).
Alunos surdos que são incluídos em escolas regulares sofrem isolamento e privação social, são expostos ao ridículo por professores e colegas, devido ao fato de não terem uma língua em comum com os colegas ouvintes de classe. Lieberman, Dunn, van der Mars e McCubbin (2000, pg. 32) apud WINNICK (2004), provou-se que se um aluno surdo for colocado em uma classe inclusiva, é recomendado que se crie um programa de ensino por colegas tutores, melhorando o nível de atividade física em aulas de educação física inclusiva. Desta forma, os alunos tutores vão aprendendo novos sinais, assim surgem mais oportunidades de sociabilização entre os colegas.
Para Vambommel (2010) um dos maiores entraves entre surdos e ouvintes é a barreira de comunicação estabelecida pela língua e cultura. Ouvintes, já pela própria cultura, sociedade interpretam que a comunicação deve se dar pela oralidade, pelas formas ouvintes sem esta não há comunicação, para os surdos a comunicação se dá pela imagem, gestos e língua de sinais. Já que a maioria é ouvinte, deveria aprender algumas palavras, frases em língua de sinais para começar a estabelecer a comunicação, pois, para os surdos, visto que não possui (fisicamente) canal auditivo competente para ouvir, é necessário que os ouvintes devam esforçar-se para que não haja barreiras de impedimento entre alunos com a surdez e ou dificuldades de audição e alunos sem comprometimentos com a oralidade.
No caso do processo de inclusão para surdos nas aulas de educação física em um contexto geral da escola, cabe não só a escola (professores, pedagogos, diretores), mas a própria família de modo geral confiar nas potencialidades do portador da surdez, considerando-o capaz de trabalhar, de estudar, de ter sua independência, de praticar esportes entre outras tantas coisas que seus amigos, colegas que a sociedade dita normal pode praticar.

3.1 Legislação

A lei de diretrizes de base apresentada pelo MEC/ SEESP (1998) apresenta proposta de uma pedagogia inclusiva, conforme ressaltado por Leite; Oliveira (apud DUARTE e LIMA, 2003, p. 19) aponta entre outras colocações, para um projeto educacional em que todos estejam freqüentando a escola e que esta deve ser uma escola para todos, oferecendo respostas educativas de acordo com as necessidades individuais de aprendizagem, tendo como base a heterogeneidade e a diversidade própria à condição humana.
Art. 3º da lei de julho de 1990, segundo Ldbn (1996) a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
Art. 53.da lei de julho de 1990 segundo Ldbn (1996) a criança e o adolescente têm direito à educação, visando o pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.
Ainda segundo Ldbn (1996) a contituição federal de 1988 relata no art. 208. O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de:
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de 0 a 6 anos de idade
O Art. 58, da Ldbn (1996) entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais:
Na Lei nº 10.436/02 (2002) Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.

3.2 A prática da atividade física para surdos

Os surdos podem e devem praticar qualquer tipo de esporte e de atividade rítmica. Nos esportes, há poucas necessidades de qualquer adaptação na forma de ensinar, conduzir ou arbitrar (jogos, brincadeiras e cantigas). Tampouco há adaptações nas regras de cada modalidade. Já as atividades rítmicas, se envolverem coreografia, costumam demandar um pouco mais de tempo de treinamento e/ou repetição dos gestos, devido à necessidade de internalizar o tempo e o andamento da execução dos movimentos sem o auxílio de uma trilha sonora.
Dentre as inúmeras possibilidades de estudos que a educação física permite, elegemos uma para nossas observações: o ritmo e a pessoa surda. A escolha do tema é pertinente às inquietações de quem trabalha com atividades rítmicas para pessoas surdas, e sente a necessidade de subsídios para discussões nessa área. Gorla (2008, p. 37).

O ritmo deve ser trabalhado como auxiliador nas aulas de educação física com os estudantes surdos, tendo suas limitações que devem ser observadas e adaptadas pelo professor. O quadro de atividades para educando surdos deve conter segundo Bueno e Rese (apud GORLA, 2008, p. 37) exercícios de coordenação dinâmica geral, tais como a marcha, a corrida, o salto e suas variações, exercícios de equilíbrio e suas variações; controle segmentário dos membros superiores e inferiores: exercícios de contração e descontração, balanceios, rotações, variações de ritmo, de intensidade (forte, fraco), de níveis ( alto, baixo e médio), orientações espacial; estruturação espaço- temporal; conhecimento do corpo e esquema corporal.
O desenvolvimento motor de crianças surdas costuma seguir os padrões de normalidade, não havendo, portanto, nenhuma restrição à prática de atividade física. Quando a surdez é acompanhada de outra deficiência ou de algum outro comprometimento, as possíveis restrições estarão relacionadas a esses outros problemas.
Segundo Filha (p.04), observam-se algumas estratégias de ensino e orientações ao professor, sobre a prática com o aluno surdo suas possibilidades e limites.

Estratégias de ensino:

SINAIS VISIAIS: Cartelas coloridas ou bandeiras podem substituir comandos de voz; figuras podem indicar o movimento a ser feito; números podem evidenciar seqüências de atividades, ou a repetição de uma atividade já realizada, ou o número da tarefa a ser executada, ou a quantidades de crianças que devem se agrupar.

DEMONSTRAÇÃO: O professor costuma ser o modelo, mas é possível solicitar que os próprios alunos façam demonstrações.

Orientações ao Professor:

COM RELAÇÃO AO RELACIONAMENTO: Enxergar mais a criança que a deficiência; Considerar as limitações, mas enfatizar as capacidades; Estar informado sobre a etiologia, o local e a gravidade da surdez; Ser paciente e acolhedor, sem deixar de estabelecer limites.
COM RELAÇÃO À COMUNICAÇÃO: Falar de frente, em velocidade normal, quando a criança estiver olhando; Usar frases curtas e simples, mas corretas; Usar gestos, se necessário, e esforçar-se para entender os gestos das crianças; Recorrer a outras formas de comunicação (desenho, escrita, mímica), sempre que for necessário; Aprender LIBRAS; Não misturar a LIBRAS com o Português.
COM RELAÇÃO À PRÓTESE AUDITIVA (quando houver); Não mergulhar na água, nem molhar; Não permitir o uso durante lutas ou acrobacias; Incentivar o uso durante atividades rítmicas (exceto dentro d?água); Se o molde estiver pequeno para a orelha da criança, retirar antes de qualquer atividade física; Guardar os aparelhos em local seguro para que não se quebrem ou se misturem.
Apesar de o movimento ser uma área que não depende muito de comandos auditivos, a recepção feedback em relação ao movimento do individuo pode ser problemático, como a fala é usada durante a educação física os alunos terão dificuldades para aprender. Geralmente os comandos auditivos distorcidos ou ausentes podem ser substituídos por visuais, poucas regras, equipamentos, locais ou habilidades requerem modificações. Para Graziadei (1998, pg. 21) apud Winnick (2004), o ensino de aspectos conceituais da educação física a de alunos surdos pode ser problemático, em uma classe de alunos que escutam e que o professor não é fluente na língua de sinais.
Por se tratar de crianças/ alunos que não costumam utilizar a fala, estes muitas vezes tem uma respiração "curta", ou seja, não enchem completamente os pulmões, assim deixando de aumentar a caixa torácica, deixando de exercitar os músculos envolvidos nos movimentos da respiração, as atividades aeróbicas são de tal importância para estes, pois trazem benefícios relevantes para alunos com dificuldades de audição e ou portadores de necessidades especiais.

3.2 BENEFÍCIOS FISIOLOGICOS PROPORCIONADOS PELAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

A prática da atividade/exercício físico é um dos principais elementos utilizados pelas pessoas em busca de melhor qualidade de vida, essa prática leva desde a melhora das capacidades físicas, cardiorrespiratórias, liberação do hormônio adrenalina, aos seus praticantes até a melhor interação em suas relações com a sociedade/comunidade e entre outros benefícios atribuídos a prática de atividades físicas.

Aos 15 anos, 75% das crianças que estiverem envolvidas em esportes organizados abandonam as atividades. Isso sugere que muitos dos programas esportivos para jovens são organizados de uma forma que não promove interesse da criança, mas sim o interesse dos adultos envolvidos. A estrutura dos jogos e as expectativas dos adultos por desempenho devem ser revistas de modo a levar em conta os interesses e o desenvolvimento das capacidades das crianças, proporcionando uma experiência desportiva mais positiva na infância e, dessa forma, lançando as bases de um envolvimento duradouro. Sullivan; Anderson apud (2004, p.24)


O ambiente escolar é um local do meio social onde uma das funções da escola é formar integralmente o aluno e levando em consideração que a educação física, como atividade esportiva participa deste movimento colaborando com suas atividades, parte-se do pressuposto de que os jogos e exercícios desenvolvidos nas aulas desenvolvem as habilidades, capacidades e competências que vão ao encontro dos objetivos da escola. Para que os alunos desenvolvam tais habilidades, capacidades e competências, os professores propõem os jogos e exercícios, e o que acontece é que a competição manifesta-se neles. Muitas vezes, os resultados não trazem o que foi desejado, criando discussões, atritos e intrigas entre alunos e na relação aluno/professor.
Segundo Gallahue e Ozmun (2001, p. 03) fatores extrínsecos influenciam diretamente no índice de desenvolvimento, e sabe-se que as crianças podem desenvolver muitas habilidades motoras precocemente na vida, mas ainda não se sabe ainda a melhor época para introduzir muitas habilidades.
A Educação Física começa a se preocupar com a atividade física e o esporte para pessoas com necessidades especiais apenas, aproximadamente, no final dos anos de 1950, e o enfoque inicial para a prática dessas atividades foi o médico. Os programas eram denominados ginástica médica e tinham a finalidade de prevenir doenças, utilizando para tanto exercícios corretivos e de prevenção, ou seja, eram relacionados com a reabilitação Costa e Souza (2004). Em outras palavras, podemos dizer que um programa de Educação Física geral não conseguiu abranger a especificidade das pessoas com necessidades especiais, então, a Educação Física Adaptada veio para suprir essa lacuna existente, realizando uma ação paralela à Educação Física geral, desenvolvendo programas de atendimento às pessoas portadoras de necessidades especiais em ambientes segregados e em espaço-tempo diferentes dos trabalhos realizados com pessoas que não apresentam necessidades especiais.
Pode-se compreender a Educação Física como uma área com a responsabilidade de desenvolver o ser humano através da atividade física, com uma contribuição educacional relevante a todos os indivíduos, relacionada com o desenvolvimento motor e a aptidão física para o bem-estar e saúde. Ela pode auxiliar a desenvolver a consciência coletiva, a criatividade, a criticidade, o significado de cooperação e o sentido de cidadão. A Educação Física escolar, sendo adaptada ou não, pode ser uma forma de proporcionar ao aluno uma oportunidade de realizar e aprender novos movimentos, de lazer e recreação, de aprendizagem de novos jogos e brincadeiras e também uma oportunidade de competição e integração com outros alunos, servindo a objetivos educacionais ligados a sua independência e aos contatos sociais.
Destacamos que a Educação Física, enquanto área de atuação junto ao ser humano deve ser flexível a ponto de atender a todos. Neste sentido, acreditamos que não é a Educação Física que muda, quando atua com um ou outro indivíduo, mas, sim, a postura do profissional, que mesmo em tese, deve estar preparado para atuar junto a todas as pessoas, sejam elas deficientes ou não. A Educação Física para estudantes com necessidades especiais nada mais é do que a adequação de metodologia, adaptação de materiais e técnicas que venham atender as diferenças individuais de cada portador de deficiência. Visto que, tais adequações, devem ser baseadas nos tipos e características das deficiências para que possa oportunizar a todos a participação no maior número de atividades possíveis, visando, desta forma, sua melhora a nível motor, afetivo, cognitivo, assim como a interação e integração com as demais pessoas Nogueira (2000).
Aviz (1998) ressalta que a atividade física/esporte pode significar para o portador de deficiência, o desenvolvimento da auto-estima, a melhoria da sua auto-imagem, o estímulo à independência, a integração com outras pessoas, uma experiência enriquecedora com seu próprio corpo, além de uma oportunidade de testar suas possibilidades, prevenir-se contra deficiências secundárias e integrar-se consigo mesmo e com a sociedade. Deve-se considerar também o interesse em particular de atividades físicas ou esportes seja em busca de prazer, diversão, competição ou busca de uma melhor qualidade de vida.
Por desconhecimento, receio ou mesmo preconceito, a maioria das pessoas com deficiência foram e são excluídas das aulas de Educação Física (EF). A participação nessa aula pode trazer muitos benefícios a essas crianças, particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades afetivas, de integração e inserção social. PCN (1997).

A Educação Física para alcançar todos os alunos deve tirar proveito dessas diferenças ao invés de configurá-las como desigualdades. A pluralidade de ações pedagógicas pressupõe que o que torna os alunos diferentes é justamente a capacidade de se expressarem de forma diferente. Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 85)

O processo de ensino aprendizagem, a respeito dos conteúdos escolhidos deve considerar as características dos alunos em todas as suas dimensões (cognitivas, corporais, afetiva, ética, estética, de relação inter pessoal e inserção social). Não se restringe a simples exercícios de certas habilidades corporais e exercê-las com autonomia de maneira social e culturalmente significativa.
Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), diz que a Educação Física deve oportunizar a todos os alunos, independente de suas condições biopsicossociais, o desenvolvimento de suas potencialidades de forma democrática e não seletiva, visando o seu aprimoramento como seres humanos. Nesse sentido, cabe assinalar que os alunos com deficiência não podem ser privados das aulas de Educação Física, visto que ela faz parte do processo de educação, sendo bem trabalhada, instruída poderá trazer inúmeros benefícios para os cidadãos e sociedade em geral.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considero que os professores de Educação Física ou responsáveis pela inclusão do aluno com deficiência física no contexto escola em geral, devem ter conhecimento básico dos princípios metodológicos a serem proporcionados em suas aulas. Na escola bem como em escolinhas de iniciação esportiva, pois estes têm uma relação com o aprendizado do aluno, com a seleção das atividades motoras a serem propostas, com as diretrizes pedagógicas, com a idéia que se tem da formação do aluno ou atleta. Desta forma, os princípios metodológicos mal oportunizados ou tão pouco, deixam de desenvolver a criatividade destes alunos.
Observar e tentar entender como o aluno surdo é incluído na sociedade, é de grande importância conhecer, procurou-se nesta pesquisa, por um lado, clarificar os aportes teóricos sobre a inclusão do aluno surdo nas aulas de Educação Física no contexto escolar e como estará se objetivando para o aprendizado dos alunos. Assim enfatizando o objetivo final da pesquisa, para com que os alunos, pais, responsáveis e a sociedade em geral possam ter uma maior visão e compreensão dos benefícios que a iniciação esportiva traz, quando trabalhada de forma correta respeitando as individualidades biológicas, a genética, as atividades praticadas e oferecidas na escola e em locais de iniciação do processo de ensino/aprendizagem. Quais as limitações dessa atividade e algumas das possibilidades de inclusão do aluno surdo nas aulas de Educação Física no contexto escolar.
Espero que outros estudos possam ser realizados em nossa sociedade a fim de que se possam conhecer, em outros cenários e faixas etárias, como os professores proporcionam o ensino da educação física para portadores de deficiência física (surdez) em nossa sociedade, visto que os esportes são praticados e queridos pelos nossos alunos, jovens e crianças brasileira.
REFERÊNCIAS

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