GÊNERO ARTIGO DE OPINIÃO: CONSTRUÇÃO DE SEQUÊNCIAS DIDÁTICO - PEDAGÓGICAS
 
GÊNERO ARTIGO DE OPINIÃO: CONSTRUÇÃO DE SEQUÊNCIAS DIDÁTICO - PEDAGÓGICAS
 


GÊNERO ARTIGO DE OPINIÃO: CONSTRUÇÃO DE SEQUÊNCIAS DIDÁTICO - PEDAGÓGICAS

Marcos Paulo de Souza *


RESUMO

Este artigo observa a função do gênero artigo de opinião e sua importância para o ensino-aprendizagem na produção textual dos alunos do Ensino Fundamental e Médio. Realizamos uma pesquisa teórica e bibliográfica com abordagem descritiva e explicativa. Como resultados há orientações, seqüências didáticas e métodos de avaliação com o intuito de auxiliar os docentes frente às dificuldades encontradas para realização desse trabalho. Utilizamos as concepções e estudos de Bakhtin (1997), Bronckart (1997, 1999), Dolz (1996, 2004) e os artigos científicos de Barbosa, J ( ) e Gurgel, T (2009).
Palavras- chave: Gênero Artigo de Opinativo. Construção de Seqüências Didática- Pedagógicas. Interacionismo sócio discursivo.

INTRODUÇÃO

Ao tratar do ensino e da aprendizagem do artigo de opinião, nos deparamos com dificuldades tanto por gestores e professores, quanto pelos alunos, que não manifestam com segurança o seu discurso, porém, acreditamos que podemos reverter essa situação.
Muitos estudiosos estão repensando as formas e caminhos para leitura e produção textual na escola e sugere que o professor observe a linguagem como situação de interação visando o ensino e a aprendizagem. Também os PCNs apontam para a importância da interdisciplinaridade e o docente como responsável por esse processo. (PCN Ensino Médio, Apresentação p.4 - devemos possibilitar que os alunos construam
seu conhecimento, respeitando o fato buscamos dar significado ao conhecimento escolar, mediante a contextualização; evitar a compartimentalização, mediante a interdisciplinaridade; e incentivar o raciocínio e a capacidade de aprender.

*Aluno especial de Mestrado em Educação pela Universidade São Francisco- Campus de Itatiba S.P e Professor BII Efetivo da Rede Estadual de Ensino de São Paulo. [email protected]

Os PCNs cumprem o duplo papel de difundir os princípios da reforma curricular e orientar o professor, na busca de novas abordagens e metodologias. Ao distribuí-los, temos a certeza de contar com a capacidade de nossos mestres e com o seu empenho no
aperfeiçoamento da prática educativa. Por isso, entendemos sua construção como um
processo contínuo: não só desejamos que influenciem positivamente a prática do professor, como esperamos poder, com base nessa prática e no processo de aprendizagem dos alunos, revê-los e aperfeiçoá-los.)
Pressupomos também de que o individuo possui certo conhecimento que foi adquirido fora da escola, uma cultura e diversidade de língua própria.
Cabe à instituição escolar propiciar aos alunos condições para se inserirem em ações que envolvam leitura e produção de gêneros discursivos.
Observamos também uma disparidade entre teoria e prática pedagógica nas escolas, pela falta informações e orientações para a prática do professor. Embora ele acredite ter os conhecimentos teóricos oriundos de sua formação acadêmica, grande parte dos professores ainda adotam práticas que demonstram apenas a compreensão da linguagem como um simples instrumento de comunicação.
(Barbosa, J. 2000) Considera que a formação continuada de professores e demais educadores deva ser privilegiada, sem o que a prática de sala de aula não sofrerá mudanças substanciais na direção pretendida. Desta forma, os docentes ficam sem saber como executar suas práticas pedagógicas adequadamente, causando desinteresse pela leitura e pelo trabalho com gêneros e contribuindo para analfabetismo funcional em pleno século XXI.
Como resultado, muitos docentes continuam analisar a língua ainda como código formal e por estruturas que transmitem conhecimentos e experiências apenas restritas as aulas de português e ao ensino de gramática que se limita a nomenclaturas e atividades de classificação de palavras e orações.
Exemplificando essa situação:

CLASSE FUNÇÃO
Substantivo Sujeito
Adjetivo Predicado
Verbo Predicativo do Sujeito
Advérbio Adjunto Adnominal
Pronome Complemento Nominal
Numeral Complemento Verbal
Artigo Objeto Direto
Preposição Predicativo do Objeto
Conjunção Objeto Indireto
Interjeição Adjunto Adverbial
Vocativo
Aposto

Nota-se, com essa divisão, que uma categoria é bem diferente da outra. De fato, cada uma é utilizada com fins distintos dos da outra. Vamos tentar captar essa diferença por meio de exemplos: a palavra mesa, apresentada dessa maneira, já pode ser classificada em uma das classes, mas não em uma das funções. Dentro do primeiro grupo, ela pode ser classificada sem maiores problemas como um substantivo.
No segundo grupo, no entanto, não se pode dizer que ela seja, por exemplo, sujeito. Ela o seria, de fato, na oração a mesa é grande, mas faria parte de um adjunto adverbial na oração sentei-me à mesa. Depreende-se, daí, que a classe de uma palavra é determinável sem ela estar em uma oração (contanto que ela tenha um significado determinado). Já a função sintática só é determinável no contexto de uma oração

Alguns também acreditam que a frase é uma unidade pura e incontestável para análise e realizam atividade independente do contexto, objetivando a analogia à gramática textual com identificações e classificações morfológicas dos elementos e segmentos. Não há preocupação com as escolhas lingüísticas e da procedência e contexto em que os textos são produzidos.
Conseqüentemente, a escrita torna-se distante e sem significado, com situações artificiais que não permitem ao aluno uma motivação a escrever já que seu texto é avaliação pela quantidade de acertos e erros gramaticais e não há um interesse pelo conteúdo, pela forma com que foi escrito, se ele atingiu ou não os objetivos e o domínio da estrutura do gênero. Assim, o aluno não encontra razões para produzir, visto que ninguém se preocupa com o que esta sendo expresso, mas sim se a gramática teve seu efeito e aula de Língua Portuguesa se torna inútil e sem sentido.
Nessa situação o docente se vê preocupado como resultado das produções, já que o mesmo também é cobrado de diversas maneiras e sente-se perdido quando as estratégias que deve usar para uma produção textual que seja coerente. Para reverter essa realizada surge o trabalho com os gêneros e nossas sugestões para construção de seqüências didáticas apropriadas para o ensino da produção de textos, em especial para o gênero artigo de opinião, a aplicação dessa proposta aos alunos e como avaliar os efeitos e a evolução nas construções das produções de textos.
Para as atividades que apresentamos tomamos referência Bakhtin (1997) que assume a concepção de gênero, como sendo tipos relativamente estáveis de enunciados que são elaborados pelas diferentes esferas de utilização da língua. Portanto, este artigo visa inserir uma proposta de produção escrita baseado no gênero artigo de opinião e que motive o aluno a pensar e refletir através da leitura com objetivo de provocar reações e que se sinta instigado a escrever e se expressar quanto cidadão crítico, percebendo a escrita e a leitura como fundamentais para seu conhecimento e não como somente uma exigência para uma determinada disciplina escolar.


1 ? DIFICULDADE ENCONTRADA PARA DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO COM ARTIGO DE OPINIÃO

Anterior mesmo à alfabetização, os alunos precisam interpretar, decifrar o que vêem, pois no cotidiano estamos em contato com diferentes textos e gêneros, espalhados em locais públicos tais como: placas, sinais e letreiros que nos passam informações importantes para viver em sociedade e harmonia. Tudo que está ao nosso redor é uma forma de texto e gênero e, portanto, uma possibilidade de leitura: imagens, movimentos, falas, olhares, gestos, palavras, cartazes, livros, etc. Lemos o que o mundo nos mostra e interpretamos, por isso, uma proposta de trabalho com gêneros textuais é essencial, pois o mesmo é a base para interação humana.
Os meios mais comuns de trabalho em sala de aula ainda são os livros didáticos e paradidáticos, entretanto, atualmente existem algumas propostas para o trabalho com gêneros diversificados já reconhecidos, como exemplo os PCNs. Porém, os professores relatam que se confunde na forma de como trabalhar, pois o trabalho com os gêneros discursivos é muito mais amplo. Conforme definido por Bakhtin ? como sendo a cristalização de formas de dizer sócio-historicamente constituídas. Então, trabalhar com gêneros discursivos pressupõe tudo que veio anterior a eles e suas características. Bakhtin (1997) Os gêneros são formas relativamente estáveis de enunciados ao conteúdo, á composição estrutural e aos contextos (condições e finalidades) nos quais estão inseridos. É por esta dependência com relação ao contexto que eles são historicamente variáveis. Assim a imensa diversidade de gêneros é que forma a língua.
Dessa forma a proposta de trabalho com o gênero artigo de opinião deve levar em consideração todo esse contexto o que ainda está longe de se concretizar na escola. Os poucos professores que começam a trabalhar relatam extrema dificuldade, num primeiro momento por que muitos não compreendem a dimensão do trabalho e aqueles que têm essa consciência, não sabem como fazê-lo e não tem apoio dos demais docentes em outras disciplinas. Daí á grande importância da formação continuada específica para o trabalho com os gêneros e de artigos científicos que tragam sugestões e experiências.


2. GÊNEROS DO DISCURSO E SUA IMPORTÂNCIA


Segundo Bakhtin, a língua quando analisada como um fato social, cuja existência se funda nas necessidades da comunicação. Demonstra seu uso significativo na arte de comunicar, da mesma forma, os Gêneros discursivos inter-relacionados buscam revelar as diferentes intenções do autor (informar, persuadir, seduzir, recomendar) empregadas na comunicação.
O gênero discursivo é configurado pro três elementos:
1) Conteúdo temático : refere-se a abordagem dos temas, considerando o tempo e o contexto;
2) Estilo: relaciona-se à seleção dos recursos léxicos, fraseológicos e gramaticais utilizados para compor o gênero.
3) Construção composicional : diz respeito às formas de composição e acabamento dos enunciados.
Ainda segundo Bakhtin, os gêneros discursivos podem ser classificados em primários (simples) ou secundários (complexos), esses geralmente ocorrem de forma escrita. Porém eles não são impenetráveis já que durante o processo de sua formação dos gêneros secundários absorvem e transmutam os gêneros primários. Ou seja, toda produção textual estruturada a partir de um determinado gênero, acabará recebendo influências do próprio aluno.
Podemos então afirmar que é extremamente importante conhecer o gênero que se deseja utilizar para que se tenha um bom desempenho comunicativo textual. (Bakhtin): "É de acordo com nosso domínio dos gêneros que usamos com desembaraço, que descobrimos mais depressa o melhor da nossa individualidade neles..."
Quando se trabalha com os gêneros textuais como auxiliares na criação, ocorre a significação da escrita, possibilitando a relação entre língua e sociedade, sociabilizando linhas ideológicas, resultando, desse modo, em crescimento e conhecimento.


3 ? IDENTIFICAÇÕES DO GÊNERO ARTIGO DE OPINIÃO

Para o aluno compreender e identificar o gênero artigo de opinião, citamos Dolz e Schneuwly (1996) que propuseram agrupamentos de gêneros, elaborados com base em três critérios:

1- domínio social da comunicação a que os gêneros pertencem;
2- as capacidades de linguagem envolvidas na produção e compreensão desses gêneros;
3- sua tipologia geral.

Dessa forma propõem cinco grupamentos, que supõem a aprendizagem de capacidades e operações diferenciadas por parte dos alunos:

a) gêneros da ordem do narrar ? cujo domínio de comunicação social é o da cultura literária ficcional.
b) gêneros da ordem do relatar ? cujo domínio de comunicação social é o da memória e o da documentação das experiências humanas vivenciadas.
c) gêneros da ordem do argumentar ? cujo domínio de comunicação social é o da discussão de assuntos sociais controversos, visando um entendimento e um posicionamento perante eles.
d) gêneros da ordem do expor ? que veiculam o conhecimento mais sistematizado que são transmitidos culturalmente ? conhecimentos científicos e afins.
e) gêneros da ordem do instruir ou do prescrever ? que englobariam textos variados de instrução, regras e normas e que pretendem, em diferentes domínios, a prescrição ou a regulação de ações.


Escolhemos um texto com a finalidade de identificar e ter um primeiro contato com o gênero artigo de opinião:



O BRASIL E SUA BIODIVERSIDADE
O Brasil está emergindo no cenário global e pode ser mais que uma potência convencional. Ele abriga um quinto de todas as espécies conhecidas e dois terços das florestas tropicais existentes. Essa rica variedade de plantas e animais, ou a biodiversidade, pode fazer do Brasil uma potência verde.
O que é essa tal de biodiversidade? Em poucas palavras, é a vida que nos rodeia, de organismos que fertilizam o solo a florestas que fornecem chuva para regar culturas agrícolas. Essa complexa rede de vida nos nutre, nos veste e provê a base para nossas economias. Somos totalmente dependentes dela.
A biodiversidade está em risco. O mundo não conseguirá atingir a meta global de conter a perda da biodiversidade até 2010.
Continuamos a perder espécies a taxas nunca antes vistas. Se formos reverter essa tendência, precisamos trabalhar contra os vetores de perda e transversalizar o tema em políticas públicas.
Muitas pessoas estão trabalhando para transformar esses desafios em oportunidades.
Em recente visita ao Acre, vi como o Estado busca integrar crescimento econômico, proteção do meio ambiente e inclusão social.
Vi a fábrica de preservativos feitos de látex de seringueiros locais, a produção de pisos e telhas com madeira certificada e projetos de geração e renda por meio da produção de castanhas e frutas ? tudo sem desmatar ilegalmente.
Devemos continuar o trabalho para proteger a biodiversidade e os ecossistemas: fortalecer as áreas protegidas, avaliar a contribuição delas para as nossas economias e apoiar a pesquisa científica para entender melhor como conservá-los.
A preservação da biodiversidade e a estabilidade do clima são intrinsecamente ligadas, especialmente no Brasil. O chamado mecanismo de emissões por desmatamento e degradação (REDD) poderá evitar emissões e ao mesmo tempo conservar a biodiversidade e reduzir a pobreza de pessoas que dependem diretamente das florestas para sua sobrevivência.
O maior desafio no Brasil é o gerenciamento sustentável do uso da terra, o que inclui a sustentabilidade do setor agrícola. Pesquisas de ponta da Embrapa e técnicas como o plantio direto prometem fortalecer a produção agrícola promover ganhos ambientais.
O desafio será fazê-lo ao mesmo tempo em que se protegem a Amazônia e o cerrado.
Vinte e dois de maio foi o Dia, e 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. Datas importantes para que reflitamos sobre o valor que atribuímos aos frágeis ecossistemas da Terra. Eles estão sob ameaça. Ao ameaçá-los, estamos colocando em risco nosso bem-estar e nossa prosperidade.
Em outubro, no Japão, haverá a décima reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica.
O Reino Unido espera que cheguemos a um acordo quanto a uma nova meta global de redução da perda de biodiversidade e ao estabelecimento de um regime internacional sobre acesso à biodiversidade e repartição dos benefícios que dela derivam.
Esperamos poder continuar trabalhando com o Brasil para assegurar a conservação e o uso sustentável da biodiversidade global.
Alan Charlton, artigo Folha de São Paulo, Brasil,


Elaboramos também uma tabela para auxiliar o aluno no contato com o artigo de opinião e suas particularidades.

Características dos Artigos de Opinião
A quem se destina
Finalidade para a produção Veículo utilizado (meio)
Produto Final
1º.

2º.

3º.

4º.




4 ? RAZÕES PARA O TRABALHO COM O ARTIGO DE OPINIÃO NA ESCOLA


A escola deve abordar o cotidiano ligado ao ensino das disciplinas e não ser uma instituição que repete informações, mas sim, um local sócio discursivo que os alunos e docentes pudessem a partir de situações reais chegarem ao conteúdo que é fundamental para aprendizagem.
Nessa proposta, o gênero artigo de opinião torna-se um meio interessante de aprendizagem, já que tem como prioridade a leitura e a escrita num processo no qual o aluno constrói seu conhecimento.
Como primeiro passo, temos promover o contato dos alunos com diversos jornais e textos para assimilarem as características do gênero e para quem se destina o texto, finalidade para produção, o veículo e o produto final.
Assim o aluno amplia seus conhecimentos, busca fontes de argumentos para seus pensamentos e entende que um fato ou acontecimento derivam de idéias e leituras anteriores. O professor deve instigar essa leitura crítica em sala desempenhando o papel de formar opinião e motivando para a leitura e a escrita.



4.1 ? CARACTERÍSTICAS DO ARTIGO OPINATIVO


O artigo de opinativo é um gênero do discurso que busca convencer a outra pessoa de uma determinada idéia, influenciar e transformar seus valores através da argumentação de uma determinada posição de quem produz e de outras opiniões divergentes. Para tal é necessário sustentar as afirmações com dados consistentes que possam convencer.
É indispensável para produção de um artigo de opinião uma situação e uma questão para ser debatida, referente a algum tema que seja capaz de criar uma polêmica.
Exemplificando uma notícia que pode ser debatida para confecção de um artigo de opinião:

01/10/2009 - 06h11
Ministério da Educação cancela prova do Enem
da Folha Online
Atualizado às 07h39.
O MEC (Ministério da Educação) cancelou a prova do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) que seria realizada neste fim de semana, após denúncia feita pelo jornal "O Estado de S.Paulo" que apontou vazamento do conteúdo das provas.
De acordo com informações do MEC, uma nova prova deve ser realizada no prazo de 45 dias --o teste já está pronto, mas é preciso prazo para realizar a impressão, informou o ministro Fernando Haddad na manhã desta quinta-feira.
"Os indícios de que houve furto de exemplares são fortes. Não nos resta alternativa a não ser adiá-la [a prova]", disse ao "Bom Dia Brasil", da Globo.

Na sala de aula o artigo de opinião leva a debates sobre diversos assuntos e pontos de vista e forma um leitor crítico e argumentativo, além de proporcionar sentido à produção e motivar o aluno a escrever sobre algo com o qual poderá ter contato pesquisando ou escrevendo sobre algo do seu cotidiano.
Trabalhando com os gêneros facilitamos um crescimento do aluno quanto cidadão, pois o mesmo pode argumentar e relatar sua posição perante fatos e idéias, comparando, observando e concluindo situações que poderá usar em sua vida.


4.2 LINGUAGENS ESPECÍFICAS


Um artigo de opinião possui e constrói um conteúdo temático de forma bem estruturada e característica pelo uso da denotação, argumentação bem elaborada baseada em fatos concretos, lógica e adjetivação.
O desenvolvimento do texto acontece pelo confronto de informações com o fato contrário. É necessário estabelecer uma relação entre o autor e o leitor. Mais uma característica e o uso dos tempos verbais no presente do indicativo ou do subjuntivo na apresentação de uma questão, da argumentação e da contra-argumentação e o uso das aspas para indicar um pensamento de outro escritor ou para questionar uma frase, palavra ou expressão e claro, a presença organização discursiva.
Compreender a linguagem do gênero opinativo permite ao aluno uma noção mais real e verdadeira sobre a intenção do texto, tornando-o mais crítico e responsável pela escrita e análise do fato em questão.


5 ? SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS


(DOLZ, 1996) Pressupõe um modelo de seqüências didáticas em progressão para produção do artigo opinativo. Nessas seqüencias relata com conjunto de ações que envolvem a leitura, escrita e análise da lingüística e um estudo dessas três situações relacionadas ao ensino e a aprendizagem da língua.


Modelo de seqüências didáticas:


Æ Ê

PRODUÇÃO INICIAL ó M Módulo 1 ó Módulo 2 ó Módulo 3 ó PRODUÇÃO FINAL

Ç Ã


Inicia-se pela apresentação da situação de produção onde os alunos realizam a leitura e a discussão dos textos com enfoque no tema sobre o artigo de opinião que irão produzir. Após essa etapa elaboram uma primeira verso do texto e o professor realiza um diagnóstico para realizar atividades de leitura e análise lingüística onde surgem situações que estão presentes na primeira produção para assim desenvolver nos alunos uso do gênero artigo de opinião até a produção final. Ao término do trabalho espera-se que os alunos apresentem os conhecimentos construídos ao longo das atividades realizadas e para que o professor analise o sucesso e a progressão comparada á primeira produção, avaliando, portanto, os alunos em comparação com a última produção. Em casa uma das ações o professor deve deixar bem claro objetivo, o conteúdo, a metodologia que irá aplicar e o material que irá utilizar como recurso.
O planejamento e execução do trabalho têm como base a concepção do interacionismo sócio-discursivo conforme Bronckart (1999), que afirma: a atividade de linguagem resulta da apropriação, pelo ser humano, das propriedades da atividade social mediada pelo uso da linguagem. Portanto, toda ação de linguagem tem uma decisão que é individual, pessoal, mas ao mesmo tempo de fatores socioculturais e do contexto onde o sujeito está inserido. Ainda segundo Bronckart, as condições de produção do texto são: o assunto, o objetivo, o destinatário, o local de circulação do texto, o lugar social e o gênero a ser produzido.
O gênero realiza-se baseado nas condições de produção e está fortemente ligado a fatores individuais e do contexto, também em permanentemente elaboração e reelaboração ao decorrer de sua história e nunca está acabado.
A partir das afirmações de Bronckart sobre linguagem e texto é que confirmamos que utilizar um artigo de opinião em uma situação específica é atividade de linguagem de forma planejada em função desta situação e da interação sócio discursiva.
Realizamos uma seqüência para o trabalho e produção do gênero artigo de opinião para o docente com base no interacionismo sócio-discursivo.
Dolz (1996) relata que para permitir que o aluno tenha domínio da nova linguagem e das praticas dos gêneros textuais é necessária uma seqüência que deve ocorrer a partir do surgimento das suas próprias necessidades. Usando como base os estudos de Dolz, temos a seguinte proposta:

a) Levantar os conhecimentos prévios dos alunos, apresentarem o objetivo de uma seqüência didática e dar exemplos da função do gênero artigo de opinião no seu cotidiano.

Os aportes de Bakhtin (1997) nos fornecem um eixo para pensar mais eficazmente nas relações entre os gêneros discursivos:
Só há gênero se há modos possíveis de dizer ou de fazer de forma diferente, de fazer outras escolhas, podendo o gênero do discurso, ou mais amplamente o gênero da atividade, ocupar um espaço que se limita, de um lado, pela norma social (caso em que o sujeito se conforma estritamente para vencer resistências do objeto da ação) e de outro, pela capacidade de significar (portanto, de agir) efetuando uma transformação ? transgressão voluntária e consciente da norma ou do gênero dominante.

b) Escolher discutindo com os alunos um artigo do gênero opinativo para que percebam a forma do gênero e solicitar uma primeira produção
c) Realizar a leitura de outros artigos em jornais, revistas, periódicos, internet para que possam reconhecer a influência dos meios de publicação no artigo de opinião e discutir sobre quem escreve, para quem, com que objetivo e em que lugar.
d) Reconhecer a estrutura do artigo opinativo e realizar discussões sobre os argumentos utilizados.
e) Rever a produção inicial pela primeira vez discutindo a sua produção foi pertinente ao gênero.
f) Refletir sobre a linguagem que foi empregada e como atividade o docente direciona a análise das situações que foram mais deficientes com atividades de estruturação.
g) Solicitar que reescrevam o texto.
h) Rever tudo que foi estudado e elaborar interagindo com os alunos a avaliação constando as características do texto.


Exemplo de ficha de auto-avaliação:


Artigo de Opinião

Características Principais:

Possui
Não Possui

Identifica-se o gênero.

O texto tem característica argumentativa.



Sustenta opiniões pertinentes ao tema.

Apresenta argumentos que justifique a opinião.


Utiliza ortografia correta e acentuação corretas.

Elabora orações em concordância.


Faz uso de palavras sem problemas de ortografia e acentuação.




i) Produção final do aluno e revisão final com o auxílio da ficha de avaliação.
j) Avaliação do professor: Comparação da produção inicial com a produção intermediária e a final verificando se o aluno mobiliza conhecimentos :

1? da situação de produção de seu texto, portanto, seu contexto físico (local de produção, momento, emissor, modalidade oral ou escrita, e o receptor) e qual o seu contexto sócio-subjetivo, ou seja, qual o lugar social de produção (escola, família, igreja, imprensa etc.), qual a posição social do emissor/ enunciador na interação que se dará via texto de tal gênero (pai, professor, patrão, presidente, etc) e qual o objetivo (ou objetivos dessa interação;
2 ? da organização textual, do layout, dos tipos de discurso, dos tipos de seqüência (narrativa, argumentativa, etc.) e de suas articulações no interior de um texto desse gênero, formando a sua infra-estrutura textual;
3 ? da linguagem, ou seja, dos aspectos lingüístico-discursivos, nos quais encontramos os mecanismos de textualização (coesão verbal, coesão nominal e conexão) e os mecanismos de enunciação (modalização e vozes).


6 ? TEMAS PARA ARTIGO OPINATIVO E ORIENTAÇÕES DE TRABALHO


A característica principal do gênero artigo de opinião é a argumentação. A partir dessa situação elaboramos duas situações de trabalhos com ênfase no desenvolvimento argumentativo e base no interacionismo sociodiscursivo com a preocupação de salientar a condição de produção deste gênero no que diz respeito às orientações dadas durante o estudo e também produção do texto em si.
Gurgel, Thais (2009) baseada nas concepções de Bakhtin (ISD), relata: Para produzir textos de qualidade, seus alunos têm de saber o que querem dizer, para quem escrevem e qual é o gênero que melhor exprime idéias. A chave é ler muito e revisar continuamente.
Um exemplo para introduzir a produção do artigo de opinião:

Redija um artigo de opinião para o jornal de sua cidade, de maneira a atrair os leitores desse jornal para o seu posicionamento perante a situação:
A Influência da Internet no cotidiano do estudante brasileiro.

Na situação acima, há a indicação de um jornal como veículo e os leitores como destinatário para orientar os alunos na produção. O professor deve trazer alguns artigos sobre o tema ou indicar um local para o aluno pesquisar a condição de realização do gênero, sua característica e contexto social. E, aproveitar para discutir as todas essas nuances em profundidade, inclusive a sua estrutura de composição e estilo, a situação de produção e também a utilização de argumentações com linguagem formal por se tratar de um jornal. Ainda segundo Bakhtin, orientar para produzir um texto é buscar explorar o conteúdo temático, a estrutura composicional e o estilo, após a discussão das características do gênero.
Para discutindo, em especial as características do gênero o professor introduz:

No artigo de opinião, os fatos e situações servem para argumentar sobre alguma situação. Quando se tem opinião você coloca uma idéia sua, mas que na verdade também já foi construída, ou seja, suas argumentações pertinentes ao gênero e quando você tem um fato que parte de alguma notícia que não é sua você está expondo. A sua argumentação leva em consideração tudo que já foi construído e dito antes nesse gênero escolhido, toda sua abrangência, um estilo, sua própria individualidade, situação sócio-cultural e também o que será construído depois, o público que você pretende atingir, a situação que esse público está inserido, etc.

Com essa orientação solicita-se o mesmo reescreva a sua produção textual de forma argumentativa e também que adquira a noção que o gênero se define pela forma. Quando o professor coloca de maneira objetiva o modo de produção e argumentação, contribui para que o aluno compreenda até onde pode ir ao seu ponto de vista e na sua posição, para não confundir argumentação com apresentar simplesmente um tema.
Porém, nunca delimitando e com intenção de também apresentar que o gênero tem seu estilo e que o mesmo existe em função de tudo que foi construído e reconstruído antes dele, com seu característico sócio - cultural pertinente. Fugindo da idéia que tradicionalmente estruturalista realizada na maioria dos docentes que leva o aluno, na verdade a produzir redações com estruturas pré-definidas e sem levar em conta o que já foi feito e dito anteriormente à sua argumentação. Reconhecendo o objetivo do gênero sua amplitude o aluno apresenta sua opinião e sustenta argumentos durante a produção do artigo.
Após essa etapa o professor deve analisar o segundo artigo, realizar as colocações pertinentes à linguagem e estrutura e solicitar que os alunos realizem a produção final, realizando as intervenções e correções necessárias sempre discutindo, socializando e interagindo com o mesmo.
Gurgel, Thais (2009) O objetivo do aluno ao fazer a revisão de texto é conseguir que ele comunique bem suas idéias e se ajuste ao gênero. Isso tem de ser feito tanto durante a produção como ao fim dela.
Finalmente o professor deve avaliar a evolução do primeiro para o último artigo.

6.1 EXEMPLIFICAÇÕES PARA O TRABALHO


Aquecimento global, uma verdade conveniente
Publicada em 21/05/2007 às 16h04m no Jornal O Globo
Por Nadson Flesch
No século XVI, Francis Bacon dizia que os princípios que hoje nos servem de base provêm de certo número de pequenas experiências, de um número extremamente reduzido de fatos familiares, de observações triviais. Em outras palavras, com isto ele queria dizer que a ciência não pode pretender um valor de verdade se não observar e não prezar pelo cuidado da estrita previsão dos fatos colhidos, que lhe servem de fundamento às teorias dos que a pretendem explicar. A evidência do aquecimento global, segundo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas em todo o planeta desde 1860. Outras evidências vêm da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, aumento do nível global dos mares, das precipitações, cobertura de nuvens, El Niño e outros eventos extremos de mau tempo.
Para o ser humano, de um modo geral, a experiência e o conhecimento em relação ao clima têm a mesma duração do período de tempo que dura a sua existência. O clima global tem ficado mais quente e mais frio nos últimos mil anos. Descobrir o grau de variação do clima passado e até mesmo nos tempos históricos é difícil de ser imaginado e calculado, assim como as causas que o ocasionaram. É sempre importante lembrar que os esfriamentos e os aquecimentos globais já ocorreram em outros períodos geológicos da Terra.
Jay Forrester foi um dos primeiros pesquisadores a modelar sistemas complexos por computador no século passado. Foi também os primeiros a ter noção da dificuldade de se administrar sistemas complexos. Modelos climáticos são sistemas com os mesmos problemas. De acordo com as variáveis consideradas, há oscilações em mais de 100% nas previsões de um para o outro. Os modelos climáticos devem ter alguma correlação com as variáveis usadas na astrologia dos signos do zodíaco. Não existe um modelo climático com previsões confiáveis; ainda assim, como acontece no zodíaco do dia-a-dia dos jornais e revistas, as previsões saem, invariavelmente.
A idéia do Protocolo de Kyoto, de tentar melhorar o clima no planeta, é algo mais do que justo e necessário. No entanto, de 1997 para cá, o que tem sido observado são iniciativas favorecendo mais o mercado do que o meio ambiente. A licença e o aval dado pelos famosos créditos de carbono, tão em moda atualmente, deu aos países chamados de desenvolvidos o direito de poluir, através de certificados negociáveis em bolsas de valores. Até aí tudo bem. Porém, da maneira como está se desenvolvendo, na prática, este mercado, deu-se a partida em um pequeno floco de neve que, no decorrer do tempo, irá ganhar a forma de uma gigantesca bola de neve. O mercado financeiro, infelizmente, não tem o poder de filtrar as emissões de gases de efeito estufa, oriundas da atividade produtiva humana. Tampouco tem o controle sobre as emissões de gases dos mais de mil vulcões ativos espalhados pelo planeta e, muito menos, sobre as radiações provenientes das tempestades solares que há tempos vêm castigando a Terra e que, de certa forma, também contribuem significativamente para o aquecimento do planeta.
De repente, de uma hora pra outra, surgem modelos estatísticos prevendo data, dia e hora para todas as possíveis tragédias oriundas do famigerado aquecimento global. Não culpo a mídia por divulgar tais previsões. Tampouco, da maneira como costumeiramente é feito, através de frases dignas de tablóides e do termo "imprensa marrom". Porém, com relação às fontes de onde vem a informação, dos ditos especialistas e de uma nova classe de especialistas, os "achologistas", oriundos principalmente do meio político, estes sim terão que prestar contas mais adiante para todos através dos mesmos meios que usaram para formar opiniões.
Segundo Eduardo Prado de Mendonça, a opinião é um enredo, é uma estrutura teórica embrionária, que se forma inopinadamente no espírito humano diante de um fato. É necessário um grande esforço para que o homem se fixe estritamente ao que pode observar, numa ocorrência que lhe é dado conhecer. Em geral, faz sobre ela uma interpretação, liga-a a outros fatos, associa-a a alguma lembrança fixada em sua memória e, assim, forma imediatamente uma opinião; reage contra a apreensão isolada dos fatos e aspira por colocá-la imediatamente dentro de uma estrutura. Num depoimento, é sempre difícil o relato dos fatos, pois há um impulso incontrolável de manifestar sempre, ao lado dos fatos, uma opinião ou um juízo sobre eles.
A verdadeira tarefa da ciência é a de formular teorias que, efetivamente, correspondam à realidade. Saber, exatamente, quando se tem elementos suficientes para estabelecer teorias ou limitar-se estritamente a coligir uma série de fatos colhidos com precisão, mas incapazes para sustentar uma teoria. Ou, no caso específico, tratado em parte neste artigo, um modelo climático confiável e suas respectivas previsões - ou por serem insuficientes ou porque falta ao cientista um princípio formal capaz de lhes dar uma unidade lógica.
Deve-se levar em conta a importância deste fato, pois até no terreno da própria ciência, que se esforça por adquirir um conhecimento preciso, esta tendência teorizante, própria à natureza humana, tem feito com que o conhecimento científico fique submetido a constante correção, com vistas a corresponder estritamente à realidade dos fatos.
No campo da ciência, como no terreno das idéias diretrizes da vida humana, em geral, o problema cresce de complexidade. Na verdade, não faltam teorias. As teorias existem, dos mais diversos tipos para os mais diversos gostos. Toda a questão é a de saber se elas correspondem à realidade. De fato, o problema por excelência da ciência se põe neste ponto: existem ciências e Ciência. O que temos visto muito por aí a respeito de aquecimento global faz mais o primeiro tipo.
Também é justo reconhecer, com relação ao caso específico do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que grande parte das distorções se devem às versões e mais versões dadas ao documento original pelos representantes políticos. Sinceramente, acredito que muitos dos representantes lá presentes não sabem ao certo por que estão lá, mas a formalidade se faz necessária. É comum socializarem-se as responsabilidades em prol do bem maior da humanidade.
Se colocarmos mal os problemas, não podemos esperar soluções corretas. Infelizmente, o homem é um animal que se alimenta de teorias e com uma grande propensão ao menor esforço. A história das crenças humanas é uma lição de advertência. Matamos milhares de seres humanos porque acreditávamos que tinham feito pacto com o demônio e se tornaram feiticeiros.
Essas estratégias antecipatórias a respeito do aquecimento global, com desastres e catástrofes mundo afora, é um convite ao totalitarismo. E a própria história nos mostra que sempre no fim acabam favorecendo a elite social em detrimento da massa de pobres. Neste aspecto, Alston Chase disse que, quando a procura da verdade se confunde com interesses políticos, a procura do conhecimento se reduz à busca pelo poder.
Os relatórios ruins da ciência, mais cedo ou mais tarde, sempre pagam o seu preço. São necessários novos mecanismos para avaliar a regulamentação ambiental se quisermos nos livrar do padrão atual de "histeria e negligência", com o qual, agressivamente, regulamos riscos menores e ignoramos os significativos.
Por exemplo, ao invés de se propor aumentos nas taxas de saneamento público no planeta inteiro, para fazer as pessoas entenderem o sentido de consciência e do uso racional da água, eu acredito que a falta de conhecimento e a ignorância, neste sentido, é bem melhor tratada com educação. O mesmo vale para o aspecto segurança. Não acredito nas fortunas bilionárias gastas anualmente com segurança, regulamentos desnecessários e inúteis. Além do mais, fazer entender o aquecimento global como um processo irreversível, cidades sendo invadidos pelo mar, o degelo da Antártida, florestas se transformando em savanas e desertos... Acredito que está mais para o estabelecimento de uma nova ordem política e econômica mundial. Infelizmente, a evidência é de que passamos tempo demais tratando com paliativos, temores falsos ou sem importância. A educação é a chave de tudo e a mola propulsora de todo este processo. É nesse campo que os investimentos devem ser feitos.
Portanto, entendo que o esforço, no sentido de colocar o problema do aquecimento em termos reais e objetivos para as pessoas, exige honestidade de propósitos, sinceridade, espírito de dedicação e compromisso com a verdade antes de tudo, em lugar da luta cega pelos interesses imediatos. Já é possível perceber que existem outras agendas por detrás da agenda principal. É preciso estar atento. Os oportunistas e os financiadores parecem estar há tempos. E nunca é demais dizer e lembrar aos mais jovens e velhos que, numa área multidisciplinar como é o meio ambiente, onde a incerteza é a única certeza, buscar informação, ter paciência e perseverança é o melhor caminho. Sempre.
Nadson Flesch é auditor e consultor ambiental

Com base nas seqüências Didáticas de Dolz e no texto acima, exemplificamos o trabalho para o professor:


a) levantar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema: Aquecimento Global no contexto atual.
b) análise do artigo citado acima
c) primeira Produção.
c) reconhecer a situação de produção : Jornal O Globo. Discutir sobre a extensão do meio, o objetivo e o público alvo, tendo em vista que o autor é consultor ambiental.
d) reconhecer o gênero (artigo opinativo), analisar a estrutura do artigo e os argumentos apresentados por Nadson Flesch.
e) discutir se o ponto de vista é pertinente ao tema.
f) revisar o primeiro artigo, considerando as análises realizadas.
g) refletir sobre a linguagem empregada pelo autor, a estrutura do texto, lingüística e ortografia.
h) reescrever o artigo.
i) elaborar com o professor uma ficha de avaliação e uma revisão sobre o que foi estudado.
j) realizar a produção final do texto.



CONSIDERAÇÕES FINAIS


Discutimos neste artigo, o trabalho com o gênero artigo de opinião devido à amplitude e ao fato de que os gêneros sejam quais forem pressupõem tudo que foi realizado antes dele e de todo contexto social e cultural de produção. Citamos dificuldades encontradas para realização do trabalho.
O domínio do artigo de opinião auxilia aos alunos na sua produção e a desenvolve pela construção. No contexto interacionista sócio discursivo, não apenas as condições de produção são importantes, mas também a lingüística, o plano do texto e a capacidade de organização.
É fato que oferecer condições para o ensino do gênero ao aluno é imprescindível para a evolução no seu processo de produção textual. Para concretizar esse fato também é necessário que o profissional possua domínio dos gêneros e também seja dada a ele oportunidade de uma formação contínua, de materiais adequados e treinamento específico.
O contexto interacionista sócio discursivo, onde o gênero é introduzido em toda sua amplitude e nuances é o mais adequado para um ensino profundo e efetivo. Por esse motivo, oferecemos exemplos de seqüências didáticas para o trabalho do docente, temas e exemplificação de artigos com base no ISD baseadas numa pesquisa teórica e bibliográfica.
Entendemos que dada à importância do trabalho com o artigo de opinião para o desenvolvimento textual e discursivo do aluno faz-se necessária uma reflexão profunda de toda a esfera escolar e profissional envolvidos, pois, para o resultado ser efetivo é necessária contextualização, interdisciplinaridade e que os profissionais tenham acesso, materiais adequados e situação privilegiada para desenvolver o trabalho que deve ser realizado desde antes da alfabetização até o final da escolarização, de forma contínua e constante.



ABSTRACT

This article notes the role of gender opinion article and its importance to the teaching-learning in textual production students from elementary and high school. A research and theoretical literature with descriptive and explanatory approach. As a result there are guidelines, teaching sequences and methods of assessment in order to assist teachers in the face of difficulties in accomplishing this work. We use the concepts and studies of Bakhtin (1997), Bronckart (1997, 1999) Dolz (1996, 2004) and scientific articles from Barbosa, J () and Gurgel, T (in 2009).

Keywords: Gender article Opinionated. Construction Sequence Curriculum,
Teaching. Interactionism social discourse.


REFERÊNCIAS

BAKHTIN, M. M. (V.M Volochinov) "Os Gêneros do discurso" Estética da Criação Verbal. São Paulo : Martins Fontes, 1997.
BARBOSA, J. Do Professor Suposto Pelos PCNs ao Professor Real de Língua Portuguesa: São Os PCN Praticáveis : UMC/LAEL ? PUC-SP. (artigo científico).
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio. Brasília: MEC/SEMTEC, 1997. Citação p.5

BRONCKART, J-P. Activité langagière, textes ei discours. Pour un interactionisme socio-discursif. Paris: Delachaux et Niestlé, 1997
________. Atividade de linguagem, textos e discursos. Por um Interacionismo Sociodiscursivo. Trad. De Anna Rachel Machado. São Paulo: EDUC,1999.
CHARLTON, ALAN, O Brasil e a sua Biodiversidade, Folha de São Paulo, Brasil, 23/05/2010. (artigo de opinião).
DA, FOLHA ON LINE : Notícia de Capa: Ministério da Educação cancela prova do Enem, publicado em 01/10/2009.
DOLZ, J., SCHNEUWLY, B. Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: elementos para reflexões sobre uma experiência: suíça (francófona). Tradução de R.H. R. Rojo. Enjeus, pp 31-49, 1996.
FECH, NADISON. Aquecimento Global uma verdade convincente ? O GLOBO, 21/05/2007 (artigo de opinião)
GURGEL, T. Escrever de verdade. Revista Nova Escola Jan/Fev No. 219 ? Editora Abril. pp 39-45, 2009 (artigo científico).

Sites acessados:
Artigo: Classe de Palavra X Função Sintática
Publicado 12/01/2009
Português para o Vestibular
Por: Professores de Grego Clássico do NELE/UFRGS
http://www.mundovestibular.com.br/articles/5639/1/Classe-de-Palavra-X-Funcao-Sintatica/Paacutegina1.html
Artigo: Aquecimento global, uma verdade conveniente
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/05/21/295837236.asp
 
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Sobre este autor(a)
Marcos Paulo de Souza, Professor II, Efetivo, estadual, lotado na E.E. José Scalvi de Oliveira. Ministro aulas para E.F, E.M e E..J.A. Estou concluindo pós graduação na UNICAMP - Matemática, em fase de TCC e iniciando meus estudos no Mestrado em Educação pela USF em Itatiba.
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