ETNOGRAFIA DO OLHAR: A COMUNICAÇÃO DO MUSEU ANTROPOLÓGICO E O ACERVO MATERIAL SOBRE O OLHAR DOS...
 
ETNOGRAFIA DO OLHAR: A COMUNICAÇÃO DO MUSEU ANTROPOLÓGICO E O ACERVO MATERIAL SOBRE O OLHAR DOS GRUPOS ESCOLARES
 


UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS – UFG 

Roberta Rodrigues de Sousa Góes 

RELATÓRIO DO PROJETO ETNOGRÁFICO E DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO NO ÂMBITO DOS MUSEUS

ETNOGRAFIA DO OLHAR:

A COMUNICAÇÃO DO MUSEU ANTROPOLÓGICO E O ACERVO MATERIAL SOBRE O OLHAR DOS GRUPOS ESCOLARES

GOIÂNIA

2011 

Roberta Rodrigues de Sousa Góes3

ETNOGRAFIA DO OLHAR 

A COMUNICAÇÃO DO MUSEU ANTROPOLÓGICO E O ACERVO MATERIAL SOBRE O OLHAR DOS GRUPOS ESCOLARES 

O relatório do Projeto de Pesquisa com o cunho Etnográfico apresentado na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás – UFG, como requisito para a elaboração de uma avaliação da disciplina de Estagio I Educação não Formal. 

Introdução 

O presente trabalho faz parte de uma pesquisa etnográfica realizada no Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás – UFG, visando uma observação participante e aos gozos e atributos dos métodos que a própria etnografia nos disponibilizou. Este trabalho está ligado a um programa de estudos contido na ementa da disciplina de Estágio Supervisionado I Educação não Formal da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás – UFG.

Durante os meses de Março, Abril, Maio e Junho do ano de 2011 a disciplina de Estagio I nos possibilitou desenvolver um trabalho de pesquisa que se enfoca em uma perspectiva educativa nos âmbitos de diferentes instituições.

Partindo então, dos pressupostos da própria origem etimológica da palavra “educar” nos propusemos a estudar um museu universitário e tentar captar as diferentes formas do fazer educacional desse órgão. Partimos a campo mais assiduamente no dia 5 de abril de 2011, mas, mais com a intenção de sabermos em primeiro lugar se encontraríamos o produto real da pesquisa que é o processo de educação (não formal/ ação educativa). Foi daí que levantamos mais algumas perguntas que permeiam o próprio conceito de aprendizagem, dentre elas foi tentar saber: como se dá essa educação (não formal)?, e o que ele enquanto órgão entende por educação e se essa ação que se dá de forma comunicativa através da linguagem, objetos, vídeos e outros se consolidam como uma real condição de aprendizado.

Etimologicamente, educação vem do latim educatonis que é "ação de criar, de nutrir, cultura ou cultivo" de algo que traduz delicadeza ou sapiência. “educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social” (FERREIRA, 1999)1. Mas também pode ser entendida como um ato de aprendizagem formal, informal e não formal, que acontece de maneira didática e espontânea levando o indivíduo a um exercício do conhecimento. Afinal, Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola e até mesmo em um museu, todos nós envolvemos com ela: para aprender, para ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias: Educação? Educações (BRANDÃO, 1995, p.7)2.

No entanto, não existe uma forma única nem um único modelo de educação. É preciso que tenhamos em mente essa ideia de Brandão, de que a escola não seja o único lugar onde a educação acontece, afinal, como descrita anteriormente ninguém escapa da educação. A educação deve promover a emancipação e ela se faz por meio de uma consciência crítica que permita maior comunicação entre os homens. A comunicação verdadeira resulta da consciência crítica ao mesmo tempo em que a propicia. Uma ação pedagógica deve possibilitar essa comunicação aprimorando o nível de entendimento, estimulando a reflexão, a autocrítica (WERNECK, 1984, p. 103). Se a escola é o lugar onde, pelo menos oficialmente, se promove a educação e que acontece a educação dita formal, ela deve oferecer condições para a formação crítica dessas crianças em relação à realidade em que vive.3

Estabelecemos um breve estudo bibliográfico sobre etnografia e sua importância, um estudo também sobre o órgão e suas histórias, aproveitando o ensejo de uma preparação de comemoração dos 40 anos do museu, suas trajetórias e conquistas, onde foram colhidos relatos conduzidos de forma livre e informal. Por tanto, vimos por necessário que obtivéssemos mais informações sobre aquele lugar; foi então que construímos um roteiro de entrevistas abertas onde, proporcionasse aos entrevistados uma maior tranquilidade para que então, construíssem suas supostas afirmativas e conceitos sobre aquele espaço. As entrevistas se seguiram por meio de relatos de técnicos ou servidores (TAs), estagiários, funcionários, diretores e visitante. Fizemos também análises de dados empíricos através de documentos como registros de assinaturas que estão datados desde 1980 a 2011, pesquisas em revistas, jornais e acervo áudios-visuais que se encontram nos setores: educativo cultural (CIC), setor de comunicação, Laboratório de Arqueologia (Labarque) e Reserva técnica de etnografia.

Partimos então para uma segunda etapa do objeto estudado que foi a de delimitar e então, direcionar nossos olhares enquanto pesquisadores a um só grupo de “nativos”. Como analisamos e comprovamos anteriormente a existência de uma provável “educação”, nós nos focamos a estudar os grupos que mais frequentemente visitam esse espaço cultural. Foi daí que surgiu a curiosidade de analisarmos onde poderíamos saber mais sobre esses “nativos” que vão ao museu antropológico, como eram feitos esses contatos e após o contato como era regido o processo educativo pedagógico que se iniciaria ali naquele local. Podemos então acrescentar, que essa educação como sendo uma ação educativa voltada para um aprendizado equidistante aos muros das escolas/instituições do ensino formal visando uma educação cidadã onde, atribuíssem conceitos e/ou reflexões sobre as questões que envolvem o patrimônio, a diversidade cultural e religiosa através da comunicação expográfia do acervo.

Vimos através de nosso estudo e de nossas observações não há um contato prático pedagógico recíproco do museu com as instituições Escolares. O contato está sendo feito somente pela iniciativa das escolas.

 Nesse contato vimos que esse espaço se “movimenta” de forma diferenciada atribuindo a todos ali presentes diretamente ou indiretamente afazeres que contribuem para o processo educativo, dentre elas estão desde assepsia do local físico como um todo, preparação de recursos áudios-visuais que por muitas vezes é oferecido pelo próprio técnico do setor educativo cultural, um livro ata para coleta de dados e uma ficha técnica que consiste dados da escola, dos alunos professores e uma avaliação breve que consiste em uma discrição das atividades ocorridas nos respectivos dias.

Essas ações são fundadas primeiramente em um discurso sobre as reais necessidades que permitam concretizar mensagens e idéias, em fim, comunicar os resultados da produção de certo conhecimento, que se apóia antes de qualquer coisa e que o fato de aprender parece ser uma decorrência lógica e imediata de uma ação que lhe é anterior, seja qual for. Nessa perspectiva, dispositivos governamentais e institucionais determinam o que e como irão conduzir esse ensino, e de fato, preparam profissionais para assumirem essa tarefa, pressupondo que o efeito final desse longo processo seja a aprendizagem. Em contrapartida o que é visto como aprendizagem em diversos museus e encontramos presente também em nosso objeto de estudo e que essa educação é vista de maneira consensual, como um processo de extrema liberdade possibilitando aos alunos que ali vão circularem pelo espaço irem e virem como bem quiserem movidos pelas possíveis curiosidades ou com propósitos escolares envolvendo tanto as escolas de nível fundamental 1, 2 e 3. Envolvendo agora outra questão de nossos achados mediante o contato com todos os documentos um possível observação de nosso público alvo que depois de todos os nossos levantamentos de dados pudemos entender que o maior público de visitantes que o museu recebeu e recebe em seu espaço condiz com o grupo escolar do ensino fundamental, contrariando apriori um perspectiva de ideal inicial pelo o então fundador Profº Acary Passos que foi a de atrair a comunidade acadêmica de forma interdisciplinar.

Método

Atribuímos aos conselhos de nosso orientador o então professor regente da disciplina de estágio I a seguirmos as instruções contidas no quadro a baixo:

ESTRUTURA DOS TRABALHOS ESCRITOS

I. Relatório da Pesquisa de Campo

1. Apresentação:

- A escolha do tema e do campo: (valores/interesses/dificuldades/encaminhamentos)

- A delimitação do problema e o referencial teórico-metodológico

- Descrição das partes do relatório

2- O trabalho de campo/o campo de trabalho

- Organização do grupo (Discussões/Divisão de Tarefas)

- Técnicas de Observação

- Descrição das observações: (Quem, horário, dias, com quem/que técnicas)

3. Principais achados ou conclusões:

- Sobre o histórico da Instituição

- Sobre a trajetória de seus “nativos”

- Sobre o tema/problema/hipótese/valores definidos no projeto

4. Referências Bibliográficas

5. Anexos:

- Diários (anotações de campo/desenhos etc)

- Entrevistas (se tiverem sido gravadas entregar a transcrição)

- Material coletado (textos/ folders/regimentos)

- Outros registros (fotos/filmes etc) métodos, técnicas e outros procedimentos do professor no trabalho com os conteúdos se dão dentro das abordagens tradicional, estrutural, cognitiva ou comunicativa, ou de forma eclética).

ESTRUTURA DOS TRABALHOS ESCRITOS

Para alguns estudiosos da educação “a etnografia significa uma descrição cultural”, (ANDRÉ, 1995: 27), utilizada para descrever um grupo cultural e, portanto, sendo apropriado posteriormente pela antropologia descritiva, o estudo visa a aproximação como os diferentes modos de vida da humanidade e introduzida como uma forma de descrição social científica de uma pessoa ou de grupos sociais primitivos específicos com a finalidade de reconstruir alguns cenários ou realidades culturais ágrafas ou não, a partir das crenças, dos comportamentos, dos valores desses grupos.

A utilização da etnografia a muitos não se atem como instrumento uno da antropologia e das ciências sociais, logo foram se apropriando do mesmo, a educação, a psicologia dentre outras, possibilitando avanços para a coleta de dados qualitativos nas pesquisas sociais. O trabalho etnográfico lida diretamente com a interação dos indivíduos na sua vida cotidiana e auxilia o pesquisador na compreensão das concepções, práticas e procedimentos atribuídos a essas práticas, ou seja, com a pesquisa etnográfica é possível ressignificar a teia de significados culturais que um grupo social apresenta através do que Geertz chamou “descrição densa” (GEERTZ, 1989: 73-89)4.

De acordo com Nei Clara de Lima, atual diretora do MA-UFG, a então “xamã” de nosso universo nativo coloca que:

“Desde a sua fundação, o órgão tem oferecido ao público a possibilidade de universalização do conhecimento cultural acerca das comunidades locais e de sua diversidade. Com esse intuito, atividades e eventos que possibilitassem uma maior interação com a sociedade passaram a ser implementadas”.

Por isso o museu assume em suma a responsabilidade pública e social prestando apoio a pesquisadores e a outras instituições e desenvolvendo pesquisas cientificas, realizando projetos de ação educativa para as redes publicas e particulares de ensino, propiciando o acesso gratuito dos diferentes públicos às suas exposições, bem como aos acervos audiovisuais e bibliográficos. A concepção de museu como instituição marcada pelos dois eixos: memória e cultura (Talboys, 1996) muitas vezes levam a situar sua missão no campo da comunicação, divulgação e difusão da memória cultural e cientifica. Para a perspectiva que aceita a função educativa de museus, resta à questão, repetidamente formulada: é possível aprender em museus? Na realidade, embora parte significativa das investigações sobre educação em museus argumenta-se prosseguir com a investigação acerca da aprendizagem em uma visita escolar ou não a um museu5.

No entanto, as ações voltadas para a educação (não formal) nem sempre ocorreram de modo contínuo, principalmente aquelas voltadas para a interação e desenvolvimento de atividades conjuntas entre museu e escola e/ou que permitissem o ensino/aprendizagem através de métodos e suportes específicos (desenvolvimento de projetos e recursos didático-pedagógicos).

A aprendizagem no âmbito do Museu não ocorre de modo instantâneo. Por mais que digam como a Museóloga do museu Antropológico Roseli disse certa vez que:

“A Exposição Lavras e Louvores foi construída de forma a não precisar de monitoramento abraçamos a nova perspectiva museológica (nova) na qual as peças que constituem o acervo possam expressamente se comunicar sem esse intermédio monitorado”.

Com essa perspectiva podemos afirmar que a compreensão do espaço, dos objetos implica num processo gradativo, de aproximação entre museu-escola, indivíduo-objeto, em que signo e significado são ressignificados/reinterpretados a todo o momento. Ainda que houvesse essa preocupação com o processo comunicativo mais abrangente, como demandam as próprias tendências e reflexões atuais da teoria da museologia e da comunicação, ao mesmo tempo não se consegue atender às reais necessidades dessa comunicação. De acordo com a teoria da comunicação em (Walter Lipmann 1922). “Nossa relação com a realidade não se dá de maneira direta. Ou melhor, embora ela ocorra de modo direto por imagens que formamos em nossa mente” Dessa forma, percebemos a realidade não enquanto tal, mais sim enquanto a imaginamos.

Como vimos em nossas introduções à Antropologia a obra de Marcel Mauss e Lévi-Strauss apresenta o conceito de “significante flutuante”, que seria fundamental na origem da manifestação artística:

“Desde as suas origens o homem possui um estoque integral de significantes que não consegue alocar a um significado dado como tal sem no entanto ser conhecido” (Lévi-Strauss, 1968: 158).

O resultado disso é uma superabundância do significante. A idéia de significante flutuante é intrinsecamente relacionada a outra, a de função simbólica. Esta se atém ao papel evidentemente central da comunicação na vida social. Ora, uma das bases da antropologia estrutural é precisamente o fato de que “uma sociedade é feita indivíduos e de grupos que se comunicam entre si”. Sendo assim, é próprio da comunicação humana ser representacional, tomar a forma de um processo de significação. Que de acordo com Passos, (2003) um outro fator que justifica a adoção da perspectiva Geertziana,

“É o fato de ele estabelecer a densidade e pluridimensional que se entrecruzam nos pequenos gestos e representações, em coerência com determinações mais gerais e globais do fenômeno como um todo, destacando na riqueza do detalhe um descortinnamento que enriquece e torna o fenômeno descrito em seus pormenores um campo inesgotável de tematizações e pesquisa, resignificados nas suas relações com a globalidade”.

Tal ponto de vista nos impede um olhar dogmático, porém, valoriza diversidades, heterogeneidades às consideram fenômenos humanos em sua constitutividade cultural e, nos permite compreender a textura construída das significações, as quais operacionalizam dá visibilidade a confecção humana do instituído na perspectiva do seu imaginário humano, permitindo também entender a condição entre o eu, o outro e o mundo inseridos numa rede simbólica que se intercomunica6. (

Técnicas e procedimentos de coleta de dados

Utilizamos quatro procedimentos de coleta de dados: a entrevista, a observação, coleta de dados documentais e imagens fotografadas durante o acompanhamento das visitas dos alunos a exposição e no espaço físico em geral. Foram desenvolvidos seguindo os seguintes procedimentos: Elaboração do roteiro de observação. Entrevistas individuais e coletivas, Observação, realização das entrevistas, fotos, analises documental. e o registro em caderno de campo. A observação tem como foco verificar se as peças que constituem o acervo o então objeto do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás MA-UFG possibilitam um interagir e uma comunicação seguida de significados e se esses significados propriamente ditos são apreendidos pelas crianças e/ou públicos infantis que ali as vêem. A fim de poder contrastar como elas vêem e de que modo esse fato ocorre no cotidiano. As entrevistas são feitas com pessoas que trabalham no museu, alunos que visitam o órgão a fim de conhecer como eram as relações com os alunos no passado para uma tentativa de compreender como se estabelecem as relações entre os alunos para verificar como eles percebem as relações entre o eles e o objeto e quais as expectativas que eles têm para essas relações futuras.

Principais achados ou conclusões:

Como constatamos, a aprendizagem no âmbito do Museu não ocorre de modo instantâneo. A compreensão do espaço, dos objetos implica num processo gradativo, de aproximação entre museu-escola, indivíduo-objeto, em que signo e significado. Esses signo e significado são ressignificados/reinterpretados a todo o momento. Neste estudo pudemos fazer uma reflexão a cerca das relações entre os alunos os objetos confeccionados pelo grupo Karajá. Analisando assim, através dos olhares e atitudes dos sujeitos envolvidos neste processo, a posição que a escola em conjunto com o museu tem tomado diante das recomendações e diretrizes das leis da educação que propõem a incorporação aos currículos escolares, sendo assim, um meio de valorização da diversidade étnico-cultural e, dessa maneira, promover a eliminação das desigualdades étnico-raciais. Sabemos que a questão indígena tem provocado um debate interdisciplinar e multidimensional, permeado de confrontos interpretativos e de contradições de significados.

Constatamos uma outra possibilidade de um fazer etnográfico por meio de uma metodologia denominada por alguns como “fotoetnografia”, que a muito fora utilizada pela antropologia clássica e hoje pela a antropologia visual. Que se baseiam nas tendências visualizantes do discurso antropológico a caminho da representação cinematográfica das culturas, que intermédio dos aparatos visuais mostrava o poder da ciência em decifrar outras culturas, em tornar o outro objeto e espetáculo. A antropologia visual ou antropologia da comunicação visual, como alguns autores preferem denominar essa área de investigação-ensino (Sol Worth, Jay Ruby, Massimo Canevacci, Paolo Chiozzi), centra-se em três objetivos principais: a utilização das tecnologias de som e da imagem na realização do trabalho de campo (qualquer que seja a situação em que esta faça parte da estratégia mais adequada de pesquisa); a construção de discurso ou narrativas visuais (o uso das tecnologias na apresentação dos resultados da pesquisa – nos museus, no ensino, na comunicação com o grande público – na estruturação da narrativa fílmica, ou de multimídia e hipermídia, e em sua realização) e o desenvolvimento de retóricas convincentes (de boas práticas), quer no meio acadêmico, quer para os públicos e para as funções a que se destinam os produtos resultantes; a análise dos produtos visuais – em primeiro lugar, os produtos resultantes do trabalho dos antropólogos com vista ao estabelecimento de critérios de apreciação, avaliação e aquisição de boas prática e de formas de aprendizagem da antropologia e do cinema, mas também outros produtos visuais e audiovisuais, elementos da cultura visual (discursos visuais e audiovisuais), "o cinema (ficção ou documentário), a televisão, a fotografia, a videomusic, a publicidade, a videoarte, o ciberespaço" (Canevacci, 2001, p. 7-8), que permitam o conhecimento da sociedade e da cultura e o desenvolvimento da teoria em ciências sociais. Pensando nisso, que visamos essa possibilidade de trazer através das fotos, um contar sobre os possíveis achados etnograficos.

Vimos que como colocamos primeiramente no projeto, onde abordávamos essa educação não formal, ela não acontece como supostamente deveria acontecer por não possuírem de algumas condições que retardam o processo de educação/ação educativa, como por exemplo: a falta de um pedagoga no setor que se encontra de licença já a quase 4 anos, a preparação das pessoas que atuam no setor educativo (formação de professores). E por esse motivo, que não há condições de um fazer educacional que abranjam as expectativas do próprio museu, do setor e da comunidade no “geral”.

No que se espera, ou que, deveria acontecer e que os museus como detentores das possíveis informações sobre patrimônio, cultura, identidade, memória entre outros, a comunicação dessas informações atendo não só ao público universitário, como se pensa as perspectivas, mais sim abrangendo de forma a traduzir as reais necessidades da comunidade seja ela qual for. É a parti da cultura e junto da cultura que formamos nossas noções valorativas e morais, noções que, assim como a cultura, também estão sujeitas a mudanças constantes.

Assim, são destas “ferramentas” que dispomos para nos localizar como sujeitos e para enxergar e compreender o mundo em que estamos, assim como constituir nosso  pensamento e, sendo esse pensamento constituído em forma linear e de acordo com um conceito temporal, nossa memória. Tal memória se torna ferramenta do ser para que este se encontre na realidade, juntamente da consciência que nada mais é que a percepção do “eu”, em oposição dos objetos exteriores. O museu com sua tarefa de “Guardião da Memória” presta o serviço de conservar as identidades passadas que vieram a construir a realidade do hoje. Vivemos sobre a sombra da fatalidade do tempo, em que o único caminho adiante é a morte, a memória que permanece “guardada” se torna o único meio de dialogo com o passado. Entretanto, é preciso habilidade e recursos para que esta “memória guardada”  não esteja apenas guardada. É preciso que seja passada, uma vez que é dela que o indivíduo se constrói. A falta de apoio e ânimos esgotados torna uma instituição de “formação de identidades” em um deposito bem arrumado. É preciso ver que existe interesse nos indivíduos em saber de onde vieram como vieram a ser o que são basta saber colher.

Bibliografia

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  2.  Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat de BFB Machado – 2008. A IDEOLOGIA NO FILME INFANTIL. MACHADO, Bruna Ferreira Bispo. LEAL, Cátia Regina Assis Almeida.

3       Boletim CECA-Brasil, nº1, 2002www.nuted.ufrgs.br/oficinas/criacao/aprendernomuseu.doc

 

4       MULHER KARAJÁ: DESVENDANDO TRADIÇÕES, TECENDO INOVAÇÕES Maristela Sousa Torres1 www.ie.ufmt.br/semiedu2009/.../MARISTELA%20SOUSA%20TORRES.p...acessado em 12/05/2011

5       Antropologia visual, práticas antigas e novas perspectivas de investigação. Revista de Antropologia Print version ISSN 0034-7701 Rev. Antropol. vol.48 no.2 São Paulo July/Dec. 2005 Departamento de Antropologia FFLCH/USP acessado em 10/06/2011< http://www.scielo.br/scielo>

ANEXOS

Diários de Campo

Hoje fiz a visita ao museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás no dia 31 de março de 2011. Logo na recepção vê-se um painel escrito: Lavras e Louvores já marcando logo a chegada e a curiosidade de quem vão visitá-lo. A biblioteca especializada do museu Antropológico, conta com um significado acervo nas áreas de Antropologia, arqueologia, etnologia indígena etnolinguística e educação indígena. A parte dos projetos que é a paisagem telúrica, estão os objetos expostos como, a flor da terra, as pedras preciosas de vários formatos, plantas e bichos, tem as linhagens feitas por tecelãs. Essa é a parte denominada, Lavras que é onde vi uma mala de couro que fez me lembrar das nossas malas de couro quando eu era criança, pela qual na época eu sentia vergonha, hoje me recordo com saudades.

Eu vi também uma fôrma de fazer telhas das casas e também uma forma de fazer tijolos que se usava para fazer as paredes das casas, isso me fez lembrar a olaria que tinha na fazenda do meu pai lá no município da cidade chamada: Formoso do Araguaia, nome esse, por ser, ou melhor, próximo ao rio Araguaia. Lá se fabricavam telhas e tijolos para toda a vizinhança. Também vi uma espumadeira que era usada para mexer os tachos cheios de garapas de cana que se transformavam em rapadura, chamada moça branca. Já a parte artesanal como os tecidos de redes e cobertores feitos manualmente fez lembrar-me da minha avó que tecia redes, cobertores e tapetes. Lembro-me da forma que ela fazia. Antes fiava-sse o algodão no processo de transformação de fios através da roda de fiar e também os fusos, só depois eram fabricados nos teares. Na parte das topografias sobrenaturais e a parte dos objetos de cultura popular que ao entrar ouvi uma musica da folia de reis, que me fez lembrar-se da devoção do meu avô, onde, toda a família se reunia para festejar Santos Reis, contando com a participação de amigos e vizinhos. Era muito legal, mas só ficou saudades. No entanto, foi muito proveitosa a visita que fiz ao Museu Antropológico, pois falar de memória como eles colocaram e construíram a exposição me fez viajar no tempo e espero que ajude aos outros que visitarem a exposição a possibilidade de também viajarem em nossa história e assim projetarem um futuro.

Acompanhei minha primeira visita ao museu no dia 12/04/11 que compunham um grupo de crianças entre 7 e 8 anos de um colégio estadual. Assistiram inicialmente a uma breve explicação sobre o museu e suas tarefas de forma bastante formal e desinteressante para um grupo de crianças. Não estavam tão agitados quanto se espera de um grupo de crianças. Logo após assistiram a um vídeo com informações acerca de etnias indígenas. Depois de uma bagunçada pausa para ir ao banheiro e beber água se dirigiram a exposição onde se separaram em dois grupos já que a exposição não comportaria todas as crianças ao mesmo tempo. Sendo assim, um grupo passaria pela ala “Lavras” e o segundo pela ala “Louvores” e depois de concluído a visita pela ala em que estavam, trocariam. O pouco espaço dificultou o trabalho dos “guias” e as crianças estavam dispersas pelas salas e demonstravam mais interesse pela luz do projetor do que pelos objetos em exposição.

Percebi que varias das informações passadas pelos “guias” são erradas e que a passagem por cada sessão acontece de maneira muito rápida, devido ao pouco tempo de permanência das crianças no museu. Ao termino da exposição, as crianças subiram no obus e foram embora. Não tive a chance de conversar com nenhuma das crianças sobre suas impressões sobre o museu, e se haviam abstraído alguma coisa. A impressão que me ficou foi a de que não, parecendo que para elas a experiência fora mais uma atividade recreativa que qualquer outra coisa.

Nos dias 11 e 12/05/11 Um grupo de alunos do colégio CEPAE do 6º ano, com idades entre 11 e 13 anos, participaram de uma visita ao Laboratório de Arqueologia e à reserva técnica, onde estão guardados os artefatos que não estão em exposição, além da regular visita ao museu. Tive a oportunidade participar como guia da exposição na visita ao museu dos alunos de 9º ano do colégio CEPAE. Que chegaram as 14:00 do dia 09/06/11 e seguiram para o auditório para uma breve explicação do museu seguido de um vídeo explicativo sobre arqueologia e um vídeo sobre cultura indígena. Enquanto assistiam ao vídeo, tive a oportunidade de conversar com a servidora Joana (TA do museu) que me rendeu saber que poucos que estavam ali já haviam visitado alguma espécie de museu e que o professor de sociologia, que fora antes um estagiário do museu, teve a ideia da organizar a visita ao museu mas não havia preparado nada sobre o museu para trabalho com os alunos. Situação que desagradou a servidora Joana, pois para ela os alunos tinham de ser preparados previamente para visitarem o museu. Após os vídeos seguimos para a exposição, onde me ofereci para ajudar como “guia” pela exposição. Ótima experiência.

Para minha surpresa e diferente do que escutei e vi em quase todas as minhas conversas sobre como se passava as visitas e as visitas que havia presenciado, os alunos demonstravam grande disposição a ouvir quando eram conduzidos pelas vitrines, a perguntar e a entender aquilo que era mostrado. Reflexões sobre suas próprias famílias quando encontravam algum determinado objeto eram comuns quando eu puxava sua atenção para as vitrines. Não sei exatamente o que concluir quanto a isso, mas talvez seja a forma com que abordei a visita, tentando “seduzir” os alunos com aquilo que mostrava e falava. Mas não posso afirmar isso já que não tenho experiência suficiente. Mas acredito sim que as visitas devam ser conduzidas de melhor forma já que o interesse esta no aluno, apenas falta saber colher.

Acompanhei uma apresentação no dia 16/06/11 onde encontrava a servidora Joana Cruvinel falando para uma turma de estudantes de 9º ano sobre o museu. Ela realizou uma explicação longa acerca do que significa o museu e especificamente o museu antropológico, os estigmas sobre o lugar e o papel do museu. Colocou o museu como uma espécie de “Guardião da memória”. Ideia com a qual pretendo trabalhar. Saber o que é tal memória e como ela trabalha na construção do indivíduo e de que forma o museu contribui para isso.

Ao visitar o museu Antropológico da UFG no dia 07/04/11, pude me deparar com uma exposição cujo Tema se retrata a Lavras e Louvores nele está presente dois aspectos interligados e alternados da vida coletiva: o trabalho e a festa, a lavra e o louvor. A idéia do trabalho e da festa provoca o pensamento sobre os trânsitos, os hibridismos, os excessos, as alternâncias, e todas essas noções estão presentes na discussão contemporânea sobre identidades. Lavras e Louvores se dividem em dois módulos: Paisagem Telúrica e Topografias Sobrenaturais:

Paisagem Telúrica: que compõe o ambiente de Lavras se subdivide em: A Flor da Terra (mostrando as potencialidades da paisagem regional na oferta da matéria-prima, bem como os processos de extração e transformação de recursos naturais), De Pedras, Plantas e Bichos (evidenciando a transformação da natureza através do trabalho, demonstra que, regionalmente, as atividades de trabalho combinam indiferenciadamente a lavoura, a mineração, a caça, a pesca, a pecuária e a coleta, como é usual no sertão) e Linhagens (abordando os processos reprodutivos biológico e cultural).

Ao entrar na entrada do ambiente lavras, há um painel de fotografias representa aspectos da natureza. Após, espécimes da flora da região, objetos cerâmicos e trançados indígenas compartilham espaço com o Homem do Rio das Almas, fóssil humano datado em aproximadamente 7.500 anos, encontrado no Município Barro do Alto – Go no Sítio  Abrigo Tuvira. Na vitrine seguinte, apresenta pontas de flecha, moedas e anéis: referências à exploração mineral no período colonial e à produção das populações que ocupavam a região Centro-Oeste no período pré-colonial.

Nesta exposição, havia peças e assessórios principalmente produzidos pelos índios Karajás, a primeira peça que encontrei foi uma canoa feita do tronco de uma árvore e estava suspensa em cabos de aço, abaixo, uma representação de um recurso expográfico por um rio por meio de iluminação artificial. Logo mais, há uma projeção de água na parede sobre placas de pintura rupestre é outra instalação que chama atenção para a construção de hidrelétricas na região. Entrando mais adiante, me deparei com o livro Tropas e Boiadas, de Hugo de Carvalho Ramos, onde a Exposição apresentada no Museu Antropológico da UFG é também uma narrativa extraída deste livro. Havia a projeção de trechos de contos de escritores regionalistas destacam algumas das narrativas ficcionais que têm construído culturalmente o Centro-Oeste.

 Em uma das vitrines esta um quadro de uma fogueira pré-histórica e através desta imagem, houve a cópia desta fogueira. Após, havia várias bonecas dos índios Karajá com ilustrações de trabalhos femininos e masculinos com suas ferramentas nas atividades de caças e agrícolas, isto significa cenas do cotidiano imaginadas e realizadas por esse grupo indígena.

Além do mais, aparecem cenas de parto, estas cenas foram as que mais me impressionaram porque retrata a história de vidas deste povo. Em outra vitrine, outra cena que me chamou a atenção, foram as réplicas de animais selvagens e dóceis. Estes bonecos serviam para ensinar as crianças a se tornarem mais hábeis. Estes artesanatos são produzidos por barro branco e utilizando a tinta do jenipapo para produzir o preto e o urucum para a cor vermelha. As peças lembram animais silvestres, figuras místicas e personagem em atividades do dia a dia. Este trabalho destes índios me chamou muita atenção, então fui pesquisar o porquê dos artesanatos produzidos pelos Karajás, encontrei um vídeo com a Direção de Marcelo Silva e apresentado no jornal Globo Repórter da TV Rede Globo, uma entrevista com a índia Seweria Karajá, onde ela diz que, eles fazem estas peças com a intenção de repassar para os mais novos seus estilos de vida para que os povos Karajá não acabem pelo fato de amar a cultura indígena e o Rio Araguaia e caso o índio misturar com o branco, tende a perder estes costumes e não querem que seus rastros e linhagem se percam.

Após, percebi que havia vários quadros na parede com tecelagens e os trançados que revelam suas tramas para falar de cultura. De como está sempre sendo tecida, destecida e retecida. Nas vitrines mais adiante, havia vários tipos de objetos que eram usados antigamente e que serve até hoje, como por exemplo: instrumentos de pá; enxada; foice, colher; ralo feito com madeira espinhosa (este servia para ralar mandioca e são criações dos índios Kamayurá; pilão de madeira; baú de madeira, forma de talha; panelas e vasos feitos com argilas, lamparinas movidas a querosene com vários formatos. Já as vasilhas antigas como pratos; canecas de inox perpetuam até hoje. Os enfeites de patos e galinhas feitos de cerâmicas me lembrou a estante da casa da minha mãe Anatália, ela gostava muito de enfeites em formas de miniaturas. A cortina de guardar colher retrata a história de muitas famílias que a possui até hoje.

Topografias Sobrenaturais: compõe o ambiente que compõem Louvores subdivide em: Objetos de Culto e as Entradas do Sagrado. Após o painel de fotografias que apresenta imagens de festas da região, geralmente de natureza religiosa, o visitante atravessa a representação de um arco de Folia do Divino, que dá acesso à vitrine dos objetos musicais utilizados nos diversos rituais das culturas indígena e popular da região. O tambor de congada, a matraca, os maracás, os chocalhos e apitos revelam a região coabitada por diversos povos e expressam suas sonoridades.

Indumentárias completas e objetos de culto representam diferentes divindades, devoções e concepções mágico-religiosas das populações da região: a máscara ritual vem dos índios Iawalapiti do Xingu; a roupa do congo de um dos ternos das Congadas de Catalão; a vestimenta de Oxum, orixá do Candomblé; a bandeira vermelha do Divino das Folias do Divino Espírito Santo; o ahetô – cocar cerimonial Karajá. Nesse ambiente, há ainda uma vitrine com inúmeros totens Karajá, que evocam suas concepções do sobrenatural.

A seguir, o conjunto de foliões do Divino e os dois cavaleiros – mouro e cristão – das cavalhadas, giram no carrossel ao som de cânticos de folias. Entradas do Sagrado: Atrás da cortina, encontra-se a instalação de que preside a vida religiosa dos brasileiros. Um altar que reúne imagens cultuadas em vários ritos e crenças religiosas e objetos de cultos é ricamente enfeitado e iluminado de forma a sugerir um ambiente sagrado, vário imagens do tipo Nossa Senhora do Rosário, Maria com o menino Jesus, anjos, Divino Pai Eterno, alguns santos como São Jorge e outros que não sei o nome, todos formam objetos de adoração da religião católica, havia a imagem do preto velho, da religião espírita e outras de índios que é profanado por eles como sagrado. Fiquei curiosa em saber se havia alguma representação da religião protestante, a moça que estava me apresentando o museu me disse que para os protestantes, ficaria difícil expressar através de imagens como a dos católicos, porém, ao observar mais, constatei que tinha uma réplica da Bíblia feita de gesso com a ilustração do Salmo 91:1”Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, a Sombra do Onipotente Descansará”.

Com isto, me dei por satisfeita, pois os protestantes acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus e a única Verdade que é para ser seguida como estilo de vida. Ao final da exposição, fotografias de pessoas da região, índios, negros, mestiços, brancos, habitantes de Goiânia e de zonas rurais estão afixadas num jogo de espelhos que convida o visitante ao exercício de pensar sobre o processo de construção de identidades e a entender que todos fazem parte de uma cultura e um povo que vive numa sociedade ou comunidade.

A chegada ao museu Antropológico para mim não foi uma das novidades, pois, encontrava-me já familiarizada com aquele universo “nativo”, foi então que me deparei com uma das maiores dificuldades que poderiam ter surgido naquele momento que foi o de me distanciar do objeto e trazer atona o estranhamento e a desnaturalização de todas as coisas. Precisamos verificar as circunstâncias, o contexto, identificar os fenômenos que se desencadeiam na Sociedade da Informação. Não podemos aceitar o que aparentemente é natural em nosso meio de trabalho, que foi o meu caso, como se assim fosse, para sempre, sem nenhuma expectativa de mudança. Temos que inquietar nossos espíritos, questionar nossa prática, ação e contribuição social. E essa questão é primordial para nós educadores. Necessitamos romper com antigos conceitos e paradigmas, mas isso não se faz com discurso e retórica, se constrói por meio de ações práticas, eficazes e efetivas. Problematizemos nossos fazeres, práticas, conceitos etc, como diz:

A sociologia é uma ciência que se utiliza de métodos e procedimentos objetivos para compreensão da realidade. Métodos e procedimentos objetivos , por definição, universais, que todo cientista usa de modo que “experimento”possa ser refeito. Ou seja, “objetivo” se contrapõe a “subjetivo”, subjetivo significa sentimentos e opiniões particulares. Para fins desta objetividade temos que tratar os “fatos sociais” como coisas , já diria o Durkheim e Weber, que devemos desvencilhar dos juízos de valor de modo que até mesmo um cientista “a explicação sociológica dada. Este cuidado metodológico oferece legitimidade a explicação científica.

Na esfera da ciências sociais uma demonstração científica , metodologicamente correta, que pretende ter atingido seu objetivo , deve ser reconhecido por igual maneira por uma chinês”.Weber, M .Sobre a teoria das ciências sociais .São Paulo.Moraes, 1991.pg11.”

Ao visitar o Museu Antropológico da UFG no dia 15/03/11, pude me deparar com uma exposição cujo Tema se retrata a Lavras e Louvores, nela estão presentes dois aspectos interligados e alternados da vida coletiva: o trabalho e a festa, a lavra e o louvor. A idéia do trabalho e da festa provoca o pensamento sobre os trânsitos, os hibridismos, os excessos, as alternâncias, e todas essas noções estão presentes na discussão contemporânea sobre identidades.

 A exposição Lavras e Louvores se dividem em dois módulos: Paisagem Telúrica e Topografias Sobrenaturais: Paisagem Telúrica: que compõe o ambiente de Lavras se subdivide em: A Flor da Terra (mostrando as potencialidades da paisagem regional na oferta da matéria-prima, bem como os processos de extração e transformação de recursos naturais), De Pedras, Plantas e Bichos (evidenciando a transformação da natureza através do trabalho, demonstra que, regionalmente, as atividades de trabalho combinam indiferenciadamente a lavoura, a mineração, a caça, a pesca, a pecuária e a coleta, como é usual no sertão) e Linhagens (abordando os processos reprodutivos biológicos e culturais).

Ao entrar no ambiente Lavras, há um painel de fotografias representando aspectos da natureza. Após, espécimes da flora da região, objetos cerâmicos e trançados indígenas compartilham espaço com o Homem do Rio das Almas, fóssil humano datado em aproximadamente 7.500 anos, encontrado no Município Barro do Alto – Go no Sítio  Abrigo Tuvira. Na vitrine seguinte, apresenta pontas de flecha, moedas e anéis: referências à exploração mineral no período colonial e à produção das populações que ocupavam a região Centro-Oeste no período pré-colonial.

Nesta exposição, havia peças e assessórios principalmente produzidos pelos índios Karajá, a primeira peça que encontrei foi uma canoa feita do tronco de uma árvore e estava suspensa em cabos de aço, abaixo, uma representação de um recurso expográfico por um rio por meio de iluminação artificial. Logo mais, há uma projeção de água na parede sobre placas de pintura rupestre é outra instalação que chama atenção para a construção de hidrelétricas na região. Entrando mais adiante, me deparei com o livro Tropas e Boiadas, de Hugo de Carvalho Ramos, onde a Exposição apresentada no Museu Antropológico da UFG é também uma narrativa extraída deste livro. Havia a projeção de trechos de contos de escritores regionalistas destacam algumas das narrativas ficcionais que têm construído culturalmente o Centro-Oeste.

 Em uma das vitrines esta um quadro de uma fogueira pré-histórica e através desta imagem, houve a cópia desta fogueira. Em outra vitrine, se encontram várias bonecas dos índios Karajá com ilustrações de trabalhos femininos e masculinos com suas ferramentas nas atividades de caças e agrícolas, isto significa cenas do cotidiano imaginadas e realizadas por esse grupo indígena.

Além do mais, aparecem cenas de parto, estas cenas foram as que mais me impressionaram porque retrata a história de vidas deste povo. Em outra vitrine, outra cena que me chamou a atenção, foram as réplicas de animais selvagens e dóceis. Estes bonecos serviam para ensinar as crianças a se tornarem mais hábeis. Estes artesanatos são produzidos por barro branco e utilizando a tinta do jenipapo para produzir o preto e o urucum para a cor vermelha. As peças lembram animais silvestres, figuras místicas e personagem em atividades do dia a dia. Este trabalho destes índios me chamou muita atenção, então fui pesquisar o porquê dos artesanatos produzidos pelos Karajá,

Após, percebi que havia vários quadros na parede com tecelagens e os trançados que revelam suas tramas para falar de cultura. De como está sempre sendo tecida, destecida e retecida. Nas vitrines mais adiante, havia vários tipos de objetos que eram usados antigamente e que serve até hoje, como por exemplo: instrumentos de pá; enxada; foice, colher; ralo feito com madeira espinhosa (este servia para ralar mandioca e são criações dos índios Kamayurá; pilão de madeira; baú de madeira, forma de talha; panelas e vasos feitos com argilas, lamparinas movidas a querosene com vários formatos. Já as vasilhas antigas como pratos; canecas de inox perpetuam até hoje. Os enfeites de patos e galinhas feitos de cerâmicas me lembrou a estante da casa da minha mãe Anatália, ela gostava muito de enfeites em formas de miniaturas. A cortina de guardar colher retrata a história de muitas famílias que a possui até hoje.

Topografias Sobrenaturais: compõe o ambiente que compõem Louvores subdivide em: Objetos de Culto e as Entradas do Sagrado. Após o painel de fotografias que apresenta imagens de festas da região, geralmente de natureza religiosa, o visitante atravessa a representação de um arco de Folia do Divino, que dá acesso à vitrine dos objetos musicais utilizados nos diversos rituais das culturas indígena e popular da região. O tambor de congada, a matraca, os maracás, os chocalhos e apitos revelam a região coabitada por diversos povos e expressam suas sonoridades.

Indumentárias completas e objetos de culto representam diferentes divindades, devoções e concepções mágico-religiosas das populações da região: a máscara ritual vem dos índios Iawalapiti do Xingu; a roupa do congo de um dos ternos das Congadas de Catalão; a vestimenta de Oxum, orixá do Candomblé; a bandeira vermelha do Divino das Folias do Divino Espírito Santo; o ahetô – cocar cerimonial Karajá. Nesse ambiente, há ainda uma vitrine com inúmeros totens Karajá, que evocam suas concepções do sobrenatural.

A seguir, o conjunto de foliões do Divino e os dois cavaleiros – mouro e cristão – das cavalhadas, giram no carrossel ao som de cânticos de folias. Entradas do Sagrado: Atrás da cortina, encontra-se a instalação de que preside a vida religiosa dos brasileiros. Um altar que reúne imagens cultuadas em vários ritos e crenças religiosas e objetos de cultos é ricamente enfeitado e iluminado de forma a sugerir um ambiente sagrado, vário imagens do tipo Nossa Senhora do Rosário, Maria com o menino Jesus, anjos, Divino Pai Eterno, alguns santos como São Jorge e outros que não sei o nome, todos formam objetos de adoração da religião católica, havia a imagem do preto velho, da religião espírita e outras de índios que é profanado por eles como sagrado. Ao final da exposição, fotografias de pessoas da região, índios, negros, mestiços, brancos, habitantes de Goiânia e de zonas rurais estão afixadas num jogo de espelhos que convida o visitante ao exercício de pensar sobre o processo de construção de identidades.

No dia 4 de abril de 2011, cheguei então a esse lugar o objeto de estudo para então começar a captar sua história, seu xamã, e suas engrenagens. Fiz levantamento de dados que compunham a história do museu, andei pelo espaço físico e conversei com as pessoas que estavam ali presente para uma pequena compreensão daquele objeto para abstrair dali uma pequena síntese do que eu iria então estudar e enfim montar o projeto etnográfico.

Nos dias 6, 7 e 8 de abril, continuamos a trocar informações entre o grupo e coletar mais informações para a construção do caderno de Campo.e aproveitamos para fazer a observação de forma participativa do colégio Shallon que envolviam alunos do 3º, 4º e 5º anos, contendo 54 alunos com idades que variam entre 9 a 12 anos e mais 3 professores. As atividades que foram desenvolvidas e tidas como “ação educativa” se apoiava em recursos da oratória e recursos didáticos como o uso de Data Show e um vídeo, chamado Arte Karajá de Aruanã. Logo após adentraram a exposição para melhor conhecerem sobre o acervo de etnologia indígena, arqueologia e de cultura popular.

Nesse momento me direcionei aos alunos presentes dentro da exposição e fiz as seguintes perguntas para eles: O que vocês estão achando de visitar o museu antropológico? Alguns disseram que o lugar é lindo e que eles estava gostando muito, outros perguntavam quando iriam ver os dinossauros e outros acharam ruim e muito escuro.

No dia 12 e 13 de abril do mesmo ano as 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar da Escola Municipal Camila Scaliz Figueiredo, compondo 33 alunos no dia 12 e 35 no dia 13, do 5º ano do ensino fundamental compondo idades que variam entre 9 a 15 anos, do município de Aparecida de Goiânia que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social.

No dia 28 de abril do mesmo ano as 8 e as 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar de uma escola particular cujo nome é Escola Internacional de Goiânia, compondo 24 alunos, do 5º ano do ensino fundamental com idades que variam entre 7 a 11. Tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre arqueologia. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois a pesquisadora e então, coordenadora do laboratório de arqueologia LABARQUE foi ministrar uma mini palestra falando sobre seu trabalho e sobre seus achados com participação dos alunos e professores. Foi utilizado um vídeo chamado: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90, fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos.

No dia 5 de maio do mesmo ano as 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar da Escola Municipal Professora Deushaydes, compondo 56 alunos do 4º ao 8º ano do ensino fundamental com idades que variam entre 12 a 17 anos do município de Aparecida de Goiânia que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social. Foram tiradas fotos e feitas as perguntas que continham em nosso questionário apoio.

No dia 11 de maio do mesmo ano ás 8:30 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação CEPAE da Universidade Federal de Goiás que se encontra em Goiânia nas proximidades do Campus II Samambaia, compondo 27 alunos do 5º ano do ensino fundamental com idades que variam entre 10 a 12 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos.

. No dia 11 de maio do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Colégio Estadual Manoel vila verde do município de Inhumas do estado de Goiás, compondo 45 alunos do 2º e 3º ano do ensino médio com idades que variam entre 13 a 19 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos. Nesta visita os alunos se comportaram de forma desrrespeitosa e desinteressada apagando as luzes, correndo dentro da exposição gritando uns com os outros e o educador gritava mais alto que os aluno pedindo que eles calassem a “Boca” para ouvirem mas não adiantou no termino perguntei se eles haviam gostado da visita e alguns disseram: A tia esse lugar é muito chato tem coisa interessante aqui?

No dia 12 de maio do mesmo ano ás 8:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação CEPAE da Universidade Federal de Goiás que se encontra em Goiânia nas proximidades do Campus II Samambaia, compondo 34 alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental com idades que variam entre 8 a 10 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos.

No dia 17 de maio do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação CEPAE da Universidade Federal de Goiás que se encontra em Goiânia nas proximidades do Campus II Samambaia, compondo 52 alunos do 6º ano do ensino fundamental com idades que variam entre 10 a 12 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos.

No dia 18 de maio do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Projeto Trilhas Educativas da PRPPG - da Universidade Federal de Goiás que se encontra em Goiânia no Campus II Samambaia, compondo 22 alunos com idades que variam entre 12 a 17 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos.

No dia 18 de maio do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Projeto Trilhas Educativas da PRPPG - da Universidade Federal de Goiás que se encontra em Goiânia no Campus II Samambaia, compondo 22 alunos com idades que variam entre 12 a 17 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos.

No dia 8 de junho do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar da Escola Estadual Veiga Valle, compondo 13 alunos com idades que variam entre 9 a 11 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características, Arte e organização social. As crianças se mostraram interssadas e muito dispostas a aprenderem um pouco mais sobre o grupo “Karajá”.

. No dia 9 de junho do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Colégio Estadual João carneiro do município de Senador Canedo do estado de Goiás, compondo 47 alunos do 9º ano do ensino médio com idades que variam entre 13 a 17 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90, fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos. Nesta visita os alunos se comportaram de forma desrrespeitosa e desinteressada apagando as luzes, correndo dentro da exposição gritando uns com os outros e o educador gritava mais alto que os aluno pedindo que eles calassem a “Boca” para ouvirem mas não adiantou no termino perguntei se eles haviam gostado da visita e alguns disseram:

A tia esse lugar é muito chato esse passeio é horrível e isso não é pras cabeça. Já outros disseram: Gostamos mais nós pensamos que era outra coisa.

Perguntei o que eles haviam pensado do lugar? Eles disseram: A sei lá uma outra coisa com coisas diferentes

. Logo na saída dessa escola os servidores e estagiários deram falta de um aparelho de DVD até então não se sabe se foi levado pelos estudantes ou foram outros alunos que visitaram a exposição no mesmo dia no período da manha ou se foi qualquer um que tivesse adentrado a exposição sem que ninguém percebesse. Em fim a questão que se prega sobre a perspectiva de patrimônio e de educação patrimonial ela a meu ver deve-se passar para a própria de construção de “ser”, de “indivíduo”, de “comunidade”. Com isso, a meu ver levanta-se uma questão importante ao se tratar dessa “educação” e me questiono se esse trabalho de educação patrimonial se atem só e unicamente a figura do professor ou da instituição escolar formal? Essa desvalorização e até mesmo a falta de informação sobre o que o objeto significa, e que ele possui um lugar público, tem que ser trabalhado por outros órgãos que promovem esse tipo de aprendizado e até mesmo museus.

. No dia 16 de Junho do mesmo ano ás 14:00 horas acompanhei na visita do grupo escolar do Colégio Municipal Georgeta Rivalino Duarte (escola em tempo integral), compondo 62 alunos do ciclo I do ensino fundamental com idades que variam entre 6 a 9 anos que tiveram por perspectiva conhecer e trabalhar o tema sobre etnologia indígena e arqueologia. As atividades foram seguidas de uma fala rápida e porem introdutória de uma técnica em assuntos educacionais Joana Cruvinel, sobre as reais perspectivas do museu sobre a construção dele enquanto espaço cultural e educativo. Logo depois foi utilizado um vídeo chamado: “Arte Karajá de Aruanã” abordando a cultura indígena do grupo Karajá, suas características e organização social e o 2º Foi utilizado o vídeo: “Arqueologia em tempo” que aborda as questões sobre o salvamento arqueológico feito na década de 90 fruto de projetos realizados em parceria com o museu Antropológico e outros órgãos. Nesta visita os alunos se comportaram de forma respeitosa observando os objetos de maneira a observarem a cada detalhe

Ambas foram acompanhadas, feitas as perguntas que continham em nosso questionário apoio mais nem todas foram tiradas fotos devido a falta de equipamento.

Forma do questionário:

1)      Você já veio ao museu antropológico?

2)      Com quem veio?

3)      Qual vitrine chamou mais sua atenção?

4)      Gostaria de voltar a este espaço?

5)      Você já visitou outros museus?

ENTREVISTAS:

 

ENTREVISTA COM LENIR MAGALHÃES

 

Entrevistada: Professora Lenir Magalhães

Entrevistadores: Karoline Gouveia Lopes

Cinegrafista: Rafael Coelho

Local: Museu Antropológico

Data: 24/11/2010

KAROLINE GOUVEIA – Professora, acho que podemos começar falando um pouco sobre como a senhora veio para o Museu, como foi essa “atração” inicial.

LENIR MAGALHÃES – Nossa atuação no Museu está relacionada com a disciplina de estágio curricular que nós tínhamos na Faculdade de Educação, o estágio dos alunos de Ciências Sociais. A proposta integrada ao Museu Antropológico surgiu ao trabalhar com os alunos os conteúdos sobre cultura, quando nós nos vimos ligados à atividade cultural que o Museu da própria universidade já fazia. Resolvemos, então, nos integrar a essa estrutura que tinha aqui. Os alunos de Ciências Sociais faziam opção, porque os conteúdos eram vastos, de primeira à oitava série e o segundo grau também. Se eles fizessem essa opção, nós passávamos a trabalhar com essa integração e desenvolvíamos esses trabalhos junto às escolas e o Museu Antropológico, que nessa época, [mi novecentos e] oitenta e cinco, já tinha condições de nos dar toda essa estrutura. Foi muito bom, pois já havia o setor educativo dentro do Museu.  Esse trabalho integrado se pautou por fornecer todos os subsídios que os nossos alunos necessitavam na época para desenvolver práticas educativas dentro da escola. Trabalhamos muito no colégio Olga Mansur. Eu me lembro muito bem que nós despertamos tanto os alunos para esse trabalho junto à comunidade que eles propuseram fazer um museu dentro da escola. Eles trouxeram tudo que era da família. Então, cada aluno no estágio ia desenvolvendo isso dentro da escola.

Foi muito bom! Esse trabalho foi feito inicialmente e depois nós percebemos que necessitaríamos integrar esses conteúdos às escolas e fizemos contatos junto à Secretaria da Educação para ver se fazíamos um trabalho mais integrado com o estado todo. Além do Museu Antropológico, aqui da Universidade, nós começamos a trabalhar também com o Museu Pedro Ludovico. O Museu Pedro Ludovico é a história de Goiás, na época acho que ele estava tentando estruturar-se, mas com muitas dificuldades do [governo do] estado e tal, e lá nós não pudemos nunca fazer um trabalho diretamente com os alunos. Outro museu do estado também, o Zoroastro Artiaga, esse era com muita dificuldade que se podia fazer uma visita. E, assim, o Museu Antropológico aqui pôde nos dar a base para essa integração. Inclusive mais tarde, percebendo que esses professores que trabalhavam no estado necessitavam de um melhor conteúdo nessa área, nós propusemos um curso de atualização, que foi muito bom. Foi uma integração muito boa, tivemos até alunos de fora.

KAROLINE GOUVEIA – Esse curso foi realizado aqui no Museu?

LENIR MAGALHÃES - Foi realizado aqui no Museu, o “Curso de Atualização Abordagens Metodológicas e as Propostas Alternativas do Museu Escola”. Quer dizer, foi uma semente que nós plantamos e a partir daí nós percebemos que os professores da rede pública puderam ficar mais ligados a essa atividade. Porque era muito triste, eu tenho até uma história interessante para contar, que a primeira vez que nós trouxemos as turmas aqui no Museu Antropológico os alunos não estavam preocupados com o que eles iam ver no Museu, eles queriam era beber água gelada (risos). Então, faziam fila para beber água. Era o novo para eles, sabe, e teria que ter muita motivação pra fazer com que esses alunos se ligassem às questões que tinha no Museu. Quando nós tivemos aqui a exposição sobre a pipa foram várias visitas programadas com os alunos da rede pública, foi muito bom. E todas as exposições aqui, tudo que nós precisávamos o Museu levava até a escola, uma estrutura invejável.

KAROLINE GOUVEIA – E oficina, também tinha atividades de oficina?

LENIR MAGALHÃES – Aqui tinha sim, quando das oficinas eu trabalhei mais dentro do Museu, apoiando os trabalhos comunitários. Agora, o Museu é que muitas vezes ia à escola, nós levávamos vídeos, levávamos tudo, e tentávamos programar uma visita até aqui. Essas visitas foram mais quando nós tivemos a exposição da pipa, por que as outras exposições teriam que ser mais temáticas. Tudo isso despertou muito a criançada, eles despertaram até para recolher material e preparar na própria sala de aula. Foi muito bom, muito gratificante na época!

KAROLINE GOUVEIA – E essa integração com a comunidade, como era, a comunidade participava desses processos, as escolas participavam bem?

LENIR MAGALHÃES – Para a integração da escola teríamos que ter a motivação do professor. O professor da escola pública é pouco motivado. Quando eu chegava com os meus estagiários – agora eu vou falar do negativo - eles passavam a ser substitutos dos professores, nem na sala de aula eles gostavam de ficar. Por isso, esse curso que nós propusemos foi para ver se motivávamos mais o professor. Para ele se preparar, porque o professor foge no momento em que ele não tem o conteúdo, não tem estrutura, não tem condições de trabalhar esses conteúdos. Então, muitas vezes, era a hora dele ir ao médico, era a hora dele não vir à visita, entendeu? Essa integração era penosa, para se conseguir que as escolas se integrassem mesmo. Depois do curso com os professores, dessa atualização, nós acompanhamos algumas escolas com esse trabalho. Isso foi muito bem desenvolvido. Nós conseguimos estruturar, depois que os professores já estavam preparados e motivados. Então essa integração houve na comunidade também. Com muito esforço veio a comunidade aqui do Setor Universitário. Nós convidávamos algumas escolas, convidávamos alguns bairros, tinha algumas lideranças de bairros também, que nós trabalhamos com elas aqui no Setor Educativo. Eu acho que, na época, de [mil novecentos e] oitenta e cinco a noventa e dois, o que nós pudemos fazer nós fizemos. Inclusive nem o prédio todo era do Museu, nós ficávamos aqui com uma locação só de uma parte. Então, às vezes até incomodava quando íamos fazer alguma atividade aqui, porque outros profissionais trabalhavam aqui próximo. Mas tudo que nós fizemos foi muito bom, da pipa eu me lembro muito bem, e as outras exposições também.

KAROLINE GOUVEIA – E a área educativa tinha uma equipe suficiente, atuante nesses projetos?

LENIR MAGALHÃES – Olha, o setor responsável tinha a Joana na época e alguns professores. Eu estava aqui como professora do estágio. Não, não havia uma equipe, quem integrava aqui eram os estagiários e os professores, nós estávamos sempre à disposição para programar visitas, dar apoio. O setor funcionou dessa forma. Agora, o meu trabalho aqui, além de eu fazer algumas horas no setor educativo, apoiando, meu trabalho era essa integração com a escola. Os meus estagiários do curso de ciências sociais que faziam opção por esses conteúdos, os que optavam por trabalhar dentro do currículo, por exemplo, se escolhessem conteúdo para uma oitava série ou sexta série, eles trabalhavam os conteúdos culturais já voltados para uma programação aqui no Museu. Eles tinham que elaborar um projeto e o setor educativo dava todo o apoio para desenvolver esse projeto dentro do estágio curricular.

KAROLINE GOUVEIA – Como a senhora via a atuação do Museu dentro da universidade nesse momento? Os professores vinham, a universidade dava um apoio também? Porque hoje a gente percebe que ele está tendo cada vez mais visibilidade, mas é um processo árduo de divulgação...

LENIR MAGALHÃES – Olha, eu acho que com muita luta. Com o professor Acary eu não trabalhei, já trabalhei na gestão da professora Edna e foi só também na gestão dela, a da professora Dilamar eu não estava mais, tinha me aposentado. Mas eu percebia que o Museu, dentro da universidade, tinha uma visibilidade que, eu diria assim, era pequena, mas quando ele se apresentava!!!!! Porque a professora Edna tinha um empenho enorme, ela estava sempre ligada, atualizada, desenvolvendo projetos... o Museu com uma ligação nacional e internacional, nós fazíamos curso fora, participávamos de congressos. Então eu acho que o Museu era muito mais conhecido lá fora do que aqui dentro da universidade, sabe? Agora, o esforço da professora Edna de trabalhar, e o que eu podia perceber na comunidade museológica, é que o trabalho desenvolvido aqui era de excelência, tanto em relação à cultura indígena como arqueológica. Era de ponta, sabe? Quando havia as apresentações fora as pessoas tinham muito respeito, não só respeito, mas era um trabalho acadêmico muito bem feito, invejável.  Porque existem várias linhas de pesquisa, algumas mais soltas e outras - não vou falar mais sérias, mas com mais critérios - com muito mais critérios metodológicos para desenvolver pesquisas, e aqui, quando nós saíamos com os vídeos, com as apresentações que a professora Edna e os outros professores faziam, com as preciosidades daqui - que você sabe que existem – elas eram invejadas para estudo, para tudo.

Agora, quanto à integração dentro da universidade, eu estava aqui com o projeto museu-escola, a professora Marcolina com a parte cultural de tecelagem e a parte de linguística com a professora Lydia, a professora Raquel e outra professora também, que eu não me lembro o nome dela no momento. Essas professoras desenvolviam aqui um grande trabalho. E o trabalho também da professora Edna, que foi uma pesquisa extensa, muito longa, mas muito rica. Agora, na Universidade, eu acho que hoje o Museu está muito mais presente, não sei se ele cresceu, não sei se o trabalho ficou mais aberto, não sei se é em função do momento, mas também não sei se vocês têm as mesmas dificuldades hoje.

KAROLINE GOUVEIA – As dificuldades são muitas, ainda (risos), mas tanto na sua fala quanto de várias outras pessoas está presente essa questão de nesse período terem ocorrido vários cursos, a senhora poderia falar um pouquinho sobre esses cursos, como eles eram?

LENIR MAGALHÃES – Olha, para os cursos aqui no Museu vinham diversos profissionais. Eu fiz vários cursos aqui, uma bateria que deu para mim até - eu não tenho o mestrado, mas eu quase cheguei ao doutorado de tanta carga horária de cursos que eu fiz aqui. Porque eu tinha a minha disciplina e era difícil uma saída na Faculdade de Educação, então eu aproveitava o máximo aqui no Museu Antropológico. Foram vários cursos com profissionais muito bons, principalmente de São Paulo, Rio, Belém do Pará. Nossa, em todas as áreas aqui do Museu eu fiz cursos, tive uma ótima visão, e o pessoal foi muito bem preparado. Eu acho que a equipe que a professora Edna preparou na época, em relação a esses cursos, foi muito boa. Cursos de especialização, inclusive, a Católica aqui não tinha esses cursos, depois que o IGPA começou mais a intensificá-los.  Os professores da Católica também faziam os cursos aqui, os da área de Antropologia. E eu que me dediquei sempre à Sociologia, pois eu lecionava Sociologia e depois passei a trabalhar com estágio lá na Faculdade de Educação, às vezes ensinava um pouco de Antropologia. Só Antropologia Social, outra Antropologia eu não trabalhei. Mas aqui convivi com professores da Faculdade de Educação e, às vezes, algum professor da área na rede pública e os cursos que eu fiz aqui foram excelentes.

KAROLINE – O Museu era então uma referência, em se tratando de Antropologia?

LENIR – Antropologia no Estado de Goiás. Agora, as dificuldades, que são as dificuldades inerentes à estrutura da universidade, você sabe disso, não é? Você não pode sair fazendo qualquer coisa, você tem parece que uma camisa de força, isso pode, isso não pode, isso não pode vender, você não pode vender nem a idéia (risos). É complicado, porque é setor público,  e o setor público não é uma empresa. 

KAROLINE GOUVEIA – Acho que a senhora até já começou a falar um pouquinho sobre isso, mas o que, no decorrer desse tempo, mudou no Museu Antropológico?  Talvez, por estar fora da universidade consiga ver o Museu de uma outra forma.

LENIR MAGALHÃES - Nossa, é um longo período mesmo, desde noventa e dois.   Eu acho que cresceu muito e hoje eu acho que vocês trabalham com muito mais abertura, apesar de ter algumas limitações ainda. Mas, em relação a essa visão do museu estando fora, diante da minha época eu acho que o Museu atende mais a comunidade do que antes, principalmente a comunidade universitária. Eu não sei se os cursos ainda estão voltados para a Museologia, para os temas culturais, pois estou fora da academia e não tenho mais conhecimento das temáticas, dos currículos, mas eu me lembro que era bem incipiente e acho que cada dia foi crescendo mais e hoje é uma comunidade grande.

KAROLINE – Bom, pelo que a gente vem acompanhando nas entrevistas, a gente percebe que esse período dos anos oitenta foi de efervescência, tinha muitos cursos.  Até  hoje muita gente que atua aqui estava nesse período como estagiário, participando desse processo formativo.

LENIR MAGALHÃES – Eu tenho vários alunos aqui, no dia da homenagem, da festa de 40 anos, fiquei surpresa. Falei – “Nossa, está todo mundo aqui trabalhando”. Isso é muito bom, eu me sinto gratificada com isso, porque você conseguiu, porque quando a gente é professor é tão bom quando o aluno se interessa por aquilo que é foco para você, que é objeto para você, aí quando você vê aquela continuidade você se sente bem! O trabalho da Marcolina também é assim, e a professora Edna então, muito bom o trabalho dela. A Edna, nem sei como dizer, uma guerreira viu, junto com a professora Judite. As duas, a Edna e a Judite, como elas batalharam para que esse Museu crescesse e que chegasse onde está hoje. Hoje já tem outras gestões que pensam diferente às vezes, pensam de forma diferente em relação a apresentação do Museu à comunidade, mas a professora Edna  tinha um potencial, uma dedicação e uma vontade grande de que esse Museu nunca se acabe.

Como eu não sou da área da museologia, eu fico encantada.  Eles pensam o museu. É uma coisa linda! porque quando você passa a fazer parte disso com qualquer objeto você dá uma aula, você resgata a cultura. Era isso que eu ensinava para os meus alunos, que com qualquer coisa, qualquer situação, por exemplo, uma situação em sala de aula que hoje a gente vê aí, pode-se trabalhar esses temas. Eu tinha uma aluna estagiária que ia falar sobre etnia na aula, preparando aqueles conteúdos muito formais. Ela estava dando a aula sobre discriminação, sobre raça, explicando tudo sobre etnia. Aí, durante o recreio, um aluno não saiu da sala. Eu fui conversar com ele e ele disse que não saiu para o recreio porque os meninos brincavam com ele, porque ele era muito branco. Você tem que trabalhar todos esses lados, então eu enriqueci a aula da aluna dizendo - “ele tem um depoimento a fazer, não foi ao recreio por que ele é branco demais e os meninos fazem chacota, brincam com ele. Então não se pode pensar que o índio é diferente, o negro é diferente, o muito branco ou o branco é diferente. Somos todos diferentes, não somos iguais”. Eu gosto disso porque acho que é no meio que você resgata tudo isso, então qualquer situação é importante. Um objeto que um aluno levava de casa, aquilo é uma aula. Aqui no museu eu aprendi a fazer isso, valorizar tudo, aqui se valoriza tudo!

O meu trabalho aqui no Museu, sendo professora da universidade, eu achei gratificante. Eu me preparei, dentro das Ciências Sociais, nesse trabalho educativo com museus. Esses projetos museu-escola, eu deixei uma semente na rede pública. Se essa formação dos professores foi desenvolvida ou não, hoje eu não sei se ela chegou a contento, mas para mim foram bons tempos aqui no Museu e devo, inclusive, a minha formação de pós-graduação ao Museu Antropológico. Agradeço muito, principalmente ao tempo em que eu estive aqui na gestão da professora Edna, junto com a professora Judite e todos. Eu agradeço muito!

ENTREVISTA COM MARCOLINA MARTINS

Entrevistada: Marcolina Martins Garcia

Entrevistadora: Marisa Damas Vieira

Cinegrafista: Welbia Carla Dias

Local: Residência da Entrevistada (Conjunto Itatiaia)

Data: 29 de outubro de 2010

MARISA DAMAS – Bem, professora Marcolina, vamos começar pensando sua participação enquanto aluna da UFG, já que a sua aproximação inicial da idéia, ou dos anseios por um museu na universidade, começaram por aí. Como foi esse período e essa aproximação da Antropologia e da criação de um museu?

MARCOLINA MARTINS – Bom dia, muito obrigada, é um prazer estar aqui falando dos 40 anos do Museu Antropológico e muito bom poder relembrar aqueles momentos que o Museu existia apenas na cabeça das pessoas. Era uma idéia! Enquanto aluna da Universidade Federal de Goiás, quando fazíamos o curso de Geografia e História, nós tivemos a oportunidade de visitar o Parque Nacional do Xingu com o professor Vivaldo [Vieira] Silva e o professor Acary de Passos Oliveira, quando o Museu era apenas uma idéia que estava na cabeça de algumas pessoas da Universidade, e mesmo de fora da Universidade, como é o caso do professor Acary. Nessa época, também o professor Juarez Costa Barbosa era um defensor dessa idéia, da necessidade de criação de um espaço em que os alunos da área, principalmente do curso de Ciências Sociais e também da área de História, tivessem como desenvolver uma atividade prática, uma atividade que não fosse apenas repetitiva, teórica, dos livros. Então, enquanto aluna, em 1968, nós estivemos no Parque Nacional do Xingu e eu era monitora do Professor Vivaldo. Depois, já pertencente à Universidade, eu estive lá novamente, para fazer uma pesquisa e coleta de material com o professor Vivaldo, para um trabalho dele que era, se não me engano, sobre a organização social entre os índios do Parque Nacional do Xingu, principalmente os índios Waurá. E aí nós já coletamos algum material para o Museu Antropológico, já dentro dessa idéia de realização, de concretização deste. Porque, na verdade, tudo surge primeiro no mundo das idéias, e várias pessoas estavam compartilhando, divulgando essa intenção de se criar um espaço de pesquisa. E agora a gente já tem esse espaço completando 40 anos, é uma alegria muito grande! A data de criação do Museu Antropológico é 1970, se não me engano, e já está aqui no mundo das formas, no mundo da realidade, essa instituição que surge de uma idéia desenvolvida por pessoas pioneiras, de criação de um espaço dentro da Universidade Federal de Goiás.

MARISA DAMAS – Professora Marcolina, como era pensar a criação de um museu antropológico, universitário, no contexto daquela época? A gente sabe que era um contexto de período militar, que traria muitas dificuldades, porque, é claro, as estruturas para isso ainda não existiam. Como foi pensar isso coletivamente, houve muitas rejeições a essa idéia?

MARCOLINA MARTINS – Ah, sim, como toda inovação, toda coisa nova quando surge causa um certo impacto, um mal estar. E eu confesso que tinha muitas pessoas da universidade, professores, que não acreditavam na realização, e também não viam com bons olhos. Porque seria muito dispendioso, era uma coisa de visionários, muito ilusória... Mas, felizmente, os defensores de fato dessa idéia, da criação do museu de antropologia, conseguiram levar adiante e realizar esse trabalho, que trouxe tanta alegria, felicidade e benefícios. Então, de uma necessidade premente de um espaço para que os alunos pudessem fazer os seus trabalhos, agora a gente já tem na realidade um centro de pesquisa, uma referência nacional em Antropologia, com acervo. E, depois, com a contratação, pois houve um concurso na universidade e nesse concurso entraram pessoas que como alunas defendiam a idéia, foi aumentando o número de pessoas interessadas a levar adiante. Então entrou nessa época a professora Edna Luísa de Melo Taveira, também o professor Acary de Passos Oliveira, e eu, Marcolina Martins Garcia. O professor Juarez já era professor na universidade, e depois veio a professora Judite Ivanir Breda. Na minha memória, são pessoas que defenderam a unhas e dentes essa idéia de criação do Museu Antropológico. Não foi fácil, mas foi possível!

MARISA DAMAS – Sua entrada como docente na universidade coincide com os primeiros passos, com esse período inicial do Museu. Como era a questão da pesquisa, houve primeiro essas visitas a campo no Parque do Xingu, trouxeram um material que já constituiria a base para o acervo do Museu, e as suas pesquisas, elas ficaram voltadas para a questão indígena? 

MARCOLINA MARTINS – Olha, a vida oferece oportunidades que a gente talvez não tivesse esperando. Porque todo mundo esperava, e eu também, que eu fosse desenvolver meu trabalho na área ligada a populações indígenas brasileiras e também quando se falava em Antropologia, para nós que fazíamos o curso naquela época, era só índio, índio, índio. Antropologia era mais estudo de populações indígenas ou de Arqueologia, populações indígenas do passado, estudando os vestígios culturais. Mas eu acabei não ficando nessa área de populações indígenas, de etnologia. Na verdade, o leque de possibilidades é muito grande e os alunos, de uma maneira geral, também os professores na condição de alunos - na hora de fazer um mestrado, desenvolver uma pesquisa - têm várias possibilidades. Às vezes começa uma área e depois acaba indo para outra e às vezes, sem nem perceber, já está na outra. A gente é conduzido. Eu, primeiro, tive o projeto “A Umbanda em Goiânia” e foi com esse trabalho que eu estava, a gente fazia o trabalho via parte bibliográfica, parte de campo. Eu fui para o Setor de Folclore do Museu, fiz alguns cursosem São Pauloe fiquei muito encantada com a questão da cultura popular, de uma maneira geral, e fui para o lado da umbanda em Goiânia, que é voltada mais para essa questão da cultura no nível ideológico. Eu estava já desenvolvendo esse trabalho quando surgiu uma oportunidade de trabalhar a cultura material, a gente sempre estudava a parte da cultura material porque tinha que fazer coleta, tinha objetos. E aí eu tive problemas em casa para desenvolver esse “Umbanda em Goiânia”. Eu tinha dificuldades, mesmo como professora da universidade. Eu ia com o seu Amâncio, saudoso senhor Amâncio, que era fotógrafo, ele tirava as fotografias e a gente desenvolvia esse trabalho sobre a umbandaem Goiânia. Maseu tive problemas em casa com os meus pais, meus pais espirituais, eles achavam muito estranho eu estar frequentando terreiro. – “Terreiro de umbanda, meu Deus do Céu, estudou, fazendo um curso superior e ficar frequentando terreiro”. Então eu falei, -“Mas eu estou fazendo um trabalho de pesquisa!”. E a gente ia para Inhumas, ia buscar mais informações, tinha um grupo grande lá em Inhumas nessa época. Mas depois eu resolvi, fiz um relatório, entreguei no departamento, anexei as fotografias e desisti do nível ideológico da cultura, por questões familiares.

Nós tínhamos um trabalho sobre artesanato em Goiânia e nos municípios limítrofes, municípios vizinhos de Goiânia. Esse trabalho até tinha a participação da FUNARTE e daí foi que surgiu a questão da Tecelagem Artesanal. Na hora de desenvolver o trabalho, a pesquisa de campo, eu fui para Hidrolândia, então o meu trabalho ficou sendo “A Tecelagem Artesanal em Hidrolândia – um estudo etnográfico”. Para mim fazia muito sentido, porque minha mãe sabia tecer, tinha sido tecedeira, então era uma coisa que não me era estranha. A gente podia ter escolhido outro município qualquer, porque nos diversos municípios vizinhos de Goiânia tinha bastante tecedeira naquela época, Goiânia também tinha, mas aí eu fui para Hidrolândia, quando nós fizemos a pesquisa de campo e coletamos material já com a intenção de compor o acervo do Museu de Antropologia. Então meu mestrado na USP é sobre cultura material, em Antropologia Social, mas nós trabalhamos a tecelagem artesanal em Hidrolândia, um estudo etnográfico. Esse material de campo, os objetos que foram coletados, fazem parte do acervo do Museu Antropológico e naquela exposição permanente[1] era, se não me engano, o circuito três, com os instrumentos utilizados pelas tecedeiras e também o produto final, acabado. Então é assim, a gente às vezes nem espera e de repente já está fazendo uma coisa que faz mais sentido na sua vida, que você não encontra barreiras familiares, aí você pode desenvolver o seu trabalho mais tranquilamente.

MARISA DAMAS – E esse acervo, quando ele chega e passa a ser incorporado pelo Museu, como foi organizar isso num museu que ainda era incipiente, que ainda estava se estruturando?

MARCOLINA MARTINS – Olha, na verdade, o acervo já foi adquirido pela Universidade Federal de Goiás. Então não é um acervo que eu adquiri com os meus recursos e passei para a Universidade não. A universidade adquiria e eu apresentava recibos, porque o pessoal não tem como dar nota fiscal; e já vinha com todas as informações. O que me coube como pesquisadora foi ter aquele cuidado de pegar os dados sobre cada peça e na hora, dentro do museu, a sequência, mostrar com uma proposta mais didática possível, para as pessoas compreenderem todo um processo, que no trabalho que nós fizemos vai desde o plantio até a venda do produto acabado. Mas tem, como dizia a minha orientadora, a saudosa Tekla Hartmann, tem toda uma parafernália e toda uma sequência de uso. Então, na exposição, que não está montada atualmente, tinha a preocupação dessa sequência do uso dos instrumentos, da tecelagem artesanal na ordem, ou seja, tinha tipos de sementes de algodão diferentes, porque na semente está contida toda a idéia do pé de algodão e do algodãoem si. Olhaque coisa bonita, em uma semente você tem toda uma idéia de uma planta futura, com todos os seus detalhes. E a gente tinha algodão com cores diferentes, então procuramos coletar sementes do algodão pardo, sementes do algodão maranhão, sementes do algodão comum; enfim, essa semente tem também a parte da tintura dos tecidos, da fibra. Então tinha objetos representativos dessa tintura, como o açafrão, o anil, enfim, diversos que constam também no trabalho, que foi publicado pela universidade. Primeiro vem o arco que é para “fofear” o algodão, depois vem a carda, que é para organizar em “pastas”, depois vem a roda, que é para fazer o fio, depois vem um instrumento para retirar esse fio da roda, que é o caneleiro, depois vem a urdideira, que já é para urdir. Na urdição já tem a programação do padrão do tecido, do comprimento e da largura do tecido. E isso tudo baseado em pequenas amostras chamadas repassos.

O repasso para a tecedeira é a programação do padrão do tecido. E aí, nesses repassos que a gente copiava, elas falavam assim - “Aqui é o pispio, aqui é o pispio”. Então o pispio é o começo, o começo da programação até a parte final. Isso tem no trabalho que foi publicado pela universidade na Coleção Documentos Goianos, número 10; tem bastante detalhe. E, no final, o instrumento grande, que é o tear propriamente dito. E tinha dois tipos de tear, tinha o tear afixado no chão e tinha um outro tear que podia ser transportado. Então, um era só dois esteios fincados no chão e todas as outras partes penduradas nesses dois esteios, e o outro já era uma espécie de uma mesa, um quadrado com esse material ali. E cada peça com um nome; aí vem o detalhe da etnografia, de ver esses nomes de cada uma dessas pecinhas, como se encaixam. E depois a urdideira. Também tinha tipos diferentes de urdideira. A gente procurou coletar objetos diferentes, as amostras dos tecidos também; algumas colchas, alguns tecidos para corte de calça, e esse material ficou fazendo parte do acervo do Museu Antropológico, e ainda continua lá. Então o produto, desde o início, da idéia na natureza da semente, do algodão, depois todo o processo do entrelaçamento, do preparo, e depois do entrelaçamento dos fios o produto acabado, que são cortes de calça, cobertas, mantas  - que o pessoal fala - mas o pessoal do interior fala é coberta mesmo, com vários modelos diferentes, dependendo do padrão. Enfim, é isso.

MARISA DAMAS – Na entrevista com a Professora Edna, ela citou que no momento em que o Museu estava se estruturando não havia pessoas especializadas em museu aqui e foram trazidos vários cursos preparatórios. Parece que foi um momento muito importante para a formação das pessoas. Você acompanhou esse momento?

MARCOLINA MARTINS – Sim, essa parte de cursos específicos dentro da Museologia. A professora Edna, logo depois que nós entramos na universidade, foi fazer o mestrado delaem São Paulo.Elajá estava com essa ideia de Museologia mais clara na cabeça e pegou mais cursos de Museologia e, enfim, desenvolveu o trabalho dela sobre os índios Karajá, se não me engano principalmente cestaria Karajá.   Eu também fui para lá [em São Paulo] fazer o mestrado, quando ela veio, mas a gente ficava buscando informações de Museologia sem ter feito cursos específicos na área de Museologia, depois foi que nós fizemos cursos. A professora Edna, devo reconhecer, eu a admiro muito como colega, como diretora do museu, como pessoa muito dedicada à Antropologia, à Museologia. E a professora Judite também. Elas fizeram, e eu também participei, desses cursos específicos de Museologia. Mas aí já tinha uma abertura maior dentro do Departamento de Ciências Sociais, já tinha uma aceitação maior. Porque eu acho que o pessoal não acreditava mesmo; achava que não ia acontecer, e depois que a realidade foi surgindo, as pessoas passaram a aceitar mais, a facilitar a vinda de pessoas da área de Museologia, da área de Antropologia também, para ministrar cursos. E não só alunos, monitores, mas também nós professores participávamos. No início a gente participava, assistia os cursos e depois já passamos a ministrar, principalmente a professora Edna, que já deu vários cursos na área de Museologia.

MARISA DAMAS – Professora, qual o balanço que a gente poderia fazer do processo de criação e estruturação desse museu, que hoje chega aos quarenta anos. No seu ponto de vista, qual foi a importância do Museu Antropológico, se nós formos pensar a antropologia em Goiás,em Goiânia. Elecontribuiu realmente, a idéia inicial era essa e se conseguiu isso durante esses quarenta anos?

MARCOLINA MARTINS – Olha, nesses quarenta anos, sinceramente, eu acho que superou a expectativa. A gente tinha uma idéia e essa idéia foi crescendo, avolumando, não só dentro da universidade, entre alunos e professores, mas também com outras instituições. O Museu Antropológico hoje, completando seus quarenta anos, no meu ponto de vista superou as expectativas. Veja que hoje é uma instituição idônea, que tem definido o seu quadro de pessoal, tem definido o seu espaço físico, que também foi uma coisa muito difícil. Essa parte do espaço físico do Museu Antropológico, só isso aí nós iríamos muito longe para falar das dificuldades que a gente tinha, das chuvas. De repente estávamos no prédio e caía chuva, molhava máquinas, molhava os objetos, molhava o fichário, e era aquela correria de mudança. A gente ficou ali em um espaço, nem me lembro direito por onde nós passamos, mas ficamos no Lago das Rosas, antes passamos por um espaço no Setor Universitário, que é dessa época da chuva. Não sei se era Faculdade de Nutrição ou de Enfermagem, um prédio velho que tinha muita goteira. Depois fomos para o Lago das Rosas e, finalmente, para esse espaço definitivo, que também era pequeno e depois foi ganhando mais salas, no andar de cima, no andar de baixo. Porque era tudo muito pequeno.

Agora hoje já tem o Setor de Arqueologia, que está bem encaminhado, e eu fico muito feliz de saber que a professora Dilamar tem se dedicado ao máximo, porque a Dilamar, assim como a Nei, foram nossas alunas. Então hoje a Nei está na diretoria, a Dilamar está à frente da parte de Arqueologia. Da parte de educação, a Joana, a Cida, também foram alunas nossas de universidade, e a gente vê que tem ligação com vários órgãos que acreditaram na ideia, investiram e deu certo! E naquela festa de confraternização dos 40 anos eu fiquei emocionada, porque eu fiquei pensando assim –“Puxa vida, se não tivesse pessoas que acreditassem e levassem adiante, hoje ainda os alunos estariam aí sem ter um espaço para desenvolver pesquisa, para desenvolver a parte prática. Porque antes era só ensino-ensino, de repente vem o tripé ensino-pesquisa-extensão, mas a extensão ficava uma coisa bem distante também, então a gente ia para Picos, no Piauí, agora já tem vários espaços de extensão mais próximos de Goiânia. Quer dizer, a universidade cresceu, e o museu cresceu junto, ou o museu cresceu e a universidade cresceu junto. Então foi uma simbiose, e uma parceria que valeu muito. E eu fico muito feliz de hoje estar aqui ainda podendo curtir esse momento de quarenta anos do Museu Antropológico da UFG com tanta alegria, tanta festa, tanta satisfação e tanta realização, pleno de êxito. Parabéns para os que idealizaram e parabéns para os que realizaram este sonho, da universidade ter um Museu de Antropologia. E parabéns para os que estão fazendo parte do sonho, pesquisando; pesquisadores, alunos, professores. Então que sejam bem vindos e que continuem sempre, porque uma instituição dessa eu acho que a gente não pode falar só por mais quarenta anos. Então, muitos outros quarenta anos de sucesso, de empreendedorismo, de dedicação das pessoas, de busca do conhecimento, para entender melhor esses níveis operacionais da cultura, adaptativo, associativo e ideológico.

Uma outra pesquisa que eu tive a oportunidade de participar junto ao Museu Antropológico, aliás, até de coordenar, foi uma da ação educativa. A gente fala que estávamos com a faca e o queijo na mão, porque nós tínhamos na sala de aula professores da Rede Municipal e Estadual de Ensino e nós já estávamos podendo contar também com o Museu de Antropologia. Então, não podíamos deixar essa ideia de museu ficar tão defasada e tão distante na cabeça das pessoas, que só iam descobrir isso quando chegavam dentro da universidade; os alunos só iam descobrir essa ideia de Museu de Antropologia dentro da universidade. Nesse sentido, nós elaboramos um projeto, junto com minhas alunas, levamos à Funarte, levamos à Brasília, e conseguimos financiamento. Esse projeto foi desenvolvido inicialmente nestas escolas onde tínhamos alunos, e também no Colégio de Aplicação, porque a universidade tem um espaço que é voltado para a questão da educação, ensino do primeiro e do segundo grau, mas que também era distante, não se falavaem museu. Aínós resolvemos, a partir do Colégio de Aplicação, desenvolver esse trabalho trazendo exposições do Museu ao colégio, levando os alunos do colégio ao Museu, para conhecer o Museu, e levando essas idéias, do que é museu, o que é Antropologia, dos objetos contidos. Levávamos crianças e essas crianças faziam desenho sobre o que tinham visto, se não sabiam escrever, se já sabiam escrever faziam uma redação sobre a impressão que tinham tido da visita ao Museu Antropológico. E daí surgiu esse trabalho, que foi um trabalho maravilhoso na época, porque a gente apresentava nas reuniões do Colégio de Aplicação e tivemos a participação dos professores das diversas áreas do conhecimento. E a gente procurava, cada professor na sua área específica, descobrir como utilizar o Museu Antropológico dentro da sua sala de aula. E foi muito bom, porque entrou professor de ciências, de matemática, de história, de geografia, e eles fizeram uma horta, faziam os cálculos do plantio das mudas, distribuição das sementes, a distância entre cada uma, aí cada professor trabalhava na sua área. E foi muito profícuo esse período.

Em um segundo momento desse projeto, depois que saía da Faculdade de Educação essa experiência era levada para algumas escolas. Aí é que foi um desafio, a gente procurou pegar escolas distantes uma da outra e de regiões diferentes. Os professores dessa escola vinham ao museu, iam até o Colégio de Aplicação também, ouviam o depoimento dos professores. Então era a escola Aécio de Oliveira Andrade, tinha a Escola Municipal da Vila Redenção, que eu já havia dado aula anteriormente, antes de entrar para a universidade. Tinha também a escola Olga Mansur, no Criméia Leste, essas escolas distantes, que a gente ia para conquistar os professores. Montávamos a exposição com os objetos, com o acervo do museu, e os alunos faziam os trabalhos. Enfim, foi uma época muito rica de experiência. E lá no Colégio de Aplicação quem ficou na coordenação foi a professora Nancy Esperança Lopes, mas tinha a participação dos professores, professor Geraldo da parte de redação, professor Vítor, se eu não me engano, da parte de história, professora Marina, da parte de ciências, e tinha um outro de matemática, que eu não estou me lembrando o nome agora. Enfim, houve uma participação e as pessoas descobriram a possibilidade de trabalhar dentro de um espaço da própria universidade e fazer essa interação de conteúdos programáticos, para não ficar estanque, havia um entrosamento. E isso a gente fazia com recurso do MEC, voltado para essas escolas e também para a universidade.

E na época, eu quero agradecer a Natividade, que me ajudou muito. Porque eu, envolvida com isso, não entendia nada de administração, e o material não podia ir direto para a escola, tinha que ficar sob a forma de comodato na Universidade, e o pessoal da escola achava que o recurso era só para a escola. Então foi uma época bem difícil, de difícil entendimento, para ver onde é que ficava o dinheiro ou os objetos adquiridos com o recurso; quem é que ia receber e receber para fazer o quê. Porque muitas pessoas achavam que era só pertencer àquela escola, automaticamente já estaria constando na folha de pagamento. Não, tinha que demonstrar uma produtividade, ou seja, participar das reuniões, participar da montagem da exposição, montar exposição com os objetos que as crianças traziam de casa, para se ter uma ideia do que era um museu. Pedia para anotar direitinho os nomes e aí montava exposição nas próprias escolas. Eu acho que uma pessoa que ajudou muito nesse projeto também foi a Joana, que participou. Depois também teve o projeto da pipa, a pipaem Goiânia. Achoque foi o último projeto da universidade, do Museu, que eu participei. Sobre a pipa, a gente foi buscar informações, não só objetos, mas informações, e também fazedores de pipa. E aí nós entrevistamos as pessoas, montamos a exposição, essa exposição ficou no Museu e depois acho que andou, foi em escolas também, itinerante. Enfim, um objeto do dia-a-dia de adultos, adolescentes e crianças sendo tratado de uma forma museológica, museográfica. Então foi abrindo a cabeça das pessoas para essa questão específica.

De1982 a1986 eu tive um probleminha de saúde, problema que foi superado, Acabei me aposentando em 1992 e quando eu me aposentei deixei alguma produção do meu trabalho como professora e como pesquisadora, e também muita saudade, com as pessoas que a gente desenvolveu a pesquisa. Em Hidrolândia até hoje eu participo dos encontros das tecedeiras, elas me telefonam. Agora já são as filhas daquelas informantes, elas me telefonam e eles têm um trabalho muito bonito atualmente com a terceira idade, com o pessoal da tecelagem. Também com o pessoal das pipas, pessoas ligadas ao comércio aqui em Goiânia. Às vezes eu chego na loja - “Ah, a senhora que fez aquela pesquisa sobre as pipas. E aí, não vão fazer mais pesquisas sobre as pipas?”. Então a gente acaba conhecendo mais pessoas desenvolvendo o trabalho, e essas amizades que perduram. Você vê, já tem 18 anos que eu me aposentei e ainda estamos aqui falando, com saudades, dessas recordações de Museu Antropológico da UFG. Isso me deixa muito feliz, muito obrigado!       

No quadro 2 mostra a coleta de dados agendados de algumas das escolas que acompanhamos.

Dia/Mês/Ano

Nome das Escolas

Nº de Alunos previstos e que compareceram

Idade

Série/Ano

23/03/11

Escola estadual Colemar Natal/ do ensino fundamental

56

8 a 13 anos

Ensino Fundamental

25/03/11

Centro Educacional Inteléctus

44

10 a 13 anos

6º a 9º ano

07/04/11

Colégio Shallon

54

9 a 12 anos

3º, 4º e 5º ano

12/04/11 e

13/04/11

Escola Municipal Camila Scaliz Figueiredo (Aparecida-Goiânia)

33 no período matutino e 35 no período vespertino

9 a 15 anos

5º ano

28/04/11

Escola Internacional de Goiânia

24

7 a 11 anos

5º ano

05/05/11

Escola municipal professora Deushaydes

56

12 a 17 anos

4º ao 8º ano

11/05/11

 

CEPAE

27

10 a 12 anos

5º ano

11/05/11

Colégio Estadual Manoel Vila Verde

45

13 a 19 anos

2º e 3º anos do segundo grau

12/05/11

Colégio de Aplicação

34

8 a 10

4º e 5º ano

17/05/11

CEPAE

52

10 a 16

6º ano

18/05/11

Projeto Trilhas Educativas – PRPPG

22

12 a 17

 

19/05/11

Escola Itagiba Dorneles

29

9 a 14 anos

8º e 9º ano

26/05/11

Colégio Estadual Polivalente

35

10 a 15 anos

5º a 9º ano

08/06/11

Escola Estadual Veiga Valle

12 manhã

13 tarde

9 a 11 anos

 

09/06/11

Escola Estadual João Carneiro / Senador Canedo

47

13 a 17anos

9º ano

14/06/11

Colégio Estadual Mansões Paraíso

50

10 a 12 anos

6º ano

16/06/11

Escola Municipal Georgeta Rivalino Duarte (Escola em tempo Integral

 62

6 a 12 anos

4º a 5º ano

Total de Escolas Estaduais

Total de Escolas Municipais

Total de Escolas Particulares

Total de Escolas Federais

Total de Projetos

Total de Escolas de outros Municípios

Publico de alunos nos mês 03/04/05 e 06 de 2011

06

03

03

01

01

03

631

FOTOS DA EXPOSIÇÃO


[1] Exposição de longa duração do Museu Antropológico “Museu – expressão de vida”.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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