Estilos de aprendizagem no processo didático-pedagógico da disciplina história.
 
Estilos de aprendizagem no processo didático-pedagógico da disciplina história.
 


ESTILOS DE APRENDIZAGEM NO PROCESSO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO DA DISCIPLINA HISTÓRIA.



 

 

Daniel Rodrigues de Lima

Orientador: Profº. Esp. Júlio César Queiroz de Souza

Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

História (HIDO167) – Prática do Módulo II

04/12/2011

 

 

RESUMO

 

Os estilos de aprendizagem são diferentes maneiras de perceber e processar as informações, sendo formas ou maneiras diferentes como cada um dos indivíduos aprendem, ou seja, não é o que se aprende, mas, a forma como nos comportamos durante o processo de aprendizagem, dessa forma há três formas perceptivas de aprendizagem que são: a visual, a cinestésica ( corpo, sensação e movimento) e a auditiva. O objetivo de nosso artigo é analisar como a teoria dos estilos de aprendizagem podem contribuir no ensino e na aprendizagem da disciplina de história. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma revisão bibliográfica, onde seu cunho é de uma pesquisa qualitativa, pois a partir da análise e compreensão das obras produzidas sobre o tema, pudemos construir uma simulação de como utilizar os estilos de aprendizagem no cotidiano educativo. Por fim, acreditamos que hoje em nossa prática pedagógica não devemos mais ensinar os nossos alunos a aprender e sim devemos é aprender as varias formas como ensinar e entender como estes melhor aprendem, e a teoria dos estilos de aprendizagem é uma excelente ferramenta se bem aplicada, para desenvolvermos práticas que norteiam tais condutas. Acreditamos que não esgotamos o assunto e que muito ainda deve ser pesquisado sobre o tema para uma melhor prática educativa, e por conseguinte, uma melhoria no processo de ensino e aprendizagem.

 

 

 

Palavras-chave: Aprendizagem, Estilos de aprendizagem e suas teorias, Ensino e aprendizagem da disciplina História.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

O presente artigo aborda os estilosde aprendizagem no processo didático pedagógico da disciplina de História,ondepretendemoscompreendercomoatravésdaconceituaçãoeaaplicaçãodetalteoria dos estilos de aprendizagem, amesmapodecontribuirnoprocessodeensinoeaprendizagem da disciplina.

A escolha do tema é pelo fato de dentro do Curso de Licenciatura em História do Centro Universitário Leonardo Da Vinci (UNIASSELVI) na modalidade de Educação à Distância (EAD), haver o componente curricular obrigatório denominado de prática, onde são formados grupos para elaborarem e produzirem suas pesquisas a partir de temas que nos foram propostos pelo professor tutor externo, onde estes são relacionados as disciplinas cursadas durante nosso segundo módulo, cabendo aos discentes uma delimitação maior do objeto de pesquisa e a produção de forma individual de um paper.

O objetivo de nosso artigo é analisar como a teoria dos estilos de aprendizagem podem contribuir no ensino e na aprendizagem da disciplina história, além de conceituar o que é aprendizagem, compreender o que são estilos de aprendizagem e as suas principais teorias e simular uma prática do ensino e aprendizagem de história com a utilização da teoria dos estilos de aprendizagem.

A relevância de nosso artigo encontramos no sentido de que com o entendimento dos estilos de aprendizagem dos alunos e professores no processo pedagógico, tal compreensão pode contribuir para que ocorra uma melhor qualidade no processo de ensino e aprendizagem.

O referencial teórico, fundamenta-se nos artigos disponibilizados na rede mundial de computadores, e com a contribuição destes autores pesquisados e citados poderemos analisar e compreender, como os etilos de aprendizagem podem contribuir com a disciplina de história dinamizando com isso seu processo pedagógico.

Entre os artigos que encontramos esta o intitulado “Estilos de Aprendizagem” (ALMEIDA, 2007), onde a autora busca analisar como os indivíduos de forma individualizada preferem aprender, e como esse entendimento pode contribuir com uma educação de qualidade, além disso a autora identifica os vários estilos de aprendizagem e faz uma análise comparativa com a teoria de múltiplas inteligências.

O artigo “A teoria dos estilos de aprendizagem: convergência com as novas tecnologias” (BARROS, 2008), é importante pois possibilita entender o contexto histórico dessa teoria, onde a autora mostra as diversas formas como esta é conceituada, além de salientar sobre o papel central das novas tecnologias para melhor prática dessa teoria no campo didático pedagógico.

Bock, Furtado e Texeira (1999) com a obra intitulada “Pisicologias: Uma introdução ao estudo da Psicologia”, em seu capitulo oito com o seguinte título “ Psicologia da Aprendizagem” embasa nosso artigo no sentido de nos orientar a respeito do que é aprendizagem a partir das teorias do condicionamento e teorias cognitivas à luz de Lev Vygotsky e Jean Piaget, onde com isso conceituamos e entendemos o que é a aprendizagem a partir dessas perspectivas expostas.

Cerqueira (2006) em seu artigo “O professor em sala de aula: reflexão sobre os estilos de aprendizagem e a escuta sensível”, contribui com nossas discussões pois de acordo com suas analises sobre estilos de aprendizagem este nos orienta como alunos e professores podem contribuir com o aprendizado de ambos, mostrando um dialogo entre o saber e conhecer, privilegiando com isso o entendimento do aprender a aprender, ou seja, compreende-se com isso quais as melhores formas de retenção da informação transformando-a em conhecimento.

Em “ Descrição e análise de diferentes estilos de aprendizagem”, Almeida (2007), nos informa sobre as diferentes teorias produzidas acerca de estilos de aprendizagem mostrando as peculiaridades de cada uma, através de suas aproximações e distanciamentos, analisando com isso os principais estilos de aprendizagem e suas teorias utilizados no ensino básico.

A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma revisão bibliográfica, analisando o que foi produzido sobre o tema, onde seu cunho é de uma pesquisa qualitativa, pois a partir da análise e compreensão das obras produzidas, pudemos construir uma simulação de como utilizar os estilos de aprendizagem no cotidiano educativo.

O artigo segue com os seguintes itens: conceitos sobre aprendizagem, estilos de aprendizagem: principais teorias, e, por fim, simulação de prática pedagógica por meio da teoria de estilos de aprendizagem na disciplina de História.

 

 

2 CONCEITOS SOBRE APRENDIZAGEM



Antes de começarmos a falar de estilos de aprendizagem conceituamos agora o que é aprendizagem, analisando-a a partir da teoria do condicionamento ou ambientalista e da teoria cognitiva.

O processo de aprendizagem segundo a teoria do condicionamento esta relacionado à um processo onde o homem tem seu comportamento modificado, ou seja, é na sua experiência que se dá a aprendizagem, esta ocorre de acordo com estímulos e respostas através de um reforçador diante dos estados fisiológicos e psicológicos do ser.

Acerca do que expomos acima sobre da teoria do condicionamento Bock, Furtado e Texeira (1999), afirmam:

 

[…] a aprendizagem pelas suas consequências comportamentais enfatizam as condições ambientais como forças propulsoras da aprendizagem.

Aprendizagem é a conexão entre o estímulo e a resposta. Completada a aprendizagem, estímulo e resposta estão de tal modo unidos, que o aparecimento do estímulo evoca a resposta. (p. 150)



O objetivo dessa teoria do condicionamento no processo de aprendizagem na educação é a modificação comportamental dos seres, onde o comportamento é modificado pela experiência sensorial ou prática do ser, através de constantes repetições.

A teoria do condicionamento na prática educativa está de certa forma ultrapassada, pois entende os seres humanos como criaturas passivas, podendo estas serem manipuladas e controladas em seus comportamentos a partir do ambiente ao qual estão inseridos, ou seja, suas situações são planejadas e estruturadas previamente tirando dos aprendizes um processo de aprendizagem que poderia ser mais espontâneo.

Agora mostraremos como a teoria cognitiva se posiciona e conceitua o que é aprendizagem, onde para os cognitivistas a aprendizagem é o processo de organização das informações e de integração do material a estrutura cognitivista, onde podemos afirmar o seguinte:

 

A aprendizagem é, portanto, um processo essencialmente social, que ocorre na interação com os adultos e os colegas. O desenvolvimento é resultado desse processo, e a escola, o lugar privilegiado para essa estimulação. A Educação passa, então, a ser vista como processo social sistemático de construção da humanidade. ( BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 1999, p. 164)

 

 

A teoria cognitivista diferencia a aprendizagem em mecânica e aprendizagem significativa, onde segundo Bock, Furtado e Teixeira (1999):

 

a. Aprendizagem mecânica — refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva.[...]. O conhecimento assim adquirido fica arbitrariamente distribuído na estrutura cognitiva, sem se ligar a conceitos específicos.

b. Aprendizagem significativa — processa-se quando um novo conteúdo (ideias ou informações) relaciona-se com conceitos relevantes, claros e disponíveis na estrutura cognitiva, sendo assimilado por ela. Estes conceitos disponíveis são os pontos de ancoragem para a aprendizagem. Por exemplo, nós estamos aqui apresentando a você um novo conceito — o de aprendizagem significativa. Para que este conceito seja assimilado por sua estrutura cognitiva, é necessário que a noção de aprendizagem apresentada pelos cognitivistas já esteja lá, como ponto de

ancoragem. E esta nova noção de aprendizagem significativa, sendo assimilada, servirá de ponto de ancoragem para o conteúdo que se seguirá. (p. 153-154, grifos dos autores).

 

 

Dessa forma estamos de acordo com a teoria cognitivista de aprendizagem, pois entendemos a aprendizagem como historicamente determinada, onde ocorre uma apropriação de cultura, devendo com isso ser compreendida em sua historicidade, ou seja, é a partir desta que nos apropriamos do conteúdo da experiência humana, ou seja, é na relação dos sujeitos que ocorre a aprendizagem, onde aprendemos formas culturais de agir, pensar, sentir e com isso nos desenvolvemos enquanto seres sócio-históricos.

 

 

3 ESTILOS DE APRENDIZAGEM: PRINCIPAIS TEORIAS.

 

Começamos primeiramente por conceituar o que são estilos de aprendizagem para depois mostrarmos as principais teorias acerca dos estilos de aprendizagem.

Nessa conceituação buscaremos entender o que são estilos de aprendizagem a partir da perspectiva dos autores que analisamos.

Dentro do processo de aprendizagem uns aprendem melhor vendo, outros lendo e alguns ouvindo, sendo assim foi desenvolvida a teoria dos estilos de aprendizagem que busca identificar como os sujeitos melhor se apropriam das informações para transformá-las em conhecimento.

No entendimento de Barros (2008) estilos de aprendizagem são: [...] maneiras pessoais de processar informação, os sentimentos e comportamentos em situações de aprendizagem.” (p. 15), ou seja, são formas de identificar como os sujeitos aprendem de uma maneira mais significativa, onde busca-se compreender qual o estilo predominante de cada um, havendo uma busca para o desenvolvimento dos demais.

A partir, disso Barros (2008) nos informa sobre o seguinte:

 

Essa teoria não tem por objetivo medir os estilos de cada indivíduo e rotulá-lo de forma estagnada, mas, identificar o estilo de maior predominância na forma de cada um aprender e, com isso, elaborar o que é necessário desenvolver nesses indivíduos, em relação aos outros estilos não predominantes. Esse processo deve ser realizado com base em um trabalho educativo que possibilite que os outros estilos também sejam presentes na formação do aluno. (p.19)

 

 

A teoria dos estilos de aprendizagem busca mostrar como os indivíduos se apropriam do conhecimento a partir das competências e habilidades no processo de aprender. Dessa forma segundo Cerqueira (2006):

 

O estilo de aprendizagem chama nossa atenção no sentido de compreender que cada um tem um jeito próprio de aprender e ensinar, no entanto, o professor ainda ensina segundo seu próprio estilo de aprendizagem sem levar em consideração que o aluno também tem um estilo de aprendizagem que é único. O que é uma ação natural do ser humano, pois às vezes queremos que as pessoas aprendam da forma como aprendemos, chegando até a mostrar passo a passo como se faz. (p. 35)

 

 

A partir do exposto buscamos entender que o papel do professor nesse processo é de mediador, onde ao identificar os estilos de aprendizagem dos alunos, o professor deve buscar mecanismos que estimulem o estilos menos desenvolvidos do indivíduo no processo de aprender. Pois, segundo Barros (2010):

 

Queremos ampliar a capacidade de aprendizagem por meio da vivência em diferentes situações, da colaboração efetiva entre pessoas de estilos diferentes, da consciência de que é possível nos tornarmos aprendizes mais competentes e do desenvolvimento efetivo de novas competências para isso. Queremos também tornar as situações de aprendizagem mais adequadas às diversas formas de aprender, propiciando experiências mais significativas e prazerosas tanto para os docentes quanto para os alunos. Acreditamos que dessa forma, contribuiremos para a melhoria da qualidade do ensino e do processo de aprendizagem. (p.8)

 

 

Ainda sobre o papel do professor, segundo Cathólico (2010):

 

De acordo com Blanc (1996), os estudantes aprendem mais por si mesmos e os professores não poderão transmitir conhecimentos previamente estruturados, mas orientar na seleção, ordenação e avaliação do conhecimento disponível, auxiliando os estudantes a pensar e organizar seus próprios caminhos de aprendizagem, ou seja, mediar. (p. 3)

 

 

Tentamos acima conceituar o que são estilos de aprendizagem, diante disso, entendemos que são diferentes maneiras de perceber e processar as informações, sendo formas ou maneiras diferentes como cada um dos indivíduos aprendem, ou seja, não é o que se aprende, mas, a forma como se comporta durante o processo de aprendizagem, sendo assim, existem os que melhor aprendem vendo, outros lendo e alguns ouvindo. Dessa forma há três formas perceptivas de aprendizagem que são: a visual, a cinestésica ( corpo, sensação e movimento) e a auditiva.

 

 

3.1 PRINCIPAIS TEORIAS DE ESTILOS DE APRENDIZAGEM

 

Vários foram os modelos e teorias criadas acerca dos estilos de aprendizagem sendo propostas por educadores e psicólogos, em sua maioria, contudo o eixo básico de tais teorias ou modelos partem do seguinte: existem três caminhos perceptivos sendo estes o visual, o cinestésico e o auditivo. Além de três estados de consciência que são o consciente, o subconsciente e o inconsciente. Onde a partir da combinação de tais fatores pode-se determinar os etilos de aprendizagem.

Neste momento buscamos mostrar as principais teorias sobre estilos de aprendizagem onde destacamos as seguintes: a de David Kolb, Myers e Briggs, Herrman e Felder e Silverman.

David Kolb, em 1976, elabora um instrumento chamado Inventário de Estilos de Aprendizagem, com o objetivo de identificar o estilo de aprendizagem preferencial dos estudantes.

De acordo com Kolb, em sua teoria de estilos de aprendizagem existem duas dimensões, onde são a percepção e processamento da informação. A combinação das duas dimensões origina quatro tipos de estilos de aprendizagem: o Divergente (concreto e reflexivo) tendo como ponto forte a imaginação, o Assimilador (abstrato e reflexivo) tendo como ponto forte a criação de modelos teóricos através de um raciocínio indutivo, o Convergente (concreto e reflexivo) sua a aprendizagem se dá a partir da aplicação de ideias a prática e o Acomodador (concreto e ativo) que aprende melhor experimentando e executando aquilo que é ensinado para melhor aprender.

Acerca disso segundo Barros (2008):

 

Ainda nos estudos sobre Kolb podemos destacar que o ciclo de aprendizagem se organiza pela experiência concreta, passando pela observação reflexiva, pela conceitualização abstrata e, por fim, pela experimentação ativa. (p. 3)

 

 

Kolb salienta que para um melhor aprendizado ou aprendizagem mais significativa deve-se explorar os quatro estilos apesar dos aprendizes possuírem maior afinidade com um deles.

Myers e Briggs acreditam nos estilos de aprendizagem como reflexos psicológicos, em sua teoria estabelecem quatro dimensões de estilos de aprendizagem: orientação para a vida (extrovertidos e introvertidos), percepção (sensoriais e intuitivos), julgamentos de ideias (objetivos e subjetivos) e orientação para o mundo externo ( julgadores e perceptivos). Onde podemos afirmar o seguinte acerca do exposto:

 

Estudantes extrovertidos focam no mundo externo, experimentam as coisas e buscam interação em grupos, enquanto introvertidos focam no mundo interno e das idéias, pensam sobre as coisas e preferem trabalhar sozinhos.

Estudantes sensoriais são práticos, seu foco está direcionado para os fatos e produtos. Mostram-se mais confortáveis com a rotina. Já estudantes intuitivos são imaginativos, seu foco está voltado para significados e possibilidades. Preferem trabalhar mais em nível conceitual. Mostram-se avessos à rotina.

Estudantes objetivos e com tendência a tomar decisões baseadas na lógica e regras são denominados reflexivos. Estudantes subjetivos e com tendência a tomar decisões baseadas em considerações pessoais e humanísticas são denominados sentimentais.

Julgadores são estudantes que preferem seguir agendas e possuem ações planejadas e controladas; perceptivos são estudantes que possuem ações espontâneas e procuram adaptar-se de acordo com as circunstâncias. (ALMEIDA, 2010, p. 43, grifos da autora)

 

 

A teoria de aprendizagem desenvolvida por Herrrman busca mostrar como as pessoas solucionam problemas a partir do pensamento sendo mais uma forma de estilos de pensamento do que de estilos de aprendizagem. Herrman dividiu a mente física em quatro quadrantes cada um responsável por uma maneira de pensar: o quadrante A são indivíduos onde essa atividade cerebral é predominante possuindo caráter analítico, quantitativo, crítico, factual e lógica. O quadrante B a atividade cerebral que lhes são peculiares às pessoas que preferem aprender de maneira sequencial, são organizadas, detalhistas e com grande habilidade de planejamento. Os sujeitos com predominância em atividade cerebral do quadrante C possuem como características: emotividade, cenestésia, trabalham melhor com relações interpessoais e simbologias, e por fim, o quadrante D que são indivíduos com atividade cerebral predominante a partir habilidades visuais, holísticas e inovadoras.

Para Herrman, os estilos de pensamento não são inferiores ou superiores uns aos outros apenas diferentes, onde quanto mais estilos um indivíduo conseguir desenvolver melhor e maior será sua capacidade de assimilação da informação ensinada, e com isso, a tomada de decisões e a solução dos problemas surgidos.

Felder e Silverman propõe sua teoria de estilos de aprendizagem a partir de cinco dimensões: visual e verbal que estão relacionados a captação da informação, onde os visuais a captam melhor vendo e os verbais através de palavras faladas ou escritas. Os intuitivos e sensoriais são as formas de perceber a informação, em que os intuitivos possuem grande capacidade de interpretar textos e símbolos com facilidade. Os indutivos e dedutivos, os primeiros partem de ideias particulares a gerais, enquanto, os segundos partem de leis gerais a particulares, ou seja, uns partem de conhecimentos mais específicos para mais amplos, os outros partem de conhecimentos gerais para atingir conhecimentos mais particulares. Os ativos e reflexivos, os ativos processam as informações passadas executando atividades, experimentando para melhor compreenderem e gostam de trabalhar em grupos, já os reflexivos antes de experimentar algo precisam compreender, demorando a iniciar atividades, onde acabam privilegiando a prática de atividades individuais. Os sequenciais e globais, onde os sequenciais aprendem os conteúdos de forma linear e os globais analisando todo conteúdo exposto.

Diante disso sobre a teoria proposta por Felder e Silverman segundo Almeida (2010):

 

Os estilos de aprendizagem são vistos como habilidades capazes de serem desenvolvidas e, portanto, os educadores devem elaborar aulas que explorem os estilos de aprendizagem preferenciais dos estudantes, e que possibilitem desenvolver também os estilos não preferenciais. (p. 46)

 

Tentamos apresentar um conjunto variado de teorias de estilos de aprendizagem, onde vimos as diferenças e aproximações das mesmas, contudo acreditamos que devemos salientar que todas compreendem os estilos de aprendizagem como formas de como cada um dos indivíduos aprendem no processo de ensino e aprendizagem.

 

 

4 SIMULAÇÃO DE PRÁTICA PEDAGÓGICA POR MEIO DA TEORIA DE ESTILOS DE APRENDIZAGEM NA DISCIPLINA DE HISTÓRIA.

 

O processo de ensino e aprendizagem da disciplina de História nas salas de aula na realidade que presenciamos está apoiado ainda em aulas expositivas, na prática de exercícios e centrada no professor, onde a história é vista de uma maneira tradicionalista e factual, privilegiando e construindo a figura de heróis, em que os fatos possuem uma cadeia linear de causa e efeito, sendo com isso tratada como a ciência ou disciplina do passado pelo passado, não ocorrendo a preocupação de mostrar a conexão entre passado e presente, dessa forma sendo desinteressante e desmotivante seu aprendizado.

Os estilos de aprendizagem podem contribuir e mudar o perfil da disciplina de história ensinada, onde esta passa a ser uma disciplina ativa em que mostram-se todos como participantes do processo histórico, onde cabe ao professor nesse processo ser o mediador, desempenhando papel principal na elaboração das discussões e questionamentos a serem propostos em sala de aula, e com isso no processo de ensino e aprendizagem da disciplina deve haver um diálogo entre passado e presente para melhor compreendermos nossas vivencias cotidianas, através das permanências, rupturas, transformações, disputas, acomodações, cooptações e preconceitos dos sujeitos sócio-históricos.

Dito isso, agora mostraremos através de simulação como a teoria de estilos de aprendizagem

pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem da disciplina de História.

Antes de mais nada salientamos que iremos trabalhar com a teoria de estilos de aprendizagem de forma simplificada para que seu manuseio na prática do cotidiano da sala de aula seja menos complexa, sendo assim analisaremos apenas como melhor os aprendizes/educandos obtêm e retem as informações para transformá-las em conhecimento através: do visual, do auditivo e do cinestésico.

O professor no inicio de seus trabalhos deve em primeiro lugar explicar sua metodologia de trabalho em sala de aula, e que trabalha a partir da teoria de estilos de aprendizagem, com isso este explica e conceitua o que vem a ser estilos de aprendizagem, para em seguida aplicar o teste de VAK1 que identifica quais os estilos de aprendizagem predominam em cada um dos alunos.

Feito isso, simulamos agora uma sala de aula de 8ª série do ensino fundamental, onde o professor de história esta trabalhando sobre a Idade Média.

O professor pode começar com uma aula expositiva dos principais acontecimentos desse processo histórico em questão, que vai dos séculos V ao XV, pode utilizar no decorrer da aula figuras, mapas e textos relativos ao período. Fazendo isso, dessa forma, este já esta trabalhando a partir de seu diagnóstico sobre o estilo de aprendizagem de cada um dos alunos ao menos duas formas: a auditiva, que ocorre através de suas explicações e do dialogo que tem com os alunos e a visual através da apresentação de imagens por meio das figuras e mapas. Isso pode ser feito na primeira aula sobre o assunto.

Na segunda aula, o professor pode trabalhar com partes de um filme que esteja relacionado com o assunto que é Idade Média, onde indicamos o filme “Em Nome de Deus”2, onde através das partes selecionadas os alunos deverão fazer um relatório acerca dos aspectos enfocados nos trechos do filme, acerca do que foi discutido em sala de aula, assim como o que não foi discutido, mas percebido por este ao visualizar e escutar, esta atividade pode ser feita pelos alunos de forma individual. Nesse momento, mais uma vez contemplamos os estilos de aprendizagem visual e auditivo por utilizarmos a imagem cinematográfica como recurso didático auxiliar na sala de aula.

Na terceira, buscamos contemplar o estilo cinestésico ou desenvolvê-lo nos alunos que melhor se apropriam da informação a partir de atividades corporais e táteis. Onde na aula dividiremos a sala em dois grupos, onde o primeiro fica encarregado de produzir uma dança relativa ao período que será escolhida pelo professor para os alunos desenvolverem, enquanto, o outro fará uma dramatização das relações sociais existentes durante o período medieval.

A quarta e quinta aulas, serão apresentação dos alunos acerca do que foi proposto.

A sexta aula, professor aplica uma avaliação para compreender como os alunos se apropriaram da informação e se com todos os mecanismos propostos através de todos os estilos de aprendizagem trabalhados e contemplados, estes puderam transformá-la em conhecimento e melhor aprender.

Acima, tentamos simular uma prática do ensino e aprendizagem de história, onde na prática pedagógica buscamos contemplar todas as formas perceptivas de como os alunos melhor obtêm e retem a informação para transformá-la em conhecimento, pois dessa forma tentamos contemplar todos os estilos não privilegiando apenas uma forma, mas, tentando aprimorar o estilo de aprendizagem de cada um, e também desenvolver os outros estilos do aprendiz.

 

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O presente paper buscou mostrar como a teoria de estilos de aprendizagem pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem da disciplina de História, onde através do auxílio dessa teoria na prática pedagógica de História esta pode ser ensinada de forma com que os alunos a relacionem com sua ação cotidiana, tendo assim uma aprendizado mais significativo, pois está passa a ser entendida como possuidora de um discurso que mantem um diálogo entre passado e presente para melhor compreendermos nossas vivencias do dia a dia, através das permanências, rupturas, transformações, disputas, acomodações, cooptações e preconceitos dos sujeitos sócio-históricos.

Entendemos ainda o conceito de aprendizagem e de estilos de aprendizagem, assim como apresentamos as principais teorias desenvolvidas sobre estilos de aprendizagem e como os estilos de aprendizagem podem contribuir no ensino e aprendizagem da História, e com isso, atingido nossos objetivos que foram propostos.

Por fim, acreditamos que hoje em nossa prática pedagógica não devemos mais ensinar os nossos alunos a aprender e sim devemos é aprender as varias formas como ensinar e entender como estes melhor aprendem, e a teoria dos estilos de aprendizagem é uma excelente ferramenta se bem aplicada, para desenvolvermos práticas que norteiam tais condutas. Acreditamos que não esgotamos o assunto e que muito ainda deve ser pesquisado sobre o tema para uma melhor prática educativa, e por conseguinte, uma melhoria na qualidade da educação através do processo de ensino e aprendizagem.

 

 

REFERÊNCIAS

 

ALMEIDA, Marina da silveira Rodrigues. Estilos de Aprendizagem. 2007. Disponivel em http://www.smec.salvador.ba.gov.br. Acessado em: 09/09/2011.

 

 

ALMEIDA, Karine Ribeiro de. Descrição e análise de diferentes tipos de aprendizagem.Revista Interlocução, v.3, n.3, p.38-49, publicação semestral, março-outubro/2010. Disponivel em http://www.senept.cefetmg.br/galerias/Arquivos_senept/anais/terca_tema1/TerxaTema1Artigo21.pdf. Acessado em: 10/09/2011.

 

 

AMADI, Rogéria Gasparim; OLIVEIRA, Kátya Luciane de; SANTOS, Acácia Aparecida Angeli dos. Estilos de aprendizagem e solução de problemas: um estudo com pré-escolares.Interação em Psicologia, vol. 1, p. 1-9, jan-jun, 2005. Disponivel em http://www.ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/viewArticle/3281. Acessado em: 10/09/2011.

 

 

BARROS, Daniela Melaré Vieira.A Teoria dos Estilos de Aprendizagem: convergência com as tecnologias digitais. Revista SER: Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP , v.1, n.2, Jul. - Dez./ 2008. Disponivel em http://www.revistafaag.br-web.com/revistas/index.php/ser/article/view/70. Acessado em: 20/09/2011.

 

 

BARROS, Daniela Melaré Vieira (org.). Estilos de Aprendizagem e Educação a Distância: Algumas Perguntas e Respostas?!. Revista de Estilos de Aprendizagem, nº5, Vol. 5, abril de 2010. Disponivel em http://www.uned.es/revistaestilosdeaprendizaje/numero_5/articulos/lsr_5_articulo_9.pdf. Acessado em: 23/09/2011.

 

 

BOCK, Ana Maria; FURTADO, Odair; TEXEIRA, Maria Lourdes. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. Saraiva: São Paulo, 1999.

 

 

CATHÓLICO, Roberval Aparecido. Mediação da aprendizagem de Feuerstein à luz dos estilos de aprendizagem de Felder. Revista Eletrônica de Educação e Tecnologia do SENAI-SP, v.4, n.8, mar. 2010. Disponivel em http://revistaeletronica.sp.senai.br/index.php/seer/article/view/117. Acessado em 25/09/2011.

 

 

CERQUEIRA, Teresa Cristina Siqueira.O professor em sala de aula: reflexão sobre os estilos de aprendizagem e a escuta sensível . Revista de Psicologia da Vetor Editora, v. 7, nº 1, p. 29-38, Jan./Jun. 2006. Disponivel em http://www.unibarretos.edu.br/v3/faculdade/imagens/nucleo-apoio-docente/ESTILOS%20DE%20APRENDIZAGEM%204.pdf. Acessado em: 28/09/2011.

 

 

RUB, Edith. A Presença da História na Construção do Estilo de Aprendizagem. Estilos da Clínica, Vol. X, no 18, p. 108-115, 2005. Disponivel em http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/estic/v10n18/v10n18a09.pdf. Acessado em 01/09/2011..

 

 

SILVA, Élen Cristina Lopes da; SILVA, Walkíria Magno e. Investigação dos dados sobre estilos de aprendizagem dos alunos frequentadores da base de apoio ao aprendizado autonômo. 2007. Disponivel em: http://www.ufpa.br/rcientifica/artigos_cientificos/ed_08/pdf/elen_cristina.pdf. Acessado em: 05/09/2011.

1Este teste está disponivel no site http://www.vark-learn.com/english/page.asp?p=helpsheets.

2É um filme de 1988, produzido na Inglaterra e na antiga Iuguslávia., com a direção de Clive Donner, que narra a história de Abelardo e Heloísa.

 
Avalie este artigo:
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Daniel Rodrigues De Lima
Talvez você goste destes artigos também
Sobre este autor(a)
Graduado em Licenciatura Plena em História pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci-UNIASSELVI. Especialista em Ensino de História pela Uniandrade. Membro Associado da ABED. Professor da disciplina História da Escola do Sesc José Roberto Tadros.
Membro desde março de 2011
Facebook
Informativo Webartigos.com
Receba novidades do webartigos.com em seu
e-mail. Cadastre-se abaixo:
Nome:
E-mail: