ELEMENTOS DE TEXTUALIDADE: COESÃO E COERÊNCIA
 
ELEMENTOS DE TEXTUALIDADE: COESÃO E COERÊNCIA
 


ELEMENTOS DE TEXTUALIDADE: COESÃO E COERÊNCIA


Camila Márcia V. Ferreira 1
Brena Késsia dos S. Alves 2
Iara Andriele Carvalho 3
Maria do Socorro S. Rocha 4


RESUMO: A proposta deste artigo é retratar a importância dos elementos de textualidade inseridos na superfície do texto, partindo do âmbito da linguística textual que se propõe analisar seus aspectos lingüísticos e extralingüísticos. Nesse contexto, esses mecanismos vêm a auxiliar na produção e organização das idéias, de forma harmônica, mantendo a comunicação e a boa interpretabilidade. Tendo em vista a análise dos dados coletados, foi-se trabalhado a questão da coesão por substituição, onde se discutiu que quando há a repetição dos mesmos léxicos, o contexto fica embaraçado, por isso é necessária a substituição por palavras sinônimas, as quais recuperem o significado do léxico anterior e não prejudique o sentido da articulação textual.
Palavras-chave: Texto, Produção Textual, Linguística Textual.


INTRODUÇÃO

O ato de escrever exige um aperfeiçoamento constante, além de originalidade na sua composição, por isso há uma grande preocupação de estudiosos da área de lingüística textual no que se refere aos aspectos composicionais do texto, a fim de expor novas propostas para sua análise e abordagem.
Recentemente as questões relativas ao texto são estudadas dentro do ramo da linguística textual, que teve seu aparecimento na década de 60, salientando-se com maior força nos anos 70. Este ramo, a priori, tinha como escopo descrever as mudanças sintático-semâticas ocorridas entre enunciados ou na sequência deles. Porém foi apenas a partir dos anos 80 que as teorias do texto ganharam ênfase e, apesar de terem o mesmo objeto de estudo (o texto), é freqüente algumas dessas teorias divergirem um pouco uma das outras, pois este campo é repleto de áreas e cada uma dá margens ao surgimento de diversas vertentes. A própria definição do que é linguística textual passa por uma constante mudança.
Tendo em vista a vasta definição que a linguística do texto pode se adequar, Marcushi (1983, apud KOCH, 1994, p. 14) escreveu:


Proponho que se veja a Linguística do Texto, mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações lingüísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais.


Assim se percebe que a linguística textual não analisa palavras ou frases isoladas, mas sim o texto, o qual está intrínseco a manifestação da linguagem que se dá por meio de alguns elementos responsáveis pela textualidade.
Na época de seu surgimento, sabe-se que a maioria dos estudiosos preocupava-se com a análise transfrasática e a construção de gramáticas do texto, porém, com os aprofundamentos nesta área, percebe-se que o texto deveria também ser analisado sob a perspectiva pragmático-enunciativa.
Haja vista que, para um texto ser compreendido não pode ser apenas uma produção aleatória, deve conter uma unidade de sentido e ter textualidade, ou seja, uma relação entre idéias e frases em uma sequência harmônica.
Neste sentido, almeja-se observar as novas perspectivas relativas à questão dos processos que abrangem os elementos de textualidade, popularmente conhecidos como coesão e coerência, enfatizando a coesão por substituição (sinonímia), sob o prisma das abordagens pragmática e sociocomunicativa.
Dessa forma, embasados por Ingedore Koch, Mariangela Oliveira entre outros, abordaremos as questões sobre a malha textual na constituição do sentido do texto e suas finalidades, através de coleta de dados em atividades efetuadas por acadêmicos de forma espontânea, ou seja, não houve informação sobre o uso posterior de suas respostas para que não os influenciasse, observou-se assim a necessidade da utilização de léxicos que ajudem na substituição de outros para que o texto exibisse mais coerência.


TEXTO E TEXTUALIDADE

Em qualquer produção comunicativa é concebido um texto, para o qual existem várias definições feitas por estudiosos da língua, a fim de tornar mais fácil a compreensão de seu conceito. Porém, por mais que existam definições, ainda são limitadas já que algumas delas não são capazes de determinar com precisão a complexidade de um texto, pois o mesmo, etimologicamente, relaciona-se com o termo tecido e assim ambos são frutos da junção de vários fios que se interligam até formar um todo significativo.
Em vista da problemática a cerca da definição de texto, adotar-se-á o conceito estabelecido pelos PCN?s (1998, p.77):


[...] o texto é uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição) que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor e ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida independentemente da sua extensão.


Dessa forma, percebe-se que o texto não precisa ser algo extenso desde que transmita uma mensagem, podendo ser efetuado de maneira escrita ou oral numa situação de interação entre um emissor e um receptor, ou seja, deve atingir de forma satisfatória seu (s) interlocutor (es) e acima de tudo constituir uma unidade semântica.
Pressupõe-se então, que uma produção textual irá ocorrer quando convergirem os elementos pragmáticos e construtores de sentido, tais como:


As intenções do produtor; o jogo de imagens mentais que cada um dos interlocutores faz de si, do outro e do outro com relação a si mesmo e ao tema do discurso; e o espaço de perceptibilidade visual e acústica comum, na comunicação face a face. (COSTA VAL, 1991, p.1)


Sendo assim, é comum em alguns textos aparecerem determinados elementos e em outros não, peculiaridade esta que será determinada pela interação sociocomunicativa. Dessa forma, um texto pode repassar bem sua mensagem em um determinado contexto e em outro, não, por isso, deve-se ter em vista o leitor/receptor, moldando-se a linguagem e até mesmo a estrutura, de forma a não comprometer sua compreensão.
Uma boa produção textual tem que se comprometer com o bom entendimento e alcance de seus objetivos, ou seja, uma adequada articulação das idéias e sua sequência harmônica ajudam a determinar se as estruturas de textualidade foram realmente conseguidas.


Um texto bem construído e, naturalmente, bem interpretado, vai apresentar aquilo que Beaugrande e Dressier chamam de textualidade, conjunto de características que fazem, de um texto, e não uma seqüência de frases. Esses autores apontam sete aspectos que são responsáveis pela textualidade de um texto bem constituído: Fatores Lingüísticos ? Coesão, Coerência e Intertextualidade; Fatores Extralingüísticos ? Intencionalidade, Aceitabilidade, Informatividade e Situacionalidade. (SIMON, 2008, p. 23)


Desse modo, não são apenas fatores lingüísticos envolvidos na produção textual, mas também fatores extralingüísticos que auxiliam na compreensão e na finalidade do texto, comprovando assim a ligação entre a realidade e o conteúdo do mesmo.
A composição dos fatores lingüísticos trata da coesão como a ocorrência da coerência na superfície textual através de marcas identificáveis; e da intertextualidade como a presença de outros discursos dentro do discurso principal.
Já acerca dos fatores extralingüísticos, aborda-se a intencionalidade como o objetivo a ser alcançado pelo emissor e que vai de encontro com os interesses do interlocutor; já da aceitabilidade pode-se dizer que é um acordo entre os envolvidos na comunicação; sobre a informatividade entende-se se tratar das informações que o receptor espera encontrar no texto de forma aplicável ao seu conhecimento de mundo, porém sem exceder-se e também pode se levar para o âmbito da linguagem, se esta for muito formal pode não facilitar a compreensão do assunto ou vice-versa; e sobre a situacionalidade, compreende-se ser a adequação ao contexto comunicativo.
Ademais, estes fatores têm grande importância na construção de um texto por isso, há uma preocupação dos lingüistas em estudá-los a fim de auxiliar seu entendimento e análise.
Observa-se assim, que a produção textual tem a sua finalidade, visando atingir a um público, dessa forma, o autor deve ter em mente as características desse público, a linguagem e as motivações pragmáticas, dentre outros fatores. O texto tanto escrito como oral requer habilidades do falante para que se alcance com eficácia os seus objetivos.
Seu planejamento consiste em algo complexo, pois como dito anteriormente, deve se observar o público alvo, que irá determinar o grau de formalidade, a interação sócio-comunicativa, entre outros.
Para se planejar um texto, deve-se ter em mente:


Quais os objetivos do texto;
Qual é o assunto em linhas gerais;
Qual o gênero mais adequado aos objetivos;
Quem provavelmente vai ler;
Que nível de linguagem deve ser utilizado;
Que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido;
Quais as condições práticas de produção: tempo, apresentação, formato. (GARCEZ, 2001, p.15)


Dessarte, nota-se que para criar um texto é preciso esquematizar o que se pretende dizer e/ou escrever, e para que haja um bom planejamento, deve-se ter um pré-conhecimento sobre o assunto a ser abordado, para que assim se torne possível organizar as idéias de forma lógica.
Um conhecimento prévio sobre o assunto tende a facilitar na hora do planejamento, exposição e organização do corpo textual, ou seja, ele vem a subsidiar a produção evitando que haja discrepâncias de idéias no decorrer do texto.
Por isso, deve-se previamente atentar a detalhes como o objetivo que o texto pretende, porque é através deles que se construirá todo o corpo do mesmo, faz-se necessário também à escolha do gênero que melhor se adequará ao objetivo, ou seja, que irá auxiliar também na produção, e como é de práxis, sempre que algo é escrito pressupõe-se que será lido por alguém, a partir disso deve-se observar para qual tipo de leitor o texto está sendo gerado, a fim de poder moldá-lo com uma linguagem adequada ao nível cognitivo do leitor e também, aderir a um posicionamento mais subjetivo ou impessoal.
Ao se levar em conta cada item de planejamento é pertinente afirmar que todos eles são dependentes, estão encadeados, ou seja, um vai necessitar do outro para que a elaboração tenha uma consistência lógica e igual em todo o texto.
Garcez (2001, p. 17) também vem a trabalhar algumas considerações sobre o ato de escrever de forma a facilitar no planejamento e na produção do texto. São elas:


Fazer uma lista de palavras-chave; Anotar tudo o que vem à mente, desordenadamente, para depois cortar e ordenar; Escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las; Construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas.


Desse modo, pode-se afirmar que construir um texto sem um planejamento é estar fadado a cometer erros e conseqüentemente ter que efetuar correções, pois o mesmo irá ajudar principalmente a manter a lógica no texto evitando contradições, ou seja, mantendo coerência e promovendo conectivos que auxiliem na coesão. Portanto, escrever de forma aleatória sem um planejamento prévio é trabalhar duas vezes.

COESÃO E COERÊNCIA

Os elementos mais comumente trabalhados em via de textualidade são a coesão e a coerência que, para Oliveira (2008, p. 194), referem-se às faces da mesma moeda, pois se trata das "articulações de forma e de sentido construtoras da malha textual", esses elementos são de fundamental importância para a construção de um texto.
A coesão advém do modo como as relações de sentido se estabelecem, diz respeito ao conjunto de recursos semânticos por meio dos quais uma sentença se liga com a que veio antes. Essas sentenças organizadas e articuladas entre si são construídas por meio de mecanismos gramaticais e lexicais, ou seja, é a ativação do sistema léxico-gramatical. Para Halliday e Hasan (1976 apud OLIVEIRA, 2008, p. 195), os mecanismos de coesão constituem-se de cinco elementos básicos: referência, substituição, elisão, conjunção e coesão lexical.
Sobre a coesão por referencia Halliday e Hasan (apud SIMON, 2008) dizem que os "elementos referenciais são os que não podem ser interpretados por si próprios, mas têm que ser relacionados a outros elementos no discurso para serem compreendidos", ou seja, é a utilização de elementos que remetem a outros já citados anteriormente ou que virão a ser, ao que se dá o nome de anáfora e catáfora. Por substituição ocorre quando uma palavra ocupa o lugar de outra ou mesmo uma oração completa, porém essa substituição não garante a total equivalência de significado com o termo substituído. Por elisão é quando há a omissão de algum termo, este sendo recuperado semanticamente. Por conjunção, são as relações que dão significado ao texto, ocorrendo por meio de conectivos conjuncionais como: mas, também, depois, etc. E por fim, a coesão lexical, que se refere à seleção de termos relacionados e se dá por meio de dois processos reiteração e colocação.
Já dizia Garcez (2001, p. 115) "quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados, seja dentro do período, seja entre os períodos ou parágrafos, o texto se prejudica", pois o texto precisa de uma ligação sintático-semântica e de uma intenção comunicativa, para que se mantenha coesivo e também coerente e seja considerado um corpo inter-relacionado.
Como sabemos a coesão dá suporte a coerência que é a estrutura lógica do pensamento:


A coerência resulta da configuração que assumem os conceitos e relações subjacentes à superfície textual. É considerada o fator fundamental da textualidade, porque é responsável pelo sentido do texto. Envolve não só aspectos lógicos e semânticos, mas também cognitivos, na medida em que depende do partilhar de conhecimento entre os interlocutores. (COSTA VAL, 1991, p. 03)


Assim, se pode destacar que a coerência é a ordenação encadeada das idéias, ou seja, a sua não-contradição, bem como a boa interpretabilidade do interlocutor, pois o que se faz coerente em alguns casos, torna-se incoerente em outros. Segundo Sarmento (2003, p. 68) "a falta de clareza na exposição das idéias ocorre, em geral, quando os períodos são extremamente longos, a linguagem rebuscada, o texto é mal pontuado", dessa forma é necessário manter a boa articulação das frases em favor das idéias observando as pontuações e os recursos lingüísticos pertinentes.
Podemos ainda destacar segundo Charolles (1978 apud SIMON, 2008) quatro meta-regras para que haja coerência no texto, são elas: repetição, progressão, não-contradição e relação. Na repetição ocorre sempre a retomada de elementos, idéias, e conceitos. A progressão apresenta, no decurso do texto, um suporte de novas informações. Sobre a não-contradição, entende-se ser a lógica de não se contradizer na sequência textual. Já sobre a relação é o encadeamento das idéias e conceitos, ou seja, uma informação deve estar condizente ou similar com as outras.
Oliveira (2008, p. 201) aborda a questão da coerência sob o prisma comunicativo, levando-se em conta os domínios lingüísticos, relativo ao controle e utilização dos recursos gramaticais; pragmáticos, referente às condições de processamento da interação; e o extralingüístico, que diz respeito ao conhecimento de mundo daqueles envolvidos na situação comunicativa.
A partir do que foi exposto seguiremos o estudo a cerca da coesão por substituição observando o emprego da sinonímia, que constitui nosso real objeto de análise, e trata-se da substituição de termos lexicais, ou seja, vem a representar uma carga semântica, porém não equivale totalmente ao mesmo significado.
Como se pode constatar no exemplo a seguir, a sinonímia evita a repetição contínua da mesma palavra: "Com a chegada da primavera, O Papa parece mais disposto. João Paulo II deve visitar o Brasil na primeira quinzena de outubro" (em Anexo), a palavra "Papa" foi substituída por "João Paulo II" sem alterar o significado e a linearidade do texto.
Portanto podemos verificar que a substituição vem a ser um mecanismo que auxilia no encadeamento das idéias de maneira a fazer com que o texto progrida e mantenha sua temática.
Segundo Oliveira (2008, p. 197):


Consiste num tipo de remissão coesiva em que, distintamente da referenciação, o termo substituído não recupera totalmente o item a que se refere; na substituição, há uma certa matização dos sentidos então articulados, que pode se traduzir sob a forma de uma maior especificação, uma reorientação ou reavaliação.


Quando se diz que o processo de substituição por sinonímia pode refletir também uma maior especificação, quer dizer que o sinônimo esta restringindo o sentido a que se refere; na reorientação, é como se fosse uma reflexão sobre o sentido ou uma abertura maior ao sentido; já a reavaliação consiste na busca por um termo mais apropriado.
Dessa forma, ao evitar a repetição de um mesmo item lexical, a sinonímia contribui na estética do texto, promovendo-lhe concisão. É comum também notar o uso desse elemento de textualidade pelos falantes, ainda que eles não reflitam a respeito disso, o que se dá exatamente pelo conhecimento gramatical inerente de cada um e de seu domínio lexical, ou seja, que conheça várias palavras de seu idioma.

METODOLOGIA

A pesquisa teve início a partir de um exercício (em Anexo) proposto aos alunos do curso de Letras para que respondessem, sobre sinonímia como elemento coesivo, de forma espontânea, a fim de que suas respostas não fossem influenciadas para não interferir no resultado final.
O exercício continha questões relativas à coesão por substituição, tratava-se de um texto com espaços para serem preenchidos por alguma das seis palavras sinônimas que foram sugeridas (O Aniversariante, O Papa, O Pontífice, O Santo Padre, O Sumo Pontífice e João Paulo II). Ele relata o aniversário do Papa João Paulo II em forma de uma narração curta que necessita dos mecanismos de textualidade para evitar a repetição de um mesmo termo.
Após as respostas concluídas, ocorreu a coleta de dados, no total de 25 amostras, as quais foram avaliadas por suas ocorrências.
Percebeu-se que os mesmos termos, caso houvesse repetição, ocorriam distante um dos outros; também se constatou a ocorrência do pronome pessoal do caso reto "Ele" para substituir de forma anafórica o termo "João Paulo II" que ocorre no princípio do texto e trata-se do termo principal que seria substituído por sinônimos.
Notou-se ainda a partir da amostragem de dados que houve uma grande ocorrência de um sinônimo, para preencher o mesmo espaço, o que leva a constatar que ele foi considerado pelos falantes o mais adequado semanticamente ao contexto. Ainda, pode-se perceber que houve espaços que não foram utilizados o léxico João Paulo II, espaço 1 e espaço 6.
Desse modo essas palavras na medida que são usadas vão recuperando o sentido das que foram proferidas anteriormente, de forma a não haver repetições.

Tabela 1: Ocorrência dos léxicos no exercício em seus respectivos espaços

Fonte: Exercícios (Amostra)
Diante das análises chegou-se a resultados relevantes, cujas palavras substitutas vão contribuir para o campo semântico, estas se apresentam em torno de 0,51% para a palavra "Ele", 12,37% para "O Sumo Pontífice", 15,46% para "O Santo Padre", 17% para "O Aniversariante" e "O Papa", 17,5% para "O Pontífice" e 20,10% para "João Paulo II". Estas porcentagens são relativas a utilização de cada palavra em todos os espaços.
A proposta desta pesquisa é descrever os fenômenos tal qual sem se aprofundar em pormenores e/ou construção de novas teorias e sem deter-se na explicação exaustiva de um mesmo fato. Trata-se de uma análise descritiva que apenas propõe-se em descrever os fatos e/ou ocorrências deles.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segundo Robert Beaugrande (1997 apud KOCH, 2003, p. 154), "hoje, a linguística de texto é provavelmente melhor definida como o subdomínio lingüístico de uma ciência transdisciplinar do texto e do discurso", ou seja, para o autor, o texto, está voltado para a situação comunicativa, envolvendo processos lingüísticos, cognitivos e sociais.
Com a vastidão do campo em Linguística Textual, vão-se revelando vertentes cada vez mais voltadas a estudar o texto em seus aspectos lingüísticos e extralingüísticos, pois os mesmos devem estar interligados para que haja a produção de um bom texto.
Diante disso, pode-se perceber a importância dos mecanismos de textualidade, coesão e coerência, na organização das idéias, assim como a relação entre emissor e receptor, para que haja a adequação da comunicação. É também necessário observar que antes de se elaborar um texto, deve-se ter todo um conhecimento prévio do assunto e dos objetivos que ele se propõe efetuar.
Sobre a questão da coesão por substituição (sinonímia), percebe-se a necessidade de substituir determinados léxicos por outros que lhe sejam sinônimos, a fim de conferir uma boa coesão ao texto, encadeando assim o assunto, e sempre retomando a idéia anterior sem repeti-la, o que contribui na estética e concisão do texto. Observa-se também que os falantes da língua fazem uso deste recurso de substituição de forma natural, pois todos possuem uma gramática implícita que se caracteriza por seu domínio lexical.
De tudo o que foi exposto nos propusemos a analisar os textos e seus elementos de textualidade, contudo, não tivemos a pretensão de encerrar a pesquisa, pois sua abrangência é vasta, porém, almejamos que os dados aqui estudados e relatados sejam relevantes para as pesquisas posteriores.


1 Acadêmica do quarto período do curso de Letras da disciplina de Produção Textual.
2 Acadêmica do segundo período do curso de Letras da disciplina de Produção Textual.
3 Acadêmica do quarto período do curso de Letras da disciplina de Produção Textual.
4 Acadêmica do quarto período do curso de Letras da disciplina de Produção Textual.
.


ANEXO DO EXERCÍCIO ANALISADO


1. O papa João Paulo II disse ontem, dia de seu 77º aniversário, que seu desejo
2. é "ser melhor". ................. reuniu-se na igreja romana de Ant'Attanasio com
3. um grupo de crianças, uma das quais disse: "No dia do meu aniversário
4. minha mãe sempre pergunta o queeu quero.E você, o que quer? .................
5. respondeu: "Ser melhor". Outro menino perguntou a ..................... que
6. presente gostaria de ganhar neste dia especial. "A presença das crianças me
7. basta", respondeu ............................ . Em seus aniversários, ...............
8. costuma compartilhar um grande bolo, preparado por irmã Germana, sua
9. cozinheira polonesa, com seus maiores amigos, mas não sopra as velinhas,
10. pois este gesto não faz parte das tradições de seu país, a Polônia. Os
11. convidados mais freqüentes a compartilhar nesse dia a mesa com................
12. no Vaticano são o cardeal polonês André Marie Deskur e o engenheiro
13. Jerzy Kluger, um amigo judeu polonês de colégio. Com a chegada da
14. primavera, .............. parece mais disposto. .............. deve visitar o Brasil na
15. primeira quinzena de outubro.

Complete as lacunas com
? O aniversariante
? O Pontífice
? João Paulo II
? O Sumo Pontífice
? O Santo Padre
? O Papa


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KOCH, Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 2ª edição, São Paulo: Cortez, 2003.

KOCH, Ingedore G. Villaça. A coesão textual. 7ª edição, São Paulo: Contexto, 1994.

OLIVEIRA, Mariangela Rios de. Linguística Textual. In: MARTELOTTA, Mario Eduardo. Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008, p. 193-204.

CHAGAS, Carmen Elena das. Cognição e texto: a coesão e a coerência textuais. Revista Eletrônica Ciência & Cognição, Vol 12, p. 214-218, 2007.

SIMON, Maria Lúcia Mexias. A construção do texto: coesão e coerência textuais. Revista Philologus, v.40, p.23-31,2008.

COSTA VAL, Maria da Graça. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

GARCEZ, L.H.C. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 2ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

SARMENTO, Leila Lauar. Oficina de Redação. 2ª edição, São Paulo: Moderna, 2003.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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