Educação em Saúde: O Papel do Enfermeiro Educador

RESUMO

Esta é uma reflexão sobre o papel de educador a ser desenvolvido pelos enfermeiros, como uma necessidade social que se impõe no momento histórico em que vivemos, reforça a adoção de novos paradigmas na formação dos enfermeiros para que não se valorize tanto o aspecto tecnicista, mas, sim, o do cuidado no sentido mais amplo, como forma de relacionamento com o outro ser e com o mundo (GASTALDI, HAYASHI).
A ênfase na educação para saúde origina-se, em parte, do direito do público a uma atenção à saúde compreensiva, também reflete o surgimento de um público informado que questiona mais significativamente sobre saúde e sobre os serviços de atenção à saúde que recebem (Silva). E os enfermeiros (as) como professores (as) são desafiados não só a fornecer educação específica para o paciente e família, como também a enfocar as necessidades educacionais da sociedade.

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É grande a demanda dos usuários em obter informações compreensivas sobre seus problemas de saúde ao longo de seu ciclo vital, é um processo que envolve interação entre educadores e educandos e, não uma simples transmissão de conhecimentos, como refere Freire (1999). Sabendo que o cuidado de enfermagem é dirigido à promoção, manutenção e restauração da saúde; contribuindo para a reinserção do indivíduo na vida social, temos a educação para saúde como um propósito de levar a informação necessária ao paciente conduzindo-o ao auto-cuidado.

INTRODUÇÃO

A educação para a saúde é importante para o cuidado de enfermagem, uma vez que ela pode determinar como os indivíduos e as famílias são capazes de ter comportamentos que conduzam a um ótimo auto cuidado.
Chamamos atenção para o fato de a educação em saúde não ser de competência exclusiva de uma única categoria profissional; ela deve contar com uma participação multiprofissional. "O papel educativo do profissional de saúde, como um dos componentes das ações básicas de saúde, é tarefa de toda a equipe em uma unidade de saúde" (Vargas e Soares, 1997:58-59) apud Figueiredo, 2005. "O Educar envolve afeto, persistência, desejo, relações humanas e contato corpo a corpo. A doença leva o sujeito a procurar novas maneiras de lidar com a vida e leva os (as) enfermeiros (as) a procurar novas maneiras de cuidar. Pensar na vida e no desejo, quando só se pensa na doença e na morte" (Magalhães 2004). Todo cuidado de enfermagem é dirigido à promoção, manutenção e restauração da saúde; prevenção de doenças; assistência às pessoas no sentido de se adaptarem aos efeitos residuais da doença. Espera-se que todo contato que a enfermeira tem com o usuário do serviço de saúde, estando à pessoa doente ou não, deveria ser considerado uma oportunidade de ensino de saúde. Apesar de a pessoa ter o direito de decidir se aprende ou não, a enfermeira tem a responsabilidade de apresentar a informação que irá motivar a pessoa quanto à necessidade de aprender. Os ambientes educacionais podem incluir domicílios, hospitais, centros de saúde comunitários, locais de trabalho, organizações de serviços, abrigos, ação do usuário ou grupos de apoio. Espera-se que a enfermeira funcione como "professora" para os outros membros da equipe, assim como para os pacientes. Talvez esteja inserido no "Ser-Enfermeira" o interesse em ajudar os pacientes e suas famílias a aprender como manter e/ou restaurar a saúde e (re) adaptar-se às novas condições de seu estado (Figueiredo, 2005).
Em muitos casos, em muitas de suas funções, o profissional em enfermagem atua orientando o paciente, promovendo a saúde bem como a prevenção e a recuperação da mesma, por meio de palestras, programas dinâmicos e educando diretamente o paciente. (Oliveira, et.al )
Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar a possibilidade para a sua produção ou sua construção e quem ensina aprende ao ensinar e quem prende ensina a aprender.
A educação em enfermagem deve oferecer caminhos que visem à construção do saber e que possibilitem a formação de pessoas críticas, criativas e preparadas para atuarem de forma efetiva nas diferentes comunidades, pautando-se na busca de soluções efetivas para os problemas de saúde da população. Além disso, deve oferecer subsídios para que o futuro profissional possa atuar na educação permanente da equipe de enfermagem. (B)
O profissional de Saúde precisa compreender a educação como um processo social, histórico e que se dá ao longo da vida, os processos educativos que permeiam as práticas sociais de saúde, institucionalizadas ou não, considerar as especificidades dos diferentes grupos sociais, dos distintos processos de vida, trabalho e adoecimento e colocar-se de forma ética e humanizada na relação educativa, buscando a troca de saberes e práticas; Assim também utilizar metodologias participativas que propiciem a autonomia e cidadania das pessoas, compreender a educação em saúde como parte integrante do processo de cuidar, e atuar no processo de qualificação dos trabalhadores da saúde em atividades de educação permanente, (B) assim, entende-se que o processo educativo envolve respeito à individualidade dos sujeitos envolvidos e mútua colaboração. O enfermeiro, como educador para a saúde, atua no intuito de preparar o indivíduo para o auto-cuidado e não para a dependência, sendo, portanto, um facilitador nas tomadas de decisões (13).

OBJETIVOS

Entende-se que uma Educação para Saúde eficiente é uma linha direta para resultados bem sucedidos e que vão contribuir para o bem estar do indivíduo e da comunidade e, por isso este trabalho tem como objetivo ajudar aos profissionais de enfermagem à (re) pensarem sobre sua atuação como educadores.
Compreender a importância do plano de ensino e da articulação entre seus componentes (objetivos, conteúdos, procedimentos e avaliação) para o desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem.
Este trabalho tem como objetivo específico analisar o papel do enfermeiro no contexto da educação em saúde e, está voltado para promoção, manutenção e recuperação da saúde, faz parte dele, alem do cuidar propriamente dito, as ações de cunho educativo (Figueiredo, 2005).

METODOLOGIA

Quanto à metodologia utilizada, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que "é desenvolvida com base em material já elaborado, construído principalmente de livros e artigos científicos" (6). A abordagem é qualitativa, descrita como uma abordagem holística preocupada com os indivíduos e seu ambiente, em todas as suas complexidades e naturalista, sem qualquer limitação ou o controle imposto ao pesquisador,
A preocupação básica deste estudo é demonstrar que é possível através da educação em saúde que o enfermeiro pode alcançar indivíduos em todos os lugares e pode mudar para melhor a situação dos mesmos.

Discussão

O papel do enfermeiro em educação em saúde pode ajudar aos indivíduos a se adaptarem à doença, e a prevenir complicações, e atender à terapia prescrita e resolver problemas quando confrontados com novas situações. Essa é uma tarefa que depende, no caso da saúde, de profissionais com habilidades e competências para orientar as pessoas a: Promover a saúde; Evitar riscos a saúde; Prevenir doenças;
A meta da educação em saúde é ensinar as pessoas a viverem a vida da maneira mais saudável ? ou seja, lutar para atingir seu potencial de saúde máximo, e avaliar a responsabilidade que cada um tem de manter e promover sua própria saúde se é obrigação dos membros de equipe de saúde, mais especificamente dos enfermeiros de tornar a educação nessa área consistente disponível.
Além do direito do público e do seu desejo à educação em saúde, a educação do paciente também é uma estratégia para reduzir os custos da atenção à saúde prevenindo doenças, evitando tratamentos médico caro, diminuindo o tempo de hospitalização e facilitando uma alta mais cedo. Desafios de trazer o sujeito para a reaproximação da natureza e das coisas naturais, de orientar as pessoas para a tomada de decisões em suas vidas e conseguir, por meio da educação em saúde, a ter uma melhor qualidade de vida. A educação do paciente também é uma estratégia para evitar custos àqueles que acreditam que um relacionamento positivo equipe-cliente evita processo de erro no atendimento ao cliente. Educar demanda habilidade do educador, pois nem sempre quando se diz algo, tem-se a garantia de que ocorreu "o aprendizado". Para que isso aconteça é necessário haver uma resposta ao estímulo oferecido. Este processo educativo é individual que ocorre na pessoa, modificando-a e fazendo com que assimile as experiências que vai vivendo.
A conscientização é definida por FREIRE (1995, p.112) apud Gastaldi XVIII Terra e Cultura o aprofundamento da tomada de consciência, pois, a simples tomada de consciência, sem a reflexão crítica, fica no nível do senso comum.
Exemplificando: "todos" sabem que o cigarro faz mal à saúde, e nem por isso "todos" deixam de fumar. Está em falta, além da tomada de consciência de que o cigarro faz mal, a reflexão crítica sobre "o que realmente o cigarro faz com a minha saúde em particular."

É neste sentido que o enfermeiro pode e deve atuar junto ao cliente, seja no hospital, na unidade básica de saúde, na formação de grupos de convivência, ou em qualquer tempo e lugar em que se faça necessário. Jamais poderemos conceber cuidado sem este aspecto educador Freire 1995 apud GASTALDI, et al.
A aderência a um regime terapêutico requer que a pessoa faça uma ou mais mudanças no seu estilo de vida para realizar atividades específicas que promovam e mantenham a saúde. Os profissionais envolvidos na promoção à saúde do trabalhador devem ter requisitos, estratégias e cuidados para uma maior efetividade das ações adotadas não devem ser meros assistentes, mas necessitam ter uma visão ampla e abrangente a todos os segmentos que definem saúde.

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Sobre este autor(a)
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