Educação dos Surdos
 
Educação dos Surdos
 


Isac Ferreira

Resumo
O artigo analisará a questão da educação voltada ao surdo em sala de aula nas escolas brasileiras. Tratará também das diversas ideologias que ultrapassam os discursos sobre a surdez e seus desafios na história dos dias atuais no Brasil. Discutirá também sobre a questão da inclusão em sala de aula na perspectiva de Liliane Correia Toscano de Brito Dizeu e Sueli Aparecida Caporali.

Palavras-chaves: surdos, comunicação gestual, plurilinguismo.

Introdução

Ambos os textos discutiram sobre a educação do surdo voltada para a língua de sinais como um meio de comunicação eficaz para desenvolver a interioridade e sua forma de expressá-la ao mundo. Ana Cláudia Balieiro Lodi fará um recorte do século XVI aos dias atuais contextualizando e criando um signo análogo entre a realidade de hoje com o passado. Liliane Correia Toscano e Sueli Aparecida Caporali enfatizam a política bilíngüe como forma de dar uma nova roupagem a questão do ensino de surdos no Brasil atual.
No artigo "Plurilinguismo e surdez", da autora Ana Cláudia Balieiro Lodi, serão explicitadas as diversas ideologias que perpassaram os discursos sobre a surdez e seus reflexos dessa história nos dias atuais no Brasil, apresentando um estudo da história dos primeiros métodos e formas de se trabalhar para levar os surdos a desenvolver uma língua, no caso, a língua de sinais. Para a autora, a educação dos surdos ocorria baseada na linguagem escrita, pois, esta era, um signo de poder, uma vez que buscava preservar aos escribas e ao clero.
Os registros históricos nos relatam, segundo Balieiro, que o ensino de surdos teve sua origem no século XVI, graças ao trabalho desenvolvido pelo monge beneditino Pedro Ponce de Léon. A sua tese teve destaque por provar os falsos argumentos médicos e filosóficos e crenças da igreja da incapacidade dos surdos para o desenvolvimento da escrita. Tudo isso foi possível através de um sistema de comunicação manual inventado no Monastério de Oña, na Espanha, pelos monges que não faziam uso da língua oral e sim de sinais.
No século XVI, Pedro de Léon, ganhou prestígio entre os nobres, uma vez que somente filhos de nobres surdos tinham acesso a educação que era a única maneira de terem acesso a herança e a títulos de família.
Lodi dirá que com o passar dos tempos a educação sofreu uma expansão e no século XVIII surge a primeira escola pública para surdos na Europa, Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris, fundada pelo abade Charles Michel de I´Epée. Contudo, o reconhecimento da língua dos surdos foi apenas relativo, pois, queriam organizar a língua de sinais segundo a gramática francesa. No século XIX, há uma formação das nações utilizando a língua como fator unificador.
No século XIX, de acordo com Lodi, houve vários movimentos criados pela comunidade surda e seus educadores que lutavam pelos direitos dos surdos a sua língua e uma educação realizada por seu intermédio. Há também a extinção das escolas residenciais na tentativa de separar os surdos uns dos outros, pois, do contrário, a língua de sinais estaria presente e viva, e a língua da nação deveria predominar sobre todo o território da pátria. Neste ponto existe a concordância da autora com Liliane Toscano e Sueli Caporali, ambas afirmam a relevância das comunidades surdas por atraírem os surdos, identificando-os consigo mesmos e causando uma participação confortável de convívio.
Na década de 1980, na visão de Balieiro, surgiu um movimento mundial apontado em direção a necessidade de se implantar uma política educacional bilíngüe, possibilitando a professores e alunos uma compreensão mais clara e formal.
Cláudia Balieiro discutirá a importância do surdo com seus pares, afirmando a necessidade de termos em sala de aula não somente professores ouvintes. O professor surdo bilíngüe criaria, segundo argumentos da autora, uma percepção positiva da surdez pelos alunos e mostraria que também são capazes de estarem ministrando aulas.
Contudo, Balieiro, Toscano e Caporali afirmam a extrema necessidade de uma política educacional voltada para a diversidade social e cultural no Brasil de hoje e que precisa ser delineada para haver a absorção da língua de sinais por todos valorizando a educação dos surdos.
Cláudia deixará o seu artigo aberto, salientando a inelutável política voltada para a questão de uma educação bilíngüe para surdos como lugar de constituição das identidades e dos aspectos culturais da comunidade surda.
No artigo "A Língua de Sinais Constituindo o Surdo como Sujeito", de Liliane Toscano e Sueli Caporali, apresentam uma discussão em que o sujeito surdo deve adquirir a língua de sinais, como primeira língua, de forma natural e uma segunda, a língua da sociedade ouvinte majoritária (oral e/ou escrita), construídas por intermédio das bases lingüísticas obtidas por meio da língua de sinais. Toscano e Caporali concordam com a tese de Balieiro sobre a educação bilíngüe para surdos como o único meio de inseri-los na cultura social da atualidade sem privá-los da sua própria cultura e sem causar um genocídio cultural aos surdos.
O trio de autoras analisadas afirmam que a língua oral atingiu o topo da sociedade como forma de se tornar civilizado, desconsiderando a língua de sinais. E que nos dias de hoje, a sociedade não oferece lugar para as diferenças ou diversidades, não dando prestígio a língua de sinais no processo educacional.
Toscano e Caporali argumentam que o surdo não participa de maneira efetiva do processo de integração social e que este é silenciado pelo ouvinte através da língua oral. Tecem críticas também aos defensores oralistas por não conseguirem essa inserção dos surdos na sociedade. De acordo com as autoras, é necessário aceitar as diferenças existentes entre os surdos com relação a modalidade de comunicação utilizada, seja oral ou língua de sinais.
As autoras Liliane e Sueli insistirão que o surdo não precisa desenvolver a língua oral, porém, se quiser aprendê-la, terá que ser educado através da língua de sinais para que esta seja valorizada e considerada de forma respeitosa. E dizem que é um dever oferecer aos surdos, principalmente, crianças, a oportunidade de adquirir uma língua própria para constituir sua linguagem.
Liliane e Sueli concordam com Balieiro reafirmando o conceito elevado de se colocar a criança surda em contato com um adulto surdo, fluente em LIBRAS, para que com a convivência com alguém que seja semelhante, seja capaz de significar o mundo. As três autoras falam que a língua de sinais é o caminho expressivo na vida de um sujeito surdo que o conduzirá ao desenvolvimento pleno.
Caporali e Toscano dirão que tanto a língua oral, que tem um campo oral-auditivo, quanto à língua de sinais, campo gesto-visual, assumem o mesmo papel, que é o da comunicação. E evidenciam que a família exerce um papel significativo e determinante para o estabelecimento da língua de sinais como funcionante no discurso da criança surda nos primeiros anos de vida. A família é o alicerce para a criança.
As autoras analisadas apesar de mostrarem diferentes métodos e teorias têm o mesmo objeto de estudo: a educação dos surdos. E devido às ricas e diversificadas fontes utilizadas, um artigo complementa o outro de uma maneira "gostosa" e "doce" de serem lidos. Contudo, o trio apresenta suas teses atingindo o seu objetivo, sem, no entanto, liquidar o tema trabalhado, possibilitando estudos maciços e interligados com as idéias defendidas pelas autoras. Todas, porém, dão ênfase na questão de uma política bilíngüe e de sua necessária implantação. Resta nos lutarmos para que esta seja acolhida e criada pelo governo federal e aceita por toda a população com bons olhos.

Referências Bibliográficas

DIZEU, Liliane Correia Toscano de Brito & CAPORALI, Sueli Aparecida. "A Língua de Sinais Constituindo o Surdo como Sujeito". Educação Social. Campinas, vol. 26, 2005, PP. 583-597.
LODI, Ana Cláudia Balieiro. "Plurilinguismo e Surdez: uma Leitura Bakhtiniana da História da Educação dos Surdos". Educação e Pesquisa. São Paulo, vol. 31, 2005, PP. 409-424.
 
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Sobre este autor(a)
pós-graduando em docência universitária e graduado em história.
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