DISTÚRBIOS NA APRENDIZAGEM: FALA, LEITURA E ESCRITA
 
DISTÚRBIOS NA APRENDIZAGEM: FALA, LEITURA E ESCRITA
 


DISTÚRBIOS NA APRENDIZAGEM: FALA, LEITURA E ESCRITA*

Flávio Loiola Frota** 

RESUMO:

O referido artigo descreve sobre a aquisição da linguagem oral e escrita por parte das crianças, relatando os seus referentes distúrbios e causas, abordando o modo como o professor deve agir perante esses problemas. Distúrbios esses que tem se demonstrado cada vez mais discutidos por profissionais da área. O objetivo deste artigo é mostrar com afirmações de alguns autores como se dá a aquisição da linguagem e seus distúrbios com suas causas e definições, assim observando a importância que o professor e os pais têm no tratamento adequado.

Palavras-chave: distúrbios, linguagem, aprendizagem, fala, lecto-escrita.

1 INTRODUÇÃO

          O referido artigo relata os distúrbios da aprendizagem, que nos últimos anos têm se discutido bastante, tanto na ciência, como na linguística. Assim retratando os fatores e procedimentos a serem discutidos e tratados nos devidos problemas, onde surge uma questão importante, de como o professor dessas crianças poderá identificar e consequentemente encaminhá-las a um devido procedimento.

          Cerca de 8% das crianças apresentam algum tipo de distúrbio no desenvolvimento da linguagem tanto oral como escrita, distúrbios esses que se apresentam de formas variadas e diferentes manifestações no comportamento e atingem a capacidade cognitiva e interacionista da criança com o outro, ou seja, a comunicação com seu semelhante.

         Considerando as várias causas que interferem no processo de ensino-aprendizagem, é importante antes de traçar um tratamento terapêutico, investigar o ambiente no qual a criança vive e a metodologia que as escolas abordam, pois os distúrbios também podem ser provocados por fatores ambientais.

          Muitas crianças não apresentam fatores externos ou sintomas aparentes de um distúrbio e mesmo assim não conseguem assimilar e desenvolver as atividades pedagógicas. As crianças com distúrbios de aprendizagem, cujas limitações se manifestam através dos defeitos linguísticos, prejudicam bastante o processo do desenvolvimento e apropriação da lecto-escrita.

          Contudo, nos primeiros anos de vida os pais e professores alfabetizadores devem começar a distinguir os problemas, para que haja um tratamento adequado, então não devem ser tratadas de modo diferente das outras pessoas para não haver um trauma, no decorrer do artigo serão abordados mais sobre os distúrbios da fala, leitura, escrita e como o professor deve agir perante esses problemas.

2 FATORES DE INFLUÊNCIA NA LINGUAGEM E NA FALA

             O entendimento e a compreensão da linguagem vem muito antes que a fala, pois antes mesmo da criança começar a falar, ela vai se comunicar com seus semelhantes seja para brincar, comer ou simplesmente indicar alguma dor, essa comunicação pode ser por meio de gestos, olhares, mímica ou choro. Para Santos (2002:216):

          A aquisição da linguagem não é caótica, aleatória. Há idiossincrasias e erros, mas estes são em bem menor número do que se pode supor. O fato de as crianças, por volta dos três anos, serem capazes de fazer uso produtivo de suas línguas suscita a questão de como essas línguas são aprendidas, adquiridas.

            Para aprender a falar, o ser humano precisa de órgãos sensoriais em perfeito estado de articulação, além de um processo interacional e evolução do sistema nervoso. Com esses elementos a criança vai desenvolvendo a linguagem e a fala corretamente, clara e lógica, de forma a interagir com o meio e com seus semelhantes, entendendo e compreendendo todos os códigos, para que haja a comunicação.

            Para avaliar os problemas enfrentados e vividos por portadores de distúrbios da aprendizagem, tem que primeiro entender os problemas que essa criança enfrenta, pois o problema pode ter origem ambiental ou biológica, depende também de como ela vive no meio e como ela age.

            Os fatores ambientais são importantes para o desenvolvimento mútuo e completo da linguagem oral e escrita da criança. Como afirma Santos (2002:222) “a criança constrói o conhecimento com base na experiência com o mundo físico, isto é, a fonte do conhecimento está na ação sobre o ambiente.” Portanto, o meio influencia desde cedo nos efeitos da fala da criança, como por exemplo, o modo de falar dos pais e dos irmãos que favorecem bastante para a aprendizagem da linguagem oral do bebê, pois o ambiente fornece o clima emocional  e os modelos verbais para a formação  infantil, pois um local tranquilo ajuda bastante nas etapas do balbucio, para Scarpa (2001:226) “no fim do período do balbucio, começam a aparecer na fala da criança as primeiras palavras reconhecíveis como tais pelo adulto”. No entanto, o exagero ou a omissão do adulto com a criança e assim como também a articulação de frases infantis ditas pelos adultos às crianças poderão causar um possível distúrbio.

            Já os fatores biológicos afetam bastante no processo de aquisição da linguagem, a hereditariedade dá maior ou menor potência na aprendizagem de regras e vocabulários de sua língua materna. O estado de saúde da criança é importante no período de aprendizagem, pois doenças e distúrbios aparecem nessa época e são um transtorno na aquisição da linguagem.

           Uma criança com distúrbio não deve ser em hipótese alguma diferenciada das outras, pois causa um trauma psicológico e o distúrbio da aquisição só faz progredir. Para Préneron (2006:63):

Essa defasagem deve ser significativamente importante (de12 a18 meses, pelo menos) na medida em que as diferenças interindividuais, tanto no nível dos ritmos quanto no dos estilos de aquisição, são importantes durante os primeiros anos de vida, por outro lado, suas produções linguageiras não devem deferir em qualidade daquelas de uma criança que apresenta um desenvolvimento normal.

3 DISTÚRBIOS FONOLOGICOS: DESENVOLVIMENTO DA FALA E SEUS DEFEITOS

            Para identificar a existência dos distúrbios fonológicos, primeiramente é necessário conhecer os processos e o desenvolvimento da fala.

            Nas primeiras semanas de vida a fala se manifesta na forma de choro, gritos e através dessas formas de comunicação a criança exprime seus sentimentos. Segundo Kaufman (1996:52):

Na trajetória normal do desenvolvimento, todas as crianças adquirem uma linguagem humana. Esta aquisição aparentemente milagrosa foi vista como um estado de coisa natural, dado que os adultos em geral e os pais em particular não fazem planos especiais para o ensino explícito ou para a aprendizagem da linguagem.

           Outra das formas de desenvolvimento da fala é o balbucio, período em que todas as crianças, independente de nacionalidade pronunciam o mesmo som. Afirma Scarpa (2001:225) que “os sons que a criança balbucia no começo são universais: os sons do balbucio inicial não são específicos de sua língua materna”, os bebês emitem sons, ouvem e repetem seus próprios gritos, esse é o período mais importante para a formação e apropriação da fala.

          Após o balbucio surgem as primeiras palavras, só que devido os órgãos fonadores não terem a agilidade suficiente para expressar os sons, a maioria dos vocábulos saem errados, de maneira engraçada os pais acabam gostando e repetindo sempre as palavras, as crianças vão aprendendo e apropriando-se erradamente da língua e por consequência evoluindo a um distúrbio fonológico.

           Com cinco anos de idade, o aparelho fonador já deve estar desenvolvido e a linguagem oral bem mais estruturada, com a capacidade de formular frases corretas, expressando verbalmente seus desejos e utilizando os termos mais adequados.

           A fala se torna defeituosa quando o funcionamento dos maxilares e da língua é anormal; no lado emocional os sentimentos e atitudes perturbadoras podem prejudicar. Quando há uma criança com distúrbios da fala sua maneira de falar interfere na comunicação, deixando-a tímida e apreensiva com sua voz. Diz Préneron (2006:67) que “a criança deve igualmente integrar os esquemas silábicos (...) nos quais se inserem os fonemas próprios de sua língua”, quando o sistema silábico não é adquirido, a fala do individuo se torna incompreensível.

           Muitas vezes, os distúrbios da fala só são constatados na escola, onde muitos professores não têm uma capacitação especial para detectar, encaminhar para um especialista e lhe dar com crianças que apresentam esses problemas.

           Outro defeito da fala é quando a voz é débil, desagradável, não tem uma boa articulação e é acompanhada de sons e gestos que incomodam. Os problemas da fala estão relacionados ao biológico e ao psicológico, para Vygotsky (2000:50):

Ela se origina da emoção e é claramente uma parte da síndrome emocional total, mas uma parte que exerce função especifica, tanto biológica quanto psicologicamente. Está longe de ser tentativa intencional e consciente de influenciar ou informar os outros.

3.1 Mudez

           

            É a incapacidade de articular palavras, geralmente decorrente de transtornos do sistema nervoso, que atinge a coordenação das ideias e a transmissão da fala. Em muitos casos a mudez surge de problemas auditivos, pois quando a criança fica surda antes dos nove anos, não terá como adquirir os processos da fala; se o indivíduo perder a audição na adolescência não terá como perder sua capacidade de falar, só não conseguira aprender palavras novas, mas continuará falando com pouca fluência. Certos tipos de distúrbios cerebrais também podem causar a mudez e impedir que o bebê passe da fase do balbucio.

            A mudez pode está relacionada ao psicológico quando a criança tem rejeição à fala e medo de se expressar com as outras pessoas.

3.2 Atraso na linguagem

            As características deste distúrbio são as deficiências nos vocábulos, ou seja, a incapacidade de formar ideias e retardo da estruturação de sentenças. O atraso da linguagem aparece quando ao completar um ano de idade até os quatro anos, a criança não desenvolve a linguagem corretamente. Préneron (2006:68) questiona que:

O distúrbio, aqui, não é mais simplesmente motor, mas especificamente lingüístico; o individuo não terá nenhuma dificuldade para mostrar a língua se for solicitado. Esse distúrbio afeta, aliás, unicamente a palavra voluntária e não a palavra automática (a das exclamações, dos palavrões e das fórmulas de boa educação).

            Este distúrbio pode permanecer na criança até os quatro anos de idade, ao completar cinco anos vai desaparecendo normalmente sem intervenção terapêutica. Em alguns casos, esse problema não desaparece e evolui para um devido distúrbio de articulação, que é resolvido com um tratamento especificado. Na sala de aula, o professor deve identificar e encaminhar a um tratamento para que não evolua e se torne um problema maior, pois o atraso da linguagem oral e escrita é apenas um aviso de um distúrbio mais complexo como o de articulação.

3.3 Disfonia e afonia

 

            A disfonia é uma alteração na voz, tornando a voz não harmônica, de modo a ser obtida pelo falante como esforçada e sem possibilidade de timbre, mais conhecida como uma rouquidão. Muitas vezes a disfonia é causada pelo fator psicológico, quando seu lar não tem uma harmonia e a criança não se sente segura.

           Em muitos casos, a disfonia pode ser corrigida com aulas de canto, de modo que exercitando as cordas vocais melhore a insatisfação da voz.

            A afonia é caracterizada como uma perda parcial da voz ou até mesmo total, pode começar com uma pequena rouquidão e evoluir até o desaparecimento total da voz, esse distúrbio pode se agravar mais na adolescência devido as alterações da voz do individuo.

            O professor deve fazer com que as crianças com esses distúrbios se sintam seguras ao falar, realizando atividades como jogos educativos que usem a voz e exercícios artísticos, nunca demonstrando desinteresse pelo aluno.

4 DISTÚRBIOS DE ARTICULAÇÃO

            Várias crianças em fase de pré-escola apresentam os distúrbios de articulação da fala, que são os problemas em pronunciar determinados sons, isso é normal até os sete anos de idade, após esse período os pais e professores têm que identificar e procurar um médico especialista, pois pode evoluir cada vez mais o quadro, tornado incompreensível a fala da criança. Préneron (2006:66,67) afirma que:

Esses distúrbios que se observam às vezes na criança muito pequena correspondem à má realização “material” dos sons da linguagem. É a posição da língua na produção de certos fenômenos que é inadequada. Para articular corretamente um som da linguagem, a criança pequena deve coordenar grupos musculares de maneira extremamente refinada, particularmente para as consoantes. Uma leve alteração na colocação da língua pode conduzi-la a erros: produção de uma consoante em lugar de outra (...), ou elisão sistemática de uma mesma consoante. É esse aspecto sistemático que nos permite concluir que se trata de um distúrbio do gesto articulatório.

            Esse distúrbio de articulação está subdividido em outros com características especificas: dislalia e disartria.

4.1 Dislalia

 

           É caracterizada pela dificuldade em articular palavras, ou seja, é a má pronunciação das palavras, omitindo ou acrescentando fonemas onde não deve. As dislalias podem ser orgânicas ou funcionais.

          As dislalias orgânicas são as alterações da língua ou qualquer outro órgão de fonação, como o lábio leporino, que é uma das principais causas da dislalia.

          As dislalias funcionais ocorrem quando há imitação ou alteração emocional, e acontece com frequência em filhos caçulas, pois não necessitam de muito esforço para serem compreendidos, ou seja, os pais não esperam a comunicação dos filhos, fazem antes de pedirem. De acordo com Préneron (2006:67):

Essa patologia da práxis articulatória pode atingir um tal estado de gravidade que impede qualquer possibilidade de expressão oral, como é o caso nas apraxias da fala em que a limitação de se chegar à articulação é, dessa forma, contestada. Nesse caso, com efeito, numerosos clínicos consideram que a programação fonológica está igualmente envolvida.

            Os diversos tipos desse distúrbio são a omissão, quando a criança não pronuncia alguns sons; o acréscimo que é quando a criança introduz um som a mais na palavra; a substituição é a troca de um som por outro; e o gamacismo é a substituição de fonemas por outros parecidos.

            Contudo, a dislalia é um distúrbio que provoca a incompreensão da fala, pois até os quatro anos de idade pode parecer normal, mas o ideal é que seja corrigido o mais rápido possível, para avaliar e tratar qualquer tipo de dislalia é preciso fazer um exame fonológico, com diálogos e listas de palavras para serem lidas e repetidas. O tratamento consiste em exercícios articulatórios feitos com a criança diante de um espelho treinando os movimentos da língua e dos lábios, o mestre deve levar em consideração o lado emocional da criança, para não cometer o erro de aplicar uma correção exagerada, que pode ser traumatizante.

4.2 Disartria

 

           Outro distúrbio da aprendizagem, que por consequência atinge a fala, que é um problema articulatório e se manifesta na hora de realizar os movimentos necessários à emissão da voz.

           A fala disártrica é mais lenta e arrastada, originando quebras no som da palavra devido à falta dos movimentos, por isso é considerado um distúrbio da fala que envolve o ritmo.

          A origem desse distúrbio está nas lesões do sistema nervoso ou nos músculos que envolvem o aparelho fonador. As lesões alteram o controle dos nervos provocando a má articulação da palavra, dificultando o reconhecimento.

           Dessa forma, a criança terá dificuldade de se comunicar com seus colegas, dificultando ainda mais o aprendizado da leitura e escrita. Os professores juntamente com os pais têm que identificar o problema e conversar com criança de modo a não traumatizá-la, assim levando-a para um devido tratamento.

 

 

5 DISTÚRBIOS NO RITMO DA FALA

            São os distúrbios da aprendizagem que afetam o ritmo da fala. Consiste em repetir, bloquear e prolongar sílabas, palavras e sons. Esses problemas são identificados como gagueira, muitas crianças durante o desenvolvimento da fala apresentam repetições e gaguejamentos, esses casos acontecem entre os dois e quatro anos de idade.

            Após os quatro anos, se o gaguejamento persistir, deve levantar a preocupação de pais e mestres, pois mesmo na escola e em casa o problema pode ser corrigido com leituras e interação, o problema é que às vezes não é identificada a gagueira no momento certo, agravando assim o caso. Para Kato (1986:124):

O problema é que o tipo de experiência oral da maioria das crianças na fase de iniciação escolar limita-se á de ouvir e de participar de conversação diária espontânea, que conta com toda a cooperação dos outros participantes.

5.1 Gagueira

 

           É um distúrbio que afeta mais o sexo masculino, consiste em um distúrbio do ritmo e do fluxo normal da fala ocorrendo bloqueios, prolongamentos e repetições de sons, vem acompanhada de tensões musculares e irregularidades respiratórias, de acordo com Préneron (20006:69):

As tentativas de definições que os pesquisadores-clínicos formulam sobre o gaguejamento são, ao mesmo tempo, fruto de uma observação direta da palavra e de uma certa concepção teórica da linguagem. É em função dessa observação-concepção da linguagem que o interesse se volta seja para o conjunto da personalidade e do comportamento do sujeito, seja somente para sua fala, alguns consideram a fala como sendo alcançada nela própria (...); para outros, esses acidentes da fala são o sintoma de distúrbios mais profundos (...).

            Segundo concepções antigas a gagueira tem origem orgânica, como a hereditariedade e a falta de resposta do hemisfério cerebral, que pode ser causado por acidentes. Atualmente o distúrbio é definido como uma anomalia de causas múltiplas causados no aparelho fonador, que dificultam muito o aprendizado da leitura e consequentemente da escrita da criança, tornando cada vez mais complexa o seu aprendizado.

            As causas funcionais da gagueira podem vir de traumas psicológicos, ou de crianças filhas de pais gagos que têm chances de adquirir gagueira, ou seja, a criança aprende a gagueira com a contínua convivência. Como afirma Préneron (2006:71) “(...) aparece a medida que a criança cresce e se desenvolve, com um pico por volta de4 a6 anos”.

            O tratamento para a gagueira varia desde exercícios respiratórios até a psicoterapia, com o objetivo de fazer com que a pessoa fale de modo aceitável, em qualquer tipo de comunicação. Para a criança, o papel dos pais e do professor é muito importante, pois ela ainda se identifica bastante com o lar, e o professor servirá de modelo contra a reação aborrecedora das outras crianças. As pessoas devem aceitar os indivíduos gagos como são, e não fazer com que eles se intimidem.

5.2 Afasia

 

           Este distúrbio de aprendizagem é diferente dos outros, por não apresentar sintomas nem algo de errado com os órgãos do aparelho fonador.

           Caracteriza-se por falhas na compreensão e na expressão verbal, relacionado ao vocabulário insuficiente e a escolha equivocada das palavras. A principal característica da afasia é a perturbação da linguagem auditiva, ou seja, nas habilidades cerebrais que se relacionam à memória de sons e palavras.

             O distúrbio se manifesta como uma incapacidade para relacionar significado e significante ou transformar o pensamento em expressão verbal. De acordo com Préneron (2006:72):

O distúrbio diz respeito, então, à capacidade de combinar as palavras em enunciados e às diferentes marcas lingüísticas que explicitam as relações de subordinação e/ou de coordenação dos constituintes do enunciado (...) ou atualizam a ancoragem referencial e/ou discursiva do nome e do verbo (...).

            Então, com este distúrbio há uma redução da capacidade de usar a linguagem. Algumas falhas se relacionam as dificuldades de utilização dos mecanismos envolvidos na compreensão das mensagens também está relacionado à dificuldade de selecionar vocábulos corretos.

6 O PROFESSOR DIANTE OS DISTÚRBIOS DA FALA

            Na escola, é grande a porcentagem de crianças que apresentam problemas de fala. Quando começa a interferir no rendimento escolar, o professor deve começar a agir.

            O primeiro passo é encaminhar a criança a um especialista adequado, enquanto isso na sala de aula, o professor pode ajudar seus alunos com problemas de fala através de um trabalho paciente que envolve: observação, o contado com os pais e sua atitude frente ao distúrbio.

            A observação permite a detecção do problema, tem que ser constante e os professores devem ficar atentos à linguagem, e também às características físicas e comportamentais da criança. Supondo Préneron (2006:80):

 Toda prática de prevenção, de avaliação e de tratamento das disfunções linguageiras e comunicativas na criança apóiam-se em uma ou várias teorias de referências que dizem respeito ao desenvolvimento da linguagem na criança sem distúrbio.

            O contato com os pais atribuirá dados sobre como vive a criança; que oportunidades ela tem em casa de desenvolver seu vocabulário, se existem outras pessoas em casa com defeitos na fala , ou se usam outro idioma no lar.

            As atitudes do professor podem minimizar o problema ou até mesmo agravar, dependendo do modo como o professor a trata, pois a criança com estes defeitos está vulnerável a distúrbios emocionais.

            O professor deve evitar relatar as dificuldades do aluno frente a toda sala de aula, para que os colegas não o intimidem; não deve corrigir o aluno com freqüência para não o expor ao ridículo; não deve interromper a criança para que não tenha medo de falar.

            O professor tem a obrigação de tratar o aluno como os outros, não deve demonstrar inferioridade para a mesma não ficar traumatizada, deve ajudá-la a enfrentar seu problema sem expor aos seus colegas.

           O educador preparado para ajudar a criança com distúrbio pode fazer exercícios práticos para melhorar e minimizar as deficiências da linguagem, como exercícios para os lábios, mandíbulas e língua, dessa forma ajudando bastante a criança. Afirma Préneron (2006:81): que “a conduta terapêutica caracteriza-se por levar em conta distúrbios como sintoma portador de um sentido para o sujeito”.

7 AQUISIÇÃO DA LECTO-ESCRITA

            O sucesso ou insucesso da aprendizagem da leitura e escrita pela criança depende do bom desempenho no lado fisiológico, emocional, neurológico, intelectual e social, para que não haja distúrbios de lecto-escrita.

            A criança aprende naturalmente a falar a linguagem de seu grupo, cabe a escola desenvolver e aperfeiçoar a leitura e escrita, através de atividades pedagógicas. Conforme Santos (2002:220):

A criança tem um dispositivo de aquisição da linguagem (DAL) inato que é ativado e trabalha a partir de sentenças (input) e gera como resultado a gramática da língua à qual a criança está exposta. (...) esse dispositivo é formado por uma série de regras, e a criança, em contato com sentenças de uma língua, seleciona as regras que funcionam naquela língua em particular, desativando as que não tem nenhum papel.

            A criança passa pela aquisição do significado, com a observação dos objetos ao seu redor, para a compreensão da palavra, a seguir passa a imitar os sons dos adultos.

           Ao entrar na escola, a criança deve ter ultrapassado as etapas da compreensão e expressão da palavra falada, que na alfabetização deve desenvolver estágios superiores da linguagem, que são a leitura e escrita. Nas palavras de Kato (1986:99):

Os componentes teóricos para uma boa formação didática na área da linguagem são, pois: um conhecimento da natureza da linguagem escrita; um conhecimento da natureza dos processos envolvidos na leitura e na escrita; e um conhecimento da natureza da aprendizagem tanto desses processos quanto da própria linguagem escrita.

            Quando se fala dos distúrbios da lecto-escrita é necessário questionar o processo de alfabetização, pois cabe a responsabilidade de preparar a criança para as atividades gráficas.

            Para adquirir o processo da lecto-escrita o aluno tem que obter uma prontidão em aprender, pois a importância do desenvolvimento das habilidades básicas pode ser vista de uma maneira suficiente na escola, juntamente com a coordenação, ritmo, habilidades visuais, auditivas e linguagem oral, dessa forma os pais e a escola devem ajudar no desenvolvimento dessas capacidades para que o aluno possa interagir na lecto-escrita. Quando a escola tem incapacidade de interação, o aluno pode apresentar os devidos distúrbios, pois Kato (1986:124) afirma que:

O fator mais relevante foi a consciência da escrita que ela traz para a escola, fator esse correlacionado ao empenho dos pais na introdução da criança no mundo da escrita, seja através da prática regular da leitura oral, ou de respostas e perguntas sobre a escrita.

8 DISTÚRBIOS DA LEITURA

            Crianças com distúrbios de leitura apresentam algumas características como memória fraca; não tem noção de espaço e tempo, direito e esquerdo; não conseguem identificar as partes de seu corpo; não conseguem definir o tempo; e possuem incapacidade de soletração das palavras, tornando incapaz sua leitura.

8.1 Distúrbio da leitura oral

 

            A leitura oral abrange tanto a visão quanto a audição da criança, pois precisa perceber as informações que seu cérebro processará. Se um desses processos tiver distorcendo as informações, a criança apresentará distúrbios de leitura, devido aos problemas audiovisuais.

            No lado visual a criança pode apresentar um defeito na visão impossibilitando a leitura e escrita, porém pode ser corrigido com lentes especificas, ou pode apresentar uma incapacidade de diferenciar e interpretar palavras, isso devido aos problemas do sistema nervoso.

            No lado auditivo, as crianças apresentam dificuldades em reconhecer os sons, sobretudo aqueles que são muito parecidos, e se articulam praticamente iguais.

            Problemas desse tipo devem ser detectados pela escola e pelos pais, e tem que ser encaminhados a médicos especialistas para que a fase de aprendizagem da leitura não ultrapasse e fique mais difícil aprender a ler.

8.2 Distúrbios da compreensão da leitura

 

          Perceber e compreender o significado do que está escrito ou está sendo falado é muito complicado, principalmente quando a criança apresenta o distúrbio da compreensão, por mais que ela leia é muito difícil fazer uma compreensão ou análise, ou seja, a criança ler apenas por ler, mas não sabe do que se trata.

           As adversidades deste distúrbio são ocasionadas pelos problemas relacionados a velocidade da leitura silábica impedindo a compreensão; a deficiência do vocábulo oral e visual, onde o leitor não tem visão do que foi lido; a utilização inadequada dos sinais de pontuação, reduzindo a velocidade da leitura e provocando uma interferência na compreensão textual; a criança com este distúrbio também apresenta a dificuldade de retirar informações e ideias do texto.

           Contudo, o professor deve identificar e agir com a criança, explicando a leitura e fazendo pensar de forma dinâmica, ate que ela compreenda. Como afirma Préneron (2002:66) “neste nível, o déficit só pode ser evidenciado em função de testes especificamente construídos para sua exploração”.

8.3 Dislexia

 

           É caracterizado pela dificuldade na aprendizagem de decodificação das palavras no texto, ou seja, é a troca de letras e sons por outros e inversão das palavras, supondo Kato (1986:123) “extrair o significado do texto envolve a aquisição de novas habilidades”. A dislexia é um problema visual, que envolve o processamento da escrita e leitura no cérebro, pois a pessoa disléxica apresenta dificuldade na identificação dos símbolos gráficos, o que ocasiona o fracasso na leitura. Segundo Kaufman (1996:53) a pessoa tem que apresentar:

O conhecimento semântico ou conhecimento sobre o significado na linguagem humana inclui informações referentes ao significado de morfemas individuais, palavras e sentenças. Informações sobre morfemas e palavras estão contidas no dicionário mental ou no léxico do falante/ouvinte.

            De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) as principais dificuldades da criança com dislexia é a demora em aprender a falar e conhecer números e letras; dificuldade de aprender letras e símbolos e ordenar palavras, atrapalhando-se nas palavras longas e não conseguindo fazer uma redação.

            Muitas dificuldades acompanham as crianças disléxicas, pois elas são consideradas como desatentas e preguiçosas, o que levam a manifestar sintomas como os transtornos emocionais, que tendem a se agravar devido às injustiças que a criança venha a sofrer.

            A motivação é de extrema importância para criança disléxica, pois ao se sentir limitada, irá criar uma situação de negativismo. Pelo contrário, se ela for compreendida e amparada, ela terá mais vontade de aprender e colaborar para seu tratamento.

           O tratamento para a dislexia deve ser especializado quanto aos outros distúrbios da linguagem e precisam de muita ajuda do mestre na sala de aula. O professor deve encaminhá-las a um tratamento e acompanhá-las nessa trajetória, tendo muita paciência com o aprendizado lento da criança disléxica.

9 O PROCESSO DA ESCRITA E SEUS DISTÚRBIOS

         Escrever é relacionar ao símbolo o signo verbal, é organizar a colocação correta das palavras em um papel.

         Na escrita se estabelece a relação entre audição, significado e palavra escrita. Para Kaufman (1996:55):

Conhecer uma língua significa conhecer o sistema de regras que governa o modo como as palavras são combinadas para formas sintagmas e sentenças. Primeiramente, as palavras partilham de propriedades que lhes permitem ser agrupadas em categorias sintáticas ou lexicais principais (...) e categorias lexicais secundárias (...).

         A representação gráfica das palavras orais passa por diversos estágios de desenvolvimento, essa evolução de grafia se dar em ritmo pessoal, sentido próprio, ou seja, a criança desenvolve seu próprio estilo.

        O problema é que algumas crianças ao desenvolver o grafismo apresentam distúrbios que prejudicam e impossibilitam a escrita e devem ser corrigidas para que a criança não leve para sua vida uma escrita defeituosa.

9.1 Disgrafia e Disortografia

 

           Disgrafia é uma disfunção que afeta a forma de escrever, caracteriza-se pelo lento traçado das letras, que são ilegíveis. A criança não consegue captar no plano motor o que idealizou no plano visual.

           Os principais erros da disgrafia são a apresentação desordenada do texto, margens malfeitas ou inexistentes, espaço irregular entre palavras e linhas, enfim muitos erros sintáticos.

           A disortografia é a incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral, trocando letras e invertendo a ordem das palavras.

          O principal erro da disortografia é a confusão de letras, sílabas e tonicidade.

          Para o desaparecimento desses distúrbios a memória visual da criança deve ser melhorada e estimulada, de acordo com Kaufman (1996:55) “o conhecimento gramatical é paralelo ao conhecimento da função dos constituintes dos tópicos frasais e das sentenças”.

 

 

 

 

10 O PROFESSOR DIANTE OS PROBLEMAS DE LEITURA E ESCRITA

           O professor tem um papel importante, junto com a família, para identificar o problema e ajudar na reeducação das crianças. Antes de qualquer coisa o mestre deve conhecer as dificuldades que a criança enfrenta evitando as distinções. Após uma análise criteriosa, o professor junto com especialistas da escola deve encaminhar a criança a um tratamento específico.

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

            O presente artigo teve por objetivo concluir que a aquisição da linguagem oral e escrita passa por diversos processos até que se desenvolvam completamente, junto com esse processamento vem os devidos distúrbios de aprendizagem com problemas e defeitos da fala, leitura e escrita.

            Os distúrbios da fala e da lecto-escrita vêm mostrar que em geral várias crianças em todas as escolas apresentam problemas referentes à aquisição, que por muitas vezes não são corrigidos sendo levados até a fase adulta agravando ainda mais o problema. Distúrbios sempre causam uma incompreensão por parte do fator externo, ou seja, o outro. Seja na fala, leitura ou escrita é muito complicado compreender uma criança com algum desses distúrbios, pois ela terá uma voz ruim, leitura não muito boa e uma letra ilegível.

            Os professores juntamente com os pais têm um papel fundamental para identificar e tentar corrigir os problemas referentes aos distúrbios, de modo que não chamem a atenção dos outros colegas, para que a criança não fique traumatizada e não sinta medo na hora de se expressar tanto oralmente como verbalmente.

            Contudo, o professor deve agir de forma que interaja e sinta interesse em ajudar seu aluno, e a criança deve também mostrar certo gosto em querer aprender para melhorar e afastar os sintomas dos distúrbios de aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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* Artigo elaborado como pré-requisito, para aprovação na disciplina de Aquisição da Linguagem.

** Aluno do 7° período de Letras Plena Hab. em Língua Portuguesa da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.

 
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Sobre este autor(a)
Sou Flávio da cidade de Sobral-CE e curso 8° período de Letras pela Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA.
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