DISLEXIA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
 
DISLEXIA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
 


Elenita de Oliveira ²


RESUMO

A palavra dislexia é derivada do grego. Não é causada por baixa de inteligência. É um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem. A dislexia torna-se evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Apesar dessa alta incidência, considerada por alguns autores como uma das mais comuns deficiências de aprendizado, o diagnóstico ainda não é facilmente realizado. Os disléxicos ao contrário de outras pessoas que não sofrem de dislexia, processam informações em uma área diferente de seu cérebro. Existem tratamentos que buscam estimular a capacidade do cérebro de relacionar letras aos sons que as representam e, posteriormente, ao significado das palavras que elas formam. Grande parte da intervenção psicopedagógica buscará os talentos do disléxico. O acompanhamento psicopedagógico na reeducação do disléxico, é indispensável , pois através desta atenção especializada, conseguirá dominar as habilidades de leitura e escrita. A reeducação é uma intervenção terapêutica que tem como objetivo de seu trabalho, crianças , adolescentes ou adultos que, independente do motivo, apresentam dificuldades para aprender. Tratando-se de reeducação da criança disléxica, levanta-se a questão de qual o tratamento mais indicado para a superação desta dificuldade.

Palavras: dislexia, distúrbio, alfabetização, reeducação, diagnóstico, habilidade.

ABSTRACT

The word dyslexia is derived from the Greek. And is not caused by low intelligence. It is an operation peculiar to the brain to process language. The dyslexia becomes clear at the time of literacy, although some symptoms are already present in previous phases. Despite this high incidence, considered by some authors as one of the most common of learning disabilities, the diagnosis is not easily accomplished. The dyslexic unlike some others who do not suffer from dyslexia, process information in a different area of his brain. There are treatments that seek to stimulate the brain's ability to relate to the letters that represent sounds, and subsequently to the meaning of the words they form. Much of the speech psychopedagogic seek the talents of dyslexic. Monitoring psychology in the rehabilitation of dyslexic, it is essential, because through this specialized attention, can master the skills of reading and writing. The rehabilitation is a therapeutic intervention that has as its goal of your work, children, teenagers or adults who, regardless of the reason, have trouble learning. In the case of rehabilitation of dyslexic children, there is the question of which the most appropriate treatment to overcome this difficulty.

Words: dyslexia, disorder, literacy, education, diagnosis, skill.


INTRODUÇÃO

Este artigo é uma reflexão sobre os aspectos referentes aos problemas na aprendizagem da leitura e da escrita, encontrado com bastante freqüências nas salas de aula.
Tendo como objetivos, conceituar dislexia investigando suas causas e como é realizado o diagnóstico precoce da criança disléxica.
Torna-se relevante aprofundar-se neste assunto, uma vez que, entendo suas causas e seu diagnóstico correto, encontrar-se-á meios eficientes para minimizar o problema em sala aula. Contribuindo, desta maneira, para um aprendizado digno e extensivo a todos. No decorrer deste estudo, ressalta-se que a dislexia não deve ser tratada como doença e não necessariamente pode ser relacionada a falta de inteligência. Trata-se de um avanço na relação professor e aluno disléxico. Esta relação, a propósito, deve ser compreendida a todo um contexto social que envolve muito mais do que simplesmente o ambiente educacional, mas sobre tudo, a família que é o pilar de desenvolvimento de qualquer sociedade que se projete para um caminho de sucesso.

DISLEXIA, DIAGNOSTICO E TRATAMENTOS¹

A palavra dislexia é derivada do grego "dis" (dificuldade) e "lexia" (linguagem), sendo definida como uma falta de habilidade na linguagem que se reflete na leitura (Associação Nacional de Dislexia, 2005). Entretanto, ela não é causada por uma baixa de inteligência. O que ocorre é uma lacuna inesperada entre a habilidade de aprendizagem e o sucesso escolar, sendo que o problema não é comportamental, psicológico, de motivação ou social (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DISLEXIA, 2005).
A dislexia não é uma doença, é um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem. De fato, pesquisas atuais, obtidas através de exames por imagens do cérebro, sugerem que os disléxicos processam as informações de um modo diferente, tornando-as pessoas únicas; cada uma com suas características, habilidades e inabilidades próprias (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DISLEXIA, 2005).
A dislexia torna-se evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Apesar de instrução convencional, adequada inteligência e oportunidade sóciocultural e sem distúrbios cognitivos fundamentais, a criança falha no processo da aquisição da linguagem. Isto é, ela independe de causas intelectuais, emocionais ou culturais. Ela é hereditária e a incidência é maior em meninos, numa proporção de 3/1, sendo que a ocorrência é de cerca de 10% da população Mundial, embora freqüências altas de 20% a 30% tenham sido relatadas (HALLAHAN & KAUFFMAN, 2000).
Apesar dessa alta incidência, considerada por alguns autores como uma das mais comuns deficiências de aprendizado, o diagnóstico ainda não é facilmente realizado, o que faz com que os portadores de dislexia sejam erroneamente rotulados por pais e professores de preguiçosos, pouco inteligentes ou mal-comportados, visto que essa criança com inteligência, geralmente, acima da média, enxerga e ouve bem, expressa-se com fluência oralmente, no entanto, seu desempenho escolar não combina com seu padrão geral de atuação, apresentando dificuldades na leitura e na escrita, letra ruim, troca de letras e lentidão. (GONÇALVES, 2005).
Embora os disléxicos tenham grandes dificuldades para aprender a ler, escrever e soletrar, suas dificuldades não implicam em falta de sucesso no futuro, haja vista o grande número de pessoas disléxicas que obtiveram sucesso, entre elas, Thomas Edison (inventor), Tom Cruise (ator), Walt Disney (fundador dos personagens e estúdios Disney) e Agatha Christie (autora). De fato, alguns pesquisadores acreditam que pessoas disléxicas têm até uma maior probabilidade de serem bem sucedidas; acredita-se que a batalha inicial de disléxicos para aprender de maneira convencional estimula sua criatividade e desenvolve uma habilidade para lidar melhor com problemas e com o stress (GORMAN, 2003).

1.1 ETIOLOGIAS

As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas (Gorman, 2003), sendo também encontrados estudos que descrevem fatores ambientais como causa da dislexia. As evidências atuais apóiam a perspectiva de que a dislexia é familial (cerca de 35% a 40% dos parentes de primeiro grau são afetados), herdada (com uma hereditariedade de cerca de 50%), heterogênea em seu modo de transmissão (como evidencia tanto a forma poligênica como a de gene predominante responsável pelo distúrbio) e ligada em algumas famílias a marcadores genéticos no cromossomo 15 e possivelmente para outras famílias a marcadores genéticos do cromossomo 6. (GORMAN, 2003).
Os fatores ambientais são poucos conhecidos das causas da dislexia. As complicações perinatais apresentam uma associação fraca, não-específica, com problemas posteriores de leitura. Alguns autores postulam que insultos ambientais infecciosos ou tóxicos também poderão ter aqui um papel. Além disso, considera-se o tamanho da família e o nível socioeconômico das mesmas. Algumas famílias com nível socioeconômico baixo lêem menos para seus filhos e fazem poucos jogos de linguagem com eles, a falta dessas experiências pré-escolares parece retardar o desenvolvimento de habilidades posteriores de leitura (GORMAN, 2003).

1.2 CURSO DE DESENVOLVIMENTO

A dislexia vai emergir, comumente, nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita, usualmente não antes do final da primeira ou segunda série. Contudo, está se tornando progressivamente claro que precursores da dislexia estão presentes antes da idade escolar. Clinicamente, as histórias pré-escolares de alguns disléxicos, mas não todos, contêm informações sobre retardo leve no falar, dificuldades de articulação, problemas para aprender os nomes das letras ou nomes das cores, problemas para encontrar palavras, seqüência errada das sílabas ("aminais" por "animais", "donimós" por "domínós") e problemas para lembrar endereços, números de telefones e outras seqüências verbais, incluindo ordens complexas (GORMAN, 2003).
Ao contrário de outras pessoas que não sofrem de dislexia, os disléxicos processam informações em uma área diferente de seu cérebro; embora os cérebros de disléxicos sejam perfeitamente normais. A dislexia parece resultar de falhas nas conexões cerebrais. Ou seja, uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa então a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras a seus respectivos sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver; sua função é a de construir uma memória permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. À medida que a criança progride no aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a dominar o processo e, conseqüentemente, a leitura passa a exigir menos esforço. O disléxico, entretanto, no processo de leitura recorrem somente à área cerebral que processa fonemas. A conseqüência disso é que disléxicos têm dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas, pois sua região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida (GORMAN, 2003).
Felizmente, existem tratamentos que curam a dislexia. Estes tratamentos buscam estimular a capacidade do cérebro de relacionar letras aos sons que as representam e, posteriormente, ao significado das palavras que elas formam. Alguns pesquisadores acreditam que quanto mais cedo é tratada a dislexia, maior a chance de corrigir as falhas nas conexões cerebrais da criança, contudo só podemos considerar que alguém é disléxico, após dois anos de vivências leitoras. Antes deste período podemos detectar "dificuldades ou transtornos de leitura", que já necessitam de cuidados especiais, numa postura preventiva. Dessa forma, fica evidente a necessidade de se empregar todos os esforços possíveis para detectar a veracidade da hipótese diagnóstica inicial de dislexia e dificuldades na aprendizagem que podem minar a auto-estima e autoconfiança, além de poder acarretar outros problemas de ordem emocional. (ESTILL, 2005)
Segundo Estill (2005) existem diversos sinais visíveis nos comportamentos e nos cadernos das crianças, que podem auxiliar aos pais e educadores a identificar precocemente alguns aspectos preditivos de dislexia, entre eles:

? Demora nas aquisições e desenvolvimento da linguagem oral;
? Dificuldades de expressão e compreensão;
? Alterações persistentes na fala;
? Copiar e escrever números e letras inadequadamente;
? Dificuldade para organizar-se no tempo, reconhecer as horas, dias da semana e meses do ano;
? Dificuldades para organizar seqüências espaciais e temporais, ordenar as letras do alfabeto, sílabas em palavras longas, seqüências de fatos;
? Pouco tempo de atenção nas atividades, ainda que sejam muito interessantes;
? Dificuldade em memorizar fatos recentes - números de telefones e recados, por exemplo;
? Severas dificuldades para organizar a agenda escolar ou da rotina diária;
? Dificuldade em participar de brincadeiras coletivas;
? Pouco interesse em livros impressos e escutar histórias.
? Demora nas aquisições e desenvolvimento da linguagem oral.
? Dificuldade para organizar-se no tempo, reconhecer as horas, dias da semana e meses do ano;
? Dificuldade em memorizar fatos recentes - números de telefones e recados, por exemplo;
? Severas dificuldades para organizar a agenda escolar ou da rotina diária;
? Pouco interesse em livros impressos e escutar histórias. (ESTILL, 2005, p.47)

Estill (2005) salienta que é preciso ter uma especial atenção com as crianças que gostam de conversar, são curiosas, entendem e falam bem, mas aparentam desinteresse em ler e escrever. Segundo ela, seria interessante, no caso de crianças leitoras, oferecer um mesmo problema matemático, escrito e oral, e comparar as respostas, pois, freqüentemente encontramos respostas diferentes, corretas na questão oral e incorreta na mesma questão escrita. Isto é, a mesma criança que parece não saber resolver um problema matemático por escrito, poderá ter um desempenho surpreendente quando o mesmo problema lhe é apresentado oralmente. Esta situação exemplifica como podemos confundir os sinais - a dificuldade não é na aprendizagem da matemática, mas na leitura.
Outro ponto a ser considerado quando se fala em dislexia é de que existem crianças que apesar de todas estas dificuldades, conseguem aprender a ler, mas vão carregando a sua dislexia camuflada. Em geral, estas crianças, incompreendidas em suas dificuldades, muitas vezes são vistas como desinteressadas, e cobradas com quantias que não têm como pagar. É quando podem surgir as reações de apatia ou revolta. Portanto, Estill (2005) destaca alguns sinais que ajudam os profissionais a compreender o que pode estar ocorrendo com os aprendizes:

? Dificuldades nas aquisições lingüísticas: dificuldades em reconhecer rimas e aliterações; vocabulário reduzido; construções gramaticais inadequadas, severa dificuldade para entender as palavras pelo seu significado ;
? Dificuldade em fazer cópias, trabalhos e agendas incompletas;
? Dificuldade na leitura, lê mas não entende o que leu;
? Importantes dificuldades de organização seqüencial tempo-espacial; seqüências e rotinas diárias;
? Dificuldades em matemática, cálculos e desenhos geométricos;
? Grande dificuldade para organizar-se em suas tarefas de vida diária;
? Especial dificuldade para aprender uma segunda língua;
? Confusões de orientação, trabalhar com dicionários e mapas é mais um complicador.
? Alterações de comportamento - agressividade, desinteresse, baixa auto-estima e até
mesmo condutas opositivas-desafiadoras. (ESTILL, 2005, p. 57)


1.3 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA DISLEXIA

"É importante para o clínico ser sensível a respeito de como tal distúrbio se manifestam em termos de comportamento da criança, sintomatologia, história e resultados em testes" (GORMAN, 2003).
Correia & Martins (2005) recomenda que o diagnóstico seja feito por uma equipe multidisciplinar (psicólogo, um fonoaudiólogo, um psicopedagogo e um neurologista) não somente para se obter o diagnóstico de dislexia, mas para se determinarem, ou eliminarem, fatores coexistentes de importância para o tratamento. Além disso, o diagnóstico deve ser significativo para os pais e educadores, assim como para a criança. Ou seja, simplesmente encontrar um rótulo não deve ser o objetivo da avaliação, mas tentar estabelecer um prognóstico e encontrar elementos significativos para o programa de reeducação. É de grande importância que sejam obtidas informações sobre o potencial da criança, bem como sobre suas características psiconeurológicas, sua performance e o repertório já adquirido. Informações sobre métodos de ensino pelos quais a criança foi submetida também são de grande significação. (CORREIA & MARTINS, 2005)

1.4 APRESENTAÇÃO DOS SINTOMAS

Os sintomas-chave na dislexia são dificuldades para ler e soletrar, freqüentemente com desempenho em matemática relativamente melhor. Como algumas crianças disléxicas gostam de ler ou têm boa compreensão de leitura, é importante verificar especificamente a leitura em voz alta e a aprendizagem fônica. Pais e professores poderão relatar ritmos lentos de leitura ou de escrita, inversão de letras e números, problemas na memorização dos fatos matemáticos básicos e erros incomuns em leitura e soletração. (GORMAN, 2003)
O mais importante é que a indicação inicial pode ocorrer não pelos sintomas cognitivos, mas pelos físicos ou emocionais, tais como ansiedade ou depressão, relutância em ir à escola, dores de cabeça e problemas estomacais. É importante verificar se esses sintomas ocorrem sempre ou só nos dias escolares. Mesmo que ocorram sempre, a causa principal pode ser a dislexia devido a fracassos (ou medo do fracasso) decorrentes da experiência disléxica (GORMAN, 2003).
A maioria dos disléxicos não apresenta eventos de alto risco em suas histórias pré-natal ou perinatal, nem apresenta atrasos nítidos nos aspectos fundamentais do desenvolvimento inicial, embora possam estar presentes, em algumas histórias, leves problemas articulatórios e de retardo na fala. Há três aspectos da história que são particularmente informativos ? história da família (levantar a historia de leitura, soletração e problemas correlatos de linguagem entre parentes de primeiro e segundo graus do paciente), história acadêmica (problemas para aprender o alfabeto, nome das letras ou outras habilidades de pré-leitura) e história de leitura e linguagem (GORMAN, 2003 p.66).


1.5 OBSERVAÇÕES DO COMPORTAMENTO

As observações importantes de comportamentos ligam-se aos seguintes erros (GORMAN, 2003):

? Erros de palavras funcionais: são substituições de palavras "pequenas", tais como artigos e preposições. Freqüentemente, os disléxicos trocam "um" e "o" e lêem erradamente as preposições;
? Erros visuais: são substituições nas palavras de conteúdo baseadas numa similaridade visual superficial com a palavra-alvo (exemplo: "carro" por "cano"). A significância destes erros está em que a criança está usando a similaridade visual no lugar do código fonológico completo para nomear a palavra e, novamente, estes erros são reflexos de problemas fonológicos;
? Erros de lexicalização: se referem a trocas de uma não-palavra por uma palavra real, usualmente com uma forma visual similar ("bom" em lugar de "bim"). A significância destes erros é essencialmente a mesma dos erros visuais;
? Erros de soletração: são os erros de acréscimos, omissões ou substituições de consoantes ("exetivo" por "executivo"). Os disléxicos são mais fracos também na soletração de vogais. Como regra geral, uma taxa de precisão fonoaudiológica para seqüências consonantais inferior a 60% em crianças e a 70% em adolescentes e adultos são considerados disléxicos;
? Erros de inversão de leitura e na soletração: são substituições de uma letra por outra praticamente similar na leitura ou soletração ("bote" ou "dote"). Esses erros envolvem mais tipicamente as confusões entre b/d (GORMAN, 2003 p. 68).



2 TRATAMENTO PSICOPEDAGÓGICO

É importante para o clínico ser sensível a respeito de como tal distúrbio se manifestam em termos de comportamento da criança, sintomatologia, história e resultados em testes (GORMAN, 2003).
Correia & Martins (2005) recomenda que o diagnóstico seja feito por uma equipe multidisciplinar (psicólogo, um fonoaudiólogo, um psicopedagogo e um neurologista) não somente para se obter o diagnóstico de dislexia, mas para se determinarem, ou eliminarem, fatores coexistentes de importância para o tratamento. Além disso, o diagnóstico deve ser significativo para os pais e educadores, assim como para a criança. Ou seja, simplesmente encontrar um rótulo não deve ser o objetivo da avaliação, mas tentar estabelecer um prognóstico e encontrar elementos significativos para o programa de reeducação. É de grande importância que sejam obtidas informações sobre o potencial da criança, bem como sobre suas características psiconeurológicas, sua performance e o repertório já adquirido. Informações sobre métodos de ensino pelos quais a criança foi submetida também são de grande significação. (CORREIA & MARTINS, 2005)
De acordo com Gonçalves (2005), grande parte da intervenção psicopedagógica estará em buscar os talentos do disléxico, afinal os fracassos, sem dúvida, ele já os conhece bem. Outra tarefa da clínica psicopedagógica é ajudar essa pessoa a descobrir modos compensatórios de aprender. Jogos, leituras compartilhadas, atividades específicas para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção fazem parte do processo de intervenção. À medida que o disléxico se percebe capaz de produzir poderá avançar no seu processo de aprendizagem e iniciar o resgate de sua auto-estima. (GONÇALVES, 2005)
Além disso, cabe destacar a importância dos professores compreenderem o problema da criança disléxica para que não seja taxada de "preguiçosa" ou "estúpidas", e da participação dos pais como defensores, facilitadores de intervenções apropriadas e fonte de apoio emocional. É importante que os pais forneçam experiências de êxito a seus filhos e monitorem os problemas psicológicos secundários (GORMAN, 2003)
Segundo Bossa e Oliveira, (2000) a inteligência é formada pelas as experiências, e um constante recomeçar, instigando o sujeito pela falta, e este por sua vez esforça-se para chegar ao objeto, e ao apropriar-se de tal objeto, cresce e é lançado a novas faltas e volta a agir.
Esta dinâmica promove-lhe uma transformação interna das estruturas para poder acomodar ao objeto.
As experiências geram uma forma de inteligência em que o sujeito trabalha sobre a sua necessidade e esta é transformada gerando em um novo saber.
Ainda conforme as autoras, a dinâmica descrita, só é possível se há uma organização interna que lhe proporcione tal agilidade e coerência. Bossa e Oliveira, acrescentam: "a aprendizagem nasce com a vida e com ela se desenvolve. A passagem da ação à representação se dá através de um fazer pratico e incessante que pouco a pouco, ao ir organizando o contexto vivido, vai internalizando essa ação". (BOSSA e OLIVEIRA, 2000 p. 18)
A criança ao nascer inicia um processo de aprendizagem, como acrescentam Bossa e Oliveira acrescentam:

O ir e vir cresce e se redimensiona com a formação e utilização do símbolo, que funciona como se fosse um objeto, sem sê-lo, nada tendo de concreto, sendo uma vecção, significante-significado. Pouco a pouco a criança aprende a organizar suas representações verbais e imagéticas em sistemas auto-reguláveis e transformáveis. (BOSSA E OLIVEIRA, 2000 p. 18)

As autoras consideram, que a instabilidade constantes nas situações vividas despenderiam de um esforço continuo de adaptação.
A problemática da aprendizagem, apresentada por Bossa e Oliveira, o campo e objeto do estudo da psicopedagogia, investiga "o por que e como" uma criança que nasce com uma herança que dificulta a sua busca de conhecimento, chega a se enrijecer, se fechar ou se desorganizar diante do meio.

2.1 O UNIVERSO DAS AÇÕES
O bebê ao nascer não sabe agir. Ele aprende a faze-lo a partir dos movimentos reflexos, programados, e pouco a pouco se libera de parte dessa programação reflexa, mas sua ação continua a Ter características rítmicas, repetitivas e conservadoras, aumentando gradativamente sua explorações ao meio. O nascimento da inteligência se manifesta aproximadamente aos oito meses, evidenciando varias conquistas complementares: a coordenação dos esquemas secundários, com a clara separação de meios e fins (transitividade); a intencionalidade da ação e a noção de objeto permanente. Pela primeira vez a relação sujeito-objeto se constitui de forma mais clara, descentralizada, vencendo o adualismo inicial do bebê (não-separação do sujeito-objeto). Desde o inicio a inteligência se põe a serviço da interação com o meio. (BOSSA e OLIVEIRA, 2000, p.20)


Com os estímulos e as próprias experiências o bebe vai ampliando seu saber e assim mostrando a sua evolução. Quando interage intencionalmente começa a estabelecer vínculos entre a sua ação sobre o objeto, estes são vínculos casuais.

2.2 O UNIVERSO DAS REPRESENTAÇÕES

De acordo com Bossa e Oliveira, O símbolo possibilita a criança ligar-se a dimensões cada vez mais distantes do momento presente.
A passagem do ritmo à auto-regulação com ordenação observada nas diversas manifestações, como na linguagem, na brincadeira simbólica, na imitação na ausência do modelo, na fabulação, tem na linguagem o seu instrumento maior. A linguagem mantém a dupla veccão das demais manifestações simbólicas, com a crescente tomada de consciência de si, do outro e da relação eu-outro. Alem de ser um instrumento importante na ordenação do pensamento e da tomada de consciência. "O símbolo, que tem em sua base o motor dessa organização, os sistemas lógicos e estruturais que garantem a ordem a dinâmica de interação com o meio." (BOSSA E OLIVEIRA, 2000 p. 25)

2.3 O UNIVERSO DAS OPERAÇÕES

Bossa e Oliveira consideram, que ao lidar com as representações a criança, gradativamente vai construindo verdadeiros sistemas objetivos, coerentes e reversíveis, ela vai transformando, ou seja ela começa operar. É quando ela completa a sua alfabetização, compreende a lógica e o significado da escrita.
Santos (1975 apud Morais 1992), esclarece que o acompanhamento psicopedagógico na reeducação do disléxico, é indispensável , pois através desta atenção especializada, conseguirá dominar as habilidades de leitura e escrita.
Morais (1992) diz que esta reeducação é uma intervenção terapêutica que tem como objetivo de seu trabalho, crianças , adolescentes ou adultos que, independente do motivo, apresentam dificuldades para aprender. Tratando-se de reeducação da criança disléxica, levanta-se a questão de qual o tratamento mais indicado para a superação desta dificuldade. Relata então a pesquisa realizada em Baltimore country, em 1961 (in Condemarin e Blomquist,1970). Nesta foi investigado o valor da reeducação psicopedagógica com a intervenção psicoterápica, em várias escolas. Foram selecionados 40 estudantes e distribuídos em 4 grupos. O primeiro grupo, sofria a intervenção psicopedagógica e psicoterápica; o segundo grupo era submetido à reeducação psicopedagogica; o terceiro grupo passava pela intervenção psicoterápica e o quarto grupo não sofria qualquer tipo de intervenção, funcionando como grupo controle. O critério usado para comparar os resultados obtidos foi o de rendimento em "grau" de leitura. No final da intervenção, os resultados obtidos penderam positivamente, para o grupo que havia sofrido o processo de reeducação psicopedagógica. (MORAES, 1992)
Segundo o autor acima, a psicopedagogia é uma forma de auxilio que liga a psicologia e a pedagogia englobando habilidades relacionadas com cognição percepção, lingüística e a motora aos fatores emocionais.
De acordo com Gonçalves (2005), grande parte da intervenção psicopedagógica estará em buscar os talentos do disléxico, afinal os fracassos, sem dúvida, ele já os conhece bem. Outra tarefa da clínica psicopedagógica é ajudar essa pessoa a descobrir modos compensatórios de aprender. Jogos, leituras compartilhadas, atividades específicas para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção fazem parte do processo de intervenção. À medida que o disléxico se percebe capaz de produzir poderá avançar no seu processo de aprendizagem e iniciar o resgate de sua auto-estima. (GONÇALVES, 2005)

Além disso, cabe destacar a importância dos professores compreenderem o problema da criança disléxica para que não seja taxada de "preguiçosa" ou "estúpidas", e da participação dos pais como defensores, facilitadores de intervenções apropriadas e fonte de apoio emocional. É importante que os pais forneçam experiências de êxito a seus filhos e monitorem os problemas psicológicos secundários (GONÇALVES, 2005, p.57).












CONCLUSÃO

A dislexia é uma das mais comuns deficiências de aprendizado. Segundo pesquisas realizadas, 20% de todas as crianças sofrem de dislexia, causando grande dificuldade ao aprender a ler, escrever e soletrar. Pessoas disléxicas, e que nunca se trataram, lêem com dificuldade, pois é difícil para elas assimilarem palavras. Disléxicos também geralmente soletram muito mal. Isto não quer dizer que crianças disléxicas são menos inteligentes; aliás, muitas delas apresentam um grau de inteligência normal ou até superior ao da maioria da população.
É necessário que pais, professores e educadores estejam cientes de que um alto número de crianças sofre de dislexia. Caso contrário, eles confundirão dislexia com preguiça ou má disciplina. É normal que crianças disléxicas expressem sua frustração por meio de mal-comportamento dentro e fora da sala de aula. Portanto, pais e educadores devem saber identificar os sinais que indicam que uma criança é disléxica, e não preguiçosa, pouco inteligente ou mal-comportada.
A dislexia não deve ser motivo de vergonha para crianças que sofrem dela ou para seus pais. Dislexia não significa falta de inteligência e não é um indicativo de futuras dificuldades acadêmicas e profissionais. A dislexia, principalmente quando tratada, não implica em falta de sucesso no futuro. Alguns pesquisadores acreditam que pessoas disléxicas têm até uma maior probabilidade de serem bem sucedidas; acredita-se que a batalha inicial de disléxicos para aprender de maneira convencional estimula sua criatividade e desenvolve uma habilidade para lidar melhor com problemas e com o stress.
O ideal seria que toda criança fosse testada para detectar se ela sofre de dislexia. Porém, o sistema educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de recursos na maioria das escolas do país. Portanto, é importante que pais e professores fiquem atentos aos sinais de dislexia para que possam ajudar seus filhos e alunos.
Nunca é tarde demais para ensinar disléxicos a ler e a processar informações com mais eficiência. Entretanto, diferente da fala, que qualquer criança acaba adquirindo, a leitura precisa ser ensinada. Utilizando métodos adequados de tratamento e com muita atenção e carinho, a dislexia pode ser derrotada.
É importante enfatizar que a dislexia não se trata de um problema que é superado com o tempo; a dislexia não pode passar despercebida. Pais e professores devem se esforçar para identificar a possibilidade de seus filhos ou alunos sofrerem de dislexia.
Apesar das salas de aula estarem lotadas e apesar da falta de recursos para pesquisas, a dislexia precisa ser combatida. Muitos casos de dislexia passam despercebidos em nossas escolas. Muitas vezes, crianças inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se envergonham de suas dificuldades acadêmicas, abandonam a escola e se isolam de amigos e familiares.
Muitos pais recorrem à escola para avaliar se seus filhos sofrem de dislexia. É necessário o envolvimento destes pais na procura de especialistas qualificado para o correto diagnóstico e a correção deste distúrbio. Fica a semente para que as escolas, dentro em breve, possam ter estes profissionais a serviço da qualidade da educação e da inclusão social a todas estas crianças. Um bom programa educacional para crianças disléxicas precisa estabelecer objetivos específicos de progresso para o ano letivo. É necessário dedicar muita atenção para que a dislexia seja superada; sendo assim, a paciência com o aluno ou filho disléxico é essencial, e não deixa-lo que sofra de baixa auto-estima é imprescindível. O incentivo para a busca de novas atividades e interesses, tais como esportes ou música, assim como a recompensa pela progressão é um caminho seguro para se minimizar o problema.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DISLEXIA. Disponível em: . Acesso em 20 out 2006.

BOSSA, Nádia Aparecida; OLIVEIRA, Vera Barros de. Avaliação psicopedagógica da criança de sete a onze anos. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. 182 p.

CORREIA, L.M & MARTINS, A.P. Dificuldade de Aprendizagem: o que são? Como entende-las? Biblioteca Digital. Coleção Educação. Porto Editora. Disponível em: . Acesso em 20 out 2006

ESTILL, C. A. DISLEXIA, as muitas faces de um problema de linguagem. Disponível em: . Acesso em 20 out 2006.

GONÇALVES, A.M.S. A criança disléxica e a clínica psicopedagógica. Disponível em: . Acesso em 20 out 2006.

GORMAN, C. The New Science of Dislexia. Time ? July 20, 2003 In: http:/www.interdys.org/index.jsp. Traduzido e adaptado em: . Acesso em 20 out 2006.


HALLAHAN, D. P. e KAUFFMAN, J. M. Exceptional Learners: Introduction to Special Education Needham Heights, MA: Allyn e Bacon, 2000. Traduzido e adaptado em . Acesso em 20 out 2006.

DEMO, Pedro. Metodologia Cientifica: em ciências Sociais.3ª ed. São Paulo : Atlas, 1995.

HEIN, J,H. BEENEKE, S. O poder dos projetos: novas estratégias e soluções para a Educação Infantil. Porto alegre: Artmed, 2005 (Adaptado).

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO, SECRETARIA DE ESTADO FUNDAMENTAL. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil: Conhecimento de mundo. Brasília, 1998. v3.

MORAIS, A.M.P. Distúrbio de Aprendizagem uma abordagem Psicopedagógicas. São Paulo: Edicon, 1992.


SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Porto Alegre: Armet, 2006.


 
Avalie este artigo:
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Elenita Oliveira
Talvez você goste destes artigos também