DISLEXIA:CAUSA DA NÃO AQUISIÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA
 
DISLEXIA:CAUSA DA NÃO AQUISIÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA
 


DIXLEXIA: CAUSAS DA NÃO AQUISIÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA

Leila Aparecida dos Santos[1]

 

RESUMO

Este artigo é o resultado de um estudo sobre a Dislexia que tenta compreendê-la como uma das possíveis causas da não aprendizagem da leitura e da escrita, em alunos notavelmente inteligentes, com capacidade cognitiva dentro da média ou até acima dela, mas que, no entanto, não conseguem aprender a ler e a escrever, habilidades essas essenciais para a vida diária e exercício da cidadania em situações diversas. Além disso, tenta-se desmistificar a falsa idéia de que a leitura e escrita sempre ocorrem num processo natural e comum a todos os sujeitos e se assim não ocorrer, a culpa recai sobre o aluno, sendo este, muitas vezes estigmatizado, rotulado de preguiçoso, desinteressado, desatento, burro e incapaz de aprender, sem que muitas vezes educadores e família busquem sua causa. É preciso que se compreenda que o processo de aprendizagem, especialmente da leitura e da escrita, se dá de forma diferente e em condições diversas para cada aluno. Pouco se sabe sobre o desenvolvimento dessas habilidades, talvez por essa razão, se dê pouca importância ao mesmo. Desta forma, o ler e o escrever são atividades mais complexas realizadas pelo cérebro humano. É preciso que as escolas e os educandos reflitam sobre formas do ensinar e do aprender e investiguem os motivos do não aprendizado. A escola precisa urgentemente dar mais atenção ao processo de alfabetização e atentar para as suas dificuldades que envolvem a aprendizagem de modo a trabalhar com os alunos matriculados nos níveis de ensino sem apresentar competências relacionadas á leitura e a escrita.

Palavras chave: Educação, Dislexia, Ler e Escrever, Dificuldade de Aprendizagem.

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

           Por meio deste trabalho, pretende-se apresentar as considerações realizadas no estudo que buscou evidenciar que a dislexia é uma causa da não aquisição da leitura e da escrita. A presente pesquisa busca estudar, conhecer e compreender a dislexia como uma das possíveis causa do não aprendizado da leitura e escrita. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia até 15% do universo de educandos matriculados nas séries iniciais do Ensino Fundamental, embora apresentem capacidade cognitiva muitas vezes superior a de outros alunos que conseguem atingir com facilidade o domínio nas mesmas. Menciona-se que a percentagem de disléxico citada acima não foi o único motivo que embasou esta pesquisa, (mas sim o maior interesse em conhecer mais o que é dislexia e assim auxiliar em como trabalhá-la).

           Na tentativa de auxiliar o professor a conhecer a dislexia e de diferenciá-la das dificuldades comuns de aprendizagem, propôs-se a discutir a dislexia nos diferentes aspectos: concepções, sintomas, causas, prejuízos social e educacional, importância do diagnóstico, metodologia pedagógicas para trabalhar com o disléxico e as possibilidades de desenvolvimento de outras habilidades não relacionadas á leitura e escrita.

           Pode-se perceber que talvez por não tiver maiores conhecimentos os professores confundem alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem comum em dislexia. Dislexia Especifica que é aquela em que o aluno por mais que se esforce não conseguirá aprender e vai ter que conviver com isto pelo resto da vida; e a Dislexia de Evolução que com um acompanhamento adequado, um bom capítulo faz uma distinção entre dislexia que existe, todo um trabalho para detectá-la, a dificuldade de aprendizagem e suas respectivas características.

           Assim, os alunos que podem aprender a ler e a escrever não aprendem e os disléxicos não conseguem atingir o seu nível e potencial em outras áreas que poderiam. A escola ainda, não sabe perceber as necessidades dos alunos, pouco se sabe sobre as dificuldades dos mesmos demonstrando pouco interesse em resolvê-las. É preciso que a escola se preocupe mais com o ensinar e o aprender, investigue as causas da não aprendizagem, isso só será possível quando dirigir um olhar mais atento à causa de cada um dos educandos e o respeite em sua individualidade.

A DISLEXIA E A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

           Poderemos definir que dislexia é um distúrbio que caracteriza dificuldades e até impossibilidades para a aquisição da leitura e da escrita, através de uma diversidade de sintomas, evidenciados durante o processo de alfabetização embora, alguns sintomas sejam perceptíveis em fases anteriores, como na educação infantil, ou até antes dessa.

           Pesquisas mostram que a dislexia ocorre mais no sexo masculino do que no feminino, numa proporção de três meninos para uma menina. Existem várias hipóteses para essa ocorrência, uma delas é de que são percebidos um maior número de meninos com dificuldades que meninas, os mesmos tendem a ser mais dispersos em sala de aula e por isso são apontados por seus professores como portadores de algum problema, o que contribui para que mais meninos sejam identificados como disléxicos.

           Segundo Oliveira (2002) a dislexia é diagnosticada quando

 A criança começa a aprender a ler e a escrever. Entretanto os sinais e sintomas do disléxico já estão presentes a partir dos onze e doze meses de vida, quando a criança começa o aprendizado da fala. Neste caso a criança demora um pouco mais para começar a falar, tem dificuldade de sequenciar sílabas dentro da palavra, apresentam dificuldades para memorizar números, nomes das cores de ordens mais complexas. Ao começar a fase escolar a criança disléxica tem dificuldade para identificar as letras. O aluno disléxico tem um rendimento escolar abaixo daqueles das crianças normais. Quanto mais acentuada a dislexia pior o rendimento. O rendimento escolar piora a medida que aparece os sintomas emocionais negativos de inferioridade e baixos estima por ser disléxico, tenta e não consegue aprender. A criança disléxica se transforma no adulto disléxico. Isso pode melhorar com acompanhamento pedagógico adequado. (OLIVEIRA, 2002, p. 211).

           A dislexia é mais do que um distúrbio é um fenômeno complexo e contraditório. Um universo interessante, constituído de indivíduos igualmente interessantes, que convivem  diariamente com um mundo de coisas tão fáceis, as quais podem dominar rapidamente, e com outras tão complicadas para eles, que, entretanto, parecem tão óbvias para os outros, como ler e escrever. Vivem também momentos de realização plena, mas ao mesmo tempo, assombrados pela sensação de fracasso. Afinal é uma dificuldade e não uma impossibilidade para tantas outras coisas que não a leitura e a escrita.

           Mesmo que não aprenda a ler e escrever como a sociedade exige, o portador de dislexia poderá apresentar habilidades e desenvolver talentos como teatro, música, dança, pintura, esporte, entre outras. Poderá ainda desenvolver funções sociais, desde que não requeiram leitura escrita, como pré-requisito principal, legitimando o que dizem os estudos a respeito daqueles que são dez na vida e zero na escola.

           Os disléxicos são encontrados em todas as camadas sociais, em famílias ricas e pobres, independentemente dos recursos e estimulação do ambiente e de sua capacidade cognitiva, portanto qualquer criança corre o risco de ser disléxica.

           De acordo com Drouet (2002) a dislexia ocorre em

Todas as classes sociais em pessoas com níveis de inteligência variáveis, embora a dislexia tenha sido muito pesquisada, é importante esclarecer que, como os outros tipos de distúrbios de aprendizagem, ela existe em vários níveis. Uma delas é a dislexia que nasce com o individuo e pode ser de causas variadas, como a criança que tem pouca ou nenhuma habilidade para a leitura e escrita. Muitas vezes ela não consegue chegar a alfabetização, e quando já é alfabetizada apresenta dificuldades de fixação ou mesmo de interpretação do texto lido ou escrito. (DROUET, 2002, p. 137).

           A criança deve ser observada em seu processo evolutivo e de aprendizagem pela escola e pela família, para se caso haja casos de suspeita de anomalias, o aluno seja avaliado por profissionais da área. Pois, quanto mais cedo o problema for diagnosticado e atendido em sua especificidade maior e melhor será o aprendizado e o ajustamento social desse aluno.

           É de grande necessidade que os educadores compreendam que a aprendizagem se dá em estágios hierárquicos e dependentes entre si e que mais do que contribuir para a capacidade de ler, compreender, interpretar e registrar as ideias a leitura é o alicerce que sustentará todas as outras construções do conhecimento.

           Conforme afirmam José e Coelho (1997), embora o termo dislexia signifique distúrbio especifico na aquisição da leitura e da escrita, isso não implica que ao menor sinal de dificuldade apresentada pelo aluno relacionado a estas habilidades se constitua em dislexia por isso faz-se necessário que os educadores conheçam a dislexia e dificuldades de aprendizagem e saibam distingui-las.

Quando há suspeita de alguns desses fatores estejam interferindo no processo de aprendizagem, a dislexia passa a ser descartada, pois, sua suspeita decorre da inexistência de tais fatores, embora, o aluno disléxico possa apresentar em seu desempenho escolar, dificuldades relacionadas também às dificuldades de aprendizagem como: a) discriminação visual; b) discriminação auditiva; c) coordenação viso motora; d) espaço temporal; e) lateralidade, habilidades consideradas normais durante o processo de alfabetização comum a dificuldade de aprendizagem. Por serem as manifestações mais evidentes no aluno disléxico. (JOSÉ E COELHO, 1987, p. 228).

  A dificuldade de aprendizagem pode estar relacionada a fatores aparentemente isolados, mas que inevitavelmente desencadeiam outros, dessa forma ela tem caráter multifatorial, enquanto que a dislexia tem fator especifico e seu diagnostico só pode ser dado quando todos os fatores que interfere na aprendizagem estejam descartados, ou seja, é preciso comprovar que o aluno supostamente disléxico apresenta capacidade cognitiva dentro ou acima da média, não tem problemas sensoriais (audição e visão) não sofre nenhum tipo de privação social e econômica e o processo de ensino realizado com este, tiver se dado em boas condições pedagógicas, com metodologias diversificadas e apropriadas para suas necessidades individuais.

           Deste modo, se distingue da dislexia, que é uma dificuldade extremamente diferente e difícil de ser diagnosticada, pois os aspectos interventores são facilmente percebidos ao passo que a dislexia requer maior investigação. No caso de dislexia temporária, própria do período de alfabetização se o aluno for bem trabalhado vencera as dificuldades tranquilamente caso contrário terá problemas o resto da sua vida.

           Diante disto é importante que todos os professores independentes do nível de ensino conheçam a dislexia e saibam diferencia-la de outras dificuldades. Porém dois deles são mais comuns, Dislexia Específica de caráter permanente, irreversível e Dislexia de Evolução, relacionada ao processo de maturação neurológica intimamente ligada ao processo de alfabetização, por esta depender do bom desenvolvimento das percepções visual, auditiva, viso motora entre outras.

           Conhecer a dislexia é de grande importância para educadores e pais, pois, poderá ajuda-los a compreender porque o educando e filho não conseguem aprender a ler e escrever, apesar de apresentar as condições necessárias para tal e admirável capacidade intelectual.

           Ellis (2001) chama a atenção dos professores quanto a metodologia que deve ser usada ao se trabalhar com alunos disléxicos:

O sucesso na educação de um disléxico esta baseado numa terapia multissensorial (aprender pelo uso de todos os sentidos), combinando sempre a visão, a audição e o tato para ajudar a ler e soletrar corretamente as palavras. O disléxico precisa olhar atentamente, ouvir atentamente, atentar os movimentos da mão quando escreve e prestar a atenção aos movimentos da boca quando fala. Assim sendo, a criança disléxica associara a forma escrita de uma letra, tanto com o seu som como com os efeitos de forma sistemática e cumulativa. Sendo ainda cada caso um caso especifico. Devem ser levadas em consideração as particularidades de cada um. (ELLIS, 2001, p. 54).

           A proposta pedagógica centrada no desenvolvimento de todas as capacidades perceptivas é aquela que propõe aos seus alunos atividades nas quais se trabalha simultaneamente com todos os sentido. Caso o professor sinta-se despreparado para ajudar a criança, deve recorrer de forma mais acentuada ao profissional que acompanha o caso, para que coordena atividades e receba orientação quanto à forma de atuar.

           Lanhez e Nico (2002) apontam ainda que

Não há nada místico a respeito dos métodos de ensino que funcionam com sucesso para crianças disléxicas. Todas as crianças serão beneficiadas com exercícios para desenvolver as habilidades de ouvir e olhar. A introdução de cada letra, com ênfase na sua relação com o nome/som e com a importância em dar a sua correta forma, não prejudica nenhuma criança e será beneficio para a maioria. O ensino dado a criança disléxica é sistemática e cumulativo, cuidadosamente monitorado e regularmente avaliado de forma a verificar sua eficiência. Os professores devem diversificar a maneira de apresentar a matéria, para que possa proporcionar a criança à necessária informação para o seu estimulo intelectual. Não espere que, uma criança com dificuldade de leitura, obtenha toda a informação por meio de textos. É importante incluir o uso de filmes, gravações, discos, retro projetores, ilustrações, debate se outros materiais pedagógicos. (LANHEZ e NICO, 2002, p.111).

  A escola deve favorecer a aquisição da aprendizagem por meio de técnicas e procedimento pedagógicos que atendam as necessidades especificas dos disléxicos, para contribuir para seu ajustamento social, equilíbrio psicológico e aprendizagem.

  O processo de ensino aprendizagem do aluno disléxico, porém não se deve supervalorizá-lo uma vez que esta ferramenta não estabelece relação afetiva com o aprendiz, ele não substitui o professor, é preciso considerar que a aprendizagem se dá numa relação afetiva entre professor e aluno e objeto de estudo. Um exemplo seria o computador que contribui no sentido de facilitar a leitura e a correção.

  Quanto à avaliação da aprendizagem do aluno disléxico deverá ser feita num tempo bem maior que a dos outros alunos, a leitura poderá ser feita pelo professor, este professor poderá tirar as dúvidas quanto a grafia das palavras. Deve-se avaliar esse aluno de acordo com o seu conhecimento e não pelas dificuldades e erros ortográficos cometidos.

  Segundo Gardner (1983), o aluno que apresenta dislexia deve ser atendido na Sala de Apoio Pedagógico por professor especializado que ira complementar as atividades da sala comum. Este atendimento deverá ser em sala equipada com recursos pedagógicos adequados as necessidades dos alunos usuários visando eliminar a cultura de exclusão escolar e efetivar os propósitos e as ações referentes a educação dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais.

           Portanto o aluno disléxico tem o direito a receber ensino diferenciado, com adaptações metodológicas, dentro da sala de aula comum do ensino regular, como também receber atendimento especializado na Sala de Apoio Especializado.

 

CONCLUSÃO

         Para os professores entender o aluno com dislexia o primeiro passo é o diagnostico, assim poderão fazer o atendimento adequado. Desta forma, evita-se a discriminação, as repetências e muitos sofrimentos tanto para os disléxicos, quanto para sua família.

         As dificuldades de aprendizagens relacionadas à dislexia podem variar quanto a sua forma de manifestação e grau de comprometimento, portanto não se pode falar em padronização da dislexia e nem de seus sujeitos afetados, pois independentemente de ser ou não disléxico cada um é um ser único, diferente mesmo na condição de disléxico, é preciso que se considere não só na subjetividade do sujeito, a intensidade da dislexia e, acima de tudo os estímulos do meio e a ação pedagógica, sua adequação metodológica e atendimento as necessidades educacionais especificas do educando.

         Devemos entender que cada um dos nossos educandos tem seu tempo e temos que ter consciência que há muito a aprender, conhecendo os sintomas seremos muito mais tolerantes com qualquer educando quando essa não aprender da forma que a sociedade, a metodologia ou a escola pede inteirarmos do que está acontecendo com nossas crianças. 

         Portanto, se a escola assumir outra postura frente aos alunos que apresentam dislexia poderá se transformar num espaço revelador de muitos talentos em várias áreas e deixará então de ser um lugar onde se efetua a pratica da exclusão social, através da repetência escolar induzida ou espontânea, evitar-se que crianças, jovens e adultos com um grande potencial, deixem de obter sucesso na vida acadêmica e profissional.

REFERÊNCIAS

DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Distúrbios da aprendizagem. 4ª Ed. São Paulo: Ática, 2002.

ELLIS, Andrew W.  Leitura Escrita e dislexia: uma analise cognitiva. Tradução: Dayse Batista: 2ª Ed. Arimed. Porto alegre. /artes Médicas.  2001.

GARDEN, Howard. Inteligência: Um conceito reformulado. 1983.

JOSÉ, Elisabete da Assunção, COELHO, Maria Tereza. Problemas de aprendizagem. São Paulo s.d.228p.

LANHEZ, Maria Eugenia, Nico, Maria Ângela. Nem Sempre é o Que Parece. Como Enfrentar a Dislexia e os Fracassos Escolares. 2ª ed. São Paulo: Alegro, 2002.

OLIVEIRA, Rui de. Neurolinguistica e o aprendizado da Linguagem. Catanduva, SP: Respel, 2002.

[1] Leila Aparecida dos Santos, formada em Pedagogia pela UNEMAT (Universidade de Mato Grosso)2004/1. Pós Graduada em Psicopedagogia. Institucional  FASIPE (Faculdade de Sinop) 2008. Pós Graduação em Educação Infantil. PROMINAS. 2011.   E-mail: estricnina@terra.com.br.

 
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Sobre este autor(a)
GRADUADA EM PEDAGOGIA, PÓS GRADUADA EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, EDUCAÇÃO INFANTIL E PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA, VAIDOSA, PEFECCIONISTA, DETESTA INJUSTIÇA, NA MAIORIA DAS VEZES FALA O QUE PENSA SEM PENSAR NAS CONSEQUÊNCIAS, GRANDE AMIGA QUANDO É RECÍPROCO, RARAMENTE MUDA DE OPINIÃO, SOBRE ALGUÉM OU...
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