DESMOTIVAÇÃO DO PROFESSOR NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO FEDERAL
 
DESMOTIVAÇÃO DO PROFESSOR NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO FEDERAL
 


RESUMO: A pesquisa discorre sobre um dos problemas mais grave que afeta os profissionais da educação tanto no DF como no Brasil: a questão da desmotivação. A pesquisa foi feita com vários professores de várias regiões Administrativas do DF, fazendo assim como que houvesse maior cientificidade.Os resultados obtidos servirão de norte para política políticas na área, para que haja melhoramento nas condições de trabalho desse profissional tão sacrificado e que pouco tem reconhecimento social Palavras-chave : Ensino público, desmotivação, democratização

1.INTRODUÇÃO

Esta pesquisa surgiu da experiência vivenciada na escola através dos estágios, de caráter obrigatório na Faculdade, sendo realizado em escolas públicas e particulares do DF. A má qualidade do ensino público se expande por toda a população. A situação não é nova, persiste por décadas. A pesquisa objetiva analisar fatores pelos quais professores das escolas públicas tem se sentindo desmotivado, o que afeta diretamente na educação. Existem inúmeros fatores que contribuem para a desmotivação, entre eles, a lutas dos professores por melhores salários e condições de trabalho, a formação de professores que não mostra a realidade em sala, citando apenas alguns. Mostraráposição do estado que por décadas não tem se interessado pela situação, nos fazendo refletir sobre suas reais intenções em manter o povo na ignorância, o que explica também o pouco empenho do estado na democratização do ensino. A pesquisa mostrou a importância de uma gestão democrática a fim de melhorar a reputação da educação brasileira.

2.A EDUCAÇÃO BRASILEIRA: PERSPECTIVAS HISTÓRICAS

Com a chegada dos jesuítas no Brasil, os mesmo apenas se preocupavam em ensinar o catequese aos índios . A pedagogia brasileira surgiu mesmo no século XIX, após a primeira guerra mundial, com a industrialização, que exigia mão-de-obra especializada (Aranha,1996). As diretrizes do processo de escolarização centravam-se no atendimento às indústrias, que exigiam trabalhadores que sabiam ler ,escrever eter bom entendimentos em matemáticaOs educadores da Escola Nova impuseram o pensamento liberal democrático, onde é defendido a escola pública para todos, propondo remodelar o ensino brasileiro. Em 1932 os pioneiros da educação nova publicam um manifesto que seria um grande marco na Pedagogia Brasileira, o documento defende a educação obrigatória, pública, laica e gratuita como dever do estado, sendo identificada com a expressão"otimismo pedagógico"á medida que as idéias da Nova Escola tem a esperança de democratizar e de transformar a sociedade por meio da escola. O movimento da Escola no Brasil, veio questionar a educação tradicional e inovou, propondo uma escola em que o aluno seria então ouvido. Infelizmente este inicio de democratização escolar, foi interrompidadurante o período militar, onde a educação teve caráter antidemocrático , calando alunos e professores.( ARANHA, 1996 ).

No inicio da década de 1960,a educação popular ganha espaço com diversos movimentos. Após a queda da ditadura militar, os "pioneiros da educação nova" retomam a luta para uma educação pública obrigatória. A LDB ( Lei de Diretrizes Básicas), citada pela primeira vez em 1934, define e regulariza o sistema de educação brasileira. A LDB lei 4.024/61 foi considerada na constituição de 1988, como ultrapassa, mas apenas em 1996 foi sancionada a atual LDB lei 9.394/96. ( ARANHA, 1996 ). Araujo, Amude e Morgado (2008) em seu artigo cita Pedro Demo que tem uma visão otimista sobre a LDB,Demo diz que a lei tem propostas flexíveis, isto é importante para não atrapalhar a vontade de aprender. Continuam dizendo que para Pedro Demo a LDB ainda tem uma visão tradicional impedindo assim, o crescimento de uma educação com qualidade, na elaboração predominou a desejo da elite em manter a população na ignorância.

Hoje a necessidade mercadológica tem exigido bastante na formação escolar, centrada na informatização, não basta apenas saber ler e escrever. O mercado de trabalho tem cada vez mais explorado o trabalhador a diversas áreas do conhecimento.

A má qualidade do ensino público se expande por toda o pais, devido principalmente a política neo-liberal dos últimos governos, principalmente após Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. A situação também não é nova, como podemos observar ,persiste por décadas, tendo grandes possibilidades de agravamento, sem que o estado tome medidas efetivas. Estas atitudes nos faz refletir sobre a real intenção do estado em adotar a educação popular, isto explica o pouco empenho do Estado em desenvolver esforços para a democratização do ensino. Numa visão crítica a escola é vista como uma organização política, como prática social, mas a educação é essencial para o humano, que através do convívio ,da interação, hábitos e valores produzem a vida humana em sociedade.( PARO,2000 ).

Assim acreditamos que a única forma de melhorar a reputação da educação brasileira é participando da gestão escolar, mas afinal de quem é a escola? As pessoas costumam disser que é do povo,porém o povo não tem condições de estabelecer sua qualidade. Conforme Paro, "os pais procuram a escola para se desvencilharem dos cuidados educativos com os filhos", diz ainda que devido a vida moderna muitos pais são obrigados a deixar seus filhos sobre o cuidado da escola. Por outro lado tem os professores que acreditam que a educação tambémé responsabilidade dos pais, mas isto não acontece mesmo e muitos pais estão ausentes neste processo. ( PARO,2000 ). Como fica então o professor da escola pública? Como é o trabalho, o ambiente e o resultado deste ensino? Conforme Paro no seu livro Por Dentro da Escola Pública, as condições matérias parece deveras ser um grande obstáculo na maioria das escolas públicas do Brasil. O espaço físico geralmente está á anos sem manutenção, "não tem materiais de limpeza, falta de papel higiênico, até de material didático e equipamentos importantes para o ensino-aprendizagem". Estas são apenas algumas da enumeras coisas que falta na escola pública, "o professor pode contar com poucas coisas, para desempenhar seu papel de educador". As condições insatisfatória de trabalho na escola é mencionado por Paro(2000) como um fator de vital importância para adesmotivação doprofessor, agredindo um mínimo de bom senso pedagógico, somando à "falta de assessoramento de outros profissionais". Paro continua mencionando que outro agravante, séria os salários cada vez mais aviltados, sobrecarregando o professor que na maioria das vezes tem que trabalhar em mais de uma escola. ( PARO,1995).

Achamos interessante, o comentário que Paro(2000,2001) faz sobre o despreparo do professor, não que o problema seja de incompetência, a formação precária de quem segura o giz, grande parte se deve aos cursos em que são formados, muitos professores se decepciona com a realidade da escola, pois não corresponde a imagem passada na academia. Paro comenta a respeito:

" É certo que a insuficiente formação acadêmica de nossos professores é um problema bastante sério. Mas o que não se pode é fechar os olhos para a necessidade de que esta formação esteja impregnada de valores que se identifiquem com os interesses das camadas trabalhadoras e possa criar meios de falar a linguagem desta população..." ( PARO,1995 pag 242)

A escola é uma das únicas instituições que não existem padrões definidos de qualidade, assim cabe ao professor usar o bom senso, nas diversas situações enfrentadas no âmbito escolar.Alguns autores, contudo, indicam que existe sim índices que medem a qualidade da educação, tanto que o governo federal, juntamente com os governos estaduais, têm adotado alguns elementos como medidores da qualidade da educação, como o IDEB e ENEM.

Isso tudo tem implicações mais do que importantes para uma educação escolar, porém uma educação de qualidade é bem mais complexa, outro fator importante é a gestão escolar. Para a qualidade e a produtividade da escola, é importante considerar as implicações de ordem administrativa daí decorrentes. Na concepção de Paro, o gestor educacional é um profissional que responde tanto no âmbito administrativo quando no pedagógico da escola. Ao analisar o perfil da gestor, este deve solucionar conflitos no ambiente escolar bem como aplicar o regime escolar e as normas legais de convivência. Além de tudo deve sempre estar preocupado em repensar sua forma de administrar. ( PARO, 2000).

Todavia, a administração tem de "essencial" o fato de ser mediação na busca de objetivos. Administração será, assim, como definiu Paro( 2000), a "utilização racional de recursos para a realização de determinados fins."

Acreditamos, porém que para uma educação deverás significativa, é importante uma gestão mais democrática, onde toda a população possa participar. Paro diz:

"A participação da população nas decisões que e tomam na escola ganha sentido diante da necessidade de que o caminho para uma sociedade verdadeiramente democrática não se restrinja ao voto periódico para ocupantes de cargos parlamentares e executivos do Estado...E tal controle deve dar-se em todas as suas instâncias, em especial aquelas mais próximas da população, onde se concretizam os serviços que ele tem o dever de prestar, como escola." (PARO,1997 pags 103,104 )

Esta escola democrática, não tem apenas a delegação do gestor escolar, mas da realização de um trabalho participativo, que envolve todos os segmentos sociais que compõem a escola, acabando assim com autoritarismo que existe dentro da maioria das escolas públicas.Partido desde principio se quebrariam as correntes do tradicionalismo onde o poder da gestão fica apenas nas mãos do gestor escolar.( PARO 2000)

A comunidade deve ter efetiva participação, com a descentralização do poder, decidindo inclusive em situações que influência o cotidiano da escola e no processo pedagógico. O envolvimento da sociedade no âmbito escolar, infelizmente ainda é vista como algo complexo, pois envolve sentimentos e valores diversos. Mas cabe ao gestor escolar motivar a participação popular. Nas últimas décadas tem dado grande ênfase a democratização do ensino público ( PARO 2000) principalmente após as conquistas oriundas da Constituição Federal de 1988.Acreditamos, porém que para que a escola democrática não venha a ser uma utopia, o gestor escolar e sua equipe, deve conscientizar a comunidade escolar para esta transformação, pais se envolva, bem como os alunos, afim de que juntos possam contribuir para um ensino de qualidade.

3.A DESMOTIVAÇÃO DOS PROFESSORES NA REDE PÚBLICA DE ENSINO DO DISTRITO FEDERAL

O DF é a unidade da Federação que tem um dos maiores salários pegos aos professores no Brasil. Contudo, mesmo assim, os professores reclamam das condições de trabalho, como por exemplo, uma jornada muito extensa, muitos alunos em sala de aula, e falta de cursos.

No DF, a maioria dos professores têm dedicação exclusiva, com jornada de trabalho semanal de 40 horas; sendo que, 30 horas dedicadas ao efetivo exercício do magistério em sala de aula, e mais 10 horas para coordenação. Há também uma legislação que ampara os professores no sentido de que, quando estes estão perto de se aposentar, têm direito a diminuição de mais 10 horas, isso é, no final da carreira, o professor fica com 20 horas em sala de aula.(GDF.SEEDF.Portaria 74 de 30.01.2009)

Muitos professores atribuem a falta de motivação à questões salariais, contudo, a grande massa diz que as condições de trabalho ainda é precária.A situação física das escolas, por exemplo, ainda são da década de 1960 e poucas escolas sofreram reformas;além disso, as escolas não recebem recursos tecnológicos e sequer têm laboratórios.

Dados do Sindicato dos professores indicam que as escolas públicas do Distrito Federal têm 28.490 professores. Desses, 24.210 estão em sala de aula. De acordo com a Secretaria de Educação, a média é de um professor para 22 alunos. Mas, na prática, a realidade é outra.Nas Regiões Administrativas que têm uma população muito grande, como Ceilândia, Taguatinga e Samambaia, a média é de 40 alunos (SINPRO-DF,2009)

Além de lidar com a falta de condições de trabalho, muitos professores ainda convivem com a falta de segurança. De acordo com o sindicato da categoria, este ano foram registrados 11 casos de violência contra o professor (SINPRO,2009). Uma realidade que assusta educadores e acaba refletindo na saúde. De janeiro até setembro, foram 32 mil atestados médicos e 300 mil dias de licenças. A maioria por doenças relacionadas ao estresse e à depressão.

O sindicato dos professores tem criticado a forma de contratação de professores temporários da rede pública de ensino. Hoje, existem 9 mil docentes no banco de Professores Substitutos da Secretaria de Educação, sendo que destes 5.600 atuam efetivamente nas escolas . São professores que recebem como "horistas", que têm direitos trabalhistas básicos desrespeitados, aos quais são negados benefícios que os concursados das escolas públicas usufruem.

Apesar de todos estes fatores negativos, o rendimento dos alunos tem se mostrado positivo. Os estudantes da Rede Pública de Ensino do DF ficaram em segundo lugar, no país, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado.

4.A DESMOTIVAÇÃO DOS PROFESSORES DA REDE PÚBLICA DE ENSINO NO DISTRITO FEDERAL  CENTRO E PERIFERIA

A pesquisa foi realizada em várias escolas de cidades diferentes dentro do DF, começando pelas cidades próximas de Brasília até cidades mais distantes como Brazlândia, que fica bem longe da capital.

Dessa forma fica mais claro expor que a motivação esta ligada diretamente com fatores econômicos, de infra-estrutura ,condições de salário, a formação do docente e fatores ligados a segurança. A pesquisa foi realizada em quatro cidades do DF, ( Plano Piloto, Bandeirante, Ceilândia e Brazlândia ) em duas escola de cada cidade, perfazendo um total de 40 professores entrevistados.

A pesquisa procurou saber se os professores se sentem motivados e 72% por centos disseram que sim e 28% disseram que não.

Outro dado importante que a pesquisa mostrou foi que 93% dos professores acreditam que desmotivação esteja ligada diretamente as condições salariais.

Foi questionado para os professores o que eles entendiam por motivação..a resposta da maioria disse que a motivação esta ligado ao desejo e prazer de dar aula.

28% por cento dos professores responderam estar desmotivados, pelo que pude perceber isso se da pela falta de interesse por parte dos alunos de aprender, bem como o espaço físico.

A pergunta se o professor se sente seguro na escola demonstrou que 15% por cento dos professores se sentem inseguros nas escolas principalmente nas cidades da periféricas , que pra nós não foi nenhuma surpresa, por ser comum notícias de alunosque agrediram ou até mesmo juraram de morte professores nestas áreas.

O dado que mais me impressionou nesta pesquisa foi que 100% dos professores apontaram a falta de preparação como o fator mais importante para influenciar a falta de desmotivação. Os entrevistados colocaram a formação precária dos professores como o grande desafio. A professora Morgana Costa afirmou: "Não há estrutura para assegurar a qualidade na formação dos professores e isso é ruim" . Muitos professores como mostrou a pesquisa não tem uma formação continuada, parando no tempo.

No gráfico à baixo estão os dados gerais desta pesquisa.

A DESMOTIVAÇÃO NAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS CENTRAIS

Plano

Bandeirante

A DESMOTIVAÇÃO NAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS PERIFÉRICAS

Ceilandia

Brazlandia

5.CONSIDERAÇÕES FINAIS ( IDÈIAS)

Acreditamos, porém que para que a escola democrática não venha a ser uma utopia, o gestor escolar e sua equipe, deve conscientizar a comunidade escolar para esta transformação, pais se envolva, bem como os alunos, afim de que juntos possam contribuir para um ensino de qualidade. È claro que estas mudanças não ocorre do dia para a noite, isto não justifica porém que a administração democrática permaneça apenas em intenções. As mudanças deveras apenas começara através de medidas práticas, por mais simples estas devem ocorrer, oferecendo meios pelos quais a comunidade possa realmente participar da escola. Acreditamos que continuar a lutar não só por aumento de salários de professores e de funcionários, mas por melhoria de condição de trabalho na escola. A realização de uma escola pública que consiga oferecer a população o mínimo de saber,afim de ter uma vida decente, não é responsabilidade desta ou aquela pessoa ou instituição, mas de todos os cidadãos de uma sociedade civilizada.

APONTAR ALGUMAS SOLUÇÕES....do tipo...reeetruturar o plano de cargos e salários, fazer equivalência com outras categorias de nível superior

Maior compromisso e autonomia por parte dos gestores

6.BIBLIOGRAFIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 2ª Ed. revista e atualizada. São Paulo: Moderna, 1996.

GDF.SEEDF.Portaria 74 de 30.01.2009. Brasília, SEED, 2009.

PARO, Vitor Henrique. Por Dentro da Escola Pública. 3º Ed. São Paulo, Xamã, 1995.

PARO, Vitor Henrique. Qualidade do Ensino: a contribuição dos pais. São Paulo,Xamã, 2000a.

PARO, Vitor Henrique. Administração escolar: introdução crítica.9ª Ed. São Paulo, Cortez : 2000b.

PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997.

ARAÚJO, Vanessa Freitag de, AMUDE, Amanda Mendes, MORGADO, Suzana Pinguello.

REFERÊNCIAS ELETRONICAS

Lei Darcy Ribeiro e Diretrizes Para a Educação do Banco Mundial para a America Latina. Disponível em: http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/623_773.pdf.

Acesso em 26 de Outubro de 2009.

TV Sinpro.

Disponível em: http://www.sinprodf.org.br/site/tvsinpro.php?pagina=0.

Acesso em 02 de Novembro de 2009.

Noticias Sinpro.

Disponível em:http://www.sinprodf.org.br/site/noticia.php?ss_codMateria=711 .

Acesso em 02 de Novembro de 2009.

 
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Sobre este autor(a)
Nasceu em Pombal-PB, mora em Brasilia há mais de 35 anos. Formado em historia, letras e peagogia, mestre em educação, doutor em historia antiga e doutorando em psicologia.Professor da Secretaria de Ensino do DF e de Instituições de Ensino Superior do DF
Membro desde outubro de 2009
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