DESIGUALDADE SOCIAL
 
DESIGUALDADE SOCIAL
 


Autoras: ELIBIA FERNANDA DE OLIVEIRA
HELI SANTA CECILIA DE ALMEIDA FERREIRA

DESIGUALDADE SOCIAL


INTRODUÇÃO

Muitas teorias abordam a questão social como um fenômeno desastroso para o desenvolvimento de uma sociedade. Para entender melhor esse fenômeno e os múltiplos fatores acarretados por ele, serão considerados neste trabalho alguns aspectos tais como: as classes sociais, a base econômica da sociedade, a política e a globalização. Além disso, algumas alternativas serão apresentadas no sentido de tentar combater esse grave problema pelo qual está atravessando o nosso país e que também atinge além dos países subdesenvolvidos, os países desenvolvidos. Por isso, torna-se imperioso entender esse mecanismo de desajustamento na distribuição de renda e das condições de sobrevivência dos indivíduos, as suas causas e conseqüências. Enfim, o que representa para a sociedade ser acometida por tal disfunção social.
No entanto, a desigualdade social não é analisada igualmente por alguns teóricos que apresentam diferentes enfoques para explicar todos os elementos envolvidos nas relações que permeiam essa condição. Daremos destaque a algumas idéias mais relevantes atribuídas a Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, pelo reconhecimento da sua grande contribuição para esse vasto campo de explorações acerca do estudo da sociologia.
Espera-se que uma análise mais reflexiva das desordens sociais possa viabilizar meios de tentar sanar os dilemas que advém da desigualdade social e que afetam o mundo inteiro. Quem sabe, assim, possa ser o cidadão ser instigado a se posicionar com mais critério frente às adversidades enfrentadas pela sociedade e, ainda incitá-lo ao pleno exercício da cidadania como uma forma de cumprir mais eficazmente o seu papel dentro da sociedade. Isso pode representar o primeiro passo para o surgimento de um pensar mais abrangente com idéias que podem unir-se a outras mais e que futuramente podem converter-se em ações.

DESIGUALDADE SOCIAL

Alguns conceitos de estratificação social e de classes sociais podem ser utilizados para expor as contradições e desigualdades encontradas em nossa sociedade: a estratificação econômica é determinada pelos bens materiais, a estratificação política é instituída pelo poder e a profissional pelo valor atribuído a determinadas profissões desfavorecendo outras. Quando uma pessoa ou um grupo de pessoas melhora o seu poder aquisitivo ocorre uma mudança social definida como mobilidade social.
A organização dos estratos ou camadas sociais dentro de uma sociedade pode ser classificada em:
? Casta: caracterizada pelo rigor das tradições familiares e onde não ocorre a mobilidade social. O indivíduo permanece durante toda sua vida na mesma casta;
? Estamento ou estado: possui características semelhantes à casta, porém, representa um tipo intermediário entre a casta e a classe social por possibilitar a mobilidade social, ainda que um tanto dificultada;
? Classe social: diferente do modelo de estratificação social, limita-se em apresentar as divisões em camadas existentes em uma sociedade e procura estabelecer uma relação entre elas.
Para Karl Marx a burguesia e o proletariado, são as duas forças que impulsionam o modo de produção capitalista, se apropriando uma (burguesia) do trabalho da outra (proletariado).
Cada sociedade com sua forma própria de produção é organizada pelas relações de produção estabelecidas entre os donos dos meios de produção e os trabalhadores. Esse processo produtivo, resultante da associação do trabalho com os meios de produção, gera um fenômeno chamado de forças produtivas.
Existe uma ideologia que procura justificar a concentração da riqueza nas mãos de poucos, difundindo a crença de que as grandes massas de população dos países pobres poderão um dia alcançar os padrões de consumo da minoria da humanidade que vive nos países altamente industrializados. É a ilusão do desenvolvimento econômico fomentando o desenvolvimento dos setores dominantes. As nações subdesenvolvidas não podem competir com os países ricos que detém recursos para acelerar invenções e alcançar maior autonomia tecnológica.
A nova rede tecnológica e de telecomunicações e a interdependência da globalização podem acarretar um significativo aumento do desemprego nos países subdesenvolvidos pela substituição da mão-de-obra não qualificada pelas novas tecnologias industriais. Com isso a utilização de mão-de-obra fica desvalorizada e a exploração sobre os trabalhadores cresce, acarretando um grande conflito social cada vez mais real. Nesse cenário, as desigualdades tendem a se manifestar mais intensamente submetendo os países subdesenvolvidos aos interesses das grandes corporações e dos organismos multinacionais e fortalecendo os países mais desenvolvidos. Contudo, desenvolvimento não significa apenas crescimento econômico, mas a transformação qualitativa da sociedade e a participação de todos na riqueza produzida, e não apenas no crescimento desta riqueza nas mãos de poucos.
Os países desenvolvidos também enfrentam graves problemas na distribuição de renda, nas condições de higiene e saúde da população, nas condições de emprego, na distribuição de terras, no acesso e na qualidade da educação, etc. O emprego de novas tecnologias, novas matérias-primas, novas fábricas gera acúmulo de riquezas para os donos do capital, intensificando a produção através da extração da mais-valia. Nesse sistema, o trabalhador não recebe pelo que ele produz e o controle do seu próprio trabalho fica a cargo do patrão promovendo uma desigualdade econômica entre patrões e empregados.
A dinâmica social pode ser explicada a partir de diferentes perspectivas acerca das transformações pelas quais passa a sociedade. Diferentes abordagens teóricas são apresentadas por:
? Émile Durkheim: é considerado o fundador da sociologia moderna. Para ele o indivíduo é influenciado pela sociedade com regras fortes e estabelecidas e formas padronizadas de comportamento e pensamento, a que ele chama de consciência coletiva. A partir desse pensamento o individuo é considerado apenas como uma peça de uma grande engrenagem e a sua participação individual não teria grande representatividade na organização social, a não ser para cumprir uma função determinada e controlada pelas normas ditadas pela sociedade.
? Max Weber: é também considerado um dos fundadores clássicos da sociologia e exerceu grande influência sobre as ciências sociais a partir da década de 1920. Diferentemente de Durkheim, Weber reconhece a ação do indivíduo sobre a sociedade e esta para ele seria a soma de todas as ações humanas. A sociedade então deveria ser compreendida a partir ações dos indivíduos e seria influenciada por elas. De acordo com Weber a existência da sociedade está condicionada a essas ações individuais, daí a necessidade de entender o sentido da ação social a partir dos valores socais e da motivação do individuo.
? Karl Marx: Idealizador do comunismo e do socialismo contestava a sociedade capitalista, propondo uma transformação social com o objetivo de criar uma sociedade sem divisão de classe e com direitos iguais para toda a coletividade, para isso a classe trabalhadora, de acordo com ele, deveria se organizar para reverter essa situação e assim superar a exploração e as desigualdades.
Ele questionava o enriquecimento da burguesia por meio da força do trabalhador, que era submetido a uma ideologia que o impedia de perceber a sua real condição. Assim tornavam-se meros instrumentos de exploração daqueles que detém o poder econômico e político nas mãos.
Com o enriquecimento, a burguesia obteve também o controle do Estado, ou seja, o controle político, através do qual criou leis para proteger a propriedade privada a fim de manter-se no poder, enquanto o proletariado mantinha-se em condições desfavoráveis ao seu estabelecimento econômico e político. Conquanto, para Marx a tomada de consciência do homem pode libertá-lo da passividade, possibilitando-lhe uma ação revolucionária capaz de transformar a sociedade.
Cada teoria sociológica atribuída a esses três pensadores possui uma característica diferente. A sociologia de:
? Durkheim é positivista;
? a de Marx é revolucionaria;
? a de Weber é compreensiva.
No entanto, todas oferecem uma valiosa contribuição para o estudo da sociologia.
O cidadão precisa compreender o seu papel diante as organizações e do processo político. Nesse sentido, uma delimitação entre política e poder se faz necessário para refletirmos melhor essa questão. O poder refere-se à capacidade de influir no comportamento de outras pessoas. Nos governos não democráticos o poder não é consentido, mas imposto pelo prestígio e a força de quem o possui. Para que esse poder não seja abalado ele tenta a todo custo destruir a oposição e a divergência de crença, opiniões e costumes. Na democracia segundo o filósofo Claude Lefort o poder deve ser exercido transitoriamente por alguém escolhido para ocupar tal posição. Essa luta pela conquista, manutenção e expansão do poder é instituída pela política com a finalidade de governar as nações.
De acordo com Marilena Chauí, o conceito de democracia pressupõe a diversidade de opiniões, a livre circulação da informação e o livre acesso à cultura. Além disso, é preciso que todos os setores da sociedade possam ser legitimamente representados. Não há democracia sem igualdade e liberdade. O princípio da igualdade estabelece o reconhecimento dos direitos humanos e o exercício da cidadania. A sociedade civil deve se organizar para combater o individualismo e reivindicar direito de igualdade por meio da educação, saúde, da moradia, do emprego, do meio ambiente, etc., e posicionar-se contra todas as formas de preconceito e discriminação.
Os movimentos sociais são fortalecidos pela ação conjunta de indivíduos organizados coletivamente em prol de um objetivo comum com poderes para reivindicar interesses que não seriam amplamente legitimados através da ação isolada dos indivíduos. A união dessas ações coletivas pode estender-se a setores mais amplos da sociedade a partir de um projeto construído coletivamente em busca de soluções que poderiam senão acabar com a desigualdade social, pelo menos amenizar os seus efeitos nocivos juntos a população mais carente. A democracia pode ser determinante nesse processo, permitindo que e individuo participe ativamente da comunidade cívica com direito e deveres iguais para todos, independentemente da sua condição social.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse estudo oportunizou um aprendizado importante no sentido de se ter uma compreensão mais ampla sobre o que significa a desigualdade social em termos de desenvolvimento de uma nação. Para tanto, propiciou uma reflexão mais crítica e aprofundada sobre o desequilíbrio provocado por esse processo de desorganização das estruturas sociais. É possível vislumbrar com maior clareza a discrepância existente entre os padrões de consumo das classes sociais mais favorecidas das classes menos favorecidas, bem como os diferentes graus nelas existentes de poder, riqueza e prestígio. Elementos esses destinados às camadas mais abastadas, ou seja, as classes dominantes que exploram e oprimem os mais desfavorecidos economicamente e concentram suas riquezas nas mãos de poucos, enquanto a grande maioria permanece na pobreza. A classe trabalhadora é esmagada sob o jugo dos donos dos meios de produção que desfrutam de comodidades que dificilmente estarão ao alcance daqueles que lhes fornecem os recursos para aumentarem o montante de suas riquezas. Ao contrário, sofrem toda a sorte de infortúnios e muitas vezes não conseguem satisfazer as suas necessidades mais básicas, como o acesso á saúde, educação, alimentação, moradia, etc. Ainda assim, alimentam-se da esperança de um dia poder melhorar as suas condições de vida e alcançar padrões mais altos de sobrevivência. Ideologia essa astutamente forjada pelo sistema capitalista que se beneficia cada vez mais do trabalho mal-remunerado imposto aos assalariados. Esses por sua vez continuam pobres, enquanto aqueles ficam cada vez mais ricos se apropriando do que é produzido pelos trabalhadores.
A sociedade precisa se mobilizar para enfrentar esse dilema. A passividade pode representar um mal maior ainda e a democracia verdadeiramente comprometida com a causa social pode significar o caminho mais seguro para vencer o desafio de se construir uma sociedade mais justa e igualitária.






REFERÊNCIAS

2010, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia ? Paraná ? Educação a Distância, Apostila do curso Técnico em Secretariado, Módulo I

Brasil Escola, Pensadores clássicos da Sociologia. Disponível em: Acesso em: 31 out. 2010

Brasil Escola, Desigualdade social. Disponível em: Acesso em: 1 nov. 2010

 
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