DESENVOLVENDO O LÚDICO NAS SÉRIES INICIAIS
 
DESENVOLVENDO O LÚDICO NAS SÉRIES INICIAIS
 


Sumário
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I 4
1 - O TEXTO: COMO INSTRUMENTO DE INTERMEDIAÇÃO ENTRE LEITOR E ESCRITOR 4
1.1 - O que é ler 7
1.2 ? Quando e como começamos a ler 9
1.3 ? Desenvolvimento do gosto e do interesse pela leitura. 12
1.4 ? Professor leitor: nosso maior desafio 14
1.5 ? Leitura e formação de leitores 17
1.5.1 - Incentivando a leitura diária 19
1.5.2 - Usando textos diversificados 19
1.6 ? O leitor e a linguagem escrita 20
1.7 ? Avaliação da leitura 25
CAPÍTULO II 27
2 ? A LITERATURA INFANTIL NA ESCOLA COMO FORMA DE ESTÍMULO À LEITURA 27
2.1 ? O lugar da literatura na escola 29
2.2 - É importante o ato de ouvir e contar histórias 31
2.3 Algumas sugestões de como trabalhar o ato de contar histórias 32
2.4 ? Literatura como incentivo à leitura 34
CAPÍTULO III 38
3 - COMO O PROFESSOR DEVE AGIR PARA FORMAR HÁBITOS DE LEITURA NOS EDUCANDOS 38
3.1 ? Dificuldades na leitura 38
3.2 - Da teoria para a prática: Sugestões de atividades para o incentivo da leitura. 40
CONSIDERAÇÕES FINAIS 44
BIBLIOGRAFIA 46


INTRODUÇÃO


O objetivo desse trabalho monográfico partiu da preocupação com a questão da leitura em sala de aula. Entre o que o educador espera do aluno enquanto leitor real, e o que a escola tem formado, existe uma grande interrogação.
A leitura, seja qual for seu objetivo ? é uma atividade bastante complexa cuja metodologia de ensino (a partir da alfabetização) tem variado grandemente e podemos dizer, no entanto, que não só no Brasil como em quase todo o mundo novos métodos mesmos os mais sofisticados, não têm surtido o efeito esperado. São constantes as queixas de que até o universitário lê pouco e mal.
Sempre que sempre estabelecer relação entre leitura e escola, e considerando a escola como espaço de mediação possível, surge, conseqüentemente, a questão que move a prática pedagógica, é possível a escola a ler? É possível, mais recortadamente se indagando, ensinar a ler literatura?
Essa preocupação tem-se manifestado nos últimos anos, em ações que, de alguma forma, procuram dar sustentação ao ensino; temos assistido à expansão de oferta variada de leitura, à mobilização para a existência de USO efetivo de bibliotecas escolares e empreendimentos arrojados em diferentes instâncias. Hoje, mais do que nunca proclama a necessidade da formação de um novo tipo de leitor, para atender as novas exigências do mundo contemporâneo.
Pensar a relação leitura e escola requer colocar a questão inicialmente posta; se de um lado, as políticas de leitura são necessárias, por outro, é preciso reconsiderar nesse processo o papel do professor, enquanto aquele que ensina a ler. Não é desconhecido por ninguém que o formador de leitor (dadas as diferentes circunstâncias, desde elas as históricas, sociais, econômicas e culturais) se encontra fragilizado em seu conhecimento sobre o próprio objeto de ensino. E mais, muitas vezes, domina muito pouco, ele próprio às competências de leitura que pretende ensinar. Sabemos esperançosamente que hoje mais do que nunca é possível lançar mão de contribuições de diferentes teorias e resultados de estudos e investigações em diferentes áreas para se repensar o ensino da leitura.
O que acontece no dia-a-dia da escola no que diz respeito à leitura, é que há um distanciamento tão grande entre o que queremos, esperamos e o que temos? O problema neste caso é a formação do leitor.
Destacamos aqui palavras da professora Keila Vegnoliviegas, que vê o trabalho de leitura como uma batalha com três frentes diferentes:
- "O ler para gostar de ler", seria garantir o interesse pela leitura e o do prazer de ler.
- "O ler para conhecer a língua" que seria a apropriação da estrutura da Língua Portuguesa.
- "O ler para conhecer o mundo", seria quando se descobrem os conhecimentos construídos e busca saber mais, com profundidade das coisas do mundo.
Tomando como referência principalmente as séries iniciais do Ensino Fundamental, acreditamos no momento que é "o ler para gostar de ler".
Na primeira parte, abordamos o tema: O texto: como instrumento de intermediação entre leitor e escritor, ressaltando que, para trazer a leitura fruição é necessário a sedução, o encantamento, a paixão, a emoção, em seguida a tomada de consciência do que está fazendo, o conhecimento e o domínio.
Para explicar os enfoques falamos o que é leitura, como e quando começamos a ler, como desenvolver o gosto e o interesse pela leitura.
Entretanto, uma das preocupações é com o professor-não-leitor, esse é um dos grandes desafios enfrentados até hoje em todas as escolas.
No caso da leitura e, formação de leitores considerarem o conjunto de habilidades, que precisa ser sistematizado e organizado, respeitando o processo de construção do leitor, que se tenha um ambiente favorável e acima de tudo um professor que ame a leitura.
A linguagem escrita faz parte do cotidiano das pessoas. Convive-se com uma série de textos impressos em diferentes objetos e lugares. Porém, um mesmo texto, além de poder ser lido de muitas maneiras pelo mesmo sujeito, cada leitor lê de sua forma pessoal e do lugar que ocupa socialmente.
Sendo assim, torna indispensável uma prática de Avaliação de Leituras, que seja contínua, acolhedora, um ato integrativo e apoiar o progresso do aluno.
Literatura Infantil na Escola, foi tema enfocado no segundo capítulo, falando da necessidade de proporcionar a criança um contato prazeroso com a literatura.
É importante o ato de ouvir e contar histórias para despertar o interesse e o gosto pela leitura.
A literatura é um dos maiores incentivos à leitura, bem como de grande importância, para a formação de qualquer criança. Ouvir muitas histórias... Escutá-las é o inicio da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é o caminho para a descoberta e compreensão do mundo.
E por último, apresenta-se algumas alternativas de como o professor deve agir para formar hábitos de leitura nos educando, com sugestões de leitura e técnicas utilizadas, que possa contribuir para a formação do aluno leitor.























CAPÍTULO I


1 - O TEXTO: COMO INSTRUMENTO DE INTERMEDIAÇÃO ENTRE LEITOR E ESCRITOR


"Minhas histórias de Carochinhas, Meu Melhor Livro de Leitura, capa escura, parda, dura, desenhos preto e branco. Eu me identificava com as estórias. Fui Maria e Joãozinho perdidos na floresta. Fui a Bela Adormecida no bosque. Fui Pele de Burro. Fui companheira de Pequeno Polegar e viajei com o Gato de Sete Botas. Morei com os Anõezinhos. Fui a Gata Borralheira que perdeu o sapatinho de cristal na carreira da volta, sempre a espera do príncipe encantado, desencantada de tantos sonhos nos reinos da minha cidade." CORA CORALINA.



Revivendo essas histórias, é que desperta o nosso desejo de resgatar o interesse pela literatura e o prazer de ler em nossas crianças. É exatamente dessas lembranças de ouvir e ler histórias que estão sendo esquecidas nos dias atuais e que ficaram registradas em nossas memórias, mostrando o quanto são significativas na lembrança dos leitores, como mostra nossa querida e saudosa poetiza goiana, Cora Coralina, em seu poema "Meu Melhor Livro de Leitura".
Ler e escrever são práticas que fazem parte do crescimento de um processo de autonomia. O gosto pela leitura se adquire aos poucos, é algo amoroso, sendo o professor a mola mestra desse processo. Deve ser um grande leitor para crianças, partilhando a sua felicidade de ler. Mostrando que os livros são parte agradável da vida.
A falta de interesse pela leitura, a apatia reinante diante de um livro, não só pelos adultos, mas principalmente pela criança, é uma questão que vem preocupando aos pais e educando.
Em que consiste uma aula de literatura?
Muito mais que abrir um livro, ler e tecer comentários. Devemos levar a criança a uma viagem ao mundo misterioso da fantasia e imaginação.
Fantasia que gera liberdade.
Liberdade que faz sonhar.
Levar uma criança a ler é suficiente para nela despertar o hábito da leitura.
É preciso conscientizá-la sobre os valores que a leitura desperta. Assim, um livro não deve ser reduzido a um rígido material de avaliação, em que o prazer do texto se perde em meio a questionários impessoais e fichas padronizadas. É preciso respeitar a experiência individual de leitura.
Deve-se levar a criança a encarar a leitura como algo interessante, como entretenimento, como fonte de surpresas e descobertas.
Nunca é demais lembrar que é lendo que ela irá progredir na leitura. É lendo que ela irá ampliar e aprofundar seus conhecimentos. É lendo que ela irá refletir e pensar por si mesmo, adquirindo uma postura crítica em relação à palavra escrita. É, sobretudo, lendo que ela irá desenvolver o gosto pela leitura. Collin Fhriele diz:


"Pois o mundo, todo mundo de palavras vive para sempre nos livros. Algumas coisas nós jamais veremos na vida real porque distantes demais, escondida e fora do nosso alcance. Podemos encontrar todas nos livros. Rios podem correr e tigres podem saltar das páginas de um livro. Um vulcão pode ocorrer na página 25, uma estrela cair na página 36 e aviões a jato surgirem na página 92, uma tempestade pode estar desabando sobre a nossa casa, mas nós podemos passear a luz do sol, num livro". ( 1978)



De acordo com Maria Dinorah. (1996) "A grande maioria das nossas crianças, desconhecem a fantasia de uma história, a ternura de um poema, o mistério de uma lenda, o mágico encontro com um livro".
Se olharmos a história da humanidade e o seu desenrolar até os nossos dias, chegaremos à conclusão que, a "palavra" a nos diferenciar dos seres vivos através dos séculos ? é a responsável por sua travessia.
Não temos idéia desde quando a oralidade se encarregou de disseminar ou espalhar histórias como Branca de Neve, A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e outras que mesmo com o passar do tempo marcaram o leitor, proporcionando o prazer e o sonho do público infantil ao entrarem no mundo da leitura.
Segundo a autora, outros meios para se comunicar foram aparecendo com o passar dos tempos, como: o rádio, o teatro, o vídeo, a tevê ? destacando o poder dos dois últimos citados, que projeta dos seus receptores o passado e o futuro ao vivo e a cores. Porém, a palavra escrita é seu maior suporte e sem a mesma, toda magia existente não aconteceria.
Para Dinorah, "formar o leitor é algo sutil e democrático, a única pedagogia possível: ?A do afeto e da liberdade?".
Estatísticas internacionais mostram que se formam leitores mais ou menos até aos 14 anos de idade, e as expectativas prévias dos alunos com o mundo da leitura são de fundamental importância na sua formação. Como seria bom que a criança desde os primeiros meses de vida tivesse oportunidade de ouvir histórias, lendas, e poesia, o que a levaria a encarar a leitura como algo interessante, prazerosa, como fonte de surpresas e descobertas.
"Uma criança sem livros é prenúncio de um tempo sem idéia".
Reconhece que a maioria dos pais, no entanto, pressionado por uma sociedade desumana, a exigir-lhes os maiores sacrifícios para sobreviverem não dispõem de tempo e não estão preparados para fazer de seus filhos leitores.
O gosto pela literatura segundo a autora, se adquiri mais ou menos até os 14 anos. Ficando clara a responsabilidade da escola de Ensino Fundamental com a formação do leitor.
Sabe-se que o exercício do magistério requer conhecimento, competência e, sobretudo muito compromisso. A sua responsabilidade como professor da primeira fase do Ensino fundamental é enorme. É você que ensina as primeiras letras os primeiros números e também quem proporciona às crianças a entrada ao maravilhoso mundo da leitura, feita para uma vida mais digna aberta ao cidadão.
A leitura é uma experiência, e se a criança ainda não pode vivê-la no seu ambiente familiar, é o professor quem deve proporcioná-la na escola. Esta experiência ajuda a superar dificuldades, propicia diálogos, produz conhecimento, proporciona momentos de encontros do leitor consigo mesmo. A leitura do livro ajuda a leitura do mundo, das imagens e da vida.
Pois, para grandes partes das crianças brasileiras, a escola representa o único meio de contar com o universo da leitura e da escrita. Assim, cabe aos professores garantir a elas o acesso a maior diversidade possível de textos, literatura, reportagens, anúncios, outros.


1.1 - O que é ler


Ler é uma atividade extremamente complexa e envolve problemas não só semânticos, culturais, filosóficas, mas até fonéticas.
Tudo que se ensina na escola está diretamente ligado à leitura e depende dela para se manter e desenvolver.
Ler é um processo de descoberta, como a busca do saber científico. Outras vezes requer um trabalho paciente, perseverante, no caso de uma pesquisa. A leitura também pode ser uma atividade lúdica.
Leitura é, pois, uma decodificação. O leitor deverá em primeiro lugar decifrar à escrita depois entender a linguagem contrária, decodificar todas as implicações que o texto tem e por último refletir sobre o assunto, para então formar o seu conhecimento e opinião a respeito do que leu.
Ler pode significar desde atribuir sentido, numa acepção mais ampla, até a simples decodificação.
Aprender a ler hoje no século XXI, significa também aprender a ler o mundo, dar sentido a ele e a nós próprios, o que bem ou mal fazemos mesmo sem ser ensinados. Segundo Paulo Freire "a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquela".
Todos sabem que há diferença entre ver e olhar, ouvir e escutar. Ler não significa apenas passar os olhos por algo escrito, não é fazer a versão oral de uma escrita. Ler significa ser questionado pelo mundo e por si mesmo, significa que certas respostas podem ser encontradas na escrita, significa ter acesso a essa escrita, significa construir uma resposta que integra parte das novas informações ao que já se é. Pode-se falar de "leitura de mundo", de imagens, de símbolos, de palavras, de livros e outras. Aí então está procedendo a leitura, as quais nos habilitam basicamente a ler tudo e qualquer coisa com autonomia deixando de "ler pelos olhos de outrem." Dessa forma desafiamos a nossa imaginação e descobrimos o lado bom e prazeroso da leitura.
Podemos relacionar a leitura ao ensino formal e aos livros e também à leitura do céu, dos astros, dos rastros deixados por um animal. Segundo Bellenger.

"Ler é manter uma ligação através do tato, do ouvido, bem como do sentir; as pessoas lêem seus corpos, pois o corpo fala, as palavras ressoam. Ler é também sair transformado de uma experiência de vida, é esperar alguma coisa, é acreditar, interpretar, criticar. Ler é abolir o mundo exterior, deportar-se para uma ficção, abrir o parêntese do imaginário. É um sinal de vida, um apelo, uma ocasião e amar sem a certeza de que se vai amar. Ler é identificar-se com o apaixonado", (1997 p.33)



Para formar leitores deve-se ter paixão pela leitura, pois a mesma se baseia no desejo e no prazer.
A leitura é um exercício de interpretação tomada no seu mais legítimo sentido que é o de suplementar o texto com os próprios sentidos, vivências e semânticas. A qualidade da construção do sentido por parte do leitor está na dependência direta dos interpretantes de que dispõe: suas leituras anteriores de mundo, do cotidiano, de outras obras, de si mesmo. E por que não? Das suas condicionantes histórias e dos seus desejos?
"Leitura é uma experiência e experiência é algo que passa pela gente por dentro."
As experiências de ouvir e ler histórias muitas vezes excluídas da sala de aula se mostra significativas na lembrança dos leitores.
O ensino da leitura deve partir das experiências individuais do professor enquanto leitor, da discussão e diálogo com os alunos e outros professores e da consideração nas histórias de leitura de cada um. A noção de leitura, segundo estudiosos apresenta polissêmica, ou seja, com vários sentidos. Por isso, podendo ser utilizada tanto para oralidade quanto para a escrita, assim como em qualquer outro tipo de linguagem.
No momento em que se discuti a leitura do mundo, refere-se a leitura como concepção, retratando a relação com a noção de ideologia.
A leitura no sentido acadêmico pode significar "construção de um aparato teórico e metodológico" de aproximação de análise do texto de um autor, de sua poética.
No sentido de escolaridade a leitura pode significar aprender a ler e escrever, decodificar e codificar.
O ato de ler está ligado ao convívio social, segundo Soares: "A leitura é interação verbal entre indivíduos socialmente determinados: o leitor e seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros; e entre enunciados e diálogo" (1998 p. 87).
Hoje o ato de ler, significa um processo dinâmico e ativo. Ler um "texto" implica não somente aprender o seu significado, mas também trazer para o texto a nossa experiência, nossa visão de mundo enquanto leitor. A cada leitura cria uma interação dinâmica entre leitor/texto e que favorece a construção de um novo, dando ensejo à expressão de uma linguagem diferenciada. É através da leitura que se tem acesso à cidadania, a orientação para um entendimento mais profundo da vida em sociedade, a construção de uma personalidade mais crítica e, portanto mais livre.
E pela via do diálogo e da interação que se propõe essa reflexão sobre práticas de leitura na escola, repensando o papel do professor como mediador entre leitor e leitores, cujo papel é fundamental no sentido de repensar as condições de leitura que vêem sendo oferecidos pela escola.
Para Bakhtim, "qualquer enunciação por mais significativa que seja, constitui apenas uma fração de uma corrente de comunicação interrupta".
Ser leitor, papel que, enquanto pessoa física, exerce, é função social, para a qual se canaliza ações individuais e esforços coletivos.


1.2 ? Quando e como começamos a ler


Desde os primeiros contatos com o mundo, que se começa a compreender, a dar sentido ao que e a quem nos cerca. Esses também são os primeiros passos para aprender a ler.
Lembro Paulo Freire: "Ninguém educa ninguém, como tão pouco ninguém educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo" (1994). Ousando divergir neste caso, se poderia dizer: ninguém ensina ninguém a ler: o aprendizado é, em última instância, solitário, embora se desencadeie e se desenvolva na convivência com os outros e com o mundo.
Certamente aprende-se a ler a partir do nosso contexto pessoal e, tem-se que valorizá-lo para poder ir além dele.
Quando começamos a organizar os conhecimentos adquiridos, a partir das situações que a realidade impõe e da nossa atuação nela; quando começamos a estabelecer relações entre as experiências e a tentar resolver os problemas que se nos apresentam, aí então está procedendo a leituras, as quais os habitam basicamente a ler tudo e qualquer coisa. Esse seria, digamos, o lado otimista e prazeroso do aprendizado da leitura. Dá-nos a impressão de o mundo estar a nosso alcance; não só podemos compreendê-lo e conviver com ele, mas até modificá-lo à medida que incorporamos experiências de Leitura.
Aprender a ler significa também aprender a ler o mundo, dar sentido a ele e a nós próprios, o que bem ou mal, fazemos mesmos sem ser ensinados.
A função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para que o educando realize sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, segundo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresenta. Assim, criar condições de leitura não implica apenas alfabetizar ou propiciar acesso aos livros. Trata-se, antes, de dialogar com o leitor sobre a sua leitura, isto é, sobre o sentido que ele dá a algo escrito, a um quadro uma paisagem, a sons, imagens, coisas, idéias, a situações reais ou imaginárias. Aprender a ler é primeiro, adivinhar e, depois, cada vez mais acertar.
Aos cinco anos de idade, o que a criança sabe fazer melhor e, que o adulto não consegue mais se quer imaginar: - é criar significados.
Quando se trata do processo ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, necessário se faz falar das opções metodológicas através das quais professores levam a efeito essa tarefa educativa.
Segundo Emilia Ferreiro e Ana Taberosky ? a psicogênese da leitura e da escrita deve ser analisada e melhor compreendida sob uma visão interacionista desde que seja associada a outros aspectos lingüísticos, político-sociais e filosóficos.
Esse tipo de abordagem nos permite reconhecer, aceitar na prática o aluno sujeito de aprendizagem. Portanto, o aluno não é alfabetizado pelo professor, mas ele próprio se alfabetiza a medida que vai interagindo com a leitura e a escrita, até por si próprio consiga compreender, de forma conceitual, o que é ler e escrever.
A escrita, sendo um objeto sócio-cultural, fica sempre condicionada aos estímulos do ambiente, às situações e oportunidades em que o aluno possa vivenciar experiências significativas de leitura e escrita.
Ao ler e interpretar os textos, que fazem parte de sua experiência diária, a criança acabará discriminando e reconhecendo as letras, como também descobrirá como combiná-las convencionalmente.
Ela fará descoberta sobre o uso do código gráfico, associando essas descobertas às suas experiências e conhecimentos adquiridos anteriormente.
O mais importante é que, apesar de experiência e interação constante, a criança terá que estar sempre motivada a construir seu conhecimento sobre leitura e escrita. Para que tal motivação se desenvolva deverá ser aproveitada toda a bagagem que a criança já tenha adquirido anteriormente como: experiências folclóricas, conceitos matemáticos, a linguagem e vivências do seu cotidiano.
A criança desde que entra na escola deverá participar de atos de ler e escrever, na produção de textos coletivos e individuais, vivenciarem momentos de leitura realizados pelo professor, ter ocasião de perguntar, explorar e confrontar suas hipóteses com os outros, tendo oportunidade de registrar sua própria escrita.
As crianças não esperam passivamente que lhes dê sinal verde para iniciar o seu processo de leitura. Portanto, "abrir leques" e oferecer ao educando os mais variados materiais de leitura é algo imprescindível. Os PCNs diz que:


"Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais defrontam, é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores, quando não participam de práticas onde ler é indispensável, a escola deve oferecer materiais de qualidade, modelos de leitores proficientes e prática de leitura eficaz." (1997 p.55)



Sendo assim, todo educador consciente terá o compromisso de repassar ao educando as muitas possibilidades que adquiriu através da leitura, pois o indivíduo que lê desenvolve a habilidade de melhor compreender as informações recebidas. A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. E esse desenvolvimento se dá através de interesses e hábitos permanentes de leitura, que é um processo constante que se inicia no ambiente de convívio, aperfeiçoando sistematicamente na escola e continuado pela vida.


1.3 ? Desenvolvimento do gosto e do interesse pela leitura.


Não basta o aluno possuir habilidades de leitura, é necessário saber aplicá-las, é necessário ter interesse, gosto e formar hábitos pela leitura. Esses fatores são os incentivadores que levam o aluno a ler e enriquecer-se por meio de uma boa literatura.
A leitura pode ser, portanto, uma fonte encantada de enriquecimento humano em todos os seus aspectos: pessoal, social, moral. À escola caberá a tarefa de orientar o aluno para que descubra esse manancial e usufrua seus benefícios. Portanto, a par de procurar desenvolver habilidades de leitura, o professor deve também visar à formação de atitudes de apreciação e de interesse pela boa literatura.
Para tal, o professor procurará descobrir quais são os motivos que mais despertam a atenção do aluno, quais seus interesses naturais.
O interesse infantil por leitura se releva muito cedo. Mal a criança aprende a se comunicar com seus semelhantes, já lhe agrada ouvir histórias. Mal adquire certo controle muscular, gosta de folhear livros e de ver suas gravuras.
De modo geral atividades de leitura e interesses infantis demonstram certas tendências de acordo com a idade.
Antes de cinco anos, as crianças gostam de histórias simples e reais, com rimas e repetições, e de contos ilustrados por gravuras que possam ser discutidas com outras pessoas.
Aos alunos de Jardim, tanto agradam histórias que realmente aconteceram (fatos vividos por eles mesmos) como histórias que poderiam ter acontecido e ainda outras com um passo de fantasia, lendas, contos e outros.
Nas 1ª e 2ª séries as crianças gostam de surpresa e ação: histórias com enredo. Aquelas sobre animais exercem atração especial. Segundo Harris, "O interesse pela fantasia atinge o auge aos oito ou nove anos, declinando logo após".
À medida que as crianças, principalmente do sexo masculino, crescem, também crescem seus interesses por aventuras. As meninas parecem mais entusiasmadas do que os meninos por histórias passadas em ambientes domésticos e revelam mais cedo interesse por romance. Enquanto as meninas preferem situações sociais tranqüilas, os meninos têm predileção por ações agressivas.
Essas tendências são semelhantes, contudo, o professor não pode deixar de considerar as diferenças individuais, tanto em relação à quantidade de leitura voluntária feita pelos alunos, como em relação aos seus interesses específicos.
O conhecimento dos interesses gerais da infância pode auxiliar o professor a prever os que serão relevados por seus alunos, mas não o isentem de estudar cuidadosamente as tendências particulares de cada criança.
Não se pode afirmar que as preferências infantis sejam inteiramente livres ou sinal certo de inclinação natural. O interesse das crianças em leitura, como em outras atividades, são influenciadas por vários fatores que o professor não pode desconhecer, para verificar como estão atuando. Tais fatores são os seguintes: idade, sexo, atitude dos pais, rádio, cinema, televisão, facilidade de acesso à obra, habilidade de leitura, experiências, atitude do professor e de colegas.
Idade - os interesses infantis por leitura mudam a medida que a criança amadurece, cedendo lugar a novos interesses.
Sexo - quando ainda pequenos meninos e meninas têm os mesmos interesses, à medida que vão crescendo as diferenças vão-se fazendo notar.
Atitude dos pais - os interesses de leitura são grandemente influenciados pelo ambiente de casa. A atitude dos pais em relação a obras impressas, o valor que dão aos livros, a atenção que dispensam aos comentários dos filhos sobre o que leram, a maneira como os incentivam (ou desapontam) afeta-os diretamente.
Rádio, cinema, televisão - eles podem interferir nos interesses infantis, ora estimulando a leitura sobre determinado tema, ora roubando o tempo que lhe era destinado, o que ocorre na maioria das vezes na atualidade.
Facilidade de acesso às obras - uma criança que tem dificuldades em encontrar livros para ler, naturalmente lerá pouco e, como conseqüência, o seu interesse pela leitura, bem como suas experiências nesse campo serão muito limitadas.
Habilidade de leitura - muitas vezes o tema do livro é inteiramente do agrado do aluno, contudo sua forma literária não lhe é acessível, por isso a leitura iniciada não chega ao fim. Quanto à habilidade do leitor, maior a facilidade com que interpreta o que lê, sempre crescente seu amor pelos livros e mais numerosas suas leituras.
Experiências - o cabedal de experiências que o aluno possui certamente influi na variedade de seus interesses literários; o meio cultural e o ambiente social da criança são forças a nortear suas escolhas.
Atitude do professor e de colegas - o entusiasmo do professor e de colegas certos livros impressiona a criança, levando-a a procura daquelas obras.
Alguém disse que para se desenvolver o interesse infantil por leituras precisa-se de "uma escada e de iscas", condensando nessas duas palavras, os princípios básicos do sucesso nesse campo. A escada simboliza o material de leitura adequado a cada aluno, de acordo com suas habilidades e interesses. Por ele a criança vai avançando gradualmente, adquirindo novos e mais elevados interesses e apurando seu gosto. Ao professor cabe então descobrir em que degrau da escola o aluno se encontra, para sugerir livros acessíveis, que possam entusiasmá-los. As iscas são as varias atividades que podem motivar a leitura.
Inicialmente, é necessário que o ambiente da sala de aula seja favorável, com um professor que ame a leitura, para quem os livros sejam importantes, que promova a organização de um cantinho de leitura na classe, que oriente e estimule o contato de seus alunos com as variadas obras impressas.
Mostrar que é através da leitura que o indivíduo se aperfeiçoa culturalmente na vida e na compreensão do mundo que o rodeia. Conforme Zilbermam: "Uma leitura lúdica e desarticulada de propósitos pedagógicos pode ser um importante instrumento para os alunos aprenderem a gostar de ler e compreenderem as diversas linguagens literárias." (ZILBERMAM, 1982).
Por meio desta afirmação, a autora sugere como incentivar os educando a despertar o gosto pela leitura, isto é, propor momentos de leitura prazerosa, desprovida de cobranças avaliativa, ou seja, com o único objetivo de satisfazer as exigências curriculares.


1.4 ? Professor leitor: nosso maior desafio


Na tradição brasileira, literatura infantil e escola mantiveram uma relação de dependência mútua. A escola conta literatura infantil para propagar - atraído pelo envolvimento da narrativa, ou pela força encantadora dos versos - sentimentos, conceitos, atitudes e comportamentos que lhe compete inculcar em sua clientela. E os livros para crianças não deixaram nunca de encontrar na escola seu lugar seguro, quer como material de literatura obrigatória quer como complemento de outras atividades pedagógicas, ou como prêmio aos melhores alunos.
Desta forma, se a escola mais antiga contava com as poesias de Bilac para estimular civismo, amor aos estudos e respeito aos mais velhos, o príncipe dos poetas e seus companheiros do oficio podiam contar com a escola para, adotando seus livros, garantir um nada desprezível mercado para obras infantis.
De Bilac para os nossos dias mudaram bastante os conteúdos educativos pelo qual a escola se responsabiliza. A modernização econômica refez, traduzindo em modos de produção sofisticados e em divulgação mais agressiva, a antiga econômica - ideológica sempre celebrada entre a sala de aula, de um lado, histórias e do outro, poesias infantis.
A divulgação dos atraentes e coloridos volumes é eficaz e diretamente dirigida para o professor: a adesão do mestre a um ou outro título essencial, dado que se traduz na adoção ocorra no varejo da leitura daquele livro pelos vinte, trinta, quarenta alunos daquele professor, quer ocorra no atado da inclusão do dito livro nos acervos com os quais órgão governamental cumpre sua função de prover bibliotecas escolares.
O aumento da população escolar favoreceu a profissionalização de escritor voltado para esse público, muito mais viável que a do escriba não voltado para a clientela escolar, onde se concentra a fatia maior de vendas do livro infantil e juvenil.
Existem hoje vários escritores que escrevem para crianças participando de campanhas e eventos comprometidos com a divulgação da leitura, comparecendo a congressos, simpósios, seminários e, principalmente, visitando repetidas vezes as escolas onde fazem à demonstração de seus livros, incentivando o seu consumo.
A produção literária brasileira contemporânea não infantil, os livros para crianças parecem conservadores, pagando com o que se poderia chamar de "compromisso pedagógicos", seu ingresso na unidade escolar.
O conteúdo das histórias e poesias de antigamente, protagonista, era o modelo que a escola se propunha formar. Hoje a realidade no Brasil não é diferente, buscam na literatura infantil atual, modelos que condiz com os valores e comportamentos liberais e tolerantes, incorporados pela escola atual.
Por volta dos anos cinqüenta / sessenta os textos literários eram utilizados como pretexto para exercícios gramaticais, com a modernização surgiu em seu lugar atividades mais condizentes com o processo de modernização em que varia a sociedade e a escola no Brasil.
Com esta modernização adere-se a chamada análise literária que implica em questionário a propósito de personagens principais e secundários, identificação de tempo e espaço da narrativa, estrutura do texto, que se refere a nossa gramática tradicional, que é aplicada até hoje nas escolas, com pequenas alterações.
Temos hoje varias sugestões de atividades para despertar no aluno o gosto pela leitura, como: transformação do texto narrativo em roteiro teatral e subseqüente encenação; a reprodução, em cartaz ou desenhos, do tema da história ou do personagem do livro; a criação a partir de sucata, de objeto ou colagens de alguma forma relacionadas com a história; as pesquisas que abordam algum tópico que o texto aborda; o prosseguimento da história, sua reescritura com alteração do ponto de vista (real ou simulado) com o autor ou personagens de livro; jogral ou coro falado quando se trata de poemas; entre outros.
Geralmente essas atividades são sugeridas em fichas literárias, encartes, suplementos e similares. Quando isso não acontece, são reivindicados pelos professores, que utilizam a mesma como para que seus alunos leiam. As fichas de leitura com sugestões de atividades tornaram um vício para as professores que já não conseguem mais trabalharem sem as mesmas, delegando a terceiro a elaboração de atividades de leitura que desenvolverão com seus alunos. Sabendo que os professores são vitimas de seu saber fragmentado, a precariedade das condições de seu exercício profissional, admitir tudo isso não torna menor gravidade do fato de que leitura sofre de uniformização.
As sugestões de atividades tornam um problema, uma vez que são elaboradas sem levar em conta as diferenças dos milhares de alunos que as mesmas alcançam, distribuídas e endereçadas sem denominação a professores despreparados. Em conseqüência deparamos com crianças mal alfabetizadas, professores que se diz orientares de leitura, deixando passar despercebido a sua pouca familiaridade com livros, não questionado sua leitura quantitativa e qualitativamente muito pobre, no uso geral de tais atividades dissimulam-se riscos sérios de alienação da leitura.
Aí sim, tais atividades são desaconselháveis e prejudiciais.
Para a indústria de livro o investimento em atividades de leitura desse tipo pode assegurar a lealdade do professor a seus produtos, uma vez que roteiros, atividades, fichas literárias e seus similares promovem obliquamente o produto livro, através de uma estratégia que capitaliza a insegurança e o despreparo do professor.
Da perspectiva estatal, a instauração de uma política de leitura escorada na difusão apressada e superficial - pela via de cursos, treinamentos e publicações - de atividades (improvisadas sempre no nível da precariedade das condições materiais da educação brasileira...); não só tira a responsabilidade do estado em oferecer um ensino de qualidade, como reforça o caráter reprodutor da escola, na medida em que tira do professor sua responsabilidade, em dialogar com seus alunos e com suas leitura, bem como o planejamento das atividades de leitura em que vai engajar-se com sua classe.
É nesse diálogo que as atividades de leitura adquirem sentido e podem tornar-se práticas significativas. O professor passará a ser o "senhor" de sua disciplina e de seu curso, selecionado aquelas que mais acredita deixando outras nas quais não aposta, reformula todas, denominando-as pelo que conhece de língua, linguagem e de literatura, pelo que entende por ensino, por leitura e escrita.
É necessário que se façam projetos com o objetivo de democratizar as práticas de leituras existentes nas escolas do nosso país. Que os professores lutem por uma formação competente, regular e supletiva, que os liberte da tutela de cursos passageiros e do paternalismo autoritário de receitas de leituras opostas a livros, que os autores se mobilizem no sentido de fazerem frente à escolarização de seus textos. E que todos discutamos o caráter histórico da organicidade institucional dos livros infantis, cumprindo assim, de uma forma mais crítica o papel que nos cabe, e que ninguém cumprirá por nós.


1.5 ? Leitura e formação de leitores


Como o professor pode desenvolver o hábito da leitura nos seus alunos:
A escolha de um bom livro para iniciar o processo de leitura é fundamental para cativar a turma.
Toda a proposta elaborada pelos PCN para o desenvolvimento da leitura nas quatro séries iniciais está apoiada na existência de uma biblioteca escolar.
A biblioteca deve estar permanentemente aberta aos alunos, ter regras de empréstimo, leitura bem liberais, ser agradável e atraente. É importante, também, que a biblioteca tenha livros e textos diversificados.
Mesmo que a escola tenha uma biblioteca, a classe também pode ter seu acervo. A biblioteca de classe não precisa ter um número muito grande de volumes. O que se espera é que ela tenha mais variedade do que quantidade. Assim, formar o seu cantinho de leitura que é tão importante e tão necessário nessas séries. E Segundo os PCNs,Língua Portuguesa :


"Formar leitores é algo que requer, portanto, condições favoráveis para a prática de leitura que não se restringem apenas aos recursos materiais disponíveis. A literatura pode ser uma atividade lúdica quando dirigida à ficção e à poesia." (PCNs. 1997, p.58 ? 59)



Isso significa que o processo de formação de leitores é uma ação que exige do educador preparo e estratégias inovadoras para mediar tal ação. Ou seja, oferecer ao aluno um programa dinâmico com diversas atividades, projetos e portadores de textos capaz de estimular o gosto pela leitura. Ressalta a importância de apresentar aos estudantes gêneros textuais voltados à ficção e poesia, pois estes abordam assuntos que despertam o interesse das crianças. Com isso, elas vão "mergulhando", aos poucos, no fantástico mundo da leitura.
Vídeos, slides, fotografias, transparências, gravadores, fitas e CDs também devem freqüentar a biblioteca. Eles cumprem um papel importantíssimo e combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação, porém o professor deve utilizar destes instrumentos de forma responsável e voltada para o ensino aprendizagem das crianças não apenas com motivadores de alguns assuntos abordados, mas como provocadores do senso crítico do educando.


1.5.1 - Incentivando a leitura diária


Esta leitura diária e em voz alta feita pelo professor pode ser também realizada nas 2ª, 3ª e 4ª séries, porém com outro objetivo; o aluno pode ler em silêncio, a leitura pode ser feita em voz alta, em grupo ou individualmente.
Não se formam bons leitores, se os alunos não têm contato íntimo com os textos. Há inúmeras maneiras de se fazer isso: O aluno pode ler em silêncio, a leitura pode ser feita em voz alta, em grupo ou individualmente, ou o professor pode ler um texto em voz alta todos os dias escolhendo diferentes tipos de textos, contos, poemas, notícia, receita, etc. Tais responsabilidades devem ser escolhidas de acordo com a atividade que esta sendo desenvolvida em classe.
Tomando o cuidado de trabalhar cada tipo de texto várias vezes, para que a turma se familiarize com ele, escolhendo vários gêneros para que o repertório se amplie. Lembrando que a escolha do texto deve ser coerente com o objetivo de trabalho estabelecido para cada dia.


1.5.2 - Usando textos diversificados


Em muitas escolas a Língua Portuguesa ainda é ensinada de uma maneira formal, chata, sem entusiasmo. Esse tipo de ensino não atende mais às necessidades da sociedade. Cada vez mais o aluno terá de compreender e escrever textos mais diferenciados, claros e criativos. Não é preciso quebrar a cabeça para conseguir textos diversificados a serem usados em classe. Eles estão por toda parte: jornais, folhetos de propaganda, receitas, cartas e revistas. Até algumas embalagens de produtos alimentícios costumam trazer pequenos textos repletos de informações. O importante é que o material escrito apresentado aos alunos seja interessante e desperte a curiosidade das crianças. Textos literários e poesias também devem ser usados.
Esse é o principal canal de acesso ao mundo da leitura e escrita, essencial para os filhos de pais analfabetos ou que têm pouco contato em casa com livros, revistas e outros matérias. Na atividade a criança se familiariza com a linguagem dos livros (onde há histórias que divertem), dos jornais (que trazem noticias) dos manuais (que ensinam a usar um aparelho), e outros. Assim, ela aprende que cada um é produzido e apresentado de uma forma diferente e, comece a perceber a diferença entre a língua falada e a escrita.


1.6 ? O leitor e a linguagem escrita


A linguagem escrita, como qualquer outra linguagem, faz parte do cotidiano das pessoas. Vivem-se cercado de textos, que servem para convencer, informar, comunicar, expressar, entre coisas, idéias e sentimentos. Mesmo aqueles que não sabem ler e escrever convive com uma série de textos impressos em diferentes objetos e lugares, participam de inúmeras situações na qual a leitura e a escrita estão presentes.
O contato com o mundo letrado faz com que percebam, não só as situações de uso e as funções dos textos, como também as suas características lingüísticas e visuais (tipos de letras, organização espacial, presença de imagens, números).
Quando o aluno chega à escola já faz uso de muitas linguagens e também já constrói uma série de conhecimento e hipóteses sobre a língua escrita. Sabe, por exemplo, que numa embalagem deve estar escrito pelo menos o nome do produto. Quando vê a professora com um livro de histórias infantis na mão, já imagina que vai ouvir uma das histórias. A participação em práticas de leitura e escrita, no cotidiano, vai possibilitando e ampliando os seus conhecimentos sobre a língua. Porém estas práticas são socialmente determinadas. Um mesmo texto, além de poder ser lido de muitas maneiras pelo mesmo sujeito, cada um lê da sua forma e do lugar que ocupa socialmente.
Para um indivíduo circular com autonomia no mundo letrado, supõe, ou é necessária a leitura e a escrita de muitos tipos de textos, não basta apenas saber ler e escrever um bilhete simples, uma lista de preços ou mesmo nome de um determinado produto. É preciso que, pela leitura, o sujeito tenha acesso a diferentes tipos de informações, para ampliar seus conhecimentos e poder aproveitar o lado criativo, expressivo e belo da literatura.
Por isso, o professor deve oferecer aos alunos, textos variados com diferentes construções discursivas, dando oportunidade comunicativa reconhecendo as diferentes leituras, utilizando a linguagem escrita como mais um espaço de interlocução e mais uma ferramenta do pensamento, usufruindo todas as possibilidades e ações que este oferece.
Enfim, criando ofertas múltiplas e instigantes, proporcionando, desse modo, uma imersão no mundo da leitura e oferecendo condições para que ela se torne efetivamente uma prática interdisciplinar e intertextual, amenizaria a deficiência o ensino de leitura e escrita.
Especialistas americanos e franceses já estão desenvolvendo programas para reforçar o ensino básico em seus países, exatamente no que diz respeito à aprendizagem da leitura e da escrita.
Certas reformas são necessárias no Brasil.
Não adianta querer que uma criança assimile o anacrônico ensino ministrado ainda hoje no Brasil se ela não domina os códigos de acesso aos conteúdos deste ensino.
Entretanto, ainda não há professores suficientes preparados para qualquer reforma. (Das três mil coleções de livros da Ciranda do Livro enviados para todas as bibliotecas escolares do país, há alguns anos, somente 3% tiveram aproveitamento adequado, mesmo com o "famoso" manual de instruções).
Muitos educadores não conseguiram superar a prática formalista e mecânica de ensinar a ler e escrever. Para muitos educando aprender a ler se resume à "descoberta" de signos lingüísticos, prevalecendo assim, a "pedagogia do sacrifício", do aprender por aprender, sem colocar o porquê, o como e o para quê, impossibilitando compreender verdadeiramente a função da escrita e da leitura, não seu papel na vida do individuo e da sociedade.
Ninguém gosta de fazer aquilo que é difícil demais, nem aquilo no qual não consegue extrair o sentido. Essa é uma boa caracterização da tarefa de ler em sala de aula: para uma grande maioria dos alunos ela é difícil demais, justamente porque não faz sentido. Lembrando que, para a maioria, a leitura não é aquela atividade no aconchego do lar, no canto preferido, que nos permite isolarmos, sonhar, esquecer, entrar em outros mundos, e que tem suas primeiras associações nas histórias que nossa mãe nos "contava" antes de dormir. Pelo contrário, para a maioria, as primeiras lembranças dessa atividade são as cópias maçantes e outras atividades que não tem sentido algum para o aluno, tais dificuldades imaginadas e reais substituem o aconchego e o amor para essas crianças, entravando assim o caminho até o prazer.
As práticas desmotivadoras, provêm, basicamente, de concepções erradas sobre a natureza do texto e da leitura e, portanto, da linguagem. Elas são práticas sustentadas por um entendimento limitado e incoerente do que seja ensinar a ler e escrever, entendimento este tradicionalmente legitimado tanto dentro como fora da escola. Entretanto, compete à escola a tarefa formal de uma forma geral e esta ação escolar nem sempre se realiza de forma satisfatória.
Frank Smith, estudando a leitura mostra que gradativamente os pesquisadores da linguagem passam a considerá-la como um processo, no qual o leitor participa com uma aptidão que não depende basicamente de sua capacidade de decifrar sinais, mas de sim dar sentido a eles, de compreendê-los. Mesmo em se tratando de escrita, o procedimento está mais ligado à experiência pessoal, a vivência de cada um, do que ao conhecimento sistemático da língua. Por isso, nenhuma metodologia de ensino, avançada ou não leva por si só à existência de leitores efetivos. A maioria das pessoas se limita à leitura com fins eminentemente pragmáticos, mesmo suspeitando que ler significa inteirar-se do mundo, sendo também uma forma de conquistar autonomia, de deixar de "ler pelos olhos de outrem".
Para abrir perspectivas que minimizem esses problemas, muitos educadores apregoam a necessidade da constituição do hábito de ler, desenvolvendo atividades em sala de aula que mostrem que a leitura e a escrita têm muitos significados e funções, que elas possibilitam novas descobertas, ampliam a arte de pensar, de conhecer e de registrar o mundo. No dia-a-dia de sala de aula, o professor poderá ir mostrando que ler é uma das chaves para se entrar em outros mundos: reais ou imaginários, possíveis e impossíveis. A leitura seria a ponte para o processo educacional eficiente proporcionado a formação integral do indivíduo.
Para João Wanderley Geraldi, a produção de textos (orais e escritos) é tida como ponto de partida (e ponto de chegada) de todo o processo de ensino / aprendizagem da língua. Principalmente porque é no texto que a língua se mostra em sua totalidade quer no conjunto de formas e de seu reaparecimento, que enquanto discurso que remte a uma relação intersubjetiva, formada no próprio processo de enunciação marcada pela temporalidade e suas dimensões.
Uma discussão relativa ao sujeito e seu trabalho de produção de discursos, concretizados nos textos: Pode aparecer ingênua para aqueles que não acreditam no sujeito como fonte de seus discursos e de seus sentidos, acreditando que nada de novo se diria e apenas se repetiria o já dito.
O que aposta não quer dizer que o sujeito, para se construir como tal, deva criar o novo. A novidade é precisamente o fato de o sujeito compreenda-se com sua palavra e sua articulação individual com a formação discursiva de que faz parte. Os relatos de uso da linguagem podem-se definir um Projeto de produção de textos com destinação a interlocutores reais ou possíveis. Um exemplo de projeto a ser desenvolvido na escola seria o de recuperação da história da família do próprio aluno; recuperá-la para o "auto" seria a definição da própria família como destinatária dos textos que se produzem no projeto, além de confecção de livros de histórias, organização de jornais murais ou jornais escolares, a organização de "conferências", e exposições e debates de temas. O importante aqui é não reduzir estas propostas a meros "instrumentos didáticos", mas construí-las em conjunto como projetos de trabalho em grupo.
Um projeto como o exemplificado acima se sustenta quando os envolvidos encontram motivação interna ao próprio trabalho a ser realizado. Do contrario, não seria trabalho, mas apenas tarefa a cumprir. As histórias das famílias são diferentes (ainda que parecidas), a "narração" dessas histórias, do interior deles próprios, favorece motivos, para trazê-las para o grupo de colegas que, compartilhando de descobertas, diferenças e semelhanças. Já o trabalho em forma de "livrinhos manuscritos", é um trabalho diferente das relações que se fazem para a escola, seria texto produzido na escola levado pela vontade de resgate um passado que atinge a cada um dos alunos em particular. O registro escrito desta história recupera uma das funções da escrita.
Sabe-se que a posse do uso da escrita ainda são privilégios das classes de melhor poder aquisitivo, o que acaba por determinar a utilização da sua norma lingüística, por ser a mais prestigiada socialmente.
Os relatos orais em sala de aula, proporcionam oportunidades para discussões sobre estas diferenças, como uma questão que se colocam para o trabalho que se quer realizar em face do projeto em que se estão envolvidos, professores e alunos.
Através da linguagem expressamos nossa vida. Ela molda além da visão do homem o seu pensamento, passando assim a concepção que o homem tem de si mesmo e do seu mundo.
A relação autor - texto - leitor, entende o diálogo com o seu autor, exige ouvir a sua palavra o seu mundo, a compreensão dos significados neles contidos.
A leitura se toma legítima quando, para produzir texto eu busco a leitura.
Para Geraldi, quando vou ao texto em busca de dúvidas, informações que venham satisfazê-las, quando se pergunta, ao texto, é o que pode se chamar de leitura busca de informações.
"Posso ir ao texto para escutá-lo". O estudo de textos exige como condição própria esse saber "ouvir" a palavra do autor e de seu mundo, uma vez que se trata do não ler simplesmente, mas, ler e entender as entrelinhas e até mesmo ir além delas, reproduzindo o seu próprio texto. É o que o autor chama de leitura estudo ? de ? texto.
"Posso ir ao texto, lhe perguntar ou para escutá-lo, e até mesmo para usá-lo na produção de outras obras, inclusive outros textos". Seria a leitura-pretexto.
"Posso ir ao texto sem perguntas preciosamente formuladas, é o que o autor", chama de leitura-fruição, seria a leitura por prazer sem obrigatoriedade.
Os quatro "tipos" de relações citadas pelo autor, são alguns exemplos de alternativas de entrada de textos em sala de aula.
Este conjunto de perguntas, acrescentadas a outras levam á construção de um diálogo que se pode dar a partir da curiosidade das questões formuladas, produz um texto co-enunciado. "Pediu-se ao aluno para contar o seu dia, para dar-lhe uma nota ou para saber como foi este dia"?
Pergunta-se, de que forma todas estas indagações têm a ver com a leitura? As respostas que surgem de perguntas como as formuladas mostram que, sobre muitos assuntos, o que sabemos é muito pouco. Este pouco, toma um querer mais saber mais e querer saber mais leva a busca de respostas dadas por outros, em texto que vamos buscar e que vamos ler.
Quando se aprende a língua, aprendem-se ao mesmo tempo outras coisas através dela, é um processo social. Vimos que é no sistema de referência que as expressões se tomam significativas e não podemos desconhecê-las no ensino. Portanto se o texto escrito pelo aluno era para ser lido, e sendo a leitura mais do que uma simples "informação" que se tira do texto, envolvendo efetivamente o leitor, como o professor, leitor de textos de seus alunos, possa desconsiderar tantas perguntas que as informações dadas pelo texto fazem aparecer. Nota-se que as perguntas elaboradas com base no que o aluno disse não têm resposta previamente conhecida pelo professor. Mesmo não sendo perguntas didáticas, são perguntas significativas favorecendo o diálogo na sala de aula, uma troca e a construção do texto oral. Os alunos darão respostas que satisfarão a si mesmos, e não respostas previamente para o professor confrontar. O professor participará nesse diálogo como um orientador e ampliador do conhecimento.
Compreender a leitura é compreender o que é ensiná-la, falar sobre ela, ser um leitor que entrega a felicidade de ler são desafios do professor nos tempos atuais.
É necessário que se volte para as discussões e para os trabalhos de pesquisadores, para que se possam avaliar esses avanços permitindo aos que lidam com o ensino retornar no dia-a-dia da sala de aula, o que já se tornou prática interdisciplinar.
Reportando-nos aos vínculos cognitivos e relacionando-os ao metodológico, gostaria de destacar o papel da diversidade textual nesse processo. Ao tomar como planejamento, para as suas aulas, diferentes textos, como por exemplo, quando assume a concepção do literário numa perspectiva mais ampla, é possível ao professor trabalhar desde Cartum, charges, desenhos, textos publicitários a textos de gêneros literários mais convencionalmente conhecidos. Essa diversidade deverá ser encarada a partir de um trabalho que permita ao aluno, além da compreensão, a transformação. De um conto para um poema, de um anúncio para um conto, de uma charge para uma narrativa, etc. Nesse sentido, é importante para o aluno pode perceber a flexibilidade da linguagem, e que o texto não é uma estrutura fechada.
Para formação de leitores é necessário que a escola ofereça aos alunos um espaço rico, utilizando uma tipografia variada de textos que circulem em nossa esfera social, formando um novo público leitor capaz de interferir no que está aí, e até mesmo mudar.


1.7 ? Avaliação da leitura


Com o passar do tempo, conclui-se que provas e exames verificam o nível de desempenho do educando em determinado conteúdo e classificam-se em termos de aprovação / reprovação. Separando os eleitos e excluindo uma parte dos alunos, tomando uma prática ameaçadora, autoritária e seletiva.
Sendo assim, torna-se necessário repensá-la, uma vez que se tem uma nova visão dos objetivos a alcançar na formação do aluno na escola fundamental. É indispensável rever as formas de avaliação das leituras, tornando-as menos estritas, racionais e com parâmetros mais amplos. Como expões as DCNEF, a redução da avaliação à "dimensão de uma razão objetiva" desvalorizou "outros tipos de experiências ou mesmo expressões de outras sensibilidades".
Valorizar a reflexão e a interação no diálogo sobre o livro lido torna a avaliação mais flexível. No decorrer da conversa, o professor pode observar a participação do aluno e particularmente seu crescimento em termos intelectuais e afetivos, o aprofundamento de sua visão de mundo e do conhecimento em termos intelectuais e afetivos, o aprofundamento de sua visão de mundo e do conhecimento dos termos abordados, a ampliação de seu horizonte de expectativa quanto a leitura em geral e, no que toca mais de perto o texto literário, assimilação dos elementos específicos da linguagem literária. Não pode ser pontual, deve se contínua. O ponto final deve se apoiar no progresso do aluno e jamais na somatória de seu desempenho em atividades pontuais. Por isso o professor precisa adotar a Pedagogia e projetos, estabelecendo metas e critério de avaliação realista em relação ao nível, idade, desenvolvimento intelectual, experiência de vida dos alunos.


"A avaliação deve ser comprometida como conjunto de ações organizadas com finalidades de informações sobre o que o aluno aprendeu, de qual forma e em quais condições, para tanto, é preciso elaborar um conjunto de procedimentos investigativos que possibilitem o ajuste e a orientação da intervenção pedagógica. Para tornar tanto o ensino e a aprendizagem de melhor qualidade." (Lukeisi, 1998-93)



Portanto, a avaliação é um ato crítico que nos subsidia na verificação de como estamos construindo nosso projeto, não representa um fim em si mesmo, está a serviço e uma tomada de decisão.
A avaliação deve ser um ato acolhedor, integrativo, inclusivo. Tem por base acolher uma situação, para então ajuizar a sua qualidade, tendo em vista dar-lhe suporte de mudança se necessário.

CAPÍTULO II


2 ? A LITERATURA INFANTIL NA ESCOLA COMO FORMA DE ESTÍMULO À LEITURA


A literatura é como uma manifestação de sentimentos e palavras, que conduz a criança ao desenvolvimento do seu intelecto, da personalidade, satisfazendo suas necessidades e aumentando sua capacidade crítica. Esta literatura, como já foi expresso de estimular e/ou suscitar o imaginário de responder as dúvidas em relação a tantas perguntas, de encontrar novas idéias para solucionar questões e instigar a curiosidade do leitor. Nesse processo, ouvir histórias tem uma importância que vai além do prazer. É através de um conto e / ou de uma história, que a criança pode conhecer coisas novas, para que efetivamente sejam iniciados a construção da linguagem, da oralidade, idéias, e sentimentos, os quais ajudarão na sua formação pessoal.
Considerando que o gosto pela leitura se constrói através de um longo processo e que é fundamental para o desenvolvimento de potencialidades, há a necessidade de se propor atividades diversas e diferenciadas para a formação do leitor crítico. De acordo com Zilberman, "... o uso do livro na escola nasce, pois, de um lado, da relação que se estabelece com seu leitor convertendo-o num ser critico perante sua circunstância..." (2003, p.30).
Muitos estudos e pesquisas têm evidenciado a importância das atividades literárias diferenciadas no contexto educacional para o bom desempenho da criança. A utilização da literatura como recurso pedagógico pode ser enriquecida e potencializada pela qualidade das intervenções do educador
Assim, o educador preocupado com a formação do gosto pela leitura deve reservar espaço em que proponha atividades novas sem o compromisso de impor leituras e avaliar o educando. Trata-se de operacionalizar espaços na escola e na sala de aula onde a leitura por fruição-prazer possa ser vivenciada pelas crianças e jovens.
As várias atividades podem ajudar no contexto educacional se bem utilizadas a partir de um conto: o pintar, o desenhar no contexto da história, discutir sobre as partes da história que as crianças mais gostaram; trocar experiências a partir da história contada; adivinhar o que vai acontecer e / ou imaginar finais e situações diferentes; fazer origami; colar; usar massa de modelar; usar bexiga; barbante; construir objetos com sucata; elaborar textos; encenar uma peça teatral; utilizar papéis diversos; confeccionar novos materiais; trabalhar em grupo; etc. Podem contribuir para a formação de um ser criativo, crítico, imaginativo, companheiro e provavelmente leitor.
Nesse contexto, o professor deve proporcionar várias atividades inovadoras, procurando conhecer os gostos de seus alunos e a partir daí escolher um livro ou uma história que vá ao encontro das necessidades da criança, adaptando o seu vocabulário, despertando esse educando para o gosto, deixando-se expressar.
Acredita-se assim que a proposta de atividades variadas é de grande valor para o processo de construção da autonomia e desenvolvimento da criança em formação.
Para Luiz Antonio Aguiar; O desafio posto é o seguinte: precisamos seduzir a criança e o adolescente para a leitura, por isso devemos rejeitar todos ou quaisquer artifícios que tornem a leitura uma obrigação.
A leitura não pode ser simplesmente parte integrante do currículo, nem pode ser considerado um mero instrumento paradidático do ensino da gramática, nem muito menos de um programa de valores e modelos afins, pelo contrário a leitura é um ato de troca entre o leitor e o livro.
Ler implica estabelecer um diálogo com o texto num processo de atribuição de significados. Portanto, a presença da literatura infantil nas salas de aulas merece uma atenção especial, uma vez que pode representar um caminho privilegiado para a criança estabelecer relações mais sistemáticas com o mundo da escrita. Isto porque as histórias infantis geralmente trabalham com conteúdos do interesse das crianças e têm caráter lúdico e não diretivo que pode ser extremamente prazeroso.
Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...
O hábito de ler poemas e contar histórias às crianças é uma prática que foi descartada do cotidiano da família atual. Por vários fatos podem ter acarretado o seu abandono. E a ausência dessa prática no convívio entre adultos e crianças implica, seguidamente, a não formação do gosto pela leitura, pois, conforme Cecília Meireles "o gosto de ouvir história é como o gosto de ler". De maneira que um ato estimula o outro, de modo geral, as crianças de hoje vêm-se mostrando indiferentes em relação ao livro e realizam apenas as leituras compulsórias, exigidas por algum professor.
Referindo-se ao escritor e professor francês, Daniel Pennac. "(...) Ao escolhermos o livro de literatura como representação de interferência, entende-se que a leitura literária contribui fortemente para a formação integral da pessoa". Estabelecendo o livro, a leitura, a escrita e a ilustração como pontos de contato entre crianças, queremos dizer que formar ou não leitores é responsabilidade de todos os adultos leitores, onde quer que eles estejam ou que função trabalha, numa demonstração, prática e não só teórica, sobre o que é partilhar bens culturais.
O leitor em potencial é único e, por isso, só pode ser formado um a um. Não se formam leitores em série. Só um leitor forma um leitor. Ler no livro o texto literário para criança, partilhando a emoção de cada palavra, através da voz do movimento, desperta o interesse pela leitura e demonstra afeto e atenção, explicitando a forte relação entre literatura e emoção, entre um leitor e outro leitor.
Segundo Pennac, não é bom que o professor formule perguntas sobre um texto literário, mas que dê oportunidade ao aluno de perguntar, falar, conversar o que quiser, pois a literatura é provocadora do pensamento. O professor deve controlar-se, reprimir sua ansiedade e acreditar no potencial da criança e da literatura, dando "ouvidos" ao pequeno leitor.
Partindo para o pressuposto de que a leitura é um processo de percepção da realidade envolvendo, entre outros fatores, a visão de mundo do leitor, percebendo assim a importância da literatura tanto para a conquista da leitura, quanto para o desenvolvimento do leitor em potencial.


2.1 ? O lugar da literatura na escola


"... É na escola que identificamos e formamos leitores..." Bamberger (1988).
Quando se fala em criança, pode-se perceber que a literatura é indispensável na escola como meio necessário para que a mesma compreenda o que aconteça ao seu redor e para que seja capaz de interpretar diversas situações e escolher os cantinhos com os quais se identifica.
Entende-se que a leitura é um dos caminhos de inserção no mundo e da satisfação de necessidades do ser humano. No entanto, muitos professores desconhecem a importância da leitura e da literatura mais especificamente por ignorar seu valor e/ou por falta de informação.
A prática educativa com a literatura nas séries iniciais do ensino fundamental quase sempre se resume em textos repetitivos, seguidos por cópias e exercícios dirigidos e mecânicos, onde o espaço para reflexão e compreensão sobre si e sobre o mundo raramente encontra lugar.
Não podemos nos referir a leitura como um ato mecânico sem a preocupação de buscar significados. Desse modo, é necessário que dentro do ambiente escolar o professor lance mediação entre o livro e o aluno, para que assim sejam criadas situações onde o aluno seja capaz de realizar sua própria leitura, concordando ou discordando e ainda fazendo uma leitura crítica do que lhe foi apresentado.
Daí a importância em se propiciar a leitura de modo ao aluno criar e recriar o universo de possibilidades que o texto literário oferece viajando no mundo da fantasia e do faz de contas enriquecendo assim o seu conhecimento.
Pode-se dizer que a escola tem a oportunidade de estimular o gosto pela leitura se consegue promover de maneira lúdica o encontro da criança com o livro. A esse respeito Zilberman descreve que:


"... a sala de aula é um espaço privilegiado para o desenvolvimento do gosto pela leitura, assim como um campo importante para o intercambio da cultura literária, não podendo ser ignorada muito menos desmentida sua utilidade.
Por isso, o educador deve adotar uma postura criativa que estimule o desenvolvimento integral da criança. A literatura tem sua importância no âmbito escolar devido ao funcionamento de condições que propicie à criança em formação. Essa literatura é um fenômeno de criatividade, aprendizagem e prazer, que apresenta o mundo e a vida através das palavras. Sabe-se que a literatura é um instrumento de contínuo prazer, que ajuda na formação de um ser pensante, atuante, sensível e crítico que, ao entrar nesse processo prazeroso, se delicia com histórias e textos diversos, contribuindo assim para a construção do conhecimento e suscitando o imaginário. Hoje se percebe também que quando bem utilizado no ambiente escolar o livro de literatura pode contribuir ainda para o desenvolvimento pessoal, intelectual, conduzindo a criança ao mundo da escrita. Dessa forma, a literatura infantil tem sua importância na escola e torna-se indispensável por conter ---- os aspectos aqui levantados, sendo de grande valor por proporcionar o desenvolvimento e a aprendizagem da criança em sua amplitude". (2003, p.16)


2.2 - É importante o ato de ouvir e contar histórias


Ah! Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias.... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo. O primeiro contato da criança com o texto é feito oralmente, através da voz da mãe, do pai ou dos avós, contando contos de fada, trechos da bíblia, histórias inventadas (tendo a criança ou os pais como personagens), livros atuais e curtinhos, poemas sonoros e outros mais... Contados durante o dia - numa tarde de chuva, ou estando soltos na grama, num feriado ou domingo ? ou num momento de aconchego, à noite, antes de dormir, a criança se preparando para um sonho rico e embalado por uma voz amada.
Ler histórias para crianças, sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, com a idéia de conto ou com o jeito, de humor, de brincadeira, de divertimento. Para Tamara C. André o ato de:


"... Ler história para os alunos, dramatizando e mostrando as ilustrações, propor atividades artísticas, debates e releituras de textos literários são importantes por vários motivos: constituem um modo de ler alternativo à decodificação; possibilitam o contato prazeroso com o livro e o desenvolvimento do gosto pela leitura; exercitam a criticidade e a criatividade e ampliam a visão de mundo, favorecendo o estabelecimento de ricas relações interpessoais." (TAMARA -2004. p. 02)



Por isso, cabe aos educadores das séries iniciais desenvolverem um trabalho de qualidade com diversas atividades significativas. Entre essas atividades está o desenvolvimento do gosto pelo ato de ler, pois o que se aprende na infância será aprimorado cada vez mais durante a vida. O educando precisa ser conscientizado nas primeiras séries que a leitura é o caminho, ou seja, o ponto central para obter sucesso em toda sua vida acadêmica e conseqüentemente tornar-se um cidadão ativo, crítico e participativo na sociedade.
Vive-se um momento onde a informação se dá por diferentes meios. Com isso há maior facilidade de se buscar qualquer estilo de leitura. O leitor pode escolher dentre os melhores escritores do presente ou do passado. Pode ler o que quiser, onde e da maneira que melhor lhe agrade. E toda essa flexibilidade oportuniza ao indivíduo desenvolver o interesse pela leitura, seja ela relacionada à educação ou entretenimento.
E, são por esses motivos que os educadores precisam mudar suas práticas de leitura, se preocupando em oferecer aos seus educando um ensino onde o aprendizado não seja apenas um repasse de informações, mas sim um aprendizado onde cada ser esteja contribuindo diariamente para seu conhecimento e que, este seja um aprendizado para a vida.


2.3 Algumas sugestões de como trabalhar o ato de contar histórias


É importante, na escola, criar um "Cantinho de leitura" na sala de aula.
Este caminho funciona como uma mini biblioteca dentro da sala de aula, para criá-lo, tomamos como referência as seguintes indicações:
As crianças devem participar do processo de decisão da criação do cantinho de leitura, sua opinião deverá ser levada em conta na hora de decidir, "onde e como instalá-lo na sala. Pode-se decidir, durante o ano, mudá-lo para outro local ou modificar sua organização".
Para isolar o canto de leitura do resto da sala, aproveitar ao máximo os recursos proporcionados pelo material escolar: o painel traseiro do armário pode servir de mostrador; ao invés de ver apenas a borda do livro, as crianças descobrem de uma só vez a capa e sua ilustração, as cores, o título em letras grandes, o que é mais atraente, mais tentador para elas.
Os livros do expositor são trocados a cada semana. Esse movimento deve ser respeitado, como se fosse um ritual.
Os outros livros são guardados em caixas, em prateleiras simples tijolos e tábuas ou nos armários (sem portas).
Construa com seus alunos as regras para utilizarem os livros do cantinho da leitura das crianças, fichas dos livros, livro de empréstimo, carteirinhas, data para empréstimos e devolução, etc. A separação a catalogação dos livros pode ser feita por livros autor, conforme o gosto da turma, como também as regras para uso dos livros.
Cada turma monta o seu projeto de Biblioteca no início do ano, que é o momento em que chegam à sala os livros de literatura. Tendo como primeiro problema a ser resolvido, a organização física dos mesmos. Esta organização geralmente é feita da mesma forma como acontece em qualquer biblioteca.
Como o principal objetivo deste trabalho é despertar a curiosidade pela leitura, o gosto e o prazer, as crianças têm seu espaço garantido na escola para o que querem ler, quando e onde fizerem à leitura. Sem restrições, elas podem escolher qualquer livro de literatura presente na biblioteca, para empréstimo, apenas com a condição de devolvê-lo na data marcada na ficha, e intacto.
Para que a escolha não seja feita no escuro, uma vez por semana a professora abre uma espécie de seminário, onde quem desejar poderá comentar sobre o livro que leu, passando impressões sobre o mesmo para outros colegas.
Este trabalho pode dar excelentes resultados. Primeiro, porque aproxima as crianças dos livros, uma vez que buscamos a biblioteca para dentro da sala de aula, e também, porque damos a elas liberdade de escolha, com a certeza que estarão sendo avaliados pela quantidade de livros que pegam emprestados ou por fichas de leitura. Não foram poucas às vezes em que crianças de 5 ou 6 anos produzindo seus próprios livrinhos em casa e trazendo para a sala, com o intuito de contar para os colegas. O numero empréstimos semanais sempre ultrapassam a expectativa do professor e a troca de informações entre os leitores é magnífica.
É importante que o professor seja leitor das histórias com que trabalha e conte muitas historias aos seus alunos, pois contar história é:
Uma forma de valorização do prazer da leitura e da vontade de ler.
Um meio de propiciar a organização de seqüências temporais, ajudando na percepção das alterações do fio do tempo.
Um momento lúdico onde se pode mover com as emoções, provocar imagens, suscitar reflexões e promover o trânsito permanente entre o imaginário e o real, a ficção e a historia.
O estabelecimento de uma relação amorosa com a leitura, mobilizando as pessoas em sua totalidade.
Sem doutrinas e dogmatismo uma forma de através da emoção/ comoção instigar à reflexão, reanimar as idéia e desejos.
Colocar o leitor em posição de fazer interagir aquilo que ele lê com aquilo que ele vive.
Seduzir e despertar leitores.

Alguns recursos utilizados:

O corpo: A voz é elemento fundamental na narração é preciso cuidar da dicção que deve ser impecável com um falar não muito lento nem muito rápido com uma tonalidade onde o último da fila tem que ouvir as pausas são necessárias, mas não podem ser muito longas e lembrar sempre que o uso de inflexões, mudanças, entonações, jogo de voz enriquecem a narração.
Quanto ao olhar é necessário olhar no rosto das pessoas, evitar ficar flutuando os olhos nem olhar só para um. Já os gestos devem-se evitar colocar as mãos nos bolsos, atrás das costas ou cruzadas no peito, a menos que seja útil à história; evitar também gestos e posturas inúteis para os contos, ou seja, em excesso.
Na expressão corporal ficar atento para acentuar as trocas de personagens usando o rosto e atitudes diversas.
Naturalidade é importante demonstrar naturalidade ao contar uma história ou conto, procurando conhecer antes o assunto para que assim possa sentir seguro durante a narração oral e até mesmo utilizar de improvisação quando necessário.
Imagem (visualização) o contador tem que visualizar as imagens do que está narrando a fim de passar ao público a sensação de testemunha dos fatos, do lugar, dos acontecimentos.


2.4 ? Literatura como incentivo à leitura


1 ? Como Escolher Livros Para Crianças:
Deve-se primeiro observar a faixa etária que a criança se encontra, depois escolher temas que elas demonstram mais interresses em ouvir, preocupando de não mostrar apenas livros pequenos com histórias curtas, mas aqueles que possam contribuir para despertar o imaginário e o prazer em ouvir as histórias.
Como escreveu o poeta brasileiro Carlos Drumonnd de Andrade: "A leitura é fonte inesgotável de prazer". Ensina as crianças a pensar por si, ajudando-as a explorar os reinos do conhecimento por caminhos próprios.
Às vezes as crianças alegam que não precisam porque assistem a TV. Mas quem não lê tem a capacidade de atenção limitada e dificuldade em ordenar um tema. Muitas vezes a televisão expõe as crianças a uma visão distorcida e superficial do mundo, não deixando espaço para uma imaginação ou criatividade.
2 ? Para as que ainda não sabem ler
Nunca é cedo para as crianças aprenderem que os livros são parte importante e agradável da vida. As cadências dos versos infantis são confortantes e a repetição desenvolve a memória.
Embora nunca se deva empurrar a criança para algo difícil demais, é um erro subestimar sua inteligência. Pode dar as crianças pequenas, livros de pano e ensinar-lhe como virar as páginas. Livros de papelão, de plástico, com furos para dedinhos, de abas e de páginas que se armam, todos preparam o caminho para a leitura. Procure ilustrações nítidas e bem definidas de cenas conhecidas, aconchegantes e em cores vivas.
A partir de 2 anos, a criança pode ser estimulada a visitar uma biblioteca e aprender a escolher livros. As bibliotecas na maioria das grandes cidades têm salas especiais para leitores e pré-leitores. Algumas têm projetos, cujo objetivo é estimular o prazer da leitura. As crianças se reúnem para ler e ouvir histórias, e manusear os livros. Conversam sobre o que leram, fazendo brincadeiras e ouvindo música. É um modo de integrar as crianças com a biblioteca. Além disso, elas encontram variedades de livros podendo optar por um ou outro.
3 ? Aprendendo a ler
Para crianças dos 4 a 7 anos que estão começando a ler, as letras devem ser grandes, com poucas palavras em cada página.
Os grandes ilustradores de livros infantis ? Ziraldo, Roger Mello, Gerson Conforti, Ângela Lago e outros ? ajudam as jovens imaginações a alçar vôo, ilustrações com muitos detalhes, como nas aventuras de elefante Babar, ou livros realistas, como os de Gerson Conforti, levam as crianças a observar, identificar e dar nome aos objetos.
Aprender a ler deveria ser um processo com muitos elogios e encorajamento.
4 ? Para quem já sabe ler
Até os leitores seguros de si, gostam que se leia para eles. Ao ler em voz alta, lembre-se de que a palavra difícil, encontrada vez por outra, pode ser divertida, além de instrutiva. Livros escritos por Érico Veríssimo, Cecília Meireles ou Monteiro Lobato contém muitas palavras "difíceis", mas a criança que encontra uma história de Narizinho e lê, por exemplo, "Apesar do acontecido, Narizinho não pode reprimir uma gargalhada" estará mais apta a enfrentar um livro desafiador do que a que está acostumada a um vocabulário limitado.
Quando tiver dúvida sobre qual livro oferecer à criança, leia-o você mesmo. Os melhores livros infantis nunca são maçantes ou condescendentes ? e constituem excelente leitura para adultos.
Algumas crianças de 9 anos já têm condições de ler com facilidade os clássicos como Memórias de um cabo de vassoura, de Orígenes Lessa, Volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, etc. Para esses leitores, é uma dádiva serem, animados a participar dos programas de intercâmbio adotados por muitas escolas, em que os alunos trocam livros e toda semana levam para casa um novo título. Também é bom ter muitos livros em casa.
5 ? Leitores relutantes
Se a criança não se entusiasma muito pela leitura, procure livros com frases curtas, tempos de verbos simples e linguagem fácil de entender, que falam sobre seres humanos em vez de abstrações.
Perguntas e testes que fazem a criança pensar, também são muitos indicados. Bem como poemas e contos ? menos intimidam do que histórias longas. As crianças gostam de ler sobre uma faixa etária um pouco mais velha do que a sua; não as insulte dando-lhes material de leitura "infantil".
Uma criança que rejeita uma história piegas não poderá sossegar enquanto não terminar de ler o manual de sua bicicleta nova. As crianças lêem o que as atrai.
6 ? Na pré-adolescência
Um garoto de 12 anos, pode não gostar de ler "Os contos de Machado de Assis" ? por achar difícil demais. Por outro lado, pode haver crianças com a mesma idade que goste desses mesmos contos, por causa da linguagem diferente e por contarem casos de outra época.
A menina de 10 ou 11 anos está preparada para uma história de afeto, bondade e lealdade. Adoráveis mulheres, de Louisa May Alcott, vem sendo aparecido há várias gerações.
Quando as crianças começam a escolher livros por vontade própria, está iniciando o processo da auto-educação. O "rato de biblioteca" aprende mais que qualquer escola poderia ensinar, e o manancial de conhecimento e sabedoria que conquista lhe servirá por toda a vida.



























CAPÍTULO III


3 - COMO O PROFESSOR DEVE AGIR PARA FORMAR HÁBITOS DE LEITURA NOS EDUCANDOS


3.1 ? Dificuldades na leitura


A criança pode ter problemas fisiológicos que podem trazer dificuldades de leitura, é o coso dos defeitos de visão. Crianças com defeitos de visão sofrem um grande desconforto ao tentar ler, isso faz com que, a longo prazo, se desenvolva o desinteresse pela leitura. Um dos requisitos para sanar as dificuldades de leitura, é promover, logo no início do ano letivo, um exame de vista corrigindo os possíveis defeitos de visão.
Como ler não resume apenas em decodificar textos, algumas dificuldades de leitura podem ser de ordem psicológica, e/ou de fonoaudiologia. Assim o professor pode precisar de auxilio de psicólogo e/ou fonoaudiólogo que, através de métodos clínicos irá detectar o problema e sugerir ao professor possíveis métodos e estratégias de que o trabalho que levem à solução da falha; porém a maioria das escolas ainda não conta com esses profissionais.
O professor que tem sob sua responsabilidade trinta alunos, não precisa sentir que está em desvantagem na tarefa de analisar a linguagem oral. O professor deve observar, diariamente, a linguagem oral de seus alunos, em todas as situações, dentro e fora da sala de aula. Desse modo, o professor poderá perceber e registrar as habilidades e inabilidade lingüística de seus alunos.
O professor, para descobrir as possíveis dificuldades de leitura, poderá registrar o uso da linguagem das crianças, observando os seguintes aspectos: qualidades das idéias, definição das palavras, capacidade de verbalizar idéias e domínio da estrutura da frase. O professor poderá, em cada um desses aspectos, colocar cinco níveis para facilitar sua avaliação.
O professor que descobre as causas de dificuldades de aprendizagem poderá mais facilidade planejar e traçar estratégias para ajudar o aluno a superar com êxito, suas dificuldades.
Se a criança é saudável e ainda assim possui dificuldades de leitura, é porque ainda não lhe despertaram o interesse, ainda não conhece os segredos da leitura. "Aprendidos os primeiros segredos da leitura, as crianças ficam ávidas por ler, e na grande maioria dos casos, frustam-se pela falta de material de leitura." (CAGLIARI. 2002: 168 - 1).
Algumas crianças apresentam dificuldades de leitura, por motivos familiares; na maioria das vezes, vem de lares que não possuem o hábito de leitura, nunca vê um adulto da família lendo. Uma maneira de sanar essa dificuldade é colocar essa criança em constante contato com livros, (interessantes para a criança), no período em que passa na escola. Isso deve ser feito de maneira espontânea e agradável para a criança.
O meio cultural onde o aluno vive pode ser o motivo da dificuldade de leitura. "(...) A leitura leva a aquisição da cultura, porém é a cultura que explica muito do que se lê, não apenas o significado literal de cada palavra de um texto". (CAGLIARI, 2002: 173). Desse modo a escola deve promover a aquisição cultural por parte da criança para que desperte seu interesse pela leitura.
Trabalhar a cultura que a escola representa é necessário e fundamental, contudo não se deve "restringir as atividades escolares, sobretudo a leitura, ao mundo e cultura da criança, pois é uma forma de negar a aquisição de conhecimentos novos". (CAGLIARI, 2002: 174)
Por outro lado, trabalhar a realidade do aluno pode levar a uma aula enfadonha e cansativa para o aluno, pois apesar de não saber verbalizar, o aluno conhece, muito bem, a sua realidade. Desse modo, é essencial temperar com pitadas de textos exóticos, que despertem a curiosidade e o interesse da criança.
Existem crianças que não tem livro, revista, e nem jornais em casa. Essa criança terá o primeiro contato com livros e com a leitura na escola. Se a professora fizer um trabalho de alfabetização que coloque a leitura e escrita em um mesmo plano, poderá formar alunos leitores, já a partir da primeira série. Porém, se o trabalho do professor for centrado nas cartilhas e livros de português, sem o contato desse aluno com textos significativos, este terá sua formação de leitor prejudicada. Infelizmente isso ainda acontece em nossas escolas. Algumas crianças "passam oito anos na escola de primeiro grau e a bagagem de leitura é mínima, sua formação foi um absoluto fracasso". (CAGLIARI 2002: 176).
Apesar dos esforços contínuos do professor para desenvolver todas as habilidades básicas da aprendizagem da leitura, algumas crianças não atingirão os objetivos propostos. Pois cada criança possui seu próprio ritmo de aprendizagem, e as experiências lingüísticas que cada uma traz, pode ajudar ou dificultar na aprendizagem de leitura.
Os obstáculos que dificultam a aprendizagem de leitura podem ser sociais, psíquicos ou emocionais, como a falta de confiança. O professor poderá, com a observação de sua turma, detectar e remover os obstáculos, que atrapalham na formação de leitores.


3.2 - Da teoria para a prática: Sugestões de atividades para o incentivo da leitura.


Como já foi dito anteriormente nossos alunos não praticam com freqüência o uso da leitura outros nem se interessam em praticá-las. Analisando esta problemática é que apresentarei algumas sugestões de atividades para incentivar, despertar o gosto e o interesse pela leitura.
Bamberger enfatiza que "os valores que se podem adquirir através dos livros e da leitura só serão acessíveis é claro a quem tiver dominado as habilidades técnicas da leitura e possuir capacidade intelectual para ler".
Somente através de uma proposta bem elaborada, que o professor poderá estimular à criança para a leitura, as atividades devem ser elaboradas a partir de uma história, por exemplo: dramatização, produção de texto, recortes dobraduras entre outras. A roda de leitura, ou roda de conto é também uma opção interessantíssima para o educando, pois tem a oportunidade para debater suas idéias e expor seu ponto de vista.
Diante da criança o professor deve ser um incentivador, um estimulador, um exemplo de realizar leituras prazerosas para despertar nela o gosto pela leitura desde cedo.
Seguem-se então algumas sugestões de atividades para trabalhar com as crianças no intuito de incentivá-las a leitura.

Leitura em voz alta pelo professor: ler histórias, apresentar livros e gravuras para os alunos desde a Educação Infantil e primeiras fases de vida escolar, desenvolve neles tanto o vocabulário quanto os despertam para a leitura. A professora lê em voz alta, fazendo as devidas entonações da voz. Lendo histórias ou textos de interesse da criança. Essa atividade pode ser feita para criança que ainda não lê, ou para despertar o interesse daquelas que já possui a habilidade de leitura.

Leitura em unidades de pensamentos: No processo de alfabetização é preciso encontrar desde o principio, meios para evitar a leitura mecânica de sílabas e palavras, para aumentar a compreensão. Quando a leitura oral é bem feita, os grupos de palavras armazenadas são percebidos em unidades de pensamento, num duplo impulso visual, através da pronúncia.

Leitura de romance: O professor escolhe um romance interessante e faz a leitura diária de trechos, criando suspenses e expectativas, prendendo a atenção dos alunos. Prepara-se a leitura com antecedência, para parar sempre em um trecho que deixe as crianças curiosas e ávidas pela continuidade da história.

Cantinho da leitura: Criar na sala de aula um ambiente de leitura. Em um dos contos da sala, improvisa-se uma mesa ou coloca-se um armário, onde serão deixados alguns exemplares de livros de Literatura Infantil. Revistas e outras obras literárias, que a professora julgar interessante. Deve-se reservar um tempo diário para que o cantinho da leitura possa ser utilizado pelos alunos.

Gibodoteca: Organizar, na sala (no cantinho da leitura) uma coleção de revistas infantis e gibis para serem lidos ou folheados, aproveitando para ensinar a criança a ter zelo pelos livros.
Após a leitura de um texto pedir para que as crianças façam mudanças no texto:
- Ler uma história e modificar o final.
- Ler uma história e contá-la, novamente segundo a imaginação da criança.

Leitura em voz alta pelos alunos: Após a criança já ter um mínimo de domínio da leitura, elas podem fazer a leitura dos textos em voz alta, esse trabalho pode ser feito em dupla onde os dois alunos lêem juntos e descobrem palavras novas, construindo o seu próprio aprendizado.

Leitura silenciosa e oral na sala de aula: A prática da leitura silenciosa antes, de se iniciar uma tarefa de leitura, é importantíssima, pois pesquisas provaram que a leitura silenciosa é à base da educação individual da leitura.
Não obstante, deve-se praticar alguma leitura em voz alta, para promover a educação da fala e a experiência estética da obra de arte literária.

Seleção de material de leitura para o ensino: Além das cartilhas habituais, devem ser usados, desde o principio, os textos feitos em casa, na linguagem das crianças (cartilhas pessoais), e textos tirados da vida prática. Assim, as crianças aprendem que a leitura é também essencial para fins práticos: elas lêem instruções de trabalhos, sinais de trânsito, proibições, guiam de viagem, catálogos de lojas, entre outros, entretanto, é importante que se ofereça grande quantidade de material de leitura, capaz de interessar e divertir os alunos, não só aumentando a sua capacidade de leitura, como também induzindo a um permanente hábito de leitura.

Seqüência de figuras: A professora prepara uma seqüência de gravuras, podem ser recortes de revistas colados em papel pardo. Mostrar as figuras para a sala, após convidar os alunos para inventar histórias, a partir das figuras.
A professora pode fazer os registros de algumas histórias contadas pelos alunos, para leitura posterior. Para essa atividade, não é importante que a criança já saiba ler e escrever.

Composição de um livro: Essa atividade consiste em distribuir pela sala, varias brochuras de histórias curtas e significativas. As crianças fazem a leitura do texto e logo após, a professora dobra algumas folhas de papel ofício ao meio e grampeia. Nas folhas grampeadas, incentivar cada criança ou cada dupla, a ilustrar e escrever sua própria história, tendo como idéia o livro lido.

A hora da novidade: O professor pede e estimula o aluno a contar alguma coisa interessante, que lhes aconteceu recentemente. Aquelas crianças que tem dificuldades de se expressar podem trazer um objeto de casa ou o professor fornece, e pede para a criança segurá-lo e falar sobre o objeto. A criança vai se soltando aos poucos por se sentir útil, e a turma, podem se interessar pelo objeto ajudando o aluno em sua fala.
Hora da história: Atividade semelhante a anterior, aqui o aluno é incentivado a contar uma história que leu ou ouviu. Isso melhora o vocabulário e a linguagem do aluno, além de aumentar sua confiança. Outra maneira é colocar uma seqüência de figuras e pedir para a criança contar à história que a seqüência de figuras formou. Ou contar à história que a seqüência sugere.
Aparência da sala de aula exerce uma influência importante sobre a criança. Desse modo, uma sala decorada, visando um ambiente acolhedor, irá proporcionar um clima emocional favorável que, com a ajuda do professor, deixará as crianças animadas e com vontade de estudar.






















CONSIDERAÇÕES FINAIS


Num mundo globalizado, novas exigências são postas pela sociedade da informação. Precisamos preparar nossos alunos para uma leitura crítica das transformações que ocorrem em escala mundial. A escola tem um grande papel no fortalecimento da sociedade e a leitura permite uma transformação do leitor. Para isso ela precisa dimensionar o verdadeiro sentido da leitura e da formação de leitores do mundo. Ler é condição de estar no mundo, criando-o outra vez.
Portanto, compete a todos envolvidos no ensino de Língua Portuguesa em repensar as questões diretamente ligadas a leitura na escola. Pois a mesma torna-se fator fundamental na aquisição do hábito da leitura e formação do leitor, pois mesmo com suas limitações, ela é o espaço destinado ao aprendizado da leitura. Sabemos que muitos têm no ambiente escolar, o primeiro (ou às vezes, o único) contato com a literatura. Assim fica claro que a escola, por ser estruturada com vistas à alfabetização e tendo um caráter formativo, constitui-se num ambiente privilegiado para a formação do leitor.
Acredita-se que a palavra chave para formação do leitor hoje é liberdade, e é nela que está pautado esse trabalho. Para que o objetivo da sedução seja alcançado, não pode haver situações forçadas, impostas, o professor precisa ter claro que este momento de construção do leitor deve ser um momento tranqüilo e, para isso, é preciso deixar claro os objetivos.
É preciso buscar estratégias que possibilitem ler, no processo de compreender a vida, para poder atribuir sentido à existência, uma vez que estamos envolvidos como co-autores na multiplicidade de textos que circulam. Compreendê-los é poder resgatar a nós mesmos e a história, reconhecendo-nos novamente. Trata-se, pois, de uma contínua criação de significados, com possibilidade e rever a assumir a própria vida.
Possa essas breves considerações colaborar no processo de pensar a relação leitura e escola. Um pensar que precisa ser compartilhado, para que também nós, os formadores, possamos ser um pouco melhores a cada dia.
Afinal, a grande justificativa para tudo que aqui dissemos é que ensinar a ler vale a pena, como possibilidade de realizar, cada dia mais a dialógica, pois, ler é um prazer, são infinitas possibilidades de descobrir o mundo, são respostas e são novas perguntas. É procura, é busca, é divertimento, é ampliação e é encantamento.
Essa visibilidade é que poderá facilitar o aluno, ajudando-o a traçar suas próprias trilhas e atravessar o tempo de trepidação para alcançar o tempo de reflexão formando assim o aluno leitor.










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ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da leitura. 2 ed. São Paulo: Contexto, 1991

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Paraibano de Pombal, terra do grande Celso Furtado, fez graduação em história, letras, pedagogia e administração;especialização em psicodrama, docencia do ensino superior, psicopedagogia, educação especial, pedagogia hospitalar e em educação ambiental;mestre em educação; doutor em História (Universi...
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