DESCRIÇÃO FONÉTICA E FONOLÓGICA DO DIALETO PARINTINENSE
 
DESCRIÇÃO FONÉTICA E FONOLÓGICA DO DIALETO PARINTINENSE
 


RESUMO
RODRIGUES


RIBEIRO


Este trabalho apresenta as variações fonéticas e fonológicas existentes no município de Parinritins. Essas variações ocorrem de acordo com as origens geográficas de seus falantes, uma vez que nem todos os habitantes são nativos de nosso município ou até mesmo de nosso estado. Em Parintins, assim como em todas as sociedades estas variações permitem identificar o indivíduo dentro da sociedade parintinense tal qual sua variação diatópica ou diastrática.

Palavras-chave: Língua, descrição fonética e fonológica, dialeto parintinense.


INTRODUÇÃO

A heterogeneidade da língua faz com que ela não seja a mesma em toda a extensão do território onde é falada. Tais classificações são feitas a partir das características linguísticas de uma determinada região cujo modo de falar é resultado das peculiaridades estabelecidas pela variação geográfica ou diatópica. Além disso, uma língua pode também apresentar variações no âmbito de uma comunidade específica localizada numa mesma região geográfica, variação diastrática, que classifica o falar de um indivíduo por meio das variações decorrentes do uso linguístico individual explicado pelo termo idioleto, que designa as particularidades individuais da língua falada por cada um de nós, haja vista que a linguagem é uma faculdade biológica pertencente exclusivamente aos seres humanos e que proporciona a aquisição de uma ou mais línguas ou de um novo jeito de falar de acordo com as particularidades de uma determinada região e que podem ser analisadas fonética e fonologicamente.






FONÉTICA E FONOLOGIA

A Fonética é uma ciência histórica; analisa acontecimentos, transformações e se move no tempo. A fonologia se coloca fora do tempo, já que o mecanismo da articulação permanece sempre igual a si mesmo. (SAUSSURE, 1972).

A Fonética e a Fonologia devem ser inconfundíveis, pois se diferem em todos os sentidos, haja vista que uma estuda a fisiologia dos sons (a Fonologia) e a outra estuda a evolução dos sons (Fonética).

Segundo MAIA (2006), as áreas de interesse da Fonética são:

1. Fonética Articulatória ou Fisiológica ? estuda como o aparelho fonador coloca o ar em movimento e como esses movimentos articulados se coordenam para produzir sons e cadeias de sons.

2. Fonética acústica ? Essa área da fonética preocupa-se em estudar como o ar vibra entre a boca do falante e o ouvido do receptor, e busca analisar os movimentos do ar em termos físicos. O movimento vibratório do ar converte-se em atividades elétricas, analisando os resultados em termos de frequência, de amplitude de vibrações e de timbre.

3. Fonética Auditiva, Psicológica ou Perceptual ? Estuda como o ouvido assume sua função de registrar os sons, analisando como o ouvinte reage aos estímulos físicos que o atingem.

Nesta análise, nos restringiremos mais à Fonética Articulatória para que possamos transcrever os sons produzidos na fala.

Dentro da sociedade parintinense é comum ouvirmos e termos um idioleto diferenciado composto de diferentes miscigenações que fazem com que esse idioleto seja diversificado que reúne falantes de outros estados e até mesmo de outros países.

Conforme a variação geográfica ou diatópica, a língua pode variar de acordo com o espaço regional onde é falada, ou, como explica a variação diastrática, no âmbito de uma comunidade específica localizada em uma mesma região (MAIA, 2006).

O município de Parintins, com cerca de cem mil habitantes, apresenta uma multiplicidade de usos linguísticos classificados pela variação diastrática. Cabe lembrar que o estudo da Fonética e da Fonologia é indispensável para subsidiar debates importantes sobre as ortografias contidas na língua usada pelos habitantes locais, uma vez que nem todos são nativos do município, mas que já se habituaram à fala do povo parintinense pela convivência.

Considerando que a Fonética estuda os sons da fala humana em suas diversas realizações sem se importar com sua função e seu significado e a Fonologia (ou Fonêmica) estuda os sons distintos de uma determinada língua e se importa com sua função e seu significado, analisaremos a seguir os sons capazes de diferenciar itens lexicais nas línguas, isto é, os pares mínimos pronunciados por habitantes nativos e não- nativos de nosso município.


ORTOGRAFIA FONÉTICA FONOLOGIA
Porta / torta
Tia / dia
Pote / bode
Troca / broca
Chato / jato
Teu / deu
Ler /ser
São / não
Frita / grita
Pata / bata
['po}tA] ['to}tA]
['tƒya] ['d’ya]
['potƒy] ['bod’y]
['t~okA] ['b~okA]
['ƒatu] ['’atu]
['tew] ['dew]
['me}] ['se}]
['sãw] ['nãw]
['f}ita] ['g}ita]
['patA] ['batA] /'porta/ /'torta/
/'tia/ /'dia/
/'bode/ /'pote/
/'broca/ /'broca/
/'chato/ /'jato/
/'teu/ /'deu/
/'ler/ /'ser/
/'são/ /'não/
/'frita/ /'grita/
/'pata/ /'bata/



A exemplo, temos o fonema /p/ é constituído dos traços: oclusivo, bilabial, surdo; enquanto o fonema /b/ reúne os traços: oclusivo,bilabial,sonoro. Logo, /p/ e /b/ diferem quanto à sonoridade, e é esse traço [+ ou ? sonoro] que distingue pares mínimos, como as palavras "pata" e "bata" ou "pico" e "bico.(MARTELOTTA, 2008).

Desses traços é que são constituídas as palavras e que são articuladas, sendo que as mesmas que são pares se diferem apenas pela letra (sinal gráfico) inicial.























CONCLUSÃO

Com base neste trabalho foi possível perceber que as diferenças fonéticas e fonológicas no município de Parintins são elementos que caracterizam o falar dos parintinenses residentes tanto no interior quanto no próprio município.

Considerando que uma língua pode variar de um lugar para o outro e consequentemente cada região tem seu próprio idioleto, as experiências absorvidas com o desenvolver deste trabalho foram além das perspectivas, pois conseguimos detectar que o idioleto parintinense não se restringe ou não se detém a uma única especificidade do falar, uma vez que a linguagem utilizada pelos habitantes é o resultado de fatores como as variações diastrática e diatópica.

A fonética e a fonologia parintinense é totalmente extensa, ao realizarmos as pesquisa de campo pudemos perceber que alguns "informantes" entrevistados tornavam-se apreensivos, pois não agiam com naturalidade pensando que o nosso falar seria o "correto" e o deles o "errado", por isso preocupavam-se em falar de acordo como nós falávamos.

Dessa observação chegamos a conclusão de que o povo amazonida parintinense possui uma "cultura" fonética e fonológica riquíssima e que não é valorizada porque os nativos do município não sabem que têm e agem como se desconhecessem o seu próprio falar.

Desse modo, finalizamos acreditando que numa comunidade não existe falar "certo" ou " errado" o que existe é comunicação.








REFERÊNCIAS

MAIA, Marcos. Manual de Linguística: subsídios para formação de professores indígenas. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 2006.

SAUSSURE, Ferdnand de. Curso de Lingüística Geral. São Paulo: Cultrix, 1972.

MARTELOTTA. Mario Eduardo (org). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008

Fundamentos em Fonoaudiologia, SILVIA M. REBELO PINHO, Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1998.

Canto y Dicción, JORGE PERELLÓ, MONSERRAT CABALÍE E ENRIQUE GUITART, Editora Científico-Médica, Barcelona.

Fonte:
HTTP://WWW.BRAZILIANPORTUGUES.COM/INDEX.PHP?IDCANAL=316.































ANEXOS




















TEMA: DESCRIÇÃO FONÉTICA E FONOLÓGICA DO DIALETO PARINTINENSE

JUSTIFICATIVA

A FONÉTICA se preocupa com uma gama de de sons possíveis na fala, enquanto a FONOLOGIA se ocupa das unidades fonêmicas, aquelas que têm valor distintivos, ou seja, capazes de funcionar em uma língua para diferenciar vocábulos.

É importante para o profissional de língua que ele seja capaz de identificar os sons da fala, distinguindo o que é fonema dos que é apenas realização alofônica.

RESULTADOS ESPERADOS:

Possibilitar conhecimentos que contribuam para a melhoria no processo ensino e aprendizagem de língua portuguesa.

OBJETIVOS:
Geral:
ü Investigar os sons realizados no dialeto dos parintinenses para distinguir os fonemas dos alofones.

Específicos :

ü Coletar dados de palavras em contexto de comunicação oral.
ü Fazer a transcrição fonética e fonológica de um corpos de até vinte vocábulos.
ü Analisar os dados para distinguir o que é fonema e o que é alofone.
ü Identificar as implicações na processo de ensino e aprendizagem de língua portuguesa.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Paulo Freire nos proporciona a confirmação de que "o movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo esteja sempre presente", assim no processo de ensino da língua portuguesa deve valorizar todo o conhecimento que o aprendiz tem de mundo. (1982).

Para Maia "o conceito de fonema é muito importante em linguística e em outras disciplinas, pois permite estabelecer as unidades variantes de um sistema" (2006).

"Os falantes [...] reconhecem, nas diferentes realizações de um mesmo fonema, uma relação de identidade com este fonema." (idem)

PROCESSOS METODOLÓGICOS

A MÉTODO DE ABORDAGEM DIALÉTICO

ü A presente pesquisa se desenvolverá em espaços públicos ou privados de Parintins.
ü
ü Como método de abordagem, o projeto adotará o método Dialético, porque visa analisar na prática de comunicação levando-se em consideração os fatores sociais e culturais inerentes aos sujeitos envolvidos no processo da fala.
ü
MÉTODO DE PROCEDIMENTOS

ü Enquanto método de procedimento será utilizado o Observacional pelo fato de que se observará a fala no próprio campo de comunicação, fazendo uma análise da realidade vivida pelos processo comunicativo.


UNIVERSO DA PESQUISA

ü As pessoas de Parintins em contexto de comunicação serão os sujeitos.

ü O objeto de estudo será a fala dos parintinenses.
TÉCNICA DE PESQUISA DOCUMENTAÇÃO DIRETA

As técnicas de pesquisa presentes na realização deste projeto será a observação intensiva.
INSTRUMENTOS DE PESQUISA:

Observação direta intensiva, entrevista com a utilização de perguntas abertas, direcionadas ao falante, registrada em gravador, para posterior análise

RESULTADOS

ü Os dados coletados serão registrados em um diário de campo para serem tabulados, analisados e apresentados em um artigo científico.

ü O texto deve ser adequadamente fundamentado.

ü O texto deve ter apenas cinco laudas.

DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

ü Para uma análise dos sons da fala em Parintins.
ü Roteiro de observação:
ü Abordar falantes que sejam parintinenses;
ü Gravar a fala em contexto de comunicação;
ü Selecionar um corpus com pares de palavras que tenham contextos semelhantes;
ü Fazer a descrição a fonética e fonológica;
ü Explicar se são fonemas ou alofones;
ü Dar exemplo no contexto frasal para identificar se ocorre ou não a mudança de significado.






















APÊNDICE
















TABELA DE SONS VOCÁLICOS

POSTERIOR ANTERIOR CENTRAL



























NOTA BENE: Quando os símbolos aparecem em pares aqueles da direita representa uma vogal arredondada.














1. APARELHO FONADOR HUMANO
O ser humano não possui nenhum aparelho destinado exclusivamente à produção do som. Segundo PERELÓ (1975), a laringe aparece na escala animal quando é necessário proteger o aparelho respiratório contra a entrada de sólidos ou líquidos que pudessem causar asfixia.



A produção do som envolve vários órgãos que conjuntamente fazem, como resultado, soar nossa voz. São eles: aparelho respiratório, a laringe, as cavidades de ressonância e os articuladores.

2. PRODUÇÃO DO SOM
O ar inpirado passa pelas pregas vocais em posição aberta, enchendo os pulmões. Na expiração é que ocorre a fonação. O ar é aspirado pelos pulmões passa pelas pregas vocais em posição fechada.
OBS: O nome correto para "cordas vocais" é "pregas vocais", pois não se tratam de cordas, mas sim de pregas musculares.

As cavidades de ressonância têm um papel fundamental na produção do som, pois nelas é que ocorrem as modificações do som fundamental produzido na laringe. Comparando a um instrumento, poderíamos dizer que as cavidades de ressonância da voz funcionam como a caixa de um violão. Nada adiantaria vibrarmos as cordas de um instrumento isoladamente, pois produziria um som "pobre".
3. FUNCIONAMENTO DO APARELHO FONADOR

O ar é expelido dos pulmões por via dos brônquios, penetra na traquéia e chega à laringe, onde, ao atravessar a glote, costuma encontrar o primeiro obstáculo à sua passagem.

A glote fica na altura do pomo de Adão ou gogó é a abertura entre duas pregas musculares das paredes superiores da laringe, conhecidas com o nome de cordas vocais.

O fluxo de ar pode encontrá-la aberta ou fechada.

Se estiver aberta, o ar força a passagem através das cordas vocais retesadas, fazendo-as vibrar e produzir o som musical característico das articulações sonoras.

Se estiver fechada, relaxada as cordas vocais, o ar se escapa sem vibrações da laringe.

As articulações produzidas, denominam-se surdas.


Atenção: a distinção entre surda e sonora pode ser muito bem percebida na pronúncia de duas consoantes que no mais se identificam.
Assim:
/p/ pê ( = surdo); /b/ bê ( = sonoro)
/t/ tê ( = surdo); /d/ dê ( = sonoro)

A corrente expiratória, ao sair da laringe, entra na cavidade da faringe que lhe oferece duas vias de acesso ao exterior o canal bucal e o nasal com a finalidade de determinar o som oral (= bucal) e o som nasal (= nasal).
Veja a pronúncia das vogais:
/a/ (oral), /ã/ (nasal)

Conforme as palavras:
/a/ lá (oral), /ã/ lã (nasal)
/a/ mato (oral), /ã/ manto (nasal).

 
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Eu me chamo Ane Caroline Rodrigues, tenho vinte anos, sou academica do 6 periodo do curso de letras da universidade do estado do amazonas
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