Cultura Gaúcha - O Tradicionalismo Como Marca Regional

RESUMO

O presente trabalho visa explanar a cultura gaúcha e seus costumes, abordando noção histórica representada através do Tradicionalismo como marca do regionalismo do Rio Grande do Sul. Comparando com outras culturas populares, este artigo visa demonstrar que o gaúcho como regionalista tem intenção de ficar o mais próximo possível de sua cultura e expandi-la nos lugares que imigra, para que não se percam seus hábitos e, conseqüentemente, a sua identidade, com a convivência em outras regiões. De igual forma, é relatada a adaptação do gaúcho em outro ambiente, assim como todo imigrante quando se desloca de sua terra de origem.

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1 INTRODUÇÃO

Como todos os povos, os imigrantes do Rio Grande do Sul quando se direcionam para outra região, procuram de alguma forma aproximar-se de sua cultura como forma de defesa para o desconhecido, criando um ambiente mais parecido possível com seu habitat natural.
Assim, o gaúcho como regionalista, procura difundir sua cultura no seu novo território, implantando os hábitos e costumes característicos do seu povo, através dos símbolos que permitem sua identificação.
Uma das características que permitem identificar o gaúcho é o hábito do chimarrão, bebida servida quente a base de erva-mate, planta característica da região sul. Além disso, tem o churrasco, comida típica gaúcha, que hoje já é costume de muitas regiões em todo país.
Mas não é só. O povo sulista não se contenta somente com isso. Pretende sempre, em grande parte ou em todo local que passa a viver, estabelecer um ambiente em que possa realmente se sentir em sua terra, cultivar suas características e divulgar sua cultura. É assim que surge a união do povo do sul para a fundação de um CTG ? Centro de Tradições Gaúchas fora do Estado do Rio Grande do Sul.
O CTG é o símbolo do tradicionalismo gaúcho. Um local construído rusticamente e especialmente para manter e difundir a cultura gaúcha em sua integridade, trazendo a toda população do Estado a história do Rio Grande do Sul, inclusive com o uso de vestimentas e danças regionais, ainda servindo comidas e bebidas típicas, mantendo o costume dos povos antigos e incutindo a tradição gaúcha nas novas gerações.
Assim, neste artigo objetiva-se discutir essa visão de difusão cultural do gaúcho através do tradicionalismo do Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Para os imigrantes não existe nada melhor do que viver em um ambiente que mantenha seus costumes. Porém, não se pode esquecer que, fora do Rio Grande do Sul, há outros povos e consequentemente outros costumes, sendo lógica e essencial a regra de adaptação do imigrante a sua nova terra.
Portanto, se requer fazer uma reflexão sobre essa mentalidade do tradicionalismo gaúcho e até que ponto é realmente válida essa difusão como idéia de cultura, também abordando a idéia de regionalismo gaúcho, se este interfere ou pode interferir no novo meio em que o imigrante sulista passa a viver.

2 O Tradicionalismo no Rio Grande do Sul

O Tradicionalismo como manifestação regional do povo gaúcho é incutido no Rio Grande do Sul como força de norma do Estado, sendo os cidadãos educados, desde a escola primária, a honrar com orgulho a história dos antepassados.
Assim, é cultura do povo gaúcho ser apaixonado pelo seu Estado, pois vive a história de seus antepassados cultivando os costumes dos povos antigos até os dias atuais, utilizando os símbolos da cultura gaúcha como hábitos familiares que passam de geração para geração.
Na opinião de Jarbas Lima, Tradicionalista:

Para se entender o sentido e o alcance do tradicionalismo é necessário examinar o seu substrato, o conteúdo da tradição, sua origem e consistência. Impõe-se preliminarmente considerar a categoria antropológica cultura, parte integrante e indispensável de qualquer sociedade. É preciso também atentar para a autonomia do Rio Grande como sociedade diversa da brasileira, ainda que a ela fortemente integrada e federada por laços conscientes de opção histórica. (LIMA, 2008, , s/p)


Assim, entende-se o Tradicionalismo Gaúcho como forma de manifestação de cultura da população do Estado. Com o passar dos anos, essa tradição passou a ter maior força ainda, com a criação de movimentos tradicionalistas gaúchos (MTG), que se uniram para representar, viver e incutir a História do Estado em todos os cidadãos.
Assim afirma Barbosa Lessa, historiador gaúcho:

Tradicionalismo é o movimento popular que visa auxiliar o Estado na consecução do bem coletivo, através de ações que o povo pratica (mesmo que não se aperceba de tal finalidade) com o fim de reforçar o núcleo de sua cultura: graças ao que a sociedade adquire maior tranqüilidade na vida comum. (LESSA, 2008, s/p)


De acordo com o entendimento do autor, tem-se que o radicionalismo é uma forma de experiência do povo gaúcho, onde a sociedade, de certa forma, avalia seus cidadãos para saber se poderá ou não haver a promoção e ampliação desta campanha cultural que é o Tradicionalismo para o gaúcho. Mas frise-se que, somente com o tempo se poderá ter retorno dessa medida, para saber se os efeitos foram positivos. (LIMA, 2008, s/p)
Pensando assim é que se pode tentar entender o motivo da criação dos Centros de Tradições Gaúchas (CTG). Se o sulista tem receio que se percam os costumes dos povos antecedentes, reage de tal forma a criar movimentos que cultivem as tradições, estimulando sempre os cidadãos do Estado a viverem a cultura do Estado em qualquer lugar onde estejam.
Assim é da cultura gaúcha essa manifestação de amor e defesa pelo seu Estado, ainda reiterados pelo apreço aos costumes e símbolos gaúchos cultivados até os dias de hoje por todos os cidadãos que possuem sua história ou parte dela no Estado do Rio Grande do Sul.

3 A Cultura Gaúcha

A Cultura Gaúcha, revestida de hábitos típicos e únicos da população, não deixa de apreciar toda e qualquer tipo de manifestação que auxilie na representação do povo gaúcho, não só através dos símbolos e da paixão pelo Estado intrínseca ao Tradicionalismo, mas também na forma como os cidadãos gaúchos são educados no seio familiar.
Todo sulista tem características típicas desde a estrutura física até o estilo da personalidade. Além da influência da colonização dos imigrantes alemães e italianos no Estado, acrescentado de uma mistura de tradição destes povos, são espécies de normas instituídas no Estado as virtudes que formam e educam o cidadão gaúcho, diferenciado pela seriedade que atribui à sua índole e caráter. Jarbas Lima explica melhor:

Aí está a estrutura da sociedade. Os componentes estruturais se revelam nos três planos: o dos valores (cultura), o das normas praticadas (instituições) e o dos papéis (a personalidade, que abrange a adaptação dos indivíduos ao grupo). Qualquer transformação na estrutura depende previamente de mudanças nos valores da sociedade. (LIMA, 2008, s/p)

É inegável o papel da sociedade gaúcha na formação de seus cidadãos. Por isso, também, tem-se que da história e imigração dos povos alemães e italianos surgiram os costumes do povo, e dos costumes a formação do cidadão gaúcho, que hoje preserva e cultiva a tradição de seus antepassados.
O que causa estranheza, muitas vezes, é que o gaúcho, mesmo cultivando as tradições de sua terra e adorando sua pátria, consegue viver em outro lugar com facilidade. O motivo disso é a imigração do Estado pelo fato da saturação do mercado de trabalho, e por isso, muitos deixam o Rio Grande do Sul em busca de seu sustento, mas sem deixar de amar sua terra e cultivar suas tradições.
Nativista, saudosista, apreciador da política, com sentimento de igualdade e liberdade, o gaúcho conquistou seu espaço no País, sendo hoje uma das culturas mais bem vistas em toda sociedade brasileira. Isso significa que se destacam pelas suas virtudes e condutas éticas e modernistas. (MTG, 2008)
O mais interessante é que todo sulista, por mais amor que tenha a seu chão, sempre está circulando por vários locais diferentes, ouvindo, vendo, aprendendo e repetindo culturas de outros povos, trazendo as virtudes de cada um para seu Estado e também auxiliando na integração de culturas com outros povos.

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Sobre este autor(a)
Advogada, graduada em Direito pela Universidade de Passo Fundo-RS (2008). Especializanda em Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade Seama (término previsto para 2010). Atualmente é Coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade Seama-AP, também trabalhando como advogada responsável do...
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