CORPO E MOVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
CORPO E MOVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 


Resumo: O presente artigo pretende levantar alguns aspectos relacionados à temática corpo e movimento e às diferentes formas como o tema é tratado na escola, especialmente na educação de 0 a 6 anos. Justifico então, esse trabalho, sublinhando o impacto que o mesmo deve causar em meu desenvolvimento pessoal e intelectual enquanto futura educadora e a contribuição para uma educação que respeite os direitos da criança, especialmente o direito à educação infantil. Palavras-chave: educação infantil, corpo e movimento,

Introdução

A educação, hoje, está centrada na criança como individuo. Cada tipo de atividade, trás algo como contribuição para tal desenvolvimento, mas a ordem de prioridades para o ensino dessas diferentes atividades mudou consideravelmente. Deixamos de pensar no que o aluno irá precisar no futuro, e passamos a nos preocupar em como podemos ajudar agora. Por isso, podemos dizer que organizar uma rotina que envolva tantas emoções, necessidades e ações aliadas a uma proposta educacional, é um desafio constante para quem trabalha na educação infantil.

Ao analisar o estado atual o estado atual do conhecimento na área de movimento na educação infantil, percebe a necessidade de uma investigação mais aprofundada, principalmente no que se refere aos conteúdos trabalhados nessa área com crianças de zero a seis anos. O presente artigo tem como objetivo analisar a concepção de conteúdo presente no Referencial Curricular para a Educação infantil.

*Acadêmica no 7º semestre do curso de Pedagogia Educação Infantil da Universidade Federal do Rio Grande  FURG 2009.E-mail: [email protected]

O corpo e o movimento

A partir da década de 80 até a década de 90, houve um intenso trabalho que resultou no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas discussões a respeito da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que foi promulgada no ano de 1996. Esta nova LDB, pela primeira vez, introduziu a educação infantil como a primeira etapa da educação básica. Nela, a educação infantil, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os 5 anos de idade.

Esta deve ser ofertada em creches para as crianças de até 3 anos de idade e em pré-escolas, para crianças de 4 a 5 anos de idade. Essa primeira etapa, mesmo não sendo obrigatória, passa a ser um direito da criança e um dever do Estado. A partir daí, a educação de crianças pequenas passou a fazer parte do processo educacional.

Partindo do reconhecimento de que a educação é direito de todas as crianças, um dever da família e do estado (LDB 9394/98 art. 2º) e de que a educação infantil se constitui como primeira etapa da educação básica e que tem como finalidade o desenvolvimento da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. Com isso, a educação infantil que já vinha sendo objeto de pesquisas em vários lugares do mundo, também vê serem multiplicados os estudos aqui no Brasil, tendo como um de seus principais objetivos contribuir para a melhoria no atendimento da criança pequena.

Sabe-se, que o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. Pois, ao movimentar-se, as crianças expressam sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais. O movimento humano, portanto, é mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo.

KISHIMOTO (1996, p.452), ao discutir sobre Froebel, mostra que:

"Froebel acreditou na criança, enalteceu sua perfeição, valorizou sai liberdade e desejou a expressão da natureza infantil por meio de brincadeiras livres e espontâneas. Instituiu uma pedagogia tendo a representação simbólica como eixo do trabalho educativo, sendo reconhecido por isso como psicólogo da infância".

Nessa mesma direção, YAMIN (2001, p.12) aponte que o aprendizado nos jardins de infância "ocorria a partir de ações que exigissem o desenvolvimento dos movimentos físicos, juntamente com o funcionamento dos processos mentais. todas as atividades simples do dia-a-dia feitas em contato com a natureza eram a base para seu currículo".

Na educação infantil é comum vermos as crianças o tempo todo sentadas, em silencio, realizando atividades escolares. Porém, para que as crianças possam ampliar o seu aprendizado, é preciso que os conceitos de educação estejam de acordo com as necessidades e seus interesses. Durante a brincadeira a criança assimila sem se dar conta. Por meio das atividades lúdicas a criança satisfaz seus desejos e representa a realidade que as circunda.

Portanto, é inegável que hajam mudanças na estrutura educacional, por isso, ainda temos muito o que refletir a implementar a respeito da educação infantil. Um fator a ser discutido é a questão dos conteúdos a serem trabalhados nesse nível de ensino. Não podemos mais ter o conteúdo como sendo uma lista de itens que tem que ser assimilados pela criança. Dessa forma, é necessário rever este conceito e estruturar qual a melhor forma de lanças esses conteúdos a serem trabalhados com as crianças.

"O movimento para a criança pequena significa muito mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da criança. Pode-se dizer que no início do desenvolvimento predomina a dimensão subjetiva da motricidade, que encontra sua eficácia e sentido principalmente na interação com o meio social, junto às pessoas com quem a criança interage diretamente. A externalização de sentimentos, emoções e estados íntimos poderão encontrar na expressividade do corpo um recurso privilegiado". (Referencial curricular nacional para a educação infantil, 1998, p.18)

Para o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998, p.15), o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana, visto que, "as crianças se movimentam desde que nascem adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo".

Ao analisar os conteúdos de movimento apresentados nesse referencial, verifico que eles foram organizados em blocos: a expressividade, o equilíbrio e a coordenação.

Expressividade: nessa direção, o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998) sugere atividades para crianças de 0 a 3 anos: reconhecimento progressivo de segmentos e elementos do próprio corpo, expressões de sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral. Na atividade lúdica, para crianças de 4 a 5 anos, por meio da mediação do adulto, o jogo desenvolve a memória, a atenção, a linguagem, a imaginação e a personalidade.

Equilíbrio e coordenação: para as crianças de 0 a 3 anos são sugeridas atividades de exploração de diferentes posturas corporais, ampliação da destreza progressiva para deslocar-se no espaço e aperfeiçoamento dos gestos relacionados com encaixe, traçado de desenho, entre outros. Para crianças de 4 a 5 anos, são envolvidas atividades de correr, subir, descer, movimentar-se, dançar, entre outros.

Por meio dessas atividades anteriormente sugeridas, percebo que todas estão relacionadas apenas ao desenvolvimento do corpo, como se o pensamento e as emoções estivessem fora dele. Certamente, essas atividades propostas são importantes para o desenvolvimento da criança, entretanto, o movimento não se restringe ao desenvolvimento das aprendizagens física e motora.

O trabalho com o movimento não pode ser direcionado apenas para o desenvolvimento físico da criança. Pois a criança precisa nominar o seu movimento conscientemente para que tenha oportunidade de explorar o ambiente, criar novas relações de relacionamento com o seu corpo, de conhecê-lo e aprender a usá-lo de forma benéfica, funcional e intencional. (MELLO, 1996)

Considerações Finais

Da minha convivência com as crianças, é possível encarar que, quando as crianças brincam, elas o fazem para satisfazer uma necessidade básica que é viver a brincadeira. No entanto, a insistência de que a brincadeira precisa ter uma função "pedagógica" inserida numa lógica produtivista limita suas possibilidades e impede que as crianças recriem constantemente as formas de brincar e se expressar.

Diante do exposto, torna-se cada vez mais evidente que, para pensar a educação física no âmbito do trabalho pedagógico com crianças de pouca idade, faz-se necessário articular diferentes áreas do conhecimento e diferentes profissionais. Assim como na construção de um mosaico, profissionais vão articulando saberes e práticas que não podem ficar reduzidos a uma única disciplina ou a uma única área do conhecimento. Isso se acreditamos que as crianças, assim como nós, adultos, também são capazes de produzir cultura.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Referencial Curricular para a Educação Infantil. Brasilia: MEC/SEF. Vol.3, 1998.

KISHIMOTO, Tizuco M. o primeiro jardim de infância publico do estado de São Paulo e a pedagogia froebiliana. Educação e sociedade, ano XVII, nº56, dezembro, 1996, p.452-475.

KRAMER, Sônia. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. São Paulo, Cortez, 6ª edição, 2001.

MELLO. Maria Ap. a intencionalidade do movimento no desenvolvimento da motricidade infantil. Multiciencia. ASSER: São Carlos, vol,1, nº01, novembro 1996.

YAMIN, Giana A. a evolução do atendimento pré-escolar do estado de mato grosso do sul a partir de uma analise no histórico das propostas governamentais. 2001.

 
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Sobre este autor(a)
Acadêmica do 8º semestre do curso de Pedagogia Educação Infantil, pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Atuando na área da Infancia.
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