Contabilidade gerencial: ferramenta de gestão para a tomada de decisões de micro e pequenas emp...
 
Contabilidade gerencial: ferramenta de gestão para a tomada de decisões de micro e pequenas empresas
 


CONTABILIDADE GERENCIAL: FERRAMENTA DE GESTÃO PARA A TOMADA DE DECISÕES DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

 

Janio de Jesus Couten

 

RESUMO

Este artigo tem como objetivo sensibilizar os gestores, bem como os demais profissionais que fazem uso da contabilidade sobre a necessidade do uso da contabilidade gerencial na gestão das micro e pequenas empresas. Estas empresas são vitais à economia do país, pelo fato de serem geradoras de emprego e renda. No decorrer da elaboração deste artigo, utilizou-se de uma pesquisa bibliográfica. As abordagens demonstraram que a contabilidade é o instrumento responsável em fornecer informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora das dependências da empresa. E que a contabilidade gerencial é uma ferramenta fundamental para a tomada de decisões na gestão de micro e pequenas empresas.

 

Palavras – chave: contabilidade, contabilidade gerencial, micro e pequena empresa.

 

1. Introdução

 

A Gestão inadequada da micro e pequena empresa é uma das causas de sua morte precoce. Na maioria das vezes os gestores destes empreendimentos são iniciantes em suas atividades e carecem ou até desconhecem das prerrogativas necessárias para uma boa administração de seus negócios. Para que a organização cresça é necessário que os seus gestores tomem decisões, sendo que estas devem ser embasadas em informações fundamentadas em relatórios contábeis e gerenciais.

 

1. 2. Problematização

Esta pesquisa aborda o papel da contabilidade gerencial no processo de tomada de decisões das micro e pequenas empresas. Indubitavelmente, o uso da contabilidade gerencial é fundamental para a continuidade das micro e pequenas empresas, visto que a mesma funciona como uma ferramenta norteadora das organizações, no diz respeito a sua gestão. Sendo assim, buscar-se-á através desta pesquisa responder a seguinte pergunta “qual o papel da Contabilidade Gerencial no processo de tomada de decisões das micro e pequenas empresas”.

Visando fornecer informações consistentes a fim de evitar a mortalidade das micro e pequenas empresas, a presente pesquisa pretende auxiliar aos gestores, bem como aos demais interessados propondo a utilização de uma ferramenta que atenda a estrutura básica e resulte em informações que propiciem uma gestão mais racional dos recursos disponíveis. E neste contexto, a contabilidade gerencial, surge como uma ótima alternativa no auxílio deste processo decisório, pois sua utilização é de suma importância para a continuidade das organizações.  

           

1. 3. Objetivo

            O objetivo desta pesquisa, portanto, é sensibilizar os gestores, bem como os demais profissionais que fazem uso da contabilidade sobre a necessidade do uso da contabilidade gerencial na gestão das micro e pequenas empresas.

 

1. 4. Justificativa

Neste contexto, dissertar acerca deste tema tão relevante, abordando a contabilidade gerencial como uma ferramenta de gestão das micro e pequenas empresas é uma justificativa bastante plausível para a realização desta pesquisa, pois isso poderá despertar os usuários da contabilidade, bem como os gestores de micro e pequenas empresas a fazerem uso desta ferramenta no processo de tomada de decisões das empresas.

Os empresários, administradores, contadores e gestores de micro e pequenas empresas que fazem uso da contabilidade gerencial como uma ferramenta auxiliar no processo decisório da empresa obtêm uma melhor performance para suas empresas quando comparados aqueles que não se utilizam desta importante ferramenta de gestão. Visto que, a partir de dados e informações consistentes uma situação pode ser perfeitamente controlada ou até revertida, se necessário.

Parte-se do princípio que quanto mais eficientes são as informações contábeis utilizadas pelos gestores e contadores das micro e pequenas empresas, melhores serão os resultados obtidos pelas entidades. Pois, uma empresa que não faz uso da ferramenta “contabilidade gerencial” é como um navio sem bússola em alto mar, ou seja, suas perspectivas não são nada agradáveis e seu futuro é incerto.

 

1. 5. Referencial Teórico

 

1. 5. 1.  Contabilidade

A contabilidade surgiu juntamente com a civilização. Seus progressos quase sempre têm coincidido com aqueles que caracterizaram os da própria evolução do ser humano. (BEUREN, 2004, p. 22, Apud Sá, 1997, p. 15).

De acordo com Marion (1998, p. 24), a contabilidade é o instrumento responsável em fornecer informações que sejam úteis para a tomada de decisões dentro e fora das dependências da empresa. A contabilidade é de suma importância para a continuidade de uma empresa, não importa o seu porte, desde a micro à grande, todas as empresas que desejam prolongar seus dias e aumentar seu lucro devem fazer uso da contabilidade como uma ferramenta de gestão. Pois a contabilidade capta, registra, resume e interpreta os fatos contábeis que podem afetar a situação econômica, patrimonial ou financeira da empresa. E serve como base para as tomadas de decisões dos gestores, a fim de que se possa aplicar as medidas corretivas necessárias para melhorar a performance da empresa, ou se necessário, fazer as devidas aplicações dos lucros obtidos.

A dispensa da escrituração contábil está prevista somente na legislação do Imposto de Renda, no que se refere aos tributos federais. Os demais dispositivos legais, tais como Código Comercial, Lei das Falências, Legislação Previdenciária, entre outros, continuam exigindo que as empresas mantenham sua contabilidade. A escrituração contábil atende à legislação e padrões estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade. Por causa desta brecha muitas empresas abrem mão desta tão importante ferramenta na gestão de seus empreendimentos.

A sobrevivência de uma empresa nos dias hodiernos está condicionada à capacidade de seus gestores de anteverem situações difíceis ou favoráveis e realizar mudanças rápidas de rumo para se adaptar à nova realidade. Nessas circunstâncias, a escrituração contábil é fundamental para orientar o gestor nas decisões que precisam ser tomadas. Sendo assim o devido uso da contabilidade na gestão da microempresa é de suma importância para sua continuidade.

 

1. 5. 2. Contabilidade Gerencial

Na concepção de Iudícibus (1998, p. 21), a contabilidade gerencial pode ser caracterizada, como um enfoque especial a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, contabilidade de custos, na análise de demonstrações. Trata-se de uma forma de apresentação e classificação diferenciadas, com a finalidade de auxiliar os gestores das empresas nas tomadas de decisões. A contabilidade gerencial preocupa-se fundamentalmente com as informações contábeis que são úteis para a administração da empresa. Pois, a partir destas informações, os gestores terão em mãos elementos que serão indispensáveis no processo decisório da entidade.

              “As informações da contabilidade gerencial incluem dados históricos e estimados, usados pela administração na condução de operações diárias, no planejamento de operações futuras e no desenvolvimento de estratégias integradas de negócios” (WARREN, REEVE & FESS, 2008, p. 2).

              Basicamente o que diferencia a Contabilidade Gerencial da Contabilidade Financeira ou Geral é o seu foco quanto às informações, pois a Contabilidade Gerencial preocupa-se em fornecer informações para usuários internos, tais como: controller, diretores, gerentes, etc.; ao passo que a Contabilidade Financeira fornece informações úteis para os usuários externos, como: acionistas, fiscos, fornecedores, etc.

Santos, Pinheiro, Fermo & Cunha (2002) procuram diferenciar conceitualmente a Contabilidade Financeira da Contabilidade Gerencial. Concluíram que a Contabilidade Gerencial está limitada a ações circunstanciais e personalizadas a uma determinada situação, momento e empresa, apesar de englobar todo o universo de procedimentos, técnicas e relatórios contábeis, pois afirmam que os mesmos são elaborados “sob medida para que a administração os utilize na tomada de decisões entre alternativas conflitantes”.

Há uma diferença substancial entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade Gerencial. A Contabilidade Financeira fornece os relatórios necessários à Contabilidade Gerencial. Que por sua vez, através das informações contidas nos relatórios contábeis filtra aquelas que são úteis para a tomada de decisões dentro da empresa.

           

1. 5. 3. O Processo de Tomada de Decisão nas Empresas

De acordo com Marion (2009, p. 25) freqüentemente tomamos decisões desde as mais simples às mais complexas. É evidente que as decisões mais importantes requerem maior cuidado e uma análise mais profunda sobre os dados disponíveis e critérios utilizados. Dentro das empresas ocorre a mesma situação. Os gestores das organizações freqüentemente precisam tomar decisões, na sua grande maioria, importantes e indispensáveis para a continuidade e sucesso de seus empreendimentos. Neste ínterim surge a necessidade de dados consistentes, de informações corretas, de subsídios que contribuam para uma boa tomada de decisões.

            Marion (2009, p. 25) afirma que a Contabilidade é o grande instrumento responsável no auxilio aos gestores neste processo de tomada de decisão. Pois ela coleta dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrando-os e sumarizando-os em relatórios que auxiliam no processo decisório. Em suma, sem Contabilidade o processo de tomada de decisão pode ficar seriamente comprometido, por falta de informações auxiliares e dados consistentes, os quais são indispensáveis.

Miotto & Lozeckyi (2008) abordaram em um trabalho de pesquisa semelhante a este aqui proposto, a importância da Contabilidade Gerencial na tomada de decisão dentro das empresas. Onde a problemática estabelecida para a pesquisa foi voltada em verificar se as pequenas e micro empresas do município de Coronel Vivida, Estado do Paraná, tinham acesso às informações contábeis que auxiliem na tomada de decisão.

Os autores desta pesquisa aplicaram um questionário em dezoito micro e pequenas empresas e detectaram através dos dados coletados que 47% dos gestores abordados no questionário utilizam a Contabilidade Gerencial como geradora de informações, planejamento e controle das operações para a maximização do lucro nas empresas. Observou-se ainda que 32% dos gestores estão percebendo a importância de terem em mãos dados atualizados para um melhor gerenciamento em suas empresas. E que 21% dos empresários entrevistados não fazem uso da Contabilidade Gerencial.

Para Miotto & Lozeckyi (2008), a implantação da Contabilidade Gerencial depende, sobretudo, do interesse do gestor em passar todas as informações reais de sua empresa ao contador responsável, e também da capacitação técnica do profissional contábil em dispor de informações, analisá-las e devolvê-las de forma que o gestor possa tomar a melhor decisão.

 

 

 

 

1. 5. 4. A importância da Micro e Pequena Empresa nos Cenários Econômico e Social

 

O art. 179 da CF diz: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão ás microempresas e as empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributarias e previdenciárias. (FABRETTI 2003, p. 38).

No que diz respeito às micro e pequenas empresas, pode-se afirmar com propriedade que elas são vitais à economia do país. Pois são responsáveis pela geração de emprego e renda. De acordo com dados de Spínola (2007, p. 7) as micro e pequenas empresas representam 99% do total das empresas em funcionamento no Brasil. Porém estes dados não são garantia de sucesso e lucratividade. É necessário que os proprietários e gestores das micro e pequenas empresas se despertem acerca da necessidade de se fazer uso de informações consistentes a fim de que possam gerir seus negócios de forma eficiente.

Segundo o IBGE (apud SEBRAE, 2004), no Brasil existem 4,6 milhões de empresas, sendo que, desse total, 99% são micro e pequenas empresas (Fig. 1). Os pequenos negócios (formais e informais) também respondem por mais de dois terços das ocupações do setor privado.

 

Fig. 1 – Classificação de Empresas quanto ao enquadramento.

No entanto, apesar da magnitude desse segmento, 31% desses estabelecimentos fecham as suas portas antes de completarem um ano de vida e 60% antes de atingirem cinco anos de existência, conforme exposto na figura 2, (SEBRAE, 2004). Assim, o real potencial sócio-econômico das MPEs é minimizado pela baixa longevidade que esses empreendimentos têm no Brasil.

 

 

Fig. 2 – Período de Sobrevivência das Empresas no Brasil

O SEBRAE destaca que o principal motivo desta mortalidade está ligado às falhas gerenciais, destacando-se problemas como falta de planejamento na abertura do negócio, falta de capital de giro, problemas financeiros (situação de alto endividamento), ponto comercial inadequado e falta de conhecimentos sobre gestão do negócio. O fechamento prematuro de empresas no país tem sido uma das maiores preocupações da sociedade e dos seus respectivos governos.

As micro e pequenas empresas evoluem constantemente, conquistando seu espaço, demonstrando seu papel no mercado de trabalho. Se tornando peças fundamentais com sua participação num cenário cada vez mais competitivo. O avanço destas empresas na economia mundial está se intensificando, o que as tornam indispensáveis para o desenvolvimento social e econômico dos países.

As micro e pequenas empresas (MPEs) têm sido cada vez mais alvo de políticas específicas para facilitar sua sobrevivência, como, por exemplo, a Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas, que cria facilidades tributárias como o  Simples Nacional. Estas políticas vêm de encontro à constatação que boa parte das MPEs morre prematuramente, e de certa forma têm surtido efeito neste embate, favorecendo a continuidade de muitas empresas enquadradas neste porte.

Diante do papel desempenhado pelas micro e pequenas empresas para o desenvolvimento dos países, vê-se a necessidade da continuidade das mesmas, e para que isso possa ocorrer é necessária uma gestão eficiente.

Os gestores de micro e pequenas empresas devem coordenar suas atividades com base na análise de relatórios financeiros fornecidos pela contabilidade, tais como Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultado de Exercício, Balancetes, Livros Caixas, etc. Fundamentando-se nas informações contidas nestes relatórios, devem analisar a capacidade de produção, tomar decisões para direcionar a empresa rumo ao lucro, buscar insistentemente alavancar suas operações. Eles são responsáveis pela tomada de decisões dentro da empresa, devendo se basear em fatos concretos e analisar profissionalmente o momento em que a empresa precisa aplicar recursos, isso se dá quando a empresa está obtendo lucros e conseqüentemente há dinheiro disponível, o qual deverá ser aplicado. Mas também deverá tomar a decisão de captar recursos junto a terceiros para financiar as atividades e operações da empresa quando há falta de caixa. Por esta razão a contabilidade gerencial é indispensável para toda empresa que queira crescer e sobreviver no mercado tão competitivo e exigente dos dias hodiernos.

 

1. 6. Metodologia

 

1. 6. 1. Pesquisa e Método

            Na concepção de Matias-Pereira (2010, p. 4), a pesquisa científica pode ser aceita como sendo a efetiva realização de uma investigação planejada, de acordo com as normas consagradas através da metodologia científica.

            Na abordagem de Both & Siqueira (2004, p. 17), a finalidade de uma pesquisa científica é relatar e comunicar os resultados obtidos na investigação. Para isso, possui normas técnicas padronizadas e formalismos que devem ser seguidos, em toda e qualquer pesquisa. A pesquisa visa à solução de problemas, empregando para isso o método científico e a investigação.

Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência. É o método de abordagem de um problema em estudo que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa (SEVERINO apud BOTH & SIQUEIRA, 2004, p. 4).

 

            “Método é um procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para conseguir-se alguma coisa, seja material ou conceitual” (MATIAS-PEREIRA, 2010, p. 10).    A metodologia é o conjunto de métodos que cada ciência particular propõe em ação.

            No entendimento de Barros (2006, p. 03), a metodologia consiste em examinar e avaliar as diversas técnicas da pesquisa. A metodologia é o caminho pelo qual o pesquisador percorre para a realização do trabalho de pesquisa.

 

1.6.2. Critérios de Pesquisa

            Com base na classificação de Beuren (2004, p. 80-93), utilizou-se na elaboração dessa pesquisa, os seguintes critérios:

a)      Quanto aos objetivos: Exploratória.

b)      Quanto aos procedimentos Técnicos: Bibliográfica.

c)      Quanto à abordagem do problema: Quantitativa.

            Na visão de Vergara (2007, p. 46), a pesquisa exploratória é realizada na área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. Devido sua natureza de abordagem, não comporta hipóteses que, no entanto, poderão surgir durante ou ao final da pesquisa. Furasté (2006, p. 38) acrescenta que a pesquisa exploratória, busca apenas mais informações sobre o que está sendo estudado.

            Para Beuren (2004, p. 80), a pesquisa exploratória ocorre quando há pouco conhecimento sobre o assunto abordado, buscando com maior profundidade o assunto, com o intuito de torná-lo mais claro.

            “A pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o problema com intuito de torná-lo explícito ou de construir hipóteses” (MATIAS-PEREIRA, 2010, p. 72).

            Para Cervo e Bervian (1983) a pesquisa bibliográfica é aquela que define um problema com base em referenciais bibliográficos teóricos. Na concepção de Gil (1999) é uma pesquisa desenvolvida mediante consulta em material previamente já elaborado, principalmente livros e artigos científicos.

            A pesquisa bibliográfica deve, impreterivelmente, atender os objetivos propostos pelo autor e na visão de Furasté (2006) deve se basear fundamentalmente no manuseio de obras literárias querem impressas, querem baixadas por intermédio da rede mundial de computadores (internet). É largamente o tipo de pesquisa mais utilizado pelos pesquisadores contemporâneos.

Quanto à abordagem do tema trata-se de uma pesquisa quantitativa, pois se utiliza dos dados para cálculos estatísticos. 

 O questionário aplicado na entrevista com as empresas (apêndice) teve como objetivo coletar dados tais como: quantidade de funcionários das empresas; faturamento anual; como a contabilidade é realizada na empresa ou em escritório de contabilidade; tipos de contabilidade realizados pela empresa e área de preocupação quanto à gestão da empresa. Com a finalidade de se verificar as condições gerenciais das empresas pesquisadas.

            Nesta pesquisa foi utilizada a pesquisa bibliográfica para obter conceitos e definições acerca da contabilidade, contabilidade gerencial, micro e pequenas empresas, tomada de decisão e métodos de pesquisa.

            As entrevistas com os gestores das empresas foram realizadas com base em roteiro pré-elaborado com questões estruturadas com a finalidade de se obter informações sobre a geração de empregos; sobre o faturamento anual das empresas a fim de se saber o enquadramento das mesmas se são ME ou EPP; informações dos tipos de contabilidade realizados pela empresa; e o nível de preocupação dos gestores quanto à gestão das empresas.

            Em relação à abordagem quantitativa foi evidenciada a porcentagem de geração de empregos pelas micro e pequenas empresas; a porcentagem de micro e pequenas empresas quanto ao faturamento anual; o percentual de empresas que fazem a contabilidade dentro da organização e o percentual das empresas que fazem a contabilidade em escritórios de contabilidade; o percentual dos tipos de contabilidade realizados pelas empresas; e o percentual do nível de preocupação dos gestores quanto à gestão das empresas.

            Os dados obtidos foram analisados, interpretados e apresentados através de gráficos, os quais estão expostos nos Resultados e Discussão desta pesquisa.

           

1.6.3. Área de Estudo

            A pesquisa foi realizada em Nova Xavantina, pequena cidade situada no leste do Estado de Mato Grosso. Que de acordo com o último censo (IBGE, 2010) possui uma população de aproximadamente 19.398 habitantes.

 

1.6.4. Público Alvo

            Foram escolhidas empresas de ramos variados de forma aleatória para a aplicação dos questionários para a coleta de dados para análise e discussão. Dentro do universo pesquisado encontram-se empresas dos ramos: comércio varejista de materiais de construção, prestação de serviços de assessoria e consultoria, comércio varejista de equipamentos eletrônicos, comércio varejista de combustíveis, serviços de hotel, comércio varejista de roupas e comércio varejista de celulares.

            O universo pesquisado é composto por dez micro e pequenas empresas do município de Nova Xavantina-MT, sendo que os nomes destas empresas não foram revelados para que mantivesse o sigilo das mesmas.

2. Análise dos Resultados

            As dez empresas foram entrevistadas em Abril de 2011. Mediante a aplicação do questionário constatou-se que a grande maioria das empresas possui de zero a cinco colaboradores, 70% do total, 10% possuem entre seis a dez e 20% possuem entre onze a quinze colaboradores (Fig. 3).

 

 

Fig. 3 – Período de Sobrevivência das Empresas no Brasil

 

De acordo com dados divulgados pelo site do SEBRAE de Santa Catarina com base em informações do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, as microempresas foram responsáveis por um terço dos empregos gerados no Brasil em fevereiro de 2011, totalizando 103 mil novas contrações. Sendo que as empresas que contam com até quatro empregados geraram mais 33% das vagas abertas. As empresas que empregam entre cinco e dezenove funcionários geraram 8,4 mil novos postos de trabalho. Enquanto as empresas que possuem entre 20 a 99 empregados criaram 45,5 mil novas vagas de empregos.

            Indubitavelmente, a micro e pequena empresa é grande geradora de emprego e renda. Por esta causa a sua continuidade é de suma importância para a economia nacional. Criar mecanismos para favorecer o seu fortalecimento e aumentar sua lucratividade são medidas corretas e necessárias. É importante enfatizar também a necessidade de uma gestão racional e eficiente por parte de seus administradores e proprietários embasados em informações da contabilidade que auxiliem no processo decisório.

A maioria das empresas do município de Nova Xavantina-MT são microempresas, as quais são responsáveis por geração de empregos diretos e indiretos, influenciando consideravelmente na geração de renda ao seus habitantes. No contexto econômico-social são de suma importância, e o fechamento precoce de empresas deste porte em Nova Xavantina é altamente prejudicial à economia do município.

            Quanto ao faturamento anual 20% responderam que estão na faixa de 36.000,00, 30% faturam entre 36.001,00 a 120.000,00, 30% faturam de 120.001,00 a 240.000,00 e os outros 20% faturam de 240.001,00 a 2.400.000,00.

 

 

 

Todas as empresas abordadas se tratam de micro e pequenas empresas. Sendo que 80% são micro e 20% são empresas de pequeno porte. As pequenas empresas foram classificadas, segundo sua receita bruta anual, em Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP). Podem se habilitar como Microempresas as empresas com faturamento anual de até R$ 240 mil e, como EPP, aquelas que obtiverem faturamento entre R$ 240.000,01 e R$ 2.400.000,00.

A Contabilidade Gerencial é uma ferramenta que pode ser utilizada no processo de tomada de decisão destas empresas pelos seus gestores e contadores, com a finalidade de alavancar o seu faturamento e conseqüentemente elevar os seus lucros. Uma má gestão pode omitir informações importantes à boa saúde de uma organização e levá-la à morte precoce.

            Quando abordados acerca da forma da realização da Contabilidade, a grande maioria respondeu que prefere fazer uso dos serviços de escritórios de contabilidade, ou seja, 90% dos entrevistados, e apenas uma empresa faz a contabilidade dentro da própria organização.

 

 

           

A escolha das organizações contábeis para a realização da contabilidade de empresas é uma opção mais econômica do que ter um profissional contábil exclusivo, pois isso geraria uma despesa maior com salários e encargos sociais. Para a contratação de um profissional exclusivo a empresa precisa analisar o custo benefício. Verificar se este fato vai contribuir para o crescimento da organização ou se apenas elevará as despesas.

             Na pesquisa desenvolvida por Miotto & Lozeckyi (2008) foi constatada uma realidade semelhante a esta, onde 89% do público entrevistado optaram pela realização da contabilidade em escritórios de contabilidade pelo fato do custo ser menor.

            Em relação aos tipos de contabilidade realizados 70% do público entrevistado responderam que realizam apenas a Contabilidade Fiscal e 30% responderam que realizam tanto a Contabilidade Fiscal quanto a Contabilidade Gerencial.

 

 

           

A Contabilidade Fiscal é realizada apenas para cumprir com as exigências dos fiscos municipal, estadual e federal. Porém as informações geradas por ela podem ser perfeitamente utilizadas pela Contabilidade Gerencial. Através das informações geradas na apuração dos tributos pode-se incrementar um planejamento tributário na empresa embasando-se no princípio da elisão fiscal. Buscando reduzir a carga tributária incidente nas operações da empresa de forma legal, evitando desta forma a sonegação fiscal e possíveis sanções legais.

            A realização da Contabilidade Gerencial é uma opção plausível, pois a mesma é uma ótima ferramenta de gestão. A informação gerencial contábil tem diversas funções tais como: controle operacional, custeio de produtos, controle administrativo e estratégico. De acordo com Atkinson et. al. (2000, p. 45) 0s relatórios da Contabilidade Gerencial devem atender, sobretudo, ao planejamento e controle gerenciais das atividades. O contador gerencial por sua vez deve fazer uso das informações úteis para o processo decisório da empresa. O processo gerencial é bem dinâmico, os seus usuários não podem esperar que um único relatório atenda todas as necessidades da empresa. É preciso que se adéqüe a informação gerencial de forma que venha atender diferentes tipos de interessados.

            Acerca da preocupação no tocante a gestão da empresa 70% responderam que se preocupam apenas com o controle das atividades e 30% responderam que se atentam com o planejamento das atividades.

 

 

           

O planejamento das atividades da empresa é algo muito importante, pois se tratando de competitividade, as empresas precisam dar respostas cada vez mais rápidas às demandas de mercado, às exigências dos clientes, quanto à qualidade dos serviços prestados, quanto à certificação das mercadorias vendidas, entre outros. Em certas ocasiões, somente o controle das atividades desempenhado pelos gestores não é suficiente para uma boa tomada de decisão. Pois certas situações exigem planejamento, ou seja, exigem uma previsão ou antecipação de informações que possam minimizar impactos negativos na gestão da empresa.

            Neste contexto a Contabilidade Gerencial se torna indispensável, pois através dela o gestor da micro e pequena empresa pode ter acesso a todas as informações necessárias para uma tomada de decisão que anteveja situações impactantes e com isso, se preparar para enfrentar a adversidade prevista.  

             

 

 

 

 

 

 

 

3. Considerações Finais

 

A contabilidade gerencial é uma ferramenta de gestão fundamental para a tomada de decisões dentro das micro e pequenas empresas, pois a mesma fornece uma série de informações que podem evidenciar a real situação da empresa em um dado momento.

As micro e pequenas empresas representam uma ampla maioria das empresas nacionais, porém esse índice não é fator condicionante para sucesso e perpetuação destas. É necessária uma gestão racional e eficiente por parte seus proprietários, gestores ou sócios, a fim de dar continuidade às atividades das mesmas.

            De maneira geral, o insucesso na gestão da micro e pequena empresa ocorre devido à falta de um gerenciamento equilibrado e eficaz, ocasionando desta forma o fechamento precoce de muitas delas.

            Através da contabilidade gerencial os gestores têm melhor visibilidade para administrarem seus recursos, buscando melhores alternativas para a empresa. E a mesma consiste numa eficiente ferramenta de gestão das micro e pequenas empresas, pois possibilita ao micro e pequeno empresário a visualização de seu negócio em determinado instante e, quando embasada em informações consistentes, indica a melhor decisão a ser tomada, desempenhando fundamental papel no apoio gerencial.

           

4. Referências Bibliográficas

 

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BARROS, A. J. P.; LEHFELD, N. A S. Projeto de Pesquisa: Proposta metodológica. 12 ed. Petrópolis: Vozes, 1990.

BEUREN, I. M. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004.

BOTH, S. J.; SIQUEIRA, C. J. So. Metodologia Científica: faça fácil sua pesquisa. Tangará da Serra: São Francisco, 2004.

CERVO, A. L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. 1. ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983.

FABRETTI, L. C. Prática Tributaria das Micro, Pequenas e Média Empresa. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2003.

FURASTÉ, P. A. Normas Técnicas para o Trabalho Científico: elaboração e formatação. 14 ed. Porto Alegre: 2006.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Coordenação de Serviços e Comércio. II. Série. As micro e pequenas empresas comerciais e de serviços no Brasil 2001. Estudos e Pesquisas: Informação Econômica n. 1. Rio de Janeiro: IBGE, 2003.

IUDÍCIBUS, S. Contabilidade Gerencial. 6 ed. São Paulo: Atlas, 1998.

MARION, J. C. Contabilidade Básica. 6 ed. São Paulo: Atlas 1998.

MARION, J. C. Contabilidade Empresarial. 15 ed. São Paulo: Atlas 2009.

MATIAS-PEREIRA, J. Manual de metodologia e pesquisa científica. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2010.

SEBRAE. Fatores condicionantes e taxa de mortalidade de empresas no Brasil. Relatório de Pesquisa. Brasília, 2004.

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CONTABILIDADE GERENCIAL: FERRAMENTA DE GESTÃO PARA A TOMADA DE DECISÕES DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

 

Apêndice – Roteiro das Entrevistas

Questionário aplicado na coleta de dados:

1-     Quantidade de funcionários

a)      (  ) de 0 a 5.

b)      (  ) de 6 a 10.

c)      (  ) de 11 a 15.

d)      (  ) de 16 a 20.

 

2-     Faturamento Anual:

a)      (  ) Até 36.000,00.

b)      (  ) De 36.000,01 a 120.000,00.

c)      (  ) De 120.000,01 a 240.000,00.

d)      (  ) De 240.000,01 a 2.400.000,00.

 

3-     A Contabilidade é realizada na Empresa:

a)      (  ) Sim.

b)      (  ) Não.

 

4-     Tipos de Contabilidade realizados:

a)      (  ) Somente a Fiscal.

b)      (  ) Fiscal e Gerencial.

 

5-     Área de preocupação, quanto à gestão da empresa;

a)      (  ) Planejamento das atividades.

b)      (  ) Controle das atividades.

c)      (  ) Com nenhuma delas.  

 
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Especialista em Gestão Empresarial e Educação Ambiental pela Faculdade Phênix e pela UNIVALE; Bacharel em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário UNISEB; Bacharel em Teologia pelo FACETEN; Biólogo pela UNEMAT. Atua nas áreas de consultoria, assessoria e instrutoria empresarial. Atua como docent...
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