CONFORTO TÉRMICO E ALCALOSE DAS AVES
 
CONFORTO TÉRMICO E ALCALOSE DAS AVES
 


CONFORTO TÉRMICO E ALCALOSE DAS AVES - Breve Revisão de Literatura

José R..Silva; Jamil F. H. Guedes; Jean Gualberto R.; Roberto R.Sobreira;

Conforto Térmico das Aves na Região Sulamericana

Considerando-se que a temperatura interna das aves varia entre 40-41 °C, a temperatura ambiente indicada para frango de corte, poedeiras e matrizes, segundo Ferreira (2005), poderá oscilar entre 15 e 28 °C, sendo que nos primeiros dias de vida a temperatura deve ficar entre 33 a 34 °C, dependendo da umidade relativa do ar, que pode variar de 40 a 80%.
Dentre os fatores do ambiente, os térmicos são os que afetam mais diretamente a ave, pois comprometem sua função vital mais importante, que é a manutenção de sua homeotermia (FURTADO; AZEVEDO; TINOCO, 2003). Se essas condições estão próximas das ideais, é grande a probabilidade de se obter alta produtividade. A zona de termoneutralidade está relacionada a um ambiente térmico ideal, onde as aves encontram condições perfeitas para expressar suas melhores características produtivas. Do ponto de vista bioclimático, um dos principais fatores que influenciam na carga térmica de radiação incidente são os telhados, principalmente em decorrência dos materiais de cobertura (IÁNGLIO et al, 2007).
Em climas subtropicais e os tropicais alguns valores de temperatura e umidade relativa do ar são restritivos ao desenvolvimento, à produção e à reprodução dos animais. Este fato é comprovado, sobretudo na avicultura, sendo que a habilidade apresentada pelas aves na troca térmica com o ambiente é fortemente afetada pelas instalações como foi dito por Iánglio et al, (2007). Como os galpões de aves brasileiros não são termicamente isolados, as amplitudes críticas de temperatura e umidade externas são imediatamente transferidas para o interior dos galpões, podendo provocar índices de mortalidade altos (NACAS et al., 1995).
Para Nããs et al. (2001) o telhado é o elemento construtivo mais significativo em uma instalação avícola, quanto ao controle da radiação solar incidente. O fluxo de calor através das coberturas, juntamente com as elevadas temperaturas na face inferior das telhas, é a causa principal do desconforto no interior das instalações. A ventilação é necessária para eliminar o excesso de umidade do ambiente e da cama, provenientes da água liberada pela respiração das aves e dos dejetos, permitir a renovação do ar e eliminar odores (FURTADO; AZEVEDO; TINOCO, 2003), e que uma das alternativas para melhorar as condições térmicas e promover a renovação do ar, é a ventilação forçada. Quando não há problemas com a saturação do ar dentro dos aviários, pode-se utilizar o sistema de resfriamento evaporativo, constituído basicamente pelo uso de nebulizadores, permitindo que o ar não saturado do ambiente entre em contato com a água em temperatura mais baixa, ocorrendo então à troca de calor entre o ar e a água. Para reduzir a temperatura da telha e circunvizinhança nas horas de calor intenso, pode-se utilizar aspersão sobre a cobertura.A produção avícola, por sua competitividade, requer construções simples, projetadas de forma que permita o condicionamento térmico natural, sendo utilizado o sistema artificial de condicionamento somente quando não se vislumbrar outra situação (ABREU; ABREU, 2002).
Ao se planejar uma instalação, ou seja, promover o condicionamento térmico da mesma é necessário conhecer as características do meio natural que constituem o clima local e compará-las com as condições de conforto fisiológico das aves para as quais se projeta a instalação. Do confronto das duas situações obtêm-se as modificações que devem ser realizadas na situação climática natural, deduzem-se os meios para obtê-las e elaboram-se soluções técnicas construtivas e energéticas. O projeto, a construção e, particularmente, o uso dos aviários devem adaptar-se às novas situações que derivam das condições energéticas atuais. É necessário desenvolver o tema do isolamento térmico dos aviários como uma das estratégias de usar racionalmente a energia e obter o conforto térmico das instalações, através da adequação às condições climáticas locais, pois o clima apresenta-se como um dos elementos fundamentais no consumo de energia da edificação (MASCARÓ; MASCARÓ 1988).
As variáveis do clima ditam os níveis necessários de controle artificial no sistema de manejo e, consequentemente, no custo econômico do manejo microambiental. Temperaturas ambientais muito elevadas, associadas a altos valores de umidade relativa do ar, causam redução no desempenho produtivo. O distanciamento da temperatura ambiente das temperaturas próximas à região termo neutra dos animais, perturbam o mecanismo termodinâmico que as aves possuem para se protegerem de extremos climáticos (IÁNGLIO et al, 2007). O Brasil possui grande diversidade climática. Apesar dessa diversidade, a temperatura e a intensidade de radiação são elevadas em quase todo o ano e têm sido associadas ao estresse calórico. Esse problema tende a ser mais intenso na criação em alta densidade, face ao maior número de aves no aviário, conduzindo a maior produção de calor e ao estresse calórico (ABREU; ABREU, 2002).
A avicultura é uma atividade que depende muito do conforto, especialmente porque nos últimos anos as aves passaram por avançado melhoramento genético e apresentam elevado potencial produtivo. É preciso estrutura adequada para manter e dar continuidade a essa evolução, pois precisamos manter as aves protegidas dos efeitos ambientais externos, e nesse ponto a versatilidade é fundamental, pois o aviário deve estar preparado para proporcionar o melhor conforto térmico nos dias quentes e impedir que o calor gerado no interior das instalações seja facilmente dissipado nos dias frios (FERREIRA, 2005).
A escolha do local adequado para implantação do aviário visa aperfeiçoar os processos construtivos, de conforto térmico e sanitário. O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e se evite a obstrução do ar por outras construções, barreiras naturais ou artificiais. O aviário deve ser situado em relação à principal direção do vento se este provir do sul ou do norte. Caso isso não ocorra, a localização do aviário, para diminuir os efeitos da radiação solar no interior, prevalece sobre a direção do vento dominante. A direção dos ventos dominantes e as brisas devem ser levadas em consideração para aproveitar as vantagens do efeito de resfriamento no trópico úmido. Escolher o local com declividade suave, voltada para o norte, é desejável para boa ventilação (FURTADO; AZEVEDO; TINOCO, 2003).
As inovações tecnológicas adotadas para a criação de frangos de corte objetivam obter aviários que proporcionem conforto térmico, auxiliando as aves na expressão do seu potencial genético de produção. Dessa forma, para a concepção desses aviários, é necessário a sistematização dos dados climáticos da região onde será implantada a criação, comparando-os com as exigências das aves para definir quais as soluções construtivas necessárias que promovam o conforto térmico das aves, com menor custo (MASCARÓ; MASCARÓ 1988).

Alcalose das Aves

Quando a temperatura ambiente se eleva acima da zona de termoneutralidade das aves, esta é submetida a uma condição de estresse, podendo gerar hipertermia aguda, alcalose respiratória, desequilíbrio eletrolítico, redução no consumo de alimento, menor taxa de crescimento, aumento na mortalidade e/ou até mesmo efeitos negativos na qualidade da carne, pela incidência de carnes pálidas e, em outros casos, escuras, interferindo nas propriedades como rendimento industrial, capacidade de retenção de água, cor e maciez. Os resultados de avaliação dos parâmetros de qualidade observados na literatura evidenciam que o estresse térmico, crônico ou agudo sofrido por frangos de corte geram consequências negativas sobre as propriedades funcionais da carne (BROSSI, et al 2009).Finalmente, as aves desenvolvem hipertermia severa, caracterizada por aumento do pH sanguíneo, indicando presença de alcalose respiratória e metabólica (HOCKING et al., 1994; SANDERCOCK et al., 2001, Apud BROSSI, et al, 2009). Nesse sentido, a hipertermia aguda e a alcalose respiratória em frangos são consideradas causadoras de efeitos deletérios para a produção eficiente de carne de frango e para um rendimento industrial satisfatório (HOWLINDER & ROSE, 1989 Apud BROSSI, et al 2009).

Referências Bibliográficas
ABREU; V.M.N., ABREU, P.G. de. Diagnóstico Bioclimático para a Produção de Aves no Estado de Goiás. Concórdia, Embrapa Suínos e Aves, 10p. (Embrapa Suínos e Aves. Comunicado Técnico, 322). 2002.
BORGES S.A., MAIORKA A., SILVA A.V.F., SOUZA A.F., Fisiologia do estresse calórico e a utilização de eletrólitos em frangos de corte - Revisão bibliográfica. Ciência Rural, Santa Maria, v.13, n.5, p 975-981, set ? out, 2003.
BROSSI C., CONTRERAS-CASTILLO C.J., AMAZONAS E.A., MENTEN J.F.M. Estresse térmico durante o pré-abate em frangos de corte. Ciência Rural v.39 n.4 Santa Maria. Mar, 2009.
DANIEL EMYGDIO DE FARIA FILHO. Aspectos produtivos, metabólicos, econômicos e Ambientais da nutrição protéica para frangos Expostos ao calor. Universidade estadual paulista "Julio de Mesquita Filho" Faculdade de ciências agrárias e veterinárias. Jaboticabal, São Paulo, fev. 2006.
FERREIRA, R. A. Maior produção com melhor ambiente para aves, suínos e bovinos. Viçosa: Aprenda Fácil, 2005. 371p.
FURTADO, D. A.; AZEVEDO, P. V. TINOCO, I. F. F. Análise do conforto térmico em galpões avícolas com diferentes sistemas de acondicionamento. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental. v.7, n.3, p.559-564, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbeaa/v7n3/v7n3a25.pdf. Acessado em: 23/06/2011.
IÁNGLIO M. T. D. et al. Avaliação de índices de conforto térmico de instalações para poedeiras no nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental. V.11, n.5, p.527?531, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbeaa/v11n5/v11n05a13.pdf. Acessado em: 23/06/2011.
MASCARÓ, J.L.; MASCARÓ, L.M. 1988. Uso racional de energia em edificações: isolamento térmico. São Paulo. Agência para aplicação de energia. 51p (a).
NÃÃS, I.A. et al. Avaliação térmica de telhas de composição de celulose e betumem, pintadas de branco, em modelos de aviários com escala reduzida. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v.21, n.2, p.121-126, 2001.
NACAS, I. A. et al. A amplitude térmica e seu reflexo na produtividade de frangos de corte. In: Conferência Apinco de Ciência e Tecnologias Avícolas, 1995. Anais... Campinas: FACTA. 1995, p.203-204.
OLIVEIRA, P. A. V. et al. Efeito do tipo de telha sobre o acondicionamento ambiental e o desempenho de frangos de corte. In: Conferência Apinco de Ciência e Tecnologia Avicolas, 1995, Curitiba. Anais... Curitiba: FACTA, 1995. p.297-298.
 
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Sobre este autor(a)
Estudante de Medicina Veterinária da Facastelo
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