Como seria o mundo sem a minha presença.
 
Como seria o mundo sem a minha presença.
 


Como seria o mundo sem a minha presença...
*Simone Teixeira Barrios
Resumo:
Este texto foi escrito a pedido do professor Victor Hugo da disciplina Ecologia Onírica, da Furg em novembro de 2010. Os dias ainda não se definem entre frios e quentes, mesmo assim precisei debruçar as minhas idéias devaneantes sobre como seria o mundo sem mim. Confesso não é um exercício sereno nem tão pouco simples mas no texto deixo claro que sem a minha presença o mundo seria menos eu porque não teria nele as minhas memórias e a minha vida!

Queria imaginar e recompor o mundo sem a minha presença física, sem as minhas dores, os meus sonhos felizes como diria o professor Victor Hugo Guimarães , mas não consigo sair do lugar em que estou, não consigo ficar invisível e indizível(Mafessoli) , tento por alguns minutos entrar em solidão ou seria poeticamente solitude, para ver o mundo longe de mim mas é uma estranha sensação de não existência que me faz pensar o quanto vazia estaria eu sem o mundo em mim e eu no mundo. Estranhamento ou vaga sensação de onipotência de que o mundo para ser mais mundo precisaria de mim? são devaneios necessários para entender o quanto somos frágeis frente a existência . Queria me recompor de imagens não presentes em mim ... mas não consigo fazer isso porque os meus sonhos fazem com que eu sinta a minha própria presença , embora fugaz, ligeira, rápida, por entre as flores, o sol, a lua, a vida, portanto, eu existo no mundo. Penso por alguns minutos, sem a minha presença o mundo seria um habitat menos eu.
o que poderia significar isso? um mundo sem a mim mesma?? volto meu pensamento à divagações que aguçam os meus sentidos de humanidade e penso que seria como perder a minha casa... sim é como deixar a minha casa por um longo ou eterno tempo... um não voltar mais à casa. Isso traz a revelação quase que concreta do insensato momento de que me despediria de mim mesma, digo insensato porque não quero sair do meu espaço, das minhas memórias... não por agora pelo menos. talvez fosse o momento de aguçar a minha visão para outros cantos, outras sensações mas para isso devo aguçar a curiosidade. Este devaneio ... que chega a ser íntimo quero compartilhar com Bachelard:
"A vontade de olhar para o interior das coisas torna a visão aguçada, penetrante. Transforma a visão numa violência. Ela detecta a falha, a fenda, a fissura pela qual se pode violar o segredo das coisas ocultas. A partir dessa vontade de olhar para o interior das coisas, de olhar o que não se vê, o que não se deve ver, formam-se estranhos devaneios tensos, devaneios que formam um vinco entre as sobrancelhas. Já não se trata então de uma curiosidade passiva que aguarda os espetáculos surpreendentes, mas sim de uma curiosidade agressiva, etimologicamente inspetora. É esta a curiosidade da criança que destrói seu brinquedo para ver o que há dentro." (BACHELARD, 2003, p. 8).

As idéias que este texto trazem são idéias provenientes da imaginação por isso falo sobre sair ou entrar na casa ou diria mais, entrar e sair do mundo. São sensações de não existência que se volta para meu pensamento sensível ao apelo de ver o mundo sem a minha presença. Idéias, divagações que se entre cruzam com o sentido de vida que habita no meu corpo físico e terreno.
Quando penso em olhar as coisas de dentro de mim mesma ou da minha inexistência no mundo, recordo das palavras de Hermeto Pascoal no documentário Janela da Alma em que ele mostra, aponta com os dedos que os olhos que devíamos enxergar seriam os olhos do cérebro e da alma exercitados pela sensibilidade e não os olhos que nos limitam e freiam as nossas emoções. Se fosse assim seria simples demais viver sem a minha presença.
Mas, insisto que não quero deixar a minha casa e ser invisível ao mundo ou aos meus mundos... seria como me retirar no melhor momento da festa e prefiro me ver e ver o mundo ... assim desse jeito do meu jeito. Por hora, decidi, prefiro não sair de cena, se por acaso for inevitável, o mundo ainda continuaria mundo... mas confesso: acho que menos EU!

Referências Bibliográficas:

Bachelard,Gaston. A poética do espaço. Martins Afonso,SP,2003.

*Pedagoga e mestre em educação
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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