AVALIAÇÃO ESCOLAR: DO CONCEITO EMANCIPATÓRIO Á PRÁTICA PUNITIVA
 
AVALIAÇÃO ESCOLAR: DO CONCEITO EMANCIPATÓRIO Á PRÁTICA PUNITIVA
 



AVALIAÇÃO ESCOLAR: DO CONCEITO EMANCIPATÓRIO Á PRÁTICA PUNITIVA


GILVANILDO DE JESUS BARBOSA
JOSENILDO TERTULIANO SANTOS SILVA
SANDRA SILVA SOUSA E SILVA

Resumo:
Este trabalho parte da compreensão de que a avaliação no campo da educação está interligada a todos os níveis, focalizando de forma mais enfática a sala de aula, e o processo ensino-aprendizagem. A aquisição de conhecimento viabiliza o crescimento intelectual do ser humano, e para que essa assimilação de conhecimento seja verificada se faz valer uma avaliação. Por isso, a escolha do referencial teórico toma proporções imprescindíveis, e por meio dele nos foi possível analisar os principais conceitos de avaliação no ambiente da escola, dentre outros, além de diagnosticar, acompanhar e classificar o sujeito no processo de ensino-aprendizagem. Dente os diferentes propósitos, a avaliação visa à promoção do aluno de uma série para outra, e ao aperfeiçoamento do trabalho pedagógico. Não existe uma forma única de se avaliar, requer do educador disponibilidade e interesse para que o educando aprenda, a partir do que foi assimilado, o professor redirecione sua ação sempre que for necessário, que ele compreenda que avaliação é um processo contínuo, que permite repensar sua prática de ensino.

Palavras-chaves: Avaliação da aprendizagem, atribuição de notas, fracasso escolar.


Artigo cientifico, produzido pelos alunos do 8º período c do curso de pedagogia 2007/2 da Faculdade São Luís de França, sobre orientação do professor M.Sc Antônio Ramos

Introdução

O termo Avaliação Escolar: do Conceito Emancipatório á Prática Punitiva, vem sendo discutida em diversos segmentos da educação. Mas na verdade qual o sentido da Emancipação.
Segundo o Filósofo Kant, a emancipação é o mesmo que esclarecimento, todos (homem ou mulher) podem alcançar esclarecimento sobre qualquer assunto, embora a grande maioria não queira praticar ou desenvolver tal condição moral, seja por comodismo, oportunismo, medo ou preguiça, portanto, ser esclarecido não é apenas ter um profundo conhecimento sobre um assunto (condição de Scholar), mas combinar isso com a conquista da autonomia passo moral fundamental apenas dado por uma minoria. Nesse sentido, todos potencialmente podem esclarecer-se, já que possuem capacidade de pensar, mas nem todos conseguem superar o medo, a preguiça ou o interesse particular para alcançar a condição de esclarecimento. O esclarecimento requer nada além do que liberdade e o mais puro de tudo isso é a liberdade de fazer uso público da razão em qualquer assunto. Por outro lado, o uso privado da razão freqüentemente pode ser restrito, mas isso não necessariamente retarda o processo de esclarecimento.
Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servi-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! [Ousar saber] Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento (KANT, I. "Resposta à Pergunta: Que é 'Esclarecimento'", p. 100).
Embora não pareça verdade, mas a punição vem de antigamente como um sistema severo de punir alguém por algo que o mesmo cometeu, observamos um trecho do livro de Foucault, em Vigiar e Punir, ele descrever a história do poder de punir como história da prisão, cuja instituição muda o estilo penal, do suplício do corpo da época medieval para a utilização do tempo no arquipélago carcerário do capitalismo moderno. Assim, demonstrando a natureza política do poder de punir, o suplício do corpo do estilo medieval (roda, fogueira etc.) é um ritual público de dominação pelo terror: o objeto da pena criminal é o corpo do condenado, mas o objetivo da pena criminal massa do povo, convocado para testemunhar a vitória do soberano sobre o criminoso, o rebelde que ousou desafiar o poder. O processo medieval é inquisitorial e secreto: uma sucessão de interrogatórios dirigidos para a confissão, sob juramento ou sob tortura, em completa ignorância da acusação e das provas; mas a execução penal é pública, porque o sofrimento do condenado, mensurado para reproduzir a atrocidade do crime, é um ritual político de controle social pelo medo.
Saindo do medieval, nos deparamos com o sistema de ensino, que algum tempo atrás punia seus alunos com castigo severo, como o milho, a palmatória, o castigo em que a criança ficava virada para a parede entre outro, se comparamos podermos perceber que a punição é o ato da machucar o corpo, embora não seja como antes, hoje percebemos a punição como uma forma de exclusão, fracasso, repetência. no processo de ensino aprendizagem.
Nessas quase duas décadas de magistério, chegamos à desconfiança de que o sistema de tirânico de atribuir notas e médias finais, concentrado no poder autoritário do professor, têm estimulados os desvios éticos na formação escolar. Queremos dizer que quanto mais a escola for dura, rigorosa, mais esse clima hostil é reproduzido nos modelos de avaliação escolar e nas "estratégias de defesa" dos educando.
Dessa forma, poder-se-ia afirmar que o ensino, a aprendizagem e a avaliação são partes integrantes, não podendo ser considerados como processos independentes e distintos. Essa integração deve ter como resultado uma educação em que se atenda a necessidade de mudanças, transformações e inovações nos diversos segmentos da formação humana, não bastando aos alunos apenas o entendimento dos conceitos, mas sendo preciso uma compreensão do processo para assim, apropriarem-se dos conteúdos do saber fazer, dos procedimentos a serem utilizados na prática e em suas atitudes como ser humano e como cidadãos.
Precisamos melhorar a forma de avaliação, pois, ela é contínua e contribui com o processo de ensino-aprendizagem, então não deve ser feita de forma aleatória e sim de uma maneira consciente, em que os alunos entendam o que a mesma requer, quais seus reais objetivos, e até que ponto ela contribui no processo de ensino-aprendizagem.
Avaliação escolar do conceito emancipatório á prática punitiva foi a maneira em que nós encontramos de poder questionar e verificar se os professores estão agindo de forma correta em seu modo de avaliar, uma vez que a avaliação precisa ser um conjunto de ações reunidas que ofereça ao professor condições que lhe permitam decidir em que momento dar-se-á essa avaliação, e que aspectos precisam ser retomados no seu processo de ensino aprendizagem, explicando para seus alunos quais as reais condições sociais, políticas e econômicas.
O surgimento dos processos avaliativos, em educação, deve ser tomado de forma estruturada e específica, que incidem no desenvolvimento e aperfeiçoamento da aprendizagem, causando mudanças e inovações da própria organização. Diante deste contexto entende-se que a prática avaliativa seja investigativa, e não sentenciada, mediadora e não constativa, porque é a dimensão da interação do aluno com o conteúdo que justifica a avaliação em educação, como a própria mediação entre o educando e sua realidade e não partindo de concepções, as quais não tragam clareza em seus fundamentos e competências isoladas que não respondem tão bem ao contexto disciplinar.
O ato de avaliar, por sua constituição mesmo, não se destina a um julgamento definitivo sobre alguma coisa, pessoa ou situação, pois que não é seletivo. A avaliação se destina ao diagnóstico, por isso mesmo, à inclusão; destina-se à melhoria do ciclo de vida. Deste modo, por si, é um ato amoroso. Infelizmente por nossas experiências histórico-sociais e pessoais, temos dificuldades em assim compreendê-las e praticá-las. (Luckesi, 2000. p.18).

Contudo, fica esclarecido que o valor da avaliação encontra-se de fato no aluno, podendo tomar conhecimento de seus avanços e dificuldades. E que o termo avaliar está envolvido a uma concepção pedagógica, bastante ampla, concebendo situações em que os alunos devem encarar a avaliação como uma forma progressiva na construção do conhecimento, seguindo valores ou bases criteriosas, desde que os professores escolham procedimentos, inclusive aos que se refere à coleta de dados comparados e postos em choque com o contexto e a forma como foram produzidos, a partir de experiências cotidianas.
O que justifica a escolha deste tema é a investigação sobre o que está acontecendo nas escolas, visto que os alunos são alvos de uma prática punitiva. Sendo assim, os professores não estão com o comprometimento da prática avaliativa como intervenção pedagógica. O que está ocorrendo é que os professores estão medindo a capacidade dos alunos. Como relata alguns autores é preciso mudar a forma de se avaliar, queremos um ensino de qualidade e também diminui a repetência e evasão escolar. O grande causador dessa prática é a avaliação em que os professores estão aplicando de uma forma completamente fora dos padrões.
O artigo tem como objetivo: Investigar as formas de avaliações e refletir sobre o professor e a avaliação, diante da rotina de informações nos variados componentes do currículo escolar. Também de analisar a inter-relação entre conceito de avaliação emancipatória e sua prática punitiva.
Com finalidade de buscar informações sobre os procedimentos da avaliação escolar, tratando-se assim de uma pesquisa bibliográfica, que é de grande valia para o aprofundamento maior do tema a ser estudado, a partir de uma investigação exploratória, dentro de uma abordagem qualitativa, premitindo-nos uma análise a respeito do que os autores relatam sobre o tema, e fazendo uma comparação para saber realmente qual a verdadeira situação da avaliação escolar, e sua prática punitiva.
"Os quatro pilares da Educação" começou na verdade como um Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors. Que são.
? 1 Aprender a Conhecer
? 2 Aprender a Fazer
? 3 Aprender a viver com os outros
? 4 Aprender a ser
Pode-se perceber que são objetivos que vão muito além da informação ou mesmo do mero desenvolvimento de um conhecimento intelectual. Abarcam toda a formação humana e social da pessoa. É fácil perceber que metas desse porte envolvam conhecimento, comportamento, conceitos, procedimentos, valores, atitudes, saber, fazer e ser. Não podem ser atingidas com um ensino livresco, fragmentado, conteudista, estereotipado, estagnado. Exige novas perspectivas, uma nova visão da Educação.
Aprender a conhecer ? É necessário tornar prazeroso o ato de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para que se mantenha ao longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o velho e reinventar o pensar.
Aprender a fazer- Diz-nos o Relatório, são, em larga medida, indissociáveis. O segundo é conseqüência do primeiro. Em economias crescentemente tecnificadas, em que ocorre a "desmaterialização" do trabalho e cresce a importância dos serviços entre as atividades assalariadas e em que o trabalho na economia informal é constante, deixa-se a noção relativamente simples de qualificação profissional. Passa-se para outra noção, mais ampla e sofisticada de competências, capaz de tornar as pessoas aptas a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Isso ocorre nas diversas experiências sociais e de trabalho que se apresentam ao longo de toda a vida.
Aprender a viver com os outros-Este domínio da aprendizagem consiste num dos maiores desafios para os educadores pois atua no campo das atitudes e valores. Cai neste campo o combate ao conflito, ao preconceito, às rivalidades milenares ou diárias. Aposta-se na educação como veículo de paz, tolerância e compreensão.
Aprender a ser-É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade pessoal, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa e crescimento integral da pessoa em relação à inteligência. A aprendizagem precisa ser integral, não negligenciando nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.
Com base nessa visão dos quatro pilares do conhecimento, podem-se prever grandes conseqüências na educação. O ensino-aprendizagem voltado apenas para a absorção de conhecimento e que tem sido objeto de preocupação constante de quem ensina deverá dar lugar ao ensinar a pensar, saber comunicar-se e pesquisar, ter raciocínio lógico, fazer sínteses e elaborações teóricas, ser independente e autônomo; enfim, ser socialmente competente.
O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudado e discutido. Porém, o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e, a partir daí, percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança, ora a família, ora uma determinada classe social, ora todo um sistema econômico, político e social. Mas será que existe mesmo um culpado para não aprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo, se ela é um processo que ocorre entre subjetividades, nunca uma única pessoa pode ser culpada. Alicia Fernández nos lembra que "a culpa, o considerar-se culpado, em geral, está no nível imaginário" (FERNANDEZ, 1994) e coloca que o contrário da culpa é a responsabilidade. Para ser responsável por seus atos, é necessário poder sair do lugar da culpa.
Atualmente na escola, a avaliação tem sido praticada para aprovar ou reprovar os alunos, caracterizando-se como uma ameaça que intimida o aluno. Descomprometida com a aprendizagem do aluno, contribui para auto-imagem negativa, causando reprovação e repetência e ainda, fracasso escolar, sendo que cada vez mais encontra no âmbito escolar uma avaliação que prenuncia castigo. Observa-se ainda que esta avaliação apresente um caráter descontextualizado, autoritário e punitivo, que não considera o aspecto sócio-emocional, resultando num distanciamento entre professor e aluno. Muitas vezes, caracterizada por um processo de julgamento de valores, sobre dados relevantes da realidade, em que ocorre a aprendizagem, inerentes ao contexto social ou individual de cada aluno. Este processo é subjetivo e realiza julgamentos segundo padrões pré-estabelicidos.
Conhecer essa realidade deve ser ponto de partida para adequar a prática pedagógica às crianças que nela estão inseridas, e não como vem sendo feito o usar esse conhecimento como álibi para eximir a escola de seu papel na produção do fracasso escolar. O modo de conceber o significado do fracasso escolar está intimamente ligado à concepção de vida e de vida escolar de quem se propõe a analisá-lo e entendê-lo. Deve-se ter uma concepção que segue o caminho que desnaturaliza o fracasso escolar, vendo-o como uma produção a serviço da exclusão e injustiças sociais. A escola é uma instituição de nossa sociedade e que se baseia em algumas idéias do mundo ocidental como individualismo, constitucionalismo, direitos humanos, igualdade, liberdade, democracia, livre-mercado, além da competitividade, do capitalismo. Idéias essas que esse mundo tenta "universalizar" através da escola. Ao falarmos de fracasso escolar, além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento, é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. A partir disso, podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em conhecimento, deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem.
O real significado da avaliação
Segundo Luckes (2003, p. 205): "Avaliação é ato ou efeito de avaliar-se, apreciação de análise. Desta forma a avaliação é algo que pode ser medido, apreciado por alguém. Na avaliação o professor mede, determina, analisa e finalmente julga e determina os rumos a serem traçados no trabalho do educando.".
Ainda para autor acima citado:
A avaliação pode ser classificada em avaliação formativa: processo de avaliação realizada no decorrer de um programa institucional, visando aperfeiçoá-lo, e identificar suas dificuldades e lhe dar solução. Avaliação somativa: processo de avaliação final de um programa institucional visando a julgar sua capacidade para sua promoção para outra série (Luckes, 2003, p. 205).

Quanto à avaliação formativa é utilizada para conhecer cada aluno ao longo do processo ensino-aprendizagem. Através dela, percebe como o aluno está se adaptando as novas necessidades que se colocam. Permite que se desenvolva o plano previsto pelo professor diariamente, para que o aluno atinja os resultados previstos para o processo de ensino e aprendizagem. Quanto ao desempenho do aluno, possibilita avaliar a adequação e eficácia do ensino.
Já a avaliação somativa, aquela que considera a soma de um ou mais resultados, que pode ser baseado em testes e outros instrumentos. O resultado final é a promoção ou retenção do aluno. Este tipo de avaliação tem por objetivo responder o que o aluno aprendeu em termos de resultados, para verificar o grau de aprendizagem.
Buscando conceituar avaliação, percebe-se que Luckesi (2003. 92 - 93) afirma que o termo verificar provém etimologicamente do latim: verum facere e significa "fazer verdadeiro". Contudo, o conceito verificação emerge das determinações da conduta de intencionalmente, buscar "ver se algo e isso mesmo...", "investigar a verdade de alguma coisa".
O termo avaliar também tem sua origem no latim, provindo da composição a valere, que quer dizer "dar valor a..." Porém, o conceito "avaliação" é formulado a partir da conduta de "atribuir um valor ou qualidade a alguma coisa, ato ou curso de ação...", que, por si implica um posicionamento positivo ou negativo em relação ao objeto, ou ato ou curso de ação avaliado (LUCKESI, 2003.p. 92).

Isso quer dizer que o ato de avaliar não acaba na determinação do valor da quantidade ou qualidade atribuído ao tema em questão, exige uma tomada de posição favorável ou desfavorável ao objetivo de avaliação, com uma conseqüente decisão de ação.
Ainda para Luckesi, (2003. p.92).

O processo de verificar-se pela observação, obtenção, análise e síntese dos dados ou informação que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando. A verificação termina no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser configurado, isto é no momento em que se chega à conclusão de que tal objeto ou ato possui determinada forma.

Portanto, o ato de verificar acaba com a obtenção do dado ou informação que se busca, isto é, vê-se ou não alguma coisa. E pronto! Por si, a verificação não implica que o sujeito retire dela conseqüências novas e significativas.
O professor antes, de tudo, deve planejar seu método de se avaliar. Se seu instrumento de avaliação está de acordo com um bom instrumento de medida. Se realmente irá atingir seus objetivos e possibilitar a verificação dos rendimentos dos alunos. A avaliação deve ser aplicada de uma forma em que os alunos sintam confiança no que está fazendo, e não ter medo, como observa que acontecer em algumas escolas. A avaliação serve para verificar, identificar e analisar as medidas de comportamento e rendimento do aluno, caso isso não ocorra, o professor tem que mudar sua forma de se avaliar, agindo desta maneira irá contribuir para o progresso dos alunos, deixando de lado aquela forma tradicional.
A avaliação é um processo contínuo pela qual se procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do comportamento e rendimento do aluno, do educador, do sistema, confirmando se a construção do conhecimento se processou, seja este teórico (mental) ou prático. (SAT?ANNA. 1995, p.31)

Podemos falar, por exemplo, de uma concepção emancipadora (dialógica) ou concepção burocrática (punitiva e formal) da avaliação. Podemos falar de um paradigma dialógico (comunicativo, intersubjetivo) ou de um paradigma instrumental (de dominação) da avaliação.
A avaliação é um exercício mental que permite a análise, o conhecimento, o diagnóstico, a medida e/ou julgamento de um objeto. Esse objeto deve ser a própria realidade e daqueles que o fazem. Avaliar seria um processo de auto-conhecimento e, também, o conhecimento da realidade e da relação dos sujeitos com essa realidade. Seria um processo de análise, julgamento, re-criação e/ou ressignificação das instituições que fazem parte dessa realidade e das pessoas que a mantêm. Questionam-se, assim, os processos de avaliação da aprendizagem dos alunos que estão, usualmente, centrados num desempenho cognitivo, sem referência a um projeto político-pedagógico de escola, e, ainda, o sentido das avaliações escolares que se têm direcionado, especialmente, para o ato de aprovar ou reprovar os alunos.
A avaliação é apresentada como recurso a ser usado na atividade escolar, como forma de promoção dos alunos, de uma série para a seguinte, na trajetória escolar. A avaliação hoje passa pelo crivo de uma perspectiva. A escola pode ser agente eficiente na produção da mudança social. Na escola pública o índice de reprovação é muito maior que em relação à rede de ensino privado. Uma das causas do fracasso escolar está diretamente relacionada à prática pedagógica do professor, pois é este que avalia de acordo com seus critérios os procedimentos. Sendo assim, é ele o responsável pela exclusão ou inclusão do educando na instituição. É a partir da avaliação do aluno, que o professor mantém ou reformula seus planos. Ocorre que todas as decisões nem são neutras, nem arbitrárias. Os professores devem respeitar o indivíduo e a sociedade na qual está inserido.
O processo de aprendizagem decorre das experiências, habilidades e capacidades desenvolvidas pelo aluno, cabendo ao professor o papel de mediador da relação do aluno com o conhecimento, favorecendo o mútuo crescimento e aperfeiçoamento. Nesse caso, a avaliação é um processo que pretende acompanhar a evolução do aluno em diferentes dimensões cognitiva (saber conhecer), de habilidades (saber fazer) e de atitudes (saber ser e saber conviver), identificando os progressos e ajudando nas dificuldades detectadas. Deixa de ter qualquer conotação punitiva, estimulando mudanças no sentido desejado, portanto, com objetivo construtivo. No caso da avaliação do discente, abandona a memorização, a cobrança de conhecimentos pontuais e de situações excepcionais, valorizando o espírito crítico, a capacidade de análise e de relacionar fatos. A avaliação do docente, nesse modelo, deverá aferir a contribuição do professor para o avanço do conhecimento, das habilidades e da incorporação de valores éticos pelos alunos.
A forma de encarar e realizar a avaliação reflete na atitude do professor em sua interação com a classe bem com sua relação com o aluno. Por exemplo, um professor autoritário e inseguro, poderá ver na avaliação uma arma de tortura ou punição para alunos apáticos ou indisciplinados. Por sua vez, seu professor sério e responsável, que orienta as atividades de aprendizagem dos educando, tenderá a encarar a avaliação como forma de diagnóstico dos avanços e dificuldades dos alunos e como indicador para replanejamento de seu trabalho docente. Nessa perspectiva, a avaliação ajuda o aluno a progredir na aprendizagem, e o professor aperfeiçoar sua prática pedagógica.
Muitas lutas vêm sendo assumidas por educadores e, até mesmo, políticos, na denúncia da função seletiva e discriminatória das notas e conceitos e dos sérios prejuízos sociais decorrentes da reprovação de estudantes das classes populares. Decisões políticas encaminham a questão no sentido de eliminar das escolas o fenômeno da reprovação nas séries iniciais. Tais medidas procuram minimizar o prejuízo social decorrente da concepção de avaliação como função burocrática, punitiva e obstaculizaste. (HOFFMANN, 1996, p. 17)
O processo de avaliação da aprendizagem deve verificar as condições apresentadas pelo aluno para que seja possível sondar e sanar as suas dificuldades, por isso, é um processo, é contínuo e não apenas uma constatação. A partir dele, o professor deverá diagnosticar os problemas apresentados e proporcionar novas atividades para desenvolver a aprendizagem, eliminando qualquer tipo de rotulação ou discriminação.
O termo avaliar tem sido constantemente associado a expressões como: fazer prova fazer exame, atribuir notas, repetir ou passar de ano. Esta associação, tão freqüente em nossa escola é resultante de uma concepção pedagógica arcaica, porém tradicionalmente dominante. Nela, a educação é concebida como mera transmissão, e memorização de informações prontas, e o aluno é visto como um ser passivo e receptivo.
Em termos gerais, a avaliação é um processo de coleta e análise de dados, tendo em vista verificar se os objetivos propostos foram atingidos, sempre respeitando as características individuais e o ambiente em que o educando vive. A avaliação deve ser integral, considerando o aluno como um ser total e integrado, e não de forma fragmentada.
A avaliação descreve que conhecimentos, atitudes ou aptidões que os alunos adquiriram, ou seja, que objetivos do ensino já atingiram num determinado ponto de percurso, e que dificuldades estão a revelar relativamente a outros. Esta informação é necessária ao professor para procurar meios e estratégias que possam ajudar os alunos a resolver essas dificuldades, e é necessária aos alunos para se aperceberem delas (não podem os alunos identificar claramente as suas próprias dificuldades num campo que desconhecem) e tentarem ultrapassá-las com a ajuda do professor e com o próprio esforço. Por isso, a avaliação tem uma intenção formativa.
A avaliação pode ser considerada como um método de adquirir e processar evidências necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem, incluindo uma grande variedade de evidências que vão além do exame usual de ?papel e lápis?. É ainda um auxílio para classificar os objetivos significativos e as metas educacionais, um processo para determinar em que medida os alunos estão se desenvolvendo dos modos desejados, um sistema de controle da qualidade, pelo qual pode ser determinada etapa por etapa do processo ensino/aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em caso negativo, que mudança deve ser feita para garantir sua efetividade. A principal função da avaliação é a diagnóstica por permitir detectar, diariamente, os pontos de conflitos geradores do fracasso escolar. Esses pontos detectados devem ser utilizados pelo professor como referenciais para as mudanças nas ações pedagógicas, objetivando um melhor desempenho do aluno. A avaliação tem também, a função classificatória, visando à promoção escolar do aluno ou ao levantamento de indicadores do indivíduo, num determinado momento, quando este é submetido a testes, provas e exames de caráter específico ou multidisciplinar.
A avaliação se materializa numa variedade de instrumentos, por isso a necessidade de ser contínuo, o que significa garantir uma relação lógica entre os diversos instrumentos utilizados no processo avaliativo, buscando sempre uma coerência pedagógica e didática entre eles, e destes com os procedimentos de ensino que os professores planejaram e fizeram uso. Assim, a continuidade dos diversos instrumentos avaliativos tem a intenção também de afastar qualquer possibilidade de fragmentação e terminalidade de sua utilização, dando a este processo uma perspectiva de integralidade, coesão e coerência. A diversificação dos instrumentos avaliativos tem uma função estratégica na coleta de um maior número e variedade de informações sobre o trabalho docente e os percursos de aprendizagens, quanto mais informações se tenham sobre o objeto avaliado, mais condições de compreendê-lo, e tomar os vários tipos de decisão necessários à trajetória/percurso do fazer avaliativo e do trabalho educativo docente na sua amplitude. Desta maneira, restringir a avaliação ao produto e a um instrumento é desperdiçar uma diversidade, no mínimo, de informações do processo que são úteis ao entendimento do fenômeno educativo, e à tomada de decisão para as mudanças necessárias.
Considerações finais
Avaliação escolar, também chamada avaliação do processo ensino aprendizagem ou avaliação do rendimento escolar, tem como dimensão a análise do desempenho do aluno, do professor e de toda situação de ensino a se realizar no contexto escolar. Sua principal função é subsidiar o professor,a equipe escolar e o próprio sistema de aperfeiçoamento do ensino. Deste que utilizado com cautelas previstos e já descrito em bibliografia especializada, fornecem informações que possibilitam tomar decisões sobre quais recursos educacionais devem ser organizados quando se quer tomar o ensino mais efetivo.
A concepção de avaliação é comumente relacionada à idéia de mensuração de mudanças do comportamento humano. Essa abordagem viabiliza o fortalecimento no aspecto quantitativo. A avaliação tem como alvo a classificação do aluno. Necessita ser redirecionada, pois a competência ou incompetência do aluno não resulta apenas da escola ou do professor, e sim de todos aqueles que participam do contexto escolar e social do educando. A avaliação deve contemplar aspectos qualitativos que são difíceis de serem mensurados, pois, envolvem objetivos subjetivos, postura, política, crenças e valores.
A avaliação é um ato preventivo, sendo para tanto, necessário que o professor conheça o nível de desempenho do aluno em cada etapa do processo educativo e compare essa informação com as competências e habilidade relevante a serem desenvolvidas, em relação aos conteúdos trabalhados e, finalmente, tome as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados, pois seja a avaliação diagnóstica, formativa, emancipatória ou somativa, ela deverá necessariamente contribuir para o desenvolvimento do educando, não se limitando apenas como instrumento para formalizar e legitimar uma nota classificatória e puna os alunos. O que vale mesmo é o crescimento do aluno em relação as suas próprias expectativas e aos objetivos que são propostos pelo educador. Avaliar somente pelas respostas de uma prova inclui uma grande distorção no processo de aprendizagem, pois avaliar não é tarefa simples, e como afirma Luckesi (2001), mas pode ser um ato de coragem, responsável e amoroso.
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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