Assistência de Enfermagem no Puerpério
 
Assistência de Enfermagem no Puerpério
 


Cristiani Pretto¹
Débora Benedito¹
Isys Saldanha¹
Luciana Dórea¹
Maria Madalena²

RESUMO
Durante o período gestacional a mulher passa por diversas transformações tanto físicas quanto psicológicas. No puerpério essas alterações retornam ao seu estado pré-gravídico e nesta fase a mulher precisa de atendimento especializado. Neste sentido a enfermagem é de grande importância, visto que é um profissional com qualificação teórico ? pratica para prestar os cuidados necessários a uma boa evolução da puérpera. . O conteúdo deste artigo é resultante de pesquisa bibliográfica e tem por objetivo analisar a importância da assistência de enfermagem no puerpério, observando de que maneira a mesma pode diminuir e/ou prevenir a incidência de intercorrências clínicas neste período, bem como ponderar de que forma essa assistência pode proporcionar uma melhor recuperação a estas mulheres.
Palavras chave: puerpério, assistência, intercorrências, cuidados, enfermagem.



¹Graduanda em Enfermagem pela Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB). E-mail: [email protected]
²Enfermeira docente do curso de Enfermagem da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB), Especialista em Saúde Coletiva (ISC/UFBA) e Auditoria em Saúde Faculdade Estácio de Sá (RJ). E-mail: [email protected]


INTRODUÇÃO
Durante a gravidez, a mulher passa por diversas transformações em todo em seu organismo. No puerpério, que é a fase pós parto, essas transformações regridem às condições pré-gravídicas, porém esta evolução difere de mlher para mulher.
De acordo com Barros (2006), este período se divide em três: puerpério imediato (inicia-se após a dequitação e se estende até o 10° dia do pós-parto), puerpério tardio ( do 11° ao 45° dia pós-parto) e puerpério remoto ( do 46° dia até a completa recuperação das alterações imprimidas pela gestação).
As principais mudanças ocorridas no organismo feminino no pós-parto podem ser listadas de seguinte forma: o útero irá diminuir de volume, a região do períneo ficará edemaciada e cianosada, o que irá desaparecer até o final do puerpério e as mamas estarão aptas para amamentar. Neste período é provável que ocorra mudanças psicológicas como medo e depressão, podendo ocorrer também mudanças na pressão artéria e batimentos cardíacos (BARROS,2006).
Complicações são extremamente comuns neste momento, entretanto podem ser influenciadas pelo tipo de parto, pré-disposição genética, entre outros.
Neste período a mulher necessita de orientação, apoio afetivo e atenção, sendo assim a enfermagem é de estrema importância já que estes profissionais têm preparo técnico e científico para desenvolver todos os cuidados necessários para proporcionar uma melhor recuperação, prevenção de possíveis complicações e fornecer informações a respeito das mudanças ocorridas durante esta fase (BARROS,2006).
Desta maneira observamos a necessidade de uma assistência de enfermagem de qualidade, na tentativa de minimizar as intercorrências ocorridas em todas as fases do puerpério.
Contudo o objetivo deste artigo é conhecer o papel do profissional de enfermagem durante o pós-parto imediato, tardio e remoto bem como as intervenções de enfermagem na diminuição e intercorrências no puerpério.



JUSTIFICATIVA
Tendo em vista que do período gestacional até o pós-parto a mulher passa por grandes modificações em todo seu organismo e que muitas vezes estas podem provocar algumas intercorrências clínicas que resultam em danos à saúde e à vida tanto da gestante, quanto do feto é que se pretende abordar neste estudo alguns elementos desse saber específico necessários ao desenvolvimento de uma assistência fundamentada cientificamente e alicerçada na assistência e no processo de enfermagem.
PROBLEMA
Com base nestas considerações torna-se relevante identificar: Qual a importância da assistência de enfermagem no perpério?
OBJETIVOS:
Objetivo Geral:
O estudo em consideração tem como Objetivo Geral "identificar a importância da assistência de enfermagem no puerpério."
Objetivos específicos:
Com intuito de atender ao objetivo ora proposto, foi estabelecido objetivos específicos, que são: 1) Observar de que maneira a assistência de enfermagem pode diminuir e/ou prevenir a incidência de intercorrências clínicas no puerpério; 2) Ponderar de que forma a assistência de enfermagem pode proporcionar às puérperas uma melhor recuperação.
ESTRUTURA DO ARTIGO
Neste sentido, o presente estudo estará organizado da seguinte forma: primeiro será apresentado à definição de puérperio. No segundo momento serão evidenciadas as principais modificações no organismo da mulher e as principais complicações deste período. Por fim, será pontuada a assistência de enfermagem que devem ser prestadas a cada modificação e complicação citada.



METODOLOGIA
Para realização deste artigo foi utilizado pesquisa bibliográfica...
DESENVOLVIMENTO
Segundo Barros(2006), puerpério compreende o período do ciclo gravídico-puerperal em que as modificações locais e sistêmicas, causadas pela gestação no organismo materno, retornam ao estado pré-gravidico. Também conhecido como sobre parto ou pós-parto, tem duração variável e durante este, acontece às involuções do corpo da mulher, inclusive a recuperação da genitália, de sua fisiologia e estado psicológico as condições naturais.
Os profissionais de enfermagem assumem papel crucial como sendo conhecedores destas adaptações, capacitados em avaliar a paciente com mais eficiência e tomar as decisões baseadas em dados científicos e assim facilitando o retorno da paciente ao seu estado de saúde ideal.
A atenção á saúde da mulher e ao recém-nascido no pós-parto imediato e nas primeiras semanas após o nascimento é fundamental para a saúde materna e neonatal. O retorno da mulher e do RN ao serviço de saúde, depois do parto, deve ser incentivado desde o pré- natal e na maternidade (BRASIL, 2005, P. 76).
A partir da implantação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) em 1980, a saúde desse grupo tem sido priorizado no Brasil. Este acontecimento é resultado da luta do movimento feminista, entretanto, mesmo depois de vinte anos de sua criação, ainda continuam altos os índices de mortalidade e morbidade no período gravídico ?puerperal (BARROS, 2006).
Os cuidados oferecidos à puerpera têm como finalidade analisar a situação de saúde da mulher e do recém-nascido, instruir sobre o planejamento familiar, orientar sobre a importancia do aleitamento materno, identificar estados de intercorrências ou risco à mulher e/ou recém-nascido e encaminha lhos à assistência adequada, avaliar o retorno ás condições pré-garvidicas da puérpera e analisar a interação da mãe com o filho (BRASIL, 2005).


As modificações gerais do puerpério incluem o sistema cardiovascular, onde o débito cardíaco é aumentado devido a elevação da circulação do retorno venoso, se normatizando nas primeiras semanas do pós-parto. Neste período há uma tendência a complicações tromboembólicas. Neste caso a enfermagem deve estar orientando e incentivando a deambulação precoce com freqüência e elevação dos membros inferiores (BARROS, 2006).
Barros (2006), afirma que no sistema urinário ocorre a retenção e que este episódio acontece devido à bexiga muitas vezes está traumatizada, edemaciada e com sensibilidade diminuída devido à anestesia. Com isso a enfermagem deve intervir estimulando a paciente a realizar micção espontânea, adotando técnicas como a da torneira ou chuveiro ligado e em alguns casos específicos realizar sondagem vesical de alívio ou de demora.
No sistema digestivo alguns fatores podem dificultar a evacuação intestinal nesse período: diminuição da motilidade gastrintestinal, efeitos da analgesia e anestesia, relaxamento da musculatura abdominal, ingesta menos de alimentos sólidos, dor no períneo. O retorno do do funcionamento fisiológico é restaurado em torno do 3° e 4° dia após o parto. Sendo assim, os enfermeiros devem orientar quanto a importância de uma nutrição balanceada, rica em fibras e da injeta abundante de líquidos (BARROS, 2006).
No que diz respeito ao sistema respiratório o padrão deste se normatiza devido à descompressão do diafragma, conseqüente a ao esvaziamento uterino. Em alguns casos a puérpera pode sentir desconforto e para que ocorra diminuição deste, pode-se elevar a cabeceira em ângulo de 45° (BARROS, 2006).
Já no sistema tegumentar, Barros (2006) assegura que os edemas desaparecem após o parto e as estrias tornam-se mascaradas, ocorrendo uma regressão da hiper-pigmentação da pele, apesar de poder se tornar permanente. Com o objetivo de diminuir esses sintomas a equipe de enfermagem pode incentivar e pautar a importância do uso constante do protetor solar e em alguns casos à procura de um profissional especializado.
Em relação ao sistema endócrino, no período gestacional é de responsabilidade da placenta a produção de hormônios como progesterona, estrógeno e gonadotrofina

coriônica humana, ocorrendo uma diminuição íngreme dos mesmos após a dequitação da placenta. Devido estas alterações são comuns mudanças no peso corpóreo, pois logo após o parto a mulher perde de 4,5 a 5,5 kg devido à saída do feto, placenta e líquido aminiótico. No decorrer do puerpério perdem-se mais 2,5 kg devido à diurese e sudorese espontânea (BARROS, 2006).
Segundo Barros (2006), as modificações locais no puerpério incluem o útero que posteriormente a dequitação retorna a cicatriz umbilical, sua altura reduz diariamente, entretanto a involução uterina vai depender da quantidade de gestações anteriores e do tamanho do recém-nascido, além disso, geralmente é acompanhado por cólicas. O colo uterino neste período é violácio, flácido e lacerado nas comissuras, no final do 7° dia as lesões e inchaço encontram-se diminuídos.
O autor ainda afirma que a vulva e a vagina em geral apresentam-se arroxeadas e edemaciadas, e o orifício vaginal muitas vezes se alarga quando a pressão intra-abdominal aumenta, retornando ao seu estado fisiológico por volta da terceira semana.
A aparência do períneo varia muito, dependendo do tipo da extensão da episiotomia ou laceração. Geralmente os tecidos moles do períneo ficam edemaciados e cianosados. Com freqüência surgem varicosidades do plexo venoso hemorroidário ou agravam-se hemorróidas preexistentes. Já na parede abdominal os músculos se distendem no decorrer da gestação, fazendo com que sua tonicidade seja perdida, entretanto esta pode ser retomada através de exercícios físicos (BARROS, 2006).
As complicações mais comuns no pós-parto são a hemorragia puerperal, que é qualquer perda de sangue calculada em mais de 500 ml, que acontece durante ou depois do terceiro estágio do trabalho de parto e que por ser uma das principai causas de mortalidade materna deve ser diagnosticada e tratada imediatamente, evitando complicações futuras (NEME, 2000). Diante deste fato deste fato a equipe de enfermagem deve identificar precocemente as puerpéras com fatores de risco, prevenir anemia com dieta de ferro suplementar, evitar trabalho de parto prolongado, reforçar a contratilidade uterina com massagens, estimular o aleitamento materno, inspecionar cuidadosamente a genitália após o parto, monitorar sinais vitais, inspecionar condições da episiorrafia e oferecer apoio emocional.

Ainda de acordo com o autor, a infecção puerperal é aquela que se localiza nos órgãos genitais e acontecem após o parto ou abortamento recente, devido a bactérias como estafilococos, estreptococos beta-hemolíticos, coliformes e vários outros microorganismo. Em geral se instala por volta do 4° ou 5° dia após o parto, apresenta elevação da temperatura, lóquios purulento e com odor fétido. Com intuito de minimizar estes acontecimentos, a função da enfermagem deve estar focada em monitorar a temperatura da paciente, observar sinais fisiológicos na episiorrafia ou laceração perineais, manter o local da episiorrafia limpo e seco, orientar quanto aos cuidados com a mesma, evitar atrito local, realiza higiene no sentido anteroposterior, preferencialmente com água e sabão sempre que necessário, trocar o absorvente higiênico a cada seis horas, ou antes, se necessário.
A mastite puerperal é uma inflamação mamária causada pela entrada de bactérias, principalmente o Staphylococos aureus, que atinge de 2% a 3% das mulheres que estão amamentando, sobretudo as primíparas, por terem um tegumento cutâneo mais delicado. Com isso, os enfermeiros devem prestar orientação quanto ao manejo correto da lactação e da amamentação, informar quanto a importância da introdução de medidas de limpeza dos mamilos tanto na prevenção da mastite quanto para a amamentação, informar que o desmame abrupto beneficia o aumento da estasse láctea com possível formação de abcessos, da necessidade da realização de massagens nas mamas para facilitas a fludificação do leite, salientando que a amamentação só deve ser interrompida em caso de saída de pus pelo mamilo e se o amamentar for muito doloroso (NEME, 2000).
Preocupados com a referida questão, a enfermagem que atua na área tem buscado aprimorar seu conhecimento técnico-científico e desenvolver estratégias de aplicação destes conhecimentos na prática, visando contribuir de forma mais efetiva para qualidade da assistência à mulher e conseqüentemente, para a redução da mortalidade materna. O recurso utilizado para o alcance desse objetivo tem sido a sistematização da assistência de enfermagem, que na prática concretiza-se por meio do emprego do processo de enfermagem (BARROS, 2006).


Para que a equipe possa desempenhar o processo de enfermagem de forma correta, é necessário que esta tenha um grande conhecimento em diversas áreas, tais como a fisiologia, anatomia, fisiopatologia, psicologia, entre outras.
CONCLUSÃO
Mesmo sendo a gestação e parto um processo fisiológico da vida feminina e reprodução humana, onde ocorrem uma série de transformações e adaptações fisiológicas atribuídas às modificações do organismo, alguns acontecimentos indesejáveis podem atrapalhar o transcorrer deste estágio.
Portanto faz-se necessário a orientação e assistência de uma equipe de enfermagem competente e qualificada, na tentativa de inibir esses acontecimentos e intercorrências mais freqüentes no puerpério, bem como minimizar e evitar complicações futuras, além de prestar apoio emocional e psicológico à paciente em todos os momentos.
Todos estes cuidados devem ser fornecidos desde o início do pré-natal até o período pós-parto, com isso cabe ao profissonal de enfermagem identificar sinais e sintomas que possam prejudicar a saúde e a vida, tanto da gestante, quanto do feto.
Sendo assim, é de fundamental importância um acompanhamento mútuo, continuo e qualificado, bem como uma equipe de enfermagem competente que possua qualificações técnico-científicos para atuar no acompanhamento puerperal, visando minimizar as intercorrências mais comuns neste período.

REFERÊNCIAS
BARROS, Sonia; Enfermagem no Ciclo Gravídico Puerperal; 27ª Ed; Editora Manole, 2006; Barueri-SP.
BRASIL; Ministério da Saúde. Assistência de Enfermagem no Puerpério. Manual do Pré-Natal e Puerpério. Brasil 2005, v. 5. Disponível em: Acesso em 02/10/2009 às 19h23min
NEME, Bussâmara; Obstétrica Básica; 2ª Ed; Editora Sarvier, 2000; São Paulo-SP. Disponível em Acesso em 12/09/2009 às 21h45min
 
Avalie este artigo:
(4 de 5)
22 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Talvez você goste destes artigos também