ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A ADOLESCENTES GRÁVIDAS
 
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A ADOLESCENTES GRÁVIDAS
 


UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA
PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
CURSO DE ENFERMAGEM






ELLEN CRISTINA BARBOSA PIERRE








ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A ADOLESCENTES GRÁVIDAS













Niterói
2009

ELLEN CRISTINA BARBOSA PIERRE








ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A ADOLESCENTES GRÁVIDAS





Monografia apresentada para a conclusão do Curso de Graduação de Enfermagem pela Universidade Salgado de Oliveira como parte dos requisitos para conclusão do curso.


Orientadora: Profª. Luiza Helena Andrade de Paula








Niterói
2009

Dedicatória

Dedico este trabalho primeiramente a Deus, criador de todas as coisas. Dedico também aos meus pais Antonio Luis Pierre e Gersomina Barbosa Pierre e ao meu noivo Cristiano Ribeiro Pinto, que compreenderam a minha ausência, e que sempre estiveram presentes e torceram por mim durante esta longa jornada na Graduação. Aprendi com vocês a ter coragem e não desanimar, para então saborear a vitória. A vocês dedico todo o meu sucesso.

























Agradecimentos

Primeiramente quero agradecer a Deus, por ter me abençoado, me dando determinação, coragem e força para percorrerem todos os momentos desta graduação. Coragem para enfrentar as tempestades, que não foram poucas. Determinação para vencer os obstáculos, e força para sempre seguir em frente. Olho para trás e vejo que os sacrifícios vividos e todos os momentos difíceis pelos quais passei não foram em vão, serviram somente como degraus para o meu crescimento pessoal, emocional e profissional.
A minha mãe Gersomina, uma grande mulher, que sempre esteve ao meu lado em cada etapa a minha vida, me ajudando nas horas difíceis, apoiando minhas decisões e sempre me incentivando nos estudos. Obrigada por não ter poupado esforços, para que hoje eu chegasse aqui, mãe sou ENFERMEIRA. Te amo.
Ao meu pai Pierre, um grande pai que me deu toda estrutura necessária, não poupando esforços, para que hoje eu esteja aqui concretizando a realização do seu sonho que também é o meu. Consegui pai hoje sou ENFERMEIRA. Amo Você.
A minha irmã Juliana, por ter me ajudado nos momentos em que precisei, me dando força a continuar a caminhada. Sei que foi em mim que você conseguiu encontrar o espelho para a escolha de sua futura profissão, irmã falta pouco para você também se tornar uma enfermeira. É difícil, cansativo, mas não impossível, seja persiste, você vai conseguir.
A minha avó Erly, por sempre ter me ajudado, muitas vezes até sem poder para que eu conseguisse realizar o meu sonho. Vó obrigado por tudo que a senhora fez e faz por mim.
Ao meu noivo Cristiano, pela sua compreensão nos momentos em que não pude te dar a atenção merecida, pelas renuncias, por sua cumplicidade, por me dar força nas horas mais difíceis e desgastantes, pelo incentivo neste árduo, porem muito gratificante trabalho monográfico. Amor obrigado por todo incentivo aos quais me fizeram chegar até aqui. Simplesmente por ser o amor da minha vida. Te amo.
Ao meu amigo Robert, por ter me ajudado e me compreendido em um momento muito difícil em minha vida, conseguir conciliar o trabalho e a faculdade. Amiga obrigada por todos os momentos em que você me cobriu para que eu pudesse ir para faculdade.
Ao meu amigo Luis Fellype, por ter sido um grande companheiro em todas as horas, sempre me ouvindo me entendendo e me ajudando a resolver as complicadas equações da convivência humana, e que me fez aprender a admirá-lo por sua sabedoria e determinação. Você conquistou um lugar em meu coração que não será substituído por nada!
As minhas amigas Fabiola, Francilene, Janaina, Jéssica e Priscila, que estiveram comigo durante toda esta grande luta e nunca negaram um sentimento sincero, que foram constantemente presentes quando se fez necessário. Vocês estiveram comigo em momentos preciosos e marcantes de minha vida. Tenho certeza que seremos eternas amigas.
A todos os amigos que conquistei na faculdade. Agradeço em especial as minhas amigas Creuza e Danielle, por terem sido sempre pessoas sinceras, que me demonstraram por ações e palavras que realmente eram minhas verdadeiras amigas na faculdade. Vocês foram pessoas em que eu sempre pude contar sempre me fortalecendo em algumas ocasiões, às vezes até mesmo sem saber. Obrigada por tudo meninas. Que a nossa amizade seja eterna!
Aos mestres, que me acompanharam na vida acadêmica, que tiveram vez e voz em minha vida, que me mostraram o caminho e ainda como saber passar por eles. Sou muito grata por vocês terem me ensinado a dar passos largos ou até mesmo pequenos em todas as direções.
A minha orientadora Luiza Helena, o qual contribui para que conseguisse escrever esta monografia. Eis aqui a minha gratidão e meu carinho. Obrigada pela paciência e dedicação
Enfim, a todos que direta e indiretamente contribuíram para o meu sucesso.










RESUMO








A adolescência se caracteriza por uma transição gradativa de um organismo infantil para um organismo adulto com reflexos somáticos e psíquicos, principalmente aqueles que dizem respeito à esfera sexual. A ocorrência crescente da gravidez na adolescência é considerada importante problema de saúde pública no Brasil e, em decorrência disso estão sendo criado um conjunto de medidas preventivas e de controle para a melhoria do índice de adolescente grávida. A gravidez na adolescência tem sido descrita como importante obstáculo ao desenvolvimento do indivíduo, limitando de forma dramática suas oportunidades educacionais, econômicas e sociais. O afastamento da escola está quase sempre entre as repercussões negativas da gravidez na adolescência, assim como a maior dificuldade de ingresso no mercado de trabalho. A enfermagem desempenha um papel importante para melhoria deste quadro, pois e nesta fase que a jovem necessita de amparo, apoio e segurança do profissional de enfermagem para o acompanhamento integral que o movimento gestacional exige.
















Descritores: Gravidez na Adolescência, Pré-natal, DSTS, Humanização

ABSTRACT








Adolescence is characterized by a gradual transition of one's body to an adult organism with psychic and somatic reflexes, especially those that relate to the sexual sphere. The increasing occurrence of teenage pregnancy is considered an important public health problem in Brazil, and a result being a set of preventive and control to improve the rate of adolescent pregnancy. Adolescent pregnancy has been described as a major obstacle to the development of the individual, dramatically limiting their educational opportunities, economic and social. Expulsion from school is almost always among the negative effects of teenage pregnancy and the greater difficulty in entering the labor market. The nurse plays an important role to improve this picture, because at that stage that the young need more support, security support and nursing staff for the comprehensive evaluation that requires movement gestational























Keywords: Teen Pregnancy, Prenatal care, STD, Humanization











Mulher,
Já vive bem lá no teu íntimo
a semente vital, fruto do amor
que em breve vai mamar em teu peito
e pedirá teu carinho na hora da dor.
Já mexe no teu âmago materno,
chutando-lhe o ventre com energia,
uma vida, um ser que já te conhece
e assim que nascer te trará alegria.

Mulher,
já sente energia, amor e carinho,
o broto gerado em tuas raízes
que ouvirá tuas canções de ninar,
tua maior esperança de dias felizes.
Já está chegando quem tanto desejas
para ser embalado com amor maternal;
E brinca, pula, corre, grita...
quem faz de tua barriga um quintal.

Mulher,
Prepara-te para o momento sublime!
Vive dentro de ti uma criança
que está ansiosa para nascer, viver...
e te chamar carinhosamente de mamãe.



Luizinho Bastos





1. INTRODUÇÃO 7
1.1 Motivações 8
1.2 Problemática 8
1.3 Questões Norteadoras 9
1.4 Objeto de estudo 9
1.5 Objetivo 9
1.6 Relevância do estudo 9
2. REVISÃO DE LITERATURA 10
2.1 ADOLESCÊNCIA 11
2.2 SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA 13
2.3 O AMBITO ESCOLAR RELACIONADO À SEXUALIDADE 15
2.4 GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA 16
2.5 AS DST E OS ADOLESCENTES 17
2.5 A ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DAS DST 18
2.7 PRÉ - NATAL 19
2.8 ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ ? NATAL 22
2.9 HUMANIZAÇÃO NO MOMENTO DO PARTO 23
2.9 ALEITAMENTO MATERNO 25
3. METODOLOGIA 27
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA 28
3.2 METÓDO DE PESQUISA 28
3.3 PROCEDIMENTO PARA COLETA DE DADOS 28
3.4 PROCEDIMENTO PARA ANÁLISE DE DADOS 28
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 30
5. CONCLUSÃO 32
6. REFERÊNCIAS 34
SUMÁRIO




































1. INTRODUÇÃO
1.1 Motivações

A idéia de realizar este estudo emergiu no decorrer da minha trajetória como acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Salgado de Oliveira, durante a qual passei pela disciplina Saúde da Criança e do Adolescente. Meu interesse pelo assunto surgiu após aulas ministradas que abordavam como a gravidez precoce esta se tornando mais comum na sociedade contemporânea, e como é importante o papel da enfermagem para a melhoria deste quadro.
A adolescência é uma transição entre a infância e a vida adulta. Sendo um período de transformação profunda no corpo, na mente e na forma de relacionamento social do individuo. Trata-se de uma etapa da vida em que ocorrem á maturação sexual, o acirramento dos conflitos familiares e a formação e cristalização de atitudes, valores e comportamentos que determinarão sua vida e na qual se inicia a cobrança de maiores responsabilidades e definição do campo profissional. (Bezerra, 2008)
A descoberta do prazer sexual muitas vezes se da nessa época, quando há a necessidade de ações de educação em saúde para orientar os adolescentes sobre os riscos de contaminação com doenças sexualmente transmissíveis (DST), e gravidez indesejada.


1.2 Problemática

Estudos realizados em diferentes países e grupos sociais demonstram aumento da taxa de fecundidade nas adolescentes, em confronto com a diminuição dessas taxas na população geral. No Brasil, essa realidade vem sendo constatada pelo crescente número de adolescentes nos serviços de pré-natal e maternidade, sua maior incidência nas populações de baixa renda e a associação entre alta fecundidade e baixa escolaridade. (Ministério da Saúde, 2005).
Além da experiência da gravidez entre adolescentes e jovens, há um significativo aumento da infecção pelo HIV. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), das 30 milhões de pessoas infectadas pelo HIV no mundo, pelo menos um terço tem entre 10 e 24 anos. No Brasil, 13,4% dos casos diagnosticados entre 1980 e 1998 foram em adolescentes. (Ministério da Saúde, 2005).
1.3 Questões Norteadoras

? Gravidez na adolescência um problema?
? Como a enfermagem pode auxiliar os adolescentes?

1.4 Objeto de estudo

O papel da enfermagem na educação em saúde dos adolescentes.

1.5 Objetivo

Analisar o que os autores estão escrevendo acerca da sexualidade das adolescentes, a partir da ação educativa da enfermagem, na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.

1.6 Relevância do estudo

É sabido que existem vários trabalhos publicados acerca do fenômeno em pauta. Entretanto, cada vez que pesquisamos, uma faceta do tema pesquisado se mostra, pois o conhecimento é dinâmico. Assim, é importante conhecer o mundo/ vida das pessoas para quem trabalhamos, para que a nossa fala tenha sintonia com o nosso fazer.
Este estudo revela-se de importância para a enfermagem e demais profissionais da saúde porque fornece subsídios acerca da educação na saúde das adolescentes e, assim, pode possibilitar uma prática mais pautada na realidade vivenciada por essas jovens.
Vista a necessidade da inserção da educação em saúde em todos os âmbitos da juventude, cabe aos profissionais a sensibilização para trabalhar com esse objetivo. A enfermagem destaca-se por estar intimamente ligada ao ser humano e preocupada com o seu bem-estar, enquadra-se no desafio de ações em Educação em Saúde que permitam incentivar os jovens à reflexão crítica de sua realidade. É fundamental que a Enfermagem coloque no centro dos debates sobre saúde discussões acerca de técnicas as quais podem ser submetidas a grupos específicos, ou seja, pessoas contextualizadas numa mesma realidade.











2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 ADOLESCÊNCIA


A adolescência deriva do latim adolescere, que significa "crescer". Adolescência é o período da vida humana entre a puberdade e a virilidade; mocidade; juventude. O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n.º 8.069/90, circunscreve a adolescência como o período de vida que vai dos 12 aos 18 anos de idade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) delimita a adolescência como a segunda década de vida (10 aos 19 anos) e a juventude como o período que vai dos 15 aos 24 anos. O Ministério da Saúde toma por base a definição da OMS.

Moreira (2007, p.313) afirma que:

"...A adolescência é um período de mudanças, ocasionadas por sua especial sinergia de fatores biológicos, psíquicos, sociais e culturais. Nesta fase, o jovem se vê em meio a novas relações com a família, o meio em que vive, consigo mesmo e com os outros adolescentes. É nesse período da vida que ocorre a transição de um estado de dependência para outro de relativa independência."

Sendo a adolescência um processo de desenvolvimento biopsicossocial, pode ser marcado por crises, dificuldades, mal-estar e angústia. Ao abandonar a condição infantil e buscar o ingresso no mundo adulto, o adolescente sofre acréscimos em seu rendimento psíquico. O intelecto, por exemplo, apresenta maior eficácia, rapidez e elaborações mais complexas, havendo acréscimo no seu desempenho global.
Dessa forma, o adolescente pode formar condições de altivez e independência da experiência dos mais velhos. Achando que podem tudo, os adolescentes se rebelam e começam a elaborar valores inusitados, muitas vezes contrários aos até então tidos como corretos. É nessa fase que tendem a não mais aceitar normas. Essa rebeldia integra a construção da identidade juvenil e é fundamental ao desenvolvimento humano. Quando essa disputa não se dá normalmente, geram-se problemas na adolescência que podem se estender à vida adulta, sendo difícil instituírem um limiar entre normalidade e patologia hebiátrica. Um equilíbrio estável nesse estágio seria anormal. (Moreira, 2007)
Nesse período de disputa, as figuras de autoridade serão os alvos preferidos de contestação do adolescente. À medida que os vínculos sociais vão se expandindo e estabelecendo, um conjunto de novas características vai se tornando importante ao adolescente, desde as necessárias para aceitação pelo grupo, até as necessárias ao estilo que agrada a si e ao outro.

Moreira (2007, p.314) afirma que:

"...Acerca do desenvolvimento físico, as alterações físicas acontecem rapidamente na adolescência. O amadurecimento sexual ocorre com o desenvolvimento das características sexuais primárias e secundárias. As características primárias são alterações físicas e hormonais necessárias à reprodução, e as secundárias diferenciam externamente o sexo masculino do feminino."

Sobre o desenvolvimento psicossocial, na medida em que a idade adulta se aproxima, o adolescente deve estabelecer relacionamentos íntimos ou permanecer socialmente isolado. A obtenção da identidade sexual é intensificada pelas alterações físicas da puberdade. Também é influenciada por atitudes culturais, expectativas do comportamento sexual e modelos de papéis válidos. Os adolescentes procuram uma identidade de grupo porque necessitam de estima e aceitação. É comum, em grupos, uma semelhança no modo de vestir e falar. A popularidade com o sexo oposto, assim como os do mesmo sexo, torna-se importante durante a adolescência. A necessidade de identidade de grupo entra em conflito com a necessidade de uma identidade pessoal. (Moreira, 2007)

Moreira (2007, p.314) afirma que:

"...Tanto as habilidades cognitivas, como seu desempenho, variam amplamente entre os adolescentes. De fato, um adolescente pode atuar em diferentes níveis cognitivos em situações distintas. Estímulos passados, experiências e educação formal no uso da lógica, e estratégias dedutivas efetivas, assim como a situação individual influenciam a expressão cognitiva."



2.2 SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA

A sexualidade, uma das características mais importantes do ser humano, está presente desde os primórdios da vida. O ser humano é movido por suas pulsões libidinais direcionadas à busca do prazer e estas se manifestam muito precocemente. Manifestações sexuais podem ser visualizadas em imagens ultrassonográficas de fetos do sexo masculino, como por exemplo, a ereção peniana. Já as meninas desde os primeiros dias de vida apresentam lubrificação vaginal. Estes comportamentos são uma demonstração da potencialidade biológica para o desenvolvimento da sexualidade.
A sexualidade vivida pelos adolescentes ganha feição do contexto social e cultural em que ele está inserido. Ela é plasmada pela linguagem e valores vigentes em cada época. Não há determinação biológica que mantenha uma definição sexual. Nos dias atuais, várias concepções e valores têm se modificado com a evolução do pensamento humano. Assim, é percebida de forma diversa a virgindade, o casamento, a maternidade, o amor, os papéis sexuais dentro das relações conjugais e sociais. (Moreira, 2007)

Moreira (2007, p.314) afirma que:

"...O conflito de gerações, a pressão social e a busca da identidade trazem ambigüidade e um problema comum aos jovens: o de lidar com suas mudanças corporais e conflitos interiores no campo da sexualidade. O sexo é uma função natural que existe desde o nascimento e varia de intensidade segundo o ciclo vital. A sexualidade representa uma característica humana, sendo complexa e diversa das diferentes formas de manifestação individual e social."

A sexualidade é um elemento importante para a análise da dinâmica do adolescente. As mudanças físicas que caracterizam a fase incluem alterações hormonais que, muitas vezes, provocam estados de excitação tidos como incontroláveis, resultando em uma intensificação da atividade de masturbação. Nessa fase, também ocorre à consolidação do tipo de atração sexual vivida pelo indivíduo.
Na atualidade, vê-se o exercício da sexualidade começando cada vez mais cedo, impulsionado pela imposição social que leva crianças a adolescerem precocemente e, de forma semelhante, leva os adolescentes a rapidamente ingressarem na vida adulta, mesmo não estando preparados psicologicamente.
Dessa forma, a sexualidade pode ser pensada a partir de uma esfera na qual são construídas e transformadas relações sociais, culturais e políticas, pelos diferentes valores, atitudes e padrões de comportamentos existentes na sociedade moderna.
Moreira (2007, p.315) afirma que:

"O adolescente contemporâneo vive sua sexualidade em meio às referências que invadem seu imaginário. Ele é ator integrante do espetáculo de nossa cultura e, como tal, é continuamente convocado a consumir imagens mais que a refletir, a elaborar ou a pensar. Dentro desse contexto de impulso social culminando em impulso sexual, espera-se que existam serviços e campanhas que orientem os jovens sobre seus problemas, conflitos ou questionamentos cotidianos durante essa fase de descobertas e modificações em todos os níveis, mas, infelizmente, esses recursos informativos são raros nos serviços públicos e até mesmo nos privados, como as escolas, os projetos sociais focalizados nesse período da vida, entre outros."

Esse despertar da sexualidade na adolescência é acompanhado por uma grande leva de desinformação. Os pais, por não disporem de informação ou por constrangimento em falar sobre sexo com seus filhos, acabam não cumprindo seu papel de educador. Assim, as famílias não transmitem a orientação sexual adequada, deixando o Adolescente em desvantagem.
O direcionamento de diversos fatores, como o desconhecimento do corpo, a omissão da família/escola sobre assuntos pertinentes à adolescência, o pouco envolvimento dos serviços públicos, o bombardeamento ativo ao qual estão expostos pela mídia, com programas, novelas e até propagandas apelando ao sexo, fazem com que os jovens iniciem precocemente suas atividades sexuais, não cônscios das implicações de sua vida sexualmente ativa. (Moreira, 2007)
No entanto, existem diferenças básicas entre rapazes e moças, sobretudo, na forma de amar, desejar e no impulso sexual. Para os rapazes os impulsos sexuais são inicialmente bastante separados da noção de amor, enquanto para as moças o amor é prioridade.


2.3 O AMBITO ESCOLAR RELACIONADO À SEXUALIDADE


Podemos observar a enorme responsabilidade educacional durante o período da adolescência, uma vez que é uma fase muito difícil, a partir disso, temos que estar atentos a qualquer modificação comportamental nos adolescentes a fim de evitarmos problemas futuros.
É nesta oportunidade que os professores deverão desenvolver ações educativas relacionadas á saúde, como gravidez, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis, aborto, entre outros.

Jesus (2000, p.49) afirma que:

"...Acredito ser a escola um espaço social significativo para onde o adolescente pode levar suas experiências de vida, suas curiosidades, fantasias, dúvidas e inquietações sobre a sexualidade. Entretanto, penso que permeando-se as ações implementadas pela escola em relação à orientação sexual de crianças e adolescentes, essa instituição precisa oportunizar momentos de reflexão aos educadores para pensar seus próprios valores, considerando-se que o despreparo desses profissionais para tratar a temática, em sala de aula, ainda prevaleça."

Mesmo considerando os avanços frente à discussão da sexualidade nos últimos anos, educadores e pais ainda realçam suas dificuldades em abordar esse tema junto aos alunos e filhos, respectivamente. (Jesus, 2000)
Isso se da pelo fato que nem todos os pais pensam da mesma forma, ou seja, a educação sexual nas escolas nem sempre é interpretada como o um ponto positivo, porque além dos adolescentes se mostrarem constrangidos, quando o assunto é sexo, a própria família não apóia a idéia devido aos questionamentos das aulas em casa, supondo que estimule e até influencie no interesse sexual dos adolescentes.

Jesus (2000, p.54) afirma que:

"... Assim, o modo de educar para a sexualidade, sem utilizar muitas palavras, ainda permanece como pano de fundo no contexto social dos pais, em suas interações com os adolescentes e, a realidade social destas pessoas, frente à educação sexual permanece tendo como base as crenças sobre as questões sexuais que constituem o acervo de conhecimento social nessa área. É possível que, nos próximos anos, os adolescentes de hoje, graças aos estímulos que receberam para discutir o assunto em casa, na escola, através da mídia e outros, poderão estar dialogando mais com seus filhos adolescentes, a respeito da sexualidade."


2.4 GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

A gravidez é uma transição que integra o desenvolvimento humano, mas revela complicações ao ocorrer na adolescência, pois envolve a necessidade de reestruturação e reajustamento em várias dimensões: em primeiro lugar, verificam-se mudanças na identidade e nova definição de papéis, a mulher passa a se olhar e a ser olhada de forma diferente. (Moreira, 2007)
A complexidade das mudanças provocada pela vinda de um bebê não se restringe às variáveis psicológicas e bioquímicas, pois os fatores socioeconômicos também são fundamentais. A gravidez na adolescência, antes um problema resolvido por um casamento às pressas ou exílio temporário com parentes em locais distantes, hoje ameaça o futuro dos jovens, considerando os riscos físicos, emocionais e sociais dela decorrentes. Atinge tamanha proporção que é considerada um problema social, revelando a prática de uma sexualidade não segura, com riscos de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana e outras doenças sexualmente transmissíveis. (Moreira, 2007)

Mandu, p.94, 2000, afirma que:

"...Na prática médica, associa-se a gravidez na adolescência à probabilidade de aumento das intercorrências clínicas e morte materna, assim como a índices maiores de prematuridade, mortalidade neonatal e baixo peso de recém-nascidos, entre outras conseqüências. Quando indesejada ou sem apoio social e familiar, a gravidez freqüentemente leva adolescentes à prática do aborto ilegal e em condições impróprias, constituindo-se esta em uma das principais causas de óbito por problemas relacionados à gravidez."

Durante os nove meses de gestação, as mulheres passam por mudanças fisio-psicológicas e requerem maior necessidade de afeto, carinho, cuidado e proteção. Mas é nos dois últimos trimestres que as alterações psicológicas se acentuam. Isso porque no primeiro trimestre evidenciam-se transformações fisiológicas, como enjôos, mudanças no apetite, entre outros. O segundo trimestre da gestação é considerado o mais estável emocionalmente. Isto muito se deve aos movimentos fetais. No entanto, as alterações do desejo e do desempenho sexual tendem a surgir com maior intensidade. No terceiro trimestre, o nível de ansiedade tende a aumentar quanto mais se aproxima do parto e da rotina da vida após a chegada do bebê.


2.5 AS DST E OS ADOLESCENTES

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são prevalentes na adolescência e facilitadoras da contaminação pelo HIV. Essa prevalência acontece por vários fatores, sendo os principais deles: a baixa idade para realização da primeira relação sexual, a variabilidade de parceiros, o não uso de preservativos e o uso de drogas ilícitas.
No Brasil não há informações sobre a prevalência de DST entre adolescentes. O número de casos notificados encontra-se bem abaixo das estimativas, talvez porque somente a Aids e a sífilis sejam de notificação compulsória e cerca de 70% das pessoas com DST busquem tratamento em farmácias. Além disso, muitas DST são assintomáticas, principalmente entre as mulheres.
Fatores biológicos, psíquicos e sociais podem aumentar a vulnerabilidade das adolescentes às DST. Do ponto de vista biológico, o epitélio cilíndrico do colo do útero na adolescência se encontra mais exposto e alguns microorganismos têm predileção por este tecido. A baixa idade da menarca pode levar a um início precoce da atividade sexual, aumentando a probabilidade de infecção. No âmbito psíquico, a adolescência é uma fase de definição da identidade sexual com experimentação e variabilidade de parceiros. O pensamento abstrato ainda incipiente nos adolescentes faz com que se sintam invulneráveis, se expondo a riscos sem prever suas conseqüências. Instáveis, susceptíveis a influências grupais e familiares, estas jovens beneficiam-se de um bom relacionamento familiar para proteger-se das DST. Na esfera social, os baixos níveis escolar e socioeconômico estão associados às DST, assim como uso de álcool e drogas, já comprovados por diversos estudos. Os modelos de gênero também são responsáveis por atividades que colocam em risco a saúde da mulher ao imporem a esta última uma conduta submissa em relação ao homem que a impede de negociar o uso do preservativo nos intercursos sexuais. (Taquette, 2005)

2.6 A ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DAS DST

Doenças sexualmente transmissíveis são aquelas transmitidas de uma pessoa a outra através de relações sexuais. A maioria delas é causada por agentes patogênicos microscópicos como vírus, bactérias, fungos e outros microorganismos que geralmente se alojam nos órgãos genitais. Se não forem tratadas a tempo algumas como, por exemplo, a sífilis e a AIDS podem deixar seqüelas ou até levar à morte.
O atendimento imediato de uma DST não é apenas uma ação curativa ele é também uma ação preventiva da transmissão e do surgimento de outras complicações. Ao agendar uma consulta para outro dia, pode ocorrer o desaparecimento dos sintomas desestimulando a busca por tratamento. Como conseqüência, a infecção pode evoluir para formas crônicas graves e se mantém a transmissão. A espera em longas filas, o agendamento para nova data, a falta de medicamentos e a discriminação e/ou falta de confidencialidade são fatores que induzem à busca de resolução fora do sistema formal de saúde.
O tempo de espera deverá ser o menor possível, devendo ser aproveitado para realização de ações de educação em saúde individual e coletiva, esta última através de vídeos educativos, dinâmicas de grupo, abordagens de questões de cidadania, entre outras.
A anamnese do paciente, a identificação das diferentes vulnerabilidades e o exame físico devem se constituir nos principais elementos diagnósticos das DST. O atendimento do paciente com DST visa curar as infecções possíveis, cessar os sintomas, colaborando para evitar as complicações advindas da(s) DST e interromper a cadeia de transmissão. Portanto, uma única consulta deve prover diagnóstico, tratamento e aconselhamento, além do acesso aos insumos de prevenção, quando necessários.
Os exames laboratoriais devem ser colhidos na mesma oportunidade, sempre que possível, mas a conduta não deve ser postergada aguardando seus resultados. Os exames laboratoriais, quando realizados, vão confirmar a adequação dos tratamentos prescritos, contribuírem na vigilância do perfil etiológico das diferentes síndromes clínicas e da sensibilidade aos medicamentos preconizados.
É necessário estabelecer uma relação de confiança entre a enfermagem e o indivíduo para garantir a qualidade do processo de aconselhamento e a adesão ao tratamento e ao serviço. Para tanto, é necessário assegurar um ambiente de privacidade para a consulta, tempo e disponibilidade interna do enfermeiro para o diálogo, assegurando para o cliente a confidencialidade das informações.

2.7 PRÉ - NATAL

Existem atualmente muitos programas voltados para a assistência à adolescente gestante, com o objetivo de prepará-la para o parto e para a maternidade. De modo geral, o modelo consiste em acompanhamento continuado das adolescentes por equipes multidisciplinares, envolvendo médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e nutricionistas, sob a forma de atendimento individual e de grupo.
O objetivo do pré-natal é assegurar que a gravidez transcorra sem intercorrências e termine com o nascimento de um bebê saudável, sem o comprometimento da saúde da adolescente, em todos os seus aspectos. A assistência pré-natal deve ser realizada por profissionais qualificados, capazes de estabelecer um vínculo com a gestante, para que ela entenda a necessidade de realização dos exames, do comparecimento às consultas e, em última instância, de assumir o compromisso do seu próprio cuidado. O pré-natal deve começar o mais cedo possível para que as medidas profiláticas tenham eficácia. O exame físico geral e o especializado podem detectar doenças subclínicas não diagnosticadas previamente possibilitando tratamento oportuno, prevenindo complicações.
Na gestação as adolescentes costumam estarem mais receptivas a orientações de saúde. Muitas vezes este é primeiro contato com um serviço de saúde. Além disso, este é um momento de assiduidade ao serviço pelas características próprias da assistência pré-natal. Deve-se encarar esta situação como uma oportunidade de atenção integral à adolescente; além das orientações sobre a gravidez, o parto e cuidados com o recém-nascido e aleitamento, é importante buscar mudanças no comportamento no sentido de que esta adolescente passe a ter uma postura preventiva em relação a seu bem-estar biológico, social e psicológico.
Na primeira consulta do pré-natal é feita uma avaliação geral, buscando identificar possíveis fatores de risco maternos e perinatais. O obstetra deve procurar conquistar a confiança da adolescente e estabelecer um bom vínculo com ela. A anamnese deve incluir dados sócio-econômicos, culturais, emocionais, físicos e familiares. O exame físico e os complementares possibilitam determinar a idade gestacional, identificar doenças associadas e avaliar o estado nutricional.
A adolescente deverá ser orientada quanto à atividade física, cuidados com o corpo, alimentação, atividade sexual, risco do uso de drogas, e sobre como conviver melhor com as chamadas queixas próprias da gravidez. Durante a gestação ocorrem modificações fisiológicas de adaptação, podendo causar desconforto e que não devem ser confundidas com sinais de doenças. As queixas mais freqüentes incluem alterações do apetite, sialorréia, pirose, náuseas, constipação, palpitações, lipotímia, polaciúria, leucorréias, dores lombares, insônia, cãibras, estrias e parestesias.
Recomenda-se que as consultas subseqüentes sejam agendadas de 15 em 15 dias, até a 35ª semana, quando passarão a ser semanais. A avaliação clínica inclui a medida da altura do fundo uterino, a ausculta dos batimentos fetais, o ganho ponderal, a aferição da pressão arterial e o estado nutricional. Manifestações clínicas indicativas de complicações obstétricas como toxemia gravídica, rotura prematura de membranas, infecções do trato urinário, DST, anemias e desnutrição devem ser rotineiramente pesquisadas: cefaléia, alterações visuais, edema, dormência, dor abdominal, náuseas, vômitos, leucorréia, disúria, hemorragia, ganho ponderal excessivo e perda de peso.
Em torno da 28ª semana, deverá ser feita nova avaliação laboratorial: hemograma completo, sorologia para sífilis, rastreamento de intolerância à glicose, exame de elementos anormais e sedimento. Exames complementares, como USG, cardiotocografia (CTG) basal, dopplerfluxometria, utilizados para avaliação da idade gestacional, vitalidade e viabilidade fetal serão realizados quando necessário. O exame vaginal será realizado rotineiramente no final da gestação para avaliar a apresentação fetal, a pelve e as condições do colo uterino ou sempre que necessário.
A nutrição assume papel de suma importância no acompanhamento pré-natal da adolescente, devendo a orientação ser ajustada a cada adolescente. Em termos gerais, o ganho ponderal total durante a gravidez deve se situar em torno de 10 a 12 kilos. A maior demanda de cálcio, ferro e ácido fólico durante a gravidez devem ser considerados, bem como as necessidades próprias da adolescência, na elaboração do programa nutricional da adolescente gestante.
O preparo para amamentação é fundamental durante o pré-natal. Devemos orientar as adolescentes em relação à importância do aleitamento materno para sua saúde e do recém-nascido e desmistificar determinados tabus, como mamas pequenas não têm leite, prejuízo na estética da mama.
Durante a gestação, a higiene oral não deve ser esquecida. A embebição gravídica atinge as gengivas, que se tornam mais sensíveis a traumas e processos inflamatórios. Recomendam-se avaliações odontológicas periódicas. A anestesia local pode ser usada, evitando-se as soluções analgésicas com vasoconstrictores periféricos.
As vacinas com germes vivos e atenuados estão contra-indicadas durante a gestação. A vacinação antitetânica é recomendada. A prescrição de medicamentos na gestação deve ser criteriosa, o maior risco correspondendo à fase da embriogênese.
Bouzas, 2005 afirma que:

"...Os estudos atuais já comprovaram que o pré-natal consegue minimizar os riscos da gravidez na adolescência, mas infelizmente o acesso das adolescentes aos serviços de pré-natal continua insuficiente. É importante que os programas de pré-natal implantem estratégias destinadas à captação precoce e atendimento adequado e oportuno. "



2.8 ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ ? NATAL

De acordo com a Lei do Exercício Profissional da Enfermagem ? Decreto n.º 94.406/87 e o Ministério da Saúde, o pré-natal de baixo risco pode ser inteiramente acompanhado pela enfermeira. Como descrito na Lei n.º 7.498 de 25 de julho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício de Enfermagem, cabe à enfermeira realizar consulta de enfermagem e prescrição da assistência de enfermagem; como integrante da equipe de saúde: prescrever medicamentos, desde que estabelecidos em Programas de Saúde Pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde; oferecer assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera e realizar atividades de educação em saúde.
Sendo o pré-natal um espaço adequado para que a mulher prepare-se para viver o parto de forma positiva, integradora, enriquecedora e feliz, entendo que o processo educativo (educação em saúde) é fundamental não só para a aquisição de conhecimentos sobre o processo de gestar e parir, mas também para o seu fortalecimento como ser e cidadã.
A carência de informações, ou informações inadequadas sobre o parto, o medo do desconhecido, bem como os cuidados a serem prestados ao recém-nascido nos primeiros dias são fatores mais comuns de tensão da gestante, que influenciam negativamente durante todo o processo. É de competência da equipe de saúde acolher a gestante e a família, desde o primeiro contato com a unidade de saúde.
O termo acolhimento deve ser considerado na abordagem da grávida como o significado que a gestação tem para ela e sua família, uma vez que é nessa fase que se inicia o desenvolvimento do vínculo afetivo com o novo ser. Neste sentido, devem ser valorizados as emoções, os sentimentos e as histórias relatadas pela mulher e seu parceiro de forma a individualizar e a contextualizar a assistência pré-natal.
No pré-natal a (o) enfermeira (o) deve ficar atenta (o) para também, interpretar a percepção que a gestante tem com relação a sua experiência da maternidade no contexto mais amplo (ambiente, família, mudanças físicas, psicológicas e sociais) por ser essa uma experiência única. A (o) profissional enfermeira (o) não deve impor seus conhecimentos e desconsiderar a realidade do cliente; caso isto aconteça, as orientações dadas poderão não ser adotadas por incompatibilidade com essa realidade. Conhecer as necessidades de aprendizagem das gestantes no período do pré-natal é considerar a importância da cliente na determinação de seu auto-cuidado.


2.9 HUMANIZAÇÃO NO MOMENTO DO PARTO

O nascimento é historicamente um evento natural. Como é indiscutivelmente um fenômeno mobilizador, mesmo as primeiras civilizações agregaram, a este acontecimento, inúmeros significados culturais que através de gerações sofreram transformações, e ainda comemoram o nascimento como um dos fatos marcantes da vida. (Ministério da Saúde, 2001)
A assistência à mulher no momento do parto é objeto de grande medicalização. Apesar de a hospitalização ter sido, em grande parte, responsável pela queda da mortalidade materna e neonatal, o cenário de nascimento transformou-se rapidamente, tornando-se desconhecido e amedrontador para as mulheres e mais conveniente e asséptico para os profissionais de saúde. O conflito gerado a partir desta transformação influencia as mulheres, entre outros fatores, a questionar a segurança do parto normal frente ao cirúrgico, que é mais "limpo", mais rápido, mais "científico". Além disso, estudos já comprovaram que a violência institucional também exerce influência na escolha de grande parte das mulheres pela cesárea.
É fundamental para a humanização do parto o adequado preparo da gestante para o momento do nascimento, e esse preparo deve ser iniciado precocemente durante o pré-natal. Isto requer um esforço muito grande, mas plenamente viável, no sentido de sensibilizar e motivar os profissionais, e fornecer-lhes instrumentos para o trabalho com as gestantes. Além dos aspectos técnicos propriamente ditos, o preparo para o parto envolve, também, uma abordagem de acolhimento da mulher e seu companheiro no serviço de saúde, incluindo o fornecimento de informações desde as mais simples, de onde e como o nascimento deverá ocorrer, o preparo físico e psíquico da mulher, idealmente uma visita à maternidade para conhecer suas instalações físicas, o pessoal e os procedimentos rotineiros, entre outros.

"...Humanizar a chegada de um novo ser ao mundo baseia-se na idéia de que ele deve ser tratado com carinho e ser bem recebido desde o inicio, além de oferecer a mulher o controle do processo. A metáfora de uma "festa" se presta para este momento: se você fosse receber um filho seu que passou muitos anos fora de casa prepararia uma festa em que ele pudesse ser recebido com afeto e considerá-lo. No parto, a mesma situação."

É importante ressaltar que esse atendimento, quando possível, deve ser oferecido à gestante e ao acompanhante, que poderá estar ao seu lado durante o pré-natal, no decorrer do trabalho de parto e parto, vivenciando junto à mulher e experiência do nascimento. O profissional de saúde desempenha um papel relevante como facilitador para o desenvolvimento desta atenção como parte dos serviços de pré-natal. Também participa das orientações, aconselhamentos específicos e atividades, no preparo da mulher e seu acompanhante para o parto. (Ministério da Saúde, 2001)
Existe muita controvérsia a respeito do parto na adolescência. Alguns acreditam que a incidência de cesáreas seja maior nessa faixa etária porque a estrutura óssea da bacia ainda não estaria devidamente formada, por exemplo. Essa é uma verdade relativa. Estudos têm demonstrado que há uma incidência maior de partos normais nessa população e que complicações podem ocorrer tanto num quanto no outro procedimento. Eventualmente, o risco de sangramento pode aumentar no parto normal. Quando isso ocorre em pacientes com anemia, surgem dificuldades no parto e na amamentação. Nas cesáreas, no entanto, é maior o risco de infecções.
De qualquer forma, o parto acaba evoluindo sempre para cesárea se houver sofrimento fetal que pode ser provocado até mesmo pelo estresse da adolescente naquela hora. Essa é mais um razão da importância do pré-natal. Além de serem orientadas para manter a calma, nas sessões de fisioterapia as adolescentes aprendem a ficar mais tranqüilas e a respirar adequadamente o que facilita a oxigenação para o bebê e diminui o sofrimento fetal intra-uterino.




2.10 ALEITAMENTO MATERNO

São inúmeros os benefícios que a prática do aleitamento materno oferece tanto para o crescimento e desenvolvimento de lactentes, como para a mãe, criança e família, do ponto de vista biológico e psicossocial.
Atualmente, o aleitamento materno exclusivo é recomendado por um período de seis meses. Posteriormente, a criança deve receber alimentos complementares, estendendo a amamentação por pelo menos dois anos, desde que mãe e criança o desejem. O desejo materno de amamentar ou não deve ser compreendido e respeitado. Apesar dos benefícios do aleitamento, deve-se aceitar a escolha, informada e consciente, da mãe pela não amamentação. O direito de a mulher amamentar deve ser apoiado, especialmente quando ela tem um trabalho remunerado e precisa conhecer a legislação trabalhista que protege a maternidade.
Os profissionais de saúde devem conscientizar as adolescentes sobre o aleitamento desde o pré-natal sempre mostrando as suas vantagens conforme descrito abaixo:

Para a adolescente:

? Facilita o estabelecimento do vínculo afetivo mãe-filho;
? Previne as complicações hemorrágicas no pós-parto e favorece a regressão uterina ao seu tamanho normal;
? Contribui para o retorno mais rápido ao peso pré-gestacional;
? É um método natural de planejamento familiar, entretanto somente antes de seis meses, quando acriança está em aleitamento materno exclusivo, em livre demanda, inclusive durante a noite, e que a mãe não tenha ainda menstruado;
? Pode reduzir o risco de câncer de ovário e mama;

Para a criança:

? É o alimento completo para o lactente menor de seis meses, tanto no aspecto nutricional, como digestivo;
? Facilita a eliminação de mecônio e diminui o risco de icterícia;
? Protege contra infecções (especialmente diarréias e pneumonias), pela ausência do risco de contaminação e pela presença de anticorpos e de fatores anti-infecciosos;
? Aumenta o laço afetivo mãe-filho, promovendo mais segurança ao bebê.
? Colabora efetivamente para diminuir a taxa de desnutrição proteico-calórica e, conseqüentemente, para a diminuição dos índices de mortalidade infantil;
? Diminui a probabilidade do desencadeamento de processos alérgicos, pelo retardo da introdução de proteínas heterólogas existentes no leite de vaca;
? Melhor resposta às vacinações e capacidade de combater doenças mais rapidamente.
A primeira hora após o nascimento é excelente para iniciar a amamentação, visto que o recém nascido usualmente está bem alerta e atento, com o reflexo de sucção ativo estimulando precocemente a produção de ocitocina e prolactina.
A equipe de saúde que assiste ao parto deverá criar um ambiente de tranqüilidade e apoio, assim como propiciar conforto físico e emocional no sentido de facilitar o contato íntimo entre mãe e criança, o mais precocemente possível. A administração de medicamentos, especialmente sedativos e analgésicos, à mãe deve ser criteriosa. O recém-nascido deverá ser coberto com campo aquecido e seco e colocado junto de sua mãe, em contato pele a pele, para que esta o coloque para mamar, sempre que possível.


























3. METODOLOGIA
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

Pesquisa de caráter exploratório através do levantamento bibliográfico com o intuito de tornar o tema mais explícito e investigar o que tem sido pesquisado sobre a temática.

3.2 METÓDO DE PESQUISA

Esse estudo baseia-se na pesquisa quanti-qualitativa. Associando análise estatística do levantamento de dados à investigação dos significados das relações humanas. Tal abordagem privilegia um melhor entendimento do tema apresentado, facilitando também a compreensão de como esses dados foram obtidos.

3.3 PROCEDIMENTO PARA COLETA DE DADOS

O método utilizado para a coleta de dados foi o levantamento bibliográfico através da busca eletrônica de artigos indexados nas bases de dados BIREME (Biblioteca Virtual em Saúde), pesquisando na base de dados: LILACS (Literatura Latino Americana de Ciências de Saúde), SciELO (Scientific Eletronic Library), MEDLINE (Literatura Internacional em Ciências da Saúde); bem como na Base Minerva onde foi pesquisada teses sobre o tema. A busca foi realizada a partir dos descritores: Gravidez na Adolescência, Pré-natal, DSTS, Humanização. Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão:

§ Veículo de publicação: periódicos, teses e livros.
§ Recorte temporal: 2000 ? 2008
§ Idioma de publicação: português
§ Modalidade de produção científica: trabalhos empíricos, artigos de revisão e teórico.





3.4 PROCEDIMENTO PARA ANÁLISE DE DADOS

Foi realizada uma análise quantitativa agrupando aspectos relevantes, como: tipo de trabalho, ano de publicação e natureza de pesquisa. Foi também realizada uma análise qualitativa de inspiração fenomenológica seguindo os seguintes passos:

§ Leitura atenta dos trabalhos encontrados para a obtenção de uma configuração pessoal;
§ Releitura do material dos trabalhos buscando apreender objetivos e temas tratados;
§ Busca das convergências e divergências entre as temáticas dos estudos;
§ Organização dos dados em categorias ou áreas temáticas, o que possibilitou uma síntese dos vários estudos dentro de cada área temática e uma configuração de como cada uma delas vem sendo tratada pela literatura.





































4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Análise Qualitativa

Durante a busca de material bibliográfico que correspondesse ao tema proposto, utilizaram-se os descritores: Gravidez na Adolescência, Pré-natal, DSTS, Humanização.
Houve facilidade em encontrar artigos com o tema Gravidez na adolescência, sendo que nem todos falavam sobre a temática que utilizaria nesta monografia. Foi necessário buscar o tema por descritores separadamente e avaliar os resumos destes para certificar que a discussão do artigo era coerente ao tema desta pesquisa.
Por exemplo; no descritor: humanização foi necessário ter cautela sobre quais artigos ler, pois o assunto poderia fugir do tema esperado, visto que muitos dos artigos relacionavam a humanização apenas como uma ação a ser feita ao cliente/paciente e/ou seus familiares, poucos mencionavam a humanização ao parto de uma adolescente.
Logo a busca fixou-se na procura de descritores separadamente, mas sempre se preocupando com a similaridade do assunto com o que se pretendia discutir.


































5. CONCLUSÃO
Durante este estudo, percebeu-se com a leitura dos artigos que os conflitos vivenciados pelas adolescentes com a descoberta da gravidez se dão na percepção dessa gestação como um acontecimento indesejado, no medo de enfrentar tal situação perante sua família ou companheiro, nas reações dos pais/ responsáveis com a descoberta da gravidez na adolescência e também são ressaltados no baixo nível socioeconômico familiar, determinantes da não aceitação da gravidez nessas adolescentes.
A adolescente grávida vive este momento de dúvidas, anseios e contestações, somado à aquisição de uma nova identidade para a qual pode não estar preparada e, sobretudo, à cobrança social que esse novo papel acarretará. É evidente que a gravidez indesejada em adolescentes tem como principal conseqüência uma problemática nos níveis biológicos e psicossociais, tanto maior quanto menor a idade da gestante. Entre as conseqüências Psicossociais, preocupa a interrupção da escolarização e da formação profissional.
A prevenção de gravidez indesejada na adolescência requer um esteio forte e uma educação formal bem delineada, que permita o recebimento de informações adequadas sobre educação sexual e métodos contraceptivos, além de requisitar um canal de comunicação aberto para que a adolescente possa expor suas idéias, temores, dúvidas e ter respaldo familiar na formação de sua personalidade.
Os profissionais de saúde em especifico a enfermagem, devem procurar estabelecer um relacionamento de confiança com essas adolescentes, a fim de prevenir na adolescente o desejo de provocar um aborto ou cometer suicídio. A adolescente deve receber apoio psicológico nesse momento, além de orientações sobre métodos contraceptivos, pré-natal e apoio da família, companheiro e sociedade. Além disso, é preciso ouvir e valorizar os sentimentos e preocupações dos jovens para conhecer o mundo adolescente.
A sociedade hoje carece de sistemas educacionais que abranjam os adolescentes, em especial as jovens grávidas. Educadores, sanitaristas, líderes e pais freqüentemente têm pouca habilidade para conversar sobre a vida sexual na adolescência. Com isso, fornecem informações equivocadas ou geram constrangimento na discussão de tais assuntos. É necessário comunicar efetivamente aos jovens a necessidade de bem-estar físico, social e psicológico, e do estabelecimento de relações sólidas antes da maternidade ou paternidade.

REFERÊNCIAS

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BOUSAS, S. C. I.; MIRANDA, C. T. A.; A saúde de adolescentes e jovens: competências e habilidades;Brasília, 2005

BRASIL; Ministério da Saúde; Marco Legal Saúde, Um direito de Adolescentes; 2005.

BRASIL; Ministério da Saúde; Marco Teórico e Referencial Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de Adolescentes e Jovens; 2006.

CAPUTO, GV.; BORDIN, AI; Gravidez na adolescência e uso freqüente de drogas no contexto familiar, São Paulo, Revista de Saúde Publica ;42(3);402-10;2008.

JESUS, P.C.M. Educação Sexual e Compreensão da Sexualidade na Perspectiva de Enfermagem; Um Encontro Da Enfermagem com o adolescente Brasileiro; Brasília;2000.

LEAL, M.M.; SAITO, I.M.; Adolescência e contracepção de emergência: Fórum; 2005; São Paulo; Revista Paulista de Pediatria; 25(2): 180-6; 2007.

MANDU, T.N.R.; Gravidez na adolescência: Um problema? Um Encontro Da Enfermagem com o adolescente Brasileiro; Brasília;2000.

MOREIRA, M.M.T.; QUEIROZ, O.V.M.; JORGE, B.S. M; Conflitos vivenciados pelas adolescentes com a descoberta da gravidez; São Paulo; Revista Escola Enfermagem USP; 42(2): 312-20; 2008.

OLIVEIRA, C.R.; Adolescência, Gravidez e Maternidade: a percepção de si e a relação com o trabalho; São Paulo; Saúde Sociedade; v.17, n.4, p.93-102, 2008.

SILVA, R.L. SILVA, J.L.; Mudanças na vida e no corpo: vivências diante da gravidez na perspectiva afetiva dos pais; Rio de Janeiro; Escola Anna Nery Revista de Enfermagem abril-junho; 13 (2): 393-401; 2009.

TAQUETTE, R.S.; A relação entre as características sociais e comportamentais da adolescente e das doenças sexualmente transmissíveis; Rio de Janeiro; Revista da Associação Medica Brasileira ; 2005; 51(3): 148-52.










 
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