Artigo: A nova superbactéria Streptococcus pneumoniae
 
Artigo: A nova superbactéria Streptococcus pneumoniae
 


Artigo: A nova superbactéria Streptococcus pneumoniae

Roberto Ramalho é Jornalista e servidor público estadual da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas

Streptococcus pneumoniae ou informalmente Pneumococo é uma espécie de bactérias Gram-positivas, pertencentes ao gênero Streptococcus, com forma de cocos que são uma das principais causas de pneumonia e meningite em adultos, e que causam diversas doenças no ser humano.
Segundo os médicos Ataiza C. Vieira Especialista em Microbiologia, Núcleo de Bacteriologia, Laboratório Central de Saúde Pública, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, DF; Marizoneide C. Gomes, Especialista em Análises Clínicas, Núcleo de Bacteriologia, Laboratório Central de Saúde Pública, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, DF; Maurício Rolo Filho, Especialista em Saúde Pública, Hospital Regional da Asa Norte, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, DF e João Eudes Filho, Edson José M. Bello, Rosane B. de Figueiredo, Estatística, do núcleo de Gerência de Biologia Médica, Laboratório Central de Saúde Pública, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, DF, num estudo com o título Streptococcus pneumoniae: estudo das cepas isoladas de liquor(1) definem a bactéria Streptococcus pneumoniae como pertencente à família Streptococcaceae, comumente encontrada na mucosa da nasofaringe e orofaringe de seres humanos sadios. É o patógeno bacteriano mais comum em casos de otite média aguda e pneumonia, e o segundo mais importante em casos de meningite em crianças menores de dois anos. Nos Estados Unidos e Europa, 25 a 40 % dos casos de meningite são causados por esse agente etiológico.

Os pneumococos são sensíveis à optoquina ou bílis, detergentes fracos, ao contrário de outros estreptococos, e esta característica é útil para distingui-los. São bactérias que são transmitidas facilmente de pessoa para pessoa por meio de espirros, objetos infectados, etc, sendo as causadoras da pneumonia.

Ao contrário dos estafilococos, a resistência à penicilina é devida não à penicilinase, mas a proteínas que se ligam ao antibiótico inibindo a sua ação sem o destruir.

De acordo com o site http://www.saude.hsw.uol.com.br (2) doença pneumocócica é o nome coletivo para as infecções causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, também conhecida como pneumococo. Essa bactéria se sente à vontade em todo o corpo. Os tipos mais comuns de infecções causadas pela Streptococcus pneumoniae são as do ouvido médio, a pneumonia, a bacteriemia (infecções na corrente sanguínea), as infecções do sinus e a meningite bacteriana. Existem mais de 90 tipos de pneumococos, com os dez tipos mais comuns responsáveis por 62% das doenças invasivas no mundo.

Segundo ainda o citado site aqueles que estão infectados carregam a bactéria em sua garganta e a expelem quando tossem ou espirram. Como qualquer outro germe, a Streptococcus pneumoniae pode infectar qualquer um, mas certos grupos da população correm mais risco, como idosos, pessoas com câncer ou Aids e pessoas com doenças crônicas como a diabetes. A OMS estima que a doença seja responsável por mais de um milhão de casos fatais de doenças respiratórias; a maioria desses casos ocorrem em países em desenvolvimento. Há dois tipos de vacinas disponíveis para prevenir a doença pneumocócica, recomendados para crianças e adultos com mais de 65 anos de idade.

A descoberta das bactérias

As bactérias foram descobertas em meados do ano de 1683 pelo holandês Antoni van Leeuwenhoek que tinha como passa tempo polir lentes e construir microscópios.

Em um mero acaso Antoni percebeu seres minúsculos em forma de bastonetes em uma amostra retirada de seu dente, esses seres microscópicos receberam o nome de animálculos.

Sua descoberta terminou não sendo valorizada no meio científico. Apenas no século XIX um cientista alemão descobriu que esses seres microscópicos eram causadores de uma doença que afetava o gado da região, assim iniciando-se o estudo sobre as bactérias.

As bactérias segundo Gram podem ser classificados como positivos ou negativos.

Temos como exemplo de Gram positivo o Streptococcus pneumoniae. Também são classificados pela coloração.

Transmissão da Bactéria Streptococcus pneumoniae.

Segundo o site de medicina www.copacabanarunners.net (3) com tradução do texto em inglês sobre pneumonia do Centers for Disease Control and Prevention de Hélio Augusto Ferreira Fontes a transmissão da pneumonia pneumocócica provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae se dá através do contato com pessoas doentes ou que carregam a bactéria na garganta. A pneumonia pneumocócica é transmitida a partir de gotículas respiratórias do nariz ou boca de uma pessoa infectada. É comum algumas pessoas, especialmente crianças, carregarem a bactéria na garganta sem estarem doentes.

Sintomas provocados pela bactéria Streptococcus pneumoniae.

De acordo ainda com o referido site os principais sintomas da pneumonia pneumocócica são: Fortes tremores de calafrio, os quais são geralmente seguidos por: Febre alta. Tosse. Falta de fôlego. Respiração rápida. Dor no peito. Outros sintomas podem incluir: Náusea. Vômito. Dor de cabeça, Cansaço.e Dor muscular.

As principais complicações decorrentes da pneumonia pneumocócica são: Em torno de 30% das pessoas com pneumonia pneumocócica a bactéria invade a corrente sanguínea a partir dos pulmões causando o que os médicos infectologistas chamam de bacteremia, uma complicação muito séria que também pode causar outros problemas pulmonares e alguns problemas cardíacos.

Diagnóstico da Pneumonia pneumocócica

O diagnóstico é realizado por meio do recolhimento de amostras e cultura, assim como através da sorologia visando à detecção de anticorpos específicos. O sistema imune produz anticorpos anti-capsulares efetivos, porém, demora algum tempo podendo os danos ao organismo já serem muito sérios a essa altura.

A imunidade a uma determinada cepa não confere proteção contra outras. A pneumonia e a meningite são as manifestações mais freqüentes e ambas são bastante perigosas.

Todavia, o diagnóstico da pneumonia pneumocócica realizado pela grande maioria dos médicos, principalmente da rede pública é feito com base em Sintomas. A partir disso é feito um exame físico; testes laboratoriais. raio-x do peito e exame de ultrassonografia, se necessário. O médico também pode diagnosticar a pneumonia pneumocócica encontrando a bactéria no sangue, saliva ou fluidos pulmonares.

Tratamento

Com o passar do tempo vemos o impacto do desenvolvimento de microrganismos a determinados fármacos, o Streptococcus pneumoniae não foge disso.

Antigamente utilizava-se a penicilina G para efetuar o tratamento contra a bactéria, a partir de 1963 foram encontrados Streptococus pneumoniae resistentes a penicilina G na Nova Guiné, posteriormente na África do Sul, Japão, Espanha e assim foi para o resto do mundo.

A resistência a penicilina aconteceu devido a uma alteração das proteínas de ligação da mesma. A resistência desse antibactericida nos Pneumococcus tende a ser clonal.

Assim sendo, isso demonstra que a evolução da bactéria é uma arma muito poderosa contra o homem, e um novo incentivo para busca de uma nova cura por meio de pesquisas de novos medicamentos.
Em muitos países, principalmente os africanos, devido ao custo baixo do medicamento, a penicilina ou a ampicilina ainda são a primeira escolha, embora, como já tenha dito, tenha havido um aumento das cepas resistentes. Caso exista resistência, usam-se macrolídeos, cloranfenicol, vancomicina, SMZ/TMP ou cefalosporinas, essas últimas consideradas medicamentos de última geração.

Existem vacinas contendo derivados imunogênicos que estimulam o sistema imunitário da cápsula do pneumococo. Protegem contra doenças causadas por pneumococos em 85% dos casos. No entanto, não protege contra todas as cepas.

De acordo com os citados autores a resistência do pneumococo à penicilina apresentou um aumento gradativo nos últimos 10 anos em nosso país, mais precisamente no Distrito Federal. Os sorotipos mais isolados na faixa etária de zero a cinco anos foram também os mais envolvidos na resistência à penicilina, e estão incluídos na vacina 7-valente.
O médico de uma forma geral prescreve antibióticos para tratar a pneumonia pneumocócica. Na maioria das vezes, caso os antibióticos utilizados terminem dando resultados positivos os sintomas da doença geralmente desaparecem entre 12 a 36 horas depois de começar a tomar medicamento. No entanto, observa-se que algumas bactérias como o Streptococcus pneumoniae terminam resistindo à ação deles (antibióticos). A principal razão deve-se ao fato dessa resistência a antibióticos estar associado ao uso inadequado desses medicamentos. Assim sendo, pessoas com maior risco de pneumonia pneumocócica devem conversar com o médico sobre formas de prevenir a doença.

Fatores de virulência da bactéria

? A cápsula da bactéria protege da fagocitose e do reconhecimento pelo sistema imunológico.
? Adesinas que permitem a adesão às células da faringe e epitélio respiratório.
? Pneumolisinas: São as proteínas que são secretadas e que terminam desestabilizando as membranas das células humanas, provocando sua destruição. Ativam o complemento, usando-o contra as células do hospedeiro.
? Protease de IgA: Inativa este tipo de anticorpos presentes nas mucosas.
? Ácido teicóico: Esse tipo de ácido ativa o complemento, gastando-o e direcionando-o para o hospedeiro.
? Produz peróxido de hidrogênio que causa danos nas células.
? Fosforilcolina: liga-se a recpetores das células do hospedeiro, permitindo ao pneumococo entrar nelas e escapar ao sistema imune.
Principais doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae
Pneumonia: pneumonia lobar e broncopneumonia.

Sintomas

Febres altas entre 39 a41 °C, com tosse e expectoração amarela purulenta. Esse quadro ocorre frequentemente após o paciente contrair uma doença respiratória viral, como o exemplo da gripe, que destrói os cílios do epitélio respiratório permitindo à bactéria instalar-se e multiplicar-se sem ser expulsa pela ação mecânica dos cílios. A mortalidade é de 5%.

Meningite

É causada pela Infecção das meninges do cérebro que pode ser potencialmente fatal. O pneumococo é a principal causa de meningite em adultos.

Sintomas

Inicio súbito de dores de cabeça: vômitos; sensibilidade à luz. O tratamento com antibióticos tem que ser realizado pouco depois do inicio dos sintomas ou o paciente poderá vir a morrer.

Septicemia

É a invasão e multiplicação de bactérias no sangue. Nesse caso a mortalidade é muito elevada. Normalmente acontece após a multiplicação num órgão específico sem limitação efetiva.

Outras doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae: Sinusite, Otite media, Osteomielite, Artrite séptica, Endocardite, Úlcera corneal, Abcessos cerebrais, Celulite.

Conclusão

Esta semana o mundo tomou conhecimento sobre a mutação da bactéria Streptococcus pneumoniae causando grande apreensão na comunidade científica. Cientistas anunciaram ter descoberto o motivo de tanta dificuldade com uma delas, a cepa 23F Espanha, que é especialmente resistente a medicamentos. De acordo com os cientistas ela simplesmente modificou cerca de 75% de seus genes de 1984 para cá. Quer dizer, ao longo de 27 anos ela se tornou uma bactéria totalmente diferente e por isso é sempre necessário buscar novas maneiras de combatê-la procurando desenvolver novos antibióticos.

Em entrevista concedida ao Site iG o cientista Nicholas Croucher explicou a razão de a bactéria ter sofrido a mutação: "Ficamos surpresos em quão rapidamente esta cepa evoluiu. Sabíamos antes deste estudo que ela havia passado por mudanças devido à [sua] resistência a antibióticos, mas somente fazendo o sequenciamento do genoma pudemos observar que essas mudanças ocorreram de forma independente em diferentes ocasiões. Consequentemente ela está se adaptando a uma velocidade muito maior do que o anteriormente previsto", finalizou o pesquisador do Instituto Wellcome Trust Sanger, na Inglaterra.

Segundo o iG a equipe de cientistas que trabalhou no projeto fez o sequenciamento e comparou o genoma de 200 espécimes da bactéria 23F Espanha espalhados pelos cinco continentes. Os dados obtidos por eles mostraram que a cepa utilizou duas estratégias clássicas para modificar seu genoma: a troca de bases (A,T,C e G) e a recombinação de genes na hora em que a célula se divide.

Segundo o pesquisador "Há evidências de que diversas outras cepas da mesma espécie [Streptococcus pneumoniae] devam se adaptar a uma velocidade semelhante porém muitas cepas comuns se adaptam bem mais lentamente e ainda não são resistentes a antibióticos. Não sabemos a razão, por enquanto, mas é algo que queremos descobrir", afirmou Croucher.

Referências Bibliográficas

1. Jornal de Pediatria. (Rio de Janeiro) vol.83, nº1, Porto Alegre Jan./Fev. 2007. Acessado por meio do Portal Google em 30.01.11 às 11 hs e 20 min.;
2. http://www.saude.hsw.uol.com.br ? Acessado por intermédio do Site da UOL em 30.01.11, às 12 hs e 15 min.;
3. www.copacabanarunners.net ? Acessado pelo Portal Google em 30.01.11, às 13 hs e 10 min.;
4. Site iG ? Título da matéria ? "Bactéria causadora da pneumonia muda rapidamente seu genoma", publicada em 27.01.11. Acessada no próprio site às 14 hs.

Nota: Gostaria de informar aos leitores do site de artigos www.webartigosos.com.br que não sou médico nem tampouco formado em cursos da área de ciências médicas e biológicas. Entretanto, como Jornalista e pesquisador sou um eterno apaixonado pelos assuntos relacionados a esse campo do saber humano, tendo em vista, também, por ser funcionários público da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, lotado no Hospital Escola Portugal Ramalho, especializado em doenças psiquiátricas onde exerço minhas funções administrativas.

Assim sendo, aceito qualquer crítica ao meu trabalho desde que seja feito com educação e respeito uma vez que ao publicar o artigo sobre a superbactéria KPC - Klebsiella Pneumoniae Carbapenemases recebi uma crítica que creio eu tenha sido feita por um médico em razão de ter escrito uma frase em que dizia pulsão venosa quando em verdade seria punção venosa. Porém, estou me sentindo realizado já que esse artigo foi lido por aproximadamente 16.000 pessoas até o dia de hoje (30.01.11).
Muito obrigado a todos.






 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Formado em Direito em 1983, Relações Públicas em 1997, Jornalismo em 2008, pela Universidade Federal de Alagoas, exerci o cargo de Oficial de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas entre 1986 a 1996, exerci o cargo comissionado de Assistente administrativo lotado na Vigilân...
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