Aquisição Linguística: Desenvolvimento e educação da criança surda
 
Aquisição Linguística: Desenvolvimento e educação da criança surda
 


Paráfrase: Desenvolvimento psicológico e educação: Transtornos de
desenvolvimento e necessidades educativas especiais: César Coll, Álvaro Marchesi,
Jesús Palácios.
Por: Vanda aparecida Góes
Introdução
Ao longo do séc. XX houve uma crescente preocupação de ter uma escola integradora que fosse comprometida com a formação e o desenvolvimento das crianças com dificuldades educacionais. Esse novo modelo teórico fundado nos direitos de todo os alunos terem educação no ensino público regular, descentralizou a responsabilidade das escolas especial com uma reforma educativa onde a escola pública assumiria o papel de tutora e medidora de aprendizagem desses alunos. A proposta baseada em e embasada em leis Institucionais, procurou fazer uma reforma que se atende às necessidades crescentes, discentes e docentes de acordo com a sua nova realidade, sendo que estas progrediriam no sentido de escolas
inclusivas e educativas no âmbito educacional.
O DESENVOLVIMENTO E A EDUCAÇÃO DA CRIANÇA SURDA.
ÁLVARO MARCHESI
O desenvolvimento cognitivo e a estrutura dos processos lingüísticos e da aquisição da comunicação do sujeito surdo,fez com que muitos professores, sociólogos, antropólogos tivesse interesse e começassem a pesquisar os processos que levaria a pessoa surda a ter uma forma própria de comunicação .Havia também uma cobrança da comunidade surdamsobre seu papel na sociedade. Para ter uma idéia panorâmica dos diferentes tipos de perca auditiva se faz necessário um breve esquema de alguns aspectos médicos da surdez localizado com a lesão auditiva, em segundo lugar descreve e analisa-se o desenvolvimento
das crianças surdas em três dimensões principais: cognitiva, comunicativa e social. Em terceiro lugar enfoca-se a avaliação da pessoa surda tanto em seus graus de deficiência quanto em suas capacidades de adquirir competências. A pessoa com perca auditiva constitui um grupo bastante heterogêneo, diferenciando a pessoa de acordo com sua perca auditiva que pode ser leve, moderada, hipoacústicas. Observa-se a prontidão da criança na aquisição da comunicação diferenciando se esta pertence à família de pais surdos ou não Os tipos de surdez foi estudado a partir da classificação médica de onde se localiza a perca auditiva, destacando três tipos diferentes: surdez condutiva ou de transmissão, a surdez neurossensorial e a surdez mista. A surdez condutiva ou de transmissão a zona lesada situa-se no ouvido médio o que impedem ou dificulta a transmissão sonora ate o ouvido interno. As surdezes condutivas não são
graves nem duradouras e há disponibilidade de tratamento médico ou de cirurgia. A surdez neurossensorial ou de percepção situa-se nom ouvido interno ou na via auditiva do cérebro, sua origem pode ser genética, adquirida neonatal e pós-neonatal, esse tipo de surdez não afeta só a quantidade de audição, mas a qualidade, a surdez neurossensorial costuma ser permanente, e até o pouco tempo nada se podia fazer, atualmente tem se desenvolvido o implante coclear. A Surdez mista conforme o próprio nome diz, é uma mistura de lesões no ouvido interno e no canal auditivo, ainda podendo leões ósseos e condutivos, levando a
surdez total e permanente. Etilogiamente as causas da surdez e sua forma de ser conduzida implicam em muitos fatores atitudionais e intrínsecos que estão relacionados com a formação da criança. Uma criança que tenha mais ofertas de comunicação visual e estímulos desde a primeira infância
terá desenvolvimento intelectual mais elevado que outros que não forem ofertados estímulos. A porcentagem de surdezes hereditárias situa-se em torno de 30 a 50%, mas não é fácil de diagnosticar, estas quando são diagnosticadas percebe-se que estão associadas a outras complicações como são os casos de problemas contraídos por doenças durante a
gravidez (rubéola, meningite, toxoplasmose, etc.).As surdezes contraídas geneticamente de pais surdos situa-se em uma porcentagem de 10% estas crianças possuem nível intelectual mais elevados que outros surdos com outro tipo de etiologia. A perda auditiva é avaliada por sua intensidade em cada ouvido, sendo utilizado um escala aritmética sendo medida a intensidade do som por decibéis. Sendo:
20dB o individuo fala em cochicho,
40dB..... Fala suave,
60dB.....Conversa normal,
80dB.....Há um trânsito ruidoso,
100dB..... Escavadeira
120dB.....Reator.
A freqüência refere-se á velocidade medida sa fala do individuo, é medida em Hertz (HZ), para se ter uma boa compreensão da fala do individuo é necessário estar entre 500 e 2000Hertz. Na educação é necessário e fazer um estudo mais aprofundado sobre os surdos os classificando em hipoacústicos, que tem dificuldades de perceber som, mas que sua lesão
não interfere na aquisição da linguagem oral, utilizando uma prótese auditiva, e os surdos profundos que não possuindo aquisição da linguagem oral precisando de elementos visuais, tornando essa forma seu principal meio de comunicação. A idade da criança que tem perca auditiva tem uma grande repercussão em seu desenvolvimento diferenciando em dois tempos, surdez pré-locutiva e surdez pós-locutivas.
A pesquisa clássica de Conrad (1979) sobre os surdos confirmou sobre a importância do antes e depois dos três anos de idade, classificando os alunos com perda auditiva em três grupos :
1. Congênita.
2. Do nascimento aos 3 anos.
3. Depois dos 3 anos.
Estudos apontaram que crianças que perderam a audição depois dos três anos conseguiam chegar a uma maior competência lingüística, através e enriquecimentos de linguagem e estímulos apropriado por ser uma estrutura frágil. E que crianças que eram pré-locutivas tinham que aprender uma nova língua usando linguagem espaço visual para ter uma comunicação. È de suma importância que após ser identificada a perda auditiva seja dispensado a essa criança todo suporte possível ao seu desenvolvimento social e cognitivo e que o seu ambiente familiar faça toda uma diferença fornecendo pré-requisitos para se adquirir uma linguagem com estruturas semântica, morfológica e pragmática que possa atender
as suas necessidades inserindo-os na sociedade. Pais que tratam os filhos surdos como se esses fossem ouvintes acabam por impedi-los de serem independentes sendo esses forçados a seguirem modelo padrão dos ouvintes, condenados ao ilhamento e a exclusão dentro de sua própria família e comunidade. Filhos surdos de pais surdos adquirem naturalmente a língua de sinais, passando pelos mesmos processos de
aquisição lingüística de uma criança ouvinte. A comunicação pré-verbal e sua influência faz com que input lingüístico seja o mesmo falada com sua família, apenas 10% de crianças surdas são filhas de pais surdos sendo que estes utilizam a língua de sinal oferecendo a criança surda uma ponte de comunicação. Os restantes 90% são crianças surdas filhos de pais ouvintes, que antes do nascimento da criança nada sabia sobre comunicação de sinal. Alguns pais ao nascimento do bebê surdo procura aprendizagem de sinal para se ter uma comunicação visual com a criança, mas , em sua maioria não buscam língua de sinal como alternativa para comunicação, fazendo com que a criança não seja estimulada e
perdendo o intercâmbio entre o adulto e o bebê mediante expressões primitivas que pelo quais pais e filhos regulam mutuamente seu comportamento. È importante destacar que as diferenças entre crianças surda e crianças ouvintes começam a se revelar desde os primeiros meses. Os choros, arrolhos, balbucio e os arrulhos dos primeiros quatro
meses são iguais e qualquer em uns e outros, mas essas expressões vocais começam a diminuir nas crianças surdas ou com a perda auditiva grave, mas essas expressões vocais começam a diminuir nas crianças surdas a partir dos 4 a 6 meses. A falta de feedback auditivo de suas próprias vocalizações contribui decisivamente para tal desaparecimento.Gregory e Mogford (1981) analisaram três aspectosrelevantes de comunicação entre,mãe e filho durante o primeiro ano, a alternância, a reverência conjunta, e os jogos de antecipação. A alternância é o papel que cada um dos interlocutores deve ocupar
quando um toma a iniciativa o outro espera o seu turno para intervir, quando a criança é surda , mãe e criança vocalizam juntas com muito mais freqüência do que a criança ouvinte . A referência conjunta é um indicador das atividades que a mãe e a criança realizam com a atenção voltada a mesma coisa sendo essas expressões convertem-se posteriormente em instrumentos para regular a tenção da criança. A criança surda não
estabelece uma relação do rosto da mãe com sons e comunicação e as vocalizações em direção aos objetos , por isso a criança surda diminui a busca do rosto da mãe e esta não pode utilizar as vocalizações para regular a atenção da criança. O jogo de antecipação permite que a criança realize as ações previstas e as alterne com a mãe embora seja possível utilizar sinal táteis ou manuais com a criança surda , o que se constata é que a mãe diminuem a busca desses jogos. Enormes dificuldades entre a mãe
e a crianças surda também podem decorrer da atenção dividida, como assinala Woods e colaboradores (1986), a criança surda não consegue o mesmo tempo prestar atenção ao rosto da mãe e a fala direcionada a objetos, assim como as crianças ouvintes que o fazem simultaneamente, sendo que a mãe sem obter respostas acaba se desestimulando levando a diminuição desses jogos de alternância. Estudos destacam essas dificuldades, embora suas conclusões nem sempre sejam
coincidentes visto que ainda é uma nova ciência nos parâmetros de códigos e letras e ainda se tem um grande percurso a percorrer até se ter uma base consolidada e que atenda a demanda inclusiva. Gregory e Mogford (1981), comprovaram que crianças surdas não chegam a dez palavras até depois dos 2 anos de idade, o que supõe atraso de
quase um ano em comparação com crianças ouvintes . Segundo Goldin-Meadow e Felman (1975),essas crianças quando não oferecida língua de sinal e sendo expostam apenas a linguagem oral acabam por adquirindo expressões progressivas de gestos simbólicos É possível desenvolver uma psicologia própria das pessoas surdas,o caráter diferencial procede das limitações dos surdos para ter acesso ainformação o que faz
que sua informações se centrem em suas experiências internas devido a limitação do acesso a linguagem . Essa posição diferenciadora foi discutida a partir da teoria de Jean Piaget. Sua formulação de que a linguagem e comunicação não assume e um papel determinante na estrutura do pensamento fundamentou um amplo conjunto de pesquisas.. Dessa forma entende-se que os surdos não são privados de uma linguagem, mas,que utilizam uma linguagem própria, sendo, gestos icônicos , bimodal ou bilíngüe. O jogo simbólico estudado por Marshesi nos da uma dimensão sobre os processos do jogo nas crianças surdas profundas passando por ritmos diferentes e evoluções. Asdimensões estudadas foram as seguintes:
1. Descentralização: A criança vai progressivamente sendo capaz de assumir pontode vista dos outros.
2. Identidade: A criança é capaz de atribuir papel próprios aos bonecos e realizar ações designadas.
3. Substituição: A criança é capaz de utilizar objetos com uma função ordenada e distinta.
4. Integração de ações :A criança organiza suas ações e seqüência.
5. Planejamento: A criança realiza planejamento prévio do jogo.
As fases em que ocorre o desenvolvimento da criança surda é igual ao da criança ouvinte, a diferença notada em criança surda com mais atraso na aquisição da comunicação é a falta de subsídios para formação de pensamentos complexos e abstratos( Ceci ,!990), sendo que segundo a linha de pensamento de Jean Piaget é imprescindível a interação com seu meio social e cultural , dessa forma nota-se O pensamento lógico-concreto hipotético- dedutivo em qualquer criança independentemente de ter dificuldades de aprendizagem precisa set trabalhado espontaneamente ou sistematicamente . Para se ter ainda um diagnóstico que atenda a necessidade educacional e social é preciso submeter essa a criança surda em baterias de exames para se ter se não noções exatas pelo menos noções aproximadas da sua perda auditiva , sendo para isso feito:prova dos potenciais auditivos (medidos por eletrodos) potenciais de latências curto ou de tronco cerebral que permitem o diagnóstico auditivo em tons médios e agudos(1.000 a 4000 Hz), audiometria tonal , um aparelho que
emite sons com diferentes freqüências e intensidades,avaliação psicopedagógica que informa possível característica do ambiente familiar , condições educativas tendo como visão; criança , família, escola. O próprio contexto familiar, as capacidades habilidades e competências da criança em questão. O contexto escolar e a forma em que essa criança vai ser exposta aos conceitos curriculares e a forma em que se vai ser feita a mediação de aprendizagem, a oferta de material concreto e abstrato,a importância da maturação na língua de sinal para poder ofertar a criança surda uma língua que ela possa assimilar e desenvolver ao longo de seu processo de aprendizagem foi retoricamente falado por Cornett (1967), onde a criança seja exposta não somente a língua de sinal , mas, a palavras complementadas conseguindo uma leitura labial "cued-speed", não para ser substituído a língua mãe de sinal, mas, para que essa
criança possa ter um maior leque comunicativo e expressivo em todas as situações em que estiver exposta, sobre esse assunto pode s ler mais em :Cornett, R.Cue speech .American Annals of tthe Deaf,( p.112,3-13 1967).
O enfoque bimodal e bilíngüe na forma em que é feita a mediação do conhecimento a criança surda ainda esta em fase de construção estruturação e analise de seus meios empregados, é muito comum ouvirmos educadores dizerem que são bilíngües , mas estes em muitas vezes utilizam a versão português interpretado em língua sinal se baseando na estrutura lingüística do português , sendo assim bimodal e não bilíngüe. O bilingüismo reconhece e observa a língua de sinal distinta com estruturas morfológicas completas, sistemas e processos sintáticos e semânticos próprios de uma língua com toda gramática para utilização a distinguindo dos demais dialetos falados .A importância da integração: Até que ponto podemos discutir ou questionar sobre a inclusão, somos todos inclusos e ao mesmos tempo exclusos, o que podemos reivindica são nossos direitos e deveres, pois, a única coisa que temos certeza é que quanto mais nos desenvolvemos , mais a história avança e não conseguimos estancar a hemorrágica sangria da indiferença sendo um desafio para todos que dela fazem parte.
 
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Sobre este autor(a)
professora e pesquisadora que atua na área de aquisição linguistica e letramento , estudos e estruturas de linguas maternas dos grupos existentes em nosso país.
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