Antígona
 
Antígona
 


RESENHA DA OBRA "ANTÍGONA" DE SÓFOCLES


Referência Bibliográfica

SÓFOCLES. Antígona. In: ________ . Édipo Rei ? Antígona. Tradução de Jean Melville. São Paulo: Martin Claret, 2007. 143 p.

Biografia do Autor

Nascido em 496 a.C, na pequena localidade de Colono nas imediações de Atenas. O Poeta foi vinte e quatro vezes vencedor de concursos de dramaturgia, derrotando até mesmo o seu mestre Ésquilo. Sófocles exerceu papel importante na vida pública. Escreveu inúmeras tragédias, dentre as mais importantes estão: Édipo Rei, Édipo Colono e Antígona.

Síntese da Obra

Depois do triste fim da estória do Rei Édipo, a filha dele e de Jocasta, Antígona, o acompanhou para o seu exílio e depois regressou para Tebas onde seus irmãos Etéocles, Polinice e Ismênia haviam ficado. O seu tio Creonte se tornara rei da cidade de Tebas, e numa batalha pelo poder seus irmãos agora de lados opostos se mataram. Eteócles que era do lado de Creonte teve honras fúnebres, e já Polinice que combatera sua própria pátria ao lado do exército inimigo, teve seu corpo exposto aos animais e aves de rapina devido a um decreto baixado pelo seu tio Creonte. Antígona, então resolveu enterrar seu irmão indo de encontro às ordens do rei. E por esse ato de coragem e nobreza para uns e desobediência e insubordinação para outros, foi condenada à morte.

Análise da Obra

Obra de infinita grandeza trata de temas atuais, tanto para a área do Direito quanto para Filosofia e outras áreas do conhecimento.
Para entender melhor a obra, primeiro definirei a personalidade da personagem principal, Antígona, depois a personalidade do rei Creonte, personagem de não menos valor.
Mulher audaciosa, capaz de passar por cima de tudo para defender a família, instituição sagrada na sua concepção, Antígona é uma pessoa digna de apreço, porque preferiu a morte a ter que abrir mão de prestar as honras fúnebres a seu irmão, ou seja, o amor fraterno foi mais forte do que o medo da tirania de um rei despótico.
Creonte, também não deixa de ter o seu valor, considerado um tirano, o vilão da estória, age racionalmente, pois luta pela ordem e pela pátria em detrimento de qualquer valor moral e religioso que venha a se revelar hostil ao Estado. É um governante que nega o lado pessoal para dar prioridade ao coletivo.
Há claramente um confronto direto entre o Direito Natural e o Direito Positivo.
Antígona é a representante legítima do Direito Natural, dos ditames morais e religiosos. Em certa passagem ela fala que nem a Cidade e nem Creonte é mais forte que o respeito a um costume sagrado. E com isso ela vai ganhando apoio da população de Tebas, do Corifeu e de Tirésias, mostrando que o Direito Natural é muito mais forte que o Direito Positivo. Sófocles, no meu entendimento, mostrou que o Antropocentrismo, que era a concepção que reinava na época, tinha seus pontos fracos. Isto é, não tem como sobreviver em determinada época e sociedade somente uma ideologia. A Ciência e a Religião são ambas importantes para a sociedade. Há na obra uma crítica muito bem fundamentada sobre o Racionalismo exacerbado.
Em contrapartida, Creonte é a personificação do Direito Positivo. É o racionalismo que ele tem como característica mais importante, pois quando o seu filho Hêmon o questiona sobre sua atitude de matar sua própria nora por causa de uma lei que ele mesmo legislou e lhe pede para voltar atrás, Creonte mantém sua decisão baseado na ideia de que se abrir uma exceção na lei para um indivíduo outros vão querer também, fragilizando a autoridade do rei e consequentemente abrindo margem para que o povo se insurja contra um Estado que não tem o poder de punir quem se opõe a esse Estado, pois é a lei que mantém a ordem e na sua falta impera a desordem. Creonte incorpora a cultura grego-romana, os valores clássicos, tendo em vista que o homem e suas leis prevalecem sobre os deuses e as leis divinas.
Se por um lado Creonte agiu certo dando uma punição para um traidor da pátria e uma homenagem a quem lutou por ela, agiu também errado por não ouvir o filho e as vozes abafadas da população, que por medo da tirania do seu governante fingiam obediência, que queriam o perdão do rei para com Antígona.
As leis devem ser flexíveis a um e rígidas a outros? A Justiça se faz quando a população a qual se destinam às leis aceitam a sua aplicação? Deve haver harmonia entre Direito Natural e Direito Positivo? Devemos aceitar as leis mesmo que não concordemos com ela, já que "nem tudo que é lícito é justo", como alertou Lhering? São alguns dos questionamentos suscitados pela obra e que permanecem atuais em pleno século XXI.


 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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