Análise Linguística: O livro didático e suas atividades propostas
 
Análise Linguística: O livro didático e suas atividades propostas
 


Análise Linguística: O livro didático e suas atividades propostas

Beatriz Moreira Medeiros¹

Regina Maria Alves de Araújo²[1]

 

Resumo

A crescente falha do ensino de Língua Portuguesa nas escolas do ensino básico tem se tornando cada vez mais preocupante, tendo em vista fundamentalmente tal aspecto, o presente trabalho tem como objetivo principal analisar e explicar a perspectiva de ensino trabalhada nas propostas de atividades do livro didático ‘’Português’’ de Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano (2006). Observamos os aspectos mais relevantes de duas unidades para chegarmos a um consenso em relação à perspectiva de ensino e de língua trazida pelo livro didático para a sala de aula. Além de fazermos uma reflexão acerca de uma nova concepção de ensino que vislumbre a prática de Análise Linguística.

Palavras chave: Análise Linguística. Livro didático. Ensino. Língua materna.

 

 Introdução

 

Ao longo dos anos o ensino de gramática normativa nas escolas concretizou-se como a principal função do professor de Língua Portuguesa, ensinar o aluno a classificar e nomear as classes gramaticais era e ainda é visto como a principal função do docente desta disciplina. Porém, com o passar dos anos e do uso recorrente dessa maneira de ensinar, foi percebida a insuficiência desse método, pois saber classificar e nomear as estruturas linguísticas não garantiu aos discentes um bom desempenho na hora de ler e escrever bons textos.

            Amparados nessa constatação, muitos estudos vêm sendo realizados no âmbito acadêmico em prol de melhorar o ensino e a aprendizagem das aulas de Língua Portuguesa no ensino básico. A necessidade de formar alunos que saibam nomear, classificar e também utilizar as estruturas linguísticas em todas as suas peculiaridades, faz com que muitos trabalhos sejam desenvolvidos na área acadêmica. Porém, é perceptível que a grande maioria desses trabalhos acaba não chegando ás salas de aula do ensino básico, ou seja, a maioria dos professores em formação estudam durante sua vida acadêmica formas de ensino que teoricamente seriam mais eficazes que a tradicional. No entanto, a maioria acaba não executando os conhecimentos adquiridos na academia em suas salas de aula, por se prenderem aos conceitos culturais de ensino impostos pela sociedade, de que o bom professor de português é aquele que ensina gramática na sua essência. Em relação a esses conceitos culturais estabelecidos a respeito do ensino de língua portuguesa, Mendonça (2006, p. 201-202) diz:

Isso parece indicar que muitos professores não encontram outra razão para ensinar o que ensinam nas aulas de gramática, a não ser a força da tradição, relevando uma prática docente alienada de seus propósitos mais básicos.

            Outra constatação relevante em relação ao ensino de Língua Portuguesa é perceptível se observarmos que ao mesmo tempo em que a sociedade instaurou uma imagem deste ensino como sendo algo que deva se preocupar exclusivamente com o ensino das regras gramaticais, uma parcela dos alunos muitas vezes se vê entediada e chega até mesmo a questionar o ensino de tais regras. Enquanto outra parcela vê naquele ensino apenas uma forma de passar nas famosas provas de vestibular. O que éperceptível nesses dois grupos de alunos é que ambos decoram essas regras e classificações, e após as provas, sejam elas da disciplina ou do vestibular, os alunossimplesmente esquecem, as regras não se tornam relevantes o suficiente para serem levadas além do âmbito escolar.

            Ainda no contexto escolar, nota-se que os professores de ambas as disciplinas, mas, sobretudo os de Língua Portuguesa, encontram-se presos aos Livros Didáticos,livros este que muitas vezes se resumem a atividades de classificação gramatical. Isso refletido no fato deste material ser praticamente o único instrumento de apoio ao professor, só aumenta as chances de um ensino centrado na norma padrão da língua.

Ao percebermos todos os aspectos citados e vislumbrando a teoria da Análise Linguística que, segundo Mendonça (2006, p. 205):

O termo análise linguística não foge à regra, ou seja, surgiu para denominar uma nova perspectiva de reflexão sobre o sistema linguístico e sobre os usos da língua, com vistas ao tratamento escolar de fenômenos gramaticais, textuais e discursivos.

Nosso objetivo no referido trabalho é perceber as possíveis propostas de Análise Linguística presentes em duas unidades do livro didático Português, de Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano, 2006 usado no ensino médio das escolas públicas brasileiras. Obra esta que se divide em três eixos do ensino de língua portuguesa tradicional, inicialmente Literatura (p. 12-175), em seguida Gramática (p. 178-326), e por fim Produção de Texto (p. 330-439). A escolha do livro se deu fundamentalmente por um fator relevante, a maneira como a obra se encontra organizada. Fato esse que chamou nossa atenção,pois, a divisão interna da obra reflete exatamente o modo como o ensino de Língua Portuguesa é trabalhado em sala de aula. Analisaremos apenas duas unidades do referido livro, a fim fornecer conhecimento a respeito do modo como os estudos linguísticos vêm sendo propostos pelos livros didáticos do Ensino Médio.

Para chegarmos ao nosso objetivo, ou seja, perceber a maneira como o livro didático escolhido propõe o trabalho de estudos linguísticos em sala, analisaremos as atividades propostas nos capítulos 26 e 27 do livro em questão, na tentativa de perceber o que essas atividades propõem, e que conhecimentos os alunos precisaram ter para responderem efetivamente tais atividades. A partir dai, procuraremos refletir se existe alguma atividade que envolva Análise Linguística dentro das unidades selecionadas, observando também, qual a concepção de língua adotada no livro escolhido.

A justificativa para realizarmos tal trabalho se baseia no fato já citado acima, ou seja, a falha do ensino de Língua Portuguesa, especificamente quando trata-se do ensino da gramática, uma vez que este é centrado apenas na aprendizagem das normas e regras.

 Um outro ponto que serve de mote para a realização deste trabalho é a necessidade de se elaborar uma forma de ensino que possa atender à perspectivas relacionadas aos contextos sociodiscursivos, com enfoque não só no formal da língua, como nos orientam os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) organizados pelo Governo Federal que guiam a educação nas redes públicas de ensino. Para melhor compreensão vejamos no trecho seguinte, em que é possível perceber que o ensino sobre linguagem deve ir muito além do que o breve ensino de regras e normas gramaticais:

         Toda linguagem carrega dentro de si uma visão de mundo, prenha de significados e significações que vão além do seu aspecto formal. O estudo apenas do aspecto formal, desconsiderando a inter-relação contextual, semântica e gramatical própria da natureza e função da linguagem, desvincula o aluno do caráter intrasubjetivo, intersubjetivo, e social da linguagem. (PCN .2000 p.6-7)

A necessidade de um eixo de ensino que vise não só os aspectos normativos da língua, mas também os aspectos sócio discursivos, nos evidencia o quanto é necessário realizarmos estudos a respeito de correntes teóricas que possam conter tais aspectos.

            A seguir, tentaremos evidenciar algumas informações relevantes a respeito da prática de análise linguística, para que o leitor a partir do que foi exposto sobre a AL tenha informações suficientes para entender a pesquisa que será apresentada no decorrer do presente trabalho.

1. Conceitos básicos de Análise Linguística     

 

            Dentro de uma concepção sociointeracionista da língua, a análise linguística se encarrega justamente do eixo ocupado pela gramática nas aulas de língua materna, ou seja, o de estudar os fenômenos linguísticos. A intenção de tal concepção de estudo da língua não é o de eliminar as nomenclaturas e classificações das aulas de língua portuguesa, mas o de estudar juntamente com a gramática normativa os aspectos discursivos da língua a partir do texto.

            Esse trabalho a partir do texto se caracterizaria por partir do macro para o micro, ou seja, da maior unidade de sentido para a menor. Ao trabalhar o texto em todas as suas peculiaridades, o professor proporcionaria ao aluno uma reflexão sobre os aspectos da língua dentro de um determinado contexto. Com base nessa reflexão, a compreensão a respeito dos estudos linguísticos e da linguagem seria feita de maneira mais eficaz por parte do aluno.

             A respeito do ensino de análise linguística a partir do texto, Geraldi (1997c: 74), citado em Mendonça (2006) explica que:

A análise linguística inclui tanto o trabalho sobre as questões     tradicionais da gramática quanto questões amplas a propósito do texto, entre as quais vale a pena citar: coesão e coerência internas do texto; adequação do texto aos objetivos pretendidos; análise dos recursos expressivos utilizados (metáforas, metonímias, paráfrases, citações, discursos direto e indireto etc.);  organização e inclusão de informações etc. Essencialmente, a prática de análise linguística não poderá limitar-se à higienização do texto do aluno em seus aspectos gramaticais e ortográficos, limitando-se a ‘correções’. Trata-se de trabalhar com o aluno o seu texto para que ele atinja seus objetivos junto aos leitores a que se destina.

           

            O autor ressalta em seu texto o foco de estudo da análise linguística, ou seja, os aspectos metalinguísticos e epilinguísticos da língua. Dando ênfase às questões relacionadas à produção textual que para ele é o material que deve ser fundamentalmente trabalhado.

            Geraldi (1984, p. 63), propõe que o trabalho de análise linguística seja feito a partir da produção textual do próprio aluno, já que segundo ele “o ensino gramatical somente tem sentido se for para auxiliar o aluno e por isso partirá do texto do aluno” sendo assim, ainda no mesmo texto, Geraldi (1984, p. 63) diz que” o material necessário para as aulas de prática de análise linguística: os Cadernos de redações do alunos; um caderno de anotações; dicionários e gramáticas;”. Geraldi orienta um trabalho com análise linguística que não exclui os aspectos já observados pela gramática nas aulas tradicionais de língua portuguesa. Não há o desejo de deixar de lado o que vem sendo estudado nas salas de aula do ensino básico em relação ao estudo de língua materna. Mas há sim o desejo de vincular esses conhecimentos a outros de relevância igualitária, que permitirá ao aluno fazer uma reflexão a respeito do uso da linguagem.

             A respeito dessa junção de gramática e prática de análise linguística, Bezerra e Reinaldo dizem que (2013, p. 84): “Enfim, percebe-se que a análise linguística se apresenta como alternativa ou complementação ao ensino de gramática tradicional e como reflexão relacionada aos eixos de leitura e de escrita.” Ou seja, a análise linguística não anula o ensino de gramática normativa, ela só propõe o ensino e a reflexão da língua em todos os seus aspectos e não só os gramaticais e ortográficos. Sendo assim, esse ensino deve relaciona-se com os demais eixos de estudo da língua, a leitura e a escrita, como propõem Geraldi em seus trabalhos a respeito do estudo do texto.

            Desse modo a análise linguística surge para estudar a língua em todos os seus aspectos, centralizando o estudo através do uso. Um eixo que reflete a língua em todas as suas peculiaridades, e que deve ser trabalhado em sala de aula junto aos eixos de leitura e escrita.

            A respeito da configuração do trabalho de análise linguística Mendonça (2006) diz:

O que configura um trabalho de AL é a reflexão recorrente e organizada, voltada para a produção de sentidos e/ ou para a compreensão mais ampla dos usos e do sistema linguísticos, com o fim de contribuir para a formação de leitores escritores de gêneros diversos, aptos a participarem de eventos de letramento com autonomia e eficiência. (MENDONÇA, 2006, p.208)

                                            

Como foi dito por Mendonça, a prática de análise linguística, deverá a partir da reflexão que o aluno fez a respeito da língua e de seu uso, formar alunos capazes de escrever e de ler textos de gêneros diversos com eficiência e autonomia, ou seja, deverá tornar o aluno proficiente em sua leitura e escrita.

2.0 Uma análise das atividades propostas no livro didático “Português”

           

            Escolhemos para realizar nossa análise os capítulos 26 e 27 do livro didático “Português”, de Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano, 20006, em tais capítulos observamos que inicialmente têm-se as definições e conceitos dos temas delimitados. Logo após a conceituação, são colocadas as propostas de atividades contidas nestes capítulos, estas se dividem em dois eixos para se trabalhar os temas propostos. Estes eixos dividem-se em “aplicando” e “praticando”, no eixo denominado de ‘aplicando’, as propostas de atividades a serem trabalhadas tratam-se de questões “abertas”, em que o aluno poderá desenvolver múltiplas respostas.

            Trazendo para a discussão, primeiramente o capítulo 26 do eixo aplicando, percebemos que em todas as questões propostas têm-se um texto que servirá de base ao aluno para responder as perguntas. No capítulo em questão o tema abordado é sobre “Substantivo e Artigo”, vale ressaltar que no início do capítulo são elencados apenas conceitos e definições e classificações do assunto. Da mesma forma que ocorre no capítulo 26 também é tratada no capítulo 27, este tem início com as definições e as regras de uso dos “Adjetivos e Numerais”, uma vez que este é o tema proposto no capítulo em questão.

            Como trata-se de questões que apresentam textos como base às respostas a serem dadas pelos alunos, poderíamos supor  a priori, que  estes textos seriam trabalhados em todos os  seus aspectos nas perguntas propostas nas atividades. No entanto, ao analisarmos as questões propostas em ambos os capítulos, percebemos que o tratamento dado ao texto é superficial e este é considerado apenas comoum pretexto para se trabalhar as classificações e definições da gramática normativa. Existe um modelo fixo nas questões dos dois capítulos analisados, ou seja, em nenhuma das propostas de atividades o texto foi trabalhado em sua totalidade, os sentidos e contextos em que foram produzidos não foram considerados.

            Portanto, constatamos que tais textos de base, não serviam de ponto para o estudo dos sentidos sócio discursivos, e sim como um pretexto para se trabalhar as regras e classificações da Gramática Normativa.

Como podemos perceber.

Na verdade, a afirmação de que se trabalha com a gramática “contextualizada” oculta, muitas vezes, o fato de que essa contextualização se refere normalmente à retirada de frases e períodos de um texto, sem qualquer referência ao funcionamento do fenômeno gramatical em estudo na produção de sentido dos discursos. Em outras palavras, o texto é pretexto para ensinar gramática, tal e qual já se vinha fazendo. (Mendonça, 2006, p. 233)

            Como vimos em Mendonça (2006),  muitas vezes, os professores de Língua Portuguesa afirmam trabalhar com a prática de Análise Linguística, quando na verdade apenas utilizam-se do texto como um meio para se ensinar o que já vem sendo feito/ensinado a muito tempo: regras, definições e classificações da gramática tradicional.

            Com o intuito de melhor explicarmos o que vem sendo dito, vejamos abaixo um exemplo do livro analisado, trata-se            da 2ª questão (eixo aplicando)  referente ao capítulo 26, que abordou sobre substantivos e artigos:

2) Leia o texto a seguir:

                          Abelhas caça-minas

“Cento e vinte milhões de minas terrestres em 70 países matam ou mutilam 60 pessoas por dia. Conseguir detectá-las é a meta dos cientistas do laboratório americano Sandia, no Novo México. Eles querem treinar abelhas para achar esses artefatos mortíferos. Como toda mina libera TNT no solo, busca-se saber se existem espécies de flores que absorvam esse explosivo, concentrando-o no pólen. Caso existam, o passo seguinte será tentar condicionar as abelhas a procurar esses tipos de flores. Os incrédulos fiquem sabendo que a pesquisa é séria e patrocinada pelo Departamento de Defesa dos EUA.”

Peter Moon, in Revista Isto É, 26 maio 1999.

a)      Explique a formação do plural do substantivo composto caça-minas. Dê exemplos semelhantes.

b)      No título, a palavra composta caça-minas funciona como substantive? Porquê?

c)      Explique como se dá a formação do plural dos substantivos pólen e pajem. Cite algumas palavras que fazem o plural da mesma forma.

d)     “Os incrédulos fiquem sabendo que a pesquisa é séria”. Identifique a classe gramatical da palavra em destaque, justificando sua resposta. Escreva uma frase empregando essa palavra em outra classe gramatical.

Na questão apresentada acima, percebemos que elas limitam-se a mera classificação de estruturas gramaticais, o texto como foi dito por Mendonça (2006), serve apenas como pretexto para questões que visam apenas as classificações e nomenclaturas das estruturas linguísticas, deixando de lado fatores discursivos do texto. Nenhuma das perguntas é exatamente em relação ao texto, este nesse caso, como já enfatizamos, foi utilizado apenas como a base do aluno identificar classes gramaticais e explicar o processo de formação dos plurais. Portanto, é notório que o texto em si não foi estudado, o aluno não refletiu sobre o novo estudo que será desenvolvido e muito menos sobre os usos e os efeitos de sentidos que os recursos linguísticos provocaram ao serem colocados em tal texto.

Com essa breve análise, já é possível perceber o quanto o foco do ensino de Língua Portuguesa se encontra preso a gramática normativa, e o quanto o próprio livro, um material didático importante, em que alguns casos, é o único recurso didático de suporte ao aluno é falho na forma de abordagem dos temas em suas propostas de atividades.

Ao ampliarmos a discussão para o segundo eixo trabalhado nas unidades escolhidas do livro didático selecionado para análise, eixo este denominado “praticando”, percebemos que a falha é ainda maior, este trata-se de um enfoque relacionado às questões de múltipla escolha., e que portanto, não permite o aluno inferir outras significações. Justamente por se tratar desse tipo de questões, retiradas de provas de vestibulares de diferentes universidades brasileiras, notamos que apresentaram poucos textos bases. Em ambos os capítulos era proposto que o aluno assinalasse a alternativa correta em relação ao tema abordado no início de cada capítulo. Neste caso o aluno tem apenas o trabalho de “marcar” a questão verdadeira, deixando de lado qualquer reflexão a respeito do uso da língua. Nestas questões do eixo praticando, considera-se muito pouco, ou geralmente nada sobre os aspectos discursivos da linguagem, ou seja, nem as próprias provas de ingresso às universidades conseguem se soltar das amarras da gramática normativa.

Dessa forma, é possível perceber que a concepção de língua utilizada no livro didático que foi selecionado, é de uma corrente teórica estruturalista, ou seja, centrada nas estruturas gramaticais e ortográficas. Nessa concepção de língua nota-se que é desprezada os aspectos sóciodiscursivos do texto.

3.0 Por uma nova perspectiva de ensino:

            A partir da análise realizada das propostas de atividades presentes no livro didático “Português”, trabalhado no ensino médio, percebemos o quanto ainda é limitada a prática de Análise Linguística. Entende-se a luz do estudo realizado o quão complexo é para o professor de língua materna decidir-se optar por um método diferente do que tem sido trabalhado a tantos anos nas escolas.

            É notório que o livro didático em sua composição de atividades não proporciona ao professor fazer um enfoque considerando todos os aspectos dos recursos linguísticos. Consequentemente os próprios livros didáticos não consentem uma prática voltada para a produção de sentidos e uma compreensão mais ampla dos usos dos sistemas linguísticos, como sugere a Análise Linguística.

            A Análise Linguística, segundo Mendonça (2006) constitui uma ferramenta, auxílio para as práticas de leitura/ escuta e de escrita, trazendo este questionamento para a necessidade de se propor uma nova perspectiva de ensino, podemos inferir que este pode ser definido como o foco, ponto principal para novas metodologias de ensino. É plausível que o professor utilize-se do eixo “uso-reflexão-uso” para abordar os assuntos referentes a gramática normativa em suas aulas, uma vez que o professor de língua portuguesa não formará gramáticos e sim usuários da língua, pessoas que saibam usar-se e apropriar-se dos recursos linguísticos em diferentes contextos, sejam eles ensino/aprendizagem como também comunicacional.

            Ao ser debatido sobre uma nova perspectiva de ensino de língua portuguesa, constamos que a prática de Análise Linguística constitui um dos três eixos do ensino, ao lado da leitura e da produção textual. Por conseguinte, a análise linguística apresenta como objetivo central refletir sobre os elementos e fenômenos linguísticos, considerando o desenvolvimento das habilidades de falar, ouvir, ler e escrever os textos.

            Portanto, como uma alternativa eficaz para se trabalhar simultaneamente os sentidos sociodiscursivos dos textos, sem deixar os aspetos gramaticais a parte, mas sim aprimorando os métodos, a AL é vista como o melhor e talvez o único eixo de realização dessa simultaneidade de elementos de ensino, vislumbrando o uso e a reflexão do sistema linguístico.

            De tal forma percebemos que os capítulos escolhidos do livro para análise, não contemplam ao que chamamos de prática de Análise Linguística, uma vez que este aborda em sua divisão a gramática pura e sólida, como perspectiva de ensino. Constatamos claramente que os textos bases para as questões foram meros pretextos para o ensino de definições e regras gramaticais.

            Como uma nova perspectiva de ensino é realizada várias pesquisas a respeito do tema em questão AL, para que esta habite os pilares escolares contribuindo de forma positiva para o ensino de língua portuguesa.

4.0 Considerações Finais

         Constatamos a partir do estudo realizado que, embora muito tenha sido discutido sobre um novo método de ensino de Língua Portuguesa, ainda é dominante e recorrente um ensino centrado nas definições, classificações e regras gramaticais.

            A maioria dos alunos das escolas públicas brasileiras tem como recurso didático exclusivamente o livro que lhes é oferecido pelo Governo, livro este que passar por um processo de escolha e aceitação por parte dos professores. Embora existam vários questionamentos a respeito de uma mudança no ensino de gramática, não tem sido simples a difusão desse método que possa vislumbrar as perspectivas teóricas metodológicas abordadas pela AL.

Como visto neste trabalho, os próprios livros didáticos não atendem a este eixo de ensino, por isso, entende-se que seja tão complexo o professor adaptar-se e inclusive, fazer a turma compreender a finalidade deste método, que é formar usuários autônomos da língua.

            O que é importante, é compreendermos que na verdade, é necessário que o ensino deixe de ser descontextualizado e seja fundamentado na reflexão da linguagem, no aprendizado sistemático do aluno, especialmente, na realidade que ele está inserido, pois esta realidade será determinante para a realização de um trabalho que reflita a prática de Análise Linguística.

É válido ressaltar a importância do ensino de português criar oportunidades para deixar de ser um mero reprodutor das regras mecânicas da gramática normativa e passe a ser um construtor de ideias contextualizadas pelos alunos. Para que tais aperfeiçoamentos sejam realizados na perspectiva de ensino, é preciso uma reformulação urgente nos livros didáticos, para que estes possam continuar sendo o suporte do professor de Português, mas, portanto, que esteja de acordo com a perspectiva de ensino que tanto é chamada atenção nos cursos de formação de professores de língua portuguesa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BEZERRA, Maria Auxiliadora. Análise linguística: afinal a que se refere?/Maria Auxiliadora Bezerra, Maria Augusta Reinaldo. – São Paulo : Cortez, 2013. – (Coleção leituras introdutórias em linguagem; v. 3)

MENDONÇA, M. Análise Linguística no Ensino Médio: um novo olhar, um outro objeto. Mendonça (orgs). Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo. Parábola Editorial, 2006.

GERALDI, J. W. (Org.) O texto na sala de aula. Cascavel/Campinas: Assoeste/Unicamp, 1984.


[1] Beatriz Moreira Medeiros. Graduanda de Letras pela Universidade Federal de Campina Grande. beatrizmedeiros27@hotmail.com

² Regina Maria Alves de Araújo. Graduanda de Letras pela Universidade Federal de Campina Grande. ver 141516@hotmail.com

 
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