Analfabetismo funcional.
 
Analfabetismo funcional.
 


Analfabetismo funcional.

Muitos vieram me perguntar, estupefatos até, por que com tantas denúncias de corrupção, mentiras e crimes cometidos, uma pessoa consegue altos índices de popularidade e ainda eleger presidente de um país como o Brasil, outra, pior que ela.

A resposta que dou foi a que sempre dei. Digo que as pessoas que votaram em Lula e na Dilma são pessoas que não sabem ler; não sabem ler por que não estudam; não estudam por que tem preguiça; por que estudar, pra começar, dói a bunda e quem só pensa na própria bunda e/ou só em bunda dá no que deu.

Às vezes, dependendo do interlocutor, complemento que tudo isso acontece por que a maioria da população quer tudo pronto e pra ontem. Que o povo brasileiro é composto de gente preguiçosa; indolente; de pessoas que em sua grande maioria são como o gado que precisa ser conduzido por alguém, não importando quem seja esse alguém. Basta que seja alguém que faça por ele, não importando quais os meios utilizados.

Acontece que, quando uso de maior eloquência e, principalmente de dados concretos pra demonstrar nossa triste realidade, muitos me criticam por minha crítica, por que essa minha crítica também lhes atinge.

Mesmo assim vou tentar demonstrar que não é crítica e sim a realidade.

Explicando o que aconteceu ontem, dia 31/10/2010

Para entender esse fenômeno LulaDilmaPT temos que saber o que é "Analfabetismo funcional".

Creio que somente a partir dessa constatação é que poderemos entender por que o Lula teve 84% de aprovação em seu governo (que não é bem esse índice), mas foi um índice que se refletiu nas urnas e ainda, em função disso, conseguiu eleger sua sucessora, uma pessoa visivelmente com imagem fabricada, já que sem a menor qualificação profissional e moral.

Analfabeto funcional é um conceito criado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1978 para referir-se a pessoas que, mesmo sabendo ler e escrever algo simples, não tem as habilidades necessárias para viabilizar o que lê para o seu desenvolvimento pessoal, profissional e social. Analfabeto funcional é a denominação dada à pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente as letras, algumas frases, sentenças, textos curtos e os números, não desenvolvem a habilidade de "interpretação de textos" e de fazer as operações matemáticas.

Falar de analfabetismo funcional, não se trata de falar de pessoas que nunca foram à escola. Estes são tratados como analfabetos de fato.

Os analfabetos funcionais sabem ler, escrever e contar, mas não conseguem "compreender" a palavra escrita. Ler bons livros, artigos e crônicas não faz parte do seu dia-a-dia. Escrever então, nem pensar! Falar em público para eles é caos total. São pessoas que por não compreenderem a escrita, não conseguem formular uma ideia completamente. Alguns até tentam emitir opiniões sobre determinados assuntos, mas não a completam de maneira lógica e sob os vários prismas ou ângulos de visão pertinentes. Lançam-na, mas à menor contraposição ou questionamento sobre algum ponto que deixaram de considerar, fogem do assunto; fogem ao debate.

São o tipo de pessoas que, por exemplo, computadores provocam-lhes calafrios; são pessoas que, manuais de procedimentos (leis) são por eles ignorados. São pessoas que preferem ouvir explicações "de boca" dos outros e se a explicação lhes for conveniente, elas a acreditam e até seguem, não importando se o conselho foi um conselho certo, já que para elas foi. São pessoas do tipo "o que os olhos não veem o coração não sente" ou "o que vem debaixo não me atinge" e o que vem "de cima", esse tipo de pessoas não consegue atingir. Resumindo: São pessoas que só ouvem àquilo que querem ouvir e ouvindo, não perguntam o "porque" e, ainda, na dúvida pela falta de entendimento, não vão atrás.

O analfabeto funcional também é definido como o individuo maior de quinze anos e que possui escolaridade inferior a quatro anos, embora essa definição não seja muito precisa, já que existem analfabetos funcionais com nível superior de escolaridade.

A UNESCO considera como semialfabetizada pessoa que, em 25 (vinte e cinco) linhas de texto corrido consegue escrever um breve relato sobre sua própria vida, com começo, meio e fim e sem erros de escrita, situação essa que hoje não se verifica nem em recém-formados na maioria de cursos de graduação superior. A grande maioria, (arrisco em afirmar 90% apenas) corre atrás de notas pra se graduar para satisfazer o ego pessoal ou de alguém (por que o pai e/ou a mãe querem ver o filho graduado); ou para com o título galgar um cargo melhor no emprego que (pelo tempo em que nele estão) somente com prova de título superior galgariam.


Entendendo os níveis de alfabetização funcional [1]

Existem três níveis distintos de alfabetização funcional, a saber:

Nível 1, também conhecido como alfabetização rudimentar, concebe aqueles que apenas conseguem ler e compreender títulos de textos e frases curtas; e apesar de saber contar, têm dificuldades com a compreensão de números grandes e em fazer as operações aritméticas básicas.

Nível 2, também conhecido como alfabetização básica, concebe aqueles que conseguem ler textos curtos, mas só conseguem extrair informações esparsas no texto e não conseguem tirar uma conclusão a respeito do mesmo; e também conseguem entender números grandes, conseguem realizar as operações aritméticas básicas, entretanto sentem dificuldades quando é exigida uma maior quantidade de cálculos, ou em operações matemáticas mais complexas.

Nível 3, também conhecido como alfabetização plena, concebe aqueles que detêm pleno domínio da leitura, escrita, dos números e das operações matemáticas (das mais básicas às mais complexas).



O problema do analfabetismo funcional no Brasil

Segundo dados de 2005 do IBOPE[1], no Brasil o analfabetismo funcional atinge cerca de 68% da população (30% no nível 1 e 38% no nível 2). Somados esses 68% de analfabetos funcionais com os 7% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 75% da população não possuí domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas 1 (um) em cada 4 (quatro) brasileiros (25% da população) são plenamente alfabetizadas, isto é, estão no nível 3 de alfabetização funcional.[2].

Esses índices tão altos de analfabetismo funcional no Brasil devem-se à baixa qualidade dos sistemas de ensino (tanto público, quanto privado), ao baixo salário dos professores, à desvalorização e desmotivação dos professores, à progressão continuada (ou aprovação automática), à falta de infraestrutura das instituições de ensino (principalmente as públicas) e à falta de hábito e interesse de leitura do brasileiro. Em alguns países desenvolvidos e/ou com um sistema educacional mais eficiente, esse índice é inferior a 10%, como na Suécia, por exemplo.

De acordo com os últimos dados do INAF - Indicador de Alfabetismo Funcional ? Instituto Paulo Monteiro, 75% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Isso mesmo: 3 (três) em cada 4 (quatro) brasileiros. Destes, 8% são analfabetos absolutos, 30% leem mais compreendem muito pouco e 37% entendem alguma coisa, mas são incapazes de interpretar e relacionar informações. O estudo indicou que apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos têm pleno domínio das habilidades de leitura e de escrita. Com relação à Matemática, o último INAF mostra que 77% são analfabetos funcionais.

Na Alemanha, a taxa de analfabetos funcionais é de 14%. Nos EUA, 21%. Na Inglaterra, 22% (para melhorar esta taxa, o governo britânico introduziu a "Hora da Leitura" no ensino fundamental ). Na Suécia, a taxa é de 7%. Estudantes da classe média brasileira leem pior do que operários alemães.

Não é por acaso que o contingente de leitores de livros no Brasil seja tão pequeno em relação à população. Apenas 17 milhões de pessoas compraram ao menos um livro no último ano; algo em torno de 10% da população. Uma piada corrente nas rodas de editores, livreiros e escritores pode dar o tom preciso da história da literatura no Brasil. Na véspera do aniversário de um amigo, um rapaz, amante das letras, conta entusiasmado ao colega que vai presenteá-lo com um livro. O aniversariante, constrangido, diz: "Obrigado, mas eu já tenho um".

O educador, escritor, teólogo, psicanalista e professor emérito da Unicamp, Rubem Alves, vai mais longe nas transformações de que necessita a educação no Brasil. "A escola tradicional é construída no modelo da linha de montagem, tempo mecânico. Então se transforma em uma experiência de sofrimento e as crianças não aprendem. Eu acho que o caminho da reforma da educação não passa por novas tecnologias, nem novas ciências. Sendo romântico: passa pelo coração."

Em artigo na Folha, o jornalista Gilberto Dimenstein, lembrou que um dos mais graves problemas de somente um grupo seleto ser alfabetizado funcionalmente aparece em momentos decisivos como O das eleições: "Vamos falar quase exclusivamente para o Clube dos 20%, apresentando números, estatísticas, enquanto a maioria vai se encantar com os delírios embalados pelo marketing. Isso pela simples e óbvia razão de que, com baixa escolaridade, a democracia será sempre uma simulação de representatividade."[3]

Agora, podemos entender por que o Lula foi um presidente tão popular. Ele falava e vai continuar falando pra uma massa de quase 80% da população brasileira tida como analfabetos funcionais. Acontece que o Lula, muito bem orientado que foi, sabe exatamente pra quem ele está ou estava falando.

É por isso que ele vem a público dizer que prometeu 10 milhões de empregos, mas que fez mais do que prometeu, por que ele sabe que ninguém irá confirmar essa informação e sabe também que não há como confirma-la.

É por isso que ele fala que pagamos a dívida externa, o que o próprio site do Banco Central desmente, por que ele sabe que ninguém irá pesquisar a veracidade dessa informação.

O Lula sabe e muitos políticos sabem que 75% da nossa pobre população é composta por "analfabetos funcionais" (dados IBOPE/ONU), portanto, de analfabetos políticos também.

Eles sabem que 30% da população não sabe o que seja 75% de alguma coisa ou que 75% é igual a 3/4 de alguma coisa e que 3/4 é mais que a metade de alguma coisa, no caso, mais de 50% da população.

Outro dia, estive num supermercado e comprei 10 chocolates ao preço unitário de R$ 2,30. A operadora de caixa, aparência de 35 anos +/-, como o código de barras do produto não "passou" no scaner, resolveu ela digitar na registradora o valor total da minha compra. Para isso, ela empunhou uma caneta e num pedaço de papel desenhou a conta: 10 x 2,30 e começou a calcular, em voz alta: zero x zero = zero.

Não é à toa que existem as videocassetadas do Faustão e existe gente que fatura alto com o analfabetismo funcional.

Não é à toa que pouco se investe em educação.


Luiz Antonio Schimanski
Advogado
Curitiba/Paraná
 
Avalie este artigo:
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Luiz Antonio Schimanski
Talvez você goste destes artigos também