ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: IMPLICAÇÕES E POSSIBILIDADES NO ÂMBITO ESCOLAR
 
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: IMPLICAÇÕES E POSSIBILIDADES NO ÂMBITO ESCOLAR
 


Aline Oliveira da Silva
Rosângela Teles da Silva
Maria Amélia Silva Nascimento

RESUMO
O presente artigo intitulado alfabetização e letramento: implicações e possibilidades no âmbito escolar buscou compreender em que medida o processo de Alfabetização determina a aquisição do letramento para a formação do leitor. Nosso objetivo foi analisar as implicações entre a alfabetização e letramento na aquisição da leitura e da escrita e como objetivos específicos compreender o processo da alfabetização e letramento bem como discutir os procedimentos e reconhecer a sua especificidade. Esse estudo se caracteriza como pesquisa bibliográfica e está pautado nos pressupostos teóricos da pesquisa exploratória, desencadeada através da aplicação de questionários e realização de entrevistas, que foram imprescindíveis para a aquisição de coleta de dados na análise de possíveis aspectos que giram em torno dos procedimentos pedagógicos e perspectivas de alguns professores que atuam nas séries iniciais. Entretanto, os resultados revelaram que as implicações referentes à alfabetização e letramento possibilitaram a percepção de que apropriação da leitura e da escrita é um instrumento essencial para formação do sujeito letrado, bem como o desenvolvimento de práticas sociais cotidianas.
Palavras-chave: Alfabetização ? Letramento ? Leitura e Escrita

ABSTRACT
This article entitled literacy and literacy: implications and possibilities in the school sought to understand to what extent the process of literacy determines the acquisition of literacy training to the reader. Our objective was to examine the implications between literacy and literacy in the acquisition of reading and writing and as specific objectives to understand the process of literacy and literacy as well as discuss the procedures and acknowledge their specificity. This study is characterized as a literature search and is guided by the theoretical principles of exploratory research, triggered by the application of questionnaires and interviews, which were indispensable for the acquisition of data collection an analysis of potential issues that revolve around the teaching procedures and prospects of some teachers who work in the early grades. However, the results revealed that the implications relating to literacy and literacy enabled the realization that ownership of reading and writing is an essential tool for training the subject's letters, as well as the development of social practices.
Keywords: Literacy - Literacy - Reading and Writing

1 INTRODUÇÃO
Neste artigo, pretendemos discutir algumas idéias sobre Alfabetização e Letramento e suas implicações e possibilidades no âmbito escolar, tendo em vista que são processos distintos, muito embora estejam associados, sobretudo pelo fato de possibilitarem ao indivíduo a aquisição da leitura e da escrita. O presente tema nos parece relevante no cotidiano da sala de aula, pois são práticas imprescindíveis na/para apropriação da leitura escrita, assim como a leitura de mundo promovendo o seu desenvolvimento e sua formação.
Inicialmente cabe dizer que a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, e é considerada como o domínio do código alfabético que caracteriza o mesmo como alfabetizado. Já o letramento pode ser entendido como fenômeno de cunho social que enfatiza as características sócio-histórica ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social.
Nesse sentido, torna-se perceptível a relevância da Alfabetização e do Letramento enquanto práticas na sociedade, e principalmente no âmbito escolar. Cabe destacar que é desse pressuposto que nasce nosso interesse em estudar essa questão, tendo em vista que a alfabetização possibilita ao indivíduo aprender a ler e escrever o que torna o mesmo alfabetizado, enquanto que o letramento pressupõe o entendimento de ações que viabilizam a apropriação de aprendizagens significativas que em suma se refletem na amplitude das bases interpretativas conceituais que o individuo desenvolve mediante a compreensão da realidade e do contexto social em que está imerso.
Assim, para que o ser humano possa efetivar a fruição dos bens culturais da sociedade letrada, faz-se necessário que este solidifique as bases institucionalizadas do letramento, isto é, disponha de ampla visão para compreender a realidade a qual está inserido, podendo intervir/estabelecer relações com o mundo que o cerca, desenvolvendo a capacidade de interpretação dos contextos diversos e constituindo a autonomia e criticidade necessárias/fundantes na compreensão dos aspectos estruturais de formação de uma dada sociedade, possibilitando dessa forma, o entendimento das práticas sócio-históricas e culturais.
Um trabalho dessa natureza é de interesse de profissionais de educação que lida em seu cotidiano com alunos, principalmente os que se encontram nas séries iniciais, pois é uma forma do professor, aperfeiçoar suas práticas metodológicas no âmbito escolar e buscar inovações para aplicabilidade em sala de aula.
Esse artigo teve como objetivo geral pesquisar as implicações entre Alfabetização e Letramento na aquisição da leitura e escrita, e como objetivos específicos, discutir e compreender esse processo no âmbito educacional, reconhecendo ainda sobre os procedimentos e especificidades do supracitado tema.
Ante o exposto, pesquisamos mais profundamente essas questões, a partir do seguinte problema: Quais as implicações entre Alfabetização e Letramento no processo da leitura e da escrita?
Dessa forma, para nortear a fundamentação buscamos dialogar com alguns teóricos que tanto auxiliaram e contribuíram para a efetivação da referida pesquisa, entre eles enfatizamos: Magda Soares (2009), Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1991), Marlene Carvalho (2005), Leda Verdiani (1997), Luiz Carlos Cagliari (1999), dentre outros.
No entanto, para realização do presente trabalho fez-se necessário pensar na adoção de uma metodologia que pudesse melhor subsidiar o desenvolvimento da mesma. Sendo assim optamos pela utilização da pesquisa bibliográfica e exploratória tendo em vista a possibilidade de saber qual o olhar de diferentes autores sobre a questão em estudo. E ainda pela contribuição que a abordagem qualitativa de pesquisa proporciona a interpretação dos resultados.
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para incidirmos e/ou atingirmos os objetivos salientados neste projeto de pesquisa, faz-se necessário a abordagem por meio da pesquisa qualitativa, utilizando como ferramenta metodológica a pesquisa exploratória e bibliográfica. Nessa perspectiva vemos que:
Os métodos qualitativos são apropriados quando o fenômeno em estudo é complexo, de natureza social e não tende a quantificação. Normalmente, são usados quando o entendimento do contexto social e cultural é um elemento importante para a pesquisa. (DIAS, Claúdia. 2000, apud LIEBSCHER, 1998, p. 01)
Assim, o método da pesquisa utilizado será propício ao possibilitar a ampliação da experiência e segurança para a formação de conceitos argumentativos acerca da problemática, assegurando para tanto o estudo/análise das multireferências dos teóricos que referendam a medida que asseveram aporte necessário, visando desencadear o desenvolvimento das concepções de base teóricas compreendidas nas particularidades e/ou especificidades do referido tema. Além disso, pode-se perceber através do estudo bibliográfico, os aspectos e as informações necessárias, que viabilizam e tanto contribuem para a aquisição e formação de conhecimentos indispensáveis para a realização da pesquisa.
Nesse sentido o levantamento das referências foi de suma importância para a construção desse trabalho, podendo viabilizar os subsídios necessários e os aspectos fundantes para o entendimento das variáveis que norteiam os preceitos constitutivos da temática. Todavia, a pesquisa bibliográfica exigirá reflexão constante e controle de variáveis, checando-se informações relacionadas ao conhecimento já adquirido sobre a relevância do ato de ler, e a relação entre alfabetização e letramento compreendidas nas dimensões de como se processa e qual a importância. Oliveira (1998), por exemplo, lembra que na realização da pesquisa bibliográfica é importante que o pesquisador faça um levantamento dos temas e tipos de abordagens já trabalhados por outros teóricos, assimilando os conceitos e explorando aspectos já publicados. E esse foi o nosso primeiro procedimento ao pensar na construção deste artigo.
Para, além disso, vale ressaltar que a pesquisa de campo foi de suma pertinência, pois viabilizou fontes de informações imprescindíveis na/para a aquisição de conhecimentos e elementos necessários que buscamos constatar e que responderam nossas indagações.
Dentro dessa mesma perspectiva, enfatizamos a aplicação de questionários como instrumento de coleta de dados, o que nos propiciou a aproximação com o objeto de estudo, analisando conceitos, informações e aspectos acentuados/presentes nas ações discursivas em estudo. E ainda podemos através desse controle de variáveis, estabelecer/efetivar demasiado diálogo com teóricos mediante os argumentos já propalados, que referendam e seguem a essa linha de pesquisa, sendo propícios para construção do nosso trabalho.
3 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEITOS E REFLEXÕES.
O Brasil é um país com elevado número de analfabetos, tanto de crianças como de outros indivíduos que não tiveram acesso à escola, bem como não foram oportunizados as práticas de leitura e escrita. Sendo assim, a alfabetização é um dos momentos mais importantes da formação escolar de uma pessoa, assim como o desenvolvimento da escrita.
Atualmente as discussões/abordagens têm aumentado acerca da Alfabetização e do Letramento, haja vista que são processos distintos, mas que estão associados. A alfabetização já é bastante familiar, pois desde a época do Brasil Colônia evidenciava as abordagens acerca da mesma, a palavra letramento é recém-chagada ao vocabulário da educação, apareceu na nas últimas décadas do século XX.
Sendo assim, surgiram várias indagações e inquietações voltadas para o citado tema, para responder a essas angústias tem-se acrescido o número de pesquisas que abordam essa temática, tendo em vista que são processos de fundamental relevância no âmbito escolar.
Segundo Verdiane (1997, p.9) "A alfabetização refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem". Nesse sentido, torna-se perceptível que o processo de alfabetização possibilita também a aquisição da escrita, viabilizando a habilidade para a leitura, assim como a prática de linguagem. Todavia, a alfabetização assevera ao indivíduo a compreensão do contexto de gêneros textuais diversos mediados pela interação experienciais de práticas de leitura e escrita bem como as peculiaridades e domínios da linguagem evidenciada a partir das inter-relações estabelecidas na concretude de ações que denotam as possibilidades de construção de uma atividade perceptiva e de uma prática social diversa compreendida na especificidade da interação, da transformação e da comunicação.
A linguagem é um fator primordial para subsistência da espécie humana, porque além de servir como comunicação, também auxilia na formação da consciência para organizar o pensamento. De acordo com Wallon (1975, p.109-110), "é pela linguagem que o homem se distingue do animal.
Sendo assim, a linguagem tem a função de promover a comunicação entre os indivíduos, ressaltando que existem várias formas de linguagem. Para, além disso, Soares (2009, p. 31) menciona que "a alfabetização é a ação de alfabetizar, de tornar "alfabeto".
De acordo com Soares (1998, p. 18) letramento, é, pois o "resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita; o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüências de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais". Na constatação supracitada, torna-se evidente que o letramento é um processo que o indivíduo adquire após o domínio das práticas de leitura e escrita, o qual possibilitará aos mesmos conhecimentos das práticas sócio-históricas. Vale evidenciar que essas práticas são versadas no cotidiano como: ler revistas, jornais, preencher formulários, ler bulas de remédios, redigir carta, dentre outras práticas. Verdiani (1997, p.9), menciona que o "letramento, por sua vez, focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição da escrita". Vale ressaltar, que foi com o advento da Revolução Industrial, que ocorreu grandes transformações econômicas, políticas e sociais, onde a alfabetização passou a ser considerada como um conjunto das habilidades relacionadas à leitura e escrita, em função das diversas necessidades das sociedades. Por essa razão a escrita é um dos fatores importantíssimos nas vidas das pessoas, e com a evidência da mesma, surge à necessidade do indivíduo aprender a ler e escrever como oportunidade para aquisição de informações que certamente proporcionam mudanças que implicam na melhoria na qualidade de vida desses sujeitos. Sobre essa questão vejamos o que diz Abreu (1995, p. 22).
Eu entenderia por escrita propriamente dita à possibilidade de o sujeito ter o seu próprio discurso. E se entender por leitura a compreensão, se entende por leitura o acesso a um conhecimento diferenciado, aquele que lhe permite reconhecer a sua identidade, seu lugar social, as tensões que animam o contexto em que vive ou sobrevive e, sobretudo, a compreensão, assimilação e questionamento, seja da própria escrita, seja do real em que a escrita se inscreve.
Além dessas questões postuladas pelo autor, a escrita e a leitura possibilitam ao indivíduo uma autonomia para criar o seu discurso, propicia o conhecimento assim como o reconhecimento de sua identidade, promovendo questionamentos da própria escrita. Mas à medida que as pessoas vão aprendendo a ler e escrever, e adquirindo habilidades para essas práticas, um novo fenômeno se aprimora, o letramento, pois não será só saber ler e escrever vai possibilitar uma visão ampla, mas, sobretudo ter conhecimentos das práticas sócio-histórico das sociedades na qual se encontra inserido, assim como ter visão mais alargada de mundo.
Segundo Freire (1998, p. 11).
A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquela. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e o contexto.
Nesse contexto, quando Freire fala dessa leitura de mundo antes da palavra, torna-se notório que a leitura de mundo evidencia suas vivências e experiências adquiridas em seu contexto como, por exemplo, a família, amigos, vizinhos, sindicatos, movimentos sociais, os quais propiciam ao mesmo uma visão de mundo diferenciada muitas vezes ao modo como a escola vê o mundo.
Estamos acostumados a considerar a aprendizagem da leitura e da escrita como um processo de aprendizagem escolar, o que se tornou difícil o reconhecimento de que as práticas de leitura e escrita podem ser adquiridas antes da escolarização. Dessa forma, temos conhecimentos que algumas crianças antes de ter acesso à escola já possui certa aquisição da leitura e da escrita, vale ressaltar que as mesmas, em sua maioria são advindas de um ambiente letrado, o qual possibilita um maior contato com diversos gêneros textuais como: livros, revistas, jornais. Essas habilidades adquiridas antes mesmo de freqüentarem um ambiente escolar desenvolvem contribuições para formação de futuros leitores, assim como uma maior compreensão da leitura e da escrita.
Nesse sentido, Soares (2009, p. 48) menciona:
Ler é um conjunto de habilidades e comportamentos que se estendem desde simplesmente decodificar sílabas ou palavras até ler Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa... Uma pessoa pode ser capaz de ler um bilhete, ou uma história em quadrinhos, e não ser capaz de ler um romance, um editorial de jornal... Assim: ler é um conjunto de habilidades, comportamentos, conhecimentos que compõem um longo e complexo continuum: em que ponto desse continuum uma pessoa deve estar, pra ser considerada alfabetizada, no que se refere à leitura? A partir de que ponto desse continuum uma pessoa pode ser considerada letrada, no que se refere à leitura?
De acordo com a constatação supracitada, torna-se perceptível que ler compreende várias habilidades, mas até que ponto a pessoa é considerada alfabetizada ou letrada? Uma pessoa pode ser alfabetizada e não ser letrada ou vice versa. Como bem diz Soares (2009, p. 47).
Um adulto pode ser analfabeto e letrado: não sabe ler nem escrever, mas usa a escrita pede a alguém que escreva por ele, dita uma carta, por exemplo, (e é interessante que, quando dita usa as convenções e estruturas lingüísticas próprias da língua escrita.
Com relação a essa questão convivemos todos os dias com pessoas que possuem uma larga visão de mundo, e que nunca freqüentaram a escola, podemos citar as pessoas que participam de movimentos sociais organizados, que sabem reivindicar para que tenham seus direitos garantidos, assumindo posicionamento e autonomia na construção e reconstrução de práticas discursivas e que são capazes de compreender a realidade à sua volta a partir das experiências e/ou convivências cotidianas e sociais.
Essas questões são também temas cinematográficos, por exemplo, o filme Central do Brasil, traz claramente o que foi mencionado pela autora, onde em uma das cenas do filme a personagem principal escreve cartas para parentes e amigos, solicitados pelos indivíduos que não sabem nem ler e nem escrever, mas usa as convenções e estruturas lingüísticas próprias da língua escrita.
Nesse contexto é imprescindível evidenciarmos o que diz Soares (2003, p. 15):
Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, lingüísticas e psicolingüísticas de leitura e escrita a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita se dá simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita ? a alfabetização, e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividade de leitura e escrita ? o letramento. Não são processos independentes, mais interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e da escrita, isto é através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema-grafema, isto é, em dependência da alfabetização.
Sendo assim, verifica-se que a alfabetização e o letramento devem estar associados, sendo que a especificidade da alfabetização é a aprendizagem da leitura e da escrita através das relações de fonema-grafema, enquanto que o letramento pode anteceder essas habilidades através das práticas sociais de leitura e escrita.
3.1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: IMPLICAÇÕES E POSSIBILIDADE
Para realização do processo de alfabetização e letramento faz-se necessário refletir sobre as implicações e possibilidades para que essas práticas se concretizem, sendo assim, destacaremos alguns fatores que contribuem para a ocorrência desses processos: a atuação dos professores, a escola, a família. Tudo isso representa um trinômio para subsidiar a alfabetização e o letramento no âmbito escolar.
Frequentemente o professor é apontado como responsável pela má qualidade do ensino. No entanto, em toda a história da educação, não atingimos uma intensificação no processo de formação para professores, sendo assim, faz-se necessário que haja investimentos na formação de professores, para a prática de alfabetizar letrando, pois é uma forma de oportunizar esses profissionais de educação quando no desempenho de seu papel, incentivar em sua prática a leitura e a escrita. No entanto, só na década de 1990, a formação continuada passou a ser considerada como uma das estratégias fundamentais para o processo de construção de um novo perfil profissional do professor.
De acordo com Nóvoa (2005, p.25)
A formação continuada é o que pode ajudar o professor a ser melhor e a ter práticas de ensino mais eficientes. Mas é preciso que ela facilite o trabalho dos professores e não que complique ainda mais. Os programas de formação devem ser uma ajuda na vida dos professores e não mais uma tarefa, mais um aborrecimento. Devem ajudar em duas dimensões: a pensar e organizar o trabalho escolar. Isto é, deve estar dentro das escolas, não deve ser mais um conjunto de teses e teorias. E, ao mesmo tempo, esse trabalho de formação deve ter centro na equipe pedagógica dos professores e não reforçar práticas individualistas. O trabalho do professor é hoje de uma complexidade tão grande que é inimaginável pensar que possa ser resolvido individualmente. Os problemas que a escola enfrenta só podem ser resolvidos de maneira coletiva, por meio de pessoas que refletem em conjunto sobre eles.
Diante das questões postuladas pelo autor, torna-se evidente que a formação continuada traz subsídios positivos para a atuação do professor, e que essa formação deve ser centrada no trabalho coletivo de professores, não para reforçar práticas individualistas.
Sendo o professor o mediador do processo de educação, o mesmo desempenha um papel fundamental na formação dos educandos, sendo assim, para o educador alfabetizar letrando é um processo desafiador, tendo em vista que ele deve lançar mão de alguns mecanismos que propicie essa ação na escola, sugerindo medidas e metodologias que possibilitem os alunos conquistarem essas práticas de leitura e escrita. Segundo Cagliari (1996), "ser mediador é uma tarefa que exige do professor conhecimentos claros, precisos e seguros sobre o que pode e deve acontecer durante o processo de alfabetização". O objetivo de ensinar a ler e a escrever deve estar centrado em propiciar ao estudante a aquisição da língua portuguesa, de maneira que ele possa expressá-la corretamente, cabe ao professor promover meios que estimulem á leitura de variados gêneros de textos, com diversas variações lingüísticas, como forma de apropriação de vários gêneros textuais, para que seja capaz de interferir socialmente em diversas situações que lhe for submetido.
O professor, por exemplo, tem grande influência no processo de construção da escrita; através de suas intervenções ele contribui, significativamente, para a efetivação da aprendizagem. Ele deve saber entender os comportamentos da criança diante de uma situação de letramento e por outro lado estar atento ao que a criança consegue fazer, atribuindo os significados necessários para o desenvolvimento desse processo.
De acordo com Freire (1989, p. 58-59), "a educação, sendo uma prática social não pode restringir-se a ser puramente livresca, teórica, sem compromisso com a realidade local e com o mundo em que vivemos. Educar é também, um ato político. É preciso resgatar o verdadeiro sentido da educação". Nesse contexto, Freire menciona que a educação não deve ser pautada somente no livro, faz-se necessário uma educação onde o indivíduo tenha uma compreensão local e global, que seja capaz de formar pessoas que tornem sujeitos da própria aprendizagem. Por outro lado, não basta que o professor adquira a formação continuada, como o próprio nome designa, é preciso que os conhecimentos conquistados sejam realmente colocados em práticas, pois caso contrário, em nada, ou pouco contribuirá para o processo ensino-aprendizagem.
Para que a formação de professores seja significativa, faz-se necessário que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação, ou seja, "o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática", e, "quanto mais inquieta for uma pedagogia, mais crítica ela se tornará" (FREIRE, 1990). Pois, a pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas, pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos, nem transmissão de idéias, mesmo que estas sejam consideradas muito boas. Ao contrário, é uma contribuição no "processo de humanização".
Vale ressaltar, que nesse processo de reflexão, é importante que o educador promova mecanismos que possam estar inserindo os alunos no mundo da leitura e da escrita, visitando bibliotecas, dramatizando histórias, porém, devem inserir os mesmos nas artes em geral ? dança pintura, música. Desse modo, é pertinente, discutir a necessária relevância do profissional educador estar repensando, resignificando e elaborando conceitos, métodos, objetivos e práticas que favoreçam alternativas de ensino e de atividades pedagógicas fundamentadas teórica-metodologicamente numa concepção articuladora de ensino e aprendizagem do sujeito, ou seja, o professor ao desencadear os procedimentos e objetivos de sua prática pedagógica deve levar em consideração a particular importância da base interpretativa leitora que os alunos devem adquirir no processo de alfabetização.
Por outro lado é importante também que o professor desenvolva no aluno, através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade. Além de investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno, adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados e planejar suas ações, visando ensinar para que servem a linguagem escrita e como a aluno poderá utilizá-la.
Refletimos ainda, a importância do professor educador, procurar entender o educando não apenas no espaço educacional, mais fora desse contexto, compreendê-lo na sua essência, no seu hábitat social, para que possa ajudá-lo na apropriação da leitura e da escrita, pois são inúmeros os fatores que interfere no processo de aprendizagem. Todavia Cordeiro (2004, p. 98) nos reporta a esses fatores quando diz que:
Trabalhar com a leitura é uma tarefa complexa, exigindo do professor-leitor várias entradas: do inventário das histórias pessoais e sociais de leitura de seus alunos, passando por concepção, objetivos, planejamento, seleção de textos e estratégias, à implementação de práticas de leitura imprescindíveis à formação cultural, política e afetiva do sujeito-leitor.
Diante disso, pensar sobre o processo de aquisição da linguagem escrita através da formação de uma aprendizagem significativa consiste em se pensar em desencadear métodos, maneira que viabilizem a compreensão dos aspectos relacionados à vida cultural, o meio social ao qual o educando pertença e/ou esteja inserido. Contudo, Bruner, em sua teoria postula que "sempre será necessário que o professor conheça a realidade de vida de seu aluno, sua classe social, suas experiências de vida, suas dificuldades, a realidade de sua família" (BOCK apud BRUNER, 1999, p. 120).
Com base nesses conceitos, buscamos refletir ainda sobre o papel da escola enquanto lugar de culturas o que nos remete a perceber os diversos saberes histórico-culturais construídos/consolidados intrínseca e extrinsecamente no âmbito escolar e os reflexos e peculiaridades desse espaço enquanto propulsor de práticas sociais letradas.
Todavia esse processo de acepções de culturas acerca/presentes no âmbito educacional anuncia às proposições de heterogeneidade acentuando as disparidades existentes dos valores, saberes, conhecimentos e linguagens atribuídas a diversidade cultural emergentes no contexto da sala de aula. Dessa forma, notoriamente o contexto escolar se mantém subjacente as inferências de caráter ativo e interativo de culturas, ao viabilizar concepções de saberes sistematizados pautados em aspectos condicionados a experiências cotidianas e/ou realidade em que os sujeitos estão inseridos. Diante disso podemos evidenciar que as possibilidades de letramento acentuam-se para além das especificidades e atribuições curriculares da instituição escolar. Em consonância com Soares (2009 p. 24) destacamos que:
Um adulto pode ser analfabeto, porque marginalizado social e economicamente, mas se vive em um meio em que a leitura e a escrita têm alfabetizado, se recebe cartas que outros lêem para ele, se dita cartas para presença forte, se interessa em ouvir a leitura de jornais feita por um que um alfabetizado escreva (e é significativo que, em geral, dita usando vocabulário e estruturas próprios da língua escrita) se pede a alguém que leia avisos ou indicações afixados em algum lugar, esse analfabeto é, de certa forma, letrado, porque faz uso da escrita, envolve-se em práticas sociais de leitura e escrita.
Entretanto ressaltamos o papel da escola como sendo um âmbito propício para a leitura, e que em suma através desta acentuam-se grandes contribuições que projetam as expectativas dos sujeitos enquanto cidadãos atuantes da cultura letrada.
Nessa perspectiva, faz-se necessário repensar o posicionamento da escola enquanto espaço propício para leitura e escrita. Visto que, o sistema educacional se configura através de ações integradas que apontam e propiciam à ampliação de conhecimentos atribuídos as diversas realidades, sejam estas de cunho social ou cultural. Nesse sentido:
O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e organizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legitimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir". (LENER, 2002, p. 18)
Nessa perspectiva, se pensar sobre o desenvolvimento de aprendizagem do educando, contextualizada a prática de alfabetizar letrando permeia sobre as possibilidades de demasiadas variáveis que estão atreladas paradoxalmente as tensões e os conflitos advindos das estruturas, desafios e diversas realidades atribuídas ou vividas pelos sujeitos que representam parte de todo processo de formação e de aquisição da leitura e escrita associadas ao processo de organização da instituição escolar acentuando significativas contribuições para formação de uma sociedade letrada.
Por outro lado, sendo as escolas instituições às quais a sociedade delega à responsabilidade de prover às gerações as habilidades, conhecimentos, crenças, valores e atitudes consideradas essenciais à formação de todos e qualquer cidadão, torna-se evidente que a mesma tem uma maior preocupação em ensinar os seus alunos o ofício de aprender a ler e escrever.
No entanto, na maioria das vezes observa-se que uma parcela de alunos que sai desses espaços sabe fazer apenas decodificação da escrita e mal sabem ler escrever. Dessa forma, a escola precisa quebrar alguns paradigmas e promover mecanismos voltados para essas práticas que possibilitem ao educando uma conscientização e reflexão das mesmas permitindo contribuição no seu cotidiano e na sociedade onde se encontra inserido.
Todavia os PCNs asseveram que:
"Cabe, portanto a escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente, ensiná-los a produzi-los e interpretá-los. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas, com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e, mesmo assim, não consegue manejar, pois não um trabalho planejado com essa finalidade". (p.21)
Para que essas práticas tornem significativas faz-se necessário que a escola viabiliza o acesso ao aluno em ter um vínculo com o objetivo de aprender a ler ao objetivo de ler para aprender; desenvolver a capacidade de compreender e interpretar autonomamente textos escritos como um instrumento necessário para atingir objetivos plenos no contexto de uma sociedade letrada; promover situações de leituras que sejam significativas e que estejam condizentes com sua realidade. Por outro lado, para os educandos terem acesso a essas práticas de leitura e escrita, é preciso que haja investimentos em materiais que possam despertar o interesse e a interação dos alunos sendo estes: bibliotecas, sala de vídeo, laboratório de informática, sala de leitura.
Vale mencionar a importância da família nesses processos, a mesma é uma instituição considerada a pioneira na educação dos indivíduos, na qual pressupõe-se que são firmadas as bases para a formação dos seres humanos como: crenças, valores, caráter, personalidades. Sendo assim, certamente nesses espaços privados de vivências e convivências ocorreram mudanças provocadas pelas transformações econômicas, políticas e sociais. Dessa forma, torna-se perceptível que uma parcela das famílias, oriundas de um contexto social mais elevado conseguiram acompanhar as mudanças ocorridas. Por outro lado, as famílias vindas de um ambiente desprovido de recursos, certamente encontram dificuldades para o desenvolvimento no processo de alfabetização e letramento dos seus filhos.
Quando menciona a família e suas contribuições para alfabetização e letramento nos seus espaços de vivencias, verifica-se que a mesma desempenha um papel fundamental em estar inserindo esses indivíduos no mundo da leitura e da escrita. Nesse sentido, faz-se necessário que as famílias propiciem momentos prazerosos de leitura e escrita, criando mecanismo e tempo em que possa estar lendo histórias, presenteando com livros, promovendo acesso as leituras de gibis, assistindo a desenhos educativos. Vale ressaltar que não só proporcionar acesso a leitura, mas a escrita também, promovendo trabalho com textos como forma de oferecer oportunidades de expressão.
3.2 OUTROS ACHADOS DA PESQUISA: ANÁLISE E REFLEXÕES
Acerca do que propusemos estudar neste artigo, fez-se necessário a particular importância de refletirmos sobre a prática da alfabetização e letramento no âmbito da sala de aula, tendo em vista a necessidade de redimensionar alguns aspectos que giram em torno dos procedimentos pedagógicos, contribuições e perspectivas de alguns educadores que atuam nas séries iniciais.
Nesse sentido, buscamos compreender ainda que de modo breve, qual a concepção de alguns professores acerca da alfabetização e letramento, através da aplicação de questionários o quais nos serviram como utilizados instrumentos para coleta de dados, sendo este propício para a apropriação de elementos constitutivos da percepção de como alguns professores entendem e vivenciam essa relação entre teoria e prática pedagógica no cotidiano escolar.
Assim, partindo do pressuposto de evidenciar a base teórica que considerados autores discutem, enfatizamos a pertinência de viabilizar a correlação entre abordagem conceitual discursiva compreendida nas peculiaridades que os teóricos asseveram e a prática metodológica utilizada na efetivação do conhecimento acerca das especificidades e atribuições da alfabetização e letramento projetadas mediante a análise de determinadas falas de professores a partir da aplicação de questionários.
Diante disso, vale ressaltar um aspecto primeiro que podemos perceber acerca das questões aplicadas que cerne na insegurança de alguns professores ao se reportarem ao supracitado tema, tendo em vista a dificuldade para conceituar letramento e definir significação e especificidade em abordar a relevância de alfabetizar, letrando como prática contextualizada no processo de ensino-aprendizagem dos sujeitos.
Todavia, através da aplicação do questionário podemos ainda identificar o acentuado grau de complexidade que giram em torno do processo da alfabetização e letramento nos espaços educativos, sendo alguns fatores colocados em evidência quando os professores pontuam suas ações pedagógicas e o contexto da sala de aula, fazendo menção a reflexões, conceitos e significados atribuídos a essa prática. Nessa perspectiva, torna-se imprescindível também mencionarmos sobre o papel da escola enquanto facilitadora e propiciadora na reformulação de propostas pedagógicas voltadas para a organização de um planejamento curricular que contemple o desenvolvimento de práticas educativas moldadas a partir da integração reflexiva teórica ? metodológica e pedagógica configurada nas especificidades, implicações e atribuições mediante a prática da alfabetização e letramento no âmbito educacional.
Assim a partir desse contexto, com aplicação dos questionários podemos estabelecer a correlação entre a concepção de alguns educadores sobre a prática de alfabetizar, letrando e os conceitos propalados por teóricos que tratam do tema. Desse modo, buscamos analisar e refletir esse apanhado de idéias através da experiência discursiva desencadeada na fala de alguns docentes.
Em princípio trouxemos a seguinte indagação: Para o senhor o que significa alfabetização? E quando um sujeito pode ser considerado alfabetizado?
O professor A respondeu da seguinte forma:
? Alfabetização é uma condição básica para a leitura e a escrita autônoma; quando um sujeito se apropria do sistema de escrita com suas aprendizagens específicas, conhece o alfabeto, o nome e a grafia das letras, distingue letras de outras formas gráficas, domina as convenções gráficas.

Sobre a mesma pergunta o professor B evidenciou que:
? A alfabetização é o domínio das habilidades para ler e escrever ter o domínio da técnica. Um sujeito está alfabetizado quando tem o domínio das letras e da sua decodificação.
Enquanto o professor C ressaltou:
? A alfabetização é uma atividade construtiva e criativa isto é deve fundamentar-se no valor que a leitura e a escrita tem na prática social. Um sujeito é considerado alfabetizado quando é capaz de construir novos conhecimentos acerca do que lhe foi proposto.
Podemos enfatizar através das falas dos professores a relevância dos signos lingüísticos socialmente representados pela aquisição representativa e domínio da leitura e escrita assegurada na base alfabética. Neste contexto, "a prática da alfabetização não é meramente a habilidade abstrata para produzir, decodificar e compreender a escrita; pelo contrário, quando as crianças são alfabetizadas, elas usam a leitura e escrita para execução das práticas que constituem sua cultura". (VERDIANE, apud WILLIAM TEALE, 1997. p.15)
A outra questão abordada se configurou da seguinte forma: Nos últimos tempos tem-se falado muito em letramento? O que o senhor entende por letramento? Vejamos o que os professores afirmaram:
? É a utilização da linguagem escrita para tudo, leitura e escrita de vários textos entendendo para que servem e como utilizá-los. (Professor A)

? Letramento é ter habilidade de ler e escrever para atingir determinados fins, compreender o funcionamento da leitura e escrita, não apenas ter o conhecimento do código, mas usar esse conhecimento para expressar-se e comunicar-se. (Professor B)

? Um pouco. É a condição do indivíduo apropriar-se da leitura e da escrita e utilizá-las como instrumento de seu desenvolvimento social e cultural. (Professor C)

Diante dos conceitos mencionados pelos professores, pudemos perceber o lineamento teórico das relevantes concepções postuladas por alguns autores, quando evidencia a restrição e complexidades atribuídas às práticas de letramento, e a dificuldade que muitos profissionais da educação apresentam em atribuir definições que enfoquem os usos específicos dos diversos contextos contemplados na distinta dimensão sócio-cultural que a expressão letramento se mantém subjacente. Todavia, Soares (2009, p. 66) afirma:
[...] Essa dificuldade e impossibilidade devem-se ao fato de que letramento cobre uma vasta gama de conhecimentos, habilidades, capacidades, valores, usos e funções sociais; o conceito de letramento envolve, portanto, sutilezas e complexidades difíceis de serem contempladas em uma única definição. Isso explica por que as definições de letramento diferenciam-se e até antagonizam-se e contradizem-se: cada definição baseia-se em uma dimensão de letramento que privilegia.
Desse modo, compreendemos o conjunto de práticas que estão socialmente adquiridas a partir de contextos específicos e a importância do teor social que está imbuído nas concepções de letramento. Para tanto, essa compreensão definida pelos professores sobre a prática do letramento pode estar atrelada a uma série de implicações recorrentes do âmbito escolar, fazendo menção a questão curricular, a estrutura organizacional de algumas escolas no que se refere às ações pedagógicas e os procedimentos teóricos metodológicos utilizados no contexto da sala de aula.
A última pergunta do questionário voltada para os professores foi: O que é ser um sujeito letrado?
? É ser usuário da escrita nas suas mais diferentes funções sociais, o sujeito letrado reconhece os textos que circulam socialmente e lança mão deles para dar conta das necessidades e demandas que a sociedade lhes coloca. (Professor A)

? É o que já foi citado na questão dois, um sujeito está letrado quando sabe fazer uso da leitura e escrita em diferentes aspectos da sua vida, melhor dizendo, quando compreende o que lê. (Professora B)

? É está além do saber ler e escrever, é conhecer, compreender, criticar de forma ativa e participativa o seu cotidiano. (Professor C)
Subjacente a isso, convém salientar a coexistência das habilidades cognitivas propagadas por fatores e implicações estabelecidas nas inferências e nas inter relações cotidianas que o individuo constrói ou ativamente participa, sendo também a concepção de sujeito letrado constituída a partir dos conhecimentos advindos da integração das práticas sociais e dos valores que a leitura e escrita representam socialmente para inserção dos sujeitos na chamada sociedade letrada. De acordo com os estudos realizados para construção do trabalho e baseado nas concepções de alguns teóricos, tornou-se perceptível que para ser um sujeito letrado não existe uma definição específica, bem como não é considerado como um termo universal, deve-se levar em consideração os vários contextos abordados, as distintas comunidades a que se destina.
Sendo assim, mediante as explanações dos professores A, B e C, os mesmos trazem em suas abordagens as habilidades de leitura e escrita de diversos gêneros textuais, algumas concepções dos conhecimentos advindos das práticas sociais do cotidiano. Para tanto, alguns teóricos em suas linhas de pensamentos enfatizam que os atributos citados pelos professores implicam em tornar-se o sujeito letrado. Sendo assim, as acepções dos professores mencionados estão voltadas para o contexto da sala de aula e condizem com idéias de alguns teóricos estudados. Mas, será que a escola trabalha de fato na sala de aula com seus alunos as práticas sociais cotidianas? E como tem realizado essas práticas para tornar o sujeito letrado?
4 CONCLUSÕES
Considerando a importância da singularidade, grande significado e relevância adquirida mediante a realização desse trabalho, faz-se pertinente ainda salientar a contribuição política e educativa do mesmo para amplitude do nosso conhecimento e para a nossa formação enquanto pessoas e enquanto profissionais.
Dessa forma, compreendemos a suma importância da efetivação dessa pesquisa para melhor compreendermos possíveis ações e práticas permeadas no âmbito escolar, bem como a reorganização de conhecimentos produzidos, e ressignificação de conceitos, visões e práticas educativas que devem ser pensadas para além da escola.
Assim, a partir dos estudos e reflexões feitas por teóricos que discutem o tema a qual nos propúnhamos estudar, percebemos também que a referida pesquisa propiciou a busca de conhecimentos tácitos, possibilitando a concretude/formação de novos valores, novos saberes, novas óticas e diferentes perspectivas, permeadas e/ou configuradas nas impressões da alfabetização e letramento.
Para tanto, salientamos que não temos o intuito de emitir e/ou encontrar todas as respostas ou questionamentos que giram em torno da alfabetização e letramento, visto que, há uma grande dimensão de abordagem do referido tema.

5. REFERÊNCIAS
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BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros Curriculares Nacionais; Língua Portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental ? Brasília: 1997. 144 p.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização & Linguística. 10 ed. São Paulo: Scipione, 1999.
CARVALHO, Marlene. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre teoria e prática. Petrópolis- Rio de Janeiro: Vozes, 2005.
CORDEIRO, Verbena Maria Rocha. Itinerários de leitura no espaço escolar. Revista FAEEBA- Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 13, n. 21, p. 95-102, jan/jun, 2004.
DIAS, Cláudia. Pesquisa qualitativa ? características gerais e referências, 1998.
FERREIRO, Emília & Teberosky, Ana. A psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.
FERREIRO, Emília. Reflexões sobre a Alfabetização. 24ª ed. Atualizada. São Paulo: Cortez, 2001.
FREIRE. Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 48º ed. São Paulo: Cortez, 2006.
LENER, Délia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Art Med, Editora S.A. 2002.
MAGDA, Soares. Letramento: um tema em três gêneros. 3 ed. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2009.
NÓVOA, Antônio. Profissão Professor. Portugal: Editora Porto, 1991.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6ª ed. Porto Alegre: Art Med, 1998.
TFOUNY, Leda Verdiani. Letramento e alfabetização. 2ed. São Paulo: Cortez, 1997.
WALLON, Henri. Psicologia e educação da infância. Lisboa: Estampa, 1975.
 
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