AÇÕES DE SAÚDE MENTAL: UM DESAFIO DO TRABALHO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE DO MUNICÍPIO D...
 
AÇÕES DE SAÚDE MENTAL: UM DESAFIO DO TRABALHO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE DO MUNICÍPIO DE COLATINA ? ES
 


RESUMO

A saúde mental é um desafio ao profissional de enfermagem na atenção básica. As ações nesse campo são de grande importância à sociedade, e principalmente aos usuários do sistema, sendo assim, cabe ao enfermeiro da saúde pública nortear essas ações. Diante desta questão, o presente estudo objetivou identificar as ações do trabalho do enfermeiro na promoção da saúde relacionada aos pacientes com transtornos mentais do município de Colatina/ES. Foi desenvolvido uma pesquisa teórica proveniente de referências bibliográficas que contextualize informações relacionadas à saúde mental e o papel do enfermeiro diante da realidade dos transtornos psíquicos. Uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa com enfermeiros das Estratégias Saúde da Família - ESF do município, os quais foram entrevistados para obtenção de informações sobre o trabalho destes dentro das ações em saúde mental, para posteriore análise de trabalho. Através de entrevistas, foram apontadas as grandes dificuldades encontradas pelo profissional enfermeiro no que diz respeito, a assistência prestada aos pacientes com transtornos mentais de suas comunidades. Conclui-se que a assistência prestada aos usuários da rede pública de Colatina está necessitando de ajustes, frente à política nacional de saúde mental, e direcionamento de trabalhos formativos em saúde mental, para os profissionais das ESF. A atenção ao portador de doença psíquica é um campo imenso a ser explorado pela profissão da enfermagem, que não pode ser norteado exclusivamente pelo conhecimento científico, mas também pela dedicação, inovação, responsabilidade e empenho na arte do cuidar.


Palavras-chave: Saúde Mental, Promoção da Saúde, Enfermeiro na Atenção Primária.

INTRODUÇÃO

A Saúde Mental deve ser tratada com extrema importância entre os profissionais da saúde e pela sociedade. Portanto, deve abranger profissionais qualificados e que encarem o desafio de promover a saúde contribuindo assim, para melhoria da população.
O presente trabalho visa identificar quais as ações de saúde mental que o profissional enfermeiro nas estratégias de saúde da família no município de Colatina desenvolve e quais as dificuldades encontradas por eles, e suas estratégias para contornar estas dificuldades.
O trabalho do enfermeiro na promoção da saúde tem como objetivo o desenvolvimento social e aplicação da real definição de saúde no bem estar físico, mental e social. Portanto, o enfermeiro é de extrema importância para o desenvolvimento da atenção primária em sua área de atuação, utilizando estratégias que direcione um trabalho produtivo e de resultados confiáveis para o processo de promoção da saúde e prevenção de doenças.
Foi desenvolvido uma pesquisa teórica proveniente de referências bibliográficas que contextualize informações relacionadas à saúde mental e o papel do enfermeiro diante da realidade dos transtornos psíquicos. Foi também desenvolvida uma pesquisa de campo de abordagem qualitativa com enfermeiros das ESF do município sendo entrevistados para se obter informações sobre como se processa o trabalho em saúde mental e quais as ações que estão sendo desenvolvidas.
Sem dúvida, os principais beneficiados referente à promoção da saúde mental realizada pelo profissional enfermeiro são as pessoas. A sociedade é o foco principal, pois, é ela quem recebe o acompanhamento adequado frente às doenças e outras reações adversas, no que diz respeito à melhoria da saúde e, conseqüentemente, na melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Esta pesquisa apresenta ainda um relato breve sobre promoção a saúde e seus percussores, como a Carta de Ottawa e Declaração de Alma Ata. Enfoca também o SUS e a saúde da família, assim como a sua composição. O NASF, núcleo de apoio a saúde da família e a política de saúde mental engajam-se de forma importante do contexto da pesquisa, logo em seguida é apresentada a análise e discussão dos dados colhidos com enfermeiros de ESF do município de Colatina.


1 PROMOÇÃO DA SAÚDE


A promoção da saúde desde que começou a ser discutida representa estratégias que servem para auxiliar e/ou melhorar o processo saúde-doença que afeta a sociedade em geral. Tem o objetivo de formar a união de saberes técnicos e populares, mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados para benefício próprio da sociedade promovendo assim uma melhor qualidade de vida. Desde a divulgação da Carta de Ottawa em 1986, o conceito de promoção da saúde vem adquirindo diversas mudanças caminhando assim, em harmonia com a evolução mundial. Dentre os fatores que fazem parte dessa atualização, destaca-se a melhoria na qualidade de vida, saúde, solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e parceria, entre outras. Destacam-se dois grandes grupos referentes a essa mudança (BUSS, 2000).
No primeiro grupo, a promoção da saúde consiste na transformação dos comportamentos dos indivíduos, focando nos seus estilos de vida e tendo como base neste processo a família. Neste caso, os programas baseiam-se no processo de educação fazendo com que os indivíduos adquirem o autocontrole. No segundo grupo e, por sua vez, mais atual relata que o entendimento da saúde está mais voltado ao coletivo de indivíduos e ao ambiente, pois, um bom padrão nutricional, de habitação e saneamento, boas condições de trabalho, oportunidades de educação ao longo da vida, ambiente físico e limpo, apoio as famílias e indivíduos, estilo de vida responsável e uma gama de cuidados especiais relacionados à saúde (SUTHERLAND e FULTON apud BUSS, 2000).


1.1 PRECURSORES DA PROMOÇÃO DA SAÚDE


1.1.2 Declaração de Alma Ata e a Carta de Ottawa


A declaração de Alma Ata é a primeira Conferência Internacional que fez referências aos cuidados primários de saúde e teve como metas a "Saúde para todos no ano 2000" além de dar importância a atenção primária. Fizeram parte deste processo oito elementos primordiais: educação dirigida aos problemas de saúde, os métodos para sua prevenção e controle, promoção dos alimentos e nutrição adequada, abastecimento de água e saneamento básico, atenção materno-infantil, planejamento familiar, imunização contra doenças infecciosas, prevenção e controle de doenças endêmicas, tratamento de doenças comuns e acidentes e distribuição de medicamentos básicos. Durante a primeira conferência houve a reafirmação da saúde como direito de todos e a obrigação do governo em promover a igualdade dos cidadãos (MENDES, 2004).
Outros processos também estavam envolvidos na Conferência em relação aos Cuidados Primários à saúde. Foram eles: O desenvolvimento nacional e comunitário, a agricultura, pecuária, produção de alimentos, indústria, educação, habitação, obras públicas e comunicações (STARFIELD apud MARCONDES, 2004).
COHEN et al (2004), define promoção da saúde como "o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo". Defesa da saúde, capacitação e mediação são os três pontos fundamentais da promoção da saúde.
A defesa da saúde foca a importância em se lutar para que os outros fatores políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, comportamentais e biológicos além dos pré-requisitos se tornem cada vez mais favoráveis à saúde da população como um todo. A capacitação juntamente com a mediação é de extrema grandiosidade no que diz respeito à igualdade de oportunidades e auxilia na contribuição de uma relação mais harmoniosa entre os diferentes tipos de interesses no que se refere à saúde (BUSS, 2000).
Existem cinco campos prioritários pela Carta de Ottawa, conforme COHEN et al (2004):
? Elaboração e implementação de políticas saudáveis.
? Criação de ambientes favoráveis à saúde.
? Reforço da ação comunitária.
? Desenvolvimento de habilidades pessoais e.
? Reorientação dos serviços de saúde.
A elaboração e implementação de políticas saudáveis relatam que políticos e dirigentes de todos os setores e em todos os níveis devem priorizar a saúde da população cabendo aos mesmos, punição caso isso não aconteça. A criação de ambientes favoráveis à saúde dispõe sobre a proteção do meio ambiente, a conservação dos recursos naturais, o acompanhamento do impacto na saúde devido às mudanças no meio ambiente, assim como aspectos que favoreçam a saúde, como o trabalho, o lazer, lar, a escola e a própria cidade (BUSS, 2000).


1.2 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) NA PROMOÇÃO DA SAÚDE


Antigamente, no Brasil, a saúde não era dada como prioridade e muito menos como direito. E com o passar dos anos, deu-se início a uma mudança que começara a transformar o campo de saúde nacional (NUNES et al, 2006).
E algum dos fatores que fizeram parte desta mudança foi a criação do SUS em 19 de Setembro de 1990 com a Lei n° 8.080 que é um sistema formado por três esferas do governo (União, Estados e Municípios) e é complementado pelo setor privado e conveniado. O Sistema Único de Saúde deve atender a todos, independentemente de pagamento e de maneira integral, atuando na promoção, prevenção e tratamento de cada indivíduo e na comunidade, deve ser descentralizado, racional, eficiente e eficaz democrático e equânime, ou seja, o SUS deve estar atento às desigualdades (NATALINI, 2004).
O SUS é um sistema que engloba várias ações e serviços de saúde pública e privada com o propósito de atenção à todos de forma satisfatória. Dentre as diretrizes, o artigo 198 da Constituição Federal, frisa a universalidade e integralidade na assistência, preservação física e moral das pessoas, igualdade na assistência, informar o cidadão sobre o estado de sua saúde bem como a utilização dos serviços que tem direito e da epidemiologia, participação da comunidade, descentralização de governo, integração das ações de saúde, meio-ambiente e saneamento básico, conjugação de recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos na prestação de serviços de saúde, capacidade de resolução e organização dos serviços públicos (NATALINI, 2004).
A lei nº 8.142 de 28 de dezembro de 1990, fala sobre a participação das pessoas no processo decisório do SUS em relação à recursos financeiros na área da saúde (BRASIL, 2002).
Existirá como instâncias colegiadas, a Conferência de Saúde que deve se reunir a cada quatro anos para reavaliação da situação da saúde dentre outras questões. Cabe ao Conselho de Saúde, atuar na criação de estratégias e no controle da execução da política de saúde, economia e recursos financeiros (MARQUES, 2002).
NATALANI (2002) reforça que o objetivo principal é a integração dos profissionais de saúde com o intuito de atuar na promoção e melhoria da qualidade da população.
Conforme BRASIL (2004), a Política de Saúde Mental, passou por importantes e significativas transformações, evoluindo em definitivo de um modelo centrado na referência hospitalar, para um modelo de atenção diversificada, de base territorial comunitária. Porém ainda não se encontra plenamente refletido no conjunto da atenção em saúde mental do SUS, que permanece dispendendo parcela significativa de seus recursos com a área hospitalar.


1.3 SAÚDE DA FAMÍLIA


A saúde da família é uma estratégia do Ministério da Saúde iniciada no ano de 1991, com a implantação do programa de Agentes Comunitários de Saúde com o objetivo de reorientar o Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da atenção básica (COSTA e CARBONE, 2009).
BRASIL (2004), diz que uma unidade de saúde da família juntamente com uma equipe multiprofissional, deve estar apta à realizar atenção contínua de forma à desenvolver a promoção, proteção e recuperação da saúde.
Acredita-se que as unidades básicas sejam capazes de resolver 85% dos problemas de saúde em suas comunidades, prestando atendimento de qualidade, evitando internações desnecessárias e melhorando a qualidade de vida da população (COSTA e CARBONE, 2004, p. 8).

Conforme BRASIL (2004), dentre as diretrizes do Ministério da Saúde, a saúde da família tem como objetivos: prestar assistência integral, contínua, com responsabilidade e boa qualidade de saúde da população, intervir sobre os fatores de risco ao qual a população está exposta, humanizar as práticas de saúde proporcionando assim, um vínculo entre os profissionais de saúde e a população, estabelecerem parcerias através do desenvolvimento de ações intersetoriais, contribuir para a democratização do conhecimento do processo saúde/doença, da organização dos serviços e da produção social da saúde, proporcionar com que a saúde seja um direito de cidadania e estimular a organização da comunidade para efetivo exercício do controle social.
O modelo da saúde da família adota alguns propósitos operacionais e conceitos de como funciona as unidades de saúde da família. São eles:
Adscrição da clientela ? cada unidade tem que cadastrar e acompanhar a população vinculada a uma área. A equipe ou as equipes pertencentes à unidade da saúde da família são responsáveis por uma área em que contenha de 600 a 1.000 famílias, com um limite máximo de 4.500 habitantes. E o cadastramento deverá ser feito com a visita aos domicílios de acordo com a área territorial (COSTA e CARBONE, 2009).
Integralidade e hierarquização ? a USF está vinculada na atenção básica e assim, deve garantir atenção integral aos indivíduos e famílias, de forma à sempre amparar quanto a necessidade de clínicas e serviços de maior complexidade de acordo com seu estado de saúde (MARQUES, 2002).
Equipe multiprofissional ? a equipe é formada por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde além de dentistas, assistentes sociais e psicólogos que podem fazer parte da equipe ou atuarem como apoio. Dependendo da concentração de famílias, a Unidade de Saúde da Família (USF) poderá atuar com uma ou mais equipes sob responsabilidade do Enfermeiro (SANTANA e CARMAGNANI, 2001).
As equipes de saúde da família devem identificar a realidade epidemiológica e sócio demográfica das adscritas, reconhecer os problemas de saúde e identifica os riscos ao qual a população está exposta, planejar o enfrentamento dos fatores desencadeantes do processo saúde/doença, atender aos objetivos programados, utilizar o sistema de referência e contra-referência, promover educação à saúde e melhorar o autocuidado dos indivíduos e incentivar ações intersetoriais para enfrentar os problemas identificados (COSTA e CARBONE, 2004).


1.3.1 Composição das equipes de saúde da família


O profissional médico deve atender a todos os componentes das famílias, não estabelecendo preferências por sexo ou idade além de acompanhar os indivíduos e a sociedade, o profissional Enfermeiro desempenha suas atividades na unidade de saúde e na comunidade além de, apoiar e supervisionar o trabalho dos agentes comunitários de saúde (ACS) e as demais pessoas que necessitam da atenção de enfermagem, o Auxiliar de Enfermagem, o Agente Comunitário de Saúde e ainda, os profissionais de saúde bucal e o Cirurgião-Dentista (COSTA e CARBONE, 2009).
BRASIL (2004), estabelece ao médico, a função de prestar assistência integral aos indivíduos, promover a qualidade de vida dentre outras. Cabe ao Enfermeiro, capacitar os Agentes Comunitários de Saúde e auxiliares de enfermagem; promover a qualidade de vida e contribuir para melhorias do meio ambiente; ficar responsável pela vigilância sanitária e epidemiológica de acordo com sua competência dentre outras. O Auxiliar de Enfermagem por sua vez, atua na identificação das famílias de risco em parceria com os ACS; auxilia os ACS nas visitas domiciliares dentre outras.
O Agente Comunitário de Saúde desenvolve seu trabalho nos domicílios de sua área e participa da programação das unidades, além de mapear sua área de atuação, cadastrar as famílias sempre o mantendo atualizado e realizar visitas domiciliares mensais. Também fazem parte da equipe de saúde da família os profissionais de saúde bucal e o Cirurgião-Dentista (BRASIL, 2004).


1.4 ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA


A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou em 1994 como o "Ano Internacional da Família", medida essa que logo foi aderida pelo Brasil através do Programa/Estratégia Saúde da Família. No ano de 1997, o então Programa de Saúde da Família passa a ser definido como Estratégia de Saúde da Família durante a segunda publicação do Ministério da Saúde que reformulou e atualizou conceitos, objetivos, diretrizes e implementação do PSF (RIBEIRO, 2004).
A Estratégia de Saúde da Família é um processo concomitante ao Sistema Único de Saúde (SUS), condicionada pela evolução e organização do Sistema de Saúde no Brasil. Foi iniciada em 1994, mas somente nos últimos apresentou um crescimento expressivo (BRASIL, 2004).
Diante disso, a família foi abordada de várias maneiras:
Família/Indivíduo ? este grupo trata da importância do Enfermeiro para se adquirir bons resultados. O mesmo tem que orientar a família para que juntos possam desenvolver uma assistência de qualidade sabendo que, a família tem papel importantíssimo no processo saúde/doença do indivíduo. A família/domicílio serve como complemento em relação ao indivíduo, pois, dar-se prioridade a coleta de dados, educação em saúde e as visitas domiciliares. Os mesmos contemplam o banco de dados do Sistema de Atenção Básica (SIAB) (OLIVEIRA e MARCON, 2007).
Família/comunidade enfatiza ações de assistência em todas as fases do ciclo de vida, que vai desde as crianças até os mais idosos. Cabe ao Enfermeiro, organizar e coordenar a formação de grupos de patologias específicas, e a família se torna peça fundamental no auxílio a essas pessoas (OLIVEIRA e MARCON, 2007).
Na família/risco social, acontece uma exclusão social da família que, geralmente vivem em comunidades mais afastadas e, com isso, ficam impossibilitadas de exercerem seu papel. Estas famílias devem receber apoio total dos profissionais de saúde de forma a possibilitar o retorno do ciclo normal de trabalho na comunidade. A família/família, este coloca a família como a mais importante do processo, ou seja, a família é o foco principal e real de atenção. Devem-se observar todas as características da mesma, sua capacidade de cuidar e cuidar-se, seus recursos afetivo-emocionais, espirituais, seus sucessos e insucessos, para que se possa haver uma harmonia entre as diferentes fases/momentos de sua vida (RIBEIRO, 2004).
Enfim, a família deve ser tratada como um todo com o objetivo de se conseguir um novo paradigma de saúde. A inserção da família em harmonia com os profissionais do Programa de Saúde da Família (PSF) proporcionará estratégias de cuidado melhorando assim, o quadro de saúde da sociedade (RESTA e MOTTA, 2005)


1.5 NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA ? NASF


Criado em 24 de janeiro de 2008 e republicada no dia 04 de março de 2008, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família ? NASF através da portaria GM MS nº 154 tem como objetivo a junção de profissionais de áreas de conhecimento diversas e dos que atuam dentro da Equipe Saúde da Família compartilhar as práticas em saúde melhorando assim, a qualidade do cuidado da população (MALTA, 2009).
Existem duas modalidades de NASF, o NASF 1 que deve estar vinculado de 08 a 20 equipes saúde da família e conter no mínimo cinco profissionais de nível superior (Psicólogo, Assistente social, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Educador Físico, Nutricionista, Terapeuta ocupacional, Médicos que atuam na área de ginecologia, homeopatia, acumpunturista, pediatra e psiquiatra). O NASF 2 que é do mínimo 03 equipes saúde da família, deve conter a quantidade mínima de três profissionais de nível superior (Assistente social, Educador Físico, Farmacêutico, Fonoaudiólogo, Nutricionista, Psicólogo e Terapeuta ocupacional. É proibido a criação das duas modalidades ao mesmo tempo nos municípios e no Distrito Federal. Recomenda-se pelo menos 01 profissional da área de saúde mental para prestar assistência junto ao NASF pelo fato dos muitos pacientes que necessitam da mesma (BRASIL, 2010).


1.6 SAÚDE MENTAL E SUA POLÍTICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA


A Política Nacional de Saúde Mental amparada pela Lei nº 10.216/02, tem como objetivo, consolidar um modelo de atenção à saúde mental aberto e comunitária, com centros mais especializados como o Centro de Apoio Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), Centros de Convivência e Cultura além de Hospitais Gerais, CAPS III e o Programa de Volta para Casa. O CAPS é um dos principais centros especializados, e sua expansão é demonstrada na Figura 1 (BRASIL, 2009).

Figura 1 ? Expansão do CAPS de 1998 a 2010
Fonte: Disponível em: . Acesso em 29 de Set. de 2010.

Até a década de 70, a saúde mental no Brasil era exercida de forma privatizante, hospitalocêntrica e cronificadora do sofrimento psíquico. O paciente/cliente diante de tal situação, não conseguira evoluir de maneira produtiva pelo fato de, permanecer muito tempo internado o que acabava dificultando seu tratamento e até mesmo, a criação de vínculos afetivos com a família e, principalmente, com a comunidade. Nesse período até a década de 80, mas precisamente em 1987 durante a Primeira Conferência Nacional de Saúde Mental, houve a consolidação da reforma psiquiátrica que tinha como objetivo a reintegração dos pacientes/clientes com transtornos mentais à comunidade (BRASIL, 2008).
Na década de 90, aconteceu a divulgação do diagnóstico da assistência para a sociedade, onde se fortalecia a necessidade de mudança do modelo assistencial, a declaração de Caracas, a pactuação social estabelecida na II Conferência Nacional de Saúde Mental, realizada no ano de 1992 e a reformulação da assistência com o estabelecimento das portarias que foi assumida pelo Ministério da Saúde (ESPÍRITO SANTO, 2008);
A reforma psiquiátrica é um movimento que revolucionou a forma de tratamento em relação à Saúde Mental do Brasil. Houve uma redemocratização com a retirada dos manicômios e que tinha como objetivo a igualdade entre a sociedade (OLIVEIRA e ALESSI, 2003).
E com isso, estabeleceu-se a criação do Programa de Reestruturação Hospitalar Psiquiátrica (PRH) que frisava a importância de se reduzir o número de leitos em hospitais psiquiátricos. Esse programa faz parte da Política Nacional de Saúde Mental que proporciona aos pacientes/clientes com transtornos mentais a oportunidade de ter uma vida extra-hospitalar (FERNANDES et al., 2008).
O manejo e tratamento de transtornos mentais no contexto da atenção primária é um passo fundamental que possibilita ao maior número possível de pessoas ter acesso mais fácil e rápido aos serviços (...). Isso não só proporciona uma atenção melhor como também reduz o desperdício resultante de exames supérfluos e tratamentos impróprios ou não-específicos (OPAS/OMS apud Espírito Santo, 2008. p.148).

A atenção primária à saúde além de nível de atenção é organizadora do sistema de serviços da saúde. As ações de saúde mental na atenção primária á saúde (APS), devem obedecer ao modelo de redes de cuidado, de base territorial e de outras políticas específicas para que busquem vínculos e acolhimento. Destacam-se os seguintes princípios: noção de território, organização da atenção à saúde mental em rede, intersetorialidade, reabilitação psicossocial, multiprofissionalidade/interdisciplinaridade, desinstitucionalização, promoção da cidadania e construção da autonomia possível de usuários e familiares (BRASIL, 2005).
Nesse arranjo, se enquadra as equipes de saúde mental e da APS que procuram alternativas através de discussões conjuntas para que consigam intervenções junto às famílias e comunidades ou em atendimentos unificazes melhorando assim, a assistência em saúde mental (BRASIL, 2005).


1.6.1 Ações de Saúde Mental que o Enfermeiro deve desenvolver na Estratégia de Saúde da Família


Mesmo com a reforma psiquiátrica, muitos profissionais inclusive o Enfermeiro, continuam a exercer uma assistência hospitalocêntrica e à base de medicamentos. E com isso, deixam de desempenhar o foco principal da reforma que é a reintrodução dos pacientes/clientes portadores de transtornos mentais a viverem em total harmonia com a sociedade (SILVEIRA e ALVES, 2003).
Reflexo desse quadro é a falta de comprometimento da maioria dos profissionais Enfermeiros ou até mesmo, a falta de qualificação profissional. A falta de treinamento e a acomodação é um dos fatores que levam a má qualidade da assistência prestada aos portadores de transtornos mentais (COIMBRA et al. 2005).
O processo de reforma da assistência psiquiátrica consiste na substituição da concepção de doença pela e "existência-sofrimento" e que valoriza o pleno exercício de cidadania (VILLELA et al. 2004).
A Estratégia de saúde da Família deve ter a família como aliada para somar juntamente ao Enfermeiro de forma a desenvolver uma assistência qualitativa e, consequentemente, mais humanizada. O Enfermeiro deve orientar a família em relação aos cuidados adequados e, ao mesmo tempo, ficar atento quanto à sobrecarga da família (COIMBRA et al. 2005).
O Enfermeiro que trabalha na saúde da família deve ter liderança, saber trabalhar em equipe, ter facilidade em trabalhar com planejamento e programação em saúde, ter empatia, saber organizar grupos e reuniões comunitárias, deve ter a sensibilidade para reconhecer problemas psicológicos e ser qualificado para exercer seu trabalho com qualidade (COSTA e CARBONE, 2004).


2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS


Estudo exploratório de abordagem qualitativa entre enfermeiros da Rede Pública do município de Colatina ? ES. Sendo estes das Estratégias Saúde da Família (ESF) e Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Visando o conhecimento e avaliação do trabalho do Enfermeiro na promoção da saúde, focando a Saúde Mental, da população adscrita, como áreas de atuação do trabalho assistencialista foi aplicado entrevista coletando dados sobre aspectos sócio-demográficos informados sobre a formação profissional. Este roteiro (Anexo II) compreende informações sobre atividades de saúde mental, suas dificuldades e adaptações e outras soluções de promoção da saúde, o qual foi aplicado entre os dias 27 de Agosto a 17 de Setembro de 2010.
As ESF e PACS do município de Colatina ? ES possui 30 profissionais enfermeiros. Foram entrevistados 28 enfermeiros correspondendo a 93,33%, não foi possível a aplicação da entrevista em 2 enfermeiros, sendo que um estava de férias e o outro não foi possível encontrar durante o período de pesquisa.
A idade e o tempo de trabalho são fatores diferenciais na assistência de enfermagem, principalmente em saúde pública, pois podemos destacar que o trabalho do profissional de saúde possui informações no que se refere ao processo de longitudinalidade.
Segundo STARFIELD (2002), longitudinalidade "no contexto da atenção primária, é uma relação pessoal de longa duração entre os profissionais de saúde e os pacientes em suas unidades de saúde". Visto isso, o gráfico abaixo mostra o tempo de formação e idade dos enfermeiros entrevistados, sendo assim um reflexo da longitudinalidade na comunidade. Conforme demonstra os gráficos abaixo:


Gráfico 1 ? Idade dos enfermeiros das ESFs e PACS de Colatina

Gráfico 2 ? Tempo de formação dos profissionais enfermeiros

Como se pode observar no gráfico 1, a grande maioria dos profissionais compreendem na faixa etária abaixo de 25 anos correspondendo à 33% da amostra, sendo 30% de 26 a 30 anos, perfazendo um total de 63% abaixo de 30 anos. Esses dados refletem no gráfico 2, onde 67% dos entrevistados têm menos de 5 anos de formados. Confirmando assim que a saúde pública absorve grande parte dos recém formados, e a permanência deles na atenção primária favorece a longitudinalidade, conseqüentemente uma assistência que saiba lidar com o crescimento e as mudanças dos indivíduos ou grupos no decorrer desse período.
Por serem profissionais recém formados, o mercado exige que estes tenham especializações. Conforme é demonstrado abaixo.

Gráfico 3 ? Quantidade de enfermeiros com especializações

Grande parte dos enfermeiros possui especializações, perfazendo um total de 78%. Isso mostra que a falta de idade dos entrevistados é suprida pela capacitação na área de atuação. Um dado interessante é que dentre os entrevistados, 12 enfermeiros possuem mais de uma especialização. Isso pode ser reflexo de outro vinculo empregatício, ou outra área de atuação no passado ou pretensões futuras.
Após ter o conhecimento do perfil sócio demográfico dos enfermeiros das ESFs e PACS, perguntou-se se estavam desenvolvendo alguma ação coletiva de saúde mental, quais os tipos e com que freqüência, houve respostas do tipo:
"Os pacientes são acompanhados com visitas domiciliares, palestras no HIPERDIA" (G.K.F.).

"Está em projeto para iniciar uma vez ao mês [...]" (A.C.O.).

"Não. Os casos são encaminhados para o CAPS" (E.L.B.).

Percebe-se que alguns não desenvolviam nenhuma atividade relacionada a saúde mental em seus clientes, e tentavam compensar com ações voltadas outros programas como hipertensão e diabetes - HIPERDIA. Sendo que, fugiam totalmente do foco principal e se diziam estar despreparados para desempenhar tal função. Alguns até demonstraram interesse nessa área e que estavam com boa vontade em desempenhar ações pertinentes a saúde mental. Existiam projetos que favoreceriam a promoção da saúde mental das pessoas. Mas, por outro lado, a maioria se dizia insatisfeitos por não terem qualquer tipo de incentivo para atuar na área, entre as dificuldades, destaca-se a falta de capacitação da equipe e o encaminhamento de todos os usuários portadores de transtornos mentais ao serviço especializado, o CAPS.
Diante do questionamento sobre quais as dificuldades que eles tinham em realizar atividades de saúde mental em suas comunidades, foram descritas repostas que demonstrava a precariedade do setor, principalmente, relacionadas aos recursos humanos, a falta de pessoas capacitadas é uma preocupação constante.
"Sim, não temos RH treinados (capacitados)" (W.L.F.V.).

"Sim, despreparo profissional e alguns preconceitos [...]" (N.A.M.R.).

Outros profissionais declaravam que a falta de interesse do usuário em contribuir para o processo de restabelecimento das atividades de vida diária e, principalmente, da família em contribuir com o tratamento, dificultavam ainda mais a aplicação de promoções para o bem-estar do cliente. Respostas como a inexistência de um protocolo para servir de base para uma assistência de qualidade, ou mesmo a ineficiência das atuais diretrizes em vigor, também foram expostos como pontos de preocupação, bem como, o descontentamento pelo fato de, não saber lidar com esses tipos de pacientes, julgando inclusive a formação acadêmica como fator para esse quadro.
"Muito pouco!! Literatura é base, porém para se atender um paciente psiquiátrico é necessário prática, experiência em como lidar melhor com o mesmo" (D.Z.).

A fala dos entrevistados acima reflete a atual situação em que se passa a maioria dos outros profissionais quando questionados se sua formação contribuiu para o desenvolvimento de trabalhos em saúde mental. Poucos enfermeiros, cerca de 32,14%, disseram que sim, ou seja, que contribuiu bastante e deu total controle sobre como lidar com esses pacientes, é o que retrata a fala abaixo:
"Sim, para uma atenção de melhor qualidade e mais diferenciada nessa área" (K.A.M.).

A maioria foi enfática ao dizer que, teoria não mostra realmente o que é a vivência fora da faculdade, não consegue transmitir quais as medidas que serão mais eficazes diante de um portador com transtornos mentais. Ao que parece, a prática é sem dúvida, o que faz a diferença, ela mostra o caminho correto em que o enfermeiro deve se colocar para trabalhar de maneira mais segura e efetiva. A formação acadêmica teve um enfoque importante nesse quesito, pois muitos relataram que a carga horária foi pouca durante a formação, sendo ela teórica e pouca prática.
Como estão sendo tratados/orientados os pacientes/clientes com transtornos mentais, e seus respectivos familiares, em sua área de atuação? Essa foi a pergunta feita aos enfermeiros para saber quais ações estavam desenvolvendo para o benefício de todos, desde o foco principal, que é portador de transtornos mentais até os familiares, fonte importantíssima para o desenvolvimento do mesmo. Existiram respostas diversas, porém, todas com o mesmo sentido. A grande maioria, diziam prestar quaisquer tipos de orientações as famílias, para somar junto à equipe de saúde numa assistência mais qualificada, orientações quanto à medicação bem como, os cuidados com o cliente. Mas, a maioria eram encaminhados ao serviço especializado ? CAPS. Apenas 2 enfermeiros disseram fazer algo de diferente:
"São bem informados sobre cada caso (transtorno) especificamente, orientando sobre as medicações, alimentação e aos cuidados domésticos e risco" (K.A.M.).

"Consulta de enfermagem através de visitas domiciliares [...]" (D.V.C).


Pode-se notar que o CAPS era uma espécie de "salva-vidas" dos enfermeiros, onde todos ou a grande maioria, não pensavam duas vezes em destinar seus clientes ao serviço especializado até como uma forma de não se comprometer, no que diz respeito, a segurança do cliente assim como, sua própria segurança. Alguns se arriscaram em falar, que só referenciavam ao CAPS em último caso, quando não existisse mais nenhuma forma de promoção de ações em prol daquele paciente/cliente.
Quando feita a pergunta sobre quais as ações de promoção da saúde eram feitas pelo enfermeiro, houve respostas bastante interessantes, não por possíveis ações significativas, mas, por se desligarem totalmente do objetivo proposto. Manifestações do tipo:
"Hiperdia, grupo das gestantes, preventivo ? arraia do preventivo [...]" (G.K.F.).

"Coleta de HN/VDR [...]" (A.N.L).

O que pode parecer até engraçado, na verdade, é a realidade no município de Colatina, e que a maioria dos enfermeiros não sentia vergonha alguma em falar, pois, eles achavam melhor dá preferência a outros tipos de serviços do que voltadas à saúde mental. Relatavam que era mais produtivo realizar outras tarefas do que ficar tentando resolver algo que não tinham capacidade ou que não tinham interesse algum.
Outros foram verdadeiros e enfáticos ao dizer que não realizavam nenhuma ação de saúde mental, além de retratar que o enfermeiro já é sobrecarregado e não tem tempo suficiente para tal, sendo que ainda tinham que exercer funções extras que muitas vezes não lhe eram cabíveis.
Ao final da entrevista, alguns nitidamente entediados e apressados, foi feita a pergunta que avaliava como eles se sentiram durante a entrevista, qual o nível de saúde mental eles achavam que estavam durante a realização da mesma. Alguns não entenderam muito bem a questão e obtivemos respostas como:
"Interessante em saber o que seria [...]" (D.V.C.).

"Normal" (G.K.F.).

"Impotente" (J.C.F.M.).

"Cansada, esgotada e não muito a fim de escrever [...]" (C.A.S.).

Na grande maioria, as respostas retrataram o não entendimento real da pergunta, eles se manifestaram para o sentido das dificuldades encontradas em suas respectivas áreas de atuação. Com isso, tiveram falas que estimulavam a importância em se refletir um pouco mais sobre a área bem como, os problemas e as soluções a serem trabalhadas para a melhoria da assistência.
Uma fala bastante interessante foi o relato de um enfermeiro que dizia que foi formado para ser um profissional generalista e, conseqüentemente, saiu da faculdade sem ter noção alguma da área, sem saber ao menos como orientar um usuário com transtornos mentais. Outros se diziam estar conscientes de que é preciso fazer alguma coisa em benefício desse tipo de pessoal. Ainda existiram respostas que revelaram certa desmotivação com a atual realidade, não somente pela saúde mental, mas, também pelo excesso de serviço imposto ao enfermeiro o que acabara por muitas vezes, optar pela quantidade do que pela qualidade do serviço.
Alguns relataram a vontade de se ter mais prática voltada à como se comportar diante de clientes com transtornos psiquiátricos, além de capacitações específicas, pois, admitem que o atendimento prestado a estes pacientes/clientes, ainda são de certa forma, bastante centralizados ao Centro de Apoio Psicossocial ? CAPS. Eis uma manifestação que mostra bem esse pensamento:
"Precisamos melhorar, ou seja, ser capacitados para que possamos oferecer um atendimento ao cliente e família de qualidade, e o MS juntamente com a Secretaria de saúde possa investir mais nesta proposta [...]" (M.D.A.H.).

Percebemos que ainda há muito em que se melhorar, no que diz respeito, a assistência ao paciente/cliente portador de transtornos mentais. A saúde mental, não está sendo tratada com a verdadeira importância que deveria ser. As pessoas com transtornos mentais estão ao nosso redor e, por algum motivo, não percebemos ou não sabemos como proceder diante dos mesmos. É preciso ter a conscientização de que é necessário ter mais respeito para com essas pessoas, pois, só assim, teremos um mundo mais igualitário.
Afinal, portadores de transtornos mentais podem viver normalmente como qualquer outro ser humano. Basta que se tenha um pouco mais de seriedade e respeito para que se possam desatar as correntes dos preconceitos e, assim, proporcionar uma vida mais digna e satisfatória almejando uma saúde mental mais saudável para todos, e não somente para os portadores de transtornos mentais.


CONCLUSÃO


No presente estudo, foi avaliado o trabalho do enfermeiro na promoção da saúde no município de Colatina ? ES em relação à saúde mental, uma vez que esta é uma área pouco conhecida por eles, mas que vem tendo uma importância cada vez maior e necessitando de um atendimento cada vez mais qualificado.
Contudo explanou-se ainda o verdadeiro papel do enfermeiro no que diz respeito ao cuidado com clientes portadores de transtornos mentais, demonstrando suas ações desempenhadas neste setor. Além disso, enfocou-se a assistência completa de enfermagem dando importância a atenção primária.
No decorrer desta pesquisa notou-se que os entrevistados possuem pouca informação sobre o assunto, porém demonstram interesse em aprender mais e atuar com mais efetividade. Percebeu-se também que os principais planos de cuidados para o usuário de transtorno mental, são as visitas domiciliares com orientações as famílias e, se possível, ao próprio paciente/cliente, além de cuidados com medicações. A maioria dos enfermeiros fazem referências ao serviço especializado, o CAPS, por não saberem como proceder de forma correta para o benefício do cliente.
Enfim, pode-se concluir que a aquisição de conhecimento por parte dos enfermeiros sobre saúde mental, é de suma importância na assistência ao paciente/cliente submetido a este tipo de cuidado, porém muitas vezes os mesmos se preocupam com outros tipos de serviços e acabam por ficar mais na parte gerencial, esquecendo da parte assistencial e do princípio de enfermagem que é a arte do cuidar, pelo fato de existirem outros lugares que realizam a execução desta atividade.
Por isso, é importante a conscientização destes profissionais e da instituição responsável em oferecer treinamentos a fim de obter um nível de conhecimento maior por parte dos enfermeiros, para assim desenvolver uma melhor assistência juntamente com a equipe de enfermagem.


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