AÇÃO DO HOMEM SOBRE O MEIO AMBIENTE E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA A SAÚDE
 
AÇÃO DO HOMEM SOBRE O MEIO AMBIENTE E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA A SAÚDE
 


Hemelyni Cecília Gonçalves Lima 1

Degradação do Meio Ambiente no Brasil

A degradação ambiental no país começou após o seu descobrimento por Portugal, com a extração do pau-brasil totalmente predatória;essa espécie florestal é considerada por muitos autores a primeira riqueza brasileira que sofreu a ação do homem, o que resultou no seu desaparecimento. Nos dias atuais o estado do Pernambuco, devido aos esforços do professor Roldão de Siqueira Fontes que criou a Fundação Nacional do Pau-brasil, possui a maior concentração desta espécie (EDUCAÇÃO, 2001).

Em torno de 1599, ainda no período colonial, instalou-se a monocultura da cana-de-açúcar junto com o trabalho escravo negro e indígena advindos do Oriente, iniciando a implantação dos engenhos. A pecuária foi introduzida paralelamente a cana-de-açúcar, acentuando a instabilidade dos solos devido o pisoteio do gado. (MONTEIRO, 1991).

Ao longo dos tempos outros ciclos surgiram, tais como o do ouro, o do cacau, o do café e da borracha, que a exemplo do ocorrido com o ciclo da cana-de-açúcar, todos se basearam na exploração predatória em larga escala (BRASIL, 1999).

Nesta época a degradação não apresentava grande impacto à natureza e provavelmente não se configurando como um problema ambiental, nos termos como entendemos hoje. Em suma, o comportamento predatório do homem não é uma coisa recente, o que é novo são a proporção e extensão dos mecanismos de depredação, que vai desde o surgimento das lavouras de monocultura ate as armas nucleares (VIOLA, 1987).

De acordo com Hogan (1992), com a revolução industrial ocorrida a partir do ano 1750 surgiram inúmeras cidades e a maioria delas sem nenhum planejamento, o que culminou em diversos problemas ambientais, presentes nos dias atuais como:

  • Poluição atmosférica provocada por algumas indústrias;
  • Ocupação urbana desordenada em áreas de preservação permanente, margens de rios e encostas, promovendo a deteriorização ambiental dos ecossistemas locais, tornando-os cada vez mais vulneráveis aos desastres naturais e acarretando danos sociais, econômicos, ecológicos, além de humanos.
  • Assoreamento de rios e lagoas;
  • Erosão do solo e desertificação;
  • Grande desperdício de água e energia elétrica, que leva a humanidade a viver sobre a ameaça de escassez dos mesmos;
  • Acúmulo de lixo urbano, atômico, industrial e ate mesmo espacial;
  • Poluição do ar, do solo, da água e dos mananciais;
  • Buraco na camada de ozônio, ampliação do efeito estufa e formação de chuva ácida;
  • Uso de agrotóxicos na agricultura o que acarreta sérios riscos de saúde tanto para os trabalhadores como para a população que consome esses produtos;
  • Perda da biodiversidade e da diversidade genética ocasionando um prejuízo irreparável para o campo da medicina.
  • Proliferação no mundo da fome, desnutrição, violência, armas químicas e biológicas, guerras e criminalidade

A contração de renda e de riqueza no poder de poucos amplia as desigualdades sociais, criando um verdadeiro abismo entre ricos e pobres, ocasionando um crescente aumento de favelas totalmente insalubres, como as que existem em grandes capitais do nosso país (HOGAN, 1992).

O meio ambiente tem adquirido nos últimos anos grande importância por causa dos fatores globais, como o efeito estufa, a poluição atmosférica, o buraco na camada de ozônio e a perda da biodiversidade. Problemas ambientais locais tais como a degradação do ar, da água, do solo, do ambiente de trabalho e doméstico, têm impacto significativo na saúde dos seres humanos (PIGNATTI, 2003).

Desde a Antiguidade é evidente a preocupação com os efeitos na saúde, decorrente das condições ambientais. Assim sendo, essa preocupação sempre esteve presente nas diferentes práticas sanitárias, que foram criadas ao longo do tempo como respostas sociais as necessidades e aos problemas de saúde (FREITAS, 2003).

O aumento dos aglomerados urbanos reflete a busca, pela melhor qualidade das condições de vida da população, sendo a preservação da saúde humana um dos aspectos mais importantes relacionados à qualidade de vida. Assim, numa visão holística a salubridade ambiental urbana permite interliga fatores intervenientes na qualidade de vida e do meio ambiente (BATISTA, 2005).

As cobranças cada vez mais complexas da sociedade moderna vêm aumentado o uso dos recursos naturais, com ações altamente degradantes, resultando consequentemente em danos ambientais que colocam em risco a vida do homem no planeta. A partir do meio ambiente externo as pessoas podem adquirir, em certos momentos de suas vidas algum tipo de doença, sendo que estas têm em comum o fato de serem causadas, por algum agente etiológico presente no meio ambiente, e algumas possuem alta letalidade (PIGNATTI, 2004).

Diante disso Ribeiro (2004) p. 73 afirma que:

Através da história humana, os principais problemas de saúde enfrentados pelos homens têm tido relação com a vida em comunidade, por exemplo, o controle de doenças transmissíveis, o controle e a melhoria do ambiente físico (saneamento), a provisão de água e alimentos em boa qualidade e em quantidade, a provisão de cuidados médicos, e o atendimento dos incapacitados e destituídos. A ênfase relativa colocada em cada um desses problemas tem variado de tempo a outro, mas eles estão todos inter-relacionados, e deles se originou a saúde pública como a conhecemos hoje.

O Preço do Desenvolvimento / Progresso: E o Que Ainda da Tempo Mudar

A ambição do homem tem determinado, estilos de desenvolvimento que estabelece uma relação de exploração do homem pelo o homem e da natureza pelo o homem (MENEZES, 1996). Esse desenvolvimento tem se mostrado altamente predatório e injusto, feito a custa de riscos ambientais locais e até mesmo globais. Vivemos em um mundo capitalista onde o homem foi dominado por um pensamento econômico tendo como eixo norteador o utilitarismo, a produção e a competição. Com isso criamos uma sociedade totalmente desintegrada e desintegradora do meio ambiente (CAPRA, 1982), em que não se preocupou em estabelecer a viabilidade em longo prazo dos ecossistemas (VIEIRA & WEBER, 1996).

O que hoje é chamado de "crise ambiental" foi desencadeado por esse modo de pensar e agir da sociedade, incompatíveis com a sustentabilidade biológica, cultural, social e econômica. Essa crise não é considerada só um problema nacional, atinge também proporções internacionais.

Para modificarmos a presente situação em que nos encontramos em relação ao meio ambiente é preciso mudar o modo de agir, mais isso só conseguiremos se mudarmos nosso pensamento, que nos levará a uma mudança de paradigmas, passará do paradigma econômico para o paradigma ambiental, buscando um presente e um futuro mais promissor; um dos objetivos desse novo paradigma é a sustentabilidade do planeta terra (ROHDE, 1996). Sendo que sua construção se dá a partir de novas relações entre o homem, a natureza e a sociedade.

As soluções que não criam problemas futuros são consideradas viáveis (CAPRA & STEINDL-RAST, 1991), ações como o desenvolvimento de tecnologias ecologicamente corretas; economia que não vise somente os lucros; distribuição de riqueza e renda de forma justa; desenvolvimento sustentável e educação ambiental para a sustentabilidade (VILA VERDE, 1997), são exemplos de alternativas que a humanidade pode colocar em prática para mudar a realidade existente.

Doenças Emergentes e Infecciosas Decorrentes do Meio Ambiente

O termo saúde ao longo dos anos vem sendo conceituado de diferentes formas, seja ela simplesmente a ausência de doenças ou até mesmo o significado da Organização Mundial de Saúde, que a define como um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças ou enfermidade (PIGNATTI, 2004).

O contíguo de doenças infecciosas é muito heterogêneo e a partir do meio ambiente, parasitas e agentes etiológicos vivo entram em contado com as pessoas, no qual inclui processos infecciosos agudos de alta letalidade como a raiva e crônicos como certas helmintoses intestinais. Doenças como a tuberculose, malária e a hepatite B ainda são causas de óbitos em varias partes do planeta. Mudanças no meio ambiente, a crise social, o crescimento econômico e o aparecimento da AIDS estão contribuindo para o reaparecimento de antigas doenças e para o surgimento de novas (SABROZA et al, 1995).

No ano de 1991 a nível mundial nove milhões de casos de tuberculose foram relatados, no Brasil a estimativa é que surjam por ano 129.000 mil casos da doença. Em regiões que supostamente a malária tinha sido eliminada a doença reapareceu e esta migrando para área em que a doença não existia anteriormente. Esse aumento esta atribuído o modo pelo qual a região da floresta amazônica foi ocupada pela construção de grandes usinas hidrelétricas, pela mineração, agropecuária e a abertura de rodovias que facilitou o acesso a região (WALDMAN et al, 1995).

Depois de quase um século a cólera reapareceu na América Latina, foram identificados no Brasil no período de 15 de abril de 1991 á 31 de março de 1996, 154.415 mil casos de cólera destes 141.856 foram notificados na região nordeste. O fato de o nordeste brasileiro, apresentar o número maior de casos reafirma as precárias condições de vida e ausência de infra-estrutura urbana na região (GEROMOLO & PENNA, 1999).

O mosquito transmissor da dengue o aeds aegypti, espalha-se pelo mundo de maneira alarmante, afetando milhões de pessoas, sendo que a forma mais grave da doença é a hemorrágica e a síndrome do choque. As condições de conservação e circulação do vírus estão intensamente associadas com densidade e disseminação dos vetores. As condições para a propagação dos vetores no meio ambiente são determinadas através das formas de organização dos espaços urbanos, o modo de vida das pessoas e sua integração com o meio ambiente (PIGNATTI, 2004).

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1 Enfermeiranda pela Faculdade de Ciencias Medicas de Campina Grande - PB

 
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Hemelyni Cecilia Gonçalves Lima Enfermeiranda pela Faculdade de Ciencias Medicas de Campina Grande - PB
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