A utilização do método multissensorial com alunos de uma escola pública: uma alternativa para a...
 
A utilização do método multissensorial com alunos de uma escola pública: uma alternativa para as dificuldades em leitura
 

A utilização do método multissensorial com alunos de uma escola pública: uma alternativa para as dificuldades em leitura

Palavras-chave: dificuldade na leitura, dislexia, método multissensorial, aprendizagem.

É comum encontrar, tanto em escolas públicas como particulares, alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem nas mais diversas áreas; entre elas, destaca-se a dificuldade na leitura. Para o agravamento desse problema, a grande maioria dessas escolas não possui um psicopedagogo que possa intervir nessas dificuldades, o que dificulta o trabalho do professor, que fica sobrecarregado e que muitas vezes não sabe como lidar com essas dificuldades.
Este trabalho foi destinado a crianças disléxicas e com dificuldades na leitura. Através da utilização do método multissensorial, que foi desenvolvido com alunos do 6º Ano de uma escola pública da cidade de Manaus-AM, esperava-se auxiliar os alunos nas dificuldades de leitura. Com este método, foram despertadas nos alunos as seguintes consciências: a auditiva, a visual, a tátil e a cinestésica. Com ele pôde ser observada a importância de métodos de prevenção e de intervenção nessas dificuldades, a fim de melhorar a aprendizagem. Por último, desenvolveu-se de um trabalho voltado ao retorno da leitura, a fim de verificar o avanço dos estudantes.
Durante o desenvolvimento desta prática com a turma ocorreram algumas limitações de ordem prática, que acabaram dificultando um pouco o trabalho. Entre elas encontram-se:
a) a falta de disponibilidade dos funcionários da escola em ajudar com informações sobre os estudantes. Nem mesmo a professora de Português, a diretora e nem os funcionários da secretaria estavam dispostos a auxiliar. Além disso, não foi possível também contar com a presença dos pais, já que nenhum deles se fez presente, e muito menos participa da vida escolar de seus filhos.
b) A falta de interesse dos estudantes no início de nossas atividades. Lembro que a professora de Língua Portuguesa falou que eles tinham baixa auto-estima, e que eram indiferentes a qualquer trabalho. Entretanto, com o desenrolar da metodologia percebi que começou a surgir um interesse nos alunos.

Os objetivos desse trabalho foram: compreender a eficácia do método multissensorial com alunos que apresentam dificuldade na leitura e dislexia, identificar o grau de dificuldade desses estudantes e propor atividades que desenvolvam um bom desempenho na leitura.
A utilização do método multissensorial com crianças que apresentam dificuldade na leitura e dislexia pretende trabalhar com as seguintes habilidades:
a) visual, que se refere a forma ortográfica da palavra;
b) auditiva, que é a forma fonológica;
c) sinestésica, que é o movimento para escrever a palavra;
d) tátil, que diz respeito ao toque do aluno em letras concretas.
Maria Montessori foi a precursora desse método, onde a criança deve traçar a letra enquanto o professor diz o som correspondente. Deve também pronunciar em voz alta os nomes das letras enquanto as escrevem.
O que é interessante nesse método é que ele trabalha com questões importantes para estudantes com dificuldade em leitura, como por exemplo o desenvolvimento da consciência fonológica, ao reconhecer e distinguir os sons das letras. Como bem explica García (2002, p. 51):
Numerosos estudios demuestran que la instrucción en CF facilita el aprendizaje de la lectura tanto en prelectores como en niños que están aprendiendo a leer (Bus y Van Ijzendoorn, 1999). Además, parece que cuando estos programas de instrucción incluyen el apoyo visual de letras, los resultados son mejores.
Na pesquisa, se utilizou o método multissensorial, que desenvolveu diversas habilidades nos alunos. Entre elas estão: a fônica, a tátil, a visual e a cinestésica. O trabalho foi desenvolvido da seguinte maneira: primeiro trabalhou-se com letras, depois sílabas, palavras e finalmente frases, através do desenvolvimento dos seguintes passos:
a) a consciência fonológica do estudante, fazendo com que ele percebesse a relação som-palavra;
b) a consciência tátil, a fim de verificar por meio do toque o formato das letras;
c) a consciência visual, através da observação das letras;
d) por último, a consciência sinestésica, com o intuito de observar o seu próprio movimento enquanto traça as letras.
Juntando todas essas etapas, esperava-se que os alunos reconhecessem o som de cada letra, que ao mesmo tempo a visualizassem e tocassem, e que observassem os movimentos de sua mão para formar cada letra. Acreditou-se que desta maneira o reconhecimento das palavras em textos seria mais fácil e a leitura mais agradável; e isto foi o que realmente aconteceu.
O trabalho foi desenvolvido seguindo as etapas abaixo:
a) observação da turma e do material dos estudantes;
b) descoberta dos alunos com dificuldades na leitura;
c) entrevista com a professora e com os alunos;
d) realização de atividades do método, que envolveram os itens visual, fônico, tátil e sinestésico;
e) leitura de textos variados, logo após os alunos terem passado pelo reconhecimento letra/som, leitura de sílabas, palavras, frases e, por último textos.
Após o desenvolvimento de todas as etapas do método chega-se às seguintes considerações:
1ª) a principal causa pela falta de interesse e das deficiências dos estudantes é a metodologia utilizada pelos professores em sala de aula. Geralmente eles trabalham com conteúdos estanques, e fora da realidade dos jovens;
2ª) a dificuldade em leitura decorria da falta da mesma. Como os alunos podem fazer uma boa leitura e adquirir o hábito pela mesma se ela não é estimulada?;
3ª) o ambiente escolar também é desmotivador para a aprendizagem, pois quase não há recursos, as tecnologias não são utilizadas nessa escola,... Além de tudo isso, o 6º5 é tachado como "a pior turma dos 6º anos";
4ª) além de tudo o que foi dito, ainda há a ausência dos pais na vida escolar de seus filhos. Os mesmos não demonstraram, em nenhum momento do estágio, interesse em saber como os estudantes estavam.
Finalizando, observa-se que enquanto a realidade de muitas escolas não mudar (no que diz respeito a estrutura e recursos, boa formação e qualificação dos docentes, uso de tecnologias, uso de novas metodologias, entre outros) a educação continuará da mesma forma, e talvez até piore. Faz-se necessário com urgência uma reforma radical em nossas escolas.

Referências

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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sou graduada em Letras e possuo especialização em Psicopedagogia.
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