A República de Cromwell, 1640.
 
A República de Cromwell, 1640.
 


A República de Cromwell.

De acordo com os textos trabalhados, (Miceli, 1994; Hobsbawm, 1988). e fazendo suas relações com a análise do filme Cromwell (1970), pode-se fazer um cruzamento de elementos,que enriqueceram nossos estudos sobre o período, pois o filme pela importância de trabalhar a imagem, e sendo ele uma maneira mais sintetizada de se compreender a revolução burguesa na Inglaterra, possibilita à nós criarmos uma representação que contribui por sua vez para nossa construção das reapresentações daquele período.

Assim como foi possível analisar em nossos textos, o filme mostra a realidade de uma conjuntura que sofreu as contradições econômicas, políticas, e sociais típicas do século XVII, um período de crise econômica, que tinha a Europa como centro da economia mundial.

Em ambas possibilidades de estudos, que até agora trabalhamos,o filme nos traz as imagens que interpretamos segundo os autores trabalhados.

O filme aponta as contradições de uma sociedade composta por religiosos católicos e protestantes, com a presença de uma nobreza e uma burguesia, que a essas alturas já se encontravam num contínuo equiparamento de forças, seja pela pureza de sangue ou status, ou seja pelo crescente poder econômico burguês. Mas, de um jeito ou de outro o ônus mais pesado sempre recai no camponês, como foi possível verificarmos, o processo de cercamentos o expulsa da terra, colocando em seu lugar ovelhas.

Também apesar do filme ser tendencioso à pessoa de Cromwell, ele deixa transparecer, como, o poder do rei, estava constituído na Inglaterra à época da Revolução. Como um poder que esbarrava ou era questionado pelo Parlamento, e esse, poder do Parlamento existindo e sendo atuante conforme foi visto no filme e afirmado pelos textos trabalhados, serviu para sustentar a posição das idéias dos revolucionários. Embora o rei tomasse medidas absolutistas, a existência do Parlamento manobrava as situações de maneira que as medidas extremas do rei, ajudassem para fomentar o ódio contra a monarquia.

Foi possível constatar que diferentemente da Revolução Francesa, a Revolução da Inglaterra, foi muito mais um intrincado jogo de interesses liberais, políticos e econômicos, pois de um lado estava um rei apoiado por uma nobreza que visava preservar seus privilégios, aliada a uma burguesia mercantil interessada nos monopólios comerciais. De outro lado uma nobreza mais empreendedora, dando apoio à uma burguesia sem privilégios, que apoiando-se na Câmara dos Comuns, cria força para mudar a situação política do país, que já não se adequava a nova realidade econômica de meados do século XVII.

Para que o capitalismo se expandisse era preciso eliminar a estrutura feudal que entravava a economia, as ações das forças produtivas e seu aumento levaram à saturação do capitalismo comercial no século XVII, (Hobsbawn,1988.). Os aumentos de tais forças possibilitam na Inglaterra que ocorresse mudanças políticas, essas que, cortando a cabeça do rei, cortaram também as amarras que entravavam a expansão econômica.

"prender, julgar e executar um rei é sem dúvida um grande espetáculo. Além de grande,é um espetáculo político, e como em política as coisa raramente são o que perecem ser, é bom ser prudente e ? sem quer fazer um trocadilho macabro ? não atribuir peso excessivo a cabeça real. Isso porque, apesar da força com que atua na imaginação das pessoas, o espetáculo político, por si, não é suficiente para provocar mudanças profundas na sociedade: ele é por assim dizer, uma espécie de show apoteótico que serve para coroar um longo processo de lenta e significativa evolução social (...)." (Miceli, 1994, p.17.).

Muitas das questões econômicas, nos reportamos aos textos, e no filme, porém o filme, deixa mais explicito o papel da religião e sua influência na política e naquilo que acreditavam a sociedade inglesa. O poder do Anglicanismo tendo como chefe da igreja o rei e este casando-se com uma católica, acirrou mais ainda os ânimos entre os puritanos e a Coroa, pois o ideal calvinista da pré destinação torna inconcebível que uma católica interferisse no governo do reino.

O filme mostrou a aproximação do rei com o catolicismo e seus acordos políticos com irlandeses, franceses, e holandeses, sendo isso fundamental para acusá-lo de traidor e contribuir para a sua decapitação.

Por outro lado Cromwell buscou na crença da predestinação, a força que precisava para unir em torno dele o que ficou conhecido como Exército Modelo, homens escolhidos por merecimento, mesmo não sendo puritanos, Cromwell lhes cobrava somente obediência, pois entendia que, cabia a eleitos e não eleitos sacrificarem-se por uma causa de Deus. (Miceli, 1994).

Claro que as idéias de Cromwell oscilavam quando esfriou a revolta, pois segundo o filme, não era de interesse de Cromwell tomar o lugar do rei, nem tampouco derrubar a monarquia, porém a inflexibilidade do rei não deixou outra saída ao Parlamento a não ser optar pela quebra drástica do governo vigente, ou tudo o que representava o poder do rei.

"Em resumo, executar um rei não é ponto de partida para nada de novo. (...). Ao dar-lhes o golpe de misericórdia não se preocupavam apenas em sepultar os reis, mas , principalmente, tudo o que eles pareciam representar de antigo e ultrapassado na sociedade." (Miceli,1994,p.17).

Estabelecida a República o filme mostra um Cromwell preocupado com um governo que governasse para o povo, pois o filme é tendencioso. Mas a Revolução Inglesa é uma revolução burguesa e segundo nossa análise sobre o autor Paulo Miceli, (1994), a Revolução na Inglaterra se configura como uma revolução burguesa, a partir do momento que cai a monarquia e se estabelece a república, com Cromwell como "Lorde protetor da Escócia, Inglaterra, e Irlanda". Mas a Revolução esfria, pois bastou que a burguesia e nobreza empreendedora alcançassem seus objetivos políticos liberais, trataram de enquadrar o povo à política capitalista, que agora se processava em seu próprio terreno, fora dos limites e barreiras da política econômica feudal, que ainda sobreviviam e que só encontraram fim com a Revolução.

A Revolução Inglesa num processo conjuntural dentro do que foi a política econômica do século XVII na Europa, como, sugeriu Hobsbawm (1988), A Revolução é a encruzilhada e ao mesmo tempo o incidente da crise do século XVII, um novo divisor de águas a serviço do capitalismo.

Assim consolidou-se uma revolução burguesa, que se constituiu na República de Cromwell por dez anos, que, foram importantes para quebrar os monopólios, instituir os Atos de Navegação de 1650, e 1651, ampliaram-se os cercamentos sem limites. O mais importante para o desenvolvimento econômico, é que, com a queda do absolutismo, acabou com o perigo do rei intrometer-se nas finanças, então foi possível a criação do Banco da Inglaterra.

"Em toda parte, interna e externamente, os obstáculos a expansão do capitalismo iam caindo e sendo substituídos por formas de incentivo, muitas vezes sem que a burguesia interviesse diretamente ou usasse sua força para manter-se no poder. Bastou-lhes valer-se do fato indiscutível de que a velha ordem ruía (...)." (Miceli,1994,p.43.).

Com a morte de Cromwell em 1658, seu filho assume o poder, ficando pouco tempo, deposto pelos oficiais do exercito, assim abrindo caminho para a monarquia se restabelecer para servir de mediadora entre a burguesia e as classes desfavorecidas. Em 1660 Carlos II é colocado no trono pelo Parlamento "Livre", aclamado rei pela graça de Deus e dos mercadores.Miceli, (1994). (A monarquia acaba se constituindo posteriormente com A revolução Gloriosa em 1688.).

Pois dessa maneira na Inglaterra conseguiu-se manter o equilíbrio entre Parlamento, o rei, e os súditos,(muito mais dóceis do que cidadãos), pois pelo imaginário os súditos, nessa condição são mais identificáveis com a tradição da realeza, consequentemente digerem melhor a nova conjuntura. Pois ainda hoje é possível verificar toda a simbologia que tem a família real para os ingleses.

Referências

Filme ? Cromwell ? 1970.

MICELI, Paulo ? As Revoluções Burguesas ? São Paulo: Atual, 1994.

HOBSBAWM,Eric ? Do feudalismo ao capitalismo
 
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Sobre este autor(a)
Licenciado em História ULBRA Gravataí, RS. Monitor do Laboratório de Arqueologia da ULBRA Gravataí, Bolsista de História, UFRGS, no estudo e reconhecimento de territórios quilombolas, no RS em 2008. Estudante de Pós-Graduação, em História do Rio Grande do Sul, UNISINOS, 2011.
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