A RELAÇÃO INTERPESSOAL NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
 
A RELAÇÃO INTERPESSOAL NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
 



A RELAÇÃO INTERPESSOAL NO PROCESSO EDUCATIVO
Eudes Henrique da Silva



RESUMO: A temática abordada no presente texto pretende aprofundar a dimensão da relação professor-aluno, bem como sua importância na construção do ensino-aprendizagem. O nosso texto deseja discutir a relação interpessoal no espaço educativo, sua importância e suas implicações para o processo ensino-aprendizagem. O nosso objetivo geral com esse trabalho é subsidiar reflexões que vão ao encontro à necessidade que todo ser humano tem de conviver em grupo, bem como conhecer a si mesmo para poder conhecer o outro, proporcionando assim, uma nova consciência sobre a importância das relações intra e interpessoal para a nossa vida, pois acreditamos que o saber brota de um encontro entre um eu e um tu e que, como sendo seres incompletos necessitamos do diálogo para tornar concreto o relacionamento. Deste modo, o processo ensino-aprendizagem constitui-se de uma dinâmica de comunicação entre sujeitos livres, em relações desafiadoras, numa dinâmica dialógica.
Palavras-chave: educação, relação interpessoal, diálogo, processo ensino-aprendizagem.

ABSTRACT: The theme addressed in this text takes up the size of the teacher-student, as well as its importance in building the teaching-learning. The text we want to discuss the interpersonal relationship in the educational area, its importance and its implications for the teaching-learning process. Our overall objective with this work is subsidizing reflections to meet the need that every human being has to live in groups and know yourself to know each other, thus, a new awareness about the importance of the intra and interpersonal for our lives because we know that the sprout of a meeting between a you and I and one that, as incomplete beings need the dialogue to make concrete the relationship. Thus, the teaching-learning process is dynamic is a subject of communication between free, in challenging relationships in a dynamic dialogue.
Key-words: education, interpersonal relationship, dialogue, teaching-learning process.






1. PALAVRAS INTRODUTÓRIAS
A capacidade de se expressar do homem constituinte da linguagem é fenômeno axial do ser pensante. A linguagem revela o homem. É ela o fundamento da intersubjetividade, é através dela que se é possível haver encontros entre entes. Buber evoca a linguagem como portadora de ser. A palavra que, sendo dialógica, habita o terreno do "entre", requer abertura ao mundo, a um outro, invoca a relação. Muito mais do que nomes e significados, ela indica a própria condição do homem como ser existente. Este, nos dizeres de Buber, habita na sua palavra. Ela não só é proferida pelo ser, como instaura modos de existir do ser humano, ou melhor, uma postura dual diante do mundo: "O mundo é duplo para o homem, segundo a dualidade de sua atitude. A atitude do homem é dupla de acordo com a dualidade das palavras-princípio que ele pode proferir" (BUBER, 2001, p.3).
A relação interpessoal se dá num contexto de parceria onde ambas as partes são paritariamente responsáveis, onde o jogo de interesses parecem entrelaçar-se entre si. É possível pensar em uma relação efetiva no âmbito escolar se levarmos em consideração que o processo se dá mediante acordo feito entre sujeitos que tem uma única finalidade, a construção do conhecimento. Desta forma, o aluno legitima o professor, e o professor, por sua vez, torna-se o mediador da construção do conhecimento. Nesta perspectiva, excluímos do nosso discurso, a idéia de que o professor é o único detentor do saber e que o aluno é uma tabula rasa, ou receptáculo do conhecimento.
Quando o professor desce do "podium" e cria um espaço de dialogicidade com os seus alunos e com outros saberes fica mais fácil de experienciar a relação interpessoal e passamos a ter uma educação circular e não mais piramidal. O processo de educação circular é aquele onde o conhecimento é construído mediante a participação de todos os envolvidos; já no processo piramidal, a educação é bancária, como nos aponta Paulo Freire, onde os alunos são receptáculos do conhecimento, e o professor é o detentor do saber, neste caso não há construção, mas apenas transmissão do saber. Neste intuito, nos ensina Silva (2004), "é preciso fazer circular experiências nos espaços de significação entre ensinantes e aprendentes, que sujeitando-se à experiência com o outro, não somente descobre a capacidade deste, mas, sobretudo, para ter uma idéia da própria capacidade [...]. É nessa relação que mudanças no modo de ouvir, de escutar, de falar, de sentir, de pensar, de criar, de inventar a vida humana, poderão ser experienciadas, ressignificadas e subjetivadas na estruturação e na constituição de um mundo melhor, onde o dividir, o somar, o multiplicar e o subtrair resultam em operações subjetivantes e intersubjetivas das relações entre os homens".

2. A ESCOLA COMO ESPAÇO DE RELAÇÃO
A escola é, ou pelo menos deveria ser aquele espaço que proporcionasse aos seus membros um ambiente de convivência. Pensar a relação num espaço educativo é levar em consideração a intersubjetividade do sujeito e o seu modo de ver o outro, "a interação em qualquer ambiente nasce da aceitação do outro onde o respeito e o acolhimento facilita a convivência entre os seres humanos. Na escola, o ambiente das relações interpessoais, deve estar focalizando a constituição do eu, a compreensão do indivíduo com suas diferenças e qualidades, para ter condições de vida nos grupos" (BEZERRA, 2007).
É importante salientar que a relação interpessoal, ou a interação entre sujeitos é elemento fundante da construção do homem enquanto ser, que se constrói mediante e com o outro. Para Teles (1996)
"O Homem é um animal essencialmente diferente de todos os outros. Não apenas porque raciocina, fala, ri, chora, opõe o polegar, cria, faz cultura, tem autoconsciência e consciência da morte. É também diferente porque o meio social é seu ambiente específico. Ele deverá conviver com outros homens, numa sociedade que já encontra, ao nascer, dotada de uma complexidade de valores, filosofias, religiões, línguas, tecnologia".
O homem não é um per si, ele é jogado numa esfera pública, que lhe é superior, e tem que adaptar-se a essa realidade, tem que se socializar. A essa capacidade de adaptação ao meio Içami Tiba (1998) chama de mimetismo relacional. Silva (2004) nos explica melhor
"Ao nascermos, ocupamos um lugar de sujeito assujeitado ao outro. Um sujeito que se abre para uma relação de aprendizagem e de afetividade, que se submete à experiência com o outro e com os objetos de conhecimento, da qual emergirá inscrições que possibilitarão ou não se significar diferente, sem perder a semelhança com o outro. É um sujeito que dá o seu ser para encontrar-se com o sentido de ser; que passa a existir, para co-existir com o outro; que passa a formar-se para compor uma cultura que se forma; que lança a si uma objetividade e uma subjetividade, para encontrar-se na intersubjetividade com o outro".
Neste sentido, a educação se dá na relação. O espaço educativo se dá essencialmente pela relação, esta se dá sob alguns níveis: relação professor-aluno, aluno-aluno, professor-professor e destes com os demais gestores da escola, direção e funcionários. Dois desses níveis merece nosso destaque, a dizer, relação professor-aluno e a relação aluno-aluno. É no espaço escolar que se estabelece a relação mediante a busca de significação do ensinante (professor) e do aprendente (aluno), "o aprendente, desejoso de conhecer, de saber e de se sentir contido pelo ensinante, atribui ao ensinante um sentido que o reveste de poder para a transmissão objetiva e subjetiva do conhecimento, atribuído ao ensinante pelo aprendente, o ensinante, concomitantemente, utiliza esse poder para não somente transmitir uma cultura, mas, sobretudo, para potencializar o aprendente para uma busca de ressignificação desta transmissão" (Silva, 2004).
No que diz respeito a interação, Severino (2000), nos diz que "no caso do conhecimento, a interatividade envolve três vetores: os sujeitos, o objeto e a cultura" e, "os sentidos produzidos pelo conhecimento, a cada um de seus atos, é gerado pelo encontro desses três vetores [...], num complexo processo de interação generalizada".

3. A RELAÇÃO INTERPESSOAL
A relação interpessoal é a interação de duas ou mais pessoas e está diretamente ligado à forma como cada uma percebe ou sente a outra. No espaço educativo, é importante manter contatos saudáveis, que gerem sentimentos positivos, facilitando não só a harmonia entre as pessoas, como também a produtividade e a eficácia no processo ensino-aprendizagem.
Todas as nossas relações com o mundo tem uma constituição intersubjetiva. O fatode a coisa percebida ser perceptível por outros introduz a referência a outrem na
constituição mesma da coisa, enquanto coisa presumida; é precisamente o horizonte de
perceptibilidade , esse reverso invisível do visível, que remete ao outro. Há, entre a posição
do outro enquanto aquele que percebe e a admissão desse invisível em relação às coisas,
uma relação recíproca. Todo sentido tem finalmente dimensões intersubjetivas; toda
"objetividade" é intersubjetiva, enquanto o implícito é aquilo que um outro pode explicar.
Mas, sobretudo esse papel fundamental e absolutamente primitivo da intersubjetividade
ganha seu sentido maior quando é estendido a outros registros que não a representação;
quando ele é mais operado que proferido, mais vivenciado que representado. Aí então, é na
semântica do desejo que essa textura é mais manifesta. Ora, é evidente que o desejo, como
modo de ser junto aos seres, só é desejo humano se a visada é não apenas desejo do outro,
mas desejo do outro desejo, isto é, solicitação, compreensão entre entes.
A relação interpessoal se dá antes, pela compreensão do eu e pela atuação desse eu no meio em que está inserido, ou seja, desse eu que é mediado constantemente pelo outro, "a finalidade da relação é o seu próprio ser, ou seja, o contato com o TU" (BUBER, 2001, p. 73).
Como pensar uma relação interpessoal em uma sociedade marcada pelo egoísmo e pelo desrespeito a individualidade do sujeito? Como pensar na escola (levando em consideração a realidade vista no espaço de estágio), a relação professor-aluno, quando o primeiro já não diz tanto para o segundo? Como se dá a relação EU-TU no espaço educativo?
Quando se fala de intersubjetividade, compreende ser o fato de que entre os sujeitos que se articulam o sentido da existência que estamos sempre declarando por nosso pensamento e por nossa ação. Por isso, se existe coisa da qual não podemos fazer abstração, em nossa declaração de sentido do Ser, é a existência do Outro, do qual o mínimo que se pode dizer é que é nosso interlocutor.
A relação se dá do encontro entre sujeitos. E "o encontro é algo atual, um evento que acontece atualmente. A relação engloba o encontro. Ela abre a possibilidade da latência; ela possibilita um encontro dialógico sempre novo"(VON ZUBEN, 2001, p. XLVIII).
Para Martin Buber, o homem possui a capacidade de inter-relacionamento com seu semelhante, ou seja, a intersubjetividade. Intersubjetividade é a relação entre sujeito e sujeito e/ou sujeito e objeto. O relacionamento, segundo o filósofo Martin Buber, acontece entre o Eu e o Tu, e denomina-se relacionamento Eu-Tu. A inter-relação segundo Martin Buber, envolve o diálogo, o encontro e a responsabilidade, entre dois sujeitos e/ou a relação que existe entre o sujeito e o objeto. Intersubjetividade, é umas das áreas que envolve a vida do homem, e por isso precisa ser refletida e analisada pela filosofia, em especial pela Antropologia Filosófica.
"O homem se torna um EU na relação com o TU. O face-a-face aparece e se desvanece, os eventos de relação se condensam e se dessimulam e é nesta alternância que a consciência do parceiro, que permanece o mesmo, que a consciência do EU se esclarece e aumenta cada vez mais. De fato, ainda ela aparece somente envolta na trama das relações, na relação com o TU, como consciência gradativa daquilo que tende para o TU sem ser ainda o TU. Mas, essa consciência do EU emerge com força crescente, até que, um dado momento, a ligação se desfaz e o próprio EU se encontra, por um instante diante de si, separado, como se fosse um TU, para tão logo retomar a posse de si e daí em diante, no seu estado de ser consciente entrar em relações"(BUBER, 2001, p.32).

3.1. O DIÁLOGO COMO ELEMENTO FUNDANTE DA RELAÇÃO
A relação em aspectos práticos se dá através do diálogo, e o diálogo é uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas. Pensando o diálogo, enquanto elemento fundante no processo ensino-aprendizagem, poderíamos pensá-lo sob o prisma de Vanderlei Carbonara, que diz que "uma das concepções da função pedagógica do diálogo é a da possibilidade da emancipação do sujeito por meio da palavra, ou seja, o sujeito deixar sua menoridade para atingir um novo estágio de autonomia pessoal e social, plenamente capaz de guiar consciência pela razão, sem depender de qualquer espécie de tutoria externa a si ".
Ainda segundo Vanderlei, Paulo Freire também trata do diálogo numa perspectiva emancipatória. Freire "trata do diálogo como transcendência da relação eu-tu para o mundo; ainda mais: o diálogo entre os homens se dá mediatizado pelo mundo ".
"Por isto, o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar idéias de um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de idéias a serem consumidas pelos permutantes ".
A sociedade atual está extremamente marcada pelo egoísmo, e falar de relação interpessoal, parece ser por vezes um sonho utópico. Vivemos em um mundo bastante competitivo, em que o espaço para o outro se fecha assustadoramente. Mas, por um lado vemos esta realidade, proposta pela sociedade, por outro, vemos um indivíduo, que entende que não dá para viver sozinho, e que precisa do outro.
A experiência original da existência humana é a experiência do encontro de um sujeito pessoal com o meio, que chamamos de mundo. O encontro é empregado para significar não só que cada uma das realidades presentes ou cada uma das duas realidades em relação ? sujeito e mundo ? concorre com alguma coisa para a experiência, mas antes de tudo para significar que cada uma delas é irredutível à outra. O encontro é a experiência de relações entre realidades que estão "já aí", independentemente de experiência do encontro, uma frente à outra.
Sobre a necessidade do diálogo na educação, diz Reboul apud Ferrigno (2003), "não mais a pergunta pedagógica cuja resposta é havida por antecipadamente existente, mas a permuta em que o mestre corre o risco de não ter razão. Certo, para esse diálogo, traz o mestre saber mais sólido, experiência mais rica, visão mais clara daquilo que estar em jogo. Mas o que traz nunca é mais que seu ponto de vista, um ponto de vista entre outros. E seu papel é, então, fazer valer esses outros, deixar a cada aluno, o direito à palavra; pois nessa palavra, seja ela brilhante ou balbuciante, pode aparecer pensamento inteiramente novo, ao pé do qual o do mestre aparecerá, de súbito, como desgastado pelos hábitos e pelos livros. Se não correrdes esse risco, haveis de correr, então, o risco de abafar o outro, de extinguir o que houver, no aluno, de pensamento informulado, mas verdadeiro, de gênio. Não temos o direito de ensinar senão quando corremos o risco de ser ensinado, de ser vencido pela verdade do outro".

4.2. A RELAÇÃO INTERPESSOAL NO ESPAÇO EDUCATIVO
Individualizando a realidade da intersubjetividade para o contexto escolar, como pensar uma intersubjetividade entre professor ? aluno, e aluno ? aluno, quando o professor atual parece fugir completamente dos padrões tradicionais, que obtinha o respeito dos alunos pelo medo. Como pensar na atuação do professor em sala de aula hoje, visto que ele é também papel indispensável? A relação entre professor e aluno depende, fundamentalmente, do clima estabelecido pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Indica também, que o professor, educador da era industrial com raras exceções, deve buscar educar para as mudanças, para a autonomia, para a liberdade possível numa abordagem global, trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. Segundo Piletti (1986)
"A relação entre professores e alunos deve ser uma relação dinâmica, como toda e qualquer relação entre humanos. Na sala de aula, os alunos não deixam de ser pessoas para transformar-se em coisas, em objetos, que o professor pode manipular, jogar de um lado para o outro. O aluno não é um depósito de conhecimentos memorizados que não entende, como um fichário ou uma gaveta. O aluno é capaz de pensar, refletir, discutir, ter opiniões, participar, decidir o que quer e o que não quer. O aluno é gente, é ser humano, assim como o professor."
Bezerra e Batista (2007) apontam para uma relação pautada pela ética, "o relacionamento interpessoal professor/professora e aluno/aluna devem ser constituídos pela ética, onde o respeito mútuo entre os envolvidos deve ser cultivado no relacionamento da vida cotidiana dentro e fora da escola. A solidariedade, a justiça e o diálogo também compartilham desse relacionamento, com sentimentos de igualdade e de liberdade para saber lutar pelos direitos à cidadania e ser solidário com os outros nos ideais relativos à sociedade".
E o que dizer da relação aluno-aluno? Numa cultura de competitividade é possível promover uma relação saudável entre os alunos, visto que muitas vezes os mesmos tem em vista tão somente o vestibular e/ou mercado de trabalho, e o outro, neste caso pode representar um perigo? Neste caso a presença do professor é de grande importância, pois é ele que tem que dialogar com esta realidade, e procurar meios que favoreçam uma relação saudável entre seus alunos. Neste sentido, o professor tem um papel de mediador. Para propiciar a interatividade aluno-aluno, o professor deve criar atividades que facilitem a aprendizagem colaborativa, ou seja, que proporcionem uma troca de conhecimentos entre os alunos para que, juntos, construam o conhecimento. Pensar no Eu-Tu no espaço educativo, é, sobretudo pensar na subjetividade de cada sujeito envolvido na construção desse espaço e na forma mais precisa de dialogar com tais subjetividades, a qual não pretendemos trazer aqui uma receita pronta, pois é a realidade particular de cada um quem vai dizer e conduzir tal diálogo, cabe ao professor, como mediador das relações descobrir o melhor modo, eis o grande desafio.
De acordo com SEVERINO (2000), "a educação, como prática social de intervenção só pode legitimar-se na medida em que estiver investindo na força construtiva da sociabilidade, na medida em que ela representar efetivamente uma contribuição à emancipação humana, na medida em que estiver contribuindo para a superação de todas as formas de degradação das relações do homem com a natureza, como pode ocorrer no universo do trabalho, de todas as formas de dominação social e de todas as formas de alienação cultural. Caso contrário, ela estaria reproduzindo e consolidando todas as desigualdades econômicas, políticas e culturais, que são os grandes responsáveis pela desumanização".
A todos, professores e alunos cabe a responsabilidade de descobrir-se enquanto sujeitos construtores da inter-relação, que se dá sobretudo, pelo diálogo. Mas que também leva em consideração o respeito às diferenças. Se entendêssemos isso, seria possível pensar em uma escola que de fato correspondesse com os anseios e necessidades da sociedade, que é profundamente marcada pelo egoísmo e pela competição. E essas relações construídas no espaço educativo tenderia a se estender sobre os demais âmbitos sociais (família, igreja, comunidade). E a escola cumpriria seu papel de fato, que seria dar para sociedade um profissional competente, formado humanamente em sua integridade.
O processo de aprendizagem está atrelado às relações interpessoais. Nesse âmbito encontra-se um infindável número de sujeitos, circunstâncias, espaços e tempos. As relações familiares, sociais, institucionais estão estreitamente relacionadas aos resultados finais de avanços ou estagnações em processos de aprendizagem. Reduzindo-se à sala de aula temos nas relações interpessoais entre professores e alunos e a construção de vínculos com a aprendizagem, um dos aspectos fundamentais a serem considerados. Na sala de aula as trocas interpessoais são incessantes e permeiam todo e qualquer procedimento de aprendizagem. Neste sentido a relação, como nos ensina Franklin, torna-se uma correlação, o que de forma alguma diminui a responsabilidade daquele que ensina e a exigência de competência prática como requisito absolutamente necessário para a antecipação das condições de recepção. O caráter bilateral da sensibilização consiste aproximadamente numa certa comunhão de interesses e na assunção de um único compromisso, que se afirma pela diferença daqueles que partilham a mesma situação.



REFERÊNCIA:
BEZERRA. Ana Cléa Bentes; BATISTA, Virgilina Fernandes da Silva. Repensando o relacionamento interpessoal professor e aluno no cotidiano escolar. Psicopedagogia on line: Educação e Saúde mental. Publicado em 18/04/2004. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=531, pesquisado em: 16/10/07
BUBER, Martin. Eu e Tu; tradução do alemão, introdução e notas por Newton Aquiles Von Zuben. 8 ed. São Paulo: Centauro, 2001.
PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. 3 ed. São Paulo: Ática, 1986.
SEVERINO, Antônio Joaquim. O diálogo como estratégia do reconhecimento: superando a dominação na relação pedagógica. Revista de Educação AEC: Senhor e Escravo: uma metáfora para a educação, ano 29, n. 114, jan/mar de 2000.
SILVA. Franklin Leopoldo e. Informação Em formação Professor e aluno: relação mútua e transitiva. Discutindo Filosofia (especial). Ano 1 Nº 3. Editora Escala Educacional
SILVA. Ione da Consolação Pinto. Conflite de gerações. Psicopedagogia on line: Educação e Saúde Mental. Publicado em 13/07/2002. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=26, pesquisado em 26/10/2004.
TELES, Maria Luiza Silveira. O que é Psicologia. 9 ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996.
TIBA, Içami. Ensinar aprendendo: como superar os desafios do relacionamento professor-aluno em tempos de globalização. São Paulo: Editora Gente, 1998.
VON ZUBEN. Newton Aquiles. Introdução, p. XLVIII. In: BUBER, Martin. Eu e tu. São Paulo: Centauro, 2001.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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