A relação família e escola: no contexto da escola Coração de Maria
 
A relação família e escola: no contexto da escola Coração de Maria
 


Thiellen Martins Ferreira

 

 

INTRODUÇÃO

 

         É recente na academia discussões sobre o alcance dos processos educativos. Durante muito tempo as instituições se conceberam isolados e com atribuições e competências definidas. Esse episódio é causador de inúmeras dificuldades dentre elas o afastamento entre família e escola. Por se tratar de uma questão de grande relevância surgem as seguintes dúvidas: como pode acontecer essa relação dentro da escola e como a escola pode intervir na família? 

 

Sendo assim o objetivo desse artigo é refletir a relação família x escola, analisando quais seus limites e possibilidades para que possam se unir e proporcionar ambientes favoráveis para desenvolver seus educandos; também almejamos mostrar que a educação só será melhor quando as duas assumirem um compromisso e trabalharem juntas, construindo novos caminhos para a aprendizagem significativa.

 

O motivo de abordarmos esse assunto está relacionado com a falta de bibliografias que discutem esse tema, identificação com o assunto, por acharmos necessária essa relação dentro do contexto escolar e acima de tudo por acreditarmos que precisa existir diálogo entre escola e família.

 

Defendemos nesse estudo a idéia da necessidade da escola ter consciência de que ela é o complemento da família e que precisa criar relações agradáveis para que a parceria aconteça de forma positiva. Também acreditamos que o diálogo e a participação efetiva dos pais são importantes nesse processo. Mas sabemos que as exigências do mundo do trabalho acabam intervindo e dificultando nessa relação.

 

Para melhor discutir esse assunto, o presente trabalho será organizado em três capítulos. No primeiro iremos fazer uma revisão bibliográfica para analisar as ideias de diferentes autores que defendem essa relação; no segundo momento faremos uma pesquisa de campo, com intervenção na escola Coração de Maria; no terceiro momento será organizada uma proposta de intervenção na escola, para que possamos conhecer melhor a realidade. e assim organizarmos nossas considerações finais.

 

 

 

 

 

Capitulo 1 – A relação família e escola

 

1.1-            HISTÓRICO DA FAMÍLIA

 

Durante cerca de dois séculos, família e escola viveram uma verdadeira relação de confiança. O que a escola pensava era o que os pais pensavam. O que a escola determinava ou afirmava, através de tarefas ou atribuições era confirmado pela família. Dessa forma o educando adquiria seus valores e seus saberes em uma relação segura e de extrema confiança.

 

Porém nos dias atuais essa confiança parece ter se perdido, pois agora os pais estão deixando as responsabilidades somente em cima dos professores e da escola, sem acompanhar o desenvolvimento de seus filhos e das práticas pedagógicas desenvolvidas na escola.

Sabemos que os tempos mudaram e que a cada dia as responsabilidades e as necessidades das famílias são outras, mas nada pode justificar a falta de acompanhamento dos filhos e da parceria com a escola. Navarro (1994) afirma que as famílias precisam cumprir com suas funções para que o desenvolvimento do indivíduo possa ser completo, ele ressalta que: ...temos na família a unidade fundamental de comunicação e de trocas de valores materiais e afetivos. É nela que se dá a socialização dos indivíduos, que vão se deslocando de uma posição inicial de dependência para uma posição de autonomia, partindo-se do centro para a periferia. (p :11)

 

 

1-2 – A IMPORTÂNCIA DA PARCERIA ENTRE A INSTITUIÇÃO E A FAMÍLIA

Percebemos que precisa existir uma parceria entre família e escola, para que possam trabalhar juntas para um desenvolvimento comum dos sujeitos em formação. Cunha conclui que::

 “ Escola e família não podem estar dissociadas uma da outra,, pois são ligadas pelos veios afetivos do educando. Portanto, os processos de aprendizagem não se bastam sem colaboração de ambas as partes. . não se explicam sem uma compreensão que abarque o sujeito e os seus núcleos de convivência, nos quais, ele conquista sua identidade.” ( CUNHA, 2008, p.96).

 

Nesse contexto de discussão Chalita afirma que: “A família tem de acompanhar de perto o que desenvolve nos bancos escolares” ( CHALITA, 2004, P.18). A família precisa estar presente na escola, e não separar as responsabilidades deve construir junto ambientes favoráveis não só para a aprendizagem significativa, mas também para afirmações de laços afetivos.

 

No Parágrafo único do Capítulo IV do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990), abrange que "é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais" Porém não é sempre que a escola considera esse princípio de que família, escola, alunos, diretores e coordenadores precisam estar juntos para um melhor desenvolvimento. Na maioria das vezes cada uma faz sua parte sozinha, como se fossem independentes e não como uma parceria.

Percebemos então que quanto mais significativa for a parceria entre escola e família, mais positivos serão os resultados na formação do educando. A contribuição dos pais na educação dos filhos deve ser constante,

 

1.3 – COMO TORNAR POSSÍVEL ESSA PARCERIA

 

 

 

 Cunha afirma que:

“À escola, já não cabe apenas o papel de transmissão teórica do currículo formal nem o de ser um produto da demanda de mercado, pois a escola, assim como a família, envolve a infância, a juventude e, em muitos casos, a fase adulta do individuo. Portanto, sua responsabilidade social amplia-se a termos que superam os preceitos acadêmicos e inserem-se nas dimensões afetivas do ser.” (CUNHA, 2008.p.98).

 

.

            Diante do exposto, percebemos que a escola deve envolver a família dos educandos, e montar um currículo de forma que os pais possam participar das atividades desenvolvidas pela escola. Não deixar que os familiares participem somente nas reuniões, para que escutem os problemas que permeiam os alunos, mas sim para ouvi-los e tentar engajá-los no processo de ensino – aprendizagem da escola, além de sempre deixá-los freqüentar as festividades da escola..

 

De acordo com Gandin:

Se alguém quer que as pessoas participem, deve antes de mais nada, levá-las a sério. Quando houver desejo real de planejamento participativo, um aspecto metodológico constitui-se ponto fundamental: recolher o que as pessoas sentem, desejam e pensam utilizando as próprias palavras e não a das pessoas que escrevem ou pronunciam. O importante é definir que para construir um processo participativo com distribuição de poder, não é suficiente pedir sugestões e aproveitar aquelas que pareçam simpáticas ou que coincidam com pensamentos e expectativas dos que coordenam.

( GANDIN, 1995, pág.6)

 

Ainda dentro desse campo de discussão, devemos também nos preocupar que para a relação ser duradoura, tem de se basear em respeito. Preconceito, portanto não pode existir

 

 

1.4 - COMO OS PROFESSORES PODEM AJUDAR NESSA PARCERIA

 

A parceria entre família e escola, requer também muita atenção dos professores, estes devem ter consciência de que as reuniões para falar sobre o andamento do educando, não podem servir como o início de uma parceria. A educadora juntamente com a escola deve construir espaços de reflexão e momentos artísticos para que possa existir mais aproximação entre essas duas instituições: escola e família.

 

Nesse sentido, é importante citar Tiba que diz: "O ambiente escolar deve ser de uma instituição que complemente o ambiente familiar do educando, os quais devem ser agradáveis e geradores de afetos. Os pais e a escola devem ter princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno”.(TIBA,1996,p.140)
           

  Cunha também defende essa idéia de que escola e família precisam estar unidas, para auxiliar no processo de formação dos sujeitos e afirma que: “ A escola pode possibilitar, no seu espaço, as vivências afetivas que o aprendente tem ou deseja ter em família. A família, por sua vez, pode representar uma extensão do espaço de aprendizagem que o aluno exerce na escola      .( CUNHA, 2008,pág.100) 

 

Dessa forma cabe ao professor e a escola construir uma relação afetiva com a família, e que essas instituições assumam um compromisso garantindo uma educação de qualidade. Sendo assim o trabalho vai deixar de ser limitado e passará a ter uma continuidade, pois escola e família trabalharão juntas.

 

 

1.5 -  QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

 

Para que possa existir qualidade na educação, o ponto mais importante é que o confronto entre essas duas instituições termine, pois o fundamental é unir-se para que os sujeitos em formação não sejam prejudicados. Diante do que estamos discutindo, Zagury apresenta a seguinte idéia:

“Trata-se mais do que tudo de evitar que tal confronto se transforme numa disputa em que os únicos vencidos serão nossas crianças. Por isso, é mister tratar de compreender que, se a escola não é ainda hoje aquela ideal, por outro lado, é ainda o único lugar em que nossos filhos encontram pessoas que dedicam suas vidas à formação das novas gerações.” ( ZAGURY, 2008, pág. 14)

 

           Entendemos que não precisam existir conflitos, pois tanto escola como família buscam os mesmos objetivos garantir que a criança se desenvolva em todos os aspectos e que consiga ter sucesso na aprendizagem. Portanto acreditamos que para uma educação de qualidade precisa existir confiança de ambas as partes e criar um relacionamento afetivo, para que uma possa contar com a outra para dar a devida continuidade ao trabalho. 

           

Outro ponto importante para que se tenha uma educação de qualidade, é o respeito. Se os filhos percebem os pais criticando ou desrespeitando a escola ou o educador, este se achará no direito de fazer o mesmo, pois para eles a família é uma referência. Se essas situações continuarem acontecendo irá distanciar cada vez mais a família da escola. Por isso, a melhor forma de entendimento é através do diálogo, pois este aproxima as pessoas e faz com que a partir da conversa se chegue a um denominador comum.

 

1.6 – PARCEIROS NA APRENDIZAGEM

 

Quando estiver estabelecida a parceria entre família e escola, este será um passo essencial para que o educando ganhe confiança, e se sinta valorizado. Pois dessa forma ele ganhará não só estímulos na escola, mas também no ambiente familiar. Afinal a família acompanhará de perto o que está ocorrendo nos bancos escolares.

 

O quão é importante que a escola se torne uma organização aprendente, que ela possa repensar e reconstruir suas práticas, a fim de incluir a família nas decisões e atividades escolares. Mas para que a instituição se torne aprendente é preciso que conheça a realidade onde está inserida e busque respeitar “a forma de estar sendo de seus alunos e alunas, seus padrões culturais e de classe, seus valores, sua sabedoria, sua linguagem.” ( FREIRE, 1995, pág. 42)

No momento que a escola abre as portas para a participação das famílias, está ajudando os alunos a terem sucesso na vida escolar e colaborando para a diminuição da evasão. De certa forma, quando essa parceria se concretizar, colheremos somente bons frutos, por que os pais se sentirão mais envolvidos no processo educativo e começarão a buscar junto com a escola soluções reais para os problemas detectados.

 A partir daí as barreiras serão rompidas e o verdadeiro diálogo irá se fazer presente. Afinal se trabalharem juntas a escola deixará de ser somente um depósito de crianças e passará a ser vista como um ambiente totalmente educativo e de relações afetivas.

 

Com isso, a preparação para a vida, a formação da pessoa, a construção do ser são responsabilidades da família e da escola, pois estes são parceiros na aprendizagem. 

 

 

CAPITULO II - PESQUISA DE CAMPO: FATORES QUE FALTAM PARA GARANTIR A PARCERIA ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

 

Nesta análise estaremos apresentando os resultados da pesquisa de campo, realizada na cidade de Rio Grande no contexto da escola Coração de Maria.  A escola atende um público bem diversificado, tanto alunos de classe média como crianças carentes. A instituição trabalha em dois turnos, pela manhã é o semi – internato que atende meninas desde o primeiro ano até a quarta série e, meninos apenas do primeiro ano. Nesse contexto escolar são atendidas 225 crianças. 

Para garantir o melhor funcionamento da instituição, o projeto político e pedagógico é baseado no Projeto Educativo ICM – Congregação das irmãs Imaculado Coração de Maria.

 O objetivo da aplicação dos questionários foi a fim de compreender sobre o que pais e professores pensam sobre a parceria entre família e escola. Para o recolhimento desses dados foram usados dois tipos e questionários: o primeiro para os professores e o segundo para as mães ambos com seis questões dissertativas. Estes questionários abordam todos os fatores que afetam os problemas da parceria entre essas duas instituições, e foram aplicados na escola Para a proteção física e moral, os nomes dos entrevistados não serão listados

 

2.1 Questionário aplicado aos professores:

 

.1) Costumas participar das atividades propostas aos pais pela escola? Quais?

 2) Achas importante que os pais participem das decisões escolares?

 3) Sabemos que atualmente família e escola estão muito distantes. Que sugestões darias para solucionar esses problemas?

 4) A escola em que trabalhas, tem oportunizado a participação dos pais nas decisões escolares? De que forma?

5) Acreditas que se a família ficar mais próxima da escola, essa parceria poderá trazer benefícios aos educandos?

6) A escola é fundamental na vida dos educandos, assim como a família. Como estes podem se unir?

Analisando as entrevistas, percebemos que a participação dos pais na escola é muito restrita, os momentos proporcionados segundo as educadoras são as reuniões a cada final de bimestre e o dia da família na escola, que é um dia destinado a brincadeiras entre pais, filhos e a equipe da escola. Segundo a educadora, esse é um momento muito significativo do ano letivo, pois ela percebe que acontece uma interação muito grande, o que não acontece nas reuniões, pois os pais não têm pressa de ir embora, eles aproveitam tudo que é feito neste dia.

Sendo assim, notamos que para as educadoras é importante os pais estarem presentes na escola e participarem da educação de seus filhos. È importante também que os pais conheçam a rotina da escola se integrem sobre qual a proposta que permeia a instituição e o mais importante segundo as educadoras que a família possa opinar diante as discussões. Portanto elas também alegam, que o propósito dessa participação, não é que a família se intrometa no trabalho da escola, mas sim que participem de tudo que acontece dentro da mesma, pois esse é o espaço de formação de seus filhos.

Já que as educadoras acreditam tanto nessa proposta de que família precisa estar junto da escola perguntamos quais seriam as sugestões para melhorar essa relação, A primeira educadora entrevistada alega que para chamar a família para a escola podemos pensar em projetos do tipo escola para pais, onde se permita discussões sobre os problemas que envolvem a educação. A segunda também acredita na proposta de projetos, mas alega que para melhorar essa relação não cabe só a escola proporcionar os momentos, é preciso que a família participe, pois se não tem necessidade de realizar esses espaços. E a última educadora afirma que essa relação só existirá quando ambos tomarem consciência da importância da aproximação, para isso acredito que a escola deve propor um trabalho continuado para que a família participe das atividades realizadas com seus filhos. Dessa forma, acreditamos que todas as propostas apresentadas são importantes, e que se existissem com certeza acabariam com as barreiras que existem entre essas duas instituições. Pois segundo as educadoras, a escola proporciona apenas algumas situações presenciais da família, mas a instituição ainda é muito resistente a essa participação da família na escola.

Acreditamos que existem muitas maneiras dessa aproximação ocorrer, basta apenas existir um planejamento e uma organização para isso, afinal para os pais estarem presentes na escola, não é preciso que eles façam o mesmo horário das crianças dentro da escola, eles podem acompanhar o processo de aprendizagem.  Mas se a escola quiser os pais próximos, o melhor é proporcionar ambientes de conversa sobre os problemas que envolvem as crianças e juntos buscar soluções para os educandos na busca de benefícios não só na aprendizagem como também para a vida do aluno.

Para finalizar a entrevista com os educadores fomos coletar dados pertinentes de como a união poderia acontecer, como essas duas instituições tão importantes na formação do indivíduo poderiam unir-se. Uma das primeiras propostas apresentadas, foi buscar transpor as barreiras que impedem essa convivência. Muitas vezes os professores não se dispõem a fazer uma reunião atrativa para os pais, eles apenas entregam as notas e fazem queixas. Qual pai ou mãe não se cansa disso? As reuniões deveriam ser dinâmicas e interativas onde além da entrega das avaliações houvesse um momento de descontração e interação com os pais. Essa educador já proporcionou isso aos pais de seus alunos, ela faz nas reuniões um café e um momento de reflexão, onde não é só o problema dos alunos que é ouvido, os familiares também recebem atenção, isso é muito importante, pois é a partir dessa interação que muitas vezes conseguimos entender o problema que aquele educando está passando. Acreditamos que a boa educação está nessa troca e na parceria.

 Outra sugestão apresentada é uma formação continuada, para que os professores recebam orientação de como se aproximar dos familiares, quais recursos eles podem utilizar para que isso aconteça, por que os educadores também sentem falta da família presente.  Para outra educadora a parceria só vai dar certa quando a família perceber a necessidade de se aproximar da escola, afinal ela precisa apoiar essa instituição.

 

2.2 Questionário aplicado aos pais:

 

.1) Costumas participar das atividades propostas aos pais pela escola? Quais?

 2) Achas importante que os pais participem das decisões escolares?

 3) Sabemos que atualmente família e escola estão muito distantes. Que sugestões darias para solucionar esses problemas?

 4) A escola em que teu filho estuda, tem oportunizado a participação dos pais nas decisões escolares? De que forma?

5) Acreditas que se a família ficar mais próxima da escola, essa parceria poderá trazer benefícios aos educandos?

6) A escola é fundamental na vida dos educandos, assim como a família. Como estes  podem se unir?

 

Depois de conversar com os educadores e sentir que eles acreditam muito na parceria entre família e escola, fomos ouvir o que os pais achavam a respeito dessa temática e investigar como eles acreditam que a parceria pode acontecer e o que falta para acontecer.

Devido a correria da vida diária, os pais estão afastados da vida escolar dos filhos, pois quando a escola proporciona um encontro, não tem como serem liberados do trabalho.  Mas de acordo com os familiares entrevistados sempre que possível freqüentam as atividades da escola como: reuniões pedagógicas, feira de ciências e o dia da família na escola.

Portanto eles acreditam que é importante a família participar das decisões escolares, pois esse é um momento de conversa onde os mesmos podem avaliar os filhos e o andamento da escola. Porém todos salientaram que é importante a participação, mas sem interferência nas normas da escola.

Os pais relataram que somente reuniões para falar sobre o andamento dos filhos, não é oportunizar uma participação na escola, pois muitas vezes aqueles que já sabem que os filhos passaram e alcançaram boas notas nem vão até a mesma. E o que era para ser um espaço de interação acaba se tornando um momento individual, onde só aqueles que os filhos tem problemas e que precisam aguardar para falar com a professora, isso é constrangedor, afirma uma mãe.

Diante disso eles acreditam que se a parceria der certo, muitos benefícios irá trazer para a educação, para isso os pais precisam estar mais próximos da escola e dos professores, para dar continuidade àquilo que é realizado em casa, a família estando presente na escola faz o professor se sentir mais valorizado.

Quando foi perguntado sobre como a união podia acontecer, os pais responderam que para haver uma aproximação, precisa acontecer uma socialização, tanto a família participar ativamente na vida da escola, como a escola participar da família, pois nesse ambiente de troca eles acreditam que o trabalho será mais significativo para os educandos. Afinal o trabalho será contínuo havendo um segmento e não interrompido como vem sendo nos dias atuais. 

A partir desse contexto de entrevistas, podemos analisar que não somos somente nós que sentimos falta desta aproximação, todos que entrevistamos percebem que a união dessas instituições é fundamental para a formação dos indivíduos envolvidos no processo de aprendizagem. Isso não envolve apenas os educandos, mas sim educadoras escola e família.

Depois desses encontros, propomos que a escola verifique sua proposta pedagógica e possa fazer um novo planejamento de forma a aproximar as famílias da escola. E as famílias possam se conscientizar de que sua participação no processo escolar de seus filhos é muito importante, que elas não precisa estar na escola para participar, basta ter um diálogo com seus filhos e auxiliá-lo quando nas tarefas escolares.

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO III - CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

 

A partir do desenvolvimento do trabalho realizado, nosso objetivo era o estudo de como tornar a parceria entre escola e família possível. Para isso foram estudados diferentes autores que também acreditam na aproximação dessas duas instituições. 

            Notamos que a participação da família na educação de seus filhos, ou seja, na realização das tarefas escolares enviadas para casa é de suma importância, pois os pais ao colaborarem nas tarefas estão tomando conhecimento de como vão indo seus filhos, qual o trabalho que a professora está desenvolvendo e acima de tudo estão fazendo sua parte de auxílio a educação ficando a escola beneficiada com a sua integração.

Nesse ponto cabe concordar com o autor Cunha, quando ele diz que escola e família não podem trabalhar sozinhas. O trabalho em conjunto e o bom relacionamento entre escola, aluno e pais auxilia na aprendizagem do educando.

            Outro ponto importante para uma proposta de inclusão entre família e escola é que os pais sejam chamados para dar sugestões no planejamento escolar e não somente para receber reclamações, pois se o planejamento ocorrer em conjunto haverá um comprometimento maior de ambas as partes.

            Quando Tiba afirma que o ambiente escolar deve complementar a família, com certeza é o que precisa acontecer, pois se o trabalho de ambas for fragmentado de nada adiantará para uma educação de qualidade. Pois dessa forma cada uma buscará alcançar um objetivo o que não é favorável ao educando. Se escola e família são ambientes de formação ao individuo, essas devem trabalhar de forma igualitária, buscando sempre atender as necessidades do aluno.

            Diante dessa discussão, cabe salientar que a família é fundamental na educação de seus filhos, e que a escola está presente para garantir aprendizagem e auxiliar no processo de formação de caráter do individuo, sendo assim, a escola não está para substituir o papel da família de educar e impor os limites. Por isso acreditamos que o diálogo é fundamental nesta relação, e que ele deve existir a todo o momento e não só nas reuniões que acontecem para falar apenas de notas.

Afinal, se queremos uma educação de qualidade é preciso que a família esteja presente na vida escolar, ou seja, ela precisa estar interada com a escola. Dessa forma escola e família têm uma grande responsabilidade formar os grupos sociais que irão compor nossa sociedade

            O processo da educação deve fazer a interação da escola com seus alunos, pais e professores para que estes saiam para as ruas trazendo para dentro da escola a comunidade de maneira que a interação seja total e não de forma parcial onde partes sejam esquecidas. .

            Quando fizemos as entrevistas percebemos que todo sentiam a importância de unir essas  duas instituições, a fim de desenvolver um trabalho mais amplo e significativo buscando atingir os mesmos objetivos.

            Durante a entrevista com as educadoras, analisamos que elas têm vontade de trazer a família para dentro da escola, mas ao mesmo tem existe uma angústia, pois não sabem de que forma a escola irá reagir. A instituição ainda é muito fechada diante das decisões tomadas, ou seja, a família não participa de nenhuma decisão que envolve a escola.

            Quando falamos com os pais, os dois que falamos se mostraram bem participativos no processo de aprendizagem de seus filhos, e disseram que acompanham o desenvolvimento da escola pelo caderno dos filhos e pelas reuniões. Portanto se os pais querem se aproximar, por que ainda existem tantas barreiras?

Acreditamos que essas barreiras existem, devido às duas instituições não se sentirem a vontade para se aproximarem. A escola por não proporcionar e não ter um planejamento para receber as famílias. E a família não se aproximar, pois não tem tempo de estar na escola.

 

Analisando todas essa discussões, pensamos que isso poderá ser modificado se houver uma maior proposta da escola para as famílias, a fim de acolher as mesmas não só nas reuniões para entregas de notas e sim para um momento de discussão e de reflexão. Diante disso apresentamos nossa proposta de intervenção.

O que almejamos com essa proposta é que ela não seja fragmentada, que ela tenha continuidade e que seja coerente para promover a participação de todos. Dessa forma buscamos algo atrativo, algo que mobilizasse a escola toda; equipe diretiva, pais, professores e educandos.

Nossa proposta parte no intuito de aproximação, sendo assim propomos reuniões gerais a cada bimestre, com toda escola, para que todos fiquem bem a vontade para discutir sobre diferentes temáticas. Essas temáticas devem ser escolhidas a cada reunião, para que seja um tema proposto por todos.

Durante essas reuniões podem ser desenvolvidas atividades de lazer, que favoreçam a união e a descontração. Outro momento que é necessário existir é de reflexão para que os pais também recebam atenção e voz para seus problemas.

Sabemos que é muito ruim, ir à escola e só receber queixa de um aluno, nenhum pai desse jeito vai querer freqüentar essas reuniões, pois já existe um rótulo quando se fala em reuniões na escola, com certeza aconteceu alguma coisa com meu filho. Por isso que não basta mandar um bilhete dizendo que vai acontecer esse encontro aos bimestres, é preciso uma reunião geral, de conversa para convidar todos a participar, lembrando sempre da importância de estarem juntos na formação dos indivíduos.

Portanto para se construir uma relação entre família e escola é preciso planejar, estabelecer compromissos e acordos para que o aluno tenha garantido uma educação de qualidade tanto em casa como na escola

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OBRAS CONSULTADAS

 

 

CHALITA, Gabriel. Educação: a solução está no afeto. São Paulo: Gente, 2001,1ª Ed.2004 edição revista atualizada

 

CUNHA,Eugênio.Afeto e aprendizagem: amorosidade e saber na prática pedagógica. Rio de Janeiro: Wak.2008.

 

BRASIL, Estatuto da criança e do adolescente – ECA. Brasília, Distrito Federal: Senado, 1990.

 

FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1995.

 

GANDIN,Silva Margarete Leal,Concurso do Magistério.Santa Cruz do Sul: Instituto Padre Reus, 1999.

 

NAVARRO, Carlos Motta. Revista pedagógica dois pontos.Minas Gerais, n.19, p. 10-11, primavera, 1994.


TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996

 

ZAGURY, Tânia. Escola sem conflito: parceria com os pais. Rio de Janeiro: Record, 2008.

 

 
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Sobre este autor(a)
Sou educadora da Escola de Enssino Fundamental Coração de Maria localizada na cidade de Rio Grande, RS.
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