A RELAÇÃO ENTRE ATIVIDADES FÍSICAS/RECREATIVAS E A QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS INSTITUCIONALIZA...
 
A RELAÇÃO ENTRE ATIVIDADES FÍSICAS/RECREATIVAS E A QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS.
 


A RELAÇÃO ENTRE ATIVIDADES FÍSICAS/RECREATIVAS E A QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS.

 

THE RELATIONSHIP BETWEEN PHYSICAL ACTIVITIES AND RECREATION ACTIVITIES FOR QUALITY OF LIFE IN ELDERLY INSTITUTIONALIZED

 

CAMILLA PRATES GONÇALVES ¹1

KARLA GABRIELE DE OLIVEIRA SILVA ¹

MICHELE FERNANDA ALVES ¹

OLAVO TOZATTI CAVALCANTE ¹

TATIANI CASSULA DA SILVA ¹

YASMIM MORALES DA SILVA ¹

ANA PAULA BARBOSA ²

RESUMO

 

O presente artigo tem como finalidade o compartilhamento dos resultados de uma pesquisa bibliográfica e de campo realizada com idosos institucionalizados do “Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo” localizado na cidade de Franca, interior de São Paulo. Por meio de observações, entrevistas e aplicação de questionários, chegamos à conclusão de atividades, mesmo que recreativas, proporcionam bem-estar físico, psicológico e social aos idosos. A revisão da bibliografia, sobre o assunto, nos permitiu ter uma visão mais ampliada e dinâmica sobre a relação da saúde com atividades físicas na idade avançada. Tal pesquisa trouxe, ainda, importante contribuição para crescimento profissional e pessoal dos envolvidos. Essas investigações proporcionaram desta maneira, uma reflexão do papel da Psicologia com outras áreas da saúde, mais especificamente a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional.

 

Palavras-chave: atividade física; atividades recreativas; psicologia; velhice.

 

ABSTRACT

 

This article aims to share the results of a literature search and field performed with the institutionalized elderly "Home for the Elderly Euripides Barsanulfo" located in the city of Franca, São Paulo. Through observations, interviews and questionnaires, we conclude activities, even though recreational, provide physical well-being, psychological and social assistance to the elderly. A review of the literature on the subject, has enabled us to have a broader view on the dynamic relationship between health and physical activity in old age. Such research has brought also an important contribution to professional and personal growth of those involved. These investigations have provided in this way, a reflection of the role of psychology in other areas of health, specifically the Physiotherapy and Occupational Therapy.

 

Keywords: physical activity; recreational activity; psychology; old age

 

 

INTRODUÇÃO

 

Tendo em vista o progressivo aumento da expectativa de vida, pode-se perceber que o fenômeno da vivência da terceira idade é algo relativamente recente na história da humanidade. Afinal, os eventos ocorridos no século XX, tal como os avanços da medicina, permitiram que o ser humano alcançasse a idade avançada. Assim, “o tempo mais longo de vida é resultado do crescimento econômico, melhor nutrição, estilos de vida saudáveis, controle de doenças infecciosas, água pura, saneamento básico e dos avanços na ciência, tecnologia e medicina.” (KINSELLA & VELKOFF, 2000 apud PAPALIA, D.E et al, 2009, p.627).

Diante disso, a observação a cerca das capacidades físicas, psicológicas e sociais dos idosos – oriundas ou mantidas por meio de atividades – revelou-nos de forma mais clara como nem sempre a velhice está associada ao sofrimento, a inutilidade e a solidão. Assim, infere-se que os problemas não surgem, necessariamente, das mudanças corporais oriundas da idade, mas sim de como estas transformações são encaradas e o que fazemos delas e para com elas.

Em resumo, aliamos teoria e prática como forma de relacionar a importância de manter atividades como forma de promoção e/ou manutenção do bem-estar geral em idosos institucionalizados. Afinal, “a inatividade contribui para as doenças cardíacas, diabetes, câncer do colo do útero e pressão alta. Ela pode levar à obesidade, que afeta o sistema circulatório, os rins e o metabolismo do açúcar e contribui para os transtornos degenerativos e tende a encurtar a vida.” (AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY & CDC, 2002 apud PAPALIA, D.E, 2009, p.647).

 

 

REFERENCIAL TEÓRICO

 

 

É sabido que a prática da atividade física, que pode ser entendida “como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso.” (CASPERSEN, 1985, apud ASSUMPÇÃO, L.O.T. et al., 2002, p.3), pode promover importantes contribuições para a vida dos idosos, afinal por meio dela é possível sair da zona de conforto e tornar-se ativo e participante. Ou seja, por meio de atividades é possível promover o bem-estar, afinal sua realização promove a liberação de endorfina e serotonina (neurotransmissores relacionados ao prazer e ao bem-estar). (SMITH & SMITH, 1990; THIRLAWAY & BENTON, 1992 apud RIBEIRO, S.N.P, 1998).

Observa-se, então, que no âmbito físico a atividade física:

 

“pode proteger contra hipertensão, endurecimento das artérias, doenças cardíacas, osteoporose e diabetes. Pode ajudar a manter a velocidade, a força e a resistência, e as funções básicas como circulação e respiração. Reduz a chance de ferimentos ao fortalecer os músculos e articulações e deixá-los mais flexíveis, ajudando a prevenir ou aliviar dores lombares e sintomas de artrite.” (AGENCY FOR HEALTH CARE RESEARCH AND QUALITY AND CDC, 2002; MAZZEO et al., 1998; DWASONHUGHES & ROUBENOFF, 1996 apud PAPALIA, D.E et al., 2009, p.647).

 

Quanto ao estado psicológico saudável, ele também pode ser promovido por meio da atividade física que “atua na melhoria da autoestima, do autoconceito, da imagem corporal, das funções cognitivas e de socialização, na diminuição do estresse e da ansiedade e na diminuição de ingestão de medicamentos” (MATSUDO & MATSUDO, 2000 apud ASSUMPÇÃO, L.O.T. et al., 2002). Como se vê, então, a atividade física também promove a socialização – que deve ser entendida como um aspecto da qualidade de vida. Isso pois, durante os exercícios a saúde de ordem social é trabalhada “diminuindo os preconceitos e complexos, despertando a alegria e a espontaneidade, promovendo a reintegração na sociedade, estimulando a desinibição e estabelecendo novas amizades.” (RAUCHBACH, 1990 & MEIRELLES, 2000 apud SCHWARTZ, 2004, p. 87-107 apud METZNER & CAMOLESI, 2012 p.4).

Em suma, sob o nosso ponto de vista pudemos perceber que através de toda a referência bibliográfica por nós analisada, a atividade, seja ela de modalidade física ou recreativa, é sempre associada a uma boa qualidade de vida, isso também quando se fala da terceira idade. Ainda, ao pesquisarmos de forma prática como se dá o bem-estar na idade adulta avançada percebemos que qualidade de vida não única exclusivamente a ausência de quadros patológicos – seja físicos ou mentais. Pelo contrário, na atualidade o termo saúde passou a ser associado mais a ideia de se ter condições psicológicas para enfrentar os problemas do cotidiano, do que unicamente a ausência destes. Ou seja, vimos de forma bastante clara que é necessário um expansão do conceito de saúde para outras áreas que não somente aquelas tradicionais, tal como a medicina e farmacologia. Isso tudo, claro, levando-se em consideração uma visão holística do ser humano evitando-se a negligência de todos os aspectos formadores do ser humano.

 

METODOLOGIA

 

Para a realização de nossa pesquisa fizemos uso do método dedutivo que se caracteriza por ser “um tipo de raciocínio lógico que parte de uma premissa geral sobre uma classe para uma conclusão sobre um membro específico, ou membros desta classe.” (LAKATOS & MARCONI, 1992 p.57). Por ser uma pesquisa bibliográfica e também de campo, a desenvolvemos na instituição “Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo” localizada na cidade de Franca, interior de São Paulo. Durante nossa coleta de dados, observamos, entrevistamos e aplicamos um questionário em quinze idosos institucionalizados, além de termos aplicado outro questionário com seis profissionais da instituição.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

 

Através da coleta de dados, pudemos chegar a conclusão de que as atividades físicas ou recreativas são importantes ferramentas para a promoção e/ou manutenção da qualidade de vida entro idosos, no contexto institucional. Isso foi verificado tanto por meio dos relatos dos próprios indivíduos quanto pelos profissionais envolvidos direta e indiretamente com a promoção da saúde daqueles.

 

Por meio do gráfico acima, resultado da pergunta: “Você acredita que atividades recreativas, quando realizadas frequentemente, podem promover saúde (bem-estar) em idosos?” Nota-se que os profissionais dentro daquele contexto institucional demonstram relevância para a questão da realização das atividades, seja físicas ou recreativas.

Uma outra pergunta direcionada aos idosos investigava: “Você considera importante a prática de atividades físicas e/ou recreativas para a sua saúde (bem-estar)? Por quê? “ Observe abaixo o gráfico que mostra as respostas dos entrevistados:

 

Infere-se, então, que os próprios idosos têm consciência do impacto positivo que o “manter-se ativo” tem na constituição do próprio bem-estar geral. Tal condição é reflexo de ações proporcionadas pela instituição com vistas não somente à aplicação de atividades, mas também à compreensão do significado que elas têm no contexto da vida com saúde.

Em suma, por meio de entrevistas, observações e do questionário pudemos chegar a resultados que confirmaram de maneira positiva nossa hipótese de que as atividades proporcionam/manter o bem-estar. Em outras palavras, confirmamos que não apenas atividades que requerem grande esforço físico, mas as de ordem recreativa também auxilia na saúde de qualidade dos idosos. Isso, pois, qualquer atividade desenvolvida em grupo proporciona o encontro com os pares e permite a troca de experiências. Alguns idosos ainda relataram que ao conversarem podiam aliviar tensões emocionais oriundas de problemas pessoais ou interpessoais. Indiscutivelmente, então, confirmamos que no contexto institucional do “Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo” as atividades proporcionadas a eles permitiam estados de saúde positivos, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional dos envolvidos.

 

 

CONCLUSÃO

 

Através da pesquisa realizada e exposta no presente artigo, nós (estudantes) pudemos expandir de maneira bastante positiva nosso conhecimento a cerca da velhice, principalmente no que se diz respeito a condições de promover bem-estar a essa faixa etária. Isso pois, por meio de nossa pesquisa bibliográfica pudemos expandir nossa bagagem teórica o que nos permitiu mais segurança ao lidar de forma prática com estes indivíduos. Desta forma, podemos afirmar que nosso crescimento do ponto de vista pessoal foi incomensurável, assim como relação à construção da carreira profissional de cada uma de nós.

Assim podemos concordar plenamente com a afirmativa de que: “Aprofundar o conhecimento das peculiaridades na terceira idade, promover intervenções terapêuticas e prevenir sofrimento psíquico é um dever do profissional da psicologia que já está ou quer se inserir atualmente no mercado de trabalho”. (Argimon, I.I.L, et al, 2008).

Por fim, colocamos o nosso imenso agradecimento a cerca da possibilidade de tal expansão de nossos conhecimentos, o que indiscutivelmente contribuiu e contribuirá para nossa atuação enquanto profissional em Psicologia, no futuro. Agradecemos ainda, a todos os profissionais envolvidos direta ou indiretamente com esta pesquisa, além da receptividade da instituição “Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo” que nos acolheu e apoiou durante nossas investigações. Isso tudo pois, sem a dedicação de todos envolvidos, não teria sido possível a concretização da pesquisa e deste artigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

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1

*1- ALUNOS do 4º Semestre O do Curso de Psicologia da Universidade de Franca.

*2- PROFESSORA Orientadora do Projeto de Pesquisa dos alunos do 4º Semestre “O”. Docente na Universidade de Franca. Especialista em Didática. Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos. Doutora em Serviço Social pela Unesp de Franca.

 
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