A RELAÇÃO DO ENFERMEIRO COM PACIENTES HOSPITALIZADOS: UMA SITUAÇÃO INDUTORA DE STRESS LABORAL
 
A RELAÇÃO DO ENFERMEIRO COM PACIENTES HOSPITALIZADOS: UMA SITUAÇÃO INDUTORA DE STRESS LABORAL
 


Rosângela de Aguiar Rodrigues

RESUMO
Estudos indicam que existe uma série de fatores que podem causar o stress laboral no profissional de enfermagem: pressão no trabalho, turno, sobrecarga, exposição a riscos e principalmente o relacionamento paciente-enfermeiro. Esta relação é o objetivo precípuo desse artigo. De acordo com, pesquisas, análises e interpretações de 15 artigos, 4 teses e 6 dissertações, impressas e eletrônicas, produzidas entre 1977 e 2007, esse tipo de stress aparece geralmente quando as exigências em torno do profissional superam a capacidade do mesmo diante daquilo que lhe fará frente ou que o tem sob seu controle, e que, ações como melhorar a preparação do enfermeiro no que tange a comunicação terapêutica, precisam ser tomadas para que além da humanização da assistência ao doente o enfermeiro também sinta-se amparado emocionalmente. Nesse estudo, apresentam-se informações sobre o stress na vida profissional do enfermeiro que trabalha com pacientes hospitalizados e as causas que o induzem ao stress laboral. Para o mesmo foi realizada revisão literária, acerca da temática "a relação do enfermeiro com pacientes hospitalizados, uma situação indutora de stress laboral". Após estudos, conclui-se que o enfermeiro preparado psicologicamente para o ambiente que vai encontrar em seu trabalho, terá uma relação com o paciente hospitalizado mais tranqüila emocionalmente. Também se observou que, quando o enfermeiro é preparado para tomar precauções e decisões mais acertadas, ajudará no processo de reabilitação do paciente, facilitando o trabalho do enfermeiro e permitindo que o mesmo não se desgaste tanto, evitando assim o stress laboral.

Palavras-chave: Relação Enfermeiro-Paciente, Stress, Stress no Trabalho.

ABSTRACT
Studies indicate that there are a number of factors that can cause stress in the workplace professional nursing: pressure at work, turn overload, exposure to risk and especially the nurse-patient relationship. This relationship is the goal main this article. According to, research, analyses and interpretations of 15 articles, 4 theses and 6 dissertations, printed and electronic, produced between 1977 and 2007, this type of stress usually appears when the demands on the professional exceed the capacity of the same ahead of what it will forward or that is under its control, and that actions to improve the preparation of nurses as it pertains to communication therapy, need to be taken beyond the humanization of care to the patient the nurse also please feel emotionally supported. In this study, are about the stress in the life of the professional nurse who works with hospitalized patients and the causes that lead to stress work. For the same literary review was conducted, on the theme "the ratio of nurses to patients hospitalized, a situation of stress inducing labor." After studies, concluded that the nurse prepared psychologically for the environment that you will find in their work, have a relationship with the patient hospitalized more emotionally calm. It also noted that when the nurse is ready to take precautions and more accurate decisions, help in the process of rehabilitation of the patient, facilitating the work of nurses and allowing the same does not wear both, thus avoiding the stress work.

Key Words: Relationship between Nurse/Patient, Stress, Stress at Work.

INTRODUÇÃO
A interação enfermeiro-paciente traz inúmeros benefícios para ambos, e humaniza a relação paciente-hospital, permitindo que o profissional haja coerentemente, pois, conhecerá mais profundamente àquele a quem deve dispensar cuidados além de trabalhar mais desembaraçadamente.
Gonzáles (1999) afirma que trabalhar com pessoas, dentro de uma concepção biopsicossocial e espiritual, requer do enfermeiro o seu próprio desenvolvimento, o que favorece uma compreensão de si mesmo e, conseqüentemente, contribui para estabelecer um relacionamento mais solidário com o paciente. É evidente que seja impossível enxergar o outro como pessoa, se o enfermeiro não se perceber como tal, o que é favorecido pelo contato pessoa a pessoa, pela vivência, que é um jeito de perceber, trocar, compartilhar e aprender com as experiências.
No entanto, é preciso lembrar que o enfermeiro pode sofrer alterações em seu humor e em sua vida cotidiana devido ao envolvimento que acaba tendo com o paciente. Ser atencioso em seu relacionamento, agrega fatores como afabilidade, por exemplo, o que o torna cada vez mais achegado ao paciente. Caso esse paciente não se recupere e chegue a óbito, o enfermeiro sente-se, em muitos casos, impotente Gonzáles (1999).
Essa impotência diante do sofrimento ou da morte do paciente acarreta uma série de fatores emocionais que o levam ao stress.

RELAÇÃO ENFERMEIRO-PACIENTE E STRESS LABORAL

COMUNICAÇÃO TERAPÊUTICA
Bertone, Ribeiro e Guimarães (2007) afirmam que a comunicação se dá no processo do relacionamento entre as pessoas permitindo-se um conhecimento maior no que tange aos sentimentos, emoções e opiniões sobre o outro, fazendo com que se perceba que a interação é a base desse processo. Lucena e Góes (1999, in Bertone, Ribeiro e Guimarães, 2007) afirmam que a comunicação na área da saúde é uma estratégia de uso constante no cotidiano do enfermeiro.
O papel do enfermeiro junto ao paciente é de origem cuidadora, ou seja, nasceu da necessidade de se ter pessoas que cuidassem de doentes com carinho e atenção. Abrão (2008, in De Lorenzo, 2008) afirma que o enfermeiro não é ajudante do médico, mas, um complementa o outro, o médico se preocupa em diagnosticar e tratar a doença enquanto que, o enfermeiro cuida do paciente, do seu conforto e de sua reabilitação.
A profissão de enfermeira surgiu com o voluntariado de mulheres nas guerras, assim como Anna Nery, a primeira enfermeira voluntária do Brasil. É fato que, até início do século XX, a enfermagem era exercida por freiras, que desde o período colonial atendiam aos doentes nas Casas de Misericórdia. O que explica a característica feminina da profissão, mesmo existindo hoje cerca de 8% de enfermeiros homens no Brasil, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (2008, in De Lorenzo, 2008).
Abrão (2008, in De Lorenzo, 2008) afirma que ser enfermeiro é saber cuidar. Por isso, para ser um bom profissional é preciso gostar de cuidar de gente. Este é o principal requisito para o sucesso na profissão, tanto para homens, quanto para mulheres.
O paciente deve ser privilegiado com uma atuação compreensiva e terapêutica que desenvolve um relacionamento estreito entre paciente e enfermeiro. Ampliando empaticamente uma habilidade de perceber os sentimentos do paciente e utilizar o relacionamento como experiência interpessoal corretiva (Ribeiro, 2005 in Bertone, Ribeiro e Guimarães, 2007).
Furegato (1999) afirma que todo o contato que a enfermagem tem com o paciente deveria ser terapêutico, isso implica em ajudar o paciente no momento em que ele necessita de cuidados profissionais do enfermeiro e sua equipe. Stefanelli (1993, in 2005 in Bertone, Ribeiro e Guimarães, 2007), afirma, é importante que a enfermeira tenha consciência de tudo o que está acontecendo, para que o paciente a veja como uma pessoa que ele possa confiar.
A comunicação terapêutica é defendida por Armelin (2000), Lucena e Góes (1999) e Tigulini e Melo (2002) afirmando que essa é a principal característica para o relacionamento humano, e para que ocorra desta maneira o enfermeiro deve conscientizar-se de seu papel nesse processo que exige além de procedimentos técnicos, ouvir o paciente e dar-lhe atenção adequada. O diálogo deve ser constante entre enfermeiro e paciente, cultivando confiança e respeito.
O serviço de saúde é procurado quando a pessoa tem real necessidade, e esse ambiente é totalmente diferente do seu ambiente doméstico ou daquele que é acostumado, portanto, muitas são as mudanças e de forma brusca, por exemplo, novas regras deverão ser respeitadas e novas atitudes serão adotadas. Dessa forma, a nova rotina altera sobremaneira o psicológico do paciente, portanto, a comunicação estabelecida entre enfermeiro e paciente pode ser impessoal (automática) ou Pessoal (trazendo afetividade no relacionamento), contudo, somente esta última favorece o estabelecimento de uma comunicação terapêutica (Paula, Furegato e Scatena, 2002).
Conforme Paula, Furegato e Scatena (2000), é fundamental a observância não só da comunicação verbal, mas também das expressões não-verbais do paciente acerca do seu sofrimento.
Ser enfermeiro requer muita atenção, habilidade e cuidado "a enfermagem precisa assistir os pacientes com ética e dignidade, utilizando conhecimentos científicos e éticos sendo criativa, procurando utilizar este atendimento, com menores riscos" sempre atenta em não ferir a dignidade do paciente (Ribeiro, 2005 in, Bertone, Ribeiro e Guimarães, 2007).
Por fim, é justo lembrar que o paciente continua sendo um ser humano e deve ser tratado como tal. A Declaração Universal dos Direitos dos homens, em seu artigo I diz "todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade." Acima de qualquer posição religiosa, a Declaração sugere que não é preciso ser homem de fé, a sua racionalidade é um indicador suficiente, tanto para ser respeitado como para ser movido a respeitar a dignidade do outro (Hryniewicz, 2002, in Vidal, 2007).
Contudo, apesar de haver melhorias incontáveis com esse relacionamento, também, abre precedentes para um problema muito sério e bastante discutido desde o último século, o stress.


STRESS: O MAL DO SÉCULO
Os seres humanos impulsionados por seu natural instinto gregário que através da história o tem feito construir grandes civilizações e a sociedade atual, têm se convertido em opressores de si mesmos e opressores dos demais como um todo, exigindo cada vez mais e mais todos os dias, até o ponto de acelerar desmedidamente seus ritmos de vida e deixando-se consumir por grandes demandas físicas, mentais e emocionais. Observa-se, que, deixar levar-se por este mundo cada vez mais globalizado e submergido no consumismo, é moda, uma moda claustrofóbica e produtora de doenças, tal como o stress (Mejía, 2007).
O ser humano, por natureza, diante de estímulos exteriores, responde com uma reação e, diante das exigências que o meio faz diariamente, a resposta obtida é um conjunto de fortes emoções negativas produzidas em seu cérebro que afetam sua vida diária, seu corpo e todas as tarefas que realiza fazendo que seu desempenho não seja o esperado, vivendo assim, um estado diário de tensão do qual nem sempre consegue sair. É como um elástico se fica muito tempo sob tensão, chega uma hora que ele rompe e perde a capacidade de reação. Todos estes problemas produzidos devido às exigências que o homem moderno enfrenta diariamente se englobam em um só termo, conhecido como stress (França &. Rodrigues, 1997).
O termo stress tem vários significados segundo o âmbito; por exemplo, na física e na arquitetura se refere a força aplicada sobre um objeto, que pode deforma-lo ou rompe-lo (Cano, 2002). Em 1936 Hans Selye, médico e pesquisador austríaco que trabalhava em Montreal, no Canadá, empregou pela primeira vez, como termo médico, a palavra inglesa stress, para caracterizar qualquer agente ou estímulo, nocivo ou benéfico, capaz de desencadear no organismo mecanismos neuroendócrinos de adaptação (Schott, 1993).
Em 1950 Hans Selye publicou a obra que o consagrou, na qual expôs de modo completo a síndrome geral de adaptação, sob o título: "Physiology and Pathology of Exposure to Stress, Montreal, 1950" (Morton, 1983).
Cano (2002) assinala que na psicologia, stress se refere usualmente a certos acontecimentos que ocorrem quando o homem se encontra em situações que implicam fortes demandas para o indivíduo, as quais podem esgotar todos os recursos de enfrentamento.
No entanto, o termo stress tem causado controvérsias desde que foi introduzido por Selye no campo da psicologia, pois, definiu o stress como uma resposta generalizada do organismo ante qualquer estímulo ou agente estressor e a qualquer situação estressante (Campos, 2006).
Lembrando o ponto de vista da psicologia, o stress tem sido entendido através dos seguintes enfoques (Cano, 2002):
Ø Como estímulo: o stress é capaz de provocar uma reação ou resposta por parte do organismo.
Ø Como reação ou resposta: o stress pode se evidencias em mudanças de condutas, mudanças fisiológicas e outras reações emocionais no indivíduo.
Ø Como interação: o stress interatua entre as características próprias de cada estímulo exterior e os recursos disponíveis do indivíduo para dar resposta ao estímulo.
Então, o stress pode ser definido como um processo ou seqüência de etapas, a qual começa quando o indivíduo recebe um conjunto de exigências impostas pelo meio, e as quais o indivíduo deve adaptar-se para dar uma resposta adequada e rápida usando todos os recursos disponíveis a sua disposição, induzindo o individuo a realizar um esforço que o esgote a fim de lograr êxito em tal resposta.
É justamente isso que ocorre atualmente, não há nada que seja alheio a este transtorno já que diariamente o homem submete-se a situações de tensão o o afeta em todos os aspectos de sua vida, sendo o stress aumentado pelo determinismo ambiental orientado a aumentar os problemas em lugar de solucioná-los. Então ao atuar assim o que se consegue é estressar-se ainda mais sem que o problema seja solucionado.
O stress se apresenta de distintas maneiras, segundo o tipo do indivíduo, porém de forma geral é possível reconhecer dois tipos de stress: Eustress (stress positivo) e Distress (stress negativo) (Santos, 2006).
O Eustress é o stress positivo, o qual é uma resposta a uma situação adequada; se considera o sal da vida, já que, constitui com freqüência uma alternativa frente ao aborrecimento e indiferença, proporciona motivação e energia para enfrentar os obstáculos que poderiam causar danos à felicidade e a auto-estima. E o Distress é o stress negativo, naquele que a reação de excitação é mantida quando não é necessária, já que existe a ameaça real (Santos, 2006).
ü Componentes e Fases do Stress
O stress tem dois componentes básicos (Campos, 2006):
ü Os agentes estressantes ou estressores;
ü A resposta ao stress.
Os chamados agentes estressores são todas as situações que ocorrem ao redor do homem e que produzem stress, sendo estas situações provocadas por pessoas, grupos ou conjuntos de grupos.
A respeito disso, Santos (2006) chama estressores a todos os fatores que originam stress e é enfático em afirmar que o nível de ativação do indivíduo se estima como o nível inicial de uma condição de stress.
Peiró (1992) afirma que os estressores podem ser identificados nas seguintes categorias:
ü Estressores de âmbito físico: ruído, vibração, iluminação, etc.
ü Demandas estressantes do trabalho: turno, sobrecarga, exposição a riscos.
ü Conteúdos de trabalho: Oportunidade de controle, uso, habilidades, variedade de tarefas, feedback, identidade de tarefa, complexidade do trabalho.
ü Stress por desempenho de funções: conflito, ambigüidade e sobrecarga.
ü Relações interpessoais e grupais: superiores, companheiros, subordinados, clientes.
ü Avanço de carreira: insegurança no trabalho, transações, estressores em diferentes estádios.
ü Novas tecnologias: aspectos ergonômicos, demandas, adaptação a mudanças, implantação.
ü Estrutura organizacional.
ü Clima organizacional.
ü Stress pela relação trabalho e outros âmbitos da vida (família, etc.): casais onde os dois trabalham.
A resposta ao stress pode entender-se como a reação que apresenta o indivíduo frente aos agentes estressores causadores de tal stress. Esta resposta apresentada pelo indivíduo frente a uma situação estressante pode ser de dois tipos (Campos, 2006):
ü Resposta em harmonia, adequada com a demanda que se apresenta.
ü Respostas negativas, insuficientes ou exageradas em relação com a questão apresentada, a qual gera uma desadaptação.
Neste ponto podem ser notadas significativas diferenças individuais, já que, para algumas pessoas certas experiências têm resultados fatigantes, difíceis ou com um fortíssimo efeito negativo sobre o organismo, para outras pessoas estas vivências têm resultados ligeiramente emocionantes e não ocasionam danos no sistema nervoso e em nenhuma parte do organismo.
Como definido anteriormente, o stress é um processo, e como tal implica uma seqüência de etapas ou fases para se desenvolver totalmente e chegue a sua máxima expressão, implicando muitas conseqüências negativas. Cabe mencionar que o stress pode se detido em qualquer dessas etapas, o que implica que o stress pode ser aliviado ou piorar até que alcance seu pleno desenvolvimento (Mejía, 2007).
O stress passa pelas seguintes fases (Bernik, 2008):
ü A fase aguda: Esta é a fase em que os estímulos estressores começam a agir. Nosso cérebro e hormônios reagem rapidamente, e nós podemos perceber os seus efeitos, mas somos geralmente incapazes de notar o trabalho silencioso do estresse crônico nesta fase.
ü A fase de resistência: Se o estresse persiste, é nesta fase que começam aparecer as primeiras conseqüências mentais, emocionais e físicas do stress crônico. Perda de concentração mental, instabilidade emocional, depressão, palpitações cardíacas, suores frios, dores musculares ou dores de cabeça freqüentes são os sinais evidentes, mas muitas pessoas ainda não conseguem relacioná-los ao stress, e a síndrome pode prosseguir até a sua fase final e mais perigosa:
ü A fase de exaustão: Esta é a fase em que o organismo capitula aos efeitos do stress, levando à instalação de doenças físicas ou psíquicas.

STRESS LABORAL
O stress no trabalho surge quando as exigências em torno do mesmo superam a capacidade das pessoas que farão frente ou que o tem sob seu controle (Banchs, Gonzáles & Morera, 1997).
Então, o que é stress laboral? Cano (2002) assinala que, o stress é, quando se produz uma discrepância entre as demandas do ambiente, e os recursos da pessoa para tomar sua dianteira. O stress é uma resposta adotada por parte do indivíduo, que num primeiro momento o ajuda a responder mais rápida e eficazmente as situações que, assim, dele o requerem.
A Organização Internacional do Trabalho OIT (1986) conceitua o stress do trabalho como sendo um conjunto de fenômenos que se apresentam no organismo do trabalhador e que, por este motivo, pode afetar sua saúde. Os principais fatores geradores de stress presentes no meio ambiente de trabalho envolvem os aspectos da organização, administração e sistema de trabalho e da qualidade das relações humanas.
O corpo se prepara para um super-esforço, sendo capaz de processar mais informação sobre o problema e atua de forma rápida e decidida. O problema é que o corpo humano tem recursos limitados e aparece o esgotamento.
Relacionado com esse stress crônico associado ao trabalho e para justificá-lo, aparece a Síndrome de Burnout expressão da língua inglesa que significa combustão completa.
Segundo Kleinman (1998), o burnout pode atingir diferentes profissões, em qualquer faixa etária, mas as profissões que exigem um intenso contato interpessoal são as que mais apresentam altos índices de burnout e, entre elas, encontram-se as profissões assistenciais. Para França (1977), burnout, no stress, se caracteriza por um conjunto de sinais e sintomas de exaustão física, psíquica e emocional, em conseqüência da má adaptação do sujeito a um trabalho prolongado, altamente estressante e com intensa carga emocional, podendo estar acompanhado de frustração em relação a si e ao trabalho.
Os estudos quanto à etiologia do stress na área do trabalho são inúmeros. As pesquisas sobre o stress associam burnout ao meio ambiente de trabalho, enfocando a freqüência, intensidade, características, exposição prolongada aos estressores e ao processo crônico do stress, levando o sujeito à exaustão física e psíquica.
É possível que a preparação de um determinado grupo de profissionais para enfrentar o stress nem sempre seja suficiente para resolver situações habituais de seu trabalho, dando lugar a aparição de dificuldades emocionais e comportamentais que permeiam um sentimento de fracasso pessoal e ou incapacidade para o exercício da profissão.

MÉTODO
Trata-se de um estudo bibliográfico, descritivo. A coleta de dados se deu através de revisão literária que apresentam os assuntos stress no trabalho do enfermeiro e relacionamento enfermeiro-paciente, com base na análise e interpretação de 15 artigos, 4 teses e 6 dissertações, impressas e eletronicas, produzidas entre 1977 a 2007. Este estudo não foi submetido ao Comitê de Ética em pesquisa, por ser uma revisão literária.

DISCUSSÃO
Embora haja muitos estudos investigativos feitos sobre a temática stress laboral, aqui são discutidos a partir dos quais foi possível o acesso, o que se deu através de revisão crítica da literatura. Salienta-se que as fontes de stress laboral do enfermeiro devido seu envolvimento emocional com o paciente, é um tema abundantemente discutido, no entanto, a discussão nesse artigo, será de certa maneira, limitada.
Autores como Gray-Toft e Anderson (1981, in Mcintyre, 1994) têm identificado agentes específicos de stress relacionados com reações adversas ao trabalho em ambiente hospitalar, nomeadamente: a sobrecarga de trabalho (física e mental); insegurança do trabalho e inadequação das capacidades do indivíduo ao trabalho; ambigüidade de papéis; trabalhar em domínios desconhecidos; servir uma população que vive ansiedade e medo; não participação nas decisões ou planejamento; responsabilidade por outras pessoas e sub-aproveitamento das suas capacidades; recursos inadequados; ambições não satisfeitas, conflito Interpessoal e mudanças tecnológicas, entre outros aspectos.
É interessante salientar que, através de uma revisão da literatura, Leppanen e Olkinuora (1987, in Mcintyre, 1994), mencionaram que, a maior parte dos enfermeiros consideram o seu trabalho compensador no que diz respeito a: proporcionar serviços com significado, serem capazes de utilizar e desenvolver as suas capacidades profissionais e possuírem desafios profissionais. Porém, segundo os mesmos autores, o desafio foi considerado, por cerca de metade dos enfermeiros, como fonte de stress, pelo fato de sentirem falta de preparação, particularmente no que se refere às habilidades psicológicas.
Gray-Toft e Anderson (1981, in Mcintyre, 1994), realizaram um estudo de stress em enfermeiros, no qual identificaram como principais situações indutoras de stress: a sobrecarga de trabalho e o fato de se sentirem insuficientemente preparados para lidar com exigências emocionais dos doentes e suas famílias. De acordo com Mcintyre (1994), a ambigüidade de papel pode ter origem na percepção comum dos profissionais de saúde, de que o seu trabalho com os doentes é ao mesmo tempo compensador e pesado. De fato, os enfermeiros têm de conviver com as expectativas dos doentes e familiares, as quais nem sempre convergem, podendo entrar em conflito com as suas atitudes pessoais.
Diversos estudos assinalam que existem muitas situações indutoras de stress, já referidas nesse artigo, porém, esses estudos revelam um conjunto de fontes de stress que podem ser consideradas específicas nos profissionais de enfermagem. As quais são fundamentalmente sócio-emocional e prendem-se ao contato com os doentes e a capacidade de responder às exigências emocionais dos mesmos. A falta de treino de competências psicológicas para lidar com tais exigências aumenta o stress desse contato (Mcintyre, 1994).
Nessa relação enfermeiro-paciente, a chamada humanização dos cuidados de saúde, tem motivado uma atenção especial às dimensões sociais e humanas da doença e do doente. Porém, esta humanização não se tem estendido à pessoa do profissional de saúde, cuja saúde é presumida e não promovida. Para este propósito, têm sido apresentadas como técnicas possíveis de redução do stress sócio-emocional a disponibilização de espaços privados para os profissionais de saúde, o treino de técnicas de redução de stress, como as técnicas de relaxamento, a disponibilização de grupos de discussão e aconselhamento individual ou grupal (Mcintyre, 1994).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
É questionável a discussão da melhoria dos cuidados de saúde sem prestar a devida atenção aos fatores organizacionais e sócio-emocionais que afetam os profissionais de saúde, podendo, ainda, ser agravada quando não há suporte psicológico da parte da própria instituição hospitalar, quer com colegas e superiores, quer com o doente e sua família. Por isso, torna-se indispensável o desenvolvimento de estudos nesta área, porque, só assim, terão realmente cuidados de saúde prestados por profissionais "saudáveis".
Considera-se, por isso, que o enfermeiro deve desenvolver novas técnicas, habilidades e capacidades, de tal modo, que permita o bem-estar da pessoa, possibilitando, inclusive, que, fique munido de instrumentos de trabalho para sentir segurança, seja qual for o estado de saúde da pessoa, não se limitando a cumprir prescrições médicas, evitando assim, sentimentos de impotência diante do paciente.
Deste modo, é grande a importância de uma visão holística do enfermeiro sobre o doente e acerca do cuidado e do emprego da comunicação terapêutica, priorizando a busca constante da humanização na prestação da assistência, combinada aos ganhos tecnológicos da área de saúde, a fim de, não virem a sofrer sobrecarga de função e emocional, as quais induzem ao stress e a ineficiência no trabalho.

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