A orientação educacional na educação básica: suas contribuições ao processo ensino-aprendizagem
 
A orientação educacional na educação básica: suas contribuições ao processo ensino-aprendizagem
 


A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA: SUAS CONTRIBUIÇÕES AO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Edvânia Alfredo de Almeida – Especialização FURNE/UNIPÊ
[email protected]
Kézia Silmara Costa Farias Barbosa – Especialização FURNE/UNIPÊ
[email protected]
Orientadora - Profª Ms. Eliane Brito de Lima – FURNE-UNIPÊ/PMCG


RESUMO
O referido trabalho apresenta um estudo bibliográfico realizado na Disciplina “Orientação Educacional na Educação Básica”, integrante do Curso de Especialização em Orientação e Supervisão Escolar, da Fundação Universitária de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão – FURNE, quando buscamos investigar o papel da Orientação Educacional na Educação Básica. Definimos como objetivo do nosso estudo: Refletir sobre o papel da Orientação Educacional na Educação Básica, evidenciando suas contribuições ao processo ensino-aprendizagem. Nosso referencial teórico está baseado em Schmidt e Pereira (1975), Nérici (1976), Ferretti (1988), Lück (1986, 1994), Grinspun (2003) e Libâneo; Oliveira e Toshi (2007) que nos apresentaram subsídios teóricos para uma melhor e mais ampla compreensão do tema. Enfocamos neste trabalho aspectos referentes à origem da Orientação Educacional, seus conceitos, princípios, objetivos e funções, além do relacionamento da OE com os diferentes segmentos da escola. Destacamos a importância da Orientação Educacional na mediação do processo ensino-aprendizagem, evidenciando a necessidade de ação integrada da OE, adotando uma relação dialógica com toda a equipe escolar, em prol de um melhor desempenho dos educandos. Neste sentido, reconhecemos a importância do planejamento para Orientação Educacional, visando à elaboração de projetos de atuação que atendam às necessidades surgidas em cada realidade. Por fim, enfatizamos os principais desafios e possibilidades da Orientação Educacional na atualidade, apresentando-se como campo de trabalho cada vez mais complexo em nossa sociedade.

Palavras-chave: Orientação Educacional – desafios – possibilidade - prática pedagógica


INTRODUÇÃO

    Nesse novo século, o grande desafio da educação escolar é agir diante do nível de conhecimentos que são acumulados e transformados numa intensa velocidade. Esses conhecimentos se articulam e fundam novas competências, inovações, saberes que se convertem na vida de cada indivíduo e, com isso, a escola precisa pensar e discutir coletivamente sobre as mudanças necessárias. Assim, os diferentes segmentos da escola, precisam estar conscientes de seus compromissos na colaboração e cooperação funcional diante dessa nova realidade. Nessa caminhada uma rede de saberes vai sendo tecida/construída, evidenciando as possibilidades dos educandos, suas virtudes, suas dificuldades, suas deficiências e suas aspirações. É com essa tomada de consciência que reconhecemos a importância do advento da Orientação Educacional, tendo em vista orientar/acompanhar o educando em todos os seus aspectos, a partir de sua realidade bio-psico-social.
O referido trabalho apresenta um estudo bibliográfico realizado na Disciplina “Orientação Educacional na Educação Básica”, integrante do Curso de Especialização em Orientação e Supervisão Escolar, da Fundação Universitária de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão – FURNE, quando buscamos investigar o papel da Orientação Educacional na Educação Básica. Definimos como objetivo do nosso estudo: Refletir sobre o papel da Orientação Educacional na Educação Básica, evidenciando suas contribuições ao processo ensino-aprendizagem.
Nosso referencial teórico está baseado em Schmidt e Pereira (1975), Nérici (1976), Ferretti (1988), Lück (1986, 1994), Grinspun (2003) e Libâneo; Oliveira e Toshi (2007) que nos apresentaram subsídios teóricos para uma melhor e mais ampla compreensão do tema. Enfocamos neste trabalho aspectos referentes à origem da Orientação Educacional, seus conceitos, princípios, objetivos e funções, além do relacionamento da OE com os diferentes segmentos da escola. Destacamos a importância da Orientação Educacional na mediação do processo ensino-aprendizagem, evidenciando a necessidade de ação integrada da OE, adotando uma relação dialógica com toda a equipe escolar, em prol de um melhor desempenho dos educandos. Neste sentido, reconhecemos a importância do planejamento para Orientação Educacional, visando à elaboração de projetos de atuação que atendam às necessidades surgidas em cada realidade. Por fim, enfatizamos os principais desafios e possibilidades da Orientação Educacional na atualidade, apresentando-se como campo de trabalho cada vez mais complexo em nossa sociedade.

    
DESENVOLVIMENTO

    A Orientação Educacional surgiu no início do século XX, nos Estados Unidos, com o intuito de orientar os educandos para uma adequada escolha profissional. Sua função era ajudar ao aluno a definir um melhor cargo ou profissão que ele almejasse exercer. Mas, logo surgiram inseguranças e dificuldades do educando e assim, foi necessária uma assistência mais abrangente para bem conduzi-lo a vida social e pessoal.  
    Com base nos estudos de Nerici (1976) verificamos que no Brasil a Orientação Educacional apareceu por volta de 1930, pelo educador Lourenço Filho, com a denominação de “Serviço de Orientação profissional e Educacional”. Mais tarde, em 1940, a educadora Maria Junqueira Schmidt, desencadeou um trabalho de divulgação da Orientação Educacional  por todo o país , através de cursos, conferências e escritos, por meio da CADES (Campanha de Aperfeiçoamento do Ensino Secundário) e do Ministério da Educação e Cultura, incentivando a criação da Orientação Educacional nas escolas.
    A expressão orientação Educacional entendida como um serviço auxiliar da escola aparece pela primeira vez, na legislação federal, no Decreto-lei n. 4.073, de 30/1/42 (lei orgânica do Ensino Industrial). A formulação mais cabível, porém, aparece na Lei Orgânica do Ensino Secundário, no Decreto-lei nº. 4. 424, de 9/4/42, quando prevê em seu art. 80: “Far-se-á, nos estabelecimentos de ensino secundário, Orientação Educacional”.
    A implantação da Lei nº 5.564, de 21/12/68, estabelece que a Orientação Educacional deve assistir o educando em seu convívio individual ou grupal, visando ao desenvolvimento integral e harmonioso de sua personalidade como elementos  influenciadores nos exercícios de suas funções básicas.
    Conforme Nérici (1976) a Orientação Educacional por meio da Lei n.º 5.692, de 11/8/71, fica assim estabelecida: Art.10. “Será instituída, obrigatoriamente, a orientação Educacional, incluindo aconselhamento vocacional em cooperação com professores, família e comunidade”.
    Sob essa óptica, a Orientação Educacional tornou-se obrigatória nos estabelecimento de ensino através da legislação, passando a ser    devidamente consagrada.
Conforme Nérici (1976, p.21) o conceito de Orientação Educacional  pode ser entendido a partir de “um processo educativo através do qual se assiste o educando, a fim de que ele possa obter pleno rendimento das atividades escolares, formular e realizar planos conforme suas capacidades e seus  interesses e assim atingir mais harmoniosamente os fins últimos de uma educação integral”.
    Assim, o papel do orientador na área de educação é pensar, discutir, projetar, orientar e acompanhar o educando em suas atividades escolares, a fim de que essas ações se concretizem em uma educação integrada de desenvolvimento.
    Consideramos que toda ação integrada necessita ser orientada por princípios, visando o alcance de objetivos comuns. Nérici (1976, p.24) destaca alguns princípios significativos para o trabalho da Orientação Educacional, assim como: respeitar o educando em sua realidade, qualquer que seja ela; dar ênfase aos aspectos preventivos do comportamento humano; procurar envolver todas as pessoas relacionadas com o processo de educação do educando, como diretor, professores, pais, serventes e outros, para que todos cooperem com a Orientação Educacional, no sentido de ajudá-la a melhor desenvolver o educando.
    Como podemos perceber a Orientação Educacional tem uma árdua e complexa tarefa a executar. Portanto para alcançar a excelência de suas ações são necessários alguns objetivos. Ainda segundo Nérici (1976, p. 25), podemos destacar: Orientar para melhor ajustamento na escola, no lar e na vida social em geral; orientar uma escolha profissional adequada às possibilidades e aspirações de cada educando, com esclarecimentos sobre a essência dessas atividades profissionais e como habilitar-se para o exercício das mesmas; trabalhar para uma adequada formação, imbuindo de valores éticos necessários para uma vida digna e de respeito ao próximo, assim como, trazer a família para cooperar de maneira mais esclarecida, eficiente e positiva na vida do educando.
    Nessa direção, os objetivos que integram a Orientação Educacional se confundem com suas funções, embora estas se revistam de sentido mais prático e mais próximo da execução. As funções da OE podem ser classificadas em: função do planejamento, função da organização, função de atendimento geral, de atendimento individual e de aconselhamento e de relacionamento. Para concretizar suas funções, a OE precisa ter um bom relacionamento com professores, diretor, educandos, família e comunidade. Para descentralizar decisões e tornar as relações funcionais menos verticalizadas, a Orientação Educacional precisa trabalhar em perfeita harmonia com a direção, sem subordinação, mas de forma integrada e cooperativamente.
    Precisamos, também, pensar a orientação no âmbito profissional, favorecendo a escolha profissional dos educandos, em decorrência dos interesses prevalecentes das sociedades industriais. De acordo com Ferretti (1988), o objetivo fundamental e específico da Orientação profissional é auxiliar o indivíduo no processo de escolha profissional adequada. Trocando em miúdos, esses objetivos se desdobram em outros tais como: Ajudar o indivíduo a obter, organizar e utilizar informações objetivas a respeito de si mesmo e do mundo do trabalho; ajudar a dominar uma metodologia que o instrumentalize na tomada de decisões  profissionais.
    No que se refere à orientação vocacional, Nérici (1976, p.86) enfatiza: “a orientação vocacional deve ser introduzida desde cedo na vida escolar e deve ser contínua durante o tempo em que o educando permanecer na escola, visando a desenvolver uma vocação útil para a qual tenha aptidões e tenha revelado interesse”.  
    Corroborando com o autor, entendemos que a orientação vocacional visa desenvolver atitudes fundamentais ao exercício das funções dos educandos inerentes às suas escolhas profissionais. Para isso é necessário conhecer, por exemplo, as características da economia e seu papel nesta economia, portanto, é dentro dessa visão que surge o orientador vocacional para ajudar na realização dessas  funções básicas. É ele quem vai planejar, dirigir, controlar e coordenar os conhecimentos que serão direcionados para as áreas de interesse imediato dos educandos.
    No tocando as contribuições da Orientação Educacional ao processo ensino-aprendizagem, com base em Libâneo, Oliveira e Toschi (2007), vimos que há quatro elementos que interfere nas relações entre trabalho docente e organização escolar: a gestão, o projeto político pedagógico, a organização e articulação do currículo e o investimento no desenvolvimento profissional dos professores e/ou profissionais da educação. Todas essas áreas de atuação são fatores determinantes da eficácia escolar e da melhoria dos processos de ensino aprendizagem.
O papel do orientador educacional ocorre, portanto, inserido na gestão pedagógica da escola, onde a OE desempenha uma função mediadora e de articulação dos diferentes membros da equipe escolar, em prol de um bom desempenho do educando. A ação integrada compreende uma abordagem interdisciplinar e reconhece a escola enquanto construção coletiva.
     Conforme Luck (1994, p. 60), o objetivo da pedagogia interdisciplinar é, portanto, o de “promover a superação da visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade [...] de modo a permitir ao mesmo tempo uma melhor compreensão da realidade e do homem como ser determinante e determinado”. A interdisciplinaridade, portanto, surge a partir da relação teoria e prática, de modo que ambas se enriquecem reciprocamente, não consistindo numa desvalorização das disciplinas e nem dos conhecimentos produzido por elas.
Para a referida autora, “a orientação pelo enfoque interdisciplinar para orientar a prática pedagógica implica em romper hábitos e acomodações, em buscar algo novo e desconhecido” (LÜCK, 1994, p. 88). Nessa direção, ela corresponde a um contexto de ensino, que leva à construção da necessária e urgente humanização pela visão globalizadora, daí o porquê de sua importância.
O papel da Orientação Educacional hoje, como aponta Grinspun (2003) é o de mediação na escola, pois ela se reveste de mais um campo na escola, não como tom preventivo, corretivo, mas com um olhar pedagógico, fazendo um trabalho de interdisciplinaridade entre fatos /situações, ações /razões e emoções que levam o indivíduo a agir de determinada maneira. Ele também tem um papel dinamizador, valorizando a dinâmica das relações.
Dessa forma, afirma ele, precisamos recorrer aos estudos do que se convencionou chamar pós-modernidade, que se caracteriza pela “indeterminação, descontinuidade e pluralismos”.
Assim, a Orientação Educacional procura ajudar a escola a compreender e buscar sua verdadeira missão, mesmo num mundo repleto de contradições e desafios. Nesse sentido, è impossível pensar no trabalho do orientador sem relacioná-lo aos métodos e técnicas de estudo sistemáticos do educando.
Schmidt e Pereira (1975) apresentam inúmeras técnicas e processos utilizados pelo orientador para a aquisição das informais indispensáveis à identificação do educando, tais como: observação, questionário, anedotário, fichas, diário, autobiografia, anedotário, estudo de caso, sociograma e entrevista.
A seleção e/ou definição da metodologia de trabalho da Orientação Educacional, assim como dos instrumentos a serem utilizados em cada caso, compreende a ação de planejamento, visando uma melhor estruturação da ação pedagógica da OE. Com base nos estudos de Lück (1986, p. 16) verificamos que o planejamento em Orientação Educacional, “é um processo de estruturação e organização da ação intencional realizado mediante análises de informação, determinação de estados entre outros”. Nessa direção, o planejamento é o processo que exerce a função de estruturar, e organizar o funcionamento e o desenvolvimento das ações intencionalizadas.
    De acordo com a mesma autora, a importância do planejamento em Orientação Educacional reside nas mais variadas situações, pois o orientador realiza múltiplas tarefas, desde o controle de disciplinas até as situações emergenciais de distribuição da merenda.
São muitas as expectativas em torno do trabalho da Orientação Educacional. No entanto, precisamos apontar algumas limitações ao trabalho do orientador educacional, reconhecendo que este só é possível graças à colaboração e cooperação do corpo docente da escola. A Orientação não atua sozinha ou isoladamente, mas o seu trabalho está vinculado às decisões e ações de toda uma equipe.
Neste sentido, Lück (1994, p. 80), considera fundamental que “haja diálogo, engajamento, participação dos professores, na construção de um projeto comum, voltado para a superação da fragmentação do ensino e do seu processo pedagógico”. A autora ainda propõe aos educadores um desafio, no sentido de que possamos assumir na escola, uma atitude interdisciplinar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Como síntese dos nossos estudos reconhecemos as contribuições da Orientação Educacional na mediação do processo ensino-aprendizagem, enfatizando os desafios e possibilidades de atuação do OE em uma realidade cada vez mais complexa. A realidade escolar apresenta uma série de problemas que afetam o trabalho do professor e dos especialistas da educação. O orientador precisa ousar e elaborar um plano de ação anual, partindo de toda a caracterização escolar, visando atender as necessidades da escola. Neste sentido, deve buscar sempre a formação continuada para que esteja atualizado e tenha condições de intervir junto ao educando, individual ou coletivamente.



Referências


FERRETTI, Celso João. Considerações Críticas a respeito da Orientação profissional. In____, Uma Nova Proposta de Orientação Profissional. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1988, p. 13-50.

GRINSPUN, Mirian Paura S. Zippin. O papel da orientação educacional diante das perspectivas atuais da escola. In: Supervisão e orientação educacional: perspectivas de integração na escola. São Paulo. Cortez, 2003. p. 69-95.

LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira; TOSCHI, Seabra Mirza. As Áreas de Atuação da organização e da Gestão Escolar para Melhor Aprendizagem dos Alunos. In: _____. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2007, p. 355-378.
   
LÜCK, Heloísa. Planejamento em Orientação Educacional. Petrópolis: Vozes, 1986.

_____, Heloísa. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teóricos – metodológicos. Petrópolis: Vozes, 1994.

NÉRICI, Imídio Giuseppe. Introdução à Orientação Educacional. São Paulo: Atlas, 1976.

SCHMIDT, Maria Junqueira; PEREIRA, Maria de Lourdes de Souza. Orientação Educacional. Rio de janeiro: Agir, 1975.

 
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